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quinta-feira, 14 de agosto de 2003

terça-feira, 12 de agosto de 2003

Fumos

Portimão está de novo coberta de fumo. Uma vez mais os olhos ardem, em reflexo daquilo que se passa a norte, não sei se no concelho de Silves, se no concelho de Portimão, se no concelho de Monchique.

Ao mesmo tempo, o Cherne faz demagogia em directo na televisão, e a única coisa que eu tenho para lhe dizer é: "vai pró /&%/&(/#%&!"

Mais fogo em Langton

Mais uma vez, tenho de vos enviar até à Formiga de Langton, para vos mostrar a verdadeira imagem das coisas. A fotografia do Algarve em chamas, datada dos princípios do incêndio, ainda ele estava muito longe de Aljezur (que é aquela mancha mais clara, na costa ocidental e um pouco mais a norte, perto da massa branca das nuvens), é, como todas as fotografias, a imagem mais clara que pode haver. Por estas horas, passava eu, de carro, pela Via do Infante entre o nó de Portimão, encerrado ao trânsito para obras, e o nó de Alvor. As chamas viam-se da estrada, em pleno dia. Mas não se via um único bombeiro ou outro qualquer protector civil. E muito menos um governante.

Nada mais há a dizer, pois não?

sábado, 9 de agosto de 2003

Viver no inferno

Portimão está debaixo duma densa nuvem de fumo. No sul da cidade, a zona mais afastada do incêndio, a garganta arranha e os olhos lacrimejam e piscam de forma quase involuntária. O calor espalha-se em ondas de suor pelas costas nuas, e as garrafas vazias de água acumulam-se ao lado da secretária.

Viver nas margens do inferno é assim. No inferno, ali uns quilómetros para norte, é só um pouco mais quente, há só um pouco mais de fumo, e em vez da música e do palavreado inconsequente do rádio, os sons que se ouvem são gritos e o crepitar da lenha.

sexta-feira, 1 de agosto de 2003