segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mania de meterem deus onde não é chamado

Conhecem o The Big Picture? Se não conhecem, façam um favor a vós próprios e passem urgentemente a conhecer. Trata-se de um blogue fenomenal que nos apresenta o mundo através do poder da fotografia.

Quem diz o mundo diz também o universo, pois eles não se limitam a este cantinho do todo em que vivemos e raramente hesitam em nos deixarem espreitar os outros. Foi o caso deste conjunto de imagens do Hubble, cuja função é espreitar tudo aquilo que fica fora do nosso cantinho do todo.

So far so good, lá diriam os paquistaneses. O problema é o teor dos comentários beatos, que raiam o insultuoso. Confrontados com a beleza das imagens, o beatério não tem uma palavra para quem construiu os aparelhos que lhes permitem apreciá-las, não tem um agradecimento a fazer às gerações de cientistas que acumularam o conhecimento que nos permite hoje ter um telescópio em órbita, computadores e internet. Não. Para eles, vidas inteiras de labor humano são irrelevantes. Aquela beleza é fruto de deus, como se as imagens lhes aparecessem à frente do nariz por milagre divino.

Lá tive de deixar um comentário, que traduzo aqui:

A beleza está nos olhos de quem a vê. Nós achamos estas imagens belas porque é esse o resultado do modo como estamos constituídos. E porque as pessoas que enquadraram as imagens e, por vezes, escolheram as cores (sim, algumas destas imagens mostram cores falsas) são... bem... pessoas. Não há qualquer deus nisso: há apenas as nossas mentes a trabalhar como evoluíram para trabalhar. Se tivessem evoluído de outra forma, as imagens aqui exibidas seriam diferentes, e no entanto essas pessoas alteradas fitá-las-iam maravilhadas, tal como nós.
Para terminar, nós podemos ver esta beleza não porque um bando qualquer de ascetas místicos rezou com muita força, mas porque algumas pessoas abandonaram os dogmas e se puseram a sondar a verdadeira natureza das coisas. Chamamos-lhes cientistas, e são eles o motivo de termos um telescópio em órbita, computadores nas nossas casas e a internet que traz as imagens desse telescópio aos nossos computadores. Também nisso não há qualquer deus.
Claro que sei que não serve de muito. O beatério nem sequer se dá conta do insulto implícito em deitar para o lixo todo o trabalho de quem criou as imagens e os meios para as obter e disponibilizar. Lêem isto e só conseguem ver um ateu a dizer que deus não existe, cegos perante as subtilezas daquilo que eu realmente estou a dizer. Mas não importa. Alguém há de entender, e na verdade basta que uma pessoa entenda para já valer a pena.

E o vigésimo terceiro...

... capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores foi publicado há dez minutos lá do outro lado. Agora que já está tudo preparado para a bebedeira do ano novo, que haverá melhor do que divertirem-se com uma historinha maluca? Hm?

Este capítulo não é grande nem pequeno, antes pelo contrário. E é ocupado integralmente com um discurso do presidente demissionário. Mas não se assustem: o discurso tem tanto interesse que a gente não lhe liga pêva, e em vez disso estamos de ouvidos à escuta da conversa que se desenrola logo atrás entre Serra e o ET.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Semana

Último fim de semana do ano, e por aqui continua-se a bulir, que os prazos não alargam lá porque há feriados, pontes e fins de semana. Trabalhar em modo freelancer tem enormes vantagens (não há colegas parvos, não há horários, não há código de vestuário, não há deslocações diárias para o emprego), mas também tem as suas partes gagas (não há colegas porreiros e, quando os prazos são curtos, não há feriados nem fins de semana). Mas adiante.

O livro não-prioritário ficou parado, e acho que já posso garantir com (quase) toda a certeza que assim permanecerá até que o prioritário esteja pronto. Quanto a este, está na página 138, 54 a mais do que na semana passada, um número curto cuja exiguidade foi mais fruto de um dia em que o cérebro não conseguia ligar o inglês nem à lei da bala do que de qualquer outra coisa. Seja como for, não há atrasos: limitei-me a trabalhar num dia em que tinha planeado descansar e/ou fazer outras coisas; ou trabalhar também, se estivesse para aí virado. Faltam agora 206 páginas.

O wiki cresceu muito pouco: só houve 21 páginas novas que fizeram o total subir para 15 277.

E leu-se umas coisas. E algumas das que se leram foram concluídas. Por exemplo:

Biblioteca Particular, um conto fantástico de Zoran Zivkovic sobre um homem que um belo dia chega a casa e depara com um volume da "Literatura Universal" na caixa de correio. E de cada vez que a abre, depara com outro. E outro. E outro. Mas encara a coisa com perfeita fleuma, passando uma noite em branco a acumular uma enorme biblioteca particular (sem ler uma página, o que não deixa de ser irónico). Um conto bom, embora algo previsível. E por exemplo:

Os Ladrões de Estrelas, conto de Edmond Hamilton cuja antiquíssima ficção científica envelheceu tão mal como aquele de que aqui falei há duas semanas. Este conto não pareceria tão mau como o outro, se o enredo não fosse exactamente igual, com a mesma estrela ameaçadora, a mesma viagem interestelar, a mesma batalha e aprisionamento, a mesma fuga miraculosa, o mesmo final feliz, o mesmo imenso bocejo. Pulp no seu pior, decididamente. E por exemplo:

Delta, noveleta de ficção científica de Christine Renard e Claude F. Cheinisse, muito feminina, muito romântica, apesar dos autores serem casal, sobre uma terrestre que se apaixona por um "arcturiano". Claro, os arcturianos são idênticos aos terrestres em tudo menos em dois ou três detalhes, um dos quais é fulcral para o desenlace da história: têm três sexos em vez dos nossos dois, e três sexos que nem sempre são o que parecem. O monumental disparate biológico de tudo isto é em parte compensado por uma história bastante bem construída, um quebrar de tabus típico da época (é um original de 1967) e um muito bom uso da linguagem, respeitado por uma boa tradução, tornando o conto razoável. É daqueles contos que quem der mais relevância à coerência científica irá odiar e quem atribuir primazia à construção de personagens ou aos aspectos formais do texto poderá adorar, especialmente se for menina.

E foi só isto. A gente vê-se em 2009.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Dois milhões

Tinha previsto há dias a iminência de se chegar a dois milhões de páginas vistas no Bibliowiki. Mas esqueci-me da queda a pique do tráfego de internet nas imediações do Natal (e do Natal ao ano novo), de modo que sobrestimei a rapidez com que se chegaria lá.

Mas era inevitável. E foi hoje.

Depois de ter sido criado no editthis em Novembro de 2006, o site foi instalado na configuração actual em Março de 2007, data em que começaram a contar as pageviews. Chegou a um milhão de páginas vistas a 12 de Junho de 2008, mais de um ano depois. Hoje, passados seis meses, chega a dois milhões.

Será que o terceiro acontecerá em Março do próximo ano? Era engraçado.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A má notícia

Chegou-me por via dupla uma má notícia, ainda que não propriamente inesperada: O Phantastes já era. Compreendo perfeitamente os motivos que levam ao encerramento. Mesmo que eles não os explicitem não tenho qualquer dificuldade em imaginá-los: a falta de tempo para fazer um trabalho tão bom como se gostaria, a falta de gente com vontade de arregaçar as mangas e ajudar, e os silêncios, a má-língua e as sabotagenzinhas mesquinhas que perseguem todos aqueles que procuram fazer alguma coisa neste meio, e que eu conheço oh! tão bem demais. Oh, mas tão, tão bem.

Mas não é lá por compreender os motivos que tenho menos pena do fecho do fanzine. Antes pelo contrário. É que de cada vez que alguém desiste, aqueles que se só se sentem bem funcionando como grãos na engrenagem vencem um pouco mais, derrotando-nos a todos.

Por isso, Tiago, o que eu desejo agora é que das cinzas do Phantastes nasça qualquer outra coisa. Uma Fénix, quem sabe?

Capítulo 22

Então? Já encheram a casa de prendas e os bolsos de vazio? Já têm todas as ofertas que irão enfiar em sapatinhos de amigos, familiares e receptores de conveniência? Já? Pois de minha parte tomem lá uma oferta de que de certeza não estavam à espera: mais um capítulo, o vigésimo segundo (curiosa coincidência, atendendo-se à data), de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores. Nunca imaginariam que eu vos oferecesse uma tal coisa, pois não? Eu sei, eu sei. Sou um mãos-largas.

Pois desta vez temos um capítulo de tamanho médio, no qual o ET, já sóbrio, começa a fazer perguntas incómodas. Parece um puto na idade dos porquês. Porquê? Porque... hm... aaa... olhem, perguntem ao Serra.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Mais uma pequena impureza

É. Tenho mais uma coisita quimicamente impura para mostrar aos falantes de espanhol. Chama-se Historia de Laboratorio e o mais engraçado é nunca ter sido publicada em português. Se tivesse, chamar-se-ia História de Laboratório. Completamente diferente, como se vê.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Semana

Última semana de outono, e por cá continuou-se com o ramerrame do costume. Não há tempo para mais, e também não há grande vontade, que lá fora faz frio e às vezes até chove.

A tradução lá vai andando pela página 84. O saldo da semana foi, portanto, de 50 páginas, o que não é grande coisa (mas está dentro da margem de tolerância). Consequências de ser tradução herdada, dos glossários que me foram entregues serem uma bela treta e eu ter de andar para trás e para a frente a ver que termo usou o outro tradutor para isto ou para aquilo, e do próprio tipo de escrita, bastante densa e, a espaços, rebuscada. Enfim... espero que daqui a uma semana ou duas entre em velocidade de cruzeiro quando a coisa estiver melhor encaixada. Se isso acontecer, não deverá ser muito difícil ter as 260 páginas que faltam prontas lá por meados de Janeiro, como é suposto.

Quanto ao wiki, continuou a crescer, claro. Mas menos. Foram só 58 páginas novas, o que elevou o total até 15 256. Giro é estar mesmo, mesmo quase a atingir os 2 milhões de páginas vistas. Deve chegar lá hoje mesmo ou, no máximo, amanhã.

Leituras, houve três ficções curtas que chegaram ao fim, embora uma delas não seja tão curta como isso. E em inglês. Refiro-me a The Drive-in Puerto Rico, uma novela de Lucius Shepard que é basicamente uma história de realismo mágico passada numa república das bananas (fictícia) da América Central, e que acompanha um herói local, cuja função na vida é ser exibido em ocasiões sociais, e que se vai ver envolvido em problemas que giram à volta de um torcionário seu compatriota e de jornalistas americanos que querem divulgar certas histórias pouco edificantes. Está muito bem escrita, sim senhor, mas a verdade é que não foi história que me conseguisse tocar.

O que Vale é Bola na Rede é um conto de FC de César R. T. Silva que começa bastante bem, mas que acaba por cair em algo em que muitos dos outros contos do livro que o contém também caíram: em vez de nos mostrar os acontecimentos em primeira mão, digamos assim, põe o leitor a assistir a uma conversa em que uma personagem os conta a outra. Isto às vezes até resulta. Mas o mais frequente é que não resulte, e é esse o caso aqui. De metade para a frente, que é quando devia ir em crescendo, o conto basicamente perde o interesse. Resultado final? Fraco. O Cientista, de Octávio dos Santos, foi a terceira ficção curta lida nesta semana. É outro dos contos razoáveis do autor, no qual o cientista do título é um antigo investigador nazi, emigrado nos Estados Unidos, que recebe uma visita inquietante (mas, para ele, entusiasmante) vinda directamente do seu passado. Trata-se em essência de uma obra de história secreta. Nada de superlativo, mas com algum interesse.

E é isso. Dentro de sete dias ter-se-á passado mais uma semana, e haverá, certamente, mais coisas a dizer.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Em espanhol, injecção diz-se "inyección"

Eu também não sabia. Mas fiquei a saber, quando este meu continho foi traduzido e publicado no idioma de Cervantes e de mais uma quantidade de milhões de tipos.

Sempre se vai aprendendo qualquer coisita.

Capítulo 21

Ora cá (ou melhor: ) temos nós o vigésimo primeiro capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores, mais um capítulo relativamente curto, que se lê num tirinho e, deseja-se, com um sorriso nos lábios.

Desta feita, vamos encontrar o extraterrestre a automedicar-se. A automedicar-se de uma forma de certo modo embaraçosa. Como? Não dá para explicar. Só lido, rapaziada, só lido.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Semana

Esta foi feita de altos e baixos.

A frente laboral dividiu-se entre leituras e já o início da tradução do livro prioritário. Estão despachadas 34 páginas. Faltam 310, para o primeiro volume. O segundo tem 331. O outro livro não mexeu, o que quer dizer que continuam a faltar 311 para o fim. Ao todo, 952 páginas.

Se acham o número intimidante, pois fiquem sabendo que eu também acho, especialmente tendo em conta que os prazos são apertados. Mas não há-de ser nada. A coisa faz-se.

O wiki cresceu 110 páginas saltando para 15 198, um crescimento razoável mas que apesar disso em pouco reduziu o que falta fazer. Mas não há-de ser nada. A coisa faz-se.

E, claro, ao terminarem as leituras laborais voltou a haver tempo e disposição para as outras. Não li muito, que parte da semana ainda foi ocupada com as laborais, mais deu para terminar dois contos.

Biblioteca Virtual é uma bela história fantástica movida a internet, de Zoran Zivkovic, na qual um escritor recebe uma mensagem de spam cujas consequências o deixam estupefacto. Dizer mais é entregar a história, de modo que me calo. Muito bom. Muitíssimo pior é Uma Estrela vai Chocar com o Sol, de Edmond Hamilton, que tem tudo o que existe de pior na FC pulp, embora a vetusta idade desta noveleta sirva até certo ponto para atenuar-lhe a falta de qualidade: data de 1928. Mas mesmo assim... um sol que é desviado da sua rota através do espaço fazendo-o... aa... girar?! Viajar de um sistema estelar para outro é mudar de... aa... universo?! Wha?! São detalhes, é certo, mas são detalhes que servem de adequada apresentação a uma banalíssima história pulp de guerra espacial que não é lá porque envolve fazer sóis mudar de rota que se torna menos banal. Se calhar bem pelo contrário. Uma história que nunca foi boa e que envelheceu muito e muito mal.

Estão a ver o que eu queria dizer com os altos e baixos? Pois.

E por esta semana estamos conversados. Até à próxima.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Eis o vigésimo

Conforme decerto já calculavam que aconteceria por esta hora, eis que apareço aqui automaticamente para anunciar a publicação do vigésimo capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores, no blogue a isso destinado.

Trata-se, mais uma vez, de um capítulo bastante curto, que o alienígena passa a investigar o que lhe aconteceu, enquanto os nossos (pouco heróicos) heróis humanos nada podem fazer além de ficarem a ver.

Entretanto, é oficial: a tal capa catita para o livro em papel de que eu estava à espera, e que já espero desde Setembro, não vem. Depois de um atraso de dois meses, apareceu com uma ilustração que eu achei que não tinha rigorosamente nada a ver com a história - estava mais para livro infantil, não sei se estão a ver - de modo que amigos-como-dantes-mas-não-dá e siga para bingo.

E agora? Bem, agora serei eu a fazer a capa, no pouco tempo que tenho disponível. Quando? Só vos posso dizer que gostaria de ter tudo pronto até ao fim do ano, para ver se tenho o livro em papel disponível pelo menos pela altura do fim da publicação online, mas não posso fazer essa promessa. Afinal de contas, quero que a coisa fique minimamente bem feita, e não sou propriamente da área. Sei que vou cometer erros, e que é provável que tenha de recomeçar várias vezes até estar mais ou menos contente com o resultado. Mas já tenho uma ideia. Valha-nos isso.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Semana

Esta treta de haver feriados à segunda-feira faz com que um tipo se sinta atropelado pelo sábado, sem travagem nem marcas no pavimento; ouve-se o vrruum de motor, ergue-se o olhar sobressaltado e ele aí vem, desalvorado, com o ar pacholas de todos os sábados mas nem por isso reduzindo a marcha e, catrapaz, acerta-nos em cheio sem dar tempo de dizer ai nem ui.

É uma maneira como outra qualquer de dizer que a semana foi curta.

Não houve tradução. Tenho muito a ler, dois livros, e pouco tempo para os ler (mas um já está, e o outro vai quase a meio), e ainda não é altura de me distrair de uma história com a outra. Isso fica para a tradução propriamente dita, talvez. Ou talvez não. Elas são demasiado semelhantes. Tradução alternada funciona quando as histórias e os estilos são suficientemente diferentes para que trabalhar numa delas sirva de descanso da outra. (E funciona, foi o que fiz com A Criança Roubada e A Fúria dos Reis, e parece que não me saí mal de todo.) Mas com duas histórias muito semelhantes, tenho as minhas dúvidas. A ver vamos.

Wiki houve. A coisa soma agora 15 088 páginas, o que quer dizer que a semana lucrou 233, uma bela colheita. E já não falta muito para o site chegar aos dois milhões de page views, o que é porreiro. O lado B do vinil é a imensa quantidade de material que ainda anda por aí à espera que chegue a sua vez. Quando olha para o que ainda falta fazer, um tipo às vezes arrepende-se de se ter metido nisto, mas depois considera a alternativa, que seria a inexistência, e continua a trabalhar.

Leituras de lazer é que seguiram o mesmo caminho da tradução, ou quase, e pelo mesmo motivo. Li alguma coisa, mas muito pouco e não acabei nada. De modo que a semana fica-se por aqui.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Exemplar

Esta crónica do Rui Tavares é absolutamente exemplar. Uma leitura particularmente útil a todos aqueles que, ao lê-la, enfiarem a carapuça.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Comentário acerca do comentário

Bolas, que a minha dislexia cada vez está pior.

Peço imensas desculpas, meus amigos. Não era bando; era banco. E não era cleptocracia, era democracia. Uma pessoa pensa uma coisa e os dedos escrevem outra, influenciados sabe-se lá por que eflúvios subversivos vindos ninguém sabe bem de onde.

A verdade é que acho muitíssimo bem que quando eu estive desempregado não tenha tido direito a subsídio de desemprego, afinal ninguém me manda trabalhar sem contrato, a recibos verdes, e sinto-me feliz ao ver que o dinheiro que o estado não teve para ajudar a manter-me à tona de água nessa altura já vai ter agora para evitar que um banco que gere grandes fortunas e as perde no casino das b... ah... no mercado, no mercado, vá à falência. Acho muitissimíssimo bem. É algo que me enche de vontade de cumprir rigorosamente as minhas obrigações fiscais, e principalmente de, chegado o dia das eleições, votar em todos os partidos directamente envolvidos na governação desta terra ao longo dos últimos vinte anos. É uma tragédia que não se possa votar em mais do que um ao mesmo tempo, porque, se pudesse, teriam desde já o meu voto, todos eles, do PS ao CDS passando pelo do meio.

Palavra de disléxico.

Comentário acerca do Bando Privado Português

Ah, que bom que é viver em cleptocracia!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

19º capítulo

Sim, já lá se encontra no blogue o 19º capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores.

É de novo um capítulo longo em que... hm... bem... fiquem-se só com uma dica:

Hihihihihi...

sábado, 29 de novembro de 2008

Semana

Semana gira, esta. Parte do que a tornou gira está aqui escarrapachado em baixo, mas houve outras partes, mais ou menos com o mesmo sentido geral, de que não vale a pena estar aqui a falar.

Enfim...

Laboralmente, foi passada a saltitar entre a tradução de um livro e leituras prévias à tradução de outro, que tem prioridade. De modo que a tradução sofreu uma forte travagem. Vai na página 442, o que significa que a semana teve um saldo de 26 páginas e que faltam 311.

No wiki, ironicamente quanto baste, a semana foi produtiva, com 196 páginas novas que fizeram o total subir a 14 855.

Quanto a leituras, como acontece sempre que tenho leituras laborais a fazer, a leitura de lazer ficou muito reduzida. Acabei apenas um conto, Afrodite 2080, de Michel Demuth, um conto de ficção científica razoavelmente bom (e bem traduzido) sobre um náufrago espacial num planeta alienígena com uma ecologia bizarra, no meio duma guerra. De caras, o melhor conto do respectivo livro até agora.

E é só. Para a semana não deverá haver muito mais, afinal hei-de continuar com leituras laborais, mas alguma coisa haverá.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Se não for muito incómodo

Caros senhores da Webboo... erm... da Wook,

Se não for muito incómodo, gostaria de vos perguntar se será possível arranjarem um tempinho, entres as vossas super-hiperbolaparabolísticas mudanças de visual e as hiper-parabolasuperfantásticas campanhas de marketing, para manterem o site a funcionar durante tempo suficiente para que um cliente, digamos, normal, faça uma encomenda, digamos, normal. Será possível fazerem-nos esse obséquio?

Sim, porque há quem se esteja perfeitamente nas tintas para melhoramentos cosméticos nos sites e para a ínfima probabilidade de arranjar livros à borla, e se interesse por coisas fora de moda como, por exemplo, conseguir ter acesso aos sites e usá-los como se usa qualquer outro.

Até porque há mais livrarias na net. E se não conseguir comprar na Webboo... erm... na Wook, santa paciência, vou comprar a outro lado.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ah, os grandes, esses próceres

«Pois é, para verem que também os grandes tropeçam». Oh, que lindo é ver um grande homem ter a humildade de reconhecer que errou. Que alegria, que coisa de elevar o coração às alturas, que êxtase quase, diria eu, religioso. Como que se vê um halo de grandeza em volta da cabeça do prócer, só mais engrandecida ainda pelo reconhecimento do erro. Como que levita mais alto acima do pedestal da estátua equestre, qual monge budista em pleno nirvana. Cavalo e tudo.

As justificações do erro também são lindas de se ler. Que era o sono, a directa, os prazos, as casas, que havia factos a latir ao ouvido béu-béu-béu a dizer que não era assim, que o «bias» é perigoso, esse malandro, e ainda por cima um «bias» anglo-saxónico, portanto com muito mais nível do que o rasteirinho e lusitaníssimo viés, que provavelmente tira macacos do nariz e cheira mal dos pés. Oh, só vos digo, oh!

Mas voltemos à terra.

Curioso é que o Bibliowiki continue a ser tratado como pouco fiável, quando a informação que dele consta, neste caso concreto, é a certa, ao contrário da desinformação do João Seixas. Curioso é que depois do ataque à credibilidade de todo um projecto, com base em dados falsos, e por alguém que nunca moveu uma palha que fosse para que sejam corrigidas as falhas, omissões e erros que um site com quase quinze mil páginas necessariamente terá, se insista na sua infiabilidade, ainda que (vá lá) mitigada pelo «caos nas edições portuguesas». Curioso que a Biblioteca Nacional continue «descredibilizada de vez», sem saber como nem porquê. Curioso que a reacção ao duplo ataque seja atirada para a conta de «frustrações», enquanto o ataque propriamente dito e outras cutucadas menores passem sem sequer um simulacro de pedido de desculpa. Curioso que, em tudo isto, o autoproclamado «grande homem», que sabe onde eu estou, tem o meu número de telefone e conhece pelo menos dois dos meus endereços de correio electrónico, nunca tenha feito a mínima tentativa de me contactar com as dúvidas que diz que teve e provavelmente continuará a ter, a menos que voltem a ser substituídas por mais certezas falsas à próxima oportunidade. Curioso, curioso, curioso e mais uma camada de curioso a cobrir o bolo.

Sim, o fandom português tem problemas. E a presunção balofa, a diarreia verbal, o achar-se que só os «grandes homens» são inteligentes enquanto todos os outros não passam duma cambada de imbecis, ao mesmo tempo que se vai escrevendo asneira atrás de asneira, estão longe de ser os menores desses problemas. No fandom, e no país em geral.

E assim ponho uma pedra neste assunto, espero. Será preciso algo de muito grave para voltar a ele. É que tenho mais que fazer. Coisas a traduzir, por exemplo. Ou fazer o que as más-línguas não fazem: tornar o Bibliowiki um site melhor, mais completo e com menos erros, uma referência para o futuro o mais completa e correcta possível, e não uma série de lamentos sobre tristes tristezas disfarçados de artigos.

Lá está o número dezoito

Meio dia e dez, segunda-feira. O que é que ao longo dos últimos meses tem acontecido sempre que é meio-dia e dez e segunda-feira? Isso mesmo: aparece aqui na Lâmpada o anúncio de que mais um capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores foi posto no blogue do romance dez minutos antes. E hoje não é excepção, com o décimo oitavo capítulo já disponível.

Este é curtinho e lê-se num instante, limitando-se a mostrar o momento em que o dirigível pousa para se dar início às cerimónias que marcam a transferência de poder ditada pela Tona. A coisa envolve desequilíbrios vários.

domingo, 23 de novembro de 2008

Tristes tristezas seixianas

O João Seixas gosta de falar mal. De tudo, de todos, menos dele e dos amiguinhos. E o último amor de estimação do João Seixas parece ser o Bibliowiki. Em vez de contribuir para o projecto, corrigindo os erros e omissões que necessariamente nele haverá, não: compraz-se em tentar destruir a credibilidade do projecto em posts sucessivos. É a atitude habitual na personagem, que já deixou um longo rasto de carinho, amizade e consideração e certamente contribui para transformar em sucesso tudo aquilo em que ele toca, e vá lá que pelo menos se conseguiu desta vez escapar a epítetos mais contumazes, pelo menos até ver.

Mas o mais divertido é que o João Seixas, que destrata o Bibliowiki por nem sempre ser credível, incorre, ele próprio, em erros de palmatória que, se eu quisesse ser mauzinho, diria que em muito diminuem o valor dele, João Seixas, como fonte de informação fiável e inteligente acerca do que quer que seja. O caso presente: o livro Estação de Trânsito de Clifford D. Simak, que é tema do seu último post.

Neste post, o João Seixas inventa que o livro em causa é o número 200 da colecção Argonauta, e parte para o ataque cerrado à Biblioteca Nacional (que é "descredibilizada de vez", pobre coitada) e ao Bibliowiki com base nesta inventona. Ora eu, como tenho o livro, sei que em nenhum sítio se diz que ele é o número 200 da colecção Argonauta. Se o João Seixas antes de falar mal usasse a massazinha cinzenta que tem debaixo do penteado, teria talvez reparado que no livro aparece apenas uma das habituais listas de livros da colecção, no caso a da Vampiro. O lado do volume duplo ocupado pelo romance do Simak vem sem lista de livros. Porquê?

Elementar, meu caro Seixas. Porque o volume duplo não é comemorativo dos 200 volumes das colecções Vampiro e Argonauta e sim apenas da Vampiro. Porque as duas colecções não são simultâneas, tendo a Vampiro surgido primeiro. De facto, a lista de livros da Argonauta que em tempos esteve publicada no site da Livros do Brasil listava o Estação de Trânsito com o número 130-A. Suponho, dadas as datas envolvidas numa e noutra edição (e partindo do princípio que esta informação é fidedigna, e não tenho motivo nenhum para supor que não seja), que a Livros do Brasil tenha resolvido editar este livro em separado mais tarde, mas não o quis incluir na numeração habitual da Argonauta, não me perguntem porquê.

E eu ao Seixas sugeriria que em vez de procurar por todas as formas desqualificar o trabalho alheio se esforçasse por ele próprio fazer um trabalho decente, porque há poucas coisas mais deprimentes do que ler artigos incompetentes cobertos por telhados de vidro rachados, em que se procura atirar pedras aos telhados dos vizinhos.

É só uma sugestão amigável que eu faço ao Seixas. Afinal de contas, convém que o homem conserve alguma credibilidade. E não é com posts destes que a conserva, muito pelo contrário.

sábado, 22 de novembro de 2008

Semana

Aqui há tempos, tinha planeado, na minha inocência e optimismo, que esta semana seria o início dumas pequenas férias que seriam aproveitadas para fazer uma série de coisas que ando a adiar há um ror de tempo. Santa ilusão. Entretanto apareceu-me mais uma pilha de trabalho a fazer, e lá se foram as férias. Só a carteira é que agradece.

Sim, já acabei todo o trabalho com o último livro (a menos que me peçam mais alguma coisa, uma sinopse ou coisa que o valha), e já comecei a mexer num dos próximos. "Num dos próximos" porque os meses que se seguem vão ser gastos a saltar de livro em livro para conseguir cumprir prazos apertados. Já o fiz antes, e curiosamente na mesma altura do ano, entre o fim do ano passado e o princípio deste, de modo que não é nada de particularmente estranho e faz-se. Mas para já ainda só mexi num deles, a continuação do livro do Martin que acabei na semana passada. Vai na página 416, o que significa que faltam 337.

Ainda foi dando para mexer no wiki, e até de uma forma razoavelmente produtiva. As 115 páginas que foram acrescentadas nesta semana levaram o total a subir a 14 659.

E leu-se umas coisas. Leu-se Lorelei, um conto de FC de Jacqueline H. Osterrath, muito fraquinho e com uma tradução bastante deficiente, sobre um planeta aquático cuja biosfera muda radicalmente em 100 anos (!), e um explorador soltário com segredos que são calmamente aceites por quem os vai investigar. Coisas do amor. Em estrangeiro, li aquilo que era suposto ser uma crónica mas é na verdade um pequeno conto de FC humorística onde Paul di Filippo extrapola até ao absurdo uma iniciativa editorial real que, obviamente, achou ridícula: romances policiais nos quais algumas das pistas são dadas sob a forma de palavras cruzadas. Chama-se a coisa Games Writers Play, e é divertida.

Em português do Brasil, li Sob o Signo de Xoth, de Carlos Orsi Martinho, um conto lovecraftiano francamente bom, no qual se entrelaça o cthulhu mythos com a política corrupta de uma cidadezinha brasileira e suas ligações com a imprensa e clube de futebol local, num todo muito bem conseguido. E também li A Criança Prodígio, de Octávio dos Santos, que é o melhor conto dele que li até agora. Um conto bastante interessante, próximo do horror, com uma escrita mais capaz do que é hábito no autor, e um final bem conseguido, sobre, como o próprio título indica, uma criança prodígio, cujo desenvolvimento e destino é relatado por um investigador num relatório confidencial.

E foi só. Para a semana haverá mais.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Byblos

A blogosfera literária (e não só) anda por aí toda com qualquer coisa aos saltos por causa do encerramento da Byblos. E eu, como também gostava de ter qualquer coisa aos saltos, resolvi também fazer o meu comentário a esse momento de transcendental importância. Nada como estar na moda. Portanto cá vai:

Nunca lá pus os pés.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Capítulo 17

Pois é, meus amiguinhos, o décimo sétimo capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores já está a postos para ser lido no respectivo blogue.

E é de novo um capítulo com muito que ler, no qual a Tona chega finalmente ao fim, e já se sabe se vai haver, ou não, mudanças no topo da hierarquia do Estado. Há uma série de tradições que há que cumprir, mas a presença de um ET em plena moca vai forçar a algumas alterações. Começamos finalmente a ter contacto directo com o Meneres, mais uma das personagens de primeira linha da história.

sábado, 15 de novembro de 2008

Semana

Isto de arranjar maneiras originais para começar estas notas rotineiras sobre a semana que passou começa a tornar-se um desafio tão grande que qualquer dia dou por mim a falar do desafio que é arranjar maneiras originais para começ... ops. Tarde demais.

Bem, indo directamente ao que interessa, trabalhou-se. Terminou-se a revisão, fez-se um ficheiro com nomes geográficos, mandou-se tudo à editora, combinou-se algumas coisas para o futuro, e escolheu-se o extracto do próximo livro, que será entregue, provavelmente, na segunda-feira. E de trabalho é tudo.

No wiki, a semana não terá sido propriamente um prodígio de actividade, mas sempre mexeu um bocadinho, acabando com 68 páginas novas (e também uma série de correcções e acrescentos; nem tudo o que se faz no wiki é acrescentar material novo), o que sobe o total para 14 544.

E também se leu umas coisas.

Leu-se, por exemplo, O Homicídio, de Orlando Neves, um pequeno conto fantástico e irónico que se lê bem mas não é nada do outro mundo. Com este conto conclui-se a colectânea A Condecoração, que contém alguns contos muito bons e é em geral uma boa leitura, apesar de fraquejar um pouco para o final (o que, em meu entender, é sintoma de deficiente organização dos contos; o impacto de um livro de contos também depende da forma como começa e acaba). Mas está decididamente aprovado. Também se leu A Lenda do Motoqueiro Sem Cabeça, de Martha Argel, um conto de fantasmas contado por um taxista. É um conto bem concebido e competentemente escrito, mas prejudicado por se tornar previsível cedo demais (e, nisso, o facto de ser uma espécie de actualização de uma lenda antiga não ajuda). Com ele terminei o pequeno nº 6 do fanzine FicZine, e devo dizer que gostei dos dois contos que ele contém, em especial do primeiro.

Em estrangeiro, li The Sleeping Woman, de Robert Reed, um conto absolutamente maravilhoso, na fronteira entre o mainstream e o fantástico, que conta a história de um homem que um dia chega a casa do trabalho e encontra a mulher morta. Magnificamente escrito e estruturado, este conto (uma noveleta, na verdade) foi o melhor naco de prosa que li desde há muito tempo. Também li Footnote from the Official Guide to Time Travel, um pequeno poema de Robert Frazier que, em contraste, me deixou completamente "meh".

De volta ao português do Brasil, li Derby, de Marcello Simão Branco, um conto de FC no qual dois dos últimos fãs de bola que resistem num Brasil futuro assistem a um jogo e vão-no comentando por entre longos infodumps sobre como se foi dando a decadência da coisa. Muito mauzinho, infelizmente, tanto em termos de escrita como de estrutura. Igualmente mauzinho é Tesouros da Humanidade, de Octávio dos Santos, este escrito no nosso português. Trata-se de uma prédica, com uma situação cheia de detalhes aos quais não há suspensão da descrença que resista, e que ainda por cima se transforma de reunião de um tal Comité Central Cultural Mundial (que soa tão mal!) em conferência de imprensa sem que o autor pareça aperceber-se do facto ou importar-se com ele. A ideia? O CCCM estaria encarregue de determinar quais dos tesouros culturais da humanidade deviam ser encerrados numa espécie de arca de Noé para obviar à sua destruição... o que, noutras mãos, até podia dar um conto interessante. Não é o caso.

Mas a pior coisa que li esta semana foi O Sonho Mineral, de Nathalie Ch. Henneberg, um daqueles contos cheios de tralha new age que infestaram a FC numa certa época. Este comete a proeza de incluir um menu quase completo: pirâmides, cristais vivos e com poderes, os maias (subtilmente) as esculturas da Ilha de Páscoa, enfim, a família toda. A premissa básica é que Mercúrio explode sem motivo aparente, e pedras vivas provenientes de lá caem na Terra e subjugam a humanidade, facto que vai ser investigado por um viajante no tempo vindo do ano 2700. Para estragar o que já era mau, o conto é comprido (é uma noveleta) e está pessimamente traduzido. Brr! E ainda há quem fale mal da FC portuguesa actual.

E foi só isto. E não foi pouco, methinks.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Décimo sexto

O décimo sexto capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores acabou de ser disponibilizado no blogue destinado ao efeito, rigorosamente à hora marcada.

Trata-se de mais um capítulo relativamente curto, no qual vamos acompanhar a preparação para o fim da Tona e nos é explicado o ritual que envolve tal acontecimento. O ET, entretanto, anda muito divertido. Pois pudera!...

sábado, 8 de novembro de 2008

Semana

Lá se foi mais uma, malta. A nossa Lua lá deu mais um quarto de volta em torno da Terra, e aqui estou eu uma vez mais a discorrer um bocadinho sobre a minha semana que passou.

Passou e deu para completar umas coisas. Acima de tudo, a tradução do próximo livro do Martin, claro. Está feita e meio revista, devendo ficar completamente revista dentro de alguns dias, após o que faltará apenas escolher um extracto para o próximo volume e traduzi-lo, preparar um ficheirito com os nomes do mapa que será incluído neste, mandar tudo à editora e receber o pagamento, que é sempre uma das partes agradáveis do trabalho.

No wiki, a semana não foi muito produtiva, com apenas 33 páginas novas que fizeram subir o total para 14 476, graças também a alguma ajuda externa.

E também houve uma série de coisas lidas.

Em estrangeiro, li Bazaar of the Bizarre, de Fritz Leiber, mais uma aventura do Fafhrd e do Rateiro Cinzento que desta vez os leva a confrontar-se com uma maligna instituição comercial que vende lixo magicamente disfarçado de preciosidades. Não pude deixar de sorrir com algumas associações que me vieram à cabeça. Ainda em estrangeiro, li OpenClose, de Terry Bisson, um conto de ficção científica muito curto e divertido (e assustador, também) sobre um homem que tem problemas com a IA do carro em plena zona de segurança de um aeroporto. Nada de superlativo, mas leu-se bem. Também li Something by the Sea, de Jeffrey Ford, uma fantasia surrealista e onírica, literariamente muito forte, mas que me deixou algo insatisfeito, com a sensação de haver ali muita forma e pouco conteúdo.

Em português, mas do Brasil, li Carta à Redação, de Braulio Tavares, outro conto epistolar sobre futebol que, não sendo mau, é ainda assim muito pior do que outras histórias do autor que já li. Este é história alternativa e consta de uma carta irritada de um leitor, que faz um apanhado de uma série de acontecimentos alo-histórico-futebolísticos e termina com a melhor parte do conto: o fim. Também história alternativa é Se Cortez Houvesse Vencido a Peleja de Cozumel, de Carla Cristina Pereira. Desta vez não estamos em presença de uma carta, mas de um artigo jornalístico ficcionado, no qual a jornalista realiza um exercício de reflexão histórica alternativa sobre quais poderiam ser as consequências de não se ter dado um acontecimento determinante na história do seu mundo. É um exercício bastante interessante, com uma história alternativa dentro da história alternativa, que foge ao facilitismo de dizer "ah, e tal, é como foi no nosso mundo", comum neste tipo de estrutura.

Em português de Portugal, li mais dois dos pequenos contos de Orlando Neves: O Feliz Parto, um continho insólito sobre uma mulher cujas sucessivas gravidezes redundam sempre em abortos, e Obsceno, o maior conto do livro, no qual um enviado do Vaticano comete um faux pas divertido num país de usos culturais muito peculiares. Ambos estão bem conseguidos, mas nenhum dos dois é tão bom como outros contos do livro. Também foram dois os contos lidos de Octávio dos Santos. Prisioneiro de Guerra é um conto de FC distópica sobre, claro, um prisioneiro numa guerra infindável. Francamente mau, quer literariamente, quer em termos de concepção e enredo. O Botão é bastante melhor: apesar de continuar a ter falhas ao nível da escrita, está razoavelmente bem concebido e tem um dos melhores finais que vi em contos deste autor. Também li A Vana, de Alain Dorémieux, uma história de amor de ficção científica entre um homem e o seu animal de estimação, que apesar de irracional e proveniente de um planeta distante é igualzinho a uma mulher. Gostei da construção do conto, gostei da linguagem, mas não gostei nada nem do absurdo biológico que contém nem do final moralista. Mediano menos, portanto. Por fim, de regresso ao português do Brasil, li Vanda Volta, Vingativa (tanto V), um conto de fantasmas de Giulia Moon que achei bastante bom, em particular na forma como consegue levar o leitor por caminhos enganadores.

E foi só isto. Até à semana que vem.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Congratulations America...

... for finally opening your collective eyes. You should have listened to us at least 4 years ago, but better late than never.

Agora vamos lá a ver o que faz o Obama. Uma coisa é certa: o apoio que o homem tem não só no seu país como no mundo inteiro abre-lhe portas que nenhum outro político do planeta consegue sequer entreabrir. A última vez que se viu um líder de primeira linha com este tipo de acolhimento foi com o Gorbatchov, e o mundo mudou radicalmente com ele, e, apesar de todos os fundamentalismos, para melhor. Os americanos e os americanófilos primários gostam de dizer que quem mudou o mundo nessa época foi o Reagan, mas não foi; com outra pessoa no Kremlin, as coisas teriam ficado na mesma. E os comunistas mais básicos que culpam o Gorbatchov pela falência do "socialismo real" estão voluntariamente a fechar os olhos à falência encoberta que ele foi encontrar, causada por um sistema que como todos os sistemas totalitários dependia demasiado da figura do líder e que não tinha um líder à altura desde Lenine.

Uma das coisas mais curiosas nas sociedades humanas é que um homem sozinho nunca é motor de mudança - esta acontece a um nível mais profundo e colectivo - mas pode ser ou o seu pivô ou o seu travão. Gorbatchov foi pivô da mudança nos anos 80, uma mudança que tinha vindo a ser travada durante longos anos pela múmia paralítica do Brejnev. Obama pode ser pivô de mudança na segunda década do século XXI que já pouco falta para estar aí. E esta mudança que aí vem é uma mudança única na história do planeta, uma mudança cujo verdadeiro motor é a globalização cultural a que já vimos a assistir há décadas mas se acelerou imensamente com a popularização da internet. Não é por acaso que é entre os jovens que Obama ganha com mais clareza. O momento que atravessamos é o dealbar de uma consciência verdadeiramente planetária de que estamos nisto todos juntos, queiramos ou não, de que o planeta é só um e é de todos, de que todos somos humanos, independentemente de coisas tão irrelevantes como a nacionalidade, o sexo ou a cor da pele, gente que tem as mesmas aspirações básicas, gente que se ri, comove e irrita com as mesmas coisas, gente que começa a aperceber-se de quais são as escolhas dos vizinhos que têm impacto sobre as suas vidas, e quer ter uma palavra a dizer acerca delas, e quais não são, quais são opções íntimas de cada um que não prejudicam e portanto não dizem respeito a ninguém, gente que começa a conseguir dar a importância devida à forma como nos vemos livres dos dejectos e às pessoas que levamos ou não levamos para a cama, ao barulho que fazemos e à cor da nossa pele ou à língua que falamos.

O Obama é um sintoma do dealbar dessa consciência. É o primeiro verdadeiro líder do século XXI. Que esteja à altura do desafio é o que lhe (nos) desejo. Porque se não estiver, será mais travão do que pivô. Mas acho que está. Tenho essa esperança. Agora cabe-nos também a nós encontrar líderes a sério para Portugal e para a Europa. Enquanto não o fazemos,

Congratulations, America!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A meio, mais ou menos, outra vez

Pois, foi colocado lá no blogue mais um capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores, e desta feita passou-se já a metade também em número de páginas (ou seja, em quantidade de texto).

O capítulo de hoje é o 15º, e trata-se de mais um capítulo razoavelmente curto, no qual o que de mais relevante acontece é que o ET finalmente acorda. E Serra vê-se imediatamente em palpos de aranha.

domingo, 2 de novembro de 2008

Escrever, para quem?

De tudo o que aqui é dito (refiro-me, naturalmente, ao filme) uma coisa, acima de todas, vale a pena reter. Está mesmo no fim. Bradbury descobriu a dado ponto da sua carreira que o escritor não escreve para Fulano ou Beltrano; escreve para si próprio.

Por mais que custe aos egos dos leitores, que gostam de estabelecer uma relação quase pessoal com o escritor que escreve aquelas coisas que os tocam, por vezes, tão profundamente, é isso mesmo. Escritor que tente escrever para os outros é escritor que nunca deixará de ser medíocre, que nunca deixará de se limitar à superfície das coisas. Só escrevendo para si próprio é possível atingir a grandeza. Não que escrever para si a torne inevitável, longe disso, mas é a única coisa que a torna possível.

O mistério da escrita é muitas vezes esse. Como é que se passa de algo feito para si próprio, de algo capaz de satisfazer o crítico interno, capaz de tocar o nosso próprio âmago, para algo que desperte a curiosidade, o interesse, a apreciação e, nos casos mais bem sucedidos, a devoção, de outras pessoas. Desvendar este mistério tornaria a vida de toda a gente envolvida no grande mundo da literatura muito mais fácil. Falo por mim, que apesar de ter já passado por experiências semelhantes à que o Bradbury descreve, de terminar um conto e não propriamente rebentar em lágrimas mas sentir aquele aperto no peito que é o estágio imediatamente anterior (com este conto, por exemplo; aquela avó deve andar mesmo pelo lugar para onde vão as coisas que desaparecem), nunca consegui uma ligação tão forte, nem de perto nem de longe, como a que ele consegue estabelecer com os seus leitores. E escrevo para mim. Ou seja, sou a prova viva de que isso é importante, mas não chega.

Mesmo quando escrevo disparates, escrevo-os para mim. O Por Vós lhe Mandarei Embaixadores foi escrito para me divertir (e divertiu e continua a divertir), e também para resolver um velho trauma que a escola me causou ao obrigar-me à particularmente estúpida actividade de dividir orações nos Lusíadas. Resta saber é se diverte mais alguém. E se toda aquela brincadeira em volta do Camões tem interesse para alguém além de mim.

sábado, 1 de novembro de 2008

Semana

Olá cá estou eu, sete dias mais velho, sem brise nem contínuo. Foi uma semana algo atípica, pois na prática interrompi o trabalho durante um dia e tal para tratar de algumas coisas que queria resolver antes de Novembro.

Ainda assim, o livro está agora traduzido até à página 376, mais 46 do que na semana passada, faltando 14 para o fim. Durante a próxima semana será terminado, e começará a ser revisto, embora a revisão talvez só se conclua na outra semana a seguir. Seja como for, está quase.

No wiki mexeu-se, e o número de páginas é agora 14 443, o que quer dizer que a semana deu um lucro de 148. Ainda não terminou a transferência dos dados do antigo site estático para o wiki, mas está cada vez mais quase.

E também houve leituras e coisas que acabaram de ser lidas.

Terminei A Invenção de Leonardo, um romance de história alternativa de Paul J. McAuley que parte duma premissa instigante: e se Leonardo DaVinci tivesse dedicado a quase totalidade do seu génio à engenharia, levando a uma revolução industrial antecipada e deslocada da Inglaterra para Florença? Com este ponto de partida conseguir-se-iam escrever histórias magníficas, mas parece-me que não é o caso. McAuley vai pelo caminho mais fácil, montando uma teia de peripécias digna de um blockbuster de Hollywood, num excesso de fogo de artifício perfeitamente desnecessário. A tradução/revisão, cheia de gralhas, também não ajuda, e se não fosse a caracterização de uma Florença submersa, literal e figuradamente, nas invenções de Leonardo, que realmente está muitíssimo bem feita, a opinião sobre o livro seria má. Essa caracterização é o que acaba por, apesar de tudo, tornar a leitura interessante, embora aqueles que se pelam por livros que não páram um segundo, façam ou não sentido, tenham certamente opinião diferente da minha.

Também li A Minha Querida Pátria, Jogo do Botão, Rifão de Fernão Tanoeiro e Chamada Geral, quatro poemas de Mário-Henrique Leiria, dos quais não gostei lá muito. São os últimos textos da colectânea Novos Contos do Gin, livro repleto de brilhantismo, com uma série de mini-contos, vinhetas e contos curtos muitíssimo bons, exemplares até, e também com poemas que, em geral, me pareceram bastante piores. Se alguém me perguntasse, aconselharia vivamente a leitura, avisando, porém, que é bom manter presente a época em que foi sendo escrito: os últimos estertores da ditadura. Muitos dos contos do MHL ganham toda uma nova profundidade se nos lembrarmos desse facto.

Quanto a outras leituras, li O Rude Esporte Humano, conto de ficção científica de Adriana Simon e Gerson Lodi-Ribeiro, e não gostei. Um conto muito fraquinho, ocupado em grande parte por um imenso infodump, e que parece deixar demasiados pontos de fragilidade lógica em toda a situação que descreve. Lodi-Ribeiro é um escritor com provas dadas, mas aqui não esteve bem. Este terá sido mesmo o pior conto com participação sua que eu li até agora. Também li A Redução, mais um dos pequenos contos de Orlando Neves, entre o horror, o fantástico e o surrealismo. Aqui vamos encontrar uma gravidez anormal, e, embora outros contos do livro sejam melhores, este também não é mau. Em estrangeiro, li The Price of Pain-Ease de Fritz Leiber, um conto curioso que não é apenas mais uma aventura do Fafhrd e do Rateiro Cinzento, mas vai para lá disso. Por fim, li A Dama da Chuva, de Octávio dos Santos, um conto de fantasmas fracote, muito prejudicado por se tornar previsível desde a primeira página. Misericordiosamente, só tem três.

E pronto. Para a semana há mais.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os milionários pobrezinhos

Não confundir com os pobrezinhos milionários, designação sarcástica que traz consigo logo toda uma carga de desprezo pelos milionários que o são de facto. Não, não é disso que quero falar. Esta é mais uma para o departamento de coisas que não se pode pôr em histórias porque toda a gente acha que se está a esticar a corda da inverisomilhança: milionários pobrezinhos. Mesmo pobrezinhos.

Falo do Zimbabwe, país de muitas bizarrias (a começar pelo presidente), no qual uma crise económica absoluta levou a uma inflação monumental. Consequência: hoje, todos os zimbabueanos são milionários e uma refeição custa quinhentos milhões de dólares. Pois: quinhentos milhões de dólares por um bife com batatas frias, ou o que faz as vezes de bife com batatas fritas lá por aquelas bandas.

Claro que não são dólares daqueles que a gente costuma ouvir falar. São dólares deles, zimbabweanos, a moeda que menos valor tem no mundo inteiro.

Mas seja como for, se um de nós enfiasse numa história uma situação em que se alguém quisesse ir às compras de algo mais substancial teria de sair de casa com maços de notas empilhados num carrinho de mão, totalizando muitos milhões de milhões de dólares, não faltaria certamente quem empinasse o narizinho sabichão e opinasse de imediato algo como "pronto, lá está este com os seus sarcasmos e piadolas. Quando será que há alguém a fazer ficção científica a sério neste país?"

Quando a verdade, a deprimente e divertida verdade, é que há poucas coisas inverosímeis demais para poderem acontecer, pelo menos enquanto não se entra no reino das varinhas de condão. O insólito que acontece quotidianamente neste planeta está constantemente a tentar explicar-nos esse facto, mas nós parecemos ter uma enorme dificuldade em compreendê-lo.

O que não deixa de ter o seu quê de... insólito.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Os pequenos e médios "empresários" que nós temos

Parece que os "pequenos e médios empresários" andam muito chateaditos por causa de um aumento do salário mínimo de 436 para 450 euros por mês, e ameaçam não renovar contratos por causa disso. Para se ver até que ponto chega a canalhice de tal posição, faça-se umas contas.

Um trabalhador que ganhe o salário mínimo depois do aumento passa a custar ao "empresário" (e empresário vai com aspas porque há melhor designação do que essa para esta gentalha) mais 14 euros por mês. 14 reles euros, que ao fim de um ano somam 196, já contando com subsídio de férias e décimo terceiro mês. 196 euros num ano. Tanto dinheiro como aquele que o pequeno e médio "empresário" típico arrecada num dia, ou no máximo em dois.

Que pena que eu tenho deles! Está-se mesmo a ver que o aumento de 14 euros por trabalhador e por mês vai levá-los a todos à falência, não está? Claro que só podem pôr toda a gente na rua. É que não têm mesmo outra hipótese.

Que nojo de gente!...

Edit: Ops... enganei-me num dado de base, o que faz com que todas as contas estejam erradas: o salário mínimo actual não é de 436, mas sim de 426 euros por mês. Ou seja, o aumento seria de 24 euros, ou, ao fim de um ano, 336 euros. Ou 376, contando com os descontos para a segurança social. Sempre é menos insignificante do que parecia à partida. Em vez de um ou dois dias, o pequeno-e-médio-empresário típico tem de esperar três ou quatro para arrecadar esta quantia. Fico na mesma com pena dele.

Lido no twitter (em inglês)

P: Porque foi que a galinha atravessou a fita de Möbius?

R: Para passar para o mesmo lado.

Mania das odisseias que esta malta tem

A malta da FC tem a mania das odisseias. Não que o Homero faça parte da malta da FC, note-se... embora se calhar até fizesse, se fosse vivo hoje. Mas há qualquer coisa em odisseias que parece apelar ao córtex pré-frontal dos feceítas. Ou ao sistema límbico, não sei bem.

Seja como e porque for, o certo é que apareceu por aí mais uma. Ou várias, porque em vez de Odisseia é Odisseias. Fantásticas, claro.

Está aqui, e é um blogue agregador de blogues de gente ligada, de uma forma ou de outra, ao chamado fandom português. Escritores, tradutores, editores, críticos, organizadores de eventos, consumidores, estamos por lá já vários e como o blogue está muito no início e é assumidamente um trabalho em andamento o mais certo é que daqui a uns meses sejamos bastante mais. Eu pessoalmente conheço vários outros blogues que podiam perfeitamente entrar também no bando. E se se começar a incluir também brasileiros, mais um pouco.

A Lâmpada por lá anda, evidentemente. O que é giro. Porque este post, que fala do Odisseias Fantásticas, vai aparecer não tarda no... Odisseias Fantásticas. De cá liga-se para lá, e de lá para cá, sendo que "cá" e "lá" são relativos ao local onde este texto for lido.

É o chamado post circular.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A energia do virtual

Ora aqui está uma leitura interessante, embora já com dois anos de idade, acerca do consumo de energia dos avatares do Second Life, e respectiva comparação com o consumo de energia dos humanos de carne e osso.

E é interessante em especial para fãs e escritores de ficção científica. Porque nos admiráveis mundos novos que lemos e escrevemos não raro os constrangimentos energéticos são pura e simplesmente postos de lado, descartados como partes desinteressantes do cenário. É assim que temos nanomáquinas a fazer coisas maravilhosas, gastando energia que aparentemente obtém do nada, é assim que temos ambientes virtuais indistinguíveis da realidade e infinitamente extensíveis, é assim que temos ecologias hiperluxuriantes, com plantas e animais de crescimento instantâneo, etc., etc. Tudo para que escritores e leitores trepidem. Tudo pelo factor uau.

O problema é que às vezes há leitores capazes de fazer as perguntas chatas, como "de onde diabo vem a energia para isto?" Leitores que não se deixam deslumbrar pelos efeitos especiais, malandros dos gajos. Leitores para os quais este tipo de detalhe é suficiente para quebrar a suspensão da descrença, após o que a trepidação se transforma em bocejo e o uau se metamorfoseia em bah.

Como sair disto? Onde está o segredo? Não sei. Mas suspeito que é fazendo histórias que não exijam esse tipo de explicações. É possível; já li muitas. Mas claro que essa também é medalha com reverso. Não será difícil, por exemplo, encontrar quem, confrontado com a falta de efeitos especiais, ache as histórias empasteladas, quem exija todas as inverosimilhanças que outros rejeitam. O problema de quem cria - e também o de quem critica, e se calhar ainda mais o de quem edita e disso quer fazer negócio - é este: o público é múltiplo, procura coisas diferentes naquilo que lê, encontra qualidades onde outros só vêem falhas por nenhum outro motivo que não seja o simples olhar para as coisas sob diferentes perspectivas. E lá se foi a objectividade nas avaliações de qualidade.

Ou quase. Há coisas, não muitas, mas há, que podem ser avaliadas objectivamente. A qualidade do uso da língua, por exemplo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A dúvida

O que será a ficção científica fantástica?

Ou por outra: o que será a ficção científica não-fantástica?

A meio, mais ou menos

Sim, acabei de pôr lá no blogue o décimo quarto capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores, fazendo com que cheguemos a meio da história, pelo menos se considerarmos o número de capítulos. Em páginas ainda falta um bocadinho. Mas não muito.

Este é de novo um capítulo longo, e foi mais ou menos por esta altura que eu comecei a divertir-me à brava enquanto escrevia a história, o que coincidiu, mas não por coincidência, com a altura em que o tradutor automático começa a ter maior evidência. Rima e é verdade. Continuando a rimar, vamos assistir aqui a uma conversa entre os dois cientistas, Serra e Grandelasca, que tentam descobrir como recuperar o ET da inconsciência. E Serra aproveita para tentar outras coisas também.

sábado, 25 de outubro de 2008

Semana

Os prognósticos da semana passada revelaram-se optimistas. Nem esta semana voltou ao normal, embora a próxima provavelmente já volte, nem a produtividade regressou aos níveis do costume.

No livro, vou na página 330, o que quer dizer que foram 50 as páginas que ficaram feitas nos últimos sete dias, faltando agora 60. Já agora, talvez vos interesse saber quanto é que isso dá em material traduzido. São 365 páginas. Continuam a ser mais ou menos 11 páginas traduzidas por cada 10 originais, o que quer dizer que estas 50 páginas de hardback acabam por não ser muito menos do que o normal em livros anteriores (e paperback), nos quais cada 10 páginas de original davam entre 8 e 9 de tradução. Vai dar um livro maior do que os primeiros da série, mas mais pequeno do que os dois últimos e do que A Fúria dos Reis.

Idealmente sem gralhas. Mas é para isso que há as revisões.

O wiki foi o único sítio em que a produtividade subiu, mas a verdade é que não foi muito. 32 páginas novas, com o total a subir para 14 295. Este mês corre o sério risco de ser o primeiro em que nem 200 páginas o wiki cresce. Vamos a ver se dá para impedir que isso aconteça.

E quanto a leituras, ando por um romance de que já falei aqui em baixo, e ainda não o acabei, de modo que nada há a dizer. Fica para a semana. Espero eu.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Coincidência cósmica

Um dos vários livros que tenho actualmente em leitura (sete, mais uma revista), um dos dois romances (os outros são livros - e revista - de contos), e, na verdade, o único de que se pode dizer com propriedade que já comecei (e estou quase a acabar), visto que do outro não li mais do que um punhado de páginas, é A Invenção de Leonardo, título que em Portugal foi dado a Pasquale's Angel, de Paul McAuley. Publicado pela mesma Saída de Emergência que tantos livros do Martin (e não só) me tem dado para traduzir.

Não tem nada a ver, mas um dos blogues que visito com maior regularidade e de que mais gosto, fruto da minha velha pancada por tudo o que tenha a ver com o Universo, é o Universe Today. É aí que obtenho a minha dose quase diária de notícias espaciais. Não é o único sítio, mas é provavelmente o principal. E além das notícias tem uma espécie de jogo, uma imagem espacial por semana, que os frequentadores deverão tentar identificar. Costumo jogar. E até acerto com uma certa regularidade, pelo menos quando não se põem com galáxias e nebulosas, que tendem a parecer-me todas iguais.

Foi o que aconteceu hoje. Reconheci de imediato a imagem, de Tritão, a maior lua de Neptuno, e lá fui deixar a notinha. Calhou ser o segundo comentador a fazê-lo, e o primeiro a dar a resposta certa, mas houve outro comentário a entrar segundos depois do meu (a hora dos dois é idêntica), também com a resposta certa. De quem?

Do Paul McAuley.

A sério. Se não é ele, é alguém que não só se apropriou do nome como liga para o blog dele, o que me parece muito pouco provável.

Ou seja, o autor do romance que estou a ler neste momento, publicado pela "minha" editora, põe um comentário quase idêntico ao meu, no mesmo blogue que eu, segundos depois de eu lá deixar o meu.

What are the odds?

Claro que quem puser uma destas numa história é imediatamente ridicularizado por quase toda a gente por usar um plot device tão inverosímil. Quem é que acredita em coincidências cósmicas? É preciso ser pateta de todo, não é?

Não é?

Pois é.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tchã tchã tchã tchããã







Aparentemente, sou o Beethoven. Mas tenho os ouvidos a zumbir, num violento protesto, e tenho de lhes dar razão: ouço. E não só ouço, como ouço o suficiente para não conseguir dormir decentemente. Consequências de viver rodeado de escumalha. E de não ser surdo.

De modo que não, não sou o Beethoven.

Mas e se no futuro fosse assim? Se bastassem dez toques na secretária-écran, ou dez respostas ao netipod enquanto se faz jogging, para se ficar a saber, com toda a precisão e sem qualquer ambiguidade, quem se é? Se o joguinho inconsequente para aproveitar um minutinho de descanso entre uma página e a seguinte se transformasse em forma de orientação e categorização na sociedade? Inflexível? Sem possibilidade de fuga?

Utopia? Distopia? Simples topia sem prefixo?

E será que importa? Ou será que o que importa é quem será capaz de escrever as melhores histórias baseadas em tal premissa?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O décimo terceiro capítulo...

... de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores acabou de ser publicado no seu blogue. É outro capítulo relativamente curto, no qual se aproveita um compasso de espera, enquanto um aparelhómetro analisa medicamente o extraterrestre, para lançar um olhar sobre o estado actual da Tona e algumas das histórias da sua história.

Há uma coisa que tem de ser referida a propósito destas notas: elas são feitas tentando evitar grandes spoilers mas dando uma ideia daquilo que se encontra no capítulo da semana. É uma tentativa de despertar curiosidade, claro. Mas tem como consequência que acabam por ir ficando dicas sobre o desenrolar da história, ainda que não acerca dos pormenores. Nem sobre os pormenores (que eu acho) mais divertidos. O que isto quer dizer é que quem tenha intenção de ler tudo só depois de concluída a publicação, ou então em papel, e não goste de spoilers, provavelmente deverá evitar as notas que aqui vou deixando semana a semana. Talvez devesse ter escrito isto logo de início, mas a verdade é que quando comecei a deixá-las não sabia ainda o carácter que iriam tomar. Escrevo agora. Seja como for, ainda nem a meio chegámos.

sábado, 18 de outubro de 2008

Semana

Melhorzinha. Foi melhorzinha. Mas esteve longe de ser boa. A martelada e berbequinada só se calou na sexta-feira, de modo que só esse dia e os do fim de semana foram realmente livres de ruídos intrusivos e persistentes. Por outro lado, o martelo pneumático ficou-se pela semana passada, e para fazer um pneumático são precisos uns dez normais. O martelo pneumático (e a britadeira) é a mais maligna maquineta já inventada.

De modo que foi melhorzinho. O livro vai na página 280, o que quer dizer que avançou 50. Não é o que traduziria numa semana normal, mas não anda muito longe. Faltam 110. E claro que estou bastante atrasado relativamente ao plano, mas como o plano desta vez tinha boa folga não há grande crise. Se as coisas voltarem ao normal.

Com a prioridade completamente posta em não deixar que a tradução se atrase demasiado, o wiki teve de ser posto em stand-by (a verdade é que até o email ficou por ler. Tenho quase uma semana de email à espera de melhores dias), e só subiu 6 páginas, graças fundamentalmente a uma ajuda externa. Está em 14 263.

Mas li e acabei coisas. Dois livros e uma listinha de contos.

Terminei A Conspiração dos Antepassados, de David Soares, um romance fantástico que explora a relação entre Fernando Pessoa e Aleister Crawley. O livro é bastante bom, muito melhor do que Os Ossos do Arco-Íris e também melhor do que As Trevas Fantásticas, as duas colectâneas do David que li. Mas tive um problema com ele: é que o tema não me desperta o mínimo interesse. Nem o mais mínimo. De modo que a leitura arrastou-se ao longo de muitos meses. Mas quem tiver mais tolerância do que eu por rosacrucianismos, alquimias, astrologias, e demais pregos na inteligência, leia, que irá gostar. O livro é bom.

Também li O Ano de 1993, um livro bizarro de José Saramago que parece que é geralmente considerado um livro de poemas, mas que a mim mais parece uma pequena novela de ficção científica distópica, escrita com grandes preocupações formais. Não me agradou o tom quase ludita com que se faz o contraponto entre o homem e a máquina, e certamente que este livro não é o melhor Saramago (data de 1975, uns aninhos antes de toda a qualidade do escritor literalmente rebentar por todo o lado), mas achei curioso o modo impressionista de contar uma história que ali acontece, a léguas da linearidade da escrita que se costuma aplicar na FC. O termo que melhor o descreve é curioso. É um exercício literário curioso que, estou certo, seria completamente odiado pela maior parte dos rapazes da FC, caso se dessem ao trabalho de o ler. Uma questão de curiosidade, suponho...

Para além dos livros, li mais uns contitos. Li Eu Matei Paolo Rossi, de Octavio Aragão, o conto inaugural da Intempol que relata o modo como um fanático brasileiro da bola se vê metido numa confusão diabólica e acaba a matar o jogador italiano, fazendo assim com que seja o Brasil a conquistar o campeonato do mundo de 1982. É um bom conto, um dos melhores do Octavio, e um conto fulcral da FC brasileira da última década. Mas seria melhor sem aquele irritante "Intempol®" que aparece bastante no fim, e com uma revisão que lhe removesse um ponto por volta dos 2/3 em que o ritmo é prejudicado por umas informações que em nada contribuem para a história. Ah, e "pesos espanhóis", Octávio?! Também li O Telefone, de Orlando Neves, um conto fantástico em que a personagem telefona (obviamente) e do lado de lá lhe responde alguém demasiado parecido consigo mesmo. Deste não gostei muito: achei-o demasiado previsível. Em estrangeiro, li Claws From the Night, de Fritz Leiber, um conto em que Fafhrd e o Rateiro Cinzento vão defrontar um bando de corvos ladrões. Também li A Floresta, de Octávio dos Santos, mais um continho demasiado óbvio, desta vez sobre uma floresta que se defende dos ataques ambientais que vai sofrendo. Muito fracote. E por fim, do Mário-Henrique Leiria li só um poemita, Que Bom, que como é hábito não me pareceu tão... ah... bom como as prosas.

E foi só isto. Para a semana terei, talvez, mais alguns contos lidos, estarei a cerca de 50 páginas do fim da tradução e haverá mais umas dezenas de páginas no Bibliowiki. Agora vamos a ver se esta zandinguice se cumpre.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Capítulo 12

Pois é: o capítulo da semana de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores já lá se encontra, publicado e disponível para os ávidos olhos dos leitores. Ou para os aborrecidos olhos dos leitores. Ou para os pestanudos olhos dos leitores. Ou das leitoras. Ou para os indiferentes olhos dos leitores. Ou para...

Bem, já está disponível. Fiquemos por aqui.

Este é razoavelmente curto, mas voltamos finalmente a ter contacto directo com o ET, que como sabem tem passado os últimos capítulos caído sem sentidos entre as mais altas individualidades do planeta, as quais, obviamente, não lhe ligam pêva.

sábado, 11 de outubro de 2008

Dos estados da matéria financeira

Serei só eu a achar bizarro que um mercado sólido seja aquele que tem muita liquidez?

Faz pensar que tudo isto é capaz de ser um bocado gasoso, não faz?

Semana

Uma completa porcaria de semana, esta que passou. Vizinho do lado em obras em casa, quando não era martelo era berbequim, quando não era berbequim era martelo pneumático. De enlouquecer. Literalmente. Se querem ver-me doido varrido basta que me mergulhem num ambiente em que seja impossível fugir a ruídos com muitos decibéis. É coisa de deixar os nervos em franja e um tipo fica completamente incapaz de fazer seja o que for.

Como passei mais tempo em fuga do chinfrim do que em casa, a produtividade (em tudo e mais alguma coisa) caiu quase tanto como a bolsa. E obviamente que o trabalho atrasou significativamente. Querem ver?

O livro vai na página 230. Ou seja, a semana só rendeu 20, número que em circunstâncias normais seria cumprido em dois ou três dias. Faltam 160.

O wiki subiu para 14 256 páginas, ou seja, subiu 13.

E nem sequer li nada que se visse. De modo que não tenho mais nada a dizer. Vou trabalhar hoje e amanhã, que eles não trabalham, e vou esperar que as obras acabem segunda ou terça como me disseram que acabariam. Ou seja: vou esperar que as notícias de hoje a uma semana sejam melhores.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Décimo primeiro capítulo

OK, todos em coro: acabou de ser publicado no blogue o décimo primeiro capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores. Isso mesmo! Vêem como já conhecem a cantiga?

Trata-se de um capítulo de tamanho médio, no qual sucede uma peripécia que tem a ver com a segurança e conhecemos Joanina Grandelasca, uma colaboradora do nosso compincha Serra que irá ter uma intervenção importante na história. A vários níveis, acrescente-se com uma piscadela de olho marota.

domingo, 5 de outubro de 2008

Alerta de Bandeira!

Em Maio, o Bandeira fechou o blogue. Na altura não disse nada, porque não adiantava dizer nada. Comprovei-o nas várias vezes que os autores de blogues que seguia com prazer resolveram acabar com eles, explicita ou implicitamente, pois nunca vi nenhum deles ser demovido por fosse o que fosse escrito por mim, ou pelos outros bloguistas e comentadores que se referiram ao facto.

De modo que fiquei calado quando o Bandeira fechou o blogue. Já há tristezas mais que suficientes por aí sem andarmos todos a poluir a blogosfera com tristezinhas deste calibre.

Ah, mas agora que o reabriu, não! Agora que voltou às lides, agora que regressou para junto de nós, não me calo! Porque agora é tempo de exprimir alegria.

Bem-vindo de volta, pá!

Semana

Uma semana de pouco trabalho, para variar, composta com uma ida a Lisboa para passear (sim, porque este ano, ao contrário do que tem sido hábito, não apresentei nem debati nada) pelo Fórum Fantástico, encurtada por uns problemas que apareceram aqui na base operacional. Nada de sério, mas só o soube (embora já suspeitasse) quando cá cheguei.

O pouco trabalho reflecte-se nos números. O livro está na página 210, o que significa um crescimento de apenas 32 desde a semana passada. Mas já passou de meio: faltam 180.

O wiki, embora lhe tenha acrescentado umas coisas em Lisboa (isto antes da porcaria das actualizações da m**da do Vista me terem comido toda a largura de banda), subiu só para 14 243 páginas, o que dá 74 novidades. Não é mau, mas é bastante menos do que tem sido regra em semanas anteriores.

Quanto a leituras, li Santos F. C., um pequeno conto epistolar de Ivan Carlos Regina, que achei demasiado fanzinesco para uma antologia profissional, seja em elaboração, seja em estrutura e no uso do português. Fracote. Li também vários dos pequenos contos de Orlando Neves: O Espelho é uma variação bem concebida daquelas histórias em que o espelho não se comporta exactamente como é suposto. As Luvas é um conto subversivo sobre um presidente arrivista de que não gostei grandemente: a comparação com Mário-Henrique Leiria é inevitável, e neste tipo de conto, o Mário-Henrique é imbatível. A Mãe é um conto fantástico e bastante bom sobre um homem de meia-idade que se vê de súbito transplantado para a infância. A Fuga é um conto brilhante, entre o surrealista e o horror, sobre um condenado que foge da prisão de uma forma inédita. O Comboio é surrealismo puro, mas não gostei muito: pareceu-me que a ideia exigia um texto maior, talvez com o dobro ou o triplo da extensão. Finalmente, Os Destroços, é um excelente conto de fantasmas, em que o horror (embora bem-humorado) se exerce não sobre quem os vê, como o cliché manda, mas sim sobre o próprio fantasma. O bando de contos de Orlando Neves foi acompanhado por outro bando de contos (maiores) de Fritz Leiber, todos, naturalmente, em estrangeiro: The Bleak Shore leva os heróis, Fafhrd e Rateiro Cinzento, a uma misteriosa terra do outro lado do mar. The Howling Tower continua por paragens distantes, e desta feita os heróis têm de decifrar o mistério de uma torre que uiva. Regressando a casa, os heróis vão deparar com The Sunken Land, uma espécie de Atlântida de Nehwon. E em The Seven Black Priests os dois roubam algo de sagrado e vão sendo perseguidos por todo o Canto Gélido por sacerdotes com sede de sangue.

E foi só isto. Para a semana haverá mais, de novo ao sábado.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vocês contratem-me estes gajos!

Pá, isto na verdade há umas vocações por aí escondidas que têm de ser urgentemente reveladas. Num país com uns comediantes que, tantas vezes, não têm piada nenhuma (coff-têvêrrural-coff), não se pode deixar fugir o(s) génio(s) da comédia que hoje resolveram assaltar logo a Direcção-Geral de Combate ao Banditismo! Vocês contratem-me estes gajos, por amor ao monstro do esparguete voador!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A injecção financeira

Andava a sentir-se pobre nos últimos tempos. Olhava à volta e só via coisas que não tinha, lugares que não visitara, actividades que não experimentara. Decidiu que precisava de uma injecção financeira. Dirigiu-se, portanto, a uma farmácia, comprou uma seringa das descartáveis mais baratas, e voltou para casa.

Preparou o caldinho na mesa da cozinha. Reuniu a água, o limão, a colher e o x-acto, verificou que tinha gás no fogão, abriu a carteira e tirou de lá a última nota de cinco euros. Desfê-la com o x-acto em bocadinhos quase microscópicos, deitou-os na água e no limão, despejou tudo na colher, com cuidado para não derramar, tirou a seringa da embalagem e encheu-a até cima. Atrapalhou-se um momento quando reparou que se esquecera do garrote, foi à procura de algo que servisse, encontrou um lenço e enrolou-o ao braço, apertando bem. A veia foi fácil de descobrir. Injectou tudo.

Não ficou mais rico. Em vez disso, apanhou uma grande moca. É que a nota, logo antes de lhe ir parar às mãos, tinha sido usada por outro tipo qualquer para snifar uma valente dose de coca.

E chegámos ao décimo

Sim, o décimo capítulo de Por Nós lhe Mandarei Embaixadores acabou de ser publicado lá do outro lado. De novo grande, mostra-nos um momento em que a Tona parece decidir-se e Serra faz um compasso de espera enquanto aguarda que cheguem algumas coisas de que precisa para tentar resolver a situação com o extraterrestre. Mas como frequentemente acontece nos compassos de espera, em que não é suposto acontecerem coisas, acontecem coisas, e Serra tem mais um diálogo interessante com outro dos grandes e carismáticos líderes que o rodeiam.

O Serra é mesmo totó com certas coisas. Francamente!

Entretanto, já devem ter reparado que o livro em papel não está pronto no fim de Setembro. Também não estará no princípio de Outubro. A capa, essa malandra, foi para a night e veio de lá com uma alergia, que vai ter de ser curada com aqueles pós que se usam para curar estas coisas. Atrasa-se tudo um mês. Mas a publicação online segue como até aqui.

Lista de etiquetas - versão de emergência

Parece que o Blogger fez asneira da grossa, algures, e como consequência a lista automática de etiquetas que tinha ali ao lado esquerdo deixou de um momento para o outro de funcionar. Segundo o autor do script que adaptei, espera-se que o Blogger corrija o que quer que tenha corrido mal, mas entretanto aqui fica uma lista semi-manual para quem quiser navegar como deve ser pelas etiquetas da Lâmpada, sabendo-se que se por acaso forem adicionadas etiquetas novas essas mudanças poderão levar algum tempo a serem aqui reflectidas.

Com o pedido de desculpa da gerência, cá estão.

acordo ortográfico
aforismos
agradecimentos
algarve
anagramas
arte
as europas
astronomia
avisos paroquiais
bibliowiki
biologia
blogosfera
chamando a musa
cinema
ciência
coisas obsoletas
computadores
correntes
crítica
design
desporto
destaques
diversos
e-nigma
ecologia
economia
edição
escrever
espaço
europa
eventos
fandom
fc e f
festas anuais
ficções
fotografia
fraude
futebol
geofísica
geografia
historinhas ene
história alternativa
humor
idiotas
imprensa
incompetências
instantâneos do quotidiano
insólito
intimidades
irritações
jogos
justiça
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literatura
lâmpada mágica
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projecto gutenberg
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saúde
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sobre a spam fiction
sobre a spamesia
spam fiction
spamesia
tecnologia
testes de personalidade
tradução
visitas à volta do mundo
vídeo
web
wikipédia
índices

sábado, 27 de setembro de 2008

Wordle novelesco

Graças aos milagres da tecnologia, eis que vos ofereço uma espreitadela exclusiva ao texto completo do meu romance Por Vós lhe Mandarei Embaixadores. Ei-la:



(cliquem para ver em ponto grande)

Semana

Eis que chega ao fim mais uma semana, na qual, além de ser enfiado à força numa polémica que não me dizia respeito (há por aí uns tipos que não vos digo nem vos conto...), fiz coisas bem mais úteis, a saber:

Trabalhei. O livro está agora traduzido até à página 178, mais 50 do que na semana passada. Faltam portanto 212, e o plano de chegar ao fim de Setembro com, no mínimo, metade da tradução feita vai ser cumprido.

Wikibuli (palavra nova. Atenção, senhores dos dicionários). O wiki soma agora 14 169 páginas, mais 122 do que há uma semana, curiosamente tantas novidades quantas tinha havido na semana anterior. Crescimento mais estável do que isto é impossível.

E li. Foi mais uma semana que passei principalmente com coisas grandes, que não acabei, mas também li (e acabei, claro) uns quantos contos. Li Perseguição, de Octávio dos Santos, outro dos contos razoavelmente bem conseguidos deste autor, sobre um homem que se vê mergulhado num pesadelo de perseguições sucessivas. Um conto onírico com a sua força. Na verdade, a este trabalho só faltaria um maior polimento de escrita para ser um bom conto. Também li Liberdade em Segurança, do Mário-Henrique Leiria, um pequeno conto insólito sobre um julgamento sui generis em estado policial. Também do MHL, li Manifestação de Apoio, conto sobre aquilo que acontece quando o primeiro-ministro vai agradecer a manifestação espontânea de apoio e... perde o apoio. Apenas a Lua é um conto algo poético (e terrível) sobre a impossibilidade de amor em tempo de guerra. A Crise Económica é um conto com fortes toques de horror sobre uma família carnívora que, em tempos de crise económica, recebe um general para o jantar. E ainda do Mário-Henrique Leiria, li Um Dia na Vida de Etelvino, conto de distopia política futurista em que reverbera algo de Orwell, mas claro que a iconoclastia e humor característicos do Mário-Henrique predominam. Tudo muito bom. MHL devia ser ensinado nas escolas. Por fim, li, em estrangeiro, A Democracy of Trolls, de Charles Coleman Finlay, uma magnífica novela sobre a vida de uma mãe ogre que adopta um bebé humano depois de perder o seu filho. E apesar de meter ogres, não me parece que seja um conto de fantasia, mas de ficção científica. Lendo-o percebe-se, especialmente se se tiver algum conhecimento sobre os comportamentos dos nossos primos antropóides. Excelente.

E é só. Para a semana haverá mais, embora provavelmente não ao sábado. É que, se tudo correr bem, sábado deverei estar em Lisboa, no Fórum Fantástico. Apareçam por lá.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Capítulo nove

E eis, finalmente, ao nono capítulo de Por Vós lhe Mandarei Embaixadores, uma extensão de texto considerável. O nosso novo amigo, Serra de seu nome, chega por fim ao dirigível, onde vai encontrar o extraterrestre e muitas outras pessoas. Entre estas, conta-se, como é óbvio, o presidente, que já conhecíamos, e uma nova personagem com quem Serra vai ter uma conversa muito esclarecedora, ainda que não propriamente amistosa. Não vos digo quem é. Digo-vos apenas que é ministro. Sim, e que tem alcunha. E, bem, também posso diver-vos qual é essa alcunha: Furão Caixa-d'Óculos. Para além disso, não digo. Vão ter de ler.

Por puro acaso este capítulo mais longo aparece logo na semana a seguir ao Fernando Trevisan ter escrito que a leitura em blocos curtos atrapalha a leitura. Não, não juntei vários capítulos num só em resposta; foi mesmo coincidência. Esta história estava totalmente escrita antes de começar a ser publicada e, salvo um ou outro pormenor, não sofreu nem sofrerá alterações. Mas concordo: o livro não foi concebido como folhetim, e não funciona lá muito bem nessa forma: os capítulos são demasiado curtos, mesmo para a web, e não têm o cliffhanger que um folhetim deve ter para chamar o leitor ao capítulo seguinte. E já tinha consciência disso quando decidi publicá-lo assim. Nessa decisão pesaram outras coisas.

Em todo o caso, daqui para diante não haverá só capítulos curtos. Estes continuarão a aparecer de vez em quando, mas irão intercalando com capítulos mais extensos, como aquele que saiu hoje. Espero que assim melhore um pouco.

domingo, 21 de setembro de 2008

O fio condutor

O fio condutor parou a carrinha em frente de casa, saiu, trancou-lhe a porta com uma laçada dada com a facilidade do hábito, serpeou escadas acima desviando-se habilmente das manchas de terra deixadas no mármore pela porcaria dos vizinhos porcos, encontrou a mulher já à sua espera, enrolou-se todo nela, seguiram aos encontrões até ao sofá, fizeram-se novelo, meada, embaraço de nós e laços, e logo antes de atingirem um orgasmo duplo retesaram-se como arames acabados de sair da fábrica.

Era assim todos os dias de trabalho. Ao fim de horas a distribuir atacadores, chegava sempre a casa numa excitação de bonobo. Aqueles fios entrelaçados... Podia ganhar mal, que ganhava, mas pelo menos guita, a mulher, andava feliz, contente e desenrolada da vida.

sábado, 20 de setembro de 2008

Semana

Esta semana não há muito a dizer.

O livro continua a avançar, algo mais lentamente do que talvez fosse desejável. Está agora na página 128, mais 64 do que na semana passada, e visto que o fim é na página 390, faltam 262.

"Descobri" há dias que já ando por Westeros há mais de um ano. Um ano e tal sempre no mesmo mundo, com as mesmas personagens, com o mesmo estilo de texto. É muito tempo. E ainda faltam cerca de cinco meses. Por melhores que sejam os livros, é capaz de ser tempo a mais. Espero que quando terminar este livro possa passar um mês ou dois a trabalhar em algo radicalmente diferente. Parece-me que estou a precisar de uma valente mudança de ares.

O wiki deu mais um saltinho de 122 páginas novas, subindo o total para 14 047. Desta vez sem ajudas.

E quanto a leituras, esta semana fiquei-me por textos longos e não terminei nenhum. De modo que não tenho nada a dizer sobre elas. Fica para a semana.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A ideia peregrina

Como sou um tipo ocupado, e um grande infiel, nunca na vida iria de peregrino a Fátima. Mas a verdade é que não custa nada cobrir todas as possibilidades. Que isto nunca se sabe. De modo que tive uma ideia peregrina, vesti-a de batina, arranjei-lhe farnel, dei-lhe uns cobres e pu-la a caminho.

Não chegou lá. Conheceu uma brasileira vuluptuosa ali para os lados da Ota e acabou, bêbada e sem cheta mas divertidíssima, numa pensão de Rio Maior.

Nada a fazer. Eu sou assim. Até as minhas ideias peregrinas são umas pecadoras do catano.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

CSI: Portimão

Ah! Então é por isto que eu estou a pagar o triplo da contribuição autárquica...



PS: para quem não conhece, o senhor do bigode que aparece no fim é o Manuel da Luz, presidente da câmara, PS. PS-partido, não PS-PS. Vocês entendem...

PPS: usando os meus talentos sherlockianos, estou capaz de garantir que há por aí eleições à porta...

PPPS: mas OK, tá giro, sim senhor, pronto, levem lá a bicicleta... não me digam é quanto custou, para não me dar uma coisinha má...

PPPPS: a loura é que enfim... com tanta mulher bonita que há por aí...

PPPPPS: sim, gosto de reticências... processem-me...