segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Spam fiction (8)

Caio


Baseado num spam intitulado "Try again.........."


Caio está de novo no apartamento. Caio abre a porta para a rua com violência (blã!). Caio sai. Caio corre pela calçada neoclássica o mais rápido que consegue (tump-tump-tump-tump-tump-tump). Caio chega ao atravessa-rua. Caio entra no atravessa-rua e fecha a porta com violência (cltung!). Caio é soprado para o outro lado da rua (fuuch!) respirando com difuculdade. Caio cai do atravessa-rua já a correr. Caio corre, calçada fora o mais rápido que consegue. Enquanto corre, caio só tem um pensamento (mais rápido! Tenho de ser mais rápido! Tenho de ser). Caio chega à escadaria. Caio sobe as escadas quatro a quatro. Caio chega ao topo exausto (auch!) sem saber como conseguiu. Caio tem de parar dois segundos porque o coração parece querer saltar-lhe do peito. Mas não pode (não posso!) descansar e põe-se de novo em movimento. Caio penetra no parque, já em corrida. Caio corre pela relva o mais rápido que consegue (flut-flut-flut-flut-flut-flut). Caio esbarra contra a velha que sai de repente de trás duma árvore. Caio cai. A velha grita. Caio rebola. A velha grita e gritam as pessoas que rodeiam a velha. Caio levanta-se num salto. As pessoas no parque começam a correr atrás dele (agarra que é ladrão!). Caio é forçado a fintar uma floresta de mãos que se erguem para si (agarra que é gatuno!) e escudos pessoais que se erguem em defesa. Mas Caio corre, corre sempre. Caio penetra mais fundo no parque, deixando os perseguidores para trás. Caio já está com a cara muito vermelha do esforço e a camisa empapada de suor. Caio chega ao topo do parque. Caio desce as escadas seis a seis. Caio chega à avenida. Caio não sabe como não torceu um tornozelo vinte vezes. Caio corre pelo passeio. Caio vê-a, lá ao fundo, na paragem do jactocarro. Caio vê o assassino que se aproxima, com as mãos enfiadas nos bolsos do blusão. Caio grita (Susana!), mas ela não o escuta. Caio corre pelo passeio o mais rápido que consegue (tomp-tomp-tomp-tomp-tomp-tomp). Caio tropeça numa raiz que tenta furar o revestimento de cimento do passeio. Caio desequilibra-se e falha um passo. Caio cai (ai!) batendo com o joelho no chão. Caio levanta-se com uma faca espetada no joelho. Pelo menos é o que parece. Caio tenta correr, mas só coxeia. Caio vê o assassino que se aproxima, começando a retirar as mãos dos bolsos do blusão. Caio grita de novo (Susana!), mas ela não o ouve. Caio percebe que ela está ligada ao canal e só os olhos funcionam como interface com o mundo exterior. Caio tenta correr, mas só coxeia. Caio chega ao último (o único) cruzamento. Caio vê que o assassino já tem a arma apontada para a cabeça dela. Caio procura o atravessa-rua. Está muito longe, Caio não tem tempo. Caio tenta atirar-se a correr por entre o tráfego, mas só coxeia. Caio grita (Susana!), mas ela não repara nele. Caio é atingido pelo jactocarro. Caio pressiona o botão da máquina do tempo. O assassino dispara. Ela morre. Caio morre, atropelado.
Caio está de novo no apartamento.

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