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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Semana

O tempo passa depressa quando um tipo anda ocupado. Liga-se a televisão, vê-se que está a dar o top+, e percebe-se com um misto de espanto e choque que já se está outra vez no sábado. Depois olha-se para trás, tenta-se perceber o que a semana trouxe de novo à vida e ao que dela se derrama para o mundo. E percebe-se.

Pois desta vez foram mais 50 páginas do "livrito" do Martin, que fizeram baixar o número das que faltam para 181. Já passou de meio e ainda nem o pequeno Fevereiro chegou ao fim.

Foi também um belo avanço no wiki, que se contabilizou em 190 páginas novas que fizeram subir o total para 15794. Muito material brasileiro, ou pelo menos editado no Brasil, muita Intempol. Não que os bibliowikianos brasileiros se tenham mexido muito, há que dizer.

E foi ainda uma série de leituras.

Fechei, com uns artigos de que não vale a pena falar, a leitura do número 611 da Fantasy & Science Fiction, que inclui um conto absolutamente magnífico e dois ou três muito bons. Mesmo contando com aqueles que não me agradaram muito, foi uma óptima leitura que valeu bem a pena. Bastaria The Sleeping Woman para fazer com que a leitura desta revista valesse bem a pena.

Não Havendo Notícias não há Novidade é uma noveleta de Pierre Christin, de uma ficção científica algo space-operática, sobre um jornalista que descobre uma cacha capaz de abalar os alicerces do império galáctico. Trata-se de uma bela parábola sobre o colonialismo e o poder da informação e da imprensa, que tem ainda o bónus de jogar bem com a evolução tecnológica: na sociedade contemporânea ao jornalista, as notícias são transmitidas de uns mundos para os outros instantaneamente, mas a cacha que o jornalista descobre tem origem em acontecimentos antigos, que tinham sido transmitidos séculos antes por via electromagnética, ou seja, à velocidade da luz. Bastante bom.

A Cidade é uma crónica/conto alegórica de José Saramago, que se socorre de um ambiente fantástico para falar de si próprio e do seu processo de auto-conhecimento. Um bocado meh, há que dizê-lo.

Verão Foguete é um pequeníssimo conto de Ray Bradbury sobre os efeitos meteorológicos que uma pequena cidade sofre quando se dá o lançamento de foguetes das imediações. E sim, é ficção científica: foi escrito oito anos antes do Sputnik. Nada de superlativo, e algo atropelado pela realidade, este conto vale mais pelo efeito que tem no livro que abre do que por si próprio.

Amizade é um conto mainstream de S. Y. Agnon de que francamente não gostei. Mesmo. Um homem irascível começa por se irritar com Fulano e Beltrano, para depois se perder na cidade onde mora, sem conseguir lembrar-se da rua em que mora, e acabar por encontrar a casa nos olhos de um rapaz. Mesmo descontando o cheirinho algo fétido a pedofilia gay, fecha-se o conto a pensar "hm... e daí?" Um belo bah.

My Night With Aphrodite é um divertido poema de Tim Pratt, sobre um one-night stand com a deusa Afrodite, após o qual a deusa se revela a mais típica das mulheres, torcendo o nariz a todas as insignificâncias e acabando, evidentemente, na rua. Gostei! Sou um malandro, mea culpa.

O Grande Roubo é outro conto mainstream, este de Ray Bradbury, um conto ternurento sobre um roubo de um maço de misteriosas cartas de amor que uma velhota guardava há décadas, e que vai desembocar na concretização de um velho amor impossível. Muito bem escrito e executado, apesar do tema não ser propriamente aquele que mais me desperta o interesse (e na verdade já li outros contos semelhantes). Mas é bom.

E foi isto. Para a semana, que provavelmente chegará sem que eu dê por isso, haverá mais.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Semana

Eis-nos no fim de mais uma semana, a primeira com um certo cheirinho a primavera. Já há luz lá fora, já os dias se esticam. Até já andei na rua de manga curta, sem sofrer com isso espirros ou arrepios.

Mas a maior parte do tempo é passada aqui, com este livro que tenho em frente aberto na minha frente, a tratar de transformar páginas bem escritas em inglês em páginas o mais bem escritas possível em português. A semana terminou com 231 páginas em falta, o que quer dizer que ao longo dela se traduziram 44. Só. Pouco, muito pouco, graças a dois dias em que não me deixaram dormir e estive, na prática, com o cérebro desligado.

Há vizinhos que deviam ser mergulhados em alcatrão e penas e corridos da cidade à pedrada.

Outra parte do tempo é passada às voltas com o wiki, que está neste momento com 15 604 páginas, o que significa 86 novidades relativamente a uma semana atrás. Foram vários autores, vários romances e uma antologia e respectivo conteúdo, basicamente.

Outra parte do tempo é passada a ler. Ler, que é ao mesmo tempo prazer e trabalho, porque para um tradutor ler na sua língua é fundamental para a manter oleada e livre de impurezas, para evitar que nela se vão insinuando aos poucos expressões e modos de dizer característicos da língua de origem.

Não que tenha lido muitas coisas. Mas ainda li Cidade Verde, Algures em Marte; Marte Algures no Egipto, uma introdução que Bradbury escreveu muitos anos depois das Crónicas Marcianas, e que é uma leitura interessantíssima por mostrar o modo como o autor concilia para si próprio o seu Marte imaginário com o Marte muito diferente que nos é revelado pela ciência. Pode não se concordar com algumas das afirmações que ele ali faz, e eu não concordo, mas achar-se na mesma este pequeno texto fascinante.

Ainda li O Alpendre, de Herman Melville, um conto que me parece cumprir à risca os preceitos do fantástico todoroviano, por deixar o leitor na dúvida sobre a realidade daquilo que lhe é contado. Um grande aplauso à tradução é inevitável, embora não tenha gostado particularmente do conto em si.

Ainda li Junk DNA, de Rudy Rucker e Bruce Sterling, uma noveleta de ficção científica sobre as peripécias que rodeiam a descoberta de uma forma de expressar o ADN lixo, isto é, aquelas porções do nosso código genético que separam (e unem) os genes e aparentemente estão desprovidas de informação útil. Também não gostei lá muito: a maior parte do texto é dedicado às peripécias que rodeiam a criação e manutenção de uma empresa de tecnologia de ponta criada para explorar essa descoberta, que espelham rigorosamente o ambiente das dot-coms no início do século XXI, um ambiente que de FC nada tem, apesar de apimentado por quantidade apreciável de termos em jargão de geneticista, e o final pareceu-me forçado e algo disparatado.

E li Casa Dividida, um conto inclassificável de Ray Bradbury, que conta um momento de passagem num grupo de jovens amigos que se costumam juntar para contar uns aos outros histórias de terror. Mas a noite que o conto descreve é uma noite especial, por marcar a iniciação sexual de um desses jovens ao mesmo tempo que acontece uma morte na família. Historia belissimamente bem construída, plena de subtileza, e francamente perturbadora.

E foi só isso. Espero que a semana que agora começa seja (bastante) mais produtiva. Para já, tenho aqui quatro páginas que sobraram de ontem.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Semana

E pronto, de volta ao trabalho e ao Martin. Acabou-se o que era doce, blá, blá, blá, aquelas coisas banais que se dizem quando se volta ao trabalho e ao Martin. O horizonte de eventos é agora 2 de Abril. Dá. Faltam 275 páginas, o que provavelmente significa que antes de Abril já estou com o Martin todo despachado (ou antes: à espera do Dance, como montes de outra gente) e de volta à outra senhora.

No wiki, a semana lucrou 41 novas páginas, o que levou o total a subir a 15 518. Uma dessas páginas novas apela à colaboração de todos. Trata-se de um sítio onde a ideia é reunir tudo quanto seja eventos com data marcada no fantástico em português, informação que geralmente se encontra dispersa por aí, quando as coisas não se limitam mesmo a passar despercebidas. Bora enchê-la?

Quanto a leituras, li Biblioteca Requintada, mais um belo conto de Zoran Zivkovic que acompanha as desventuras dum snobe literário que, para seu espanto e horror, encontra um livro de bolso na sua estante. Um livro de bolso, imagine-se! Claro que se vai desfazer dele imediatamente. Mas descobre que não é assim tão fácil. Um conto repleto de ironia, e que ainda por cima funciona como o laçarote que ata todos os outros contos do livro numa unidade (motivo pelo qual, suponho, há quem chame romance a este conjunto de contos). E claro que é o último conto do livro que, portanto, também terminei. Este chama-se Biblioteca (claro) e é muito bom e muito recomendável, apesar de algumas falhas de tradução: embora a tradutora, croata, tenha um conhecimento excelente da língua portuguesa, ele não é perfeito, e aqui e ali nota-se a sua condição de estrangeira. Mas, àparte essas falhas, até faz em geral um bom trabalho.

Também li Impossível Amor, uma noveleta de ficção científica de Jean-Pierre Andrevon com um título que descreve o texto. É, claro, sobre uma história de amor impossível entre um homem normal e uma mulher hipersensitiva, e o fulcro do conto é a descoberta gradual de quem é a mulher e do que se passa com ela. Literariamente muito bom, como, aliás, é timbre do autor (os dois livros dele publicados na Caminho são magníficos). E bem traduzido, o que é espantoso atendendo ao facto do tradutor ser o mesmo que fez um péssimo trabalho em vários dos outros contos do livro.

Por fim, li mais uma noveleta, esta em estrangeiro: Watching Matthew, de Damon Knight. Trata-se de um exercício de estilo na segunda pessoa, contado pelo fantasma de um gémeo morto que acompanha a vida do gémeo sobrevivente, resumida em breves episódios dispersos no tempo. Não posso dizer que tenha gostado por aí além desta história fantástica: pareceu-me ter mais literatura do que conteúdo, o que é sempre um desequilíbrio que causa algum engulho neste leitor que aqui escreve.

E até para a semana.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Semana

Ui. Já passou mais uma? Deixem-me cá deslocar os maxilares num enorme bocejo e fazer estalar todas as outras articulações do corpo numa espreguiçadela que valha por semanas e semanas de trabalho contínuo. Ah! Já está.

Sim, estive sem fazer nenhum. Um Homo sapiens não é uma máquina e volta e meia precisa destes períodos de indolência. A teoria do senso comum diz que depois deles vem mais capaz de fazer o que tem de fazer. Provavelmente é verdade.

E, bem, "fazer nenhum" é um certo exagero, visto que o wiki continuou a crescer. Na semana que passou foram 45 as páginas novas, o que fez subir o total a 15 477. Seja como for, é pouco para uma semana sem trabalho; também no wiki houve descanso.

Na frente das leituras, li um conto de Guy de Maupassant, Um Passeio ao Campo, conto mainstream e maroto sobre umas senhoras sexualmente insatisfeitas que vão passear ao campo e conhecem uns robustos barqueiros de braços nus e bronzeados. Longe das minhas preferências, mas é boa literatura, e é bom e recomendável ler de vez em quando da boa literatura que não tem nada de fantástico. Nem que seja para ganhar ou manter alguma perspectiva.

Também li Olá, Tenho de me ir Embora, um muito bom conto fantástico de Ray Bradbury sobre o fantasma de um morto que aparece a um amigo e desabafa a sua tristeza por a mulher já não passar o tempo a chorar a sua morte. Ternurento, muito bem escrito e poético.

Li ainda Biblioteca Mínima, de Zoran Zivkovic, outro conto fantástico, no qual um escritor em crise de imaginação recebe de presente um livro muito especial. De cada vez que o abre, o conteúdo é diferente. Conto muito bem concebido, e embora eu tenha de confessar que já estava à espera do fim, Zivkovic ainda conseguiu trocar-me as voltas ao fingir seguir por outro caminho durante algum tempo.

Li ainda Lembro-me do Vento Mau do Espaço, de Daniel Walther, um conto muito mal traduzido que conta uma história em que um trio de astronautas é aprisionado por uma entidade alienígena indistinguível de uma espécie de asteróide cristalino que quer "amá-los". Faz lembrar de certa maneira o Disney no Céu Entre os Dumbos, do Barreiros, ou, dadas as datas de cada um, talvez seja mais correcto dizer que o do Barreiros lembra este. Em tema, que não em forma. O conto de Walter é bastante mais experimental em termos literários, e muito menos opressivo, apesar do tema. São abordagens. Não gostei tanto como do do Barreiros, até por causa da tradução, mas gostei.

Por fim, e em estrangeiro, li In the City of Dead Night, de Tanith Lee, uma noveleta de ficção científica pós-apocalíptica que se mistura com a fantasia no sentido do velho adágio de Clarke acerca de toda a tecnologia suficientemente avançada ser indistinguível da magia. Um casal de ladrões vai tentar roubar coisas preciosas de uma velha cidade abandonada por uma civilização extinta. À Stalker, mas com a diferença de os ladrões pertencerem a uma cultura regredida a um estado pré-industrial. Mas, tal como no Stalker, a cidade encontra-se defendida por algo que os intrusos não compreendem. O conto pareceu-me bom, embora tivesse tido dificuldade em prender-me, por algum motivo que não consegui compreender. Talvez fosse o estilo de Lee, não sei.

"Por fim", enfim. Li mais coisas; uns artigos, algumas dezenas de páginas de um romance, coisas por aqui e por ali na web, etc. Mas de artigos não me parece que valha a pena falar aqui, do romance falarei quando o terminar, e a web, por alguma razão, não costumo meter na conta de "leituras", o que é capaz de ser parvo. E o etc., é... um etc. Portanto resta-me pôr o ponto final neste post, prometendo outro para o próximo sábado.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Semana

Aaaaah! Que bom que é estar de descanso, por breve que ele seja!

Sim, a tradução está feita, revista e enviada à editora. Antes do fim do prazo, como eu gosto. Agora seguem-se uns diazitos de calma, relativa porque tenho muitas coisas não-laborais a fazer, e depois toca a despachar o que falta do último livro (o 8º) do Martin.

O wiki subiu mais um bocadinho. 33 páginas novas ao longo da semana fizeram subir o total para 15 432. E tem havido também uma série de mudanças em páginas já existentes.

Quanto a leituras, não foram propriamente abundantes. Ficam resumidas com dois títulos.

O primeiro é Se Matarem a MGM, Quem Fica com o Leão?, de Ray Bradbury, um conto passado na Segunda Guerra Mundial e que reflecte o clima de paranóia existente na costa ocidental dos EUA, à espera de um ataque japonês. Não achei grande coisa. De novo o tema não é dos mais chamativos, e desta vez a prosa nem é tão brilhante como isso.

O outro é Biblioteca Infernal, de Zoran Zivkovic, um conto magnificamente irónico sobre um homem que vai parar ao inferno e, em vez das chamas e tormentos de que estaria à espera, depara com o funcionário aborrecido de uma biblioteca, cuja tarefa é decidir qual a leitura que lhe servirá de tortura para toda a eternidade. Muito bom.

E foi só isto. De hoje a sete dias haverá mais.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Semana

Vivam, oh meus dois fiéis leitores, como costuma dizer o Lúcio Manfredi (para quem não sabe, um escritor brasileiro de FC&F cujo "day job" é escrever telenovelas).

Sim, sim, sim. A tradução terminou. Viva, pim pam pum, rebentam morteiros, cascatas e outros elementos de fogo de artifício cujos nomes tenho preguiça de ir agora pesquisar. Ainda não me lancei à revisão; isso começa amanhã. Por agora há uns problemas da vida não laboral a tentar resolver.

O wiki deu um pulinho. Com 15 399 artigos, cresceu 65 ao longo da última semana. E além disso tem uma novidade na página inicial, que passa agora a incluir uma lista dos nascimentos e falecimentos do dia, gerada automaticamente. Os visitantes habituais do site poderão ter de forçar um refrescamento da cache para apresentar a data correcta, mas fora isso está a funcionar sobre rodas. E parabéns à Safaa.

E no que toca a leituras, acabei umas coisas, como quase sempre.

Acabei um romance com o bizarro título de "Aconteceu Mesmo!?..." e, sim, tudo isto faz parte do título, incluindo as aspas. É de José Saibreira e não é tão catastroficamente mau como o título pode fazer crer, à excepção do segundo capítulo, que realmente é uma catástrofe. Pondo de parte este segundo capítulo, em que o autor se assume como protagonista, se descreve, e resolve usar esse púlpito para pregar de sua justiça, o romance é uma história de viagem no tempo que leva um grupo de alteradores da história insatisfeitos com a presente fraqueza de Portugal até ao século XVIII, onde introduzem tecnologia e alguns dos usos do presente, tentando transformar o país na superpotência da época, recuperar as colónias perdidas para holandeses e não só, e ganhar mais algumas, além de dar porrada nos espanhóis. Tudo com muito nacional-porreirismo à mistura, umas dosezinhas de pregação católica, apesar de também a inquisição levar no toutiço, e uma ideologia em geral francamente facholas. Porreiro, pá! Ou não: apesar de não ser catastroficamente mau, é mau.

Siga.

Também li Os Condutores de Cometas, mais uma das antiquíssimas noveletas de Edmond Hamilton. E, claro, há nela um imenso e muito mortal perigo, uma expedição com uma imensa frota de cruzadores espaciais para enfrentar o perigo, uma batalha que parece correr mal, um salvamento in extremis e a solução milagrosa que salva o universo. A marginal dose de originalidade reside em desta vez nem todos os expedicionários acabarem presos dos alienígenas malignos: são só alguns. Ah, sim, e a natureza do perigo, claro. Desta feita é um cometa (!) gigantesco que ameaça destruir a galáxia (!!!). A mente dá um nó com o tamanho do disparate: na época (1930) já se tinha uma ideia bastante correcta da monumental diferença de escala entre uma galáxia e um cometa. Esta péssima história encerra um péssimo livrinho que é das piores coisinhas que a FC me apresentou nos últimos anos: Patrulha Interstelar. FC pulp da pior espécie, formulaica, disparatada e infantil. Consegue ser pior que o Saibreira.

Para compensar, li A Hosita, de Serge Nigon, um conto de FC que apesar de não ser particularmente bom, admito, e de não estar lá muito bem traduzido, me deliciou por ser magnificamente subversivo. Descreve uma sociedade em que a igreja está transformada num autêntico centro de orgias, cheio de agarrados às "hositas" (e a semelhança com "hóstia" não é casual) que lhes causam grandes pedradas. Tudo dirigido por um computador central. E segue o trajecto duma espécie de sacristão que no meio de todo aquele regabofe se apaixona, violando todos os mandamentos. Herege até mais não, bem como eu gosto.

E também li O Comboio da Noite Para Babylon, de Ray Bradbury, um conto sobre um homem que, no dito comboio, depara com um ilusionista/aldrabão que engana uma multidão com o velho truque das três cartas. O protagonista conhece o truque e o conflito é inevitável. O tema não é dos mais chamativos, mas lá está a brilhante prosa de Bradbury, que compensa muita coisa.

E chega, que uma nova semana está aí a começar.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Semana

Esta semana foi estranha, por motivos cá meus. Uma estranheza que lançou pseudópodes sobre boa parte do que faço, fazendo com que qualquer actividade parecesse desenrolar-se banhada em melaço. Uma estranheza viscosa, e também um bocadinho sufocante. Bizarro. Mas passa.

Mas sim, o livro atrasou. Não o acabarei até dia 20, como estava nos planos, mas sim a 21 ou 22. Não é grave, não tem qualquer impacto no cumprimento de prazos: significa apenas que talvez não possa tirar uns dias antes de me lançar a revê-lo, conforme tinha planeado. Faltam-me neste momento 48 páginas para o fim. Está já ali.

O pobre do wiki também pouco avançou. Com 15 334 páginas, cresceu só 22 desde a semana passada. Ninguém ajudar também não... hm... ajuda. Mas enfim.

Quanto às leituras da semana, li Biblioteca Nocturna, um conto fantástico de Zoran Zivkovic sobre um homem que chega ligeiramente atrasado à biblioteca, minutos depois da sua hora de fecho, mas ainda encontra a porta aberta. Por sorte, pensa ele. Só que a bilioteca que encontra não é aquela de que estava à espera, mas sim uma biblioteca secreta, cujos livros não são a habitual mistura de literatura, obras de referência e outras coisas de todas as bibliotecas, mas sim os livros da vida de todos os seres humanos do planeta, ainda vivos ou já não. Francamente bom.

Em completo contraste, li também Dentro da Nebulosa, mais um vetusto conto de ficção científica pulp de Edmond Hamilton. Cientificamente disparatado, tal como os anteriores, embora neste o disparate talvez se explique mais pelo imperfeito conhecimento científico da época do que pela ignorância do autor. De modo que o principal problema do conto (antes, uma noveleta) nem é esse: é repetir rigorosamente o mesmo enredo dos dois contos anteriores. De novo há um perigo absoluto, de novo há uma equipagem de heróis (desta feita, multi-específica, com terrestres e extraterrestres) enviada numa nave para investigar e tentar fazer o que for possível, de novo os heróis acabam, após feroz batalha, aprisionados por uma espécie alienígena de intenções malévolas, de novo conseguem fugir milagrosamente, e de novo salvam o universo em duas penadas. O único elemento de originalidade é que agora não era uma estrela mal-comportada a causar perigo, mas sim uma nebulosa "em fogo", que ameaçava incendiar a galáxia. Uma enorme porcaria soporífera.

E ponto final nesta semana. Venha a próxima.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Semana

Fresquinha, esta, hã? Não me lembro de ter aqui na terrinha uns frios intensos tão prolongados. Dois dias seguidos com mínima de -2.5 ºC, o dia anterior com -1 ºC, e ainda vai continuar. É coisa rara. A malta queixa-se, claro, não está habituada, mas a verdade é que isto não é nada. Já estive debaixo de -43 ºC e estou aqui para contar a história e com tudo funcional. Ou tão funcional como estava antes.

Não só por isso, mas também por isso, seja qual for a temperatura lá fora cá dentro continua-se a trabalhar. Esta semana lucrou mais 54 páginas, uma regularidade verdadeiramente notável. Duas dessas páginas são parcialmente ocupadas com uma série de versos, o que me deu que fazer durante a maior parte de um dia. É por isto que os versos me irritam: eu recebo à página. Grunf. Mas já não há mais nas 98 páginas que faltam para o fim. Daqui a duas semanas devo estar a dizer-lhes que comecei a revisão.

O pobre do wiki é que tem sofrido. Na semana que passou não cresceu mais do que umas míseras 8 paginecas, fazendo subir o total para 15 312. Haverá tempos melhores.

E as primeiras leituras de 2009, ou pelo menos concluídas em 2009, foram um romance e um conto.

O romance chama-se O Prestígio, é de Christopher Priest, e já deu um filme, de modo que provavelmente saberão do que se trata mesmo que não o tenham lido. É um romance epistolar, difícil de classificar (mistura elementos de fantasia, horror e até steampunk), que relata a longa rivalidade entre dois ilusionistas britânicos da viragem do século XIX para o XX. Ambos ganham fama com um truque de teletransporte, semelhantes embora diferentes, cada um envolvendo um enorme segredo. Francamente bom, e não é por o final ser previsível para leitores perspicazes que essa qualidade sai minimamente prejudicada. Entra directamente para as boas leituras do ano.

(bem... enquanto escrevo isto estou a ouvir o top+... a linguagem pega-se)

O conto chama-se Um Gentleman, é de Gérard Klein, e trata-se de um divertido conto de ficção científica sobre um cavalheiro muito bem educado que, após um desgosto de amor, decide encomendar uma amante andróide que, no entanto, o vai também desapontar. Ou ela ou o facto dele ser tão absolutamente cavalheiresco. Moral da história: às vezes mais vale ser-se curto e grosso. Um bom conto, que entrega bem o que pretende entregar.

E por esta semana é só isto que tenho para vos dizer. Agora com licença, que vou trabalhar.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Semana

Então, que tal? 2009 está a tratar-vos bem? Benzinho? Mais ou menos? Assim-assim? A mim é mais ou menos isso. Na verdade, não se nota a diferença. Chovia em 2008 e em 2009 chove; em 2008 trabalhava-se para cumprir um prazo, em 2009 o prazo obriga a trabalhar, e em 2008 resolvi alimentar a Lâmpada com notas semanais, e continuo a fazê-lo em 2009. Nada de surpreendente: as fronteiras temporais são arbitrárias por natureza, de modo que nada realmente mudam, apesar da mania que nós temos de as realçar com fogos de artifício e festarolas. Mas adiante.

O livro passou já de meio: vai na página 192, de novo um crescimento semanal de 54. O que não é nada mau para a semana de ano novo. E ainda por cima com versos à mistura. Mania dos versos. Começo a pensar que lá na SdE abrem um livro e vêem se tem versos; se tiver, vem-me parar às mãos. Limpinho. A parte mais agradável é que faltam já só 152 páginas (e mais versos! Sigh!)

O wiki continua a crescer pouco. Terminou o ano com 15 304 páginas, o que quer dizer que na semana que passou cresceu 27.

E leu-se, evidentemente. Leu-se e acabaram-se contos e livros, tudo ainda em 2008 (2009 até agora foi dedicado a romances). Por exemplo:

(Re)leu-se Pátrias de Chuteiras, de Gerson Lodi-Ribeiro, uma noveleta de história alternativa que não é preciso pensar muito para concluir que me agrada bastante, dado tê-la publicado no E-nigma. Conta a final de um campeonato do mundo entre a República de Palmares e o Brasil, no universo dos Três Brasis do Gerson, e é provavelmente o melhor fecho possível para Outras Copas, Outros Mundos, antologia de contos fantásticos movidos a futebol. Um livro irregular, com demasiados contos fracos ou francamente maus, mas que acaba por valer a pena pelo punhado de bons contos que contém, em especial este do Gerson, o do Octavio Aragão, e o do Carlos Orsi Martinho, com uma menção honrosa para o da Carla Cristina Pereira.

Li também A Fronteira, de Octávio dos Santos. Trata-se de um conto fantástico sobre a identidade, com uns toques surrealistas, que também é bem capaz de ser o melhor fecho possível para o seu livro Visões. É o maior de todos os contos, é também aquele que parece ter sido mais pensado, e está escrito com alguma competência. Não é propriamente bom, não passará de razoável mais, mas está alguns furos acima da média do livro, que é bastante baixa.

Além destes contos que encerraram os respectivos livros li mais um, e em estrangeiro. Social Dreaming of the Frin, de Ursula K. LeGuin, é um conto razoavelmente curto que descreve uma sociedade num mundo paralelo em que as pessoas (e também os animais) partilham telepaticamente os sonhos. A ideia é óptima, mas francamente não gostei da sua concretização: LeGuin desperdiça uma ideia que daria pano para mangas num continho arraçado de artigo sociológico em que realmente não existe história. Passei o conto todo a imaginar histórias e historietas possíveis numa sociedade assim, e acabei frustrado por nenhuma me ter sido apresentada.

E para a semana já haverá leituras de 2009. Até lá.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Semana

Último fim de semana do ano, e por aqui continua-se a bulir, que os prazos não alargam lá porque há feriados, pontes e fins de semana. Trabalhar em modo freelancer tem enormes vantagens (não há colegas parvos, não há horários, não há código de vestuário, não há deslocações diárias para o emprego), mas também tem as suas partes gagas (não há colegas porreiros e, quando os prazos são curtos, não há feriados nem fins de semana). Mas adiante.

O livro não-prioritário ficou parado, e acho que já posso garantir com (quase) toda a certeza que assim permanecerá até que o prioritário esteja pronto. Quanto a este, está na página 138, 54 a mais do que na semana passada, um número curto cuja exiguidade foi mais fruto de um dia em que o cérebro não conseguia ligar o inglês nem à lei da bala do que de qualquer outra coisa. Seja como for, não há atrasos: limitei-me a trabalhar num dia em que tinha planeado descansar e/ou fazer outras coisas; ou trabalhar também, se estivesse para aí virado. Faltam agora 206 páginas.

O wiki cresceu muito pouco: só houve 21 páginas novas que fizeram o total subir para 15 277.

E leu-se umas coisas. E algumas das que se leram foram concluídas. Por exemplo:

Biblioteca Particular, um conto fantástico de Zoran Zivkovic sobre um homem que um belo dia chega a casa e depara com um volume da "Literatura Universal" na caixa de correio. E de cada vez que a abre, depara com outro. E outro. E outro. Mas encara a coisa com perfeita fleuma, passando uma noite em branco a acumular uma enorme biblioteca particular (sem ler uma página, o que não deixa de ser irónico). Um conto bom, embora algo previsível. E por exemplo:

Os Ladrões de Estrelas, conto de Edmond Hamilton cuja antiquíssima ficção científica envelheceu tão mal como aquele de que aqui falei há duas semanas. Este conto não pareceria tão mau como o outro, se o enredo não fosse exactamente igual, com a mesma estrela ameaçadora, a mesma viagem interestelar, a mesma batalha e aprisionamento, a mesma fuga miraculosa, o mesmo final feliz, o mesmo imenso bocejo. Pulp no seu pior, decididamente. E por exemplo:

Delta, noveleta de ficção científica de Christine Renard e Claude F. Cheinisse, muito feminina, muito romântica, apesar dos autores serem casal, sobre uma terrestre que se apaixona por um "arcturiano". Claro, os arcturianos são idênticos aos terrestres em tudo menos em dois ou três detalhes, um dos quais é fulcral para o desenlace da história: têm três sexos em vez dos nossos dois, e três sexos que nem sempre são o que parecem. O monumental disparate biológico de tudo isto é em parte compensado por uma história bastante bem construída, um quebrar de tabus típico da época (é um original de 1967) e um muito bom uso da linguagem, respeitado por uma boa tradução, tornando o conto razoável. É daqueles contos que quem der mais relevância à coerência científica irá odiar e quem atribuir primazia à construção de personagens ou aos aspectos formais do texto poderá adorar, especialmente se for menina.

E foi só isto. A gente vê-se em 2009.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Semana

Última semana de outono, e por cá continuou-se com o ramerrame do costume. Não há tempo para mais, e também não há grande vontade, que lá fora faz frio e às vezes até chove.

A tradução lá vai andando pela página 84. O saldo da semana foi, portanto, de 50 páginas, o que não é grande coisa (mas está dentro da margem de tolerância). Consequências de ser tradução herdada, dos glossários que me foram entregues serem uma bela treta e eu ter de andar para trás e para a frente a ver que termo usou o outro tradutor para isto ou para aquilo, e do próprio tipo de escrita, bastante densa e, a espaços, rebuscada. Enfim... espero que daqui a uma semana ou duas entre em velocidade de cruzeiro quando a coisa estiver melhor encaixada. Se isso acontecer, não deverá ser muito difícil ter as 260 páginas que faltam prontas lá por meados de Janeiro, como é suposto.

Quanto ao wiki, continuou a crescer, claro. Mas menos. Foram só 58 páginas novas, o que elevou o total até 15 256. Giro é estar mesmo, mesmo quase a atingir os 2 milhões de páginas vistas. Deve chegar lá hoje mesmo ou, no máximo, amanhã.

Leituras, houve três ficções curtas que chegaram ao fim, embora uma delas não seja tão curta como isso. E em inglês. Refiro-me a The Drive-in Puerto Rico, uma novela de Lucius Shepard que é basicamente uma história de realismo mágico passada numa república das bananas (fictícia) da América Central, e que acompanha um herói local, cuja função na vida é ser exibido em ocasiões sociais, e que se vai ver envolvido em problemas que giram à volta de um torcionário seu compatriota e de jornalistas americanos que querem divulgar certas histórias pouco edificantes. Está muito bem escrita, sim senhor, mas a verdade é que não foi história que me conseguisse tocar.

O que Vale é Bola na Rede é um conto de FC de César R. T. Silva que começa bastante bem, mas que acaba por cair em algo em que muitos dos outros contos do livro que o contém também caíram: em vez de nos mostrar os acontecimentos em primeira mão, digamos assim, põe o leitor a assistir a uma conversa em que uma personagem os conta a outra. Isto às vezes até resulta. Mas o mais frequente é que não resulte, e é esse o caso aqui. De metade para a frente, que é quando devia ir em crescendo, o conto basicamente perde o interesse. Resultado final? Fraco. O Cientista, de Octávio dos Santos, foi a terceira ficção curta lida nesta semana. É outro dos contos razoáveis do autor, no qual o cientista do título é um antigo investigador nazi, emigrado nos Estados Unidos, que recebe uma visita inquietante (mas, para ele, entusiasmante) vinda directamente do seu passado. Trata-se em essência de uma obra de história secreta. Nada de superlativo, mas com algum interesse.

E é isso. Dentro de sete dias ter-se-á passado mais uma semana, e haverá, certamente, mais coisas a dizer.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Semana

Esta foi feita de altos e baixos.

A frente laboral dividiu-se entre leituras e já o início da tradução do livro prioritário. Estão despachadas 34 páginas. Faltam 310, para o primeiro volume. O segundo tem 331. O outro livro não mexeu, o que quer dizer que continuam a faltar 311 para o fim. Ao todo, 952 páginas.

Se acham o número intimidante, pois fiquem sabendo que eu também acho, especialmente tendo em conta que os prazos são apertados. Mas não há-de ser nada. A coisa faz-se.

O wiki cresceu 110 páginas saltando para 15 198, um crescimento razoável mas que apesar disso em pouco reduziu o que falta fazer. Mas não há-de ser nada. A coisa faz-se.

E, claro, ao terminarem as leituras laborais voltou a haver tempo e disposição para as outras. Não li muito, que parte da semana ainda foi ocupada com as laborais, mais deu para terminar dois contos.

Biblioteca Virtual é uma bela história fantástica movida a internet, de Zoran Zivkovic, na qual um escritor recebe uma mensagem de spam cujas consequências o deixam estupefacto. Dizer mais é entregar a história, de modo que me calo. Muito bom. Muitíssimo pior é Uma Estrela vai Chocar com o Sol, de Edmond Hamilton, que tem tudo o que existe de pior na FC pulp, embora a vetusta idade desta noveleta sirva até certo ponto para atenuar-lhe a falta de qualidade: data de 1928. Mas mesmo assim... um sol que é desviado da sua rota através do espaço fazendo-o... aa... girar?! Viajar de um sistema estelar para outro é mudar de... aa... universo?! Wha?! São detalhes, é certo, mas são detalhes que servem de adequada apresentação a uma banalíssima história pulp de guerra espacial que não é lá porque envolve fazer sóis mudar de rota que se torna menos banal. Se calhar bem pelo contrário. Uma história que nunca foi boa e que envelheceu muito e muito mal.

Estão a ver o que eu queria dizer com os altos e baixos? Pois.

E por esta semana estamos conversados. Até à próxima.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Semana

Esta treta de haver feriados à segunda-feira faz com que um tipo se sinta atropelado pelo sábado, sem travagem nem marcas no pavimento; ouve-se o vrruum de motor, ergue-se o olhar sobressaltado e ele aí vem, desalvorado, com o ar pacholas de todos os sábados mas nem por isso reduzindo a marcha e, catrapaz, acerta-nos em cheio sem dar tempo de dizer ai nem ui.

É uma maneira como outra qualquer de dizer que a semana foi curta.

Não houve tradução. Tenho muito a ler, dois livros, e pouco tempo para os ler (mas um já está, e o outro vai quase a meio), e ainda não é altura de me distrair de uma história com a outra. Isso fica para a tradução propriamente dita, talvez. Ou talvez não. Elas são demasiado semelhantes. Tradução alternada funciona quando as histórias e os estilos são suficientemente diferentes para que trabalhar numa delas sirva de descanso da outra. (E funciona, foi o que fiz com A Criança Roubada e A Fúria dos Reis, e parece que não me saí mal de todo.) Mas com duas histórias muito semelhantes, tenho as minhas dúvidas. A ver vamos.

Wiki houve. A coisa soma agora 15 088 páginas, o que quer dizer que a semana lucrou 233, uma bela colheita. E já não falta muito para o site chegar aos dois milhões de page views, o que é porreiro. O lado B do vinil é a imensa quantidade de material que ainda anda por aí à espera que chegue a sua vez. Quando olha para o que ainda falta fazer, um tipo às vezes arrepende-se de se ter metido nisto, mas depois considera a alternativa, que seria a inexistência, e continua a trabalhar.

Leituras de lazer é que seguiram o mesmo caminho da tradução, ou quase, e pelo mesmo motivo. Li alguma coisa, mas muito pouco e não acabei nada. De modo que a semana fica-se por aqui.

sábado, 29 de novembro de 2008

Semana

Semana gira, esta. Parte do que a tornou gira está aqui escarrapachado em baixo, mas houve outras partes, mais ou menos com o mesmo sentido geral, de que não vale a pena estar aqui a falar.

Enfim...

Laboralmente, foi passada a saltitar entre a tradução de um livro e leituras prévias à tradução de outro, que tem prioridade. De modo que a tradução sofreu uma forte travagem. Vai na página 442, o que significa que a semana teve um saldo de 26 páginas e que faltam 311.

No wiki, ironicamente quanto baste, a semana foi produtiva, com 196 páginas novas que fizeram o total subir a 14 855.

Quanto a leituras, como acontece sempre que tenho leituras laborais a fazer, a leitura de lazer ficou muito reduzida. Acabei apenas um conto, Afrodite 2080, de Michel Demuth, um conto de ficção científica razoavelmente bom (e bem traduzido) sobre um náufrago espacial num planeta alienígena com uma ecologia bizarra, no meio duma guerra. De caras, o melhor conto do respectivo livro até agora.

E é só. Para a semana não deverá haver muito mais, afinal hei-de continuar com leituras laborais, mas alguma coisa haverá.

sábado, 22 de novembro de 2008

Semana

Aqui há tempos, tinha planeado, na minha inocência e optimismo, que esta semana seria o início dumas pequenas férias que seriam aproveitadas para fazer uma série de coisas que ando a adiar há um ror de tempo. Santa ilusão. Entretanto apareceu-me mais uma pilha de trabalho a fazer, e lá se foram as férias. Só a carteira é que agradece.

Sim, já acabei todo o trabalho com o último livro (a menos que me peçam mais alguma coisa, uma sinopse ou coisa que o valha), e já comecei a mexer num dos próximos. "Num dos próximos" porque os meses que se seguem vão ser gastos a saltar de livro em livro para conseguir cumprir prazos apertados. Já o fiz antes, e curiosamente na mesma altura do ano, entre o fim do ano passado e o princípio deste, de modo que não é nada de particularmente estranho e faz-se. Mas para já ainda só mexi num deles, a continuação do livro do Martin que acabei na semana passada. Vai na página 416, o que significa que faltam 337.

Ainda foi dando para mexer no wiki, e até de uma forma razoavelmente produtiva. As 115 páginas que foram acrescentadas nesta semana levaram o total a subir a 14 659.

E leu-se umas coisas. Leu-se Lorelei, um conto de FC de Jacqueline H. Osterrath, muito fraquinho e com uma tradução bastante deficiente, sobre um planeta aquático cuja biosfera muda radicalmente em 100 anos (!), e um explorador soltário com segredos que são calmamente aceites por quem os vai investigar. Coisas do amor. Em estrangeiro, li aquilo que era suposto ser uma crónica mas é na verdade um pequeno conto de FC humorística onde Paul di Filippo extrapola até ao absurdo uma iniciativa editorial real que, obviamente, achou ridícula: romances policiais nos quais algumas das pistas são dadas sob a forma de palavras cruzadas. Chama-se a coisa Games Writers Play, e é divertida.

Em português do Brasil, li Sob o Signo de Xoth, de Carlos Orsi Martinho, um conto lovecraftiano francamente bom, no qual se entrelaça o cthulhu mythos com a política corrupta de uma cidadezinha brasileira e suas ligações com a imprensa e clube de futebol local, num todo muito bem conseguido. E também li A Criança Prodígio, de Octávio dos Santos, que é o melhor conto dele que li até agora. Um conto bastante interessante, próximo do horror, com uma escrita mais capaz do que é hábito no autor, e um final bem conseguido, sobre, como o próprio título indica, uma criança prodígio, cujo desenvolvimento e destino é relatado por um investigador num relatório confidencial.

E foi só. Para a semana haverá mais.

sábado, 15 de novembro de 2008

Semana

Isto de arranjar maneiras originais para começar estas notas rotineiras sobre a semana que passou começa a tornar-se um desafio tão grande que qualquer dia dou por mim a falar do desafio que é arranjar maneiras originais para começ... ops. Tarde demais.

Bem, indo directamente ao que interessa, trabalhou-se. Terminou-se a revisão, fez-se um ficheiro com nomes geográficos, mandou-se tudo à editora, combinou-se algumas coisas para o futuro, e escolheu-se o extracto do próximo livro, que será entregue, provavelmente, na segunda-feira. E de trabalho é tudo.

No wiki, a semana não terá sido propriamente um prodígio de actividade, mas sempre mexeu um bocadinho, acabando com 68 páginas novas (e também uma série de correcções e acrescentos; nem tudo o que se faz no wiki é acrescentar material novo), o que sobe o total para 14 544.

E também se leu umas coisas.

Leu-se, por exemplo, O Homicídio, de Orlando Neves, um pequeno conto fantástico e irónico que se lê bem mas não é nada do outro mundo. Com este conto conclui-se a colectânea A Condecoração, que contém alguns contos muito bons e é em geral uma boa leitura, apesar de fraquejar um pouco para o final (o que, em meu entender, é sintoma de deficiente organização dos contos; o impacto de um livro de contos também depende da forma como começa e acaba). Mas está decididamente aprovado. Também se leu A Lenda do Motoqueiro Sem Cabeça, de Martha Argel, um conto de fantasmas contado por um taxista. É um conto bem concebido e competentemente escrito, mas prejudicado por se tornar previsível cedo demais (e, nisso, o facto de ser uma espécie de actualização de uma lenda antiga não ajuda). Com ele terminei o pequeno nº 6 do fanzine FicZine, e devo dizer que gostei dos dois contos que ele contém, em especial do primeiro.

Em estrangeiro, li The Sleeping Woman, de Robert Reed, um conto absolutamente maravilhoso, na fronteira entre o mainstream e o fantástico, que conta a história de um homem que um dia chega a casa do trabalho e encontra a mulher morta. Magnificamente escrito e estruturado, este conto (uma noveleta, na verdade) foi o melhor naco de prosa que li desde há muito tempo. Também li Footnote from the Official Guide to Time Travel, um pequeno poema de Robert Frazier que, em contraste, me deixou completamente "meh".

De volta ao português do Brasil, li Derby, de Marcello Simão Branco, um conto de FC no qual dois dos últimos fãs de bola que resistem num Brasil futuro assistem a um jogo e vão-no comentando por entre longos infodumps sobre como se foi dando a decadência da coisa. Muito mauzinho, infelizmente, tanto em termos de escrita como de estrutura. Igualmente mauzinho é Tesouros da Humanidade, de Octávio dos Santos, este escrito no nosso português. Trata-se de uma prédica, com uma situação cheia de detalhes aos quais não há suspensão da descrença que resista, e que ainda por cima se transforma de reunião de um tal Comité Central Cultural Mundial (que soa tão mal!) em conferência de imprensa sem que o autor pareça aperceber-se do facto ou importar-se com ele. A ideia? O CCCM estaria encarregue de determinar quais dos tesouros culturais da humanidade deviam ser encerrados numa espécie de arca de Noé para obviar à sua destruição... o que, noutras mãos, até podia dar um conto interessante. Não é o caso.

Mas a pior coisa que li esta semana foi O Sonho Mineral, de Nathalie Ch. Henneberg, um daqueles contos cheios de tralha new age que infestaram a FC numa certa época. Este comete a proeza de incluir um menu quase completo: pirâmides, cristais vivos e com poderes, os maias (subtilmente) as esculturas da Ilha de Páscoa, enfim, a família toda. A premissa básica é que Mercúrio explode sem motivo aparente, e pedras vivas provenientes de lá caem na Terra e subjugam a humanidade, facto que vai ser investigado por um viajante no tempo vindo do ano 2700. Para estragar o que já era mau, o conto é comprido (é uma noveleta) e está pessimamente traduzido. Brr! E ainda há quem fale mal da FC portuguesa actual.

E foi só isto. E não foi pouco, methinks.

sábado, 8 de novembro de 2008

Semana

Lá se foi mais uma, malta. A nossa Lua lá deu mais um quarto de volta em torno da Terra, e aqui estou eu uma vez mais a discorrer um bocadinho sobre a minha semana que passou.

Passou e deu para completar umas coisas. Acima de tudo, a tradução do próximo livro do Martin, claro. Está feita e meio revista, devendo ficar completamente revista dentro de alguns dias, após o que faltará apenas escolher um extracto para o próximo volume e traduzi-lo, preparar um ficheirito com os nomes do mapa que será incluído neste, mandar tudo à editora e receber o pagamento, que é sempre uma das partes agradáveis do trabalho.

No wiki, a semana não foi muito produtiva, com apenas 33 páginas novas que fizeram subir o total para 14 476, graças também a alguma ajuda externa.

E também houve uma série de coisas lidas.

Em estrangeiro, li Bazaar of the Bizarre, de Fritz Leiber, mais uma aventura do Fafhrd e do Rateiro Cinzento que desta vez os leva a confrontar-se com uma maligna instituição comercial que vende lixo magicamente disfarçado de preciosidades. Não pude deixar de sorrir com algumas associações que me vieram à cabeça. Ainda em estrangeiro, li OpenClose, de Terry Bisson, um conto de ficção científica muito curto e divertido (e assustador, também) sobre um homem que tem problemas com a IA do carro em plena zona de segurança de um aeroporto. Nada de superlativo, mas leu-se bem. Também li Something by the Sea, de Jeffrey Ford, uma fantasia surrealista e onírica, literariamente muito forte, mas que me deixou algo insatisfeito, com a sensação de haver ali muita forma e pouco conteúdo.

Em português, mas do Brasil, li Carta à Redação, de Braulio Tavares, outro conto epistolar sobre futebol que, não sendo mau, é ainda assim muito pior do que outras histórias do autor que já li. Este é história alternativa e consta de uma carta irritada de um leitor, que faz um apanhado de uma série de acontecimentos alo-histórico-futebolísticos e termina com a melhor parte do conto: o fim. Também história alternativa é Se Cortez Houvesse Vencido a Peleja de Cozumel, de Carla Cristina Pereira. Desta vez não estamos em presença de uma carta, mas de um artigo jornalístico ficcionado, no qual a jornalista realiza um exercício de reflexão histórica alternativa sobre quais poderiam ser as consequências de não se ter dado um acontecimento determinante na história do seu mundo. É um exercício bastante interessante, com uma história alternativa dentro da história alternativa, que foge ao facilitismo de dizer "ah, e tal, é como foi no nosso mundo", comum neste tipo de estrutura.

Em português de Portugal, li mais dois dos pequenos contos de Orlando Neves: O Feliz Parto, um continho insólito sobre uma mulher cujas sucessivas gravidezes redundam sempre em abortos, e Obsceno, o maior conto do livro, no qual um enviado do Vaticano comete um faux pas divertido num país de usos culturais muito peculiares. Ambos estão bem conseguidos, mas nenhum dos dois é tão bom como outros contos do livro. Também foram dois os contos lidos de Octávio dos Santos. Prisioneiro de Guerra é um conto de FC distópica sobre, claro, um prisioneiro numa guerra infindável. Francamente mau, quer literariamente, quer em termos de concepção e enredo. O Botão é bastante melhor: apesar de continuar a ter falhas ao nível da escrita, está razoavelmente bem concebido e tem um dos melhores finais que vi em contos deste autor. Também li A Vana, de Alain Dorémieux, uma história de amor de ficção científica entre um homem e o seu animal de estimação, que apesar de irracional e proveniente de um planeta distante é igualzinho a uma mulher. Gostei da construção do conto, gostei da linguagem, mas não gostei nada nem do absurdo biológico que contém nem do final moralista. Mediano menos, portanto. Por fim, de regresso ao português do Brasil, li Vanda Volta, Vingativa (tanto V), um conto de fantasmas de Giulia Moon que achei bastante bom, em particular na forma como consegue levar o leitor por caminhos enganadores.

E foi só isto. Até à semana que vem.

sábado, 1 de novembro de 2008

Semana

Olá cá estou eu, sete dias mais velho, sem brise nem contínuo. Foi uma semana algo atípica, pois na prática interrompi o trabalho durante um dia e tal para tratar de algumas coisas que queria resolver antes de Novembro.

Ainda assim, o livro está agora traduzido até à página 376, mais 46 do que na semana passada, faltando 14 para o fim. Durante a próxima semana será terminado, e começará a ser revisto, embora a revisão talvez só se conclua na outra semana a seguir. Seja como for, está quase.

No wiki mexeu-se, e o número de páginas é agora 14 443, o que quer dizer que a semana deu um lucro de 148. Ainda não terminou a transferência dos dados do antigo site estático para o wiki, mas está cada vez mais quase.

E também houve leituras e coisas que acabaram de ser lidas.

Terminei A Invenção de Leonardo, um romance de história alternativa de Paul J. McAuley que parte duma premissa instigante: e se Leonardo DaVinci tivesse dedicado a quase totalidade do seu génio à engenharia, levando a uma revolução industrial antecipada e deslocada da Inglaterra para Florença? Com este ponto de partida conseguir-se-iam escrever histórias magníficas, mas parece-me que não é o caso. McAuley vai pelo caminho mais fácil, montando uma teia de peripécias digna de um blockbuster de Hollywood, num excesso de fogo de artifício perfeitamente desnecessário. A tradução/revisão, cheia de gralhas, também não ajuda, e se não fosse a caracterização de uma Florença submersa, literal e figuradamente, nas invenções de Leonardo, que realmente está muitíssimo bem feita, a opinião sobre o livro seria má. Essa caracterização é o que acaba por, apesar de tudo, tornar a leitura interessante, embora aqueles que se pelam por livros que não páram um segundo, façam ou não sentido, tenham certamente opinião diferente da minha.

Também li A Minha Querida Pátria, Jogo do Botão, Rifão de Fernão Tanoeiro e Chamada Geral, quatro poemas de Mário-Henrique Leiria, dos quais não gostei lá muito. São os últimos textos da colectânea Novos Contos do Gin, livro repleto de brilhantismo, com uma série de mini-contos, vinhetas e contos curtos muitíssimo bons, exemplares até, e também com poemas que, em geral, me pareceram bastante piores. Se alguém me perguntasse, aconselharia vivamente a leitura, avisando, porém, que é bom manter presente a época em que foi sendo escrito: os últimos estertores da ditadura. Muitos dos contos do MHL ganham toda uma nova profundidade se nos lembrarmos desse facto.

Quanto a outras leituras, li O Rude Esporte Humano, conto de ficção científica de Adriana Simon e Gerson Lodi-Ribeiro, e não gostei. Um conto muito fraquinho, ocupado em grande parte por um imenso infodump, e que parece deixar demasiados pontos de fragilidade lógica em toda a situação que descreve. Lodi-Ribeiro é um escritor com provas dadas, mas aqui não esteve bem. Este terá sido mesmo o pior conto com participação sua que eu li até agora. Também li A Redução, mais um dos pequenos contos de Orlando Neves, entre o horror, o fantástico e o surrealismo. Aqui vamos encontrar uma gravidez anormal, e, embora outros contos do livro sejam melhores, este também não é mau. Em estrangeiro, li The Price of Pain-Ease de Fritz Leiber, um conto curioso que não é apenas mais uma aventura do Fafhrd e do Rateiro Cinzento, mas vai para lá disso. Por fim, li A Dama da Chuva, de Octávio dos Santos, um conto de fantasmas fracote, muito prejudicado por se tornar previsível desde a primeira página. Misericordiosamente, só tem três.

E pronto. Para a semana há mais.

sábado, 25 de outubro de 2008

Semana

Os prognósticos da semana passada revelaram-se optimistas. Nem esta semana voltou ao normal, embora a próxima provavelmente já volte, nem a produtividade regressou aos níveis do costume.

No livro, vou na página 330, o que quer dizer que foram 50 as páginas que ficaram feitas nos últimos sete dias, faltando agora 60. Já agora, talvez vos interesse saber quanto é que isso dá em material traduzido. São 365 páginas. Continuam a ser mais ou menos 11 páginas traduzidas por cada 10 originais, o que quer dizer que estas 50 páginas de hardback acabam por não ser muito menos do que o normal em livros anteriores (e paperback), nos quais cada 10 páginas de original davam entre 8 e 9 de tradução. Vai dar um livro maior do que os primeiros da série, mas mais pequeno do que os dois últimos e do que A Fúria dos Reis.

Idealmente sem gralhas. Mas é para isso que há as revisões.

O wiki foi o único sítio em que a produtividade subiu, mas a verdade é que não foi muito. 32 páginas novas, com o total a subir para 14 295. Este mês corre o sério risco de ser o primeiro em que nem 200 páginas o wiki cresce. Vamos a ver se dá para impedir que isso aconteça.

E quanto a leituras, ando por um romance de que já falei aqui em baixo, e ainda não o acabei, de modo que nada há a dizer. Fica para a semana. Espero eu.

sábado, 18 de outubro de 2008

Semana

Melhorzinha. Foi melhorzinha. Mas esteve longe de ser boa. A martelada e berbequinada só se calou na sexta-feira, de modo que só esse dia e os do fim de semana foram realmente livres de ruídos intrusivos e persistentes. Por outro lado, o martelo pneumático ficou-se pela semana passada, e para fazer um pneumático são precisos uns dez normais. O martelo pneumático (e a britadeira) é a mais maligna maquineta já inventada.

De modo que foi melhorzinho. O livro vai na página 280, o que quer dizer que avançou 50. Não é o que traduziria numa semana normal, mas não anda muito longe. Faltam 110. E claro que estou bastante atrasado relativamente ao plano, mas como o plano desta vez tinha boa folga não há grande crise. Se as coisas voltarem ao normal.

Com a prioridade completamente posta em não deixar que a tradução se atrase demasiado, o wiki teve de ser posto em stand-by (a verdade é que até o email ficou por ler. Tenho quase uma semana de email à espera de melhores dias), e só subiu 6 páginas, graças fundamentalmente a uma ajuda externa. Está em 14 263.

Mas li e acabei coisas. Dois livros e uma listinha de contos.

Terminei A Conspiração dos Antepassados, de David Soares, um romance fantástico que explora a relação entre Fernando Pessoa e Aleister Crawley. O livro é bastante bom, muito melhor do que Os Ossos do Arco-Íris e também melhor do que As Trevas Fantásticas, as duas colectâneas do David que li. Mas tive um problema com ele: é que o tema não me desperta o mínimo interesse. Nem o mais mínimo. De modo que a leitura arrastou-se ao longo de muitos meses. Mas quem tiver mais tolerância do que eu por rosacrucianismos, alquimias, astrologias, e demais pregos na inteligência, leia, que irá gostar. O livro é bom.

Também li O Ano de 1993, um livro bizarro de José Saramago que parece que é geralmente considerado um livro de poemas, mas que a mim mais parece uma pequena novela de ficção científica distópica, escrita com grandes preocupações formais. Não me agradou o tom quase ludita com que se faz o contraponto entre o homem e a máquina, e certamente que este livro não é o melhor Saramago (data de 1975, uns aninhos antes de toda a qualidade do escritor literalmente rebentar por todo o lado), mas achei curioso o modo impressionista de contar uma história que ali acontece, a léguas da linearidade da escrita que se costuma aplicar na FC. O termo que melhor o descreve é curioso. É um exercício literário curioso que, estou certo, seria completamente odiado pela maior parte dos rapazes da FC, caso se dessem ao trabalho de o ler. Uma questão de curiosidade, suponho...

Para além dos livros, li mais uns contitos. Li Eu Matei Paolo Rossi, de Octavio Aragão, o conto inaugural da Intempol que relata o modo como um fanático brasileiro da bola se vê metido numa confusão diabólica e acaba a matar o jogador italiano, fazendo assim com que seja o Brasil a conquistar o campeonato do mundo de 1982. É um bom conto, um dos melhores do Octavio, e um conto fulcral da FC brasileira da última década. Mas seria melhor sem aquele irritante "Intempol®" que aparece bastante no fim, e com uma revisão que lhe removesse um ponto por volta dos 2/3 em que o ritmo é prejudicado por umas informações que em nada contribuem para a história. Ah, e "pesos espanhóis", Octávio?! Também li O Telefone, de Orlando Neves, um conto fantástico em que a personagem telefona (obviamente) e do lado de lá lhe responde alguém demasiado parecido consigo mesmo. Deste não gostei muito: achei-o demasiado previsível. Em estrangeiro, li Claws From the Night, de Fritz Leiber, um conto em que Fafhrd e o Rateiro Cinzento vão defrontar um bando de corvos ladrões. Também li A Floresta, de Octávio dos Santos, mais um continho demasiado óbvio, desta vez sobre uma floresta que se defende dos ataques ambientais que vai sofrendo. Muito fracote. E por fim, do Mário-Henrique Leiria li só um poemita, Que Bom, que como é hábito não me pareceu tão... ah... bom como as prosas.

E foi só isto. Para a semana terei, talvez, mais alguns contos lidos, estarei a cerca de 50 páginas do fim da tradução e haverá mais umas dezenas de páginas no Bibliowiki. Agora vamos a ver se esta zandinguice se cumpre.