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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Exemplar

Esta crónica do Rui Tavares é absolutamente exemplar. Uma leitura particularmente útil a todos aqueles que, ao lê-la, enfiarem a carapuça.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Parabéns, pá!

Parabéns, rapaz, pelo 34º aniversário da tua mais recente encarnação. E desculpa lá tratar-te às vezes tão mal, mas tenho de confessar que me custa suportar aquilo que em ti resta das encarnações anteriores.

Que contes muitos. E que continues a mudar.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Ui, kórror, ganhou o botas, ui, ui!

O Botas ganhou aquele programa pequenininho pomposamente chamado "grandes portugueses". Há por aí uns tipos muito assanhados, contristados, contrariados, carrancudos, enfim, marafados com a coisa. Pela parte que me toca, só encolho os ombros; sempre achei este o desfecho mais provável. Porquê?

Porque não conheço uma única pessoa inteligente que tenha gasto um cêntimo que fosse com SMSs para o concurseco, a não ser que não saiba o que fazer ao dinheiro que tem.

Eu cá sei. E também sei o que fazer ao tempo, que é bem mais bem empregue noutras coisas do que a ver aquilo. Daí que, apesar (e se calhar também por causa) de todo o burburinho à volta daquela treta não perdi nem um minuto a assistir a ela e só vi a Elisa de raspão, no meio dos zappings.

(Aliás, raspões na Elisa são sempre bem dados. Mas fecha parêntesis.)

E por fim, nunca encontrei o mais pequeno interesse em saber quem seria o melhor português de sempre, mesmo que a determinação desse magnífico espécime da raça lusa (soa tanto a PNR, não soa?) tivesse um mínimo de credibilidade, coisa que o concurseco definitivamente não tem nem nunca teve. Não será com o culto de putativos heróis que este país melhorará, nem que para que os heróis o fossem de facto não fosse preciso limpar-lhes as biografias e personalidades de canalhices e defeitos. E tantos daqueles heróis de pacotilha foram absolutos filhos de puta, a começar pelo "vencedor"! Este país talvez melhorasse, sim, se conseguisse precisamente o contrário: libertar-se destas poeirentas nostalgias de um passado que nunca existiu, deste sebastianismo mofento e serôdeo que enche de nevoeiro as caixas cranianas de tantos dos meus caríssimos compatriotas. E compreender duma vez por todas que o que formos depende de nós, não da porcaria dos egrégios avós que já há muito foram comidos pelas larvas e dos quais nada resta. De nós, os que estamos vivos hoje, e dos que estarão amanhã.

Se o caro leitor destas linhas for um daqueles frágeis egos que só conseguem dormir à noite se souberem quem exatamente foi o maior português de sempre, pois fique sabendo que é um tipo qualquer que ainda não nasceu. E que no instante preciso em que esse maior português de sempre nascer passará a ser outro, igualmente não-nascido.

E cague-se de vez no velho Sebastião, que se estivesse vivo igualmente se cagaria em si.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Diz que os portugueses descobriram a Austrália

África, América, Índia, Japão, agora Austrália... Não tarda, descobre-se que a única coisa que os portugueses não descobriram foi a maneira de se suportarem uns aos outros.

terça-feira, 6 de março de 2007

Da condição nacional

Em todos os países do mundo, fazer as coisas bem feitas leva tempo.

Em Portugal, fazê-las mal feitas ou não as fazer de todo também.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Até podemos ser 10 milhões, mas

Hoje, folheando revistas velhas antes de as deitar fora, à procura de algum motivo para as guardar durante algum tempo, deparei com uma crónica do Agualusa onde ele fala sobre o João Afonso. Encontrei o Agualusa uma vez. Ele estava atrás de uma mesa, eu no público da apresentação de um dos seus livros. Perguntei-lhe já não me lembro o quê, ele respondeu-me já não me lembro o quê, repetindo fielmente a rotina daquele tipo de eventos. O curioso é que também encontrei o João Afonso uma vez, em casa do irmão dele, o Pedro. Nessa época, eu e o Pedro (e o outro Pedro, primo de ambos) éramos colegas de turma na Universidade do Algarve e juntávamo-nos regularmente com um punhado de outros colegas para fazer trabalhos ou estudar para testes e exames. Ou para ir para os copos. Um desses dias, lá estava o João, já enrolado sobre a viola mas ainda antes de gravar o primeiro disco, ainda ninguém sabia quem ele era.

É por estas coisas que nós até podemos ser dez milhões, mas não parece. Toda a gente conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém. Daí, se calhar, esta claustrofobia, este sentimento de pequenez e irrelevância, esta sensação de vivermos numa grande aldeia sem futuro.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

terça-feira, 6 de junho de 2006

Recomendado...

... ler o post Ai Portugal, Portugal! escrito ali ao lado pelo Mug. E, claro, ouvir a canção do Palma que lhe emprestou o título. É que é bem capaz de ser a melhor canção que o homem fez até agora.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Uma coisa muito simples

Há uma coisa muito simples que os nossos dirigentes devem compreender, se é que têm algum interesse em que o país se desenvolva:

Numa situação normal, só tem credibilidade para pedir sacrifícios aos outros quem está disposto a sacrificar-se também. E na nossa situação portuguesa, depois das elites deste país terem sugado do povo tudo o que podiam e tudo o que não podiam durante séculos, só ganhará credibilidade para pedir sacrifícios aos outros quem for capaz de mostrar que já se sacrificou a sério antes pelos mesmos motivos.

Caso contrário, tudo o que receberão será manguitos. Manguitos frontais de alguns, que por isso serão penalizados e espezinhados, e manguitos dissimulados e hipócritas da grande maioria, embrulhados em sorrisos e promessas.

Se tiverem mesmo algum interesse na evolução de Portugal, se a vossa retórica for algo mais que retórica, enfiem esta verdade básica nas vossas cabecinhas. À martelada, se for preciso.

sábado, 24 de dezembro de 2005

As tretas que circulam pela internet

Há uns dias, recebi de uma amiga minha um daqueles emails pretensamente informativos que circulam pela internet, de forward em forward, por obra e graça da benevolência dos forwarders. Reproduzo-o aqui em baixo, textualmente:

O diplomata norueguês Charung Gollar, foi incumbido de apresentar, na ONU,
no mês passado, um gráfico mostrando os principais problemas que
preocuparam o mundo no decorrer de 2004...

Apresentou uma série de oito gráficos, entitulada 'O Poder das Estrelas'...

Foi aplaudido de pé!

E seu trabalho foi indicado a concorrer para o prémio Nobel em Marketing
Político...
Vejam os gráficos!"


Os gráficos de que aqui se fala são aquelas imagens de bandeiras que acho que já toda a gente conhece, em que cada cor da bandeira representa a percentagem de qualquer coisa relativa ao país em questão. Fazem parte do pacote, pelo menos, as bandeiras dos EUA, da Somália, do Brasil (sem a lista da "Ordem e Progresso") de Angola e do MPLA (esta, erradamente, no lugar da do Burkina Faso, da qual difere apenas na cor da lista de baixo, preta no MPLA, verde no Burkina), da China, da Colômbia e da União Europeia. Todas elas têm, logo por baixo da legenda onde é explicado o significado de cada cor, o logotipo da Grande Reportagem, o que deveria fazer pensar quem divulga o email. Seria estranho, no mínimo, que um "diplomata norueguês" (e que raio de nome é Charung Gollar?) apresentasse "na ONU" uma "série de oito gráficos" com o logotipo da Grande Reportagem. Também a menção a um fantasmagórico "prémio Nobel em Marketing Político" deveria fazer pensar os apressados do forward. Mas aparentemente não faz.

Sim, o email que recebi é uma patranha de principio ao fim. Os gráficos foram elaborados por uma empresa publicitária portuguesa para promoção da revista Grande Reportagem, pretendendo fazer passar a mensagem de que a revista vai mais fundo na busca de informação e é criativa na sua entrega ao consumidor. De facto, a ideia é extraordinária, e é verdade que a campanha foi premiada lá por fora, mas é tudo produto nacional. Não há nela envolvido nenhum diplomata norueguês nem organização internacional alguma. Mas não deixa de ser curioso (e um pouco triste) que o mentiroso tenha decidido que a história teria mais credibilidade assim, e que as pessoas se predispusessem a reenviá-la umas às outras desta forma, mesmo com as flagrantes inconsistências nela contidas.

É nestas pequenas coisas que se revela a incapacidade de um povo em lidar consigo próprio, especialmente quando isso significa dar crédito aos seus membros que fazem as coisas bem feitas. É nestas pequenas coisas que se revela com mais clareza a forma como este povo se condena a si mesmo à mais absoluta mediocridade.

Nestas pequenas coisas e nos políticos que elege.

terça-feira, 7 de junho de 2005

Ainda eu me queixo

Após sete anos de investimento e trabalho empenhados, a livraria virtual Byblos vai cessar a sua actividade no próximo dia 30 de Junho.


Esta decisão, muito penosa para toda a equipa da Byblos, decorre das dificuldades económicas e financeiras que a empresa começou a sentir a partir de 2003, devido à crise económica em que Portugal mergulhou, e que se agravaram já no decurso de 2005. Na verdade, entre Fevereiro e Abril do corrente ano, a Byblos viu-se confrontada com graves problemas técnicos, causados pela Netcabo, fornecedora da ligação à Internet, e que provocaram uma quebra das vendas superior a 50% nos meses de Fevereiro, Março e Abril. Estes problemas tornam inviável a prossecução da actividade da Byblos.


Este texto está (quando a netcabo deixa vê-lo) aqui. O que me surpreende é como é possível que esta empresa não seja continuamente processada pelos prejuízos que causa aos clientes. Eu sei porque é que eu não faço nada (além de uma queixa à DECO que não teve consequências porque da DECO não me disseram nada de jeito): não tenho alternativas na minha área de residência que me permitam entrar em confronto directo com a Netcabo nem tenho, de momento, interesse económico relevante num serviço internet de qualidade. Nem dinheiro para advogados.

Mas a Byblos é uma empresa. E, digamo-lo com frontalidade, a melhor livraria online portuguesa. Será que este desfecho é inevitável e, mais importante do que isso, será que a Netcabo se fica a rir? Será de todo impossível processá-la? Imagino que os donos da Byblos devam estar mais preocupados com o lugar de onde lhes chegará o dinheiro para pagar eventuais dívidas ou o pão para a boca do que em tentar encontrar advogado e dinheiro para pagá-lo. Mas não haverá por aí nenhum advogado capaz de se oferecer para pôr duma vez por todas um processo a esta porcaria de monstro incompetente chamado Netcabo, que nos fornece a internet mais cara da Europa com, provavelmente, o pior serviço da Europa?

Será que estamos condenados, neste país desesperante, a ver cair um após outro todos os competentes, massacrados pela incompetência e estupidez dos que os rodeiam?

Porra, façamos alguma coisa! Acordemos duma vez por todas, que já andamos a dormir há demasiados séculos!

sábado, 21 de maio de 2005

As Europas II - Os Povos



De volta à nossa fantasmagórica "pequenez" no contexto europeu, este mapa aqui por cima indica todos os países cuja população é claramente menor que a de Portugal, isto é, todos aqueles em que o número de habitantes não atinge os 10 milhões. Embora não pareça, são 30 estados (58% dos estados da Europa) e é também de notar que alguns destes estados têm no seu interior minorias étnicas que por vezes são suficientemente importantes para pôr em causa a unidade do respectivo povo. Lembro-me, por exemplo, dos 4 ramos etnico-linguísticos que compõem a Suíça, da minoria albanesa na Macedónia, dos lapões do norte dos países escandinavos, dos russos nos países bálticos, etc.



Mas há mais: os estados assinalados neste mapa aqui por cima são os países europeus cuja popuação é sensivelmente idêntica à nossa, ou seja, entre os 10 e os 11 milhões. São 7 ao todo (contando com Portugal, portanto), o que dá 13% da Europa. Vários destes países também são bastante plurais, em especial a Sérvia e Montenegro e a Bélgica, dois países que geram regularmente hipóteses de desmembramento.

Claramente mais populosos que o nosso, portanto, são só... 29% dos países europeus! Menos de um terço. Onde está a tal pequenez?



Se calhar o mapa acima explica. Mostra os grandes povos da Europa, aqueles com mais de 3 vezes o número de habitantes de Portugal, isto é, todos os que são habitados por 30 milhões ou mais de pessoas. Embora na maioria sejam países pouco homogéneos, com vários povos no seu interior (ver-se os casos de Espanha, Reino Unido, Ucránia ou, até certo ponto, mesmo a França ou a Itália), ocupam a maior parte da Europa e quase todos os nossos vizinhos mais próximos pertencem a este grupo de países. Tal como acontece em termos de área, também quando se leva em conta a população Portugal está um pouco isolado entre nações maiores aqui nesta parte da Europa.

Mas a verdade é que o nosso é um país de média dimensão, seja qual for o critério utilizado. Vamos passar a tratá-lo como tal?

As Europas



Aqui há tempos escrevi um post em que dava conta do meu desagrado perante a contínua afirmação de que Portugal é um país pequeno. O mapa que vêm acima é a representação gráfica do motivo. Inclui Portugal e todos os países mais pequenos que o nosso que há na Europa, alguns dos quais têm um tamanho razoável, outros que quase nem se vêm. No mapa nem parece muito, mas isso é porque a maior parte da área da Europa é ocupada pelo punhado de países que são verdadeiramente grandes. A vermelho conta-se um total de 29 estados, incluindo o nosso. Isso corresponde a 56% dos países europeus.



Aqui por cima encontra-se um mapa em que estão assinalados os países europeus com um tamanho sensivelmente igual ao do nosso, isto é, entre os 80 mil e os 110 mil quilómetros quadrados. São 5 países (9% da Europa): Áustria, Hungria, Islândia, Portugal e Sérvia e Montenegro. A Bulgária é muito ligeiramente maior que 110 mil km² e está nas margens deste grupo.



E aqui em cima estão os grandalhões, ou seja, todos os que têm mais de 300 mil km². Apesar da grande mancha vermelha que originam, são só 11 estados, isto é, 21% dos países europeus.

Portugal está, portanto, no meio, embora esteja um pouco isolado enquanto país de tamanho médio aqui na Europa Ocidental, o que talvez contribua para a nossa sensação de pequenez. Mas é uma sensação falsa, e mais falsa ainda será se contarmos não com a área do país mas sim com o tamanho do povo. Mas isso ficará para outro post.

(mapas feitos graças a estes gajos)

segunda-feira, 25 de outubro de 2004

Blogus interruptus

OK, tenho de dizer isto: o post anterior foi injusto ao atribuir as culpas das interrupções na acessibilidade da Lâmpada ao Blogger e provavelmente terá gerado perplexidades a utilizadores que sempre cá chegaram sem a menor dificuldade.

A realidade é outra. A realidade é que a Netcabo andou vários dias intermitente, deixando os seus utilizadores, e só os seus utilizadores, à beira de um ataque de nervos. Durante os ataques de intermitência, metade da internet estava acessível de forma insuportavelmente lenta, e a outra metade estava inacessível por trás de uma impenetrável barreira de timeouts, incluindo o próprio site da empresa.

Claro que os clientes não foram informados de coisíssima nenhuma. Claro que do telefone da assistência técnica só atendia uma orquestra sinfónica qualquer. Claro. Afinal de contas, estamos em Portugal. Em Portugal só interessa cobrar as contas. Amabilidade e competência é para os outros, não para nós.

sábado, 10 de julho de 2004

Este país está a morrer?

Olhando para as notícias dos últimos tempos, parece que caiu sobre Portugal uma epidemia de morte sem fim à vista. É assustador. Os nomes sucedem-se como num carrocel enlouquecido: Sousa Franco, Sophia, Henrique Mendes, Maria de Lourdes Pintasilgo, a democracia...

Sempre quero ver...

... quanto tempo vai levar, depois disto, a se ouvir murmurar por todos os lados que "este país é uma merda", depois da brave interrupção causada pelo "somos os maiores!" do campeonato da bola.

Tenho cá umas suspeitas de que não será muito.

sexta-feira, 1 de agosto de 2003

sábado, 19 de julho de 2003

O Harém

Acabei de saber que a Sara Brightman levou o seu Harém (salvo seja) ao 13º lugar do top português.

Decididamente, um país que leva ao top uma versão de plástico da Canção do Mar, travestida com roupas árabes compradas do Wal-Mart e no Corte Inglés, e cantada muito pior do que qualquer das versões portuguesas que já ouvi (até mesmo as dos cantores amadores da Operação Triunfo), não é o meu país.

Quanto custará uma mudança de nacionalidade?