O Marinho é um conto de George Sand, a pingar ironia por cada entrelinha, que conta uma história de amor. Ou melhor, que conta a história de como a paixão de um homem banal com mais ambição que posses desembocou na conquista da apaixonada que durante muito tempo o desdenhara. E tudo graças a um acidente. É divertido, francamente divertido, mesmo não sendo este tipo de conto da minha predileção pessoal, longe disso. Por isso, talvez, não me tenha enchido as medidas. Mas divertiu-me, isso sem dúvida. E gostei da crítica, só implícita para quem nada entenda do que lê (de contrário encontrá-la-ão bem explícita) ao viver de aparências que tão endémico é em certos meios e em certas formas de ver o mundo. Ainda hoje, oh sim.
Outra coisa que achei curiosa, mas esta por viés de ofício, foi a tradução de Amadeu Lopes Sabino, por ultrapassar o âmbito típico de uma tradução até mais propriamente se lhe dever chamar uma versão. Talvez. É que Sabino transplanta o conto de Sand para a zona de Lisboa e altera-lhe os nomes às personagens. Mas à parte isso, numa comparação rápida que fiz com o original (em domínio público — é conto já com quase dois séculos de existência), a tradução parece-me ser bastante fiel. Descontando as mudanças na geografia e nos nomes, portanto, o conto está francamente bem traduzido. Traduzido, não reescrito. Será assim versão? Tradução?
A decisão de alterar os nomes está explicada em nota de tradutor e eu, embora não possa dizer-me fã desta abordagem, compreendo-a. E rio-me à gargalhada com ela.
É que não há muito tempo me vi sob fogo de um pessoal pouco ou nada instruído nestas coisas das traduções e das literaturas por me ter atrevido, imaginem, a traduzir para português umas quantas alcunhas, vejam só a desfaçatez do bicho traduzideiro! Se fosse num western ou num livro de gangsters, em que décadas de traduções mais ou menos toscas em filmes e livros de BD baratos estabeleceram um hábito de manutenção das alcunhas no original, ainda vá. Mas não. Nem na Terra a história se passava. E de repente eis que me aparece à frente o Sabino a mandar às urtigas as regrinhas que os incultos semiaprendem nas faculdades (quando sequer por aí passam) e a fazer o que acha que o conto pede para melhor ser lido em Portugal por portugueses. Granda Sabino!, pensei eu cá com os meus botões, enquanto gargalhava.
A moral da história é: não há regras invioláveis, daquelas a preto e branco, indiscutíveis. Há abordagens e interpretações e, se souber o que está a fazer e porquê, o tradutor não só pode mas deve violar toda e qualquer regrinha que lhe seja posta à frente, se achar necessário. Cabe ao leitor compreender que assim é e desfrutar do texto, de preferência aprendendo qualquer coisa no processo. Ou amuar e espingardar nos paroxismos de histeria que tão tristemente habituais são, e sem aprender nada porque, como é óbvio, já sabe tudo de nascença. Como no velhinho programa de TV, você decide.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Lido: Buffet Freud
Buffet Freud, conto curto de autor anónimo (mas se me pedirem com jeitinho eu revelo que é de Dawn Andrews) é um continho curioso sobre uma mulher (será mulher?) que aceita ser psicanalizada pelo homem a que o título se refere mas em vez de lhe contar a verdade fornece-lhe um sem-fim de mentiras, levando-o ao engano. Um conto sobre a manipulação, contado pela manipuladora. Está muito bem construído e bem escrito, mas é daqueles contos que não causam impressão duradoura em quem os lê (ou pelo menos em mim), facilmente se esquecendo. E embora dependa da surpresa final para boa parte do seu efeito, esta acaba por ser pouco surpreendente, pelo menos quando ele vem inserido numa publicação de índole fantástico, como é o caso. Em suma: achei-o talvez um pouco mais que razoável, talvez um pouco menos que realmente bom. Algures por aí.
Contos anteriores desta publicação:
Contos anteriores desta publicação:
domingo, 10 de agosto de 2014
Tuitos da semana, nº 2
Olha, lembrei-me. Como é domingo, cá estão os tuitos da semana passada, dominados, como talvez fosse inevitável, pelo Espírito Santo. Amém.
— Diga 1 2 3!
— BPN BPP BES.
——
"Com a habitualidade com que estão habituados". Uau. O homem é bom nisto.Esta é comentário à comunicação do Carlos Costa, o do Banco de Portugal. Ou fui eu que ouvi mal, ou ele disse mesmo isto. E muitos "repito"s. Muitos "repito"s.
——
O fundo não inclui fundos públicos. O fundo contraiu um empréstimo temporário junto do Estado. Mas não são fundos públicos. Mas são.
——
Não sei porquê, mas a palavra que eu ouvi mais o Carlos Costa dizer foi "bullshit". Ele falou em inglês?! Não percebo isto.
——
Já ninguém trabalha neste país. Só se "colabora".
——
O que fariam as "contribuições periódicas" do fundo de resolução se não estivessem enfiadas aí? Financiavam a economia, não era? Pois.
——
Previsões para os próximos dias: amanhã há uma corrida ao "banco bom" para fechar contas. Antes de acabar a semana já há processos.A primeira previsão cumpriu-se; a segunda não, mas só porque os advogados são uns molengões. Eles estão a tratar disso, mas levam tempo. Ou seja: como eu disse também noutro tuito passados uns dias:
O que vale é que eu não percebo nada disto e voto em malucos que percebem ainda menos.Não é?
——
Ninguém me tira da cabeça que aquela coisa da Dona Inércia era boca ao Banco de Portugal.
——
Olha, olha. E não é que nem lá fora se acredita na mais recente aldrabice?
——
Coisas que me irritam assim um bocadinhozinho: quando brasileiros arranjam Argonautas que eu não tenho. Humpf. Ainda por cima aquilo tinha sempre escrito algures "venda interdita na República Federativa do Brasil".
——
Coincidências... puras coincidências...
——
"Porque assim se finge que não há nacionalização do banco." Pois.
——
Olha, giro. Parece que fui nomeado para um prémio.Vou escrever um pouco mais sobre isto um destes dias.
——
Sabem quem não tem papas na língua? Os estrangeiros.
——
Malta que não sabe a diferença entre eminente e iminente: dicionário, tá?
——
O que o Baptista Bastos aqui não diz é que o seu "sistema" tem nome: capitalismo.
——
Não, queridos dedos, fritar não é o mesmo que gritar.
——
Ironias: o momento em que os banqueiros privados passaram anos a dizer como "tem de ser" mas o único banco saudável é o banco público.
——
Islândia: um "case study" sobre as consequências da traição.
——
Isto de dizerem que querem vender depressa o novo banco "para não perder valor" é giro. Estão a dizer que não vale o que pedem por ele.
——
Ah a internet voltou a matar o Jô Soares? Em quantas vezes já vai?
——
De acordo com isto. Mas acho que os partidos devem democratizar-se mais. Todos. Como consegui-lo é a questão.
——
Uma visão interessantre sobre a dimensão ideal do Estado. Não concordo por completo, mas...
——
Que bom que é ter um telemóvel com bateria que dure mais que 5 minutos.Esta não tuitei, mas podia ter tuitado: no momento em que escrevo isto, o telemóvel que tive de comprar porque o antigo entregou a alminha ao criador está ligado há 80 horas desde o último (e primeiro) carregamento. Oitenta. E tem 42% da carga. Estou devidamente impressionado.
——
E tudo se começa a conjugar para a brilhante solução adotada para o BES vir a ser muitíssimo pior que a do BPN.
——
Não consigo evitar. É mais forte que eu. Sempre que vejo mensagens revolucionárias "enviadas do meu iPhone" parto-me a rir.
——
O Monteiro Lobato tinha uma das mais impressionantes monossobrancelhas que eu vi na vida. Aquilo era um albatroz negro.Não conhecem? Então fiquem a conhecer.
——
Marques Mendes crítica a demagogia dos partidos da maioria. Um minuto depois faz demagogia sobre a subserviência de "todos os partidos" para com Ricardo Salgado."Esqueceu-se" dos alertas que Bloco de Esquerda e PCP (principalmente o primeiro; veja-se aqui) lançaram há montes de tempo, coitado.
——
Quando estou com sono (tipo agora) falo muito bem wookie. Serei só eu?
Lido: A Lombada do Moleskine
A Lombada do Moleskine (bibliografia) é um conto curto de Luís Bettencourt Moniz que tem vagamente a ver com história alternativa. Não é mau enquanto conto, mas deixou-me um grande sabor a pouco quando terminei a leitura, principalmente porque os ténues apontamentos ucrónicos não só são insuficientes para me parecer que o conto jogue bem com o tema da coletânea, como ainda por cima não têm rigorosamente nenhum impacto na narrativa. Sem esses apontamentos, o conto ficaria igual: um conto umbiguista, centrado na figura de um aspirante a escritor que reflete sobre a sua escrita e o modo como ela se entrecruza com a sua vida, num Portugal que, apesar de por duas ou três vezes receber alusões monárquicas, em mais nada se distingue daquele que conhecemos hoje em dia (ou no "hoje em dia" da época em que o conto foi escrito, há alguns anos). Não sendo nenhuma obra-prima, o conto não é mau, repito. Mas parece-me francamente desadequado nesta publicação.
Contos anteriores deste livro:
Contos anteriores deste livro:
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Lido: TV & Movies Shop
TV & Movies Shop é um texto de Tiago Dores que troça daqueles anúncios intermináveis que passam a altas horas da madrugada nos canais de sinal aberto, misturando o TV Shop com cinema. Como? Pois por intermédio de uma baixela, que nem sei se é verdadeira ou invenção, uma vez que tem um nome... hm... estranho. Baixela Titanic. O Dores pega no nome, junta-lhe uns pozinhos domésticos de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet e diverte. Não muito, bem longe da sofisticação literária das coisas do RAP, mas diverte.
Textos anteriores deste livro:
Textos anteriores deste livro:
Lido: Desconto de Natal
Desconto de Natal, de novo de Ricardo Araújo Pereira, é um texto um pouco menos hilariante que o anterior, até porque se sujeita mais à lógica de comentário ao momento que desde sempre impera nos blogues. Aqui, o nosso jovem Ricardo comenta um daqueles tão bem conhecidos artigos de João César das Neves, também eles frequentemente hilariantes, ainda que com um humor inteiramente involuntário, no qual o "economista beato", como o RAP lhe chama, prega parabolicamente as superiores virtudes do cristianismo sobre as outras religiões. Só que está bem de ver-se que não é bem essa a conclusão que o Araújo Pereira, esse infiel, acaba por tirar.
Não aconselhável a beatos, especialmente aos carentes de espírito pouco santo. Os outros, divirtam-se.
Textos anteriores deste livro:
Não aconselhável a beatos, especialmente aos carentes de espírito pouco santo. Os outros, divirtam-se.
Textos anteriores deste livro:
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Lido: O Código Tonicha
O Código Tonicha é um hilariante texto de Ricardo Araújo Pereira em que se disseca a conhecida letra de Tonicha sobre o "Zé que fumas" (não sabem o que é? Eh pá! Que lacuna do... não, não perdem nada. Mas se quiserem ficar a saber, pois está aqui, dizendo que é da Nucha. Não faço ideia de quem possa ser a Nucha e não, não quero saber). No texto do nosso amigo Pereira disseca-se a obra e especula-se sobre os significados ocultos que tão sublime letra poderá ter, mas a verdade é que o RAP não consegue chegar a nenhuma conclusão satisfatória, para grande tristeza (desespero?) sua (seu?). E frustração, também. Também há um bom bocado de frustração.
É RAP vintage: bem escrito, absurdo e gargalhento. Aprovado.
Textos anteriores deste livro:
É RAP vintage: bem escrito, absurdo e gargalhento. Aprovado.
Textos anteriores deste livro:
domingo, 3 de agosto de 2014
Tuitos da semana
Se me lembrar, vou passar a fazer isto: uma compilação dos tuitos da semana anterior que, ao relê-los, não me parecerem inteiramente parvos ou irrelevantes. Talvez com algumas alterações, para expandir as abreviaturas tuiteiras, explanar melhor uma ideia ou piada ou juntar num só parágrafo vários tuitos sobre o mesmo tema. Se calhar devia chamar a isto "retuitos" em vez de só "tuitos." É caso para pensar. Se me lembrar.
Acham bem?
Então cá vai a compilação da semana que acaba hoje:
Acham bem?
Então cá vai a compilação da semana que acaba hoje:
Reiterando algo que já disse uma vez — Caros sites que pedem likes ou têm nagscreens antes de mostrar conteúdo: encham-se de varejeiras.
——
O êxito dos oquestrada é para mim um dos grandes mistérios do universo.
——
Uma União Europeia que aceita calmamente isto é uma União Europeia a que eu recuso pertencer.
——
Se isto é verdade (Observador = pé atrás), o papel do Brasil na entrada do Obiang foi perfeitamente vergonhoso. Já agora: que raio interessa que um documento venha escrito em Comic Sans, em Garamond ou em Helvetica?! Que coisa mais parva.
——
Pelos cabelos quando as pessoas dizem "os partidos", referindo-se exclusivamente a coisas feitas por PS e PSD.
——
Continua, Israel. Ainda não convenceste toda a gente de que o melhor é riscar-te do mapa, mas lá chegarás.
——
Não há uma tenda grande o suficiente para cobrir a Madeira? É que circo já existe, só falta mesmo a tenda.
——
Os brasileiros (e em especial as brasileiras) têm uma relação de amor com a palavra "super".
——
Nunca deixarei de me surpreender com a estupidez humana. Nem de me deprimir com ela.
——
A princípio disseram que o cometa da Rosetta era um patinho de borracha. Não é: é uma bota.
——
E lá vamos nós para a nacionalização dos prejuízos e manutenção em mãos privadas de tudo o que dá lucro. Tão bom. E depois "o Estado é mau gestor." Pois.
——
Ideia para um programa de TV: um Shark Tank tuga, com Oliveira e Costa, Ricardo Salgado, Jardim Gonçalves e João Rendeiro. Ia ser tãlindo ver os liberaloides todos a apresentar ideias de negócio aos mestres!
——
Olhem uma lei fixe: "Empresa que tenha de ser nacionalizada só será privatizada depois de dar lucros ao Estado dez vezes superiores ao que custou." Sim, que o que se preparam para fazer ao BES é simplesmente pornográfico.
——
Coisas como o BPN e o BES continuarão a acontecer enquanto o Estado meter dinheiro e deixar as empresas voltar alegremente a mãos privadas. Coisas como o BPN e o BES continuarão a acontecer enquanto não se perceber que empresas demasiado grandes para falir devem ser públicas. E pelos mesmos motivos, os monopólios naturais também devem ser públicos. Sempre. Até porque um Estado financiado por mais-valias é um Estado que precisa de cobrar menos impostos para o mesmo nível de despesa.
——
Para que se perceba bem o que é a banca hoje em dia.
——
Normalmente não leio BD, mas quando leio, ela é brilhante!
——
Diz que o BES vai passar a ter um só acionista — uma empresa cujo capital é, em parte, dinheiro pelo qual o Estado está a pagar juros. Mas não, não é uma nacionalização. Nacionalizações são coisas malignas que só os comunistas fazem. E o Sócrates.
Lido: Porque não Odeio o Sporting (nem Sequer o FCP, que Mereceria)
Porque não Odeio o Sporting (nem Sequer o FCP, que Mereceria), de André Belo, é uma espécie de crónica tal como estas se transmutam nos blogues, sobre a clubite, essa doença que tão disseminada é entre os futeboleiros. Bem escrita e intimista, compreende-se a sua presença neste livro por vir acompanhada de uma fina ironia (que, aliás, se vê logo no título), mas para alguém, como eu, que há muito deixou de ligar à bola em boa medida por causa destes tão patetas odiozinhos que Belo aqui critica, acaba por ter pouco interesse. Mesmo apesar da crítica.
Por outro lado, é um texto de aconselhável leitura para os verdadeiros doentes da bola. Pouca esperança tenho de que alguém aprenda realmente alguma coisa ao lê-lo, mas basta a possibilidade, mesmo que remota, para que eu o aconselhe.
Textos anteriores deste livro:
Por outro lado, é um texto de aconselhável leitura para os verdadeiros doentes da bola. Pouca esperança tenho de que alguém aprenda realmente alguma coisa ao lê-lo, mas basta a possibilidade, mesmo que remota, para que eu o aconselhe.
Textos anteriores deste livro:
sábado, 2 de agosto de 2014
Lido: A Minha Palavra Preferida
A Minha Palavra Preferida, de Rui Tavares, é um texto muito semelhante ao anterior: curtinho (embora um pouco mais longo), a reagir a algo que alguém disse pouco antes (aqui foi Pires de Lima) e muito concentrado na contemporaneidade mediática, como é habitual nos blogues políticos. Não tem Guerra nas Estrelas mas tem palavras e, tendo palavras, e sendo as palavras de então idênticas às de hoje, resistiu melhor ao passar dos anos. Dito de outra forma, mantém boa parte da graça que teve na altura. Dito ainda de outra forma, é melhor que o do Daniel Oliveira.
Textos anteriores deste livro:
Textos anteriores deste livro:
Lido: Que a Força Esteja Contigo
Que a Força Esteja Contigo é mais um típico textozinho de blogue, este escrito por Daniel Oliveira, em que o autor goza com uma expressão usada por Paulo Portas num congresso do CDS, recorrendo a referências à Guerra das Estrelas. Não achei nada de especial — é demasiado curto (quase um tuito) e este tipo de ironias baseadas nos mediatismos contemporâneos podem ter graça logo no momento mas a anos de distância essa graça reduz-se de forma significativa.
Textos anteriores deste livro:
Textos anteriores deste livro:
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Lido: A Boca da Terra
A Boca da Terra é um conto curto de José Eduardo Agualusa, mais uma vez baseado em notícia que o autor terá encontrado num velho jornal da Angola oitocentista. Este é um daqueles contos de ouvir contar, com dois protagonistas: aquele em quem a história aparentemente se centra, que serve de elo de ligação a um outro, o verdadeiro protagonista da história. No caso, o primeiro é um caçador, Afonso, em tempos guia do segundo, Carlo Emeraldi, um aventureiro italiano que desaparece algures em África. Essa ligação profissional é o que o leva a receber um bizarro relato de viagens, que sugere que o italiano teria encontrado um território alterado de uma forma quase surreal — a tal boca da Terra. Não gosto muito deste tipo de conto, que foi muito comum na literatura fantástica do século XIX e do início do século XX, e este tem ainda o defeito de ser demasiado curto, tornando o relato por interposta pessoa quase sumário. É interessante, sim, e está tão bem escrito como seria de supor, mas há contos muito melhores neste mesmo livro.
Contos anteriores deste livro:
Contos anteriores deste livro:
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Lido: The Assistant to dr Jacob
The Assistant to dr. Jacob, de autor anónimo (mas se não disserem a ninguém eu digo-vos que é de um tal Eric Schaller) é um conto perturbador sobre a memória e as suas artimanhas. Em especial quando nela estão envolvidas coisas como lírios que sangram quando são carinhosa e meticulosamente podados, e muito em particular quando os lírios, se calhar, não são bem lírios. O conto é ambíguo, apesar de a maior parte dessa ambiguidade se desfazer no fim, e está muito bem construído, a princípio pleno de inocência apesar da menção a um polícia quase a abri-lo, e depois cada vez mais carregado de pormenores macabros até desembocar na revelação final, que mergulha o protagonista/narrador num labirinto de arrepiantes recordações entrecruzadas. Francamente bom.
Contos anteriores desta publicação:
Contos anteriores desta publicação:
terça-feira, 29 de julho de 2014
Só uma citação rápida
Olá. Ainda aí estão?
Desculpem lá a ausência: tenho andado cheio de trabalho e metido numas confusões que me têm levado todo o tempo que normalmente dedicava a isto de blogar. Mas hoje apetceu-me cá vir, deixar-vos uma citação levemente alterada para a tornar mais genérica. Já percebem porquê. É esta:
Mas não, o livro não é sobre a esquerda portuguesa. Nem é sobre Portugal. Nem sobre nenhuma região, passada, presente ou futura, do planeta Terra. É o livro que estou a traduzir, um livro de fantasia passado num mundo secundário.
Há muito quem diga que a fantasia, como a ficção científica e as literaturas do imaginário em geral, é escapista. E alguma é, sem dúvida. Mas outra está cheia de sumo e nem é preciso espremer com força para o encontrar. Basta querer encontrá-lo.
Desculpem lá a ausência: tenho andado cheio de trabalho e metido numas confusões que me têm levado todo o tempo que normalmente dedicava a isto de blogar. Mas hoje apetceu-me cá vir, deixar-vos uma citação levemente alterada para a tornar mais genérica. Já percebem porquê. É esta:
Vimos um fenómeno curioso associado a grupos rebeldes que se separam do Império [...] e tentam alcançar a autonomia. Em quase todos os casos, o [Imperador] não precisou de enviar o exército para reconquistar os rebeldes. Quando os seus agentes chegaram os grupos já se tinham derrubado a si mesmos.Faz-vos lembrar alguma coisa? A mim fez lembrar a esquerda portuguesa. Acho que está aqui escarrapachadinha.
Mas não, o livro não é sobre a esquerda portuguesa. Nem é sobre Portugal. Nem sobre nenhuma região, passada, presente ou futura, do planeta Terra. É o livro que estou a traduzir, um livro de fantasia passado num mundo secundário.
Há muito quem diga que a fantasia, como a ficção científica e as literaturas do imaginário em geral, é escapista. E alguma é, sem dúvida. Mas outra está cheia de sumo e nem é preciso espremer com força para o encontrar. Basta querer encontrá-lo.
sábado, 28 de junho de 2014
Sobre os ditos 800 anos da língua portuguesa
Anda por aí toda a gente muito eufórica porque ah e tal e viva a língua portuguesa porque faz 800 anos.
Não faz nada, desculpem lá rebentar-vos a bolha da chiclete.
O que faz 800 anos é um documento. Dizem que é o primeiro escrito em português, mas não só não é porque há outros mais antigos e muito provavelmente outros mais antigos ainda existiram mas se perderam entretanto, como aquilo não é português no sentido moderno do termo: é galaico-português. Podemos considerar que é a mesma coisa, mas para isso teremos de integrar o galego moderno na família da língua portuguesa. E eu até concordo com essa integração, mas a verdade é que isso é irrelevante.
É que as línguas não nascem quando são escritas. Nascem, ou melhor, "nascem" quando as pessoas começam a falá-las. E meti nascem em aspas porque mesmo isto é errado: à parte as línguas que são invenções motivadas por política, internacionalismo, nacionalismo ou linguística, e que são uma minoria muito reduzida, as línguas não nascem. Vão, isso sim, evoluindo devagar de outras línguas mais antigas, num processo que demora séculos. Foi o caso da nossa, que evoluiu devagarinho do velho latim, primeiro diferenciando-se em dialeto e mais tarde em língua propriamente dita, processo que demorou ao todo cerca de um milénio.
Falar-se do nascimento da língua portuguesa é, portanto, um absurdo. Querem comemorar o papel que faz agora 800 anos? Comemorem o papel. Mas deixem a língua em paz.
Não faz nada, desculpem lá rebentar-vos a bolha da chiclete.
O que faz 800 anos é um documento. Dizem que é o primeiro escrito em português, mas não só não é porque há outros mais antigos e muito provavelmente outros mais antigos ainda existiram mas se perderam entretanto, como aquilo não é português no sentido moderno do termo: é galaico-português. Podemos considerar que é a mesma coisa, mas para isso teremos de integrar o galego moderno na família da língua portuguesa. E eu até concordo com essa integração, mas a verdade é que isso é irrelevante.
É que as línguas não nascem quando são escritas. Nascem, ou melhor, "nascem" quando as pessoas começam a falá-las. E meti nascem em aspas porque mesmo isto é errado: à parte as línguas que são invenções motivadas por política, internacionalismo, nacionalismo ou linguística, e que são uma minoria muito reduzida, as línguas não nascem. Vão, isso sim, evoluindo devagar de outras línguas mais antigas, num processo que demora séculos. Foi o caso da nossa, que evoluiu devagarinho do velho latim, primeiro diferenciando-se em dialeto e mais tarde em língua propriamente dita, processo que demorou ao todo cerca de um milénio.
Falar-se do nascimento da língua portuguesa é, portanto, um absurdo. Querem comemorar o papel que faz agora 800 anos? Comemorem o papel. Mas deixem a língua em paz.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Lido: O Nome do Rei
O Nome do Rei (bibliografia) é um conto de história alternativa, de Bruno Martins Soares, sobre um regicídio. Não aquele que existiu na história real, entenda-se, visto que este, no universo alternativo que Soares nos apresenta, nunca chegou a existir, mas outro, quase um século mais tarde, num Portugal que entrou em monarquia pelo século XXI dentro. Narrado na primeira pessoa por um jornalista a quem foi atribuída a responsabilidade de cobrir a o assassínio do rei, e por extensão a sua vida, é um conto que começa lento e um pouco mole, com demasiado infodump e uma voz insuficientemente consistente, mas vai ganhando solidez ao longo das páginas até acabar bastante bom, numa reflexão muito interessante e bem conseguida sobre a morte, a história e a condição humana. Embora aquele início talvez merecesse uma revisão, e apesar do Bruno Martins Soares cair na armadilha lógica de manter as mesmas personalidades da nossa linha temporal num mundo profundamente alterado, em que é comum os escritores de história alternativa caírem, o final é suficientemente forte para elevar este conto acima da mediania. Claramente o melhor do livro até agora.
Contos anteriores deste livro:
Contos anteriores deste livro:
Lido: Os Operadores Humanos
Os Operadores Humanos (bibliografia) é um conto de ficção científica escrito a quatro mãos por A. E. Van Vogt e Harlan Ellison e é, de muito longe, o melhor conto do livro de que faz parte. Leva-nos ao espaço profundo, algures entre galáxias nunca identificadas, a bordo de uma nave que, com algumas outras, terá escapado do controlo humano e fugido após ganhar senciência. A bordo, além do leitor, encontra-se apenas um homem, o operador humano, necessário para desempenhar tarefas que a nave é incapaz de levar a cabo sozinha, mas mantido firmemente controlado e ignorante, não vá ter oportunidade de pôr em prática as tendências malignas inerentes à humanidade. Sim, que já se passou muito tempo desde a fuga e este operador humano que conhecemos está muito longe de ser o original, antes é resultado de um programa de reprodução levado a cabo pelas naves. Ora, para haver reprodução é necessário haver fêmeas, e é precisamente quando o protagonista é visitado por uma fêmea (sim, fêmea, não mulher), a primeira que vê na vida, que as coisas se desenlaçam.
Trata-se de um conto muito bom, tanto no que toca às ideias propriamente ditas como sobretudo na forma como elas são executadas. Ao contrário do que acontece em contos anteriores, e pese embora notar-se aqui e ali o efeito Saló, tudo está no sítio certo e há um equilíbrio praticamente perfeito entre a entrega da informação necessária ao leitor e o avançar da narrativa. A melhor forma possível para concluir este livro. Ou até para o salvar.
Contos anteriores deste livro:
Trata-se de um conto muito bom, tanto no que toca às ideias propriamente ditas como sobretudo na forma como elas são executadas. Ao contrário do que acontece em contos anteriores, e pese embora notar-se aqui e ali o efeito Saló, tudo está no sítio certo e há um equilíbrio praticamente perfeito entre a entrega da informação necessária ao leitor e o avançar da narrativa. A melhor forma possível para concluir este livro. Ou até para o salvar.
Contos anteriores deste livro:
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Lido: Peixe Para Eulália
Peixe Para Eulália é mais um belo continho fantástico de Mia Couto, daqueles que transbordam ternura e poesia. Tudo se passa algures, sob uma seca das tremendas, famintas e aparentemente insolúveis. O povo da aldeia, não por desespero de causa mas por causa do desespero procurar alívio no humor e na troça, decide um belo dia perguntar a um tal Sinhorito, com fama de tresloucado, como resolver a questão sequiosa. Sinhorito pensa e emite sentença. E todos se riem, menos a Eulália a que o título faz referência.
Só que nos universos de Mia Couto as coisas nunca ficam assim. Em lugar de enfiar viola em saco, portanto, logo Sinhorito põe a sua ideia em prática. E quem tiver paciência, na aldeia e fora dela, atrás das páginas e da capa deste livro, mais tarde descobrirá se o Sinhorito conseguiu ou não ir buscar peixe e água para a sua amiga Eulália, a única que nele acreditou o suficiente para não rir.
Em resumo: mais um contossim.
Contos anteriores deste livro:
Só que nos universos de Mia Couto as coisas nunca ficam assim. Em lugar de enfiar viola em saco, portanto, logo Sinhorito põe a sua ideia em prática. E quem tiver paciência, na aldeia e fora dela, atrás das páginas e da capa deste livro, mais tarde descobrirá se o Sinhorito conseguiu ou não ir buscar peixe e água para a sua amiga Eulália, a única que nele acreditou o suficiente para não rir.
Em resumo: mais um contossim.
Contos anteriores deste livro:
Lido: U Disscurssu de Karluss Karvalhass
U Disscurssu de Karluss Karvalhass é mais um texto de blogue, desta feita criado por Celso Martins, que tenta gozar simultaneamente com o cerrado sotaque beirão do antigo secretario-geral do PCP e com a tendência comunista de repetir sempre (roboticamente?) os mesmos clichés (se não formos simpáticos) ou ideias (se formos)... a célebre cassete. Não o achei lá muito eficaz. Em parte porque a toda esta distância já poucos se lembrarão de quem foi Carlos Carvalhas, provavelmente o mais apagado dirigente que o PCP já teve, e por outro porque o humor se perde um bocado num certo excesso de palhaçada.
Aliás, nunca é bom sinal quando o autor da piada se sente na obrigação de a explicar no fim, como acontece aqui. Um texto muito dispensável, este.
Textos anteriores deste livro:
Aliás, nunca é bom sinal quando o autor da piada se sente na obrigação de a explicar no fim, como acontece aqui. Um texto muito dispensável, este.
Textos anteriores deste livro:
Lido: ΘΑΛΑΣΣΑ ΤΟΥ ΠΡΩΙΟΥ
ΘΑΛΑΣΣΑ ΤΟΥ ΠΡΩΙΟΥ, assim mesmo, em grego e em maiúsculas (o itálico é meu... achei graça à ideia de usar grego itálico), é um texto de Daniel Oliveira que goza descarada e divertidamente com Pacheco Pereira e uma certa tendência que este tem para se encher de arrogâncias intelectualizantes, o que o torna não só muito ridículo como extremamente ridicularizável. No caso, Pereira terá transcrito para o seu blogue Abrupto um poema. Nada de mais, não fosse um detalhezinho sem importância... ou com toda: o autor é grego, o poema é grego, e Pacheco Pereira transcreveu-o... em grego. Acrescentando-lhe uma ridícula notinha a alfinetar as pessoas que "se vão irritar com o grego". E Daniel Oliveira responde-lhe com uma ironia demolidora, transcrevendo poema e notinha e acrescentando uma breve nota sua.
Gargalhei, sim.
Textos anteriores deste livro:
Gargalhei, sim.
Textos anteriores deste livro:
Lido: Pedrito de Portugal
Pedrito de Portugal é um texto de Rui Tavares, típico texto de blogue político em que se faz uso do sarcasmo para contestar afirmações de um adversário. No caso, o adversário é Pedro Santana Lopes, que teria dito um monumental disparate sobre a Constituição da República Portuguesa o que, tendo em conta que esta refutação data de 2003, mostra bem desde que longínquas eras pretéritas a tendência para o asneiredo constitucional impera no PSD. Não tem muita graça, ou então sou eu que já deixei há algum tempo de conseguir achar graça a esta corja, mas a leitura deste texto tem a utilidade de mostrar que não, não é de agora. Não é coisa de Coelhos e seus acólitos. A parvoeira vem de longe. Pelo menos desde Santana Lopes, mas certamente desde ainda antes.
A extrema-direita atualmente no poder tem raízes fundas.
Textos anteriores deste livro:
A extrema-direita atualmente no poder tem raízes fundas.
Textos anteriores deste livro:
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Lido: Desconversa da Treta
Desconversa da Treta é o argumento de um sketch que qualquer português que não tenha passado a última década e picos enfiado debaixo dum calhau conhece perfeitamente. É, como é evidente, uma conversa da treta, sobre coisa nenhuma, entre o Zézé e o Toni. Tem graça, não digo que não, mas o contraste entre o texto a seco e a imagem do José Pedro Gomes, com os seus fatinhos todos pipis, e o António Feio, com o sem eterno colete de pele de vaca, é demasiado forte para não deixar nesta leitura um valente sabor a pouco. Nestas coisas do humor há textos que resultam perfeitamente deixados a si próprios. Outros, no entanto, só fazem realmente sentido quando recebem a vida que lhes emprestam os atores. E a Conversa da Treta sempre viveu da forma como o Gomes e o Feio (e acima de tudo a interação entre o José Pedro e o Antómio) davam corpo aos textos absurdos e muitas vezes parvos que lhes serviam de base. Sem eles, pura e simplesmente não é a mesma coisa.
Textos anteriores deste livro:
Textos anteriores deste livro:
domingo, 15 de junho de 2014
Lido: O Demiurgo
O Demiurgo é um divertido conto de José Eduardo Agualusa, de novo baseado em notícia que terá encontrado numa publicação oitocentista angolana, que nos leva até uma terra que, apesar de estar razoavelmente identificada na notícia (tanto quanto o pode estar uma terreola pequena para alguém que desconhece os detalhes da geografia de Angola), na verdade pouco importa qual é. Pois acontece que na igreja dessa terra começam mais ou menos de repente a surgir umas estranhas manchas na parede. A princípio tomadas por efeitos de humidade e bolores, depressa as formas debochadas que as manchas tomam levam o padre a mandar pintá-las, não fosse escandalizar a freguesia do templo. Só que as manchas teimam em reaparecer, cada vez mais pornográficas, cada dia mais detalhadas. Repetidamente.
Trata-se de um conto engraçado, com o seu quê de conto de fantasmas, embora muito pouco vitoriano, escrito em tom de realismo fantástico. E bem escrito. Não haverá nele propriamente grande surpresa, que não é a primeira vez que na literatura mundial surgem cenas estranhas nas paredes mais variadas, mas há muitos outros motivos de interesse. É um bom conto. Mais um.
Contos anteriores deste livro:
Trata-se de um conto engraçado, com o seu quê de conto de fantasmas, embora muito pouco vitoriano, escrito em tom de realismo fantástico. E bem escrito. Não haverá nele propriamente grande surpresa, que não é a primeira vez que na literatura mundial surgem cenas estranhas nas paredes mais variadas, mas há muitos outros motivos de interesse. É um bom conto. Mais um.
Contos anteriores deste livro:
sábado, 14 de junho de 2014
Lido: Mighty Fine Days
Mighty Fine Days, de autor anónimo (coff - é do Anthony Mann - coff), é um conto de horror sobre um homem que se vai perdendo de si mesmo e do mundo. Apesar de parecer à primeira vista ser surrealista, o impacto maior do conto acontece quando nos apercebemos de que até pode não o ser. De que esta história e esta situação são possíveis quando algo de grave acontece à memória. Quando objetos, pessoas e lugares familiares vão perdendo substância, se vão tornando irreconhecíveis, porque deixa de existir conexão entre a sua existência exterior e a representação que delas mantemos no cérebro. Neste conto, tudo começa (muito inglesmente, diga-se) com a transformação do jornal da manhã numa pilha de folhas em branco, mas não fica por aí, e o mundo, tal como é visto pelo protagonista, vai-se tornando cada vez mais estranho e incompreensível.
Digo que este conto é de terror porque é francamente incómodo. Mas igualmente lhe poderia chamar surrealista ou realista mágico. Weird fiction. Esta é daquelas histórias que transcendem os rótulos simples. Tem essa qualidade. E tem outras, também. É um bom conto.
Conto anterior deste livro:
Digo que este conto é de terror porque é francamente incómodo. Mas igualmente lhe poderia chamar surrealista ou realista mágico. Weird fiction. Esta é daquelas histórias que transcendem os rótulos simples. Tem essa qualidade. E tem outras, também. É um bom conto.
Conto anterior deste livro:
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Lido: Missão 121908
Missão 121908 (bibliografia) é um conto de ficção científica de Luísa Marques da Silva sobre um duo de temponautas agentes secretos (e irmãos) que voltam a 1908 para tentar impedir o Regicídio. É que, na sua linha temporal, este nunca aconteceu e, na verdade, não deveria acontecer nunca. Mas houve uns terroristas, também temponautas, que resolveram fazer um atentado retroativo e assim criaram uma linha temporal divergente. Ou então não exatamente. Se calhar nem atentado nem missão aconteceram de facto. Se calhar tudo não passa de outra coisa.
É um conto com um certo interesse, prejudicado por duas coisas: um tom humorístico que me pareceu francamente mal conseguido (pelo menos um dos agentes é tão imbecil que se torna inverosímil) e, acima de tudo, a Intempol.
A quê?
A Intempol. Trata-se de um universo partilhado brasileiro baseado numa polícia temporal que tem como base precisamente este tipo de missão. E quem o conheça não consegue evitar fazer comparações. Ora, ao fazê-lo vai encontrar diferenças, particularmente na sofisticação conceptual e no grau de maturidade das histórias... em desfavor desta. Embora este conto tenha de facto um certo interesse, e apesar de estar razoavelmente bem escrito, fica aquém da maioria das histórias da Intempol. É uma leitura agradável, mas há nele uma certa fragilidade, uma certa insegurança, que sugere uma autora pouco à vontade com os conceitos e enredos inerentemente complexos a que decidiu deitar as mãos. Por isso, mais trabalhada, esta história poderia vir a ser boa, mas como está não me parece que o seja. O conto não é mau mas tampouco é bom.
Conto anterior deste livro:
É um conto com um certo interesse, prejudicado por duas coisas: um tom humorístico que me pareceu francamente mal conseguido (pelo menos um dos agentes é tão imbecil que se torna inverosímil) e, acima de tudo, a Intempol.
A quê?
A Intempol. Trata-se de um universo partilhado brasileiro baseado numa polícia temporal que tem como base precisamente este tipo de missão. E quem o conheça não consegue evitar fazer comparações. Ora, ao fazê-lo vai encontrar diferenças, particularmente na sofisticação conceptual e no grau de maturidade das histórias... em desfavor desta. Embora este conto tenha de facto um certo interesse, e apesar de estar razoavelmente bem escrito, fica aquém da maioria das histórias da Intempol. É uma leitura agradável, mas há nele uma certa fragilidade, uma certa insegurança, que sugere uma autora pouco à vontade com os conceitos e enredos inerentemente complexos a que decidiu deitar as mãos. Por isso, mais trabalhada, esta história poderia vir a ser boa, mas como está não me parece que o seja. O conto não é mau mas tampouco é bom.
Conto anterior deste livro:
Subscrever:
Mensagens (Atom)






