Your 1996 Theme Song Is: Ironic by Alanis Morisette |
It's like rain on your wedding day It's a free ride when you've already paid It's the good advice that you just didn't take Who would've thought ... it figures |
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Isto é mesmo irónico
Alanis?!
Votei
E lá votei, naquele que provavelmente será o último referendo que se fará em Portugal. Para quê dar voz ao povo quando o povo não a quer?
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Escrever ficção
Escrever ficção é ter uma arena onde gastar toda a mentira e poder assim viver a vida real de forma verdadeira.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Se fosse em Lisboa...
Mas não foi nem em Lisboa nem no Porto, de modo que se não fosse este blog ninguém saberia. Tal como ninguém soube quando, há um par de meses, outras duas árvores desabaram da mesma forma na mesma rua, ou quando, pouco antes do natal, e ainda na mesma rua, um apartamento ardeu por completo porque a velhota saiu esquecendo-se da comida ao lume. Nem sombra de notícia em nenhum sítio, pois estas coisas não se passaram em Lisboa ou no Porto. Passaram-se na minha rua, que macacos me mordam se não é uma rua bestialmente atreita a peripécias, por mais que as televisões as ignorem.
(E não, nenhum destes acontecimentos me afetou a mim, pessoalmente, de nenhuma forma. Esclareço caso estejam curiosos)
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intimidades,
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portimão
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Outra treta do não
Mais uma. Só uma, que isto em doses pequenas digere-se menos mal:
"O sim implica que basta a mulher querer fazer um aborto para que ele se faça"
MENTIRA. Isso talvez fosse assim se a pergunta interrogasse os portugueses se concordam com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez por vontade exclusiva da mulher. Mas não é isso que está na pergunta. A palavra "exclusiva" não se encontra em lado nenhum. Que seja por vontade da mulher que o aborto se faça não exclui nem que o pai seja tido em conta, nem que haja um aconselhamento prévio e obrigatório por pessoal de saúde nem nada que se pareça. Exclui apenas que o aborto seja despenalizado quando é feito contra a vontade da mulher. Tudo o resto é possível e depende apenas da forma como a lei for regulamentada na assembleia da república.
"O sim implica que basta a mulher querer fazer um aborto para que ele se faça"
MENTIRA. Isso talvez fosse assim se a pergunta interrogasse os portugueses se concordam com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez por vontade exclusiva da mulher. Mas não é isso que está na pergunta. A palavra "exclusiva" não se encontra em lado nenhum. Que seja por vontade da mulher que o aborto se faça não exclui nem que o pai seja tido em conta, nem que haja um aconselhamento prévio e obrigatório por pessoal de saúde nem nada que se pareça. Exclui apenas que o aborto seja despenalizado quando é feito contra a vontade da mulher. Tudo o resto é possível e depende apenas da forma como a lei for regulamentada na assembleia da república.
Tretas do não
Os pró-prisão andam doidos a atirar cuspo para o ar, a ver se conseguem confundir as pessoas o suficiente para as levar a ficar em casa ou a votar não. São tantas as tretas, as mentiras, as manipulações, as grandes e pequenas canalhices que o estômago, ao ouvi-los, dá um nó e trepa exófago acima até à garganta.
Estas são algumas:
"O sim significa aborto livre"
MENTIRA. O sim significa aborto restringido. Restringido às primeiras 10 semanas de gravidez, logo proibido às 20 ou às 30. Restringido a ser essa a vontade da mulher e não do padre, do patrão ou do violador. Restringido a ser realizado em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, logo proibido em talhos, vãos de escada, à beira da estrada ou na sacristia.
"O sim significa mais aborto"
MENTIRA. Ninguém sabe nem pode saber a priori se o número de abortos irá aumentar, ficar igual ou baixar. Depende de demasiadas coisas. Depende da forma como o sistema for montado, depende da regulamentação da lei que for aprovada na AR, depende de se poder ou não, finalmente, pôr em prática a educação sexual nas escolas, depende de haver, ou não, aconselhamento prévio à interrupção (que com o aborto clandestino não existe), etc., etc. E etc. O que se pode dizer com toda a segurança é, isso sim, que o sim significa menos aborto realizado em condições medievais, com as consequências óbvias que isso tem quanto à mortalidade feminina e a problemas de saúde graves que os abortos clandestinos provocam.
"Com o não pode-se despenalizar depois"
MENTIRA. Ao responder não à pergunta do referendo está-se a dizer que não se quer despenalizar, e se essa resposta for vinculativa, isto é, se houver mais de 50% de participação, a AR não pode despenalizar sem violar grosseiramente a vontade do eleitorado, o que tem consequências óbvias quanto à validade e relevância de futuros referendos. Julgo até mesmo que se a AR tentasse aprovar uma lei que desrespeitasse o resultado de um referendo vinculativo, essa lei seria travada pelo tribunal constitucional.
Já para não falar do que aconteceu depois do último referendo. Houve palavras e mais palavras e mais palavras e o que foi realmente feito foi quase nada. Palavras? A essas, meus caros, leva-as o vento. E com grande frequência para bem longe
"Esta lei não prende ninguém"
MENTIRA. Há pessoas condenadas a penas de prisão que só por acaso (ou por uma interpretação benévola da lei por parte dos juízes que nada garante que se prolongue) não é prisão efetiva. E mais: um julgamento e uma condenação, mais do que uma humilhação e uma devassa da vida de uma pessoa, é algo que fica para toda a vida. Um julgamento e uma condenação fica no cadastro de quem é julgado e condenado, e um cadastro conspurcado por uma condenação tem consequências várias, e todas negativas, para o resto da vida.
"Há um consenso em que a vida humana começa na conceção"
MENTIRA. Não há consenso nenhum. Há quem pense que a vida humana, com tudo o que isso implica, começa na conceção, e há quem pense que não, que no momento da conceção a única coisa que acontece é a junção de duas células humanas para formar uma outra célula humana, que está viva é humana da mesma forma que uma célula de fígado, pele ou intestino está viva e é humana. Há quem ache que essa célula que se forma no momento da conceção deve ter direito a toda a proteção que qualquer um de nós tem, e há quem julgue que não tem direito a mais proteção do que uma célula de fígado, pele ou intestino. Há quem tenha a certeza de que no zigoto existe já toda a humanidade possível e há quem tenha igual certeza de que no zigoto nada há além de um potencial de humanidade que se irá gradualmente concretizando ao longo da gravidez. Mais: ambas as visões são inteiramente defensáveis à luz do conhecimento científico corrente.
E é precisamente por não haver consenso nenhum que o voto "não" implica a imposição totalitária e intolerante de uma visão sobre outra. é tão aberrante criminalizar quem faz um aborto, revestido da absoluta certeza de que não está a cometer nada que se pareça ainda que remotamente com um homicídio por o feto não ser um ser humano, como seria criminalizar quem não o faz por ter as certezas inversas.
E muitas mais haveria, todas tão rebatíveis como estas. Mas basta, que este assunto me deixa mal disposto. Se querem mais disto, vão ao blogue dedicado ao assunto.
Estas são algumas:
"O sim significa aborto livre"
MENTIRA. O sim significa aborto restringido. Restringido às primeiras 10 semanas de gravidez, logo proibido às 20 ou às 30. Restringido a ser essa a vontade da mulher e não do padre, do patrão ou do violador. Restringido a ser realizado em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, logo proibido em talhos, vãos de escada, à beira da estrada ou na sacristia.
"O sim significa mais aborto"
MENTIRA. Ninguém sabe nem pode saber a priori se o número de abortos irá aumentar, ficar igual ou baixar. Depende de demasiadas coisas. Depende da forma como o sistema for montado, depende da regulamentação da lei que for aprovada na AR, depende de se poder ou não, finalmente, pôr em prática a educação sexual nas escolas, depende de haver, ou não, aconselhamento prévio à interrupção (que com o aborto clandestino não existe), etc., etc. E etc. O que se pode dizer com toda a segurança é, isso sim, que o sim significa menos aborto realizado em condições medievais, com as consequências óbvias que isso tem quanto à mortalidade feminina e a problemas de saúde graves que os abortos clandestinos provocam.
"Com o não pode-se despenalizar depois"
MENTIRA. Ao responder não à pergunta do referendo está-se a dizer que não se quer despenalizar, e se essa resposta for vinculativa, isto é, se houver mais de 50% de participação, a AR não pode despenalizar sem violar grosseiramente a vontade do eleitorado, o que tem consequências óbvias quanto à validade e relevância de futuros referendos. Julgo até mesmo que se a AR tentasse aprovar uma lei que desrespeitasse o resultado de um referendo vinculativo, essa lei seria travada pelo tribunal constitucional.
Já para não falar do que aconteceu depois do último referendo. Houve palavras e mais palavras e mais palavras e o que foi realmente feito foi quase nada. Palavras? A essas, meus caros, leva-as o vento. E com grande frequência para bem longe
"Esta lei não prende ninguém"
MENTIRA. Há pessoas condenadas a penas de prisão que só por acaso (ou por uma interpretação benévola da lei por parte dos juízes que nada garante que se prolongue) não é prisão efetiva. E mais: um julgamento e uma condenação, mais do que uma humilhação e uma devassa da vida de uma pessoa, é algo que fica para toda a vida. Um julgamento e uma condenação fica no cadastro de quem é julgado e condenado, e um cadastro conspurcado por uma condenação tem consequências várias, e todas negativas, para o resto da vida.
"Há um consenso em que a vida humana começa na conceção"
MENTIRA. Não há consenso nenhum. Há quem pense que a vida humana, com tudo o que isso implica, começa na conceção, e há quem pense que não, que no momento da conceção a única coisa que acontece é a junção de duas células humanas para formar uma outra célula humana, que está viva é humana da mesma forma que uma célula de fígado, pele ou intestino está viva e é humana. Há quem ache que essa célula que se forma no momento da conceção deve ter direito a toda a proteção que qualquer um de nós tem, e há quem julgue que não tem direito a mais proteção do que uma célula de fígado, pele ou intestino. Há quem tenha a certeza de que no zigoto existe já toda a humanidade possível e há quem tenha igual certeza de que no zigoto nada há além de um potencial de humanidade que se irá gradualmente concretizando ao longo da gravidez. Mais: ambas as visões são inteiramente defensáveis à luz do conhecimento científico corrente.
E é precisamente por não haver consenso nenhum que o voto "não" implica a imposição totalitária e intolerante de uma visão sobre outra. é tão aberrante criminalizar quem faz um aborto, revestido da absoluta certeza de que não está a cometer nada que se pareça ainda que remotamente com um homicídio por o feto não ser um ser humano, como seria criminalizar quem não o faz por ter as certezas inversas.
E muitas mais haveria, todas tão rebatíveis como estas. Mas basta, que este assunto me deixa mal disposto. Se querem mais disto, vão ao blogue dedicado ao assunto.
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Não me chamo Alice, mas...
... às vezes sinto que estou do outro lado do espelho. Então agora não acabei de ver um tipo do CDS a alertar contra o perigo das clínicas privadas?!
Às tantas é Portugal que fica do outro lado do espelho e só agora dei por isso...
Por onde andará o gato de Cheshire? Fazia-me falta agora aquele sorriso.
Às tantas é Portugal que fica do outro lado do espelho e só agora dei por isso...
Por onde andará o gato de Cheshire? Fazia-me falta agora aquele sorriso.
sábado, 3 de fevereiro de 2007
Isto tem MESMO que ser lido
Eu nunca faço isto, e sou mesmo contra, por princípio, a que se faça isto, mas por uma vez sem exemplo abro uma excepção e republico um texto alheio sem pedir licença nem ao autor nem ao lugar onde ele veio publicado (como forma de minorar a prevaricação, vão links para os sites de ambos lá no fim). Porque concordo com cada letra, vírgula e espaço e, mais importante, porque é indispensável que, perante a monumental e torpe campanha de desinformação a que temos assistido por parte dos pró-prisão, textos como este sejam lidos, relidos e voltados a ler. Muitas vezes. Por muita gente.
Uma pergunta directa para uma resposta honesta
A pergunta a que vamos responder no referendo do próximo dia 11 é compreensível para qualquer pessoa que saiba ler e isso é algo que nenhum contorcionismo político ou gramatical poderá mudar. "Concorda com a despenalização..." A despenalização é, evidentemente, a palavra-chave desta pergunta. é talvez surpreendente, mas o referendo do próximo dia 11 não é acerca de quem gosta mais de bebés, tal como não é acerca de quem mais respeita o sofrimento das mulheres. A pergunta do referendo também não é "dê, por obséquio, o seu palpite acerca de quando é que a alma entra no corpo dos seres humanos", matéria que sempre intrigou os teólogos. Não é acerca de quem gosta de fazer abortos e quem gosta de dar crianças para orfanatos. Por isso e acima de tudo, devo confessar que sofro de cada vez que ouço na televisão jornalistas falarem dos dois campos em debate como o "sim ao aborto" e o "não ao aborto".
Numa pergunta que começa com aquele "concorda com a despenalização", os dois votos possíveis não se dividem em pró-aborto e antiaborto, e muito menos pró-escolha e pró-vida. Os que respondem "sim" à pergunta são "pró-despenalização". Os que respondem "não" são "pró-penalização" (ou "antidespenalização", o que é forçosamente ser a favor da penalização). Tudo o mais é responder com alhos a uma pergunta sobre bugalhos, e qualquer chefe de redacção deveria saber isso. "... da interrupção voluntária da gravidez...". Até agora sabemos que a pergunta é sobre despenalizar, mas ainda não falámos de quê. Há quem tenha problemas com a expressão "interrupção voluntária da gravidez" por considerá-la um eufemismo, mas acontece que é a fórmula correcta para designar um aborto não-natural, não-espontâneo.
Mesmo assim, isto não atrapalha o debate: toda a gente parte do princípio de que IVG é aquilo que, em linguagem corrente, genérica e imprecisa, chamamos "aborto". Os problemas surgem quando nos aproximamos da segunda parte da pergunta. "... se realizada, por opção da mulher". No mundo real, o que quer dizer esta parte da pergunta? Quer dizer que a concordância com a despenalização da IVG deve ser dada (apenas e só) no pressuposto de que ela seria realizada por opção da mulher. Basicamente, significa que se uma mulher for forçada a abortar por uma terceira pessoa, esse aborto é crime e essa tal terceira pessoa será punida. Quer dizer que, se fulano apanhar uma mulher grávida, a anestesiar e lhe interromper a gravidez, não poderá eximir-se respondendo que "o aborto foi despenalizado", precisamente porque graças à segunda parte da pergunta o aborto só é despenalizado se for por opção da mulher. No mundo do "não", porém, esta parte da pergunta é a que causa mais engulhos. Percebe-se porquê. "Por opção da mulher"? A mulher, grávida de poucas semanas, a tomar uma decisão? Sozinha? Deve haver aqui qualquer coisa de errado.
Quando se lhes retorque que não poderia ser por opção de outra pessoa, e se lhes pergunta quem queriam então que fosse, a informação não é computada. Algures, de alguma forma, teria de haver alguém mais habilitado para tomar a decisão. O pai? O médico? O Estado? Então e se qualquer deles achasse que a mulher deveria abortar, contra a vontade desta? Pois é. é precisamente por isso que aquele inquietante "por opção da mulher" ali está. "...nas primeiras dez semanas...". Aborto livre, grita o "não"! Aqui está a prova, o aborto é livre até às dez semanas! Ora, meus caros amigos, o limite de dez semanas significa precisamente que o aborto não é livre... Ou o facto de só se poder andar até 50 quilómetros por hora dentro de uma localidade significa "velocidade livre"? Não faz muito sentido, não é verdade?
Enquanto digerem esta pergunta, os adeptos do "não" mudam de estratégia. Então o que acontece às 11 semanas? E o que acontece, meus amigos, quando se anda em excesso de velocidade? é-se penalizado, e a penalização vai-se agravando quanto maior for o excesso de velocidade. Isso quer dizer que, nos pressupostos da pergunta, o aborto não é livre. Não era esse o problema? "... em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" Esta parte final é tão clara que vou poupar palavras. Um "estabelecimento de saúde" quer dizer que não é um estabelecimento desportivo, e "legalmente autorizado" quer dizer que não é ilegal, ou que não é legalmente desautorizado, se tal coisa existisse.
Mas vale a pena notar o que "legalmente autorizado" não quer dizer. Não quer obrigatoriamente dizer do Estado, mas também não quer dizer privado, particular, ou o que seja. Quer dizer apenas que é num estabelecimento de saúde conforme com os procedimentos legais e que foi expressamente autorizado para a operação em causa.Não há melhor barómetro da má-fé neste debate do que dizer que estamos em face de duas perguntas diferentes, ou até duas perguntas de sinal contrário (uma legítima, a outra capciosa), tentando fazer passar a ideia de que a "segunda pergunta" de alguma forma perverte a primeira, rompendo com ela. Não há aqui primeira nem segunda pergunta: há apenas uma pergunta, que se refere a determinadas condições, condições essas que qualificam e restringem o âmbito da questão. Dizer o contrário disto não é só má-fé, é principalmente má-lógica: se a segunda metade da pergunta está contida na primeira, ela não pode ser mais aberta do que a anterior. Como é natural e faz sentido, cada passo da pergunta a fecha um pouco.
Dizer que é "despenalização da IVG" significa que não é despenalização de qualquer outra coisa, dizer que é "por opção da mulher" significa que não é por opção de qualquer outra pessoa, dizer que é até "às dez semanas" significa que não é sem qualquer limite, dizer que é "em estabelecimento de saúde" significa que não é no meio da rua, e dizer que a pergunta se refere a um estabelecimento de saúde "legalmente autorizado" significa que não pode ser no dentista, ou na farmácia, ou no ginásio. Tudo o resto é apenas uma desculpa para não se assumir as responsabilidades do voto. Pessoalmente, não vejo nesta pergunta nada que não me agrade, e vejo muita coisa que me agrada.
é uma pergunta de compromisso, cautelosa, que prevê os limites mais importantes, deixando a definição das políticas (de saúde, de planeamento familiar, judicial, etc.) para os actores e momentos certos. Pode responder-se sim ou não, e eu responderei "sim". Sou pela despenalização, naquelas condições, como outros são pela penalização mesmo naquelas condições. O que não se pode é invalidar a pergunta, degradando a sua lógica. Trata-se de uma pergunta directa. Como tal, pede apenas uma resposta honesta.
Rui Tavares
«Público» de 3 de Fevereiro de 2007
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Última hora
Ordem dos Médicos pondera substituir o Juramento de Hipócrates pelo Juramento de Hipócritas.
domingo, 28 de janeiro de 2007
Ora aí está uma excelente escolha
I am:Stanislav LemThis pessimistic Pole has spent a whole career telling ironic stories of futility and frustration. Yet he is also a master of wordplay so witty that it sparkles even when translated into English. |
sábado, 27 de janeiro de 2007
Gente louca
Escreveu-me um gajo qualquer a propor-me um método infalível para fazer o meu pénis maior que a estátua da liberdade.
E depois eu transportava-o como, ó meu?
Ele há com cada um!...
E depois eu transportava-o como, ó meu?
Ele há com cada um!...
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Ó Bandeira!
Ó Bandeira, se a enciclopédia em linha é a que eu penso, podes ir lá tu e corrigir o que está errado. Sabes disso, não sabes?
Spam educativo
Nunca pedi à Maxideia que me mandasse coisas. Mas a Maxideia resolveu começar a mandar-mas. Não sei se a Maxideia encontrou o meu antigo endereço de correio eletrónico nalguma lista de endereços vendidos a spammers por um preço módico que a Maxideia terá comprado ou coligido, se alguém, bem ou mal-intencionado, resolveu fornecer à Maxideia esse meu endereço, se o arranjou por outro meio qualquer. O que sei é que não fui eu quem o deu à Maxideia. Logo, o que a Maxideia me manda só pode ser qualificado duma forma: spam. Sim, porque se os senhores da Maxideia não sabem eu explico que um email não-solicitado que contém "uma forma de ser removido" é tão spam como um que não a contém, até porque, explicando de novo algo que o pessoal da Maxideia está decerto farto de saber, a esmagadora maioria desses "processos de remoção" não passam de instrumentos de phishing (anzóis, portanto, não é, Maxideia?) e/ou formas de validar os endereços.
Nada comprarei nunca à Maxideia, como é evidente. Por princípio, não compro a spammers porque a única razão para que a praga se perpetue (e, pior, cresça) é que há quem ceda e caia na esparrela. Só é possível acabar com práticas de spam como a da Maxideia fazendo com que o envio de spam não seja rentável. Isso pode fazer-se de duas formas: não comprando nada às Maxideias deste mundo, e divulgando que empresas como a Maxideia estão envolvidas na prática de spam, gerando assim publicidade negativa. é que o spam é ilegal, sabem? E uma empresa, como a Maxideia, que está envolvida num tipo de atividades ilegais é uma empresa que me é imediatamente suspeita de facilmente se envolver noutros tipos de atividades ilegais. Um spammer, como a Maxideia, fica imediatamente marcado na minha agenda como alguém indigno de confiança. Alguém que, provavelmente, não terá escúpulos para violar a ética de quaisquer outras formas que ache conveniente (ou lucrativo).
E vem tudo isto a propósito de quê? Acordei para aqui virado?
Não. é que hoje recebi mais um dos spams da Maxideia. Um spam da Maxideia a explicar, imaginem só a lata, qual a origem da palavra... spam. Convenhamos: um spam mais educativo que a maioria.
E porque são todas estas referências à Maxideia? Chama-se google bomb, uma daquelas ferramentas do nosso tempo, que provavelmente a Maxideia também conhece. Como todas as ferramentas, esta também pode ser bem e mal usada. Há uns Queridos canalhas que usam google bombs para lançar calúnias sobre as pessoas, por exemplo, mas há quem as use para contar e divulgar a verdade sobre práticas a-éticas. Neste caso, práticas a-éticas da Maxideia.
Nada comprarei nunca à Maxideia, como é evidente. Por princípio, não compro a spammers porque a única razão para que a praga se perpetue (e, pior, cresça) é que há quem ceda e caia na esparrela. Só é possível acabar com práticas de spam como a da Maxideia fazendo com que o envio de spam não seja rentável. Isso pode fazer-se de duas formas: não comprando nada às Maxideias deste mundo, e divulgando que empresas como a Maxideia estão envolvidas na prática de spam, gerando assim publicidade negativa. é que o spam é ilegal, sabem? E uma empresa, como a Maxideia, que está envolvida num tipo de atividades ilegais é uma empresa que me é imediatamente suspeita de facilmente se envolver noutros tipos de atividades ilegais. Um spammer, como a Maxideia, fica imediatamente marcado na minha agenda como alguém indigno de confiança. Alguém que, provavelmente, não terá escúpulos para violar a ética de quaisquer outras formas que ache conveniente (ou lucrativo).
E vem tudo isto a propósito de quê? Acordei para aqui virado?
Não. é que hoje recebi mais um dos spams da Maxideia. Um spam da Maxideia a explicar, imaginem só a lata, qual a origem da palavra... spam. Convenhamos: um spam mais educativo que a maioria.
E porque são todas estas referências à Maxideia? Chama-se google bomb, uma daquelas ferramentas do nosso tempo, que provavelmente a Maxideia também conhece. Como todas as ferramentas, esta também pode ser bem e mal usada. Há uns Queridos canalhas que usam google bombs para lançar calúnias sobre as pessoas, por exemplo, mas há quem as use para contar e divulgar a verdade sobre práticas a-éticas. Neste caso, práticas a-éticas da Maxideia.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Um dia ideal
Primeiro, a insónia e o passeio pela casa às seis da manhã sem sequer uma horinha de sono sobre o cérebro. Depois, o abrupto acordar com os filhos da realíssima manada de vacas do costume com as intermináveis obras feitas de marteladas de martelos manuais e, oh tão mais insuportável!, pneumáticos. Depois, ao procurar adiantar o trabalho que for possível, a incompetência do fornecedor de acessos do sr. Belmiro a interromper a ligação à internet duas vezes, durante bem mais de uma hora em conjunto. Depois...
Depois, que importa? O dia já está marcado. Indelevelmente.
Oh glorious day!...
Depois, que importa? O dia já está marcado. Indelevelmente.
Oh glorious day!...
Spam
Meus caros, o spam, aqui, é apagado. Seja qual for a causa, seja qual for o tópico, seja simpático, antipático ou indiferente, o spam, aqui, não fica. Ou se tiver de ficar para que algum comentário posterior faça sentido, reservo-me o direito de adulterá-lo da maneira que me der na real gana.
Estamos entendidos?
Estamos entendidos?
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Ainda os dias solarengos
Isto era suposto ser um comentário a um comentário, mas foi crescendo e achei melhor subi-lo a post. Origina-se num comentário do Zarolho ao post O prazer da língua também é errar, onde ele me espanca sem contemplações e com uma série de argumentos que me parecem, na generalidade, errados. Começa logo pela sugestão de que o novo significado de solarengo se origina por paronímia com soalheiro.
Paronímia entre solarengo e soalheiro?!
Credo!
Que haja paronímia entre soalheiro e soalho, muito bem; que haja paronímia entre solarengo e, sei lá, mulherengo, enfim, ainda vá, agora a única semelhança entre soalheiro e solarengo está nas duas letras com que as palavras se iniciam. Chamar a isto paronímia é o mesmo que dizer que há paronímia entre "pitecantropo" e "pilinha".
Ná! O novo significado da palavra nasceu por causa da polissemia da palavra solar, que pode ser substantivo (agora diz-se o quê? Nome?) para o casarão rural ou adjetivo, relativo ao sol. Nada tem a ver com paronímias.
Quanto à legitimidade da intervenção de qualquer falante, completamente de acordo. Daí o meu post. No momento em que os puristas tentar parar esta mudança em concreto, eu, que acho muito bem que ela aconteça, procuro pôr um bocado de areia nos travões. Pelos motivos expostos no post original e também por mais um:
Eu gosto de sinónimos. Enriquecem a língua, dão-lhe novas camadas de complexidade e fornecem-lhe novos instrumentos. E numa língua que lida tão mal com as repetições como a nossa, quantos mais sinónimos houver, melhor.
E mais um ainda: é da ambiguidade que nascem os melhores jogos de palavras, matéria-prima essencial para qualquer pessoa que lide criativamente com a língua. E não há melhor gerador de ambiguidade do que a existência de significados múltiplos para a mesma palavra ou para palavras muito semelhantes. A língua inglesa, nisso, é exemplar, e é precisamente nisso que baseia boa parte da sua força enquanto instrumento de criação literária.
Nisso e na facilidade que tem na geração de neologismos e na adoção de novos usos para palavras antigas. É, para seu grande proveito, uma língua muito plástica. Que a nossa o fosse igualmente, seria melhor para todos os que a usamos. Em vez disso temos um gigantesco manancial de arcaísmos e uma renovação que se baseia quase exclusivamente em palavras de importação.
De certeza que também há puristas por lá, mas é aparente que têm muito menos força do que os nossos. Sorte deles, azar nosso.
(E acabei de ter uma ideia para dar vida nova a este blog, que até a mim tem aborrecido)
Paronímia entre solarengo e soalheiro?!
Credo!
Que haja paronímia entre soalheiro e soalho, muito bem; que haja paronímia entre solarengo e, sei lá, mulherengo, enfim, ainda vá, agora a única semelhança entre soalheiro e solarengo está nas duas letras com que as palavras se iniciam. Chamar a isto paronímia é o mesmo que dizer que há paronímia entre "pitecantropo" e "pilinha".
Ná! O novo significado da palavra nasceu por causa da polissemia da palavra solar, que pode ser substantivo (agora diz-se o quê? Nome?) para o casarão rural ou adjetivo, relativo ao sol. Nada tem a ver com paronímias.
Quanto à legitimidade da intervenção de qualquer falante, completamente de acordo. Daí o meu post. No momento em que os puristas tentar parar esta mudança em concreto, eu, que acho muito bem que ela aconteça, procuro pôr um bocado de areia nos travões. Pelos motivos expostos no post original e também por mais um:
Eu gosto de sinónimos. Enriquecem a língua, dão-lhe novas camadas de complexidade e fornecem-lhe novos instrumentos. E numa língua que lida tão mal com as repetições como a nossa, quantos mais sinónimos houver, melhor.
E mais um ainda: é da ambiguidade que nascem os melhores jogos de palavras, matéria-prima essencial para qualquer pessoa que lide criativamente com a língua. E não há melhor gerador de ambiguidade do que a existência de significados múltiplos para a mesma palavra ou para palavras muito semelhantes. A língua inglesa, nisso, é exemplar, e é precisamente nisso que baseia boa parte da sua força enquanto instrumento de criação literária.
Nisso e na facilidade que tem na geração de neologismos e na adoção de novos usos para palavras antigas. É, para seu grande proveito, uma língua muito plástica. Que a nossa o fosse igualmente, seria melhor para todos os que a usamos. Em vez disso temos um gigantesco manancial de arcaísmos e uma renovação que se baseia quase exclusivamente em palavras de importação.
De certeza que também há puristas por lá, mas é aparente que têm muito menos força do que os nossos. Sorte deles, azar nosso.
(E acabei de ter uma ideia para dar vida nova a este blog, que até a mim tem aborrecido)
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
O prazer da língua também é errar
Hoje, no Cuidado com a Língua, a malta do Ciberdúvidas voltou a um tema de que já tinham falado no site pelo menos uma vez: a correção, ou não, de usar-se "solarengo" para querer dizer "soalheiro". Dizem eles, e com toda a razão, que soalheiro é que é a palavra que tem como significado "cheio de sol", referindo-se a palavra solarengo aos solares, esses velhos e tantas vezes decrépitos edifícios da paisagem rural portuguesa (e não só).
Eles têm razão, mas há um mas por aí, algures. E o mas é, claro, que a língua evolui e sempre tem evoluído por meio dos erros que se disseminam, gerando palavras novas e novos significados para palavras antigas. Para uns hipotéticos ciberduvidosos do latim, o português estaria errado de cima a baixo, e o mesmo aconteceria com todas as outras línguas neo-latinas, por mais palavras derivadas por via erudita que contenham.
Pois bem, este parece-me um caso típico de uma palavra que está em processo de mutação de significado. Não só se ouve nas bocas de gente inculta, como se escuta na comunicação social e dita pelas elites, de tal modo que até já encontrou o seu caminho até se tornar verbete de um dicionário como o próprio Ciberdúvidas admite. E além disso, é uma palavra bonita. Enche-se a boca ao dizer solarengo. é uma palavra seca e brilhante como as coisas soalheiras devem ser, o que contrasta com a humidade gotejante da palavra mais correta. Solarengo tem mais sol que soalheiro, por paradoxal que pareça. E é provavelmente por isso que tanta gente a adotou como sinónimo.
Por isso e também, quer-me parecer, pela erosão do significado primário da palavra. Quem se importa com solares hoje em dia? Quantas vezes se fala deles ao longo de um ano? Uma? Duas? A verdade é que ao mesmo tempo que a realidade social que gerou os solares vai entrando nos estertores finais, o mesmo acontece aos próprios solares, que de locais de vida vão transitando cada vez mais para a ruína ou a morte suave do "património arquitetónico", com um punhado de exceções transformadas em locais de turismo rural. E essa morte lenta dos solares é acompanhada por um caminho idêntico percorrido pelos termos que lhes dizem respeito. Solarengo entre eles.
Salvo, claro, se mudarem de significado. Salvo se o erro se transformar em variante e a língua a acolher. Salvo se solarengo passar a significar, também formalmente, como tantas vezes já o faz na informalidade, algo cheio de sol. Pois neste país solarengo não teremos nunca falta de oportunidade para usar essa palavra, e até a poderemos usar em cunjunto com a outra, a certa, a que diz que o dia hoje esteve soalheiro pelo menos por estas bandas.
O prazer da língua também está em errá-la, desde que a erremos de modos esteticamente agradáveis e úteis e que não propiciem confusões. E, a meu ver, este erro em concreto possui todas estas qualidades.
Eles têm razão, mas há um mas por aí, algures. E o mas é, claro, que a língua evolui e sempre tem evoluído por meio dos erros que se disseminam, gerando palavras novas e novos significados para palavras antigas. Para uns hipotéticos ciberduvidosos do latim, o português estaria errado de cima a baixo, e o mesmo aconteceria com todas as outras línguas neo-latinas, por mais palavras derivadas por via erudita que contenham.
Pois bem, este parece-me um caso típico de uma palavra que está em processo de mutação de significado. Não só se ouve nas bocas de gente inculta, como se escuta na comunicação social e dita pelas elites, de tal modo que até já encontrou o seu caminho até se tornar verbete de um dicionário como o próprio Ciberdúvidas admite. E além disso, é uma palavra bonita. Enche-se a boca ao dizer solarengo. é uma palavra seca e brilhante como as coisas soalheiras devem ser, o que contrasta com a humidade gotejante da palavra mais correta. Solarengo tem mais sol que soalheiro, por paradoxal que pareça. E é provavelmente por isso que tanta gente a adotou como sinónimo.
Por isso e também, quer-me parecer, pela erosão do significado primário da palavra. Quem se importa com solares hoje em dia? Quantas vezes se fala deles ao longo de um ano? Uma? Duas? A verdade é que ao mesmo tempo que a realidade social que gerou os solares vai entrando nos estertores finais, o mesmo acontece aos próprios solares, que de locais de vida vão transitando cada vez mais para a ruína ou a morte suave do "património arquitetónico", com um punhado de exceções transformadas em locais de turismo rural. E essa morte lenta dos solares é acompanhada por um caminho idêntico percorrido pelos termos que lhes dizem respeito. Solarengo entre eles.
Salvo, claro, se mudarem de significado. Salvo se o erro se transformar em variante e a língua a acolher. Salvo se solarengo passar a significar, também formalmente, como tantas vezes já o faz na informalidade, algo cheio de sol. Pois neste país solarengo não teremos nunca falta de oportunidade para usar essa palavra, e até a poderemos usar em cunjunto com a outra, a certa, a que diz que o dia hoje esteve soalheiro pelo menos por estas bandas.
O prazer da língua também está em errá-la, desde que a erremos de modos esteticamente agradáveis e úteis e que não propiciem confusões. E, a meu ver, este erro em concreto possui todas estas qualidades.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Para quê discutir o que não vem ao caso?
A completa imaturidade democrática das pessoas revela-se em pequenas coisas.
Aqui há alguns anos revelava-se com todas as conversas em torno de fantasmagóricas "candidaturas a primeiro-ministro" que uns charlatães quaisquer do marketing político inventaram e com que levaram tanta (mas tanta!) gente, que aparentemente não sabe que na organização das nossas instituições tal coisa não existe nem pode existir, pois o que se elege são deputados ao parlamento e quem é primeiro-ministro decorre das maiorias que se encontrarem nesse mesmo parlamento, independentemente, até, de qual é o partido mais votado.
Agora volta a revelar-se com toda a gente (que, felizmente, me parece menos do que cheguei a temer) que vai atrás da aldrabice da "vida" com que aqueles que procuram impôr os seus dogmas a todos os demais pretendem infetar o debate sobre a IVG. Agora, vem o senhor cardeal debitar pérolas como "Mas a palavra esclarecedora sobre esta questão é-nos dada pela ciência. A partir do embrião, toda a especificidade de cada ser humano está definida. é possível identificar, desde logo, o código genético e as etapas do crescimento estão caracterizadas. é uma vida humana, desde o início.", e ainda há quem discuta esta burrice a sério, em vez de ridicularizar uma posição que, se levada à letra, nos impediria de evacuar, urinar, lavar os dentes, cortar as unhas, arrancar peles mortas do nariz ou dos cantos da boca, tomar banho, fazer amor, enfim, viver, pois em todas essas actividades se perdem células contendo "toda a especificidade de um ser humano". Ainda há quem discuta esta burrice a sério em vez de, melhor ainda, muito melhor ainda, lembrar a este tipo de charlatão de sotaina que o que está em causa não é onde começa a vida humana ou se o aborto é ou não uma boa coisa, mas tão-só, simplesmente, se "a mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, [deve ser] punida com pena de prisão até 3 anos." A decisão que há que tomar, a pergunta a que há que responder sim ou não é, apenas, se esta lei estúpida (citada aqui textualmente com a substituição de "é" pelo "deve ser" que está entre patêntesis retos) deve ou não ser alterada. Parcialmente, ainda por cima, pois a pergunta que é feita no referendo nem sequer prevê uma despenalização total da prática de aborto mas apenas um alargamento das exceções já previstas na lei.
Nada a ver com a vida. Nada a ver com especifidades do ser humano ou códigos genéticos. Nada a ver com as cortinas de fumo que andam a lançar os parasitas das consciências, os parasitas totalitários das consciências, para os quais qualquer moralidade que não coincida com a deles é imoral e deve ser reprimida, ilegalizada, aprisionada, os parasitas totalitários e hipócritas e muito provavelmente mentirosos das consciências, que defendem uma lei que prevê prisão dizendo que defendem que não se cumpra a lei, não explicando, talvez porque não fica bem assumirem que afinal é mesmo a prisão que querem, para que raio serve uma lei se não é para cumprir. Nada a ver com nada disso.
Tudo a ver, apenas e só, com uma coisa: decência humana básica.
Aqui há alguns anos revelava-se com todas as conversas em torno de fantasmagóricas "candidaturas a primeiro-ministro" que uns charlatães quaisquer do marketing político inventaram e com que levaram tanta (mas tanta!) gente, que aparentemente não sabe que na organização das nossas instituições tal coisa não existe nem pode existir, pois o que se elege são deputados ao parlamento e quem é primeiro-ministro decorre das maiorias que se encontrarem nesse mesmo parlamento, independentemente, até, de qual é o partido mais votado.
Agora volta a revelar-se com toda a gente (que, felizmente, me parece menos do que cheguei a temer) que vai atrás da aldrabice da "vida" com que aqueles que procuram impôr os seus dogmas a todos os demais pretendem infetar o debate sobre a IVG. Agora, vem o senhor cardeal debitar pérolas como "Mas a palavra esclarecedora sobre esta questão é-nos dada pela ciência. A partir do embrião, toda a especificidade de cada ser humano está definida. é possível identificar, desde logo, o código genético e as etapas do crescimento estão caracterizadas. é uma vida humana, desde o início.", e ainda há quem discuta esta burrice a sério, em vez de ridicularizar uma posição que, se levada à letra, nos impediria de evacuar, urinar, lavar os dentes, cortar as unhas, arrancar peles mortas do nariz ou dos cantos da boca, tomar banho, fazer amor, enfim, viver, pois em todas essas actividades se perdem células contendo "toda a especificidade de um ser humano". Ainda há quem discuta esta burrice a sério em vez de, melhor ainda, muito melhor ainda, lembrar a este tipo de charlatão de sotaina que o que está em causa não é onde começa a vida humana ou se o aborto é ou não uma boa coisa, mas tão-só, simplesmente, se "a mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, [deve ser] punida com pena de prisão até 3 anos." A decisão que há que tomar, a pergunta a que há que responder sim ou não é, apenas, se esta lei estúpida (citada aqui textualmente com a substituição de "é" pelo "deve ser" que está entre patêntesis retos) deve ou não ser alterada. Parcialmente, ainda por cima, pois a pergunta que é feita no referendo nem sequer prevê uma despenalização total da prática de aborto mas apenas um alargamento das exceções já previstas na lei.
Nada a ver com a vida. Nada a ver com especifidades do ser humano ou códigos genéticos. Nada a ver com as cortinas de fumo que andam a lançar os parasitas das consciências, os parasitas totalitários das consciências, para os quais qualquer moralidade que não coincida com a deles é imoral e deve ser reprimida, ilegalizada, aprisionada, os parasitas totalitários e hipócritas e muito provavelmente mentirosos das consciências, que defendem uma lei que prevê prisão dizendo que defendem que não se cumpra a lei, não explicando, talvez porque não fica bem assumirem que afinal é mesmo a prisão que querem, para que raio serve uma lei se não é para cumprir. Nada a ver com nada disso.
Tudo a ver, apenas e só, com uma coisa: decência humana básica.
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
>Ai, Carolina
Quanto mais o tempo passa, mais me dá a impressão de que a Carolina Salgado se meteu numa camisa de sete varas. Não me custa nada a crer que tudo o que ela tem dito é verdade, mas desconfio fortemente que não tem como a provar.
Ou muito me engano, ou a Carolina irá acabar por descobrir que uma das definições possíveis para a palavra "difamação" é "verdade que não se pode provar".
Não será é em breve, que a justiça portuguesa é aquilo que se sabe.
Ou muito me engano, ou a Carolina irá acabar por descobrir que uma das definições possíveis para a palavra "difamação" é "verdade que não se pode provar".
Não será é em breve, que a justiça portuguesa é aquilo que se sabe.
domingo, 14 de janeiro de 2007
Fundamentalistas
Quando vos disseram que em Portugal não há fundamentalistas, apontem para os pró-prisão. Nem é preciso dizer nada: basta apontar.
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
Ou muito me engano...
... ou todos, ou quase, estes "movimentos cívicos" de ativistas pró-prisão não passam de marionetas manipuladas pela padralhada.
... ou vão descobrir em breve os limites das teias em que procuram envolver-nos a todos.
... ou vão descobrir em breve os limites das teias em que procuram envolver-nos a todos.
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