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domingo, 12 de junho de 2011

L'11: O BE? Não. A responsabilidade.

Para encerrar esta série de posts sobre as legislativas de há uma semana, tinha prometido umas ideias sobre o Bloco de Esquerda. Acabei por decidir que não valia a pena. Porque já tinha aqui dito por que motivos o Bloco ia perdendo o meu voto, e penso que isso resume bastante bem a minha opinião sobre os motivos por que perdeu o voto de muitas outras pessoas. Em retrospetiva, acrescentaria apenas o apoio a Manuel Alegre à lista de erros dos últimos meses. Não porque o BE não devesse participar em alternativas unitárias contra candidatos da direita, mas porque na primeira volta de umas eleições presidenciais em que o candidato "dos outros" tem à partida uma vantagem considerável é mais importante fornecer o máximo de opções possíveis "aos nossos" para trazer o máximo possível "dos nossos" às mesas de voto e conseguir assim forçar uma segunda volta, do que partir logo para soluções unitárias. A unidade faz-se depois, em redor do candidato que passar à segunda volta. Seja ele qual for.

E não vale a pena também porque já se escreveu mais que muito sobre a derrota do BE nas últimas eleições. Não só cretinadas, como coisas certas; não só opiniões enviesadas, estúpidas e destrutivas, como pontos de vista objetivos, inteligentes e construtivos. Para quê somar mais uma voz à cacofonia? Não vale a pena.

Mas vou falar de responsabilidade. Um bocadinho.

Primeiro, da responsabilidade dos outros.

Há poucas coisas mais dignas de desprezo do que as criaturas que metem a pata na poça e não assumem a responsabilidade por a pata cair na poça. É não só desprezível como infantil (foi ele que patiu o vaso, mamã!, diz o bebezinho lavado em lágrimas, tentando escapar-se ao açoite). É não só infantil como cobarde. É não só cobarde como contraproducente, não só porque quem tem olhos na cara deixa de respeitar a criatura, como porque criatura que assim age é criatura que nada aprende com erros que não assume, e portanto é criatura que voltará a cometê-los à primeira oportunidade.

Tem-se visto muito disso. Em primeiro lugar, e acima de tudo, naquelas criaturas do PS para as quais a culpa da derrota é... do BE e do PCP. Claro, claro. É que está-se mesmo a ver que o PS não teve nada a ver com o banho que levou nas urnas, que ele se deveu aos mauzões da "esquerda radical".

Bardamerda.

Mas se estas criaturas do PS vêm em primeiro lugar e acima de tudo, não estão sozinhas na atitudezinha. Também há gente do partido em que eu votei a entrar pela mesma via. Diria mesmo que há demasiada gente no partido em que votei a entrar por essa via.

E aqui chegamos à responsabilidade pessoal. À minha.

Em tempos que já lá vão, fui membro de um partido político. Acabei por sair, jurando para nunca mais. Porque não tenho personalidade de ativista. Porque não tenho puto de paciência para aturar os idiotas sectários que existem em todos os partidos. Porque pensava, penso e sempre pensarei pela minha própria cabeça. Porque, precisamente porque penso, não sou criatura de rebanho. Nunca me limitarei a balir em resposta ao ritmo definido pelo líder, seja ele qual for. De modo que saí convencido de que os partidos não eram para mim, de que, sendo um homem de ideias independentes, o lugar que me era próprio era a independência partidária.

Só que ao ver a quantidade de idiotices que foram sendo ditas, fora e dentro do BE, no rescaldo desta derrota, e a enorme falta de inteligência da própria campanha, não tanto do BE (a campanha em si até foi boa; as parvoíces vieram antes) mas da generalidade dos partidos, dei por mim a pensar. E há dias resumi esse pensamento num paragrafozito que enviei a quem me segue nas redes sociais:

Um motivo para as pessoas inteligentes se meterem nos partidos e participarem ativamente deles: não os deixar entregues a idiotas. É que, afinal de contas, é (quase) sempre gente dos partidos que nos governa. Se ficarem neles só os cretinos, vamos mal.
Pois é. E quem diz pessoas inteligentes, diz todas aquelas que pensam pela própria cabeça. Como eu. Mesmo quando a inteligência não é muita, quem a usa para pensar tem mais capacidade para ter contribuições válidas e úteis do que quem se limita a balir em apoio ao chefe. Ou seja, se calhar, gente como eu tem a responsabilidade de participar no sistema partidário. Na medida das possibilidades e do tempo disponível. Sabendo perfeitamente que há limitações, quer pessoais, quer do próprio sistema, que não permitirão um envolvimento muito profundo.

E como gosto de agir em consonância com o que penso, acabei de preencher e enviar o formulário de pré-adesão ao BE.

terça-feira, 7 de junho de 2011

L'11: As distorções dos sistemas eleitorais

Pois é, pondo de lado os votos da emigração, que ainda não estão contabilizados, desta vez os votos expressos e não brancos nem nulos ficaram 40,25% para o PSD, 29,22% para o PS, 12,23% para o CDS, 8,27% para a CDU, 5,40 para o BE, 1,17% para o MRPP, 1,08% para o PAN, 0,42% para o MPT, 0,41% para o MEP e 1,54% para os 8 últimos do pelotão. Estes 0,41% dos votos obtidos pelo MEP correspondem a 21748 votos, o que é mais do que vale um deputado do PSD. Sim, para eleger um deputado do PSD, com este nosso sistema, foram necessários à volta de 20 mil votos. O MEP, com quase 22 mil, esteve muito longe de eleger alguém. Muito longe.

Segundo estes resultados, que são a verdadeira vontade do eleitorado, são possíveis duas maiorias absolutas de dois partidos: PSD + PS tem 69,47% dos votos válidos expressos nos partidos; PSD + CDS tem 52,48%. Nenhuma outra dupla chega aos 50% dos votos. Triplas também só há uma a fazer maioria absoluta sem que dois dos membros da tripla a façam sozinhos: PSD + CDU + BE. É das tais combinações impossíveis no que toca a arranjar um governo, mas acontece de vez em quando na AR, que é onde as leis são aprovadas ou rejeitadas. A vontade do povo expressa nas urnas ditou que essas três forças ficassem com 53,92% dos votos. Há uma multiplicidade de combinações de 4 partidos também a fazer maioria absoluta, incluindo ou o PSD e a CDU ou o PS, o CDS e a CDU mais pequenos partidos; E etc.

Isto é em votos. E, notem bem, todas estas combinações têm exatamente tanta legitimidade democrática como a coligação PSD + CDS que nos vai governar nos tempos mais próximos. Porque todas elas correspondem a uma maioria decidida pelo povo.

Mas claro que as coisas não são bem assim. Porque o sistema que temos para transformar votos em mandatos deturpa a vontade do povo, favorecendo as duas formações mais votadas e promovendo uma espécie de bipartidarismo encapotado. Querem ver?

Fazendo as contas aos 226 deputados já eleitos, o PSD ficou com 46,46% da AR (105 deputados), o PS com 32,30% (73), o CDS com 10,62% (24), a CDU com 7,08% (16) e o BE com 3,54% (8). Ou seja: o nosso sistema eleitoral beneficiou o PSD em 6,21 pontos percentuais (mais do que a percentagem de votos obtida pelo BE! Corresponde a cerca de 300 mil votos! Trezentos mil!), beneficiou o PS em 3,08 pp, prejudicou o CDS em 1,62 pp, prejudicou a CDU em 1,19 pp, prejudicou o BE em 1,86 pp e prejudicou todas as outras forças políticas na percentagem de votos válidos e não brancos que cada uma obteve. A soma de todas as distorções é de 18,58 pontos percentuais. Se fosse a percentagem de uma força política qualquer, já dava um grupo parlamentar de bom tamanho...

Já agora notem uma coisa muito importante: qualquer redução no número de deputados que mantenha o mesmo sistema de círculos e o método de Hondt no apuramento agravaria estas distorções. E quanto maior a redução, mais grave se tornaria a distorção.

Com os deputados que temos na AR, a possibilidade de fazer maiorias absolutas de dois partidos multiplica-se... desde que incluam sempre o partido mais votado. O PSD pode fazer maioria com qualquer uma das outras forças presentes no parlamento; para fazer maioria sem o PSD, pelo contrário, só juntando as 4. O que isto quer dizer é que o PSD pode fazer uma maioria absoluta com o BE, por exemplo, porque as duas forças têm deputados para isso, mas não foi essa a vontade que o povo expressou nas urnas porque não deu a essas duas forças mais de 50% dos votos. E isto mesmo sendo o BE prejudicado na distribuição de mandatos; é que o PSD foi muito beneficiado. O mesmo acontece juntando o PSD à CDU. São, logo ali, duas maiorias possíveis no parlamento sem terem a maioria dos votos.

A mim parece-me óbvio que isto cria um problema de legitimidade democrática de certas decisões. Nesta legislatura os resultados nem foram particularmente problemáticos a esse respeito, porque há sempre a tal combinação PSD + CDS que será, decerto, institucionalizada numa coligação formal. Mas o exemplo que dei acima é claro.

E como seria com o meu sistema? Desta vez não fiz as contas a quantos deputados se elegeriam pelos círculos regionais e quantos pelo círculo nacional, mas fi-las ao total de deputados. Ficaria assim: PSD 95 deputados (42,04% do parlamento), PS 68 deputados (30,09%), CDS 28 deputados (12,39%), CDU 19 deputados (8,41%), BE 12 deputados (5,31%), MRPP 2 deputados (0,88%) e PAN 2 deputados (0,88%). Também neste sistema há distorções (há em todos), mas são muito menores. O PSD é beneficiado em 1,79 pontos percentuais, o PS em 0,86, o CDS em 0,15, a CDU em 0,14, o BE é prejudicado em 0,09 pp, o MRPP em 0,29, o PAN em 0,20 e os restantes na percentagem obtida por cada um. O maior benefício é de novo do mais votado, o PSD, com 1.79 pp; o maior prejuízo cabe ao MPT com 0,41 pp. Curiosamente, se houvesse mais 3 deputados a destribuir, o MPT também entraria no parlamento. Se em vez de 226 fossem 229 iria mais um para o PS, mais um para o CDS e um para o MPT. A soma das distorções é de 5,89 pontos percentuais. Menos de um terço das do sistema que temos. Eu acho isto assim bem mais democrático, tal como acho bem mais democrático que qualquer força que atinja um mínimo de votos, igual para todos, esteja representada na AR. Pela mais simples razão do mundo: houve quem votasse nela. Mas também este meu sistema não está isento de distorções à vontade popular, como veremos...

... aqui, nas maiorias. Há três maiorias possíveis com dois partidos: PSD + PS, PSD + CDS e PSD + CDU; as duas primeiras correspondem a maiorias de votos, a terceira não; de novo porque é o partido mais votado o mais beneficiado. Maiorias de três partidos fazem-se só com PS + CDS + CDU. Este é um caso curioso: é uma maioria possível com o meu sistema e impossível com o sistema que temos e que parece favorecer a legitimidade deste último porque também não foi sufragada pelo voto. Os votos nessas três forças somam quase 50% (49,73), o número de deputados ultrapassa ligeiramente os 50% (50,88). Mas este tipo de combinação deve ser raríssimo, porque precisa de um fator que só deverá surgir muito espaçado no tempo: a soma do segundo, terceiro e quarto bater mesmo a rasar os 50%. Aconteceu nestas eleições, mas não deverá acontecer em muitas mais. E não há mais maiorias possíveis, a não ser incluindo alguma destas maiorias referidas acima.

E claro que nada disto conta com brancos e nulos. Porque os brancos e nulos, lá está, não contam.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

L'11: Rescaldo geral

Então a coisa correu mais ou menos como eu temia. Gostaria que assim não fosse, gostaria que este povo ganhasse juízo e parasse de saltar de camartelo para explosivos e de explosivos para camartelo, mas não tinha esperança nenhuma de que assim fosse. Não estou minimamente desiludido, portanto, até porque sei perfeitamente que a diferença entre a política que vai desenvolver o governo do PSD ou por eles dominado e a que desenvolveria um putativo governo PS não é praticamente nenhuma. O programa de governo, contrariamente ao que diz o mentiroso de Belém, é o da troica, e seria sempre o da troica, a menos que acontecesse uma reviravolta completa e as pessoas dessem a maioria à esquerda. Ninguém acredita que isso pudesse acontecer, como é óbvio.

Tenho pena principalmente de uma coisa. Tenho pena da direita ficar com maioria absoluta. Não por causa do que ela irá fazer, mas porque já estou a ver o PS, agora na oposição, a fazer de conta que não é nada com ele, que não teve nada a ver com tudo isto, que o desastre anunciado é obra exclusiva das nulidades do PSD e do CDS. Teria havido alguma possibilidade de isso não ter acontecido se uma boa percentagem dos que ficaram em casa ou fizeram papel de patetas úteis votando branco e nulo tivessem votado na esquerda. Mais votos na esquerda significariam mais deputados para a esquerda, o que quereria dizer menos deputados para a direita. PSD e CDS ficaram 13 deputados acima da maioria absoluta (vão ser mais, quando estiverem apurados os votos da emigração, mas por agora são só 13); se esses 13 deputados, ou 14, 15 ou 16, tivessem ido para outros partidos o PSD seria obrigado a fazer governo com o PS (sem Sócrates, que se demitiria na mesma) e os próximos anos seriam muito mais verdadeiros. Assim...

Assim vamos ter uns aninhos de PS a fingir que não foi nada com ele e daqui a 4 anos (se o governo chegar até lá), com Portugal ainda mais falido do que já está, as pessoas com a corda de tal modo na garganta que começam realmente a ir para a rua em massa, e a renegociação da dívida, que para a esquerda devia ter acontecido em vez do 1º PEC, a acontecer mesmo e numa situação muitíssimo pior do que a que temos agora que por sua vez é pior do que a que tínhamos nessa altura, por mais que agora digam que não é possível, daqui a 4 anos, dizia, vai este povo que tem a memória de um peixe saltar a correr de camartelo para explosivos e voltar a votar PS.

Assim, nunca mais nos safamos.

Quanto ao BE, também desejava que não tivesse levado um banho tão grande, mas com a estupidez que tem sido a estratégia seguida nos últimos tempos não me surpreende minimamente que o tenha levado. Na verdade, é bem feito. Pode ser que aprenda. Mas isso ficará para outro post. Como para outro post ficará o que teria acontecido se em vez do sistema eleitoral que temos tivêssemos o que eu gostaria que tivêssemos. Para já só dou uma dica: em vez de termos 5 forças políticas no parlamento teríamos 7.

sábado, 4 de junho de 2011

L'11: Propaganda presidencial em pleno dia de reflexão

Cavaco Silva, essa nulidade que vocês, os que nele votaram, tiveram o mau gosto de reeleger para um lugar que está muitíssimo longe de ter qualidade para ocupar, acabou de utilizar o dia de reflexão para, em vez dos habituais e circunstanciais apelos ao voto que todos os presidentes fazem de véspera, fazer uma intervenção mentirosa em que apela ao voto, sim, mas vai subrrepticiamente apelando a um certo tipo de voto. No PPD.

É um cheirinho do que nos espera. Com o papa-bolo-rei em Belém e o Coelho em São Bento, esperam-nos uns quantos anos com o mesmo tipo de "democracia" que os madeirenses conhecem bem.

A não ser que vocês votem mesmo. E se o presidente pode eu também posso. Se o presidente faz campanha eleitoral no dia de reflexão, efetivamente acabando com ele, eu também posso dizer o que penso.

A não ser que vocês votem mesmo, e na esquerda.

Já agora: alguém do PS (acho que o Seguro, mas não tenho a certeza) dizia há uns dias que os partidos à sua esquerda tinham preocupações sociais mas as medidas que propunham não eram exequíveis. Podem acreditar nele. Ou podem acreditar em gente como o Paul Krugman, que é "só" prémio Nobel da economia e americano, não propriamente um perigoso membro do PCP ou do BE, e que desde que começaram os PECs foi dizendo que eram burrice. E que agora diz que os "planos de resgate" são mais burrice em cima da burrice. Que o que há que fazer é uma reestruturação controlada da dívida.

Entre o Seguro (e que me perdoe se não foi ele mas outro) e um prémio Nobel da economia, eu sei em quem acredito. E voto em conformidade.

E vocês?

quinta-feira, 2 de junho de 2011

L'11: A estratégia do costume

A estratégia é sempre a mesma. Há, em Portugal, há quase 40 anos, dois partidos que colonizam o poder (e que por sua vez estão completamente corroídos pelo poder económico que os coloniza a eles, mas esse é outro assunto). Estes dois partidos desenvolvem uma política que na essência é precisamente igual. Mas vivem numa gritaria permanente, tentando (e em boa medida conseguindo) com essa gritaria levar as pessoas a julgar que entre eles há diferenças que na realidade não existem. O PSD berra, arrancando os cabelos, que o PS é um horror para o défice ao mesmo tempo que aumenta o défice; o PS guincha, erguendo as mãos para o céu, que o PSD quer destruir o estado social ao mesmo tempo que destrói o estado social. E assim vão, de mãos dadas, servindo-se do país, enriquecendo, e deixando-nos a todos mais pobres, mais sobrecarregados de impostos, taxas, o diabo a quatro. São assim como duas técnicas diferentes de demolição. Um é o camartelo, o outro os explosivos, e na verdade não interessa muito qual é qual.

A ideia é simples. Quando o partido-camartelo acusa o partido-explosivos de incompetência, assustam-se os eleitores que acreditam que o partido-explosivos é incompetente e ainda não se aperceberam de que o partido-camartelo o é igualmente e, com as velhas e falsas chantagens do voto útil e da ingovernabilidade, leva-se esse mar de ingénuos a votar no partido-camartelo. Do lado do partido-explosivos, a estratégia é simétrica. Depois, um deles ganha as eleições, digamos o camartelo. Imediatamente o partido-explosivos começa a denunciar que aqui d'el rei, as medidas que ele próprio tomaria se estivesse no governo em vez do partido-camartelo não têm pés nem cabeça, e blá blá blá, tudo para tentar fazer com que nas eleições seguintes seja o partido-explosivos e não o partido-camartelo a vencer e a ir para o governo, distribuir lugares aos amigos e continuar a mesmíssima política que o partido-explosivos tinha feito e, segundo dizia antes o partido-camartelo, tanto mal fazia ao país.

No ponto em que nos encontramos hoje, há uma nuance: o empréstimo que nos estão a fazer com juros de mais de 5% e que qualquer criancinha que saiba fazer contas de somar (ou melhor, de subtrair) percebe que é impossível de pagar. Agora temos camartelo e explosivos, coadjuvados pelo partidinho-eu-também-quero, a afiançar aos ingénuos que o programa do FMI é que nos vai salvar da bancarrota. Toda a gente sabe que não vai. Toda a gente sabe que vai resultar precisamente tão bem como resultaram os PECs, que já antes nos afiançavam que seria aquilo que nos salvaria do garrote. Toda a gente compreende que um país forçado à recessão por medidas económicas draconianas nunca, mas nunca, poderá pagar empréstimos de mais de 5%. Toda a gente o compreende, mas a maior parte das pessoas prefere assobiar para o ar, autoiludir-se, fingir que tudo está bem, que isto não passa dum buraquinho na estrada, nada de grave. E é precisamente com isso que o camartelo e os explosivos contam.

Porque quando o partido que ganhar as eleições, digamos o explosivos, puser em prática as medidas impostas pelo eufemisticamente chamado "plano de resgate financeiro" e a economia continuar a cair a pique no buraco onde esta política inacreditavelmente imbecil que temos seguido alegremente nos últimos anos nos foi enfiando, aí teremos o partido-camartelo a esbracejar e a bater no peito dizendo "Veem, veem, o que nós dizíamos? Veem como eles são incompetentes? Votem mas é em nós, para sermos nós a fazer a mesma política e a continuar a demolir isto!" Pronto para continuar a farsa dos gémeos siameses que tentam fingir que são de raças diferentes, perpetuando-se no poder, esperam eles, para sempre.

A não ser que no próximo domingo nenhum deles consiga fazer uma maioria absoluta a não ser com o outro. Isso é que lhes estragava mesmo os planos, não era? Assim é que veríamos mesmo um pouco de verdade na política portuguesa. Nas eleições seguintes não haveria desculpas. E o inevitável falhanço teria finalmente responsáveis claros perante todo o povo.

Como é que isso acontece? Simples: Deixando PS e PSD em torno dos 30%, e não deixando que o CDS suba o suficiente para servir de muleta a nenhum dos dois. Isso faz-se votando no BE e na CDU. E, para quem vota em Lisboa e até certo ponto no Porto, noutros partidos que tenham alguma hipótese de eleger deputados, o que, extrapolando dos resultados das últimas eleições (é arriscado, imperfeito, mas como as sondagens não medem intenções de voto nestes partidos é o que temos), significa o MRPP, o MEP, a Nova Democracia e os monárquicos. Votar em branco é o mesmo que votar PS ou PSD, porque os votos em branco não contam para nada e o método de Hondt favorece os partidos mais votados. Votar nulo idem aspas. E ficar em casa pior um pouco.

Era mesmo, mesmo bom que isso acontecesse. Porque este país só sairá do marasmo quando o eleitorado punir mesmo todo o centrão, em vez de passar a vida a ir de camartelo para explosivos e de explosivos para camartelo. E só fará tal coisa quando realmente vir que o que se tem passado não é por causa da incompetência do Sócrates ou da nabice do Santana ou da mania de bazar do Guterres e do Durão, mas da própria natureza daqueles dois partidos.

Obriguem-nos a mostrar ao país o que valem ou o que não valem. Já que vocês não querem arriscar uma política realmente diferente, e é claro que não querem, obriguem aqueles dois antros de incompetência a governar em conjunto. Obriguem-nos, pelo menos, no mínimo, a arranjar desculpas diferentes do costume, a ter de pensar um bocadinho noutras maneiras de enganar o freguês.

Faz-se isso votando. Em todos menos neles.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

L'11: Competitividade e auditorias

Hoje estou demasiado cansado para escrever algo de coerente por aqui. Felizmente, houve quem o fizesse por mim, portanto posso simplesmente orientar-vos para dois textos que qualquer um que queira dizer que sabe o que está em causa nestas eleições tem de ler. Concorde depois com eles ou não.

Aqui fala-se de competitividade, palavrão muito na moda. E explica-se a diferença entre dois tipos de competitividade, e o que resulta de cada um deles para um país como o nosso num mundo como o nosso.

Aqui explica-se uma série de coisas muito relevantes sobre o que é e como funciona uma auditoria à dívida, elencando-se as várias formas que essa auditoria pode tomar, e separando-se os tipos de dívida que essa auditoria pode encontrar. Entre outras coisas.

É só sumo. Vão lá ler, andem. Informem-se, que é disso que esse povo precisa. Mais do que de pão para a boca.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

L'11: Porque é que o Bloco ia perdendo o meu voto?

Já o tinha dito: nestas eleições vou voltar a votar BE, mas estive bem perto de não o fazer. Explico aqui porquê.

A razão explica-se em três palavras: "moção de censura".

É que uma força política que se queira apresentar ao eleitorado como uma força responsável e diferente das outras não pode ceder à baixa politiquice, e foi precisamente isso que o Bloco fez com aquela moção de censura. O objetivo nunca foi derrubar o governo. O objetivo foi antecipar-se ao PCP, que tinha anunciado a intenção de apresentar uma moção semelhante (o que teria sido igualmente estúpido), e obrigar o PSD a votar contra para poder depois dizer que por mais que estrebuchem PS e PSD estão juntos nesta política desastrosa.

O problema é que não era precisa nenhuma moção de censura para toda a gente com olhos na cara ver que PS e PSD estão juntos nesta política desastrosa — bastaria ver quem aprovou os orçamentos e quem aprovou os PECs. A moção de censura só serviu, portanto, como veículo adicional de desestabilização de uma situação que já de si estava desestabilizada por intervenções anteriores de Sua Mediocridade Cavaco Silva e pela situação financeira, e para ajudar a que o PS se vitimizasse, no que aliás é exímio, apontando a artilharia pesada à "irresponsabilidade" do Bloco, que queria derrubar o governo num momento tão difícil para o país. No que, aliás, foi acompanhado por toda a direita, mesmo aquela que pouco depois ajudou a deitar o dito governo abaixo. Mesmo.

A apresentação da moção de censura foi, portanto, a maior idiotice que o BE fez em toda a sua história. Porque foi inútil, para começar. E porque forneceu armas aos adversários. E porque não ajudou em nada este país, pelo contrário. Com ela, o Bloco ficou com uma bomba de politiquice nas mãos que acabou por lhe explodir na cara. Não é assim que o BE deve agir se quer que as pessoas levem a sério a sua diferença. Nunca.

Também não gostei que não tivessem ido falar com a troica. Percebo a correção formal dessa atitude: é o governo português que negoceia com a troica, não os partidos, e etc. Está certo, e é verdade que os outros tipos que depois se vieram pôr em bicos dos pés a reivindicar negociações que nunca aconteceram tentaram atirar areia para os olhos dos papalvos. De acordo. Mas isso não implica que os partidos não possam, e se calhar não devam, ir dizer aos senhores do FMI e companhia que não os querem cá. E porquê. Até porque ainda por cima a não ida dá aos outros a oportunidade de virem com a estafada conversa de ah e tal, não querem fazer parte da solução e patati e patata. Era simplicíssimo evitar essa conversa: bastava fazer o mesmo que a CGTP fez. Nada mais.

Mas por falar nisso, já agora, há mais uma coisa que se aponta ao Bloco (e ao PCP também), mas essa, santa paciência, é duma hipocrisia que não tem tamanho. Diz o PS, e o resto dos verdadeiros responsáveis pela situação em que o país está, que a esquerda se "auto-excluiu duma tentativa de encontrar uma solução para o problema".

Treta da grossa.

Porque desde o primeiro PEC que tanto BE como PCP andam a dizer que não pode ser assim. Que isto não vai resultar, que só nos vai deixar cada vez mais endividados até cairmos num buraco de onde não conseguiremos sair. Que o caminho não pode ser este, que tem de ser outro. E andam também a dizer qual. O PS escolheu não lhes dar ouvidos. O PS escolheu dançar o tango com o PSD. Foi o PS que, quando confrontado com o precipício, decidiu dar o passo em frente. Não pode vir agora exigir que os partidos da esquerda apoiem medidas que desde o início disseram que não resultariam nem lhes pode cobrar falta de apoio na implementação dessas medidas. Sim, nem BE nem PCP são parte dessa "solução" para o problema pela simples razão de que nenhum deles alguma vez acreditou que os PECs fossem solução fosse para o que fosse. Como aliás se veio a demonstrar que não eram.

Se e quando o PS descobrir que esta política só nos enterra cada vez mais, se e quando o PS descobrir que o verdadeiro problema é esta receita desastrosa que tem implementado de braço dado com a direita, então veremos se o BE e o PCP se auto-excluem de alguma coisa. Até lá, qualquer sugestão nesse sentido não passa de demagogia da mais rasca.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

L'11: A papinha toda feita

Tomem lá, e não digam que vão daqui. Eis os sites dos partidos que concorrem a estas eleições e não têm qualquer responsabilidade pelo estado em que o país está. Informem-se e escolham o melhor. Ou o menos mau.


Os outros? Os responsáveis por este desastre? Oh, pá, isso já é querer demais. Procurem vocês, desculpem lá.

terça-feira, 24 de maio de 2011

L'11: A confiança, essa estranheza.

Há dias, estava a ver o telejornal enquanto já não me lembro que jornalista entrevistava o Teixeira dos Santos, e aconteceu-me uma coisa que até acontece com alguma frequência: o ministro disse uma coisa muito séria e eu larguei uma gargalhada.

Que coisa muito séria foi essa?

Que ninguém tinha previsto a escalada das taxas de juro da dívida portuguesa. Que não era previsível, que tinha apanhado toda a gente de surpresa. Blá blá blá.

E porque foi que eu larguei uma gargalhada?

Simples: porque, ao contrário, aparentemente, da grande maioria das pessoas, não sou amnésico. E como não sou amnésico lembro-me bem de ouvir a esquerda, o BE e o PCP, a alertar, desde o momento em que chumbaram o primeiro PEC, para ser inevitável que um programa de austeridade, inerentemente recessivo, iria piorar a capacidade do estado português de fazer face às suas dívidas, e isto mesmo dando de barato que os "mercados" são uma força benigna ou no mínimo racional, o que está muito longe de ser dado adquirido. A cada PEC que o PS apresentava, dançando o tango com o PSD, de rosa na boca e saias vermelhas a rodopiar, a esquerda repetia o alerta, votava conta e apresentava alternativas. O PS, enamoradíssimo, só com olhos para o namorado novo e alaranjado, fazia ouvidos de mercador e sempre que um PEC falhava, conforme a esquerda tinha avisado que falharia, lá vinha outro, sempre disfarçado de coisa inevitável e salvadora da economia nacional. Até ao quarto, que teve o destino que vocês conhecem, sendo chumbado também pelo namorado dos tanguistas da rosinha para reaparecer em versão piorada por uns tipos estrangeiros que gostam de violar camareiras.

Ou seja: gargalhei porque o que Teixeira dos Santos disse foi uma mentira grosseira.

A verdade é que em todo este processo os únicos partidos parlamentares que foram acertando sucessivamente nas previsões que foram fazendo foram o Bloco de Esquerda e o PCP. Bem, OK, os Verdes também, mas esses pouco contam. Os únicos.

Ora eu, que até penso e tudo, vejam só, acho que se um gajo qualquer acerta sistematicamente nas previsões que faz das duas uma: ou tem uma sorte do caraças e, convenhamos, inverosímil, ou então se calhar até sabe do que está a falar. É um gajo a que eu vou passar a dar ouvidos daí para a frente, especialmente se aquilo que tiver a dizer for importante. Não há certeza nenhuma de que o que disser no futuro esteja tão certo como o que disse no passado, claro, mas eu tendo a depositar nele muito mais confiança do que nos que só disseram (e pior: fizeram) disparates.

E é essa a principal razão que me leva a pôr para trás das costas o tal disparate da moção de censura e a votar BE. Que vocês não achem o mesmo, ajuizando pelas sondagens, só me causa uma imensa estranheza. É como se estivessem num Titanic prestes a colidir com o iceberg que o acabará por afundar e preferissem dar ouvidos aos tipos que dizem que os icebergs são um mito em vez de prestarem atenção aos que já por quatro vezes predisseram, corretamente, que uma montanha de gelo ia aparecer a bombordo no momento tal.

Bizarrias da confiança. Ou da falta dela.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

L'11: Ideologia, Tática, Protesto e Parvoíce

Há quatro tipos de voto.

O primeiro, e mais nobre, é o voto ideológico. O voto em quem sentimos que de facto nos representa, em quem acredita, mais ou menos, nas mesmas coisas em que nós acreditamos. E é sempre mais ou menos. Quem pensa pela própria cabeça nunca está inteiramente de acordo com nenhuma força política. Há sempre um qualquer ponto de discordância, aqui ou ali, mais ou menos importante. Isso, aliás, acontece mesmo com quem é militante, e mais ainda com a esmagadora maioria que não o é. Mas para isso é preciso pensar-se pela própria cabeça, não pela cabeça de outras pessoas.

O segundo, menos nobre mas não menos válido e legítimo, é o voto tático. O voto no partido X porque o achamos mais eficaz do que o Y, apesar de concordarmos mais com este último. Ou porque o Y fez uma asneira muito grande e nos desiludiu o suficiente para querermos puni-lo. Ou porque o Y esteve no governo mas só fez merda. Ou porque o nosso sistema eleitoral beneficia sistematicamente dois partidos e votamos num círculo pequeno, o que faz com que votarmos no Y seja o mesmo que deitar o voto à rua. Se tivêssemos um sistema como o que eu propus há um par de anos, perfeitamente proporcional, quase todos os votos contariam e a vontade do eleitorado seria mesmo respeitada, mas infelizmente não temos. Temos um sistema que beneficia sistematicamente os dois partidos mais votados, que gera maiorias absolutas no parlamento com menos do que maiorias absolutas dos votos expressos, que pode mesmo, em casos extremos, dar um número maior de deputados a quem não obtém a vitória em votos, embora isso, felizmente, ainda nunca tenha acontecido. E que desperdiça milhares de votos em todas as eleições, que os deita à rua sem que sirvam para eleger ninguém. Quanto mais o sistema eleitoral distorce a proporcionalidade, menos democrático se torna, e mais legítimo torna o voto tático. O voto útil é uma forma de voto tático, embora não seja a única (e raramente seja realmente útil). Votar, em círculos pequenos daqueles que só elegem dois ou três deputados, nos maiores partidos (os maiores nesse círculo, note-se) quando se preferiria um dos outros, também o é. Votar, em círculos médios, nos cinco maiores partidos, idem. Votar no partido X, preferindo as ideias do Y, porque na situação presente se acha que o X seria mais útil ao país é outra forma de voto tático. E há mais. Têm todas em comum uma coisa: não se está a votar na força política que ideologicamente melhor nos representa.

O terceiro é o voto de protesto. Ao contrário do que diz por aí quem não percebe grande coisa de democracia, os únicos votos que são real e incontestavelmente de protesto são o branco e o nulo. Todos os outros são votos numa alternativa qualquer e não é possível separar quem vota na força X porque realmente concorda com ela dos que votam nela para punir a força Y. E não é não gostarmos da alternativa que faz com que o voto seja de protesto. Talvez fale mais sobre isto noutro dia qualquer. Agora interessa-me é dizer o seguinte: este voto de protesto verdadeiro é legítimo, com certeza. Mas também é objetivamente inútil. Não tem o mínimo impacto na constituição do parlamento, não vai influenciar em nada o ambiente político que se segue às eleições. Em nada. Os números de brancos e nulos servem para preencher uns minutos com conversa de circunstância no dia das eleições, mais ou menos preocupada, com a velha conversa sobre o "alheamento dos eleitores da política", e depois são completamente esquecidos durante os quatro anos seguintes. Porque o que realmente importa é quantos deputados são eleitos por cada força política. E a rua. O resto é irrelevante. E porque quem assim vota está a baixar os braços e a dizer aos outros eleitores "decidam vocês, que eu me estou nas tintas." Está a alhear-se. Eu, confesso, já o fiz. Mas numa situação como aquela em que estamos agora parece-me muito irresponsável fazê-lo. Muito. É que os políticos não são todos iguais, por mais que a conversa de taxista insista nessa tecla.

E o quarto é o voto imbecil. O voto porque o "candidato a primeiro-ministro" tal é muito bonito. Ou porque fala bem, mesmo que não se perceba nada do que ele diz. Ou porque é simpático. O voto no partido X porque é o partido que as sondagens dizem que vai ganhar. O voto em Fulano de Tal porque fez Sicrano de Pimba gaguejar um bocadinho num debate qualquer. O voto em quem "ganhou os debates", como se o futuro do país fosse um campeonato de futebol. Quanto mais numeroso é este voto, mais burro é um povo e mais doente está a democracia. Devia ser dever de todos os políticos fazer profilaxia permanente contra este tipo de voto mas, pelo contrário, muitos cortejam-no ativamente, promovem-no, incentivam-no, em especial no centrão. Quando se vende um candidato numa campanha eleitoral como quem vende um sabonete está-se a promover este tipo de voto e a atacar os outros e a própria democracia. A democracia só funciona se for sobre ideias, não sobre o cheiro que têm os sabonetes em compita. E as campanhas eleitorais que temos tido nos últimos tempos têm tudo menos ideias. O descrédito da política em Portugal passa muito, muito, muito por aí. É que os políticos não são todos iguais, mas quando se reduzem a sabonetes parecem ser. Mesmo.

domingo, 22 de maio de 2011

L'11: Aviso

Aqui a Lâmpada é um blogue pessoal com tudo o que isso implica. Debruça-se sobre aquilo que vai interessando a quem a faz em cada momento. Não sobre tudo; sobre o que interessa o suficiente para se achar que vale a pena perder uns minutos a escrever alguma coisa. Ou ganhá-los. Depende. Também depende de haver tempo para isso ou não. Depende de haver vontade, porque não é propriamente uma obrigação. Depende de haver pachorra. E depende de se achar necessário.

E no momento que atravessamos, o que é mesmo necessário é falar de política. Das opções que temos, das que não temos mas nos querem levar a crer que temos, das que temos mas nos dizem que não temos, e das que não temos mesmo.

A Lâmpada nunca foi nem nunca será um blogue político, embora nunca tenha tido problemas em falar de política quando é caso disso. E agora, mais do que nunca, é caso disso. Por conseguinte, de hoje até às eleições, haverá aqui um post sobre política a não ser que não haja mesmo, mesmo, tempo para o escrever. Não será campanha eleitoral (na verdade uma das coisas que quero fazer é mostrar o que me desagrada mais profundamente nas campanhas eleitorais e porquê), não seguirá a campanha eleitoral a não ser que algo de especialmente sumarento nela aconteça. Serão posts sobre o que eu penso a respeito da situação em que estamos, do nosso sistema político, etc. Espero que também sejam posts informativos, que com tanta desinformação a circular por aí é muito necessário que se informem as pessoas.

Considerem-se, portanto, avisados. Os posts estarão todos identificados nos títulos com aquele "L'11" que veem ali em cima (de "Legislativas 2011", claro). Podem usá-lo para os ignorar, até para estabelecer filtros que os façam desaparecer dos vossos feeds, mas eu espero que os leiam.

Este é o primeiro, e portanto é só para avisar. Mas já agora faço os avisos todos. Aqui fica mais um. Já tenho o sentido de voto definido: vou votar no BE. Grande novidade, dirá quem me conhece melhor. É verdade que é em quem tenho votado nos últimos anos, mas também é verdade que este ano pensei muito seriamente em não o fazer, por causa da maior argolada que o Bloco cometeu na sua história: aquela moção de censura motivada por puro calculismo político e que lhe explodiu na cara. E se fosse eleitor num círculo grande era provável que acabasse por votar num partido pequeno, daqueles que não têm representação parlamentar. Acho importante que passem a ter, pelo menos alguns deles. Mas sou eleitor em Faro, e aqui nenhum desses partidos tem a mínima hipótese de eleger alguém, portanto mantenho-me no BE. Não é só por isso, mas é também por isso. Infelizmente, o nosso sistema eleitoral desperdiça votos em barda e favorece sistematicamente os dois partidos mais votados. Fraca democracia esta, não é? Pois é.

E antes que alguém pergunte: não, não sou militante do BE, ninguém do BE me contactou, ninguém me pediu para fazer nada. Isso, aliás, deve ficar claro em alguns destes posts. Estes posts aparecem porque sou um cidadão da república portuguesa, independente e livre e com ideias próprias. Porque tenho o direito de os fazer. E porque acho que no momento presente tenho o dever de os escrever.

Portanto, avisos feitos, até amanhã.