Quem acompanha a Lâmpada com regularidade certamente saberá que gastei os tempos livres que fui tendo ao longo de cerca de uma semana a dissecar o Vocabulário da Mudança, para tentar perceber o que há de verdade e o que há de mentira em toda a propaganda anti-nova ortografia que tem vindo a lume nos últimos tempos dando conta de uma pretensa divergência ortográfica gerada por ela.
Quem não acompanha aqui o meu velho bloguezinho, no entanto, provavelmente só terá tomado contacto com essa análise através de um artigo em que resumi os resultados principais e que o jornal Público acabou por publicar. Para surpresa minha, há que dizê-lo, dada a consabida sanha anti-nova ortografia de que esse jornal tem dado vastas provas desde que as mudanças começaram a sair da teoria legislativa e a ganhar lugar na vida prática dos falantes e escreventes de português.
O artigo no Público, contudo, está atrás da pagarede (que tal este neologismo para substituir paywall? Podem usar à vontade) do jornal. Mas como o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa tem vindo a republicar todos os tipos de artigos sobre a controvérsia, achei que seria boa ideia mandar-lho, e eles, claro, publicaram-no.
Depois surgiu uma questão: eu tinha feito uma análise muito mais detalhada do que aquilo que, por constrangimentos de espaço, foi possível incluir no artigo enviado para o Público. Não seria boa ideia dar aos interessados uns lamirés sobre os mais relevantes desses resultados? Está certo que eles já estavam publicados aqui na Lâmpada, mas se os resultados gerais chegaram à muito maior visibilidade do Ciberdúvidas, não seria boa ideia que os detalhes principais também chegassem? Achei que sim. E o pessoal do Ciberdúvidas também. Portanto escrevi um artigo complementar, que também foi publicado no Ciberdúvidas, com aquilo que me parecia mais necessário dizer sobre este assunto.
Entretanto, no post que deu início à divulgação da análise aqui na Lâmpada voluntariei-me para fornecer a folha excel com os resultados a qualquer um que ma pedisse. Até agora, só duas pessoas o fizeram. Uma levou-a ainda numa fase inicial da análise, a outra levou-a já completa.
Não posso dizer que isso me surpreenda.
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domingo, 3 de março de 2013
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Conflito e conteúdo segundo Rui Tavares
Sejam quais forem as outras qualidades que tem, que as terá certamente com fartura, Rui Tavares é acima de tudo um excelente cronista. Nos últimos tempos, sem dúvida fruto da campanha eleitoral e da montanha de trabalho que imagino que terá tido para se preparar para ocupar o seu lugar no Parlamento Europeu, tem-me parecido que tem descurado um pouco as crónicas no Público, mas na de hoje voltou ao seu melhor nível. E é de facto um nível muito elevado.
Quando a publicar no blogue, coisa que que costuma acontecer poucos dias depois da edição no jornal, farei aqui o link que lhe é devido, mas até lá não resisto a citar um par de passagens:
Como seria de esperar, ele passa destas considerações gerais para o campo político, e fá-lo de uma forma soberba. Se puderem, não deixem de ler.
Excelente, Rui. Simplesmente magnífico.
Adenda: e já lá está. Podem ir ler.
Quando a publicar no blogue, coisa que que costuma acontecer poucos dias depois da edição no jornal, farei aqui o link que lhe é devido, mas até lá não resisto a citar um par de passagens:
"Todos nós somos mais complexos individualmente do que em interacção com os outros. Quer dizer que as nossas ideias são mais vagas, mais confusas e menos concretas do que quando nos colocamos em conflito. Em conflito, de repente, já todos nós somos certezas, vontades inequívocas e dogmas. Basta haver uma discussão para nos revelarmos assim.
[...]
Não paramos para nos perguntarmos "se somos tão diferentes como pode ser que lutamos pela mesma coisa?" Não; enquanto se calcificam em nós as certezas sobre as nossas próprias qualidades, o adversário vai já adquirindo na nossa cabeça características cada vez mais condenatórias."
Como seria de esperar, ele passa destas considerações gerais para o campo político, e fá-lo de uma forma soberba. Se puderem, não deixem de ler.
Excelente, Rui. Simplesmente magnífico.
Adenda: e já lá está. Podem ir ler.
domingo, 19 de julho de 2009
Eu e a Lua
Já sou suficientemente velho para ter assistido à alunagem da Apollo na televisão, mas sou novo demais para me lembrar dela. Sei que a vi porque os meus pais mo disseram, e porque fui encontrar, anos mais tarde, um desenho infantilíssimo que só podia ser a minha tentativa de representar o módulo lunar, com o seu aspeto anguloso, com as suas pernas rematadas por apoios circulares (embora no desenho fossem só três, em vez de quatro), com as suas proporções razoavelmente corretas. Mas de nada me lembro, ou pelo menos sou incapaz de decidir se as imagens que tenho na memória têm alguma coisa a ver com os acontecimentos em direto, se são apenas reminiscências da miríade de fotografias e vídeos desfocados que vi mais tarde.
Hoje, que o planeta comemora os 40 anos da Apollo com um aparato mediático que contrasta com o quase silêncio de há 10 anos, dou por mim algo incomodado. Este post é uma tentativa de perceber porquê.
Em primeiro lugar há o óbvio: todas as histerias mediáticas me incomodam. E embora esta seja bem mais contida e o acontecimento bem mais merecedor do que a vida do Cristiano Ronaldo ou o desaparecimento da pequena Maddie, vejo nela algumas das mesmas características. Não me verão a desabafar com um "Arre! Já chega!" a propósito da Apollo, mas sinto o mesmo incómodo que me levou a fazê-lo relativamente a outros excessos mediáticos, ainda que numa concentração mais diluída.
Mas não é só isso.
A verdade é que nunca fui grande fã do programa Apollo. Sim, o Homem pisou outro corpo celeste, caminhou por ele, deixou lá aparelhos científicos que continuam ainda hoje a fornecer dados, recolheu amostras e trouxe-as para a Terra para serem aqui estudadas. Houve ciência importante a nascer com e do programa Apollo, e houve também desenvolvimentos tecnológicos que nos beneficiaram a todos. Mas a verdade é que nunca foi esse o objetivo primordial. O grande objetivo era, desde o início, militar e de propaganda. O programa Apollo foi filho da Guerra Fria e do facto dos soviéticos terem tomado a dianteira da "conquista" do espaço (até aqui a terminologia é bélica) com o lançamento do Sputnik e a colocação em órbita dos primeiros cosmonautas. O programa Apollo nasceu porque os americanos precisavam de algo espetacular que pudessem brandir, dizendo: OK, vocês fizeram isso, nós fizemos isto, que é melhor. E mais: pôr um pé na Lua era um primeiro passo necessário para eventuais reivindicações territoriais. Nunca chegaram a concretizar-se (pelo menos por enquanto — se a indústria espacial privada se desenvolver o suficiente para conseguir chegar à Lua temos em mãos um problema sério), mas podem ter a certeza de que não deixaram de ser ponderadas por muita gente. Não é certamente por acaso que o Tratado do Espaço Exterior, que proíbe reivindicações territoriais no espaço, foi assinado em 1967, meros dois anos antes da primeira alunagem.
Isso, no entanto, ainda é o menos. O realmente mau é que o programa Apollo é precisamente o contrário do que deve ser feito para desenvolver uma presença sustentada fora da Terra, e isso é o que realmente me interessa quando está em causa a presença do Homem em órbita ou noutros corpos celestes. Como o objetivo era de curto prazo, nunca se pensou a longo prazo. É verdade que se aprendeu a levar gente lá e a trazê-la de volta, mas nada foi feito para pensar em termos de futuras bases, métodos industriais que pudessem funcionar in loco, maneiras de produzir provisões que reduzissem a dependência relativamente ao planeta-mãe, etc. Foi-se apenas lá. Na verdade, assim que a primeira alunagem aconteceu, a NASA começou a reduzir pessoal. O "salto de gigante para a Humanidade" apregoado por Neil Armstrong (e não tenho dúvidas de que ele acreditava realmente no que estava a dizer) não passou dum saltinho. Ter ido à Lua em 1969 é um pouco como se os portugueses tivessem iniciado os seus séculos de exploração e expansão visitando a Madeira apenas para dizer infantilmente aos espanhóis "encontrámos umas ilhas e vocês não, toma-toma!" Cumprido o objetivo propagandístico, resolvidas as eventuais pretensões territoriais com o Tratado do Espaço Exterior, solucionados os problemas políticos, a Lua foi basicamente abandonada. O programa Apollo, que começou em triunfo, terminou quase em fiasco.
Quase. Porque houve algo que o programa Apollo nos deu, algo que não estava nos planos dos políticos e militares que o planearam, algo que na realidade está em completa oposição à filosofia que presidiu a todo o programa, algo que pode ser resumido nesta imagem:

O nascimento da Terra sobre o horizonte lunar, a visão do lar de todos nós como uma bola azulada a erguer-se sobre um horizonte desolado juncado de crateras, foi uma das mais poderosas sementes dos movimentos pela paz e dos movimentos ecologistas que, embora frequentemente com origens anteriores, começaram a conhecer um aumento rápido na sua adesão a partir dos finais dos anos 60 e nos anos 70. A consciencialização de que todos vivemos no mesmo planeta, e de que este não passa duma esfera que, no grande esquema das coisas, é bastante insignificante, entrou em muitas cabeças a partir destas imagens das naves Apollo. E é este o mais importante legado da alunagem de há 40 anos que comemoramos agora. A alunagem em si mesma, aquilo que ela significou para a exploração do nosso satélite, foi, a longo prazo, mais desapontamento do que triunfo. Mas a mudança não planeada que ajudou a operar no modo como vemos o lugar da nossa espécie no Universo pode conter a chave do nosso futuro.
E é por isso que me sinto ambivalente relativamente ao programa Apollo e mais ainda às atuais comemorações. Não vejo este aspeto a ser referido com a frequência que acho desejável; vejo principalmente triunfalismo, palavras de circunstância sobre a proeza, um fechar de olhos voluntário relativamente às zonas escuras das circunstâncias que a geraram. E isso, essa mitificação do passado, é o primeiro passo para as amnésias voluntárias que tanto mal costumam causar.
Hoje, que o planeta comemora os 40 anos da Apollo com um aparato mediático que contrasta com o quase silêncio de há 10 anos, dou por mim algo incomodado. Este post é uma tentativa de perceber porquê.
Em primeiro lugar há o óbvio: todas as histerias mediáticas me incomodam. E embora esta seja bem mais contida e o acontecimento bem mais merecedor do que a vida do Cristiano Ronaldo ou o desaparecimento da pequena Maddie, vejo nela algumas das mesmas características. Não me verão a desabafar com um "Arre! Já chega!" a propósito da Apollo, mas sinto o mesmo incómodo que me levou a fazê-lo relativamente a outros excessos mediáticos, ainda que numa concentração mais diluída.
Mas não é só isso.
A verdade é que nunca fui grande fã do programa Apollo. Sim, o Homem pisou outro corpo celeste, caminhou por ele, deixou lá aparelhos científicos que continuam ainda hoje a fornecer dados, recolheu amostras e trouxe-as para a Terra para serem aqui estudadas. Houve ciência importante a nascer com e do programa Apollo, e houve também desenvolvimentos tecnológicos que nos beneficiaram a todos. Mas a verdade é que nunca foi esse o objetivo primordial. O grande objetivo era, desde o início, militar e de propaganda. O programa Apollo foi filho da Guerra Fria e do facto dos soviéticos terem tomado a dianteira da "conquista" do espaço (até aqui a terminologia é bélica) com o lançamento do Sputnik e a colocação em órbita dos primeiros cosmonautas. O programa Apollo nasceu porque os americanos precisavam de algo espetacular que pudessem brandir, dizendo: OK, vocês fizeram isso, nós fizemos isto, que é melhor. E mais: pôr um pé na Lua era um primeiro passo necessário para eventuais reivindicações territoriais. Nunca chegaram a concretizar-se (pelo menos por enquanto — se a indústria espacial privada se desenvolver o suficiente para conseguir chegar à Lua temos em mãos um problema sério), mas podem ter a certeza de que não deixaram de ser ponderadas por muita gente. Não é certamente por acaso que o Tratado do Espaço Exterior, que proíbe reivindicações territoriais no espaço, foi assinado em 1967, meros dois anos antes da primeira alunagem.
Isso, no entanto, ainda é o menos. O realmente mau é que o programa Apollo é precisamente o contrário do que deve ser feito para desenvolver uma presença sustentada fora da Terra, e isso é o que realmente me interessa quando está em causa a presença do Homem em órbita ou noutros corpos celestes. Como o objetivo era de curto prazo, nunca se pensou a longo prazo. É verdade que se aprendeu a levar gente lá e a trazê-la de volta, mas nada foi feito para pensar em termos de futuras bases, métodos industriais que pudessem funcionar in loco, maneiras de produzir provisões que reduzissem a dependência relativamente ao planeta-mãe, etc. Foi-se apenas lá. Na verdade, assim que a primeira alunagem aconteceu, a NASA começou a reduzir pessoal. O "salto de gigante para a Humanidade" apregoado por Neil Armstrong (e não tenho dúvidas de que ele acreditava realmente no que estava a dizer) não passou dum saltinho. Ter ido à Lua em 1969 é um pouco como se os portugueses tivessem iniciado os seus séculos de exploração e expansão visitando a Madeira apenas para dizer infantilmente aos espanhóis "encontrámos umas ilhas e vocês não, toma-toma!" Cumprido o objetivo propagandístico, resolvidas as eventuais pretensões territoriais com o Tratado do Espaço Exterior, solucionados os problemas políticos, a Lua foi basicamente abandonada. O programa Apollo, que começou em triunfo, terminou quase em fiasco.
Quase. Porque houve algo que o programa Apollo nos deu, algo que não estava nos planos dos políticos e militares que o planearam, algo que na realidade está em completa oposição à filosofia que presidiu a todo o programa, algo que pode ser resumido nesta imagem:

O nascimento da Terra sobre o horizonte lunar, a visão do lar de todos nós como uma bola azulada a erguer-se sobre um horizonte desolado juncado de crateras, foi uma das mais poderosas sementes dos movimentos pela paz e dos movimentos ecologistas que, embora frequentemente com origens anteriores, começaram a conhecer um aumento rápido na sua adesão a partir dos finais dos anos 60 e nos anos 70. A consciencialização de que todos vivemos no mesmo planeta, e de que este não passa duma esfera que, no grande esquema das coisas, é bastante insignificante, entrou em muitas cabeças a partir destas imagens das naves Apollo. E é este o mais importante legado da alunagem de há 40 anos que comemoramos agora. A alunagem em si mesma, aquilo que ela significou para a exploração do nosso satélite, foi, a longo prazo, mais desapontamento do que triunfo. Mas a mudança não planeada que ajudou a operar no modo como vemos o lugar da nossa espécie no Universo pode conter a chave do nosso futuro.
E é por isso que me sinto ambivalente relativamente ao programa Apollo e mais ainda às atuais comemorações. Não vejo este aspeto a ser referido com a frequência que acho desejável; vejo principalmente triunfalismo, palavras de circunstância sobre a proeza, um fechar de olhos voluntário relativamente às zonas escuras das circunstâncias que a geraram. E isso, essa mitificação do passado, é o primeiro passo para as amnésias voluntárias que tanto mal costumam causar.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Metamorfose
Portugal é o rei do bócia
Portugal é o rei do bócio
Portugal é o rei do ócio
Brinco, mas é assim que aparecem os boatos.
Para que de boato se chegue a notícia, porém, é preciso dar mais um passo:
Portugal é o rei do ódio
Portugal é o rei do bócio
Portugal é o rei do ócio
Brinco, mas é assim que aparecem os boatos.
Para que de boato se chegue a notícia, porém, é preciso dar mais um passo:
Portugal é o rei do ódio
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
A imprensa que temos
Complementando de certa forma este magnífico post do Daniel Oliveira acerca do momento mediático que atravessamos em Portugal, transfiro para aqui a maior parte de um comentário que deixei há dias num dos meus blogues preferidos (yes, I'm a sucker for space stuff. So?). Mais genérico e não tão focado nas "ondas mediáticas" de que o Daniel fala, parece-me que aponta para outro sintoma do mesmo problema. Cá vai:
Uma das maiores perversões da imprensa livre é que publica (livremente) seja o que for que lhe é fornecido sob a forma de "última hora", sem se preocupar em confirmar os factos, por medo de perder a manchete. No que toca à propaganda de curto prazo é precisamente tão indigna de confiança como a imprensa controlada. Mas como é "livre", as pessoas tendem a acreditar nela, o que não acontece quando se sabe que existe censura. E o que isto quer dizer é que a "imprensa livre" é mais eficiente como meio de distorcer a percepção pública dos factos do que a imprensa controlada.
O nosso mundo é do caraças, não é?
Eu tenho uma regra: não aceito como verdade seja o que for que apareça como "notícia" a respeito de situações em desenvolvimento. Até que essas "notícias" sejam confirmadas por relatórios independentes, é tão provável que sejam informação como desinformação.
Só gostaria que mais gente fizesse o mesmo.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Receita para ter posts republicados no Público
1. Pegar numa piada de internet que circulou por todo o lado há mais de um ano;
2. Fazer-lhe umas alterações, tirando-lhe parte da piada e adaptando-a ao gosto ideológico da direcção do jornal;
3. Publicar no blogue.
É tiro e queda. E se alguém tem dúvidas, veja o Público de hoje.
2. Fazer-lhe umas alterações, tirando-lhe parte da piada e adaptando-a ao gosto ideológico da direcção do jornal;
3. Publicar no blogue.
É tiro e queda. E se alguém tem dúvidas, veja o Público de hoje.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
A informação da RTP, afinal, é nacional ou regional?
Todos os anos, a World Press Photo traz a Portugal os vencedores do seu prémio de fotojornalismo. Todos os nos acontece uma exposição das fotografias vencedoras nas várias categorias, que deambula pelo país, primeiro aqui, depois ali, logo acolá. O certame é relevante, e todos os anos recebe a atenção devida por parte dos media.
O curioso é que todos os anos a exposição vem primeiro a Portimão e só depois parte para Lisboa. Pensar-se-ia que um órgão de informação que fosse realmente nacional daria a notícia da inauguração da exposição em Portugal, fosse qual fosse o primeiro sítio onde ela é inaugurada. Pois, mas não. Só soube que a exposição esteve em Portimão porque vivo cá: na RTP, nem sinal dessa informação. Talvez por andar demasiado entretida com as eleições em... Lisboa, todos os dias a desperdiçar alguns 20 minutos de tempo de antena perfeitamente irrelevantes para 90% do país?
E por falar em Lisboa, parece que agora a exposição foi inaugurada por lá. Disse-mo o serviço noticioso (regional?) da RTP. Obrigadinho, mas não me interessa: já cá esteve.
PS - E não é só a RTP que parece ser uma emissora regional. O Público também dá ares de jornal regional de Lisboa e arredores: fez precisamente a mesma coisa.
O curioso é que todos os anos a exposição vem primeiro a Portimão e só depois parte para Lisboa. Pensar-se-ia que um órgão de informação que fosse realmente nacional daria a notícia da inauguração da exposição em Portugal, fosse qual fosse o primeiro sítio onde ela é inaugurada. Pois, mas não. Só soube que a exposição esteve em Portimão porque vivo cá: na RTP, nem sinal dessa informação. Talvez por andar demasiado entretida com as eleições em... Lisboa, todos os dias a desperdiçar alguns 20 minutos de tempo de antena perfeitamente irrelevantes para 90% do país?
E por falar em Lisboa, parece que agora a exposição foi inaugurada por lá. Disse-mo o serviço noticioso (regional?) da RTP. Obrigadinho, mas não me interessa: já cá esteve.
PS - E não é só a RTP que parece ser uma emissora regional. O Público também dá ares de jornal regional de Lisboa e arredores: fez precisamente a mesma coisa.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Não muito bem citado
Hoje vem o meu nome no suplemento Ípsilon do Público. Está razoavelmente escondido no meio de um artigo intitulado "O Toque de Midas", sobre Stephen King, assinado pela jornalista Dulce Furtado. Diz que eu disse o seguinte: "[Carrie] se fosse filmado de outra forma, noutra altura, muito provavelmente ter-se-ia tornado num trash movie". E que King é "um escritor bom mas não tão excepcional para justificar todo o alarido que provoca".
A primeira citação está correcta. A segunda nem por isso.
É que o que eu lhe disse foi que o sucesso de King se explica pelo talento (e expliquei que o homem é magnífico na criação de personagens e na descrição dos seus ambientes característicos da Nova Inglaterra) mas também pela sorte que teve na carreira, que a ligação ao cinema ajudou muito, que se Carrie não tivesse acabado como filme de culto - porque foi bem filmado, e na altura certa - provavelmente a carreira de King teria sido bem diferente, e que acho que ele merece o sucesso que tem, mas há muitos outros autores que o mereceriam tanto como ele, mas não o têm porque não tiveram a sorte que ele teve.
Conheço, compreendo e aceito a necessidade de resumir (também já fui jornalista), mas julgo que pôr na minha boca palavras que não disse e que nem sequer reflectem bem o sentido do que disse não será a melhor forma de satisfazer essa necessidade. Não é grave, mas visto que posso rectificar, rectifico.
A primeira citação está correcta. A segunda nem por isso.
É que o que eu lhe disse foi que o sucesso de King se explica pelo talento (e expliquei que o homem é magnífico na criação de personagens e na descrição dos seus ambientes característicos da Nova Inglaterra) mas também pela sorte que teve na carreira, que a ligação ao cinema ajudou muito, que se Carrie não tivesse acabado como filme de culto - porque foi bem filmado, e na altura certa - provavelmente a carreira de King teria sido bem diferente, e que acho que ele merece o sucesso que tem, mas há muitos outros autores que o mereceriam tanto como ele, mas não o têm porque não tiveram a sorte que ele teve.
Conheço, compreendo e aceito a necessidade de resumir (também já fui jornalista), mas julgo que pôr na minha boca palavras que não disse e que nem sequer reflectem bem o sentido do que disse não será a melhor forma de satisfazer essa necessidade. Não é grave, mas visto que posso rectificar, rectifico.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Queixo-me à Deco?
Fui buscar um Público, deram-me um P. Podem roubar-me o úblico assim sem mais nem menos?
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Se fosse em Lisboa...
Mas não foi nem em Lisboa nem no Porto, de modo que se não fosse este blog ninguém saberia. Tal como ninguém soube quando, há um par de meses, outras duas árvores desabaram da mesma forma na mesma rua, ou quando, pouco antes do natal, e ainda na mesma rua, um apartamento ardeu por completo porque a velhota saiu esquecendo-se da comida ao lume. Nem sombra de notícia em nenhum sítio, pois estas coisas não se passaram em Lisboa ou no Porto. Passaram-se na minha rua, que macacos me mordam se não é uma rua bestialmente atreita a peripécias, por mais que as televisões as ignorem.
(E não, nenhum destes acontecimentos me afetou a mim, pessoalmente, de nenhuma forma. Esclareço caso estejam curiosos)
sábado, 3 de fevereiro de 2007
Isto tem MESMO que ser lido
Eu nunca faço isto, e sou mesmo contra, por princípio, a que se faça isto, mas por uma vez sem exemplo abro uma excepção e republico um texto alheio sem pedir licença nem ao autor nem ao lugar onde ele veio publicado (como forma de minorar a prevaricação, vão links para os sites de ambos lá no fim). Porque concordo com cada letra, vírgula e espaço e, mais importante, porque é indispensável que, perante a monumental e torpe campanha de desinformação a que temos assistido por parte dos pró-prisão, textos como este sejam lidos, relidos e voltados a ler. Muitas vezes. Por muita gente.
Uma pergunta directa para uma resposta honesta
A pergunta a que vamos responder no referendo do próximo dia 11 é compreensível para qualquer pessoa que saiba ler e isso é algo que nenhum contorcionismo político ou gramatical poderá mudar. "Concorda com a despenalização..." A despenalização é, evidentemente, a palavra-chave desta pergunta. é talvez surpreendente, mas o referendo do próximo dia 11 não é acerca de quem gosta mais de bebés, tal como não é acerca de quem mais respeita o sofrimento das mulheres. A pergunta do referendo também não é "dê, por obséquio, o seu palpite acerca de quando é que a alma entra no corpo dos seres humanos", matéria que sempre intrigou os teólogos. Não é acerca de quem gosta de fazer abortos e quem gosta de dar crianças para orfanatos. Por isso e acima de tudo, devo confessar que sofro de cada vez que ouço na televisão jornalistas falarem dos dois campos em debate como o "sim ao aborto" e o "não ao aborto".
Numa pergunta que começa com aquele "concorda com a despenalização", os dois votos possíveis não se dividem em pró-aborto e antiaborto, e muito menos pró-escolha e pró-vida. Os que respondem "sim" à pergunta são "pró-despenalização". Os que respondem "não" são "pró-penalização" (ou "antidespenalização", o que é forçosamente ser a favor da penalização). Tudo o mais é responder com alhos a uma pergunta sobre bugalhos, e qualquer chefe de redacção deveria saber isso. "... da interrupção voluntária da gravidez...". Até agora sabemos que a pergunta é sobre despenalizar, mas ainda não falámos de quê. Há quem tenha problemas com a expressão "interrupção voluntária da gravidez" por considerá-la um eufemismo, mas acontece que é a fórmula correcta para designar um aborto não-natural, não-espontâneo.
Mesmo assim, isto não atrapalha o debate: toda a gente parte do princípio de que IVG é aquilo que, em linguagem corrente, genérica e imprecisa, chamamos "aborto". Os problemas surgem quando nos aproximamos da segunda parte da pergunta. "... se realizada, por opção da mulher". No mundo real, o que quer dizer esta parte da pergunta? Quer dizer que a concordância com a despenalização da IVG deve ser dada (apenas e só) no pressuposto de que ela seria realizada por opção da mulher. Basicamente, significa que se uma mulher for forçada a abortar por uma terceira pessoa, esse aborto é crime e essa tal terceira pessoa será punida. Quer dizer que, se fulano apanhar uma mulher grávida, a anestesiar e lhe interromper a gravidez, não poderá eximir-se respondendo que "o aborto foi despenalizado", precisamente porque graças à segunda parte da pergunta o aborto só é despenalizado se for por opção da mulher. No mundo do "não", porém, esta parte da pergunta é a que causa mais engulhos. Percebe-se porquê. "Por opção da mulher"? A mulher, grávida de poucas semanas, a tomar uma decisão? Sozinha? Deve haver aqui qualquer coisa de errado.
Quando se lhes retorque que não poderia ser por opção de outra pessoa, e se lhes pergunta quem queriam então que fosse, a informação não é computada. Algures, de alguma forma, teria de haver alguém mais habilitado para tomar a decisão. O pai? O médico? O Estado? Então e se qualquer deles achasse que a mulher deveria abortar, contra a vontade desta? Pois é. é precisamente por isso que aquele inquietante "por opção da mulher" ali está. "...nas primeiras dez semanas...". Aborto livre, grita o "não"! Aqui está a prova, o aborto é livre até às dez semanas! Ora, meus caros amigos, o limite de dez semanas significa precisamente que o aborto não é livre... Ou o facto de só se poder andar até 50 quilómetros por hora dentro de uma localidade significa "velocidade livre"? Não faz muito sentido, não é verdade?
Enquanto digerem esta pergunta, os adeptos do "não" mudam de estratégia. Então o que acontece às 11 semanas? E o que acontece, meus amigos, quando se anda em excesso de velocidade? é-se penalizado, e a penalização vai-se agravando quanto maior for o excesso de velocidade. Isso quer dizer que, nos pressupostos da pergunta, o aborto não é livre. Não era esse o problema? "... em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" Esta parte final é tão clara que vou poupar palavras. Um "estabelecimento de saúde" quer dizer que não é um estabelecimento desportivo, e "legalmente autorizado" quer dizer que não é ilegal, ou que não é legalmente desautorizado, se tal coisa existisse.
Mas vale a pena notar o que "legalmente autorizado" não quer dizer. Não quer obrigatoriamente dizer do Estado, mas também não quer dizer privado, particular, ou o que seja. Quer dizer apenas que é num estabelecimento de saúde conforme com os procedimentos legais e que foi expressamente autorizado para a operação em causa.Não há melhor barómetro da má-fé neste debate do que dizer que estamos em face de duas perguntas diferentes, ou até duas perguntas de sinal contrário (uma legítima, a outra capciosa), tentando fazer passar a ideia de que a "segunda pergunta" de alguma forma perverte a primeira, rompendo com ela. Não há aqui primeira nem segunda pergunta: há apenas uma pergunta, que se refere a determinadas condições, condições essas que qualificam e restringem o âmbito da questão. Dizer o contrário disto não é só má-fé, é principalmente má-lógica: se a segunda metade da pergunta está contida na primeira, ela não pode ser mais aberta do que a anterior. Como é natural e faz sentido, cada passo da pergunta a fecha um pouco.
Dizer que é "despenalização da IVG" significa que não é despenalização de qualquer outra coisa, dizer que é "por opção da mulher" significa que não é por opção de qualquer outra pessoa, dizer que é até "às dez semanas" significa que não é sem qualquer limite, dizer que é "em estabelecimento de saúde" significa que não é no meio da rua, e dizer que a pergunta se refere a um estabelecimento de saúde "legalmente autorizado" significa que não pode ser no dentista, ou na farmácia, ou no ginásio. Tudo o resto é apenas uma desculpa para não se assumir as responsabilidades do voto. Pessoalmente, não vejo nesta pergunta nada que não me agrade, e vejo muita coisa que me agrada.
é uma pergunta de compromisso, cautelosa, que prevê os limites mais importantes, deixando a definição das políticas (de saúde, de planeamento familiar, judicial, etc.) para os actores e momentos certos. Pode responder-se sim ou não, e eu responderei "sim". Sou pela despenalização, naquelas condições, como outros são pela penalização mesmo naquelas condições. O que não se pode é invalidar a pergunta, degradando a sua lógica. Trata-se de uma pergunta directa. Como tal, pede apenas uma resposta honesta.
Rui Tavares
«Público» de 3 de Fevereiro de 2007
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
Oliveira vs. Fernandes
Daniel Oliveira espanca sem contemplações aquele projecto de assessor de imprensa dum partido qualquer de direita chamado José Manuel Fernandes. Imperdível.
(Cada vez mais triste Público!)
(Cada vez mais triste Público!)
domingo, 15 de outubro de 2006
Vasco Pulido Valente, como sempre, engana-se
Diz o Vasco Pulido Valente no Público de hoje, a propósito do novo concurso pateta da RTP sobre os "grandes portugueses", que este vai ser um belo retrato dos portugueses de hoje.
Como de costume, engana-se redondamente.
O concurso até poderá constituir um belo retrato daqueles portugueses de hoje que lhe prestam alguma atenção. Os portugueses como o Vasco Pulido Valente, por exemplo. Para portugueses como eu, os portugueses que se estão nas tintas para concursos de popularidade parvos, e que têm mais que fazer do que ver nem que seja cinco minutos daquela chachada, portugueses esses que são tão portugueses como os outros, o concurseco não vai ser retrato nenhum. Tal como não vai ser retrato nenhum de outro tipo de português: aqueles que não têm nem telefone nem internet, o lupen-tuga que para gente como o VPV não interessa para nada. Mas que são tão portugueses como todos os outros.
Como de costume, engana-se redondamente.
O concurso até poderá constituir um belo retrato daqueles portugueses de hoje que lhe prestam alguma atenção. Os portugueses como o Vasco Pulido Valente, por exemplo. Para portugueses como eu, os portugueses que se estão nas tintas para concursos de popularidade parvos, e que têm mais que fazer do que ver nem que seja cinco minutos daquela chachada, portugueses esses que são tão portugueses como os outros, o concurseco não vai ser retrato nenhum. Tal como não vai ser retrato nenhum de outro tipo de português: aqueles que não têm nem telefone nem internet, o lupen-tuga que para gente como o VPV não interessa para nada. Mas que são tão portugueses como todos os outros.
sábado, 14 de outubro de 2006
As campanhas contra o Algarve e as suas consequências
É extremamente recomendável (não sou adepto de obrigações) ler este artigo que José Carlos Barros publicou no Jornal do Algarve e republica agora no seu blogue.
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
A mais séria sondagem da história?
O Público online tem uma nova encarnação. Acho óptimo. Boa parte daquilo que foi pago por uns tempos voltou a ser gratuito, dando razão a todos os que sempre acharam que passar aos conteúdos pagos era uma patetice (ó um deles aqui). Mas o mais engraçado da nova versão do Público é uma sondagem que todos os artigos trazem agora. É assim:
Achou este artigo interessante? [ ] Sim
Uau! Mas que variedade de escolha!
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domingo, 17 de setembro de 2006
Coisas do marquetim
Nasceu por aí um Sol. Com uma das figurinhas mais hilariantes da imprensa portuguesa como director e uma monumental campanha de marketing a abrir-lhe alas. Não comprei, claro: se detestava o Espesso e se o director do Espesso de então é a mesma alimária que se calhar continua a "escrever para ganhar um Nobel" no Sol, nada me diz que não iria detestar igualmente o sucedâneo. O meu rico dinheirinho é demasiado inho para ser atirado assim pela janela. Mas, como ir aos sites é grátes (ou por outra: um gajo paga o mesmo estando ligado ou não), dei um pulinho ao solarengo site. Surpresa: dão alojamento para blogues e, "em breve", sítios! Grátes, supõe-se.
O que pergunto a mim próprio é o que farão se algum maroto resolver criar um blogue e/ou sítio com o objectivo expresso de cascar no sol...
Se eu não tivesse mais que fazer...
O que pergunto a mim próprio é o que farão se algum maroto resolver criar um blogue e/ou sítio com o objectivo expresso de cascar no sol...
Se eu não tivesse mais que fazer...
terça-feira, 25 de julho de 2006
Imbecis
Quem tenha ainda dúvidas sobre a quantidade de imbecis que escreve nos jornais e nos blogues em Portugal, reflicta um pouco sobre o seguinte:
Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, não faltou quem previsse detalhadamente o que iria acontecer. Uns previram que as tropas americanas iriam ser recebidas de braços abertos por um povo ansioso por liberdade e farto de um ditador sanguinolento. Para estes, a vitória seria rápida e com poucas vítimas, as tais armas de destruição maciça seriam encontradas de imediato e os iraquianos iriam eleger um amigo da América para presidente em eleições livres e democráticas ao som do pipilar de passarinhos. Outros previram que se iria destapar mais ainda um barril de pólvora que já estava bem aberto, e lançar um fósforo a arder lá para dentro. Estes previram o reacender do secular conflito entre xiitas, sunitas e curdos, um potencial bem real de guerra civil, uma passagem de uma guerra convencional para uma guerra de guerrilha assim que ficasse clara a superioridade tecnológica americana, o investimento de outros países da região, que sentem que estão sob a mira, na instabilidade iraquiana, seguindo a lógica óbvia de que enquanto os americanos estão atolados ali não vêm para aqui, o aproveitamento do caos que a guerra inevitavelmente provoca e do desespero de quem tudo perdeu pelos extremismos ligados ao terrorismo internacional para uma implantação sólida e provavelmente definitiva no território, de onde tinham estado ausentes, pelo menos de forma significativa, enfim, um gigantesco atoleiro.
Nessa altura até se podia ter umas ideias claras sobre o grau de inteligência e pés assentes na realidade que revelava uma e outra posição, mas convinha guardá-las. A verdade é que não se sabia. Tudo, em teoria, podia acontecer, e por isso todas as posições e previsões eram legítimas, ainda que algumas pudessem parecer muito, muito estúpidas. E, de resto, o futuro revelaria quem tinha razão.
Como se sabe, revelou. Milhares de mortos mais tarde.
Agora, temos as mesmas pessoas a fazer previsões. Mas agora, meus caros, já devíamos saber bem o que valem as previsões de certa gente. Especialmente daqueles que não aprenderam nada com o Iraque. Dos que viram todas as suas previsões arrasadas pela realidade e continuam a falar dos agressores anti-islâmicos ao som do chilrear de passarinhos. Dos que ainda não perceberam que não há agressão militar que não sirva fundamentalmente para fortalecer as organizações terroristas, para atrair para elas mais desesperados dispostos a tudo, para acicatar o ódio de quem vê o seu país a ser sistematicamente destruído contra os agressores e quem os suporta. Para eternizar conflitos e atrasar soluções. Para colocar fanáticos em posições de poder. Para o eternizar da chacina.
Quem ainda não percebeu isto, contra toda a evidência, só pode ser uma coisa: imbecil. Completa e, segundo todos os sinais, irremediavelmente imbecil. Da Helena Matos ao Luciano Amaral. Do Eduardo Pitta ao Zé da Tasca que defende o genocídio ("eles deviam era matá-los a todos") entre dois arrotos de cerveja.
E igualmente imbecil é quem lhes dá ouvidos.
Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, não faltou quem previsse detalhadamente o que iria acontecer. Uns previram que as tropas americanas iriam ser recebidas de braços abertos por um povo ansioso por liberdade e farto de um ditador sanguinolento. Para estes, a vitória seria rápida e com poucas vítimas, as tais armas de destruição maciça seriam encontradas de imediato e os iraquianos iriam eleger um amigo da América para presidente em eleições livres e democráticas ao som do pipilar de passarinhos. Outros previram que se iria destapar mais ainda um barril de pólvora que já estava bem aberto, e lançar um fósforo a arder lá para dentro. Estes previram o reacender do secular conflito entre xiitas, sunitas e curdos, um potencial bem real de guerra civil, uma passagem de uma guerra convencional para uma guerra de guerrilha assim que ficasse clara a superioridade tecnológica americana, o investimento de outros países da região, que sentem que estão sob a mira, na instabilidade iraquiana, seguindo a lógica óbvia de que enquanto os americanos estão atolados ali não vêm para aqui, o aproveitamento do caos que a guerra inevitavelmente provoca e do desespero de quem tudo perdeu pelos extremismos ligados ao terrorismo internacional para uma implantação sólida e provavelmente definitiva no território, de onde tinham estado ausentes, pelo menos de forma significativa, enfim, um gigantesco atoleiro.
Nessa altura até se podia ter umas ideias claras sobre o grau de inteligência e pés assentes na realidade que revelava uma e outra posição, mas convinha guardá-las. A verdade é que não se sabia. Tudo, em teoria, podia acontecer, e por isso todas as posições e previsões eram legítimas, ainda que algumas pudessem parecer muito, muito estúpidas. E, de resto, o futuro revelaria quem tinha razão.
Como se sabe, revelou. Milhares de mortos mais tarde.
Agora, temos as mesmas pessoas a fazer previsões. Mas agora, meus caros, já devíamos saber bem o que valem as previsões de certa gente. Especialmente daqueles que não aprenderam nada com o Iraque. Dos que viram todas as suas previsões arrasadas pela realidade e continuam a falar dos agressores anti-islâmicos ao som do chilrear de passarinhos. Dos que ainda não perceberam que não há agressão militar que não sirva fundamentalmente para fortalecer as organizações terroristas, para atrair para elas mais desesperados dispostos a tudo, para acicatar o ódio de quem vê o seu país a ser sistematicamente destruído contra os agressores e quem os suporta. Para eternizar conflitos e atrasar soluções. Para colocar fanáticos em posições de poder. Para o eternizar da chacina.
Quem ainda não percebeu isto, contra toda a evidência, só pode ser uma coisa: imbecil. Completa e, segundo todos os sinais, irremediavelmente imbecil. Da Helena Matos ao Luciano Amaral. Do Eduardo Pitta ao Zé da Tasca que defende o genocídio ("eles deviam era matá-los a todos") entre dois arrotos de cerveja.
E igualmente imbecil é quem lhes dá ouvidos.
sexta-feira, 21 de julho de 2006
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