sexta-feira, 11 de junho de 2010

Lido: O Espectro de Canterville

O Espectro de Canterville (bib.) é, provavelmente, o mais célebre dos contos (uma noveleta, no caso) de Oscar Wilde. Trata-se, evidentemente, de uma história de fantasmas, e descreve o que acontece quando um diplomata americano compra um castelo inglês e se muda para lá com a família. O castelo, claro, está assombrado, e a história arranca num tom marcadamente humorístico, narrando os problemas que o pobre fantasma enfrenta, as irritações que apanha, e, sim, os sustos que sofre, ao tentar cumprir o seu dever de assustar aqueles ianques fleumáticos que são demasiado "modernos" para terem medo duma coisa tão antiquada como um fantasma. Boa parte da noveleta é assim: tentativa de assustar alguém atrás de tentativa de assustar alguém, mas ninguém se assusta, o que enche o pobre espectro de uma enorme frustração, de uma enorme sensação de falhanço. Na verdade têm pena dele.

E é nisto que, quando se encaminha para o fim, a noveleta muda de tom. O humor desaparece e surge o romantismo por mão da doçura e bom coração da filha do diplomata, que é desde o início quem mais pena sente do pobre fantasma. Não tenho dúvidas de que é precisamente por isto que este conto conheceu tanto sucesso, mas confesso que a mim esta mudança de rumo não agrada. Preferiria um desfecho menos convencional, mais de acordo com a sátira que se encontra no resto do conto. Sátira às histórias de fantasmas, à literatura gótica, mas também às ideias feitas sobre a natureza e cultura de ingleses e americanos. Contudo, embora eu ache que o desfecho diminui a história em relação ao que poderia ter sido, não me parece que chegue ao ponto de a estragar. É uma boa história, e em geral bastante divertida.

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