Muitos de vós provavelmente não saberão disto, mas existe um prémio literário de ficção especulativa (ficção científica e géneros afins, se o termo vos confunde) em língua portuguesa. Chama-se Argos, é atribuído pelo Clube de Leitores de Ficção Científica, no Brasil, e destina-se a premiar as melhores obras do ano anterior escritas em língua portuguesa.
Sim, isso mesmo: inclui não só as brasileiras, mas também as portuguesas. E as angolanas, moçambicanas, guineenses, etc., etc., se as houver e delas chegar aos votantes sinal.
Os premiados são escolhidos pelos sócios do CLFC, o que causa um natural enviesamento visto que a esmagadora maioria dos sócios do CLFC é brasileira. Mas nem todos o são: o clube não impõe restrições de nacionalidade a quem quiser fazer-se sócio, portanto o material do lado de cá não é totalmente destituído de possibilidades.
O prémio é atribuído em duas categorias: ficção curta e ficção longa. Ou seja: contos (o que vai do mini-conto à novela) e romances.
O ano passado não foi muito prolífico em termos de publicação de material meu. As ficções muito curtas têm dificuldades em impor-se neste tipo de prémio, e a maioria do que publiquei integra-se nessa categoria. Além disso, as exceções estão, na minha opinião abalizada, algo abaixo do meu melhor: Uma História Verdadeira, Segundo Quem a Contou e Quem Quer ser Super-Herói? Mas se acharem que alguma destas histórias vale o vosso voto, não serei eu que vos irei demover.
Relativamente a obras alheias que publiquei, há mais algumas histórias com dimensão para poderem, eventualmente, ter alguma possibilidade de entrar na competição. Eis a lista:
Decepções da Paternidade, de Miguel Hernâni Guimarães;
Variável da Imponderabilidade, de Tibor Moricz;
O Pacto Macabro da Velha Antonha, de Afonso Luiz Pereira;
A Rapariga de Areia, de G. B. Nunes;
Terra Brasilis, de Gerson Lodi-Ribeiro.
Se acharem que alguma (ou várias, quiçá) destas histórias vale o vosso voto, não se façam rogados. E se não sabem porque ainda não as leram, estão à espera de quê?
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
quarta-feira, 9 de julho de 2003
Este ARGOS e os outros (8)
Tem havido alguma turbulência nas categorias do ARGOS dedicadas a premiar a melhor publicação.
Inicialmente era apenas uma categoria, onde se incluíam quer antologias ou colectâneas (isto é: livros de contos), quer revistas e fanzines, ou seja, publicações periódicas (embora por vezes não o fossem lá muito). Foi assim no ARGOS de 2000 e no de 2001, mas em 2002 esta categoria dividiu-se em duas. Nasceu assim a categoria de "melhor livro", que inclui antologias, colectâneas e livros de referência, em 2002 apenas em edição de papel, mas em 2003 incluindo também edições electrónicas. Pelo outro lado, nasceu também a "melhor publicação periódica", englobando revistas e fanzines em papel e, a partir de 2003, também as suas equivalentes electrónicas.
No ano de arranque, houve 10 publicações a ser indicadas nesta categoria, sendo que duas delas foram impugnadas. No ano seguinte, estes números subiram até às 22, com 3 impugnações.
Não são muitos os nomes que surgem duas vezes, e quando isso acontece significa geralmente que se trata de publicações periódicas, consideradas suficientemente relevantes para merecerem indicações sucessivas. É o caso da revista portuguesa Paradoxo, hoje extinta, cujo editor era Daniel Tércio. Também era o caso da Quark, primeiro fanzine editado por Marcelo Baldini, e depois revista editada por Baldini e por Aldo Novak, e entretanto desaparecida. É também o caso do Juvenatrix, fanzine de Renato Rosatti, e das Notícias... do Fim do Nada, fanzine de Ruby Felisbino Medeiros.
Caso diferente é o de Roberto de Sousa Causo, que aparece na lista dos dois anos como editor de dois fanzines diferentes. O português António de Macedo também surge duas vezes, no mesmo ano (2001), através da sua colectânea O Cipreste Apaixonado e da antologia A Viagem, que organizou com Silvana de Menezes. Fábio Barreto surge também como editor do fanzine Intrepid e como co-editor da revista Sci-Fi News. Marcello Simão Branco é também indicado duas vezes, no mesmo ano, pelo fanzine Megalon e pela co-organização da antologia Terra Incognita, mas esta última indicação é impugnada, uma vez que o outro organizador da antologia, Gerson Lodi-Ribeiro, é um dos organizadores do prémio.
E uma vez que isto já vai longo, interrompo aqui a 8ª prestação desta série.
Inicialmente era apenas uma categoria, onde se incluíam quer antologias ou colectâneas (isto é: livros de contos), quer revistas e fanzines, ou seja, publicações periódicas (embora por vezes não o fossem lá muito). Foi assim no ARGOS de 2000 e no de 2001, mas em 2002 esta categoria dividiu-se em duas. Nasceu assim a categoria de "melhor livro", que inclui antologias, colectâneas e livros de referência, em 2002 apenas em edição de papel, mas em 2003 incluindo também edições electrónicas. Pelo outro lado, nasceu também a "melhor publicação periódica", englobando revistas e fanzines em papel e, a partir de 2003, também as suas equivalentes electrónicas.
No ano de arranque, houve 10 publicações a ser indicadas nesta categoria, sendo que duas delas foram impugnadas. No ano seguinte, estes números subiram até às 22, com 3 impugnações.
Não são muitos os nomes que surgem duas vezes, e quando isso acontece significa geralmente que se trata de publicações periódicas, consideradas suficientemente relevantes para merecerem indicações sucessivas. É o caso da revista portuguesa Paradoxo, hoje extinta, cujo editor era Daniel Tércio. Também era o caso da Quark, primeiro fanzine editado por Marcelo Baldini, e depois revista editada por Baldini e por Aldo Novak, e entretanto desaparecida. É também o caso do Juvenatrix, fanzine de Renato Rosatti, e das Notícias... do Fim do Nada, fanzine de Ruby Felisbino Medeiros.
Caso diferente é o de Roberto de Sousa Causo, que aparece na lista dos dois anos como editor de dois fanzines diferentes. O português António de Macedo também surge duas vezes, no mesmo ano (2001), através da sua colectânea O Cipreste Apaixonado e da antologia A Viagem, que organizou com Silvana de Menezes. Fábio Barreto surge também como editor do fanzine Intrepid e como co-editor da revista Sci-Fi News. Marcello Simão Branco é também indicado duas vezes, no mesmo ano, pelo fanzine Megalon e pela co-organização da antologia Terra Incognita, mas esta última indicação é impugnada, uma vez que o outro organizador da antologia, Gerson Lodi-Ribeiro, é um dos organizadores do prémio.
E uma vez que isto já vai longo, interrompo aqui a 8ª prestação desta série.
sexta-feira, 27 de junho de 2003
Este ARGOS e os outros (7)
Concluo hoje a olhadela ano a ano sobre as publicações onde foram publicados os textos candidatos a melhor ficção:
No ano passado, o ARGOS abriu-se à edição on-line o que, caso o prémio continue, pode bem vir a transformar-se num marco, vista a quantidade de textos digitais que fazem parte das listas deste ano. Mas no ano passado as coisas ainda não foram bem assim, e só a Oficina de Escritores e o E-nigma conseguiram levar textos seus a votação. Este último site, no entanto, com 5 indicações, foi uma das duas publicações mais profusamente indicadas, lado a lado com o Megalon, seguindo-se-lhes a revista Quark, com 4. Outro facto relevante deste ano foi o quase desaparecimento de antologias e colectâneas das listas de indicados, com Novelas, Espelhos e um Pouco de Choro (2 indicações) e As Sereias do Espaço (1 indicação) a "salvar a honra do convento". Mais uma vez, no entanto, o vencedor não saiu de nenhuma das publicações mais indicadas – foi um livro editado pela Ano-Luz. Nas posições secundárias é que, de facto, o número se transformou em prémio, com o E-nigma a arrecadar o segundo lugar e a Quark o terceiro.
Este ano, o regresso das grandes antologias trouxe um fenómeno chamado Como era Gostosa a Minha Alienígena!, que arrasou por completo a concorrência, com nada menos de 14 trabalhos indicados para o prémio (um deles impugnado), transformando esse livro, de uma penada, na segunda publicação com mais indicações, na soma dos 4 anos de prémio. A grande distância, mas ainda assim com um agradável número de 7 indicações, aparece o Megalon, seguindo-se-lhe o site da Intempol, com 5, e a Scarium, com 3. A lista inclui 10 outras publicações, das quais 3 são exclusivamente electrónicas, e das restantes poucas são as que não têm uma presença relevante na web. Quanto a vencedores, ficaremos à espera, e eu nem faço prognósticos nem dou opiniões.
Fim da parte dedicada à melhor ficção. A próxima parte já se irá debruçar sobre a categoria de melhor publicação.
No ano passado, o ARGOS abriu-se à edição on-line o que, caso o prémio continue, pode bem vir a transformar-se num marco, vista a quantidade de textos digitais que fazem parte das listas deste ano. Mas no ano passado as coisas ainda não foram bem assim, e só a Oficina de Escritores e o E-nigma conseguiram levar textos seus a votação. Este último site, no entanto, com 5 indicações, foi uma das duas publicações mais profusamente indicadas, lado a lado com o Megalon, seguindo-se-lhes a revista Quark, com 4. Outro facto relevante deste ano foi o quase desaparecimento de antologias e colectâneas das listas de indicados, com Novelas, Espelhos e um Pouco de Choro (2 indicações) e As Sereias do Espaço (1 indicação) a "salvar a honra do convento". Mais uma vez, no entanto, o vencedor não saiu de nenhuma das publicações mais indicadas – foi um livro editado pela Ano-Luz. Nas posições secundárias é que, de facto, o número se transformou em prémio, com o E-nigma a arrecadar o segundo lugar e a Quark o terceiro.
Este ano, o regresso das grandes antologias trouxe um fenómeno chamado Como era Gostosa a Minha Alienígena!, que arrasou por completo a concorrência, com nada menos de 14 trabalhos indicados para o prémio (um deles impugnado), transformando esse livro, de uma penada, na segunda publicação com mais indicações, na soma dos 4 anos de prémio. A grande distância, mas ainda assim com um agradável número de 7 indicações, aparece o Megalon, seguindo-se-lhe o site da Intempol, com 5, e a Scarium, com 3. A lista inclui 10 outras publicações, das quais 3 são exclusivamente electrónicas, e das restantes poucas são as que não têm uma presença relevante na web. Quanto a vencedores, ficaremos à espera, e eu nem faço prognósticos nem dou opiniões.
Fim da parte dedicada à melhor ficção. A próxima parte já se irá debruçar sobre a categoria de melhor publicação.
quinta-feira, 26 de junho de 2003
Este ARGOS e os outros (6)
Talvez não tenha ficado claro em capítulos anteriores destes posts, mas esta olhadela sobre o ARGOS é feita com base em dados que me foram fornecidos pelo CLFC e que eu tratei de maneira a retirar dos dados em bruto alguns números com maior ou menor interesse.
Feito o esclarecimento, voltemos às publicações que serviram de veículo aos candidatos a melhor ficção.
Em 2000, como já se disse, apenas 8 publicações conseguiram levar textos à votação do ARGOS. Mas foi um ano equilibrado, sem nenhuma publicação que se destacasse muito das demais. Apesar disso, o Megalon, com 4 indicações, é a publicação mais indicada, seguindo-se-lhe a Quark e o Banco de Talentos FEBRABAN, com 3 cada, e um trio constituído por Somnium, editora Record e Coleção Fantástica com 2 indicações cada. Quanto aos premiados, o Somnium teve o primeiro classificado e a Coleção Fantástica o segundo e o terceiro.
2001 foi um ano muito diferente. Repleto (para o nível habitual de edição no Brasil) de edições de antologias e colectâneas, teve na colecção Terra Incognita a grande arrebatadora de indicações ao ARGOS de melhor ficção, com um total de 10, graças a três colectâneas diferentes. O Megalon volta a estar nos lugares cimeiros, com 6 indicações, tantas quantas as indicações provenientes da antologia Intempol. As antologias Phantastica Brasiliana e Lugar de Mulher é na Cozinha e a colectânea Interface com o Vampiro recolhem 4 indicações cada. O Megalon e o Somnium (2 indicações) são, neste ano, as únicas publicações periódicas que conseguem ter mais do que uma história indicada, o que não deixa de ser significativo.
O vencedor, curiosamente, não chega de nenhuma destas publicações, mas sim da editora Rocco. Também um dos terceiros classificados chega através de uma das publicações menos indicadas, a antologia portuguesa A Viagem (2 indicações). E do grupo das publicações com maior número de trabalhos postos a votação apenas a antologia Intempol se conseguiu impor, conquistando um segundo lugar e um terceiro.
E aqui faço mais um intervalo. Na próxima parte falar-vos-ei do ano passado e deste.
Feito o esclarecimento, voltemos às publicações que serviram de veículo aos candidatos a melhor ficção.
Em 2000, como já se disse, apenas 8 publicações conseguiram levar textos à votação do ARGOS. Mas foi um ano equilibrado, sem nenhuma publicação que se destacasse muito das demais. Apesar disso, o Megalon, com 4 indicações, é a publicação mais indicada, seguindo-se-lhe a Quark e o Banco de Talentos FEBRABAN, com 3 cada, e um trio constituído por Somnium, editora Record e Coleção Fantástica com 2 indicações cada. Quanto aos premiados, o Somnium teve o primeiro classificado e a Coleção Fantástica o segundo e o terceiro.
2001 foi um ano muito diferente. Repleto (para o nível habitual de edição no Brasil) de edições de antologias e colectâneas, teve na colecção Terra Incognita a grande arrebatadora de indicações ao ARGOS de melhor ficção, com um total de 10, graças a três colectâneas diferentes. O Megalon volta a estar nos lugares cimeiros, com 6 indicações, tantas quantas as indicações provenientes da antologia Intempol. As antologias Phantastica Brasiliana e Lugar de Mulher é na Cozinha e a colectânea Interface com o Vampiro recolhem 4 indicações cada. O Megalon e o Somnium (2 indicações) são, neste ano, as únicas publicações periódicas que conseguem ter mais do que uma história indicada, o que não deixa de ser significativo.
O vencedor, curiosamente, não chega de nenhuma destas publicações, mas sim da editora Rocco. Também um dos terceiros classificados chega através de uma das publicações menos indicadas, a antologia portuguesa A Viagem (2 indicações). E do grupo das publicações com maior número de trabalhos postos a votação apenas a antologia Intempol se conseguiu impor, conquistando um segundo lugar e um terceiro.
E aqui faço mais um intervalo. Na próxima parte falar-vos-ei do ano passado e deste.
sábado, 21 de junho de 2003
Este ARGOS e os outros (5)
Depois de uma pausa, regresso à minha olhadela sobre o ARGOS, presente e passado. Concluída a parte dedicada aos autores das diferentes histórias candidatas à categoria de "melhor ficção", falta ainda falar sobre as publicações onde surgiram essas histórias.
No total, surgem nas listas do ARGOS 40 publicações diferentes, ainda que algumas estejam estreitamente relacionadas. É o caso, por exemplo, da Quark, primeiro fanzine e depois revista, e da Antologia Quark; É o caso do Banco de Talentos, que surge assim designado nas indicações de 2002 mas designado como Banco de Talentos FEBRABAN nas de 2000; É o caso do E-nigma e da antologia O Planeta das Traseiras; É o caso do fanzine Hiperespaço e da Nova Coleção Fantástica (e talvez também da Coleção Fantástica?); É o caso da antologia Intempol e do site Intempol; É o caso da Scarium e da Scarium / Hiperdrive. E será o caso, porventura, de algumas outras relações menos discerníveis à primeira vista por quem não conhece na perfeição a cena FC&F brasileira.
Mas são os números que ficam. E estes dizem-nos que, à excepção do ano 2000, em que apenas 8 publicações tiveram direito a trabalhos indicados ao ARGOS, a estabilidade tem sido quase total. Com efeito, em 2001 houve 15 publicações envolvidas nesta fase do prémio, voltou a haver 15 em 2002 e este ano há 14. Isto é particularmente curioso se atendermos a que tanto o número de autores como o número de trabalhos têm vindo a subir ano após ano.
Relativamente a totais, o grande dominador é o fanzine Megalon, que teve trabalhos indicados todos os anos em número suficiente para totalizar 22, e que deixa muito longe as restantes publicações periódicas. A que mais se aproxima é a extinta revista Quark, em quarto lugar com um total de 8 indicações, ficando os restantes 5 lugares de topo entregues às colectâneas, antologias e colecções da editora Ano-Luz, como Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (14 indicações, uma impugnada), Terra Incognita (10 indicações, uma impugnada, em 3 colectâneas diferentes) e Intempol (6 indicações).
É bom notar aqui que a forma como estão organizadas as edições tem grande influência nestes números. Se cada uma das colectâneas incluídas em "Terra Incógnita" fosse apresentada separadamente, como acontece com outros livros, não só o quinto lugar do total teria de ser entregue às publicações com 5 indicações cada (os sites da Intempol e do E-nigma e o fanzine Somnium), como os totais de publicações teriam de ser revistos e o mais provável seria a tal estabilidade de que falo mais acima se desfazer, ou pelo menos tornar-se menos clara.
Por hoje, a conversa já vai longa. Deixo para a próxima uma análise ano a ano.
No total, surgem nas listas do ARGOS 40 publicações diferentes, ainda que algumas estejam estreitamente relacionadas. É o caso, por exemplo, da Quark, primeiro fanzine e depois revista, e da Antologia Quark; É o caso do Banco de Talentos, que surge assim designado nas indicações de 2002 mas designado como Banco de Talentos FEBRABAN nas de 2000; É o caso do E-nigma e da antologia O Planeta das Traseiras; É o caso do fanzine Hiperespaço e da Nova Coleção Fantástica (e talvez também da Coleção Fantástica?); É o caso da antologia Intempol e do site Intempol; É o caso da Scarium e da Scarium / Hiperdrive. E será o caso, porventura, de algumas outras relações menos discerníveis à primeira vista por quem não conhece na perfeição a cena FC&F brasileira.
Mas são os números que ficam. E estes dizem-nos que, à excepção do ano 2000, em que apenas 8 publicações tiveram direito a trabalhos indicados ao ARGOS, a estabilidade tem sido quase total. Com efeito, em 2001 houve 15 publicações envolvidas nesta fase do prémio, voltou a haver 15 em 2002 e este ano há 14. Isto é particularmente curioso se atendermos a que tanto o número de autores como o número de trabalhos têm vindo a subir ano após ano.
Relativamente a totais, o grande dominador é o fanzine Megalon, que teve trabalhos indicados todos os anos em número suficiente para totalizar 22, e que deixa muito longe as restantes publicações periódicas. A que mais se aproxima é a extinta revista Quark, em quarto lugar com um total de 8 indicações, ficando os restantes 5 lugares de topo entregues às colectâneas, antologias e colecções da editora Ano-Luz, como Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (14 indicações, uma impugnada), Terra Incognita (10 indicações, uma impugnada, em 3 colectâneas diferentes) e Intempol (6 indicações).
É bom notar aqui que a forma como estão organizadas as edições tem grande influência nestes números. Se cada uma das colectâneas incluídas em "Terra Incógnita" fosse apresentada separadamente, como acontece com outros livros, não só o quinto lugar do total teria de ser entregue às publicações com 5 indicações cada (os sites da Intempol e do E-nigma e o fanzine Somnium), como os totais de publicações teriam de ser revistos e o mais provável seria a tal estabilidade de que falo mais acima se desfazer, ou pelo menos tornar-se menos clara.
Por hoje, a conversa já vai longa. Deixo para a próxima uma análise ano a ano.
quarta-feira, 11 de junho de 2003
Este ARGOS e os Outros (4)
São 26 os autores presentes em listas de indicados de anos anteriores mas ausentes delas este ano. A esmagadora maioria (21) destes autores passou pelo ARGOS uma única vez, o que não significa grande coisa em termos de qualidade, visto que neste grupo encontramos nomes como Max Mallmann, vencedor do prémio em 2001 graças ao seu romance Síndrome de Quimera, ou Ignácio de Loyola Brandão, prestigiado escritor brasileiro. Hidemberg Alves da Frota, Maria Helena Bandeira e Ricardo Rebelo já publicaram em Portugal, sendo que este último é português. Os restantes é que são, de facto, menos conhecidos, particularmente do lado oriental do oceano.
Restam cinco nomes. Deles, quem tem mais indicações é Ivan Carlos Regina, com 4 trabalhos indicados, mas ausente do ARGOS já pelo 2º ano consecutivo. A ausência de maior vulto é, no entanto, a de Jorge Luiz Calife, cujas 3 indicações lhe proporcionaram duas presenças entre os premiados, ambas em 3º lugar. Em 2000 através de Invasores da Sétima Dimensão, e em 2002 graças a Uma Semana na Vida de Fernando Alonso Filho.
Por fim, com duas indicações surge Martha Argel de braço dado com dois intempolianos: Jorge Nunes e Osmarco Valladão.
Conclui-se aqui a parte desta série dedicada aos autores candidatos a Melhor Ficção. No próximo capítulo falarei um pouco acerca das publicações em que estes trabalhos surgiram.
Restam cinco nomes. Deles, quem tem mais indicações é Ivan Carlos Regina, com 4 trabalhos indicados, mas ausente do ARGOS já pelo 2º ano consecutivo. A ausência de maior vulto é, no entanto, a de Jorge Luiz Calife, cujas 3 indicações lhe proporcionaram duas presenças entre os premiados, ambas em 3º lugar. Em 2000 através de Invasores da Sétima Dimensão, e em 2002 graças a Uma Semana na Vida de Fernando Alonso Filho.
Por fim, com duas indicações surge Martha Argel de braço dado com dois intempolianos: Jorge Nunes e Osmarco Valladão.
Conclui-se aqui a parte desta série dedicada aos autores candidatos a Melhor Ficção. No próximo capítulo falarei um pouco acerca das publicações em que estes trabalhos surgiram.
segunda-feira, 9 de junho de 2003
Este ARGOS e os outros (3)
Como já sabem, o número de autores indicados uma vez para o ARGOS deste ano ascende à bonita cifra de 14, o que é mais do que todos os indicados de 2000, e é metade mais um dos indicados deste ano.
É um grupo cheio de estreantes nas andanças do ARGOS. São oito nomes novos, que se vêm juntar aos dois que estreiam com duas indicações. À primeira vista poderá parecer que se trata de uma onde da renovação na FC brasileira (e portuguesa), mas só em parte isso é verdade.
Vários dos nomes novos correspondem a autores que já andam por estas andanças há algum tempo. Os dois casos mais paradigmáticos são os de Daniel Alvarez (indicação impugnada - trata-se de um pseudónimo de Gerson Lodi-Ribeiro) e da portuguesa Maria de Menezes, ambos com carreiras com mais de 10 anos. Mas também entre os restantes (Alexandre Mandarino, Gian Danton, Luiz Felipe Vasquez, Marcia Kupstas, Marta Rolim e Paulo Elache) há autores com alguma experiência, a par de novidades absolutas, particularmente aqueles autores ligados à INTEMPOL.
Este grupo de 14 não se esgota, evidentemente, nos estreantes, e inclui alguns autores importantes também em edições anteriores do prémio e na FC de língua portuguesa em geral. Miguel Carqueija e Octávio Aragão têm a sua 5ª indicação, ambos têm nome firmado na FC brasileira, e o segundo alcançou, inclusive, um terceiro lugar em 2001 pelo conto que lançou o universo Intempol: Eu Matei Paolo Rossi. Roberval Barcellos, presença constante desde 2001, recolhe este ano a sua 4ª indicação. Ataíde Tartari e Luís Filipe Silva, sendo que este último é um dos principais autores portugueses, atingem a terceira indicação. Finalmente, Adriana Simon, depois de passar dois anos ausente das listas de indicados do ARGOS, regressa com a sua segunda indicação.
No próximo capítulo falarei um pouco de alguns dos ausentes.
É um grupo cheio de estreantes nas andanças do ARGOS. São oito nomes novos, que se vêm juntar aos dois que estreiam com duas indicações. À primeira vista poderá parecer que se trata de uma onde da renovação na FC brasileira (e portuguesa), mas só em parte isso é verdade.
Vários dos nomes novos correspondem a autores que já andam por estas andanças há algum tempo. Os dois casos mais paradigmáticos são os de Daniel Alvarez (indicação impugnada - trata-se de um pseudónimo de Gerson Lodi-Ribeiro) e da portuguesa Maria de Menezes, ambos com carreiras com mais de 10 anos. Mas também entre os restantes (Alexandre Mandarino, Gian Danton, Luiz Felipe Vasquez, Marcia Kupstas, Marta Rolim e Paulo Elache) há autores com alguma experiência, a par de novidades absolutas, particularmente aqueles autores ligados à INTEMPOL.
Este grupo de 14 não se esgota, evidentemente, nos estreantes, e inclui alguns autores importantes também em edições anteriores do prémio e na FC de língua portuguesa em geral. Miguel Carqueija e Octávio Aragão têm a sua 5ª indicação, ambos têm nome firmado na FC brasileira, e o segundo alcançou, inclusive, um terceiro lugar em 2001 pelo conto que lançou o universo Intempol: Eu Matei Paolo Rossi. Roberval Barcellos, presença constante desde 2001, recolhe este ano a sua 4ª indicação. Ataíde Tartari e Luís Filipe Silva, sendo que este último é um dos principais autores portugueses, atingem a terceira indicação. Finalmente, Adriana Simon, depois de passar dois anos ausente das listas de indicados do ARGOS, regressa com a sua segunda indicação.
No próximo capítulo falarei um pouco de alguns dos ausentes.
domingo, 8 de junho de 2003
Este ARGOS e os outros (2)
Relativamente aos autores propriamente ditos, a lista de indicados deste ano é, como já vimos, mais extensa do que em anos anteriores, o que tem como consequência que há menos nomeações concentradas num número pequeno de autores. Este ano ninguém tem mais de 3 nomeações, e esse número só é atingido por dois autores: Carlos Orsi Martinho e Simone Sauerressig. Martinho é, aliás, e de longe, quem teve mais trabalhos indicados para o ARGOS durante os últimos quatro anos: nada menos que 17, dos quais um, As Dez Torres de Sangue, conquistou o segundo lugar em 2000. Sauerressig, com um total de 8 indicações, encerra o top-3 dos autores mais indicados, mas nunca teve nenhum trabalho premiado.
Segue-se a este duo um grupo de 11 autores com duas indicações cada. Neste grupo inclui-se Fábio Fernandes, o segundo mais indicado de sempre com as suas 9 indicações, e também o mais premiado graças ao primeiro lugar de 2002 com A Revanche da Ampulheta e ao segundo lugar de 2001 com A Vingança da Ampulheta. Lúcio Manfredi e Roberto de Sousa Causo têm este ano 2 das suas 5 indicações (Causo teve uma delas impugnada), e Carla Cristina Pereira, João Barreiros e eu próprio duplicamos as indicações, sendo que quer Pereira (3º lugar em 2001 por Xoxiquetzal e a Esquadra da Vingança), quer Barreiros (2º lugar em 2002 por Disney no Céu Entre os Dumbos) foram já premiados.
Gabriel Bozano e Rogério Amaral de Vasconcellos conseguem este ano mais uma indicação do que em anos anteriores, e André Carneiro, Ernesto Nakamura e Georgiana Calimeris estreiam-se no ARGOS em 2003, e logo a dobrar.
Deixarei para outro dia os 14 autores com uma indicação cada.
Segue-se a este duo um grupo de 11 autores com duas indicações cada. Neste grupo inclui-se Fábio Fernandes, o segundo mais indicado de sempre com as suas 9 indicações, e também o mais premiado graças ao primeiro lugar de 2002 com A Revanche da Ampulheta e ao segundo lugar de 2001 com A Vingança da Ampulheta. Lúcio Manfredi e Roberto de Sousa Causo têm este ano 2 das suas 5 indicações (Causo teve uma delas impugnada), e Carla Cristina Pereira, João Barreiros e eu próprio duplicamos as indicações, sendo que quer Pereira (3º lugar em 2001 por Xoxiquetzal e a Esquadra da Vingança), quer Barreiros (2º lugar em 2002 por Disney no Céu Entre os Dumbos) foram já premiados.
Gabriel Bozano e Rogério Amaral de Vasconcellos conseguem este ano mais uma indicação do que em anos anteriores, e André Carneiro, Ernesto Nakamura e Georgiana Calimeris estreiam-se no ARGOS em 2003, e logo a dobrar.
Deixarei para outro dia os 14 autores com uma indicação cada.
sábado, 7 de junho de 2003
Este ARGOS e os outros (1)
Começo aqui uma série de posts acerca do prémio ARGOS, que mais tarde poderão vir a ser reunidos num artigo a ser publicado ou no E-nigma ou nalguma outra publicação, digital ou não, que se mostre interessada.
A ideia é fazer um apanhado geral do que tem sido o ARGOS nos últimos anos, comparando com a edição deste ano, analisando as indicações e os vencedores, categoria a categoria.
Começo pela categoria desde sempre mais disputada: a de melhor ficção. Trata-se de uma categoria que pretende premiar narrativas individuais, sejam contos, novelas ou romances, publicadas individualmente ou integradas em outras publicações.
Este ano foram indicados pelos sócios do CLFC como merecedores de disputar o prémio 42 trabalhos, tendo duas dessas indicações sido impugnadas. É o segundo valor mais elevado de sempre, só perdendo para o ano de 2001, em que houve 45 indicações (uma impugnação). 2002, com 27 indicações, e 2000, com 18, ficaram bastante longe destes valores.
Este ano é, por outro lado, o recordista no que se refere ao número de autores envolvidos nesta fase do prémio. 27 autores indicados (um impugnado) são bastante mais do que os 22 de 2001, 21 de 2002 e 13 de 2000. Já agora, eu chamo "autor" quer a autores individuais, quer a equipas, mas o único efeito prático que isso tem é o de fazer aparecer duas vezes nas listas o nome de Patati.
Ou seja, parece que os números frios e, quem sabe, pouco significativos, mostram um ceto progresso, pelo menos, no interesse que o prémio desperta.
Por hoje fico-me por aqui.
A ideia é fazer um apanhado geral do que tem sido o ARGOS nos últimos anos, comparando com a edição deste ano, analisando as indicações e os vencedores, categoria a categoria.
Começo pela categoria desde sempre mais disputada: a de melhor ficção. Trata-se de uma categoria que pretende premiar narrativas individuais, sejam contos, novelas ou romances, publicadas individualmente ou integradas em outras publicações.
Este ano foram indicados pelos sócios do CLFC como merecedores de disputar o prémio 42 trabalhos, tendo duas dessas indicações sido impugnadas. É o segundo valor mais elevado de sempre, só perdendo para o ano de 2001, em que houve 45 indicações (uma impugnação). 2002, com 27 indicações, e 2000, com 18, ficaram bastante longe destes valores.
Este ano é, por outro lado, o recordista no que se refere ao número de autores envolvidos nesta fase do prémio. 27 autores indicados (um impugnado) são bastante mais do que os 22 de 2001, 21 de 2002 e 13 de 2000. Já agora, eu chamo "autor" quer a autores individuais, quer a equipas, mas o único efeito prático que isso tem é o de fazer aparecer duas vezes nas listas o nome de Patati.
Ou seja, parece que os números frios e, quem sabe, pouco significativos, mostram um ceto progresso, pelo menos, no interesse que o prémio desperta.
Por hoje fico-me por aqui.
terça-feira, 3 de junho de 2003
Portugal e o ARGOS
Mais uma entradazita bloguiana acerca do ARGOS, desta vez para falar da representação portuguesa num prémio que embora seja aberto a toda a língua portuguesa, acaba por ser apenas luso-brasileiro dada a inexistência, que se saiba, de literaturas de FC&F nos restantes países lusófonos.
Então, que há de português nesta edição do ARGOS? Além das minhas coisas, já referidas abaixo, aparece o nome de João Barreiros, com duas nomeações: Não Estamos Divertidos e Quatro Milhões de Lolitas. Luís Filipe Silva também lá aparece com uma indicação, por Pequenos Prazeres Inconfessáveis. E, a rematar o quarteto português, surge o nome de Maria de Menezes, indicada por Boas-Vindas. À excepção do primeiro trabalho de Barreiros (e dos meus), todas as outras indicações portuguesas surgem através da antologia Como era Gostosa a Minha Alienígena!, sendo que há duas indicações brasileiras que aparecem através duma publicação portuguesa: as duas indicações de Gabriel Bozano, por contos publicados no Dragão Quântico e no E-nigma.
Por fim, a melhor publicação concorre ainda o site Tecnofantasia, do Luís Filipe Silva.
E tudo o resto é verde e amarelo...
Então, que há de português nesta edição do ARGOS? Além das minhas coisas, já referidas abaixo, aparece o nome de João Barreiros, com duas nomeações: Não Estamos Divertidos e Quatro Milhões de Lolitas. Luís Filipe Silva também lá aparece com uma indicação, por Pequenos Prazeres Inconfessáveis. E, a rematar o quarteto português, surge o nome de Maria de Menezes, indicada por Boas-Vindas. À excepção do primeiro trabalho de Barreiros (e dos meus), todas as outras indicações portuguesas surgem através da antologia Como era Gostosa a Minha Alienígena!, sendo que há duas indicações brasileiras que aparecem através duma publicação portuguesa: as duas indicações de Gabriel Bozano, por contos publicados no Dragão Quântico e no E-nigma.
Por fim, a melhor publicação concorre ainda o site Tecnofantasia, do Luís Filipe Silva.
E tudo o resto é verde e amarelo...
segunda-feira, 2 de junho de 2003
Eu e o ARGOS
Pois lá tou, mais um ano, nas listinhas do ARGOS, prémio brasileiro que premeia os trabalhos que são considerados os melhores na FC e fantástico em língua portuguesa. Mais um ano sem a mínima ilusão acerca de me aproximar sequer dos 3 finalistas (pena que não há prémio para melhor livro, que O Planeta das Traseiras era um dos dois indicados), mas é sempre saboroso fazer parte das listas.
E estou nas listas com o quê? Com Sally e com No Vento Frio de Tharsis, a concorrer a melhor ficção com mais 38 trabalhos, e com o E-nigma na luta pelo prémio de melhor publicação entre 16 revistas, fanzines, ezines, etc.
Este ano, os portugueses também podem votar, o que põe mais algum equilíbrio nas possibilidades das publicações em papel, que têm grandes dificuldades em atravessar o oceano. Isso talvez impeça a Sally de sair da liça com um rotundo zero no número de votos. Mas pouco mais.
Desejo boa sorte a todos, e que ganhem os melhores. Eu sei quem são. Não sou eu.
E estou nas listas com o quê? Com Sally e com No Vento Frio de Tharsis, a concorrer a melhor ficção com mais 38 trabalhos, e com o E-nigma na luta pelo prémio de melhor publicação entre 16 revistas, fanzines, ezines, etc.
Este ano, os portugueses também podem votar, o que põe mais algum equilíbrio nas possibilidades das publicações em papel, que têm grandes dificuldades em atravessar o oceano. Isso talvez impeça a Sally de sair da liça com um rotundo zero no número de votos. Mas pouco mais.
Desejo boa sorte a todos, e que ganhem os melhores. Eu sei quem são. Não sou eu.
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