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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Por fim, temos introduções, ou prefácios se preferirem; basta clicar nas imagens

«[...] Sou suspeito, evidentemente. Não se espere de mim que não o seja sendo não só organizador e autor como tendo acompanhado de perto o desenvolvimento de todas estas histórias. Mas, suspeito ou não, declaro aqui oficialmente que gosto deste livro. É um livro em que a FC predomina, mas não é um livro de FC; é um livro com FC. As ratazanas por um lado e parte do material vindo do Infinitamente Improvável por outro emprestam-lhe outras coisas, da fantasia ao horror, passando por surrealismo, realismo mágico e uma quantidade razoável de humor. E vários eteceteras. Isso dá ao todo um equilíbrio e uma variabilidade que talvez não tivesse se tudo fosse FC — ou qualquer outro género. E também não é uma antologia temática, ainda que tampouco seja uma antologia de tema livre; é uma antologia semitemática, parcialmente composta por histórias integradas num mesmo universo partilhado ou, vá, que têm o mesmo ponto de partida, seguindo depois caminhos muito diversos, e parcialmente composta por histórias em que cada autor escreveu o que e como bem entendeu, embora sempre em interação com os restantes. [...]»
in Ratazanas e Outros Acepipes


«[...] Um ano e tal depois, ficou tudo feito. Quase-quase. O trabalho foi sendo adiado por vários motivos, entre os quais foi avultando um certo desânimo muito pessoal, a que os outros são totalmente alheios, e a ideia de que publicar num momento em que tudo à volta está num imenso caos é correr o risco do livro passar completamente despercebido, ainda mais do que seria de esperar de uma publicação de ficção científica (sobretudo), em Portugal, e feita desta forma. É correr atrás de uma meta ao mesmo tempo que a pista se vai esboroando debaixo dos nossos pés. Portanto, se calhar, o melhor será esperar que as coisas melhorem. Pelo menos um pouco.
Mas a dada altura veio a mentalização de que é muito possível que as coisas não melhorem nunca. De que se isto não for publicado em breve, o mais certo é nunca chegar a ser publicado. E isso não seria justo para quem dedicou a este projeto tanto do seu tempo, do seu esforço e do seu talento. O inferno está cheio de projetos lançados com pompa e circunstância e que nunca chegam a ver a luz do dia. Não quero contribuir para o encher mais. [...]»
in Ratazanas e Outros Petiscos

E temos ainda mais ficção científica; basta clicar nas imagens

«E agora havia gente por todo o lado gente que se espalhara pela galáxia e até para lá dela como uma vaga imparável limitada apenas pela capacidade de construir novas máquinas e de fazer e criar nova gente e todas as misturas possíveis e imaginárias entre gente e máquinas.»
Saul Matos Martins, in Ascensão e...

«Tentou convencer-me de que tudo isto não demorou mais que um instante. Um piscar de olhos. Um intervalo quântico no tempo.»
Jorge Candeias, in Pandorama

«Se eu penso que somos todos escravos não vos vou dizer que não, que somos só assalariados da Grande Corporação de Elon-Deus, livres para fazer tudo o que quisermos, ou vou? Querem que minta? É que posso fazer isso, sabem?»
Vanessa Glória Guedes, in O Caso Mário Capeto

Textos integrais em:


excertos (salvo Pandorama, que está em texto integral) em:


Temos mais FC; basta clicar nas imagens

«Uma explosão próxima sacode o edifício, arrancando às paredes mais uma chuva de caliça e fazendo erguer-se no ar uma gigantesca nuvem de pó. Mário atira-se para o chão, num reflexo, no mesmo momento em que sente o soco da onda de choque perpassar-lhe pelo corpo. O homenzinho solta um enorme grito de pânico mas não sai do mesmo sítio. »
Miguel Hernâni Guimarães, in Para Cada Verdade as Suas Consequências

«À décima vez que o sinal chegou, veio a princípio idêntico a todas as outras, mas depressa mudou, tornando-se mais complexo, mais modulado, e muito, muito mais prolongado. O cisne captou-o com a indiferença sôfrega de uma máquina a desempenhar a única função para que foi concebida. »
Jorge Candeias, in O Canto do Cisne

«Demonstrando a falta de savoir faire e a memória eidética típicas das máquinas, os membros do conselho pedagógico depressa trouxeram à baila a saída destemperada de dois meses antes, e pareceram deliciar-se com a enunciação detalhada de todos os pormenores dos sucessivos falhanços da aprendizagem do filho. »
Miguel Hernâni Guimarães, in Deceções da Paternidade

Textos integrais em:


e também em:


Temos ainda mais ratazanas; basta clicar nas imagens

«Quando se calou, a plateia de alguns humanos e muitas ratazanas explodiu em aplausos ainda mais entusiásticos do que quando surgira, acompanhados por assobios, guinchos e aclamações que se prolongaram durante um considerável espaço de tempo.»
Jorge Candeias, in O Futuro das Ratazanas

«Depois tentou ligar para o controlo de pestes da autarquia, mas ficou dezoito minutos exatos a ouvir uma musiquinha irritante, interrompida de vez em quando por uma voz feminina que lhe dizia que a chamada se encontrava em espera (duh), que seria atendida assim que possível (ahn-hã) e que não devia demorar mais que dois minutos (claro, claro).»
Vanessa Glória Guedes, in O Deixa-Andar das Ratazanas

«A ratazana que levava o aparelho com o pequeno écran recuperou a presença de espírito antes da companheira. Quando caíra, largara-o, e de repente reparou que o indispensável aparelho se ia agora afastando delas aos saltinhos, ameaçando desaparecer, sumir-se, voando para longe ou engolido por alguma fenda que se abrisse naquele solo instável. »
G. B. Nunes, in A Aventura das Ratazanas

«Voltou a olhar para o grande ecrã plano na montra, que agora mostrava uns cabelos compridos e maquilhagem em demasia a abrir e fechar a boca em silêncio, enquanto um quadradinho que se lhe debruçava sobre o ombro mostrava ratazanas e ministros e gravatas e correrias e polícias e caras difusas e todas iguais.»
Saul Matos Martins, in A Indiferença das Ratazanas

Textos integrais em:


Excertos em:


Temos coisas que não são FC; basta clicar nas imagens

«Acordou quarenta e cinco minutos depois, no momento em que mais de mil moedas de euro se materializaram de repente cinco centímetros acima da cama e choveram em cima dele, mais de sete quilos de uma espécie metálica e quente de granizo. Aquilo doeu.»
Jorge Candeias, in O Vil Metal

«disse-me a minha prima que é do escultor Aníbal mas não estava reformado? dizia-se que sim mas são só círculos ou há mais alguma coisa, consegues ver? milhões, isto custou milhões, estou-te a dizer que o gabinete ah, mas serão mesmo círculos? parece-me ver ali uns verticezinhos escondidos sei de fonte segura que isto é coisa da presidência para comemorar o aquilo não estará a girar com velocidade a mais? pretende levar-nos a refletir sobre a natureza do ser, obviamente, não se está mesmo a ver? assombroso, assombroso amoor, vem cá que eu»
Saul Matos Martins, in Uma História Geométrica em Duas Partes

«Quando o último pé se desprende da praia, a mulher de areia salta, feliz, num movimento leve de graça. Algo sussurra numa espécie de gargalhada, mas talvez seja só impressão, um efeito de vento, um eco de qualquer coisa longínqua de natureza bem diversa.»
G. B. Nunes, in A Mulher de Areia

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Temos mais ratazanas; basta clicar nas imagens

«O terceiro bocadinho de pão já obrigou a ratazana a saltar para cima do banco. O quinto foi simplesmente pousado na saia. Ao sétimo, o animalzinho já não fugiu depois de comer»
G. B. Nunes, in A Inocência das Ratazanas

«E as ratazanas,
ficaram paradas,
gordas e anafadas,»
Saul Matos Martins, in O Deslocamento Multiversal das Ratazanas

«Alguns, a maioria, desfizeram-se em ratazanas, três, quatro, cinco, até seis ou sete nos casos em que os boquiabertos eram especialmente corpulentos, muito pretas, quase sempre redondas como pipas de vinho. Outros, porém, tossiam dois ou três ratinhos sempre que abriam a boca, mas ficavam vivos para contar a história.»
Miguel Hernâni Guimarães, in A Revolução das Ratazanas

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Excertos em:


Temos ficção científica; basta clicar nas imagens

«Não era nada de incomum: os ciclos próprios da estação eram muito mais curtos que os ciclos de vinte e quatro horas dos seus habitantes e era bastante frequente que o sol se intrometesse nas noites daqueles, criando uma inconsistência entre a realidade e a noção abstrata de «noite».»
Miguel Hernâni Guimarães, in O Júlio Tudo Escuta, Tudo Vê

«Chegam ruídos abafados de outros pontos da nave, demasiado distorcidos para serem identificáveis. O alarme começa a tornar-se mais estridente. Olha os números do monitor. O sistema automático está a repor a pressão atmosférica. A injetar mais oxigénio na atmosfera. Não nota grande diferença.»
Jorge Candeias, in Acidente

«E numa manhã horrível, depois de uma noite particularmente mal dormida em que conseguira evitar os sonhos à custa de pouco mais de duas horas de sono, confundiu um líquido cristalino com outro, numa leitura sonâmbula de etiquetas, e em vez de ligar ao sistema de circulação de água uma solução de oligonutrientes ligou um ácido, só tendo dado pelo desastre horas depois, ao descobrir que um canteiro inteiro murchara como um balão entristecido, esvaziado de ar.»
G. B. Nunes, in Nem Sempre Estamos Preparados, Querida Lua, Para o que Desejamos

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excertos em:


Temos ratazanas; basta clicar nas imagens

«O ministro abriu a boca e dela saíram ratazanas. Eram cinco, muito pretas, lustrosas, gordas como penicos. O ministro, esse, ainda estrebuchou um bocado, atrapalhando-se com a gravata, mas acabou por cair redondo no chão.»
Miguel Hernâni Guimarães, in A Crise das Ratazanas

«E recolheu as ratazanas, uma a uma, aconchegando-as ao peito e fazendo-lhes festinhas. Depois, levou-as dali.»
Vanessa Glória Guedes, in A Metamorfose das Ratazanas

«Entretanto, o ministro despenteava-se em movimentos bruscos, agarrado ao estômago com a mão esquerda, tapando a boca com a direita. Já poucos eram os que dele tentavam aproximar-se, até porque não obtinham mais resposta do que um aceno vago ou um olhar esgazeado. Parecia pouco menos que milagre que se mantivesse em pé, tamanhas eram as convulsões que o assolavam.»
Jorge Candeias, in A Fome das Ratazanas

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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Que editoras estão a publicar contos?


Giro. Aparentemente, o blogger não me deixa responder a comentários no meu próprio blogue.

Vai por aqui, então.

A Olinda perguntou-me, aqui, que editoras estão agora a publicar contos. E o que eu tentei responder-lhe foi que...

Quando falei do estigma estar a ficar menos intenso referia-me ao dos leitores, não tanto ao das editoras.

Seja como for, e agora de repente, lembro-me de quatro editoras com publicação recente de livros de contos na área da FC&F: Imaginauta, Divergência, On-y-Va e Coolbooks. E dando uma olhadela na secção de contos da Wook provavelmente encontrar-se-iam mais.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

O meu pai tem novo livro

O meu pai era poeta.

Morreu em 2011, aos 75 anos, graças a quilos de cigarros e às consequências que eles tiveram. Deixou por cá a família, uma série de publicações (poemas, sim, mas também contos e crónicas) dispersas por jornais, revistas e uma ou outra antologia e dois livros de poemas. Fininhos, como era norma no seu tempo e em grande medida continua a ser ainda hoje.

Agora saiu o terceiro.

Não começou com um telefonema mas, pela parte que me toca, foi assim que começou. Que conheciam a poesia do meu pai e gostavam muito dela, que era uma pena que poucos a conhecessem hoje em dia porque já há décadas anda fora de mercado, se eu estaria de acordo que se publicasse um livro novo com os poemas dele, e por aí fora.

E eu, sem saber bem o que ele diria (tanto podia recusar como ficar contente e dizer que sim), e sem lhe poder perguntar, aceitei. E ao aceitar passei a ter um problema.

É que me queriam envolvido. Queriam-me a colaborar na escolha dos poemas, no delinear da edição, nessas coisas miúdas de que são feitos os livros. Só que eu, como quem costuma ler o que vou pondo aqui já está farto de saber, me tenho na conta de um gajo que pouco percebe de poesia. Escolher poemas? Que sei eu sobre poemas para poder escolhê-los? Especialmente inéditos e dispersos?

E depois apareceram outros problemas. Falta de tempo, emails perdidos, um arquivo paterno muito mal organizado, onde estão poemas dispersos publicados em vários sítios mas quase sempre sem qualquer indicação de onde e quando, e etc., e etc., e etc. Com tudo isso, o tempo foi-se arrastando e por fim acabou por ficar decidido que para a publicação avançar teria de ser reduzida a uma compilação dos dois livros publicados em vida.

E a um prefácio.

Escrito por mim.

Mas têm a certeza? Eu pouco percebo de poesia, e patati, e patata. Que sim, que sim, escreva lá isso.

E eu suspirei, escrevi, apaguei, voltei a escrever, voltei a apagar, reescrevi. Por fim, lá saiu qualquer coisa razoável. E por fim o livro saiu. Não sou daqui: eu vim num dorso de vaga, o título, é também um verso de um dos poemas (e não, não fui eu que o escolhi). Candeias Nunes, o autor, veio mais tarde a assinar também como António Candeias, mas coisas diferentes, possivelmente mais conhecidas por quem frequenta este blogue. Douda Correria, a editora, está presente na internet aqui, e a página relativa ao livro, onde se encontra um link para contactos e pedidos, é esta.

E assim, quase nove anos depois de nos ter deixado e uns sessenta depois de ter escrito estes versos, o meu velhote volta a poder ser lido por quem tiver curiosidade.

É a magia da palavra escrita.

sábado, 30 de março de 2019

Dia do livro independente

Há dias de tudo e mais umas botas por aí, já toda a gente sabe. Mas os dias relacionados com o livro parecem concentrar-se nesta altura do início da primavera do hemisfério norte, entre finais de março e todo o mês de abril. Hoje, 30 de março, é o dia do livro independente.


É uma iniciativa recente e razoavelmente oficiosa, nascida na Alemanha em 2013, mas parece-me interessante, apesar de haver alguma dificuldade em definir ao certo o que é um livro independente. Eles parecem adotar a versão mais lata, a de que livro independente é o livro editado por qualquer entidade que não faça parte de um grande grupo editorial, o que provavelmente vai das edições de autor a editoras estabelecidas e com anos de atividade como as portuguesas Saída de Emergência e Colibri ou a brasileira Draco, passando muito provavelmente pelas vanities (coisa de que a Colibri em certas ocasiões se aproxima, a bem dizer). São coisas muito, muito diferentes umas das outras, mas parece ser esse o âmbito que eles lhe dão.

Como não tenho tempo, influência e, francamente, paciência para tentar restringir um pouco mais o âmbito à coisa (se tivesse, a primeira coisa que faria seria excluir as vanities), pois que seja.

Mas isso quer dizer que toda a minha atividade literária tem sido feita no circuito independente, tanto as traduções como as edições de originais. E não tenho nenhum problema com isso, bem pelo contrário.

No entanto, a minha edição mais independente de todas é mesmo esta:


Foi tudo feito por mim, à parte a impressão propriamente dita. Mais independente do que isto, só mesmo tendo uma maquineta para imprimir livros.

E ainda há alguns exemplares por aqui. Querem um?

domingo, 3 de janeiro de 2016

PDF de Improbabilidades de Fecho já disponível

Conforme prometi no post em que dava conta do infinitamente provável fim do Infinitamente Improvável, a última (provavelmente) publicação deste e-zine seria uma versão em PDF da derradeira antologia que reúne os contos lá publicados, Improbabilidades de Fecho. Avisei nesse post que, como a paginação de um PDF é mais minuciosa do que a de um ficheiro preparado para e-readers, esta versão ainda demoraria algum tempo a ficar pronta. Pensava então em uma semana, mais coisa menos coisa; acabaram por ser só quatro dias.

Quem quiser regalar-se com 286 páginas de contos e comentários em PDF pode, portanto, dirigir-se ao sítio do costume, onde além dos habituais links para as versões em EPUB e em MOBI tem também um terceiro link para a versão em PDF. Só para esta antologia, claro; não faria sentido fazê-lo também para as duas primeiras, visto que o conteúdo delas está (quase) integralmente incluído nesta.

Apetece resmungar um bocado contra esta coisa de se ter sempre de preparar várias versões para cada ebook por não haver um formato realmente standard e generalizado que seja legível em todos os sistemas, mas vou deixar isso para outra ocasião.

E pronto, agora é que é. O Infinitamente Improvável fechou.

Provavelmente.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O infinitamente provável fim do Infinitamente Improvável

Como escrevi no texto que serve de prefácio ao ebook cuja capa está aqui ao lado, o Infinitamente Improvável foi um glorioso fracasso. Mas um glorioso fracasso que, apesar de o ser, teve o mérito de dar vazão a um número razoável de histórias que me deu muito gozo publicar. Isso chega?

Não, no caso deste projeto não acho que chegue, mesmo tendo em conta que sem ele, e sem algumas das histórias que nele foram publicadas e talvez tenham sido, ou talvez não, escritas de propósito, parte desta ficção nunca teria chegado a existir. Não chega porque o objetivo principal do projeto não foi alcançado, longe disso. Não chega, portanto, para evitar que considere o projeto um fracasso, embora chegue para achar que tinha a obrigação de lhe dar um fim condigno em vez de o deixar morrer simplesmente por falta de comparência como tantas vezes acontece na web.

Foi isso mesmo que fiz agora, com a publicação de duas últimas histórias e a compilação de todas as histórias publicadas enquanto o II se manteve vivo nesta derradeira antologia, acompanhadas por comentários individualizados, sempre que a extensão da história ultrapassa a vinheta, ou mais genéricos quando não.

São ao todo 29 contos, que decidi subdividir em 5 grupos, e 19 textos introdutórios em que procuro contextualizar o projeto e as histórias propriamente ditas, tanto nele como fora dele. Tudo isso foi compilado num ebook, disponível aqui, em duas versões, EPUB e MOBI (esta última é a que se usa no kindle, caso não saibam). Planeio ainda fazer uma versão em PDF, mas essa exige uma paginação mais minuciosa e ainda demorará algum tempo a ficar pronta. Avisarei quando ficar e será essa a última publicação do Infinitamente Improvável.

Ou por outra, é infinitamente provável que o seja, que nestas coisas do II nunca se pode dar certezas de nada. Foi giro enquanto durou e, na infinita improbabilidade de continuar a durar, giro continuará a ser.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Por Vós lhe Mandarei Embaixadores, o livro

Quem acompanhou a série sobre edição que vim publicando aqui na Lâmpada nos últimos tempos, terá possivelmente reparado nas fotos que a ilustraram. Todas, com a única exceção da que ilustra a página de índice, são fotografias de pormenores de páginas, capa, lombada, de um livro novo. Chama-se Por Vós lhe Mandarei Embaixadores, é romance, é meu, e a capa é esta:

Fazer esta edição em papel é um projeto já antigo, que deveria ter acontecido logo em 2008 mas, por uma série de vicissitudes, não avançou. Entretanto, foi-se passando o tempo, foram acontecendo coisas e, estranhamente, o livrinho foi ganhando cada dia mais atualidade mesmo que algumas das suas personagens subliminares tenham dado lugar a outras. Por isso mesmo, ao longo do verão passado, ao mesmo tempo que tive tempo para amadurecer as últimas ideias que vieram a desembocar na tal série sobre edição, tive-o também para me deixar de adiamentos, fazer uma última revisão global ao romance, desarrincar uma capa (que em papel é menos berrante do que aqui parece, embora o tema do livro calhe bem com uma capa berrante) e mandar imprimir uns quantos exemplares. A ideia era ter tudo pronto para o lançar no aniversário do meu velhote, a 30 de novembro, mas porque a vida me correu melhor do que estava à espera (não contava ter trabalho, e tive), não consegui preparar as coisas a tempo.

Tenho-as agora preparadas. E por isso apresento agora o livro a quem o quiser. Não é a altura ideal (loge disso, na verdade), mas foi a que se pôde arranjar. Fica a lição para o futuro: há que preparar as coisas com mais antecedência ainda.

Mas falemos do livro em si.

Como a capa diz, trata-se de uma sátira com cientistas loucos, extraterrestres drogados, políticos histéricos e pelo menos uma gaja boa. A contracapa tem elogios (inteiramente genuínos... coff coff...) ao autor e à obra. E o miolo tem o que foi publicado em 2007 e 2008 no blogue respetivo, que agora reabre como central de informações sobre a edição física, mas numa versão melhorada e ligeiramente ampliada, atualizada e acrescentada. Melhorada porque foram assassinadas implacavelmente dezenas de gralhas e foram reescritos parágrafos inteiros, que na versão primitiva estavam algo... primitivos. Atualizada porque a ortografia agora é outra. Acrescentada porque o livro em papel contém também uma breve introdução que explica a génese da coisa e um posfácio que faz parte integrante do todo mas nunca tinha sido publicado.

Quem quiser divulgá-lo tem lá no site uma sinopse (onde diz "sinopse", sim) e mais uma série de informações úteis também para quem quiser lê-lo. Mas vou acrescentar aqui mais uma:

Este livro é o primeiro que publicarei desta forma, mas não será o último. E pretendo fazer com eles outras formas de personalização, além das descritas no site do livro. Para já, são aquelas. Mas de futuro planeio descontos no segundo livro para quem comprou o primeiro, por exemplo. Concurso de melhor foto de leitor-com-livro com o segundo livro como prémio, por exemplo. Coisas dessas.

De hoje em diante, pretendo pôr cá fora, no mínimo, um livro por ano. É, entre outras coisas, uma forma de traçar um objetivo claro para a produção de ficção, embora nem todos os livros que tenciono lançar sejam de ficção. E embora esse objetivo seja uma média; pode haver anos em que publico dois livros, ou até três, pode haver anos em que não publico nenhum. E nem todos, espero, serão publicados desta forma.

Mas vou esforçar-me para estar bastante mais presente do que tenho estado até aqui, com lançamentos regulares de novidades. É uma promessa que faço a quem gosta do que eu escrevo. Eu sei que andam aí uns quantos.

sábado, 10 de agosto de 2013

Desafio Improvável à Urbe e à Orbe

Atenção, atenção, cidadãos e cidadãs, oriundos de Seca e Meca, do gigantone ao meia-leca! Tenho um desafio a propor-vos. Um desafio, notem bem, com prémio junto.

Então, como costuma dizer-se, é assim:

Desafio-vos a inspirar-se em qualquer dos contos que publiquei no Infinitamente Improvável e, com base nele, escreverem outro conto infinitamente improvável. Depois, cliquem no que lá irão encontrar e enviem-no, de preferência indicando que conto vos inspirou (embora suponha que isso deva ser quase sempre bastante óbvio). O(s) vosso(s) conto(s) estará(ão) sujeito(s) às regras gerais da publicação no ezine, motivo pelo qual se aconselha vivamente a consulta deste último link, e todos os que me parecerem publicáveis sê-lo-ão. O número de contos por autor depende apenas da criatividade de cada um. No fim do prazo, de entre os publicados ou ainda não publicados mas já selecionados para publicação será escolhido um, e apenas um, para receber o prémio. O critério de seleção será o mais simples possível: aquele de que eu gostar mais.

O prémio é segredo. Não vos direi qual é. Digo-vos apenas que é um objeto físico com valor monetário.

Os contos que vos podem servir de inspiração são os seguintes:
A estes contos, poderão, eventualmente, acrescentar-se outros, se publicar no II mais algum conto meu até ao fim do prazo. E por falar nisso, o fim do prazo é 30 de novembro próximo. Dá tempo mais que suficiente para fazer coisa enxuta.

Interessados? Então toca a escrever.

sábado, 18 de maio de 2013

A fauna no Infinitamente Improvável

Tenho andado a reparar numa tendência curiosa no material que chega e acaba publicado no Infinitamente Improvável: há por lá bicharada a dar com um pau.

A culpa é em parte minha, claro. Não só sou eu quem diz se as histórias sim ou sopas, como fui eu a inaugurar a presença de animais no ezine, com as ovelhas de Testemunhas. As intenções, juro, foram as melhores. Mas depois disso reincidi, com os mosquitos hipertecnológicos de Uma História Verdadeira, Segundo Quem ma Contou e o peixinho de prata radioativo de Quem Quer Ser Super-Herói?, o que não só já foi algo mal intencionado como me põe em primeiro plano no alinhamento dos culpados. Admito-o sem problemas. Ou com problemas, mas sem reservas. Mesmo que antes tenha aparecido O Gafanhoto do Álvaro Holstein. Mesmo assim.

Mas mais recentemente, a invasão animalesca tem sido um fartote. Especialmente sob a forma de ratazanas, oh, as ratazanas!, mas não só. E a culpa é de quem? De quem é? Do Miguel Hernâni Guimarães e da sua A Crise das Ratazanas, claro está, que eu tive de seguir com A Fome das Ratazanas. Teve mesmo de ser. E preparem-se porque o próximo conto a ser publicado também traz desses simpáticos bicharocos.

E com tanto roedor, até pode passar despercebida A Truta, do José Eduardo Lopes. Mas não devia, que não é lá por ser o primeiro peixe que merece menos atenção.

Ou seja, ele é mamíferos, ele é insetos, ele é peixes. Que virá a seguir? Passarada? Lagartagem? Alforrecas?

Atendendo aos antecedentes, já nada me surpreenderá.

E daí... se calhar surpreende.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Infinitamente Improvável apresenta...

Sim, sim, bem sei que já passa da meia-noite. Mas não dormi ainda, portanto para mim ainda é ontem... digo... hoje, 23 de abril de 2013. Dia mundial do livro e do direito de autor. Dia ideal, portanto, e cá na minha forma irreverente de ver as coisas, para apresentar aos meus leitores lampadinos que não têm contacto comigo por outras vias (sim, porque para esses isto já nada tem de novidade) esta edição que veem aqui ao lado, gratuita, com os direitos regidos por uma licença creative commons: Improbabilidades de Tempo Chuvoso 2012/2013 de seu improvável título, uma compilação dos contos publicados no Infinitamente Improvável entre outubro de 2012 e março de 2013 e...

... e de um artigo, meu, inédito e exclusivo, que versa sobre coisas muito relevantes para um dia do livro e do direito de autor, motivo pelo qual decidi fazer este post aqui hoje... ou ontem... enfim, vocês entendem. Passei o dia todo a trabalhar (e às voltinhas pela cidade a servir de chofer à família), não tive tempo, etc., patati e patata. Tenho essa desculpa pelo atraso de uma hora e picos, e acho que é boa. Adiante.

Eis alguns excertos para perceberem porque acho o artigo relevante. Por exemplo, ele começa assim:
Se alguma coisa nos ensina a pirataria é que a nova paisagem digital não espera por retardatários. As coisas acontecem à velocidade das redes interconectadas de que se vai construindo rapidamente o futuro. E a nossa escolha é só entre aceitarmos esse facto como algo tão banal como a probabilidade de nos chover em cima ao sairmos para a rua, ou tentarmos fechar-nos e às nossas coisas em cofres, cofrezinhos e cofrezões em que alguém, algures, irá acabar por arranjar maneira de entrar se tiver nisso interesse suficiente.
E se o que fizermos for bom, alguém acabará de certeza por ter nisso interesse suficiente.
Esta é uma lição que o mundo da literatura está prestes a aprender. [...]
Mais à frente, digo isto:
É certo que é no mínimo violentamente antiético estar-se a pôr e a dispor do fruto do trabalho dos artistas sem autorização ou até conhecimento destes, causando-lhes muitas vezes prejuízos de monta, mas também é certo que há fartura de casos de abuso, pela parte empresarial da indústria, das boas ideias que estão por trás dos direitos de cópia. Nada é simples. No admirável mundo novo da cultura digital, tudo é complexo e multifacetado e ninguém consegue ter consigo toda a razão.
E mais à frente...
Ou seja: o risco aparente que a disponibilização das coisas em digital encerra, o de que seja muito fácil roubá-las, é bastante menor do que parece à primeira vista e menor se vai tornando à medida que elas se disseminam. A cópia, por paradoxal que pareça, protege o autor. Especialmente se for uma cópia ética, com a autoria e a proveniência devidamente identificadas. A reutilização de ideias, ambientes e personagens, se devidamente identificada, também. Mas a grande maioria dos autores não tem disto uma compreensão completa.
Já perceberam. Eu sei que já.

Mas além deste artigo há mais motivos de interesse na antologiazinha. Um conto do Gerson Lodi-Ribeiro, um dos grandes escritores de FC do Brasil, um conto meu, mais um conto potente do Miguel Hernâni Guimarães e dois continhos do João Ventura com a sua habitual mistura de ironia e economia de meios. É possível que já os tenham lido, ou que prefiram lê-los na web. Tudo bem. Nesse caso, têm no artigo a vossa desculpa para baixarem o elivro para os vossos sistemas. Está aqui, por cima da primeira destas compliações, em formatos EPUB e MOBI.

Boas leituras. E boas reflexões, também.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Uma minúscula janelinha sobre um grande território

Esta imagem que aqui veem ao lado é a capa da Antologia Fénix, Volume I, uma antologia de vinhetas e mini-contos, em ebook, que pode ser descarregada ou lida aqui. Tenho lá uma vinhetazinha, concluída em menos de uma hora de trabalho total, entre conceção, escrita e revisões. Provavelmente precisaria de mais algum tempo para ficar inteiramente a meu gosto, mas o prazo era curtíssimo, o espaço também, e não deu para melhor.

Para já.

Nada me impede de fazer uma segunda versão. Ou uma terceira, ou as que forem precisas.

É uma história de ficção científica, intitulada Miel Lê, sobre... alguém que lê. Mas a leitura do Miel não é exatamente a leitura que vocês estão a fazer agora, muito menos aquela que fazemos todos quando tiramos os olhos de écrans e os fazemos cair sobre papel. É outra coisa.

Uma hora, disse-vos eu? Sim, foi uma hora, mas não está nessa hora contida toda a história. É que aí só cabe uma minúscula parte de um todo muito, muitíssimo, maior.

Acontece que há anos ando a desenvolver aos poucos um cenário de FC bastante vasto, distribuído por vários mundos e até por várias estrelas. Ainda me falta arranjar um bom nome para esse universo; por vezes parece que já está, de outras surge-me outra ideia que me parece melhor, mas pouco depois já não a acho grande coisa e volto à primitiva. Ou a outra. Mas o nome é o menos; há bastante worldbuilding já feito e até várias histórias ambientadas nesse cenário, umas já parcialmente passadas a texto, outras ainda exclusivamente guardadas no grande e empoeirado baú de histórias que é esta minha cabeça. Mas até este momento eram todas histórias razoavelmente grandes. E isso comigo significa que levam eternidades a ficarem concluídas. Ou seja: ainda não concluí nenhuma.

Até este momento. Miel Lê — curiosamente a primeira ideia que tive para uma história passada no planeta Bemia... que foi um dos primeiros a serem caracterizados — inaugura a fase de revelação. Talvez seja um estímulo para me dedicar mais às outras.

E uma delas até é romance e tudo...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Improbabilidades de Verão

Já que divulguei por uma série de outros sítios, não custa nada divulgar também aqui. Publiquei, através do Infinitamente Improvável, a compilação Improbabilidades de Verão 2012, que reúne em ebook (formatos MOBI e EPUB) os contos publicados durante os meses de verão no zine. Para quem não conhece a ideia, trata-se de contos com um tema comum: aquilo que é infinitamente improvável. Ou, por outras palavras, o impossível. Algo assim.

Os treze contos incluídos nesta primeira compilação — sim, que a ideia é fazer uma destas compilações por trimestre, desde que haja textos para tal — têm uma pegada insólita, surrealista e de humor razoavelmente forte, embora sejam bastante mais variados do que isto poderá levar a crer. Há dois ou três que estão bem perto (ou bem dentro) da ficção científica, há pelo menos um que é realismo mágico quase puro, há outros dois ou três de horror, etc.

A ideia de fazer esta que é, na prática, uma pequena antologia, surgiu por eu ter constatado que os kindles — e provavelmente outros tablets também — não lidavam lá muito bem com os textos conforme se apresentavam no blogue. E como otimizá-los um a um, criando um ebook para cada conto, era impraticável devido ao trabalho que isso dava e à existência de alguns contos muito curtos, acabei por decidir que o melhor era juntá-los de três em três meses, arranjar uma capa minimamente catita, e resolver assim o problema.

A proposta do site é publicar um conto por semana, mais coisa menos coisa. Se for cumprida, o que depende de mim e do material que me for enviado, dá para editar um ebookzito destes a cada três meses com cerca de doze contos lá dentro. Este primeiro, se fosse um livro físico, teria umas 70 páginas. Já são umas horinhas de leitura. E o melhor é ser inteiramente "grátes"!

Quem quiser obter o ebook pode encontrá-lo aqui. Este e os mais que se venham a publicar no futuro.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

E ele cresce...

Parece que foi ontem que falei pela última vez do Infinitamente Improvável aqui na Lâmpada, mas a verdade é que não foi. Se fosse ontem, o mais certo seria o site estar precisamente na mesma; como não foi, não está. Na verdade, duplicou de tamanho desde então. Em vez dos cinco contos que tinha naquela altura, tem agora dez.

Começou por crescer com um continho meu, Testemunhas, sobre umas ovelhinhas que me vieram bater à porta enquanto eu estava a almoçar. É uma coisa que me chateia, que ovelhas me venham bater à porta enquanto eu estou a almoçar, de modo que escrevi o conto. Depois, mantendo-se em volta das refeições (o que já é uma forma de diálogo, suponho), cresceu com um continho do Tiago Martins Gama, adequadamente intitulado O Jantar, sobre um momento de perplexidade familiar. Seguiu-se O Gafanhoto, um conto um pouco mais extenso, de Álvaro de Sousa Holstein, no qual Zeus, ou algo por ele, resolve proteger a bicharada rastejante da forma mais radical possível. O conto seguinte veio do Brasil, o que fica claro logo no título: O Pacto Macabro da Velha Antonha. Ôxente! Parece que vem lá coisa braba, visse? E veio mesmo, que o Afonso Luiz Pereira faz um belo tratamento do dialeto nordestino que forçou aqui o pobre editor a matutar sobre como fazer com que algo de semelhante a notas de rodapé funcionasse em hipertexto. Acho que não me saí mal da empreitada, mas o importante é mesmo o conto. E por falar em conto, já só falta falar aqui do décimo, A Rapariga de Areia, de G. B. Nunes. É um conto que se vai inspirar no realismo mágico e, provavelmente, na época estival que atravessamos.

São todos contos que se enquadram na proposta do zine: escrever sobre o infinitamente improvável. Mas confesso que, tomados em conjunto, não estão a corresponder inteiramente ao que eu tinha em mente para o zine. Ainda não decidi se acho isso bom ou não. Seja como for, não vou recusar bons contos que respeitam a proposta só porque não a respeitam exatamente como eu estava à espera. O máximo que farei, se o chegar a fazer, será publicar contos meus que se aproximem mais do que queria, para ver se inspiram a malta.

E, por falar nisso, continua sem haver o tal diálogo. Tirando a coincidência de terem sido publicados consecutivamente dois contos com ambientes domésticos e centrados em refeições (e não passa de coincidência; o conto do Tiago já estava escrito antes do meu ser publicado), não me chegou ainda nenhum inspirado noutro dos contos II. Os motivos? Vocês saberão quais são. Mas o que eu quero mesmo saber é: quem será o primeiro a atrever-se? Hm? Quem será o destemido?

Não me obriguem a ser eu, vá lá.