David Carani aparece só com uma história, de título
The Paradise Aperture. É um conto situado algures na fronteira entre a fantasia e a ficção científica, com uma boa ideia de base que, apesar de trazer reminiscências de muitas outras histórias, acaba por lhes dar uma volta razoavelmente original. O protagonista é um fotógrafo que corre o mundo em busca de umas peculiares portas azuis que, ao contrário de todas as outras portas, têm a propriedade especial de, em determinadas circunstâncias, se abrirem para mundos-bolsas. Portais para universos paralelos ou alternativos. É uma história romântica, pois o que faz mover o protagonista é, no fundamental, a procura pelo seu amor desaparecido algures naquele multiverso unido pelas portas azuis (o que me fez lembrar As Solitárias Canções de Laren Dorr, do Martin), mas Carani tem o mérito de ter conseguido ou querido incluir no seu conto alguma informação curiosa sobre as utilizações possíveis de tais artefactos na economia, o que acrescentou qualidades e profundidade à história. Dito isto, não gostei muito. Acabei a leitura com a sensação de que falta qualquer coisa a este conto para se transformar numa obra realmente boa.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Jennifer Campbell-Hicks
Jennifer Campbell-Hicks está presente na antologia com dois contos, um muito curto, o outro mais extenso
30 Pounds of Human Tissue é uma ternurenta historinha de ficção científica cujo protagonista é um robô encarregado da pilotagem de cápsulas de transporte de resíduos perigosos de uma estação espacial até à Terra que um belo dia descobre, com aquilo que nas suas entranhas mecânicas passa por surpresa, uma muidinha enfiada na cápsula — que não foi concebida e não está preparada para transportar gente, em especial gente viva — a perguntar pela mamã. Não será nada de superlativo, até porque o conto é muito curto, mas é uma boa história, que funciona bastante bem.
Catcha Fallen Star é outra história de ficção científica, esta em cenário distópico, num mundo (uma Terra futura, talvez?) assolado por periódicas quedas de meteoritos e por isso sujeito a recolher obrigatório quando elas acontecem. O protagonista é um guarda que encontra um miúdo a violar o recolher obrigatório e assume a responsabilidade de o tentar apanhar e pôr em segurança no subsolo, quer ele queira (não quer), quer não queira (não quer mesmo!). Segue-se uma caça ao miúdo. E o conto poderia ficar-se por aí, e talvez já fosse interessante, mas não fica; é algo mais profundo do que isso. Apesar da implausibilidade do cenário, portanto, este é também um bom conto, com personagens sólidas, que acabam até por desenvolver uma relação curiosa, e diálogos francamente bons. É dos tais contos que até poderiam dar romances interessantes, caso fossem expandidos.
Jennifer Campbell-Hicks é mais uma boa surpresa.
30 Pounds of Human Tissue é uma ternurenta historinha de ficção científica cujo protagonista é um robô encarregado da pilotagem de cápsulas de transporte de resíduos perigosos de uma estação espacial até à Terra que um belo dia descobre, com aquilo que nas suas entranhas mecânicas passa por surpresa, uma muidinha enfiada na cápsula — que não foi concebida e não está preparada para transportar gente, em especial gente viva — a perguntar pela mamã. Não será nada de superlativo, até porque o conto é muito curto, mas é uma boa história, que funciona bastante bem.
Catcha Fallen Star é outra história de ficção científica, esta em cenário distópico, num mundo (uma Terra futura, talvez?) assolado por periódicas quedas de meteoritos e por isso sujeito a recolher obrigatório quando elas acontecem. O protagonista é um guarda que encontra um miúdo a violar o recolher obrigatório e assume a responsabilidade de o tentar apanhar e pôr em segurança no subsolo, quer ele queira (não quer), quer não queira (não quer mesmo!). Segue-se uma caça ao miúdo. E o conto poderia ficar-se por aí, e talvez já fosse interessante, mas não fica; é algo mais profundo do que isso. Apesar da implausibilidade do cenário, portanto, este é também um bom conto, com personagens sólidas, que acabam até por desenvolver uma relação curiosa, e diálogos francamente bons. É dos tais contos que até poderiam dar romances interessantes, caso fossem expandidos.
Jennifer Campbell-Hicks é mais uma boa surpresa.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - O. J. Cade
O. J. Cade aparece na antologia com dois contos.
Longfin's Daughters é uma história de fantasia sobre três irmãs que viviam jundo de um charco de enguias e que com essas enguias partilhavam algo mais do que simples vizinhança. Há algum sexo envolvido no assunto, há questões de reprodução e hereditariedade, e há diferenças de personalidade entre as irmãs que vão determinar diferentes atitudes para com as enguias e efeitos destas nas raparigas. É um conto bem escrito e razoavelmente bem elaborado, mas não gostei muito dele por motivos que não consigo identificar. Pura subjetividade provavelmente, talvez algo a ver com o estilo da autora. O certo é que o conto me aborreceu.
The Mythology of Salt é bastante melhor, pelo menos no poder literário da prosa. Por outro lado, é pior, pois trata-se uma espécie de ficção científica soft que se alicerça em parte numa ideia que pouco sentido científico faz: a escassez do sal e a sua necessidade para a sobrevivência de colónias em mundos extraterrestres, tendo por isso de ser levado de um lado para o outro em viagens espaciais... quando na verdade o sal não passa de simples cloreto de sódio e tanto o cloro como o sódio estão bem longe de serem elementos raros no Universo — são ambos mais abundantes do que a grande maioria dos metais, incluindo alguns tão importantes como o cobre ou o zinco. Mas se nos abstrairmos dessa falha, o conto é poderoso, porque conta, e bem, uma história de abandono e anseio, de maternidade, tradição e rebeldia.
Longfin's Daughters é uma história de fantasia sobre três irmãs que viviam jundo de um charco de enguias e que com essas enguias partilhavam algo mais do que simples vizinhança. Há algum sexo envolvido no assunto, há questões de reprodução e hereditariedade, e há diferenças de personalidade entre as irmãs que vão determinar diferentes atitudes para com as enguias e efeitos destas nas raparigas. É um conto bem escrito e razoavelmente bem elaborado, mas não gostei muito dele por motivos que não consigo identificar. Pura subjetividade provavelmente, talvez algo a ver com o estilo da autora. O certo é que o conto me aborreceu.
The Mythology of Salt é bastante melhor, pelo menos no poder literário da prosa. Por outro lado, é pior, pois trata-se uma espécie de ficção científica soft que se alicerça em parte numa ideia que pouco sentido científico faz: a escassez do sal e a sua necessidade para a sobrevivência de colónias em mundos extraterrestres, tendo por isso de ser levado de um lado para o outro em viagens espaciais... quando na verdade o sal não passa de simples cloreto de sódio e tanto o cloro como o sódio estão bem longe de serem elementos raros no Universo — são ambos mais abundantes do que a grande maioria dos metais, incluindo alguns tão importantes como o cobre ou o zinco. Mas se nos abstrairmos dessa falha, o conto é poderoso, porque conta, e bem, uma história de abandono e anseio, de maternidade, tradição e rebeldia.
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Oliver Buckram
Oliver Buckram está presente nesta antologia com três pequenas histórias, todas muito interessantes e francamente divertidas.
The Running of the Robots é um continho sobre o que pode acontecer quando um errozinho aparentemente insignificante nas instruções enviadas a um batalhão de robôs de combate gera um ciclo de retroalimentação positiva e uma imprevista atração turística ao longo de todo o 32º paralelo do planeta. Toda a gente que já programou alguma coisa na vida sabe como os bugs são uma tremenda — e inescapável — chatice. E neste caso... bem, só lendo.
Un Opera Nello Spazio (A Space Opera), assim mesmo, com título em italiano e inglês, é uma ópera espacial. Não, não é uma space opera, peculiar subgénero de ficção científica que tão frequentemente se enche de naves espaciais de combate, exércitos com armas futurísticas e ETs agressivos, embora também o seja. É uma ópera espacial, com essas mesmas naves, exércitos e ETs, mas com a estrutura em três atos e o enredo melodramático da ópera italiana. Uma ideia genial, esta de tratar literalmente o termo space opera, e o resultado não é menos que hilariante.
Half a Conversation, Overheard While Inside an Enourmous Sentient Slug é o que o título indica: meia conversa, o que significa que só consta do conto o que diz uma das personagens, dado que o interlocutor (um tal "Inspetor") não é audível. Porquê? Ora, isso já seria estar a desvendar demasiado. Digamos apenas que alguém (um extraterrestre, obviamente, mas que extraterrestre? Ah, só lendo, só lendo) está a ser interrogado pela polícia a respeito do assassínio de um tal Lord Ash. Na condição de testemunha, não de suspeito. Quanto a quem o ouve falar... bem... vou deixar essa parte no ar. É um conto muito inteligente e também muito divertido.
Oliver Buckram tem pinta, tem muita pinta. Fiquei fã.
The Running of the Robots é um continho sobre o que pode acontecer quando um errozinho aparentemente insignificante nas instruções enviadas a um batalhão de robôs de combate gera um ciclo de retroalimentação positiva e uma imprevista atração turística ao longo de todo o 32º paralelo do planeta. Toda a gente que já programou alguma coisa na vida sabe como os bugs são uma tremenda — e inescapável — chatice. E neste caso... bem, só lendo.
Un Opera Nello Spazio (A Space Opera), assim mesmo, com título em italiano e inglês, é uma ópera espacial. Não, não é uma space opera, peculiar subgénero de ficção científica que tão frequentemente se enche de naves espaciais de combate, exércitos com armas futurísticas e ETs agressivos, embora também o seja. É uma ópera espacial, com essas mesmas naves, exércitos e ETs, mas com a estrutura em três atos e o enredo melodramático da ópera italiana. Uma ideia genial, esta de tratar literalmente o termo space opera, e o resultado não é menos que hilariante.
Half a Conversation, Overheard While Inside an Enourmous Sentient Slug é o que o título indica: meia conversa, o que significa que só consta do conto o que diz uma das personagens, dado que o interlocutor (um tal "Inspetor") não é audível. Porquê? Ora, isso já seria estar a desvendar demasiado. Digamos apenas que alguém (um extraterrestre, obviamente, mas que extraterrestre? Ah, só lendo, só lendo) está a ser interrogado pela polícia a respeito do assassínio de um tal Lord Ash. Na condição de testemunha, não de suspeito. Quanto a quem o ouve falar... bem... vou deixar essa parte no ar. É um conto muito inteligente e também muito divertido.
Oliver Buckram tem pinta, tem muita pinta. Fiquei fã.
domingo, 2 de agosto de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Dawn Bonanno
Dawn Bonanno está presente nesta antologia com uma historinha muito curta intitulada
How Cherry Coke Saved My Life. Trata-se de uma historinha divertida sobre um peculiar primeiro encontro, no qual um ET parecido com um poodle chega desastradamente à Terra, espetando a nave contra a casa de um homem solitário, alcoólico anónimo há algum tempo sóbrio, que apesar de ter ficado sem abrigo decide contar ao visitante como a Cherry Coke lhe salvou a vida. Com detalhes. E ainda por cima... bem, não revelemos o final. Não vale a pena.
É uma historinha divertida, sim, mas a verdade é que disso não passa. Lê-se num ápice, sorri-se, mas pouco ou nada dela fica depois de uns minutos de entretenimento. Razoável.
How Cherry Coke Saved My Life. Trata-se de uma historinha divertida sobre um peculiar primeiro encontro, no qual um ET parecido com um poodle chega desastradamente à Terra, espetando a nave contra a casa de um homem solitário, alcoólico anónimo há algum tempo sóbrio, que apesar de ter ficado sem abrigo decide contar ao visitante como a Cherry Coke lhe salvou a vida. Com detalhes. E ainda por cima... bem, não revelemos o final. Não vale a pena.
É uma historinha divertida, sim, mas a verdade é que disso não passa. Lê-se num ápice, sorri-se, mas pouco ou nada dela fica depois de uns minutos de entretenimento. Razoável.
sábado, 1 de agosto de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Lisa Bolekaja
Lisa Bolejaka aparece com um único conto, intitulado
The Saltwater African. É uma história de fantasia, fortemente tingida de horror como é inevitável numa história sobre a vida dos negros nos anos de escravatura do Sul do continente norte-americano, e que descreve essa vida e as violências e os sonhos de liberdade que vinham com ela. A protagonista é uma mulher, escrava, cuja vida é sacudida pela chegada à plantação de um novo escravo, recém-chegado de África, trazendo ainda consigo, até, o seu nome africano. É um bom conto, com violência, sexo, sonhos e amor, repressão e liberdade. Bom e incómodo. E também bom porque incómodo.
The Saltwater African. É uma história de fantasia, fortemente tingida de horror como é inevitável numa história sobre a vida dos negros nos anos de escravatura do Sul do continente norte-americano, e que descreve essa vida e as violências e os sonhos de liberdade que vinham com ela. A protagonista é uma mulher, escrava, cuja vida é sacudida pela chegada à plantação de um novo escravo, recém-chegado de África, trazendo ainda consigo, até, o seu nome africano. É um bom conto, com violência, sexo, sonhos e amor, repressão e liberdade. Bom e incómodo. E também bom porque incómodo.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Brooke Bolander
Brooke Bolander está presente com três contos.
Her Words Like Hunting Vixens Spring. Trata-se de um conto de fantasia, ou talvez de horror, ambientado algures no Oeste norte-americano, protagonizado por uma mulher que persegue a cavalo um antigo noivo, em busca de vingança pelo que lhe terá feito e por lhe ter matado os irmãos. Uma caçada difícil, que o homem é hábil, mas para a qual conta com a ajuda de raposas que vai misteriosamente vomitando. Um conto literariamente muito forte, com menos ação e mais situacional do que esta breve sinopse pode levar a crer, mas com ritmo e uma boa estrutura. Francamente bom.
Sun Dogs. Este é um conto de ficção científica, ou talvez seja mais adequado chamar-lhe fantasia espacial, também muito forte literariamente e muito situacional, sobre a viagem espacial da cadela Laika. Não sabem que cadela é? Tsc tsc tsc. Imperdoável. É outro conto muito bom, que se põe no lugar da cadela de uma forma tão eficaz que consegue levar quem lê à acanhadíssima cápsula Sputnik, embora tome algumas liberdades com a sua estrutura: aqui, uma janela tem importância fundamental no enredo, quando na verdade os primeiros Sputnik eram basicamente esferas de aço, sem qualquer espécie de janela.
The Beasts of the Earth, the Madness of Men. Trata-se de um conto obsessivo, muito semelhante ao primeiro no sentido em que também aqui a protagonista é uma caçadora destroçada que persegue a sua presa apesar de todos os obstáculos. Mas enquanto no primeiro o motor era o ódio, aqui é uma estranha espécie de amor, como se estivéssemos na presença de uma versão feminina do capitão Ahab de Melville... e, de facto, a presa (será realmente uma presa?) é uma baleia. Mais um conto literariamente muito forte, mais um conto sobretudo situacional, situado algures entre a fantasia e o horror.
Brooke Bolander é uma boa escritora.
Her Words Like Hunting Vixens Spring. Trata-se de um conto de fantasia, ou talvez de horror, ambientado algures no Oeste norte-americano, protagonizado por uma mulher que persegue a cavalo um antigo noivo, em busca de vingança pelo que lhe terá feito e por lhe ter matado os irmãos. Uma caçada difícil, que o homem é hábil, mas para a qual conta com a ajuda de raposas que vai misteriosamente vomitando. Um conto literariamente muito forte, com menos ação e mais situacional do que esta breve sinopse pode levar a crer, mas com ritmo e uma boa estrutura. Francamente bom.
Sun Dogs. Este é um conto de ficção científica, ou talvez seja mais adequado chamar-lhe fantasia espacial, também muito forte literariamente e muito situacional, sobre a viagem espacial da cadela Laika. Não sabem que cadela é? Tsc tsc tsc. Imperdoável. É outro conto muito bom, que se põe no lugar da cadela de uma forma tão eficaz que consegue levar quem lê à acanhadíssima cápsula Sputnik, embora tome algumas liberdades com a sua estrutura: aqui, uma janela tem importância fundamental no enredo, quando na verdade os primeiros Sputnik eram basicamente esferas de aço, sem qualquer espécie de janela.
The Beasts of the Earth, the Madness of Men. Trata-se de um conto obsessivo, muito semelhante ao primeiro no sentido em que também aqui a protagonista é uma caçadora destroçada que persegue a sua presa apesar de todos os obstáculos. Mas enquanto no primeiro o motor era o ódio, aqui é uma estranha espécie de amor, como se estivéssemos na presença de uma versão feminina do capitão Ahab de Melville... e, de facto, a presa (será realmente uma presa?) é uma baleia. Mais um conto literariamente muito forte, mais um conto sobretudo situacional, situado algures entre a fantasia e o horror.
Brooke Bolander é uma boa escritora.
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Erik Bear et al
Segue-se um grupo de quatro autores, Erik Bear, Joseph Brassey, Nicole Galland e Cooper Moo, presentes com mais um excerto de romance, escrito com autores já estabelecidos (Neal Stephenson, Greg Bear e Mark Teppo) e intitulado
The Mongoliad. Book One. Trata-se de uma fantasia histórica, ambientada na Europa oriental durante a época das invasões mongóis, que faz parte de um projeto de universo partilhado (o que explica o número elevado de autores), não limitado à literatura e que, nesta, pretendeu (e pretende, visto que continua em atividade) explorar formas de publicação alternativas à tradicional, muito embora este livro tenha acabado também por sair numa edição normal. E o excerto é interessante, apesar de parecer seguir um tipo de estrutura bastante banal na fantasia comercial — um grupo variegado de aventureiros junta-se e põe-se em viagem por territórios assolados por violências de vários tipos, a fim de alcançar algum objetivo. Mas tudo isto é algo incerto, pois o excerto, comporto pelos três primeiros capítulos do livro, pouco ultrapassa a caracterização inicial das personagens e dos ambientes.
The Mongoliad. Book One. Trata-se de uma fantasia histórica, ambientada na Europa oriental durante a época das invasões mongóis, que faz parte de um projeto de universo partilhado (o que explica o número elevado de autores), não limitado à literatura e que, nesta, pretendeu (e pretende, visto que continua em atividade) explorar formas de publicação alternativas à tradicional, muito embora este livro tenha acabado também por sair numa edição normal. E o excerto é interessante, apesar de parecer seguir um tipo de estrutura bastante banal na fantasia comercial — um grupo variegado de aventureiros junta-se e põe-se em viagem por territórios assolados por violências de vários tipos, a fim de alcançar algum objetivo. Mas tudo isto é algo incerto, pois o excerto, comporto pelos três primeiros capítulos do livro, pouco ultrapassa a caracterização inicial das personagens e dos ambientes.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Kelsey Ann Barrett
Kelsey Ann Barrett está presente nesta antologia com um único conto, intitulado:
My Teacher, My Enemy. Trata-se de um conto bizarro, brutal e sanguinário sobre um aprendiz de guerreiro que para se tornar guerreiro tem de sobreviver a uma última caçada... mas uma caçada humana, de matar ou ser morto, contra outros candidatos a guerreiros. É um conto de horror, no sentido em que tudo aquilo que é descrito é horrendo, incluindo o modo como, após cada morte, o protagonista obtém os conhecimentos de quem acabou de matar vestindo a sua pele. E também é um conto francamente bom. Um conto cheio de ritmo, bastante bem escrito numa primeira pessoa bem construída e cheia de personalidade, que vai entregando a informação necessária nos momentos e nas quantidades certas. Poderá repugnar os menos inclinados a este tipo de prosa, mas a ideia é precisamente essa. Aprovado.
My Teacher, My Enemy. Trata-se de um conto bizarro, brutal e sanguinário sobre um aprendiz de guerreiro que para se tornar guerreiro tem de sobreviver a uma última caçada... mas uma caçada humana, de matar ou ser morto, contra outros candidatos a guerreiros. É um conto de horror, no sentido em que tudo aquilo que é descrito é horrendo, incluindo o modo como, após cada morte, o protagonista obtém os conhecimentos de quem acabou de matar vestindo a sua pele. E também é um conto francamente bom. Um conto cheio de ritmo, bastante bem escrito numa primeira pessoa bem construída e cheia de personalidade, que vai entregando a informação necessária nos momentos e nas quantidades certas. Poderá repugnar os menos inclinados a este tipo de prosa, mas a ideia é precisamente essa. Aprovado.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Mark T. Barnes
Mark T. Barnes está presente com dois excertos de romances, muito semelhantes um ao outro, uma vez que fazem ambos parte da mesma série. Intitulam-se:
The Garden of Stones e The Obsidian Heart
Trata-se de fantasias ambientadas num mundo onde existem restos de construções e misteriosa maquinaria de antiquíssimas civilizações, o que traz à memória a célebre frase de Clarke sobre a tecnologia suficientemente avançada ser indistinguível da magia e levanta suspeitas sobre podermos estar perante uma ficção científica fortissimamente disfarçada. No entanto, se assim é, o disfarce é tão carregado que as suspeitas não conseguem ser mais que ténues. Pelo menos nestes excertos, a fantasia parece ser razoavelmente pura. E bastante banal, também, pois a escrita nunca ultrapassa a mera competência e o enredo obedece fielmente às características básicas da fantasia de inspiração feudal, com os seus heróis e vilões, reinos, nobres e mercenários, aventuras e maquinações.
Foram, pois, dois longos excertos que não me despertaram interesse quase nenhum pelos livros completos. Ou seja: não cumpriram a sua função.
The Garden of Stones e The Obsidian Heart
Trata-se de fantasias ambientadas num mundo onde existem restos de construções e misteriosa maquinaria de antiquíssimas civilizações, o que traz à memória a célebre frase de Clarke sobre a tecnologia suficientemente avançada ser indistinguível da magia e levanta suspeitas sobre podermos estar perante uma ficção científica fortissimamente disfarçada. No entanto, se assim é, o disfarce é tão carregado que as suspeitas não conseguem ser mais que ténues. Pelo menos nestes excertos, a fantasia parece ser razoavelmente pura. E bastante banal, também, pois a escrita nunca ultrapassa a mera competência e o enredo obedece fielmente às características básicas da fantasia de inspiração feudal, com os seus heróis e vilões, reinos, nobres e mercenários, aventuras e maquinações.
Foram, pois, dois longos excertos que não me despertaram interesse quase nenhum pelos livros completos. Ou seja: não cumpriram a sua função.
domingo, 19 de julho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - James Bambury
James Bambury também só está presente nesta antologia com uma história, de título...
Thirteen Generations. Este é um conto de ficção científica laboratorial onde se mistura a evolução biológica com a dos algoritmos genéticos. É uma história curiosa, com uma certa profundidade, que pode levar o leitor a isso inclinado a refletir sobre as virtudes e a condenação que existem na consciência de si mesmo e da finitude da vida. O conto é bastante inverosímil enquanto futuro desenvolvimento científico, postulando uma consciência de nível humano, ou até talvez superior, em organismos (totalmente artificiais?) aquáticos e presumivelmente bastante pequenos, que comunicam com o experimentador através de batimentos de cílios, mas a verdade é que o que o autor pretende com esta história está bem longe desse tipo de considerandos. Não foi conto que me tivesse enchido as medidas, talvez devido em parte à sua brevidade, mas é uma história com interesse.
Thirteen Generations. Este é um conto de ficção científica laboratorial onde se mistura a evolução biológica com a dos algoritmos genéticos. É uma história curiosa, com uma certa profundidade, que pode levar o leitor a isso inclinado a refletir sobre as virtudes e a condenação que existem na consciência de si mesmo e da finitude da vida. O conto é bastante inverosímil enquanto futuro desenvolvimento científico, postulando uma consciência de nível humano, ou até talvez superior, em organismos (totalmente artificiais?) aquáticos e presumivelmente bastante pequenos, que comunicam com o experimentador através de batimentos de cílios, mas a verdade é que o que o autor pretende com esta história está bem longe desse tipo de considerandos. Não foi conto que me tivesse enchido as medidas, talvez devido em parte à sua brevidade, mas é uma história com interesse.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Jeffrey A. Ballard
De um Ballard para outro e de uma publicação para outra, Stewart C. Ballard está presente com uma só história intitulada:
The Highlight of a Life. Trata-se de um conto de laboratório bastante clássico, muito típico de uma certa abordagem à ficção científica, desenvolvendo uma história tipicamente convoluta em volta de experiências ligadas a viagens entre universos... pelo menos em teoria. A complicar as coisas, a tornar tudo mais pesado, há também uma história de tragédia pessoal à mistura.
As ideias neste conto não são más, mas tampouco são tão frescas como poderiam ser. Pior, no entanto, é a execução, que deixa demasiadas pontas soltas e é demasiado óbvia na tentativa de puxar ao sentimento para realmente resultar. Pelo menos para este leitor que aqui escreve.
The Highlight of a Life. Trata-se de um conto de laboratório bastante clássico, muito típico de uma certa abordagem à ficção científica, desenvolvendo uma história tipicamente convoluta em volta de experiências ligadas a viagens entre universos... pelo menos em teoria. A complicar as coisas, a tornar tudo mais pesado, há também uma história de tragédia pessoal à mistura.
As ideias neste conto não são más, mas tampouco são tão frescas como poderiam ser. Pior, no entanto, é a execução, que deixa demasiadas pontas soltas e é demasiado óbvia na tentativa de puxar ao sentimento para realmente resultar. Pelo menos para este leitor que aqui escreve.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Stewart C. Baker
Stewart C. Baker é simultaneamente o primeiro homem a aparecer na sequência (alfabética de apelido) da antologia e o primeiro autor a estar presente com mais do que um texto. Nomeadamente:
Behind the First Years é um conto de ficção científica ambientado no futuro distante, depois de alguma calamidade indefinida ter praticamente esvaziado a Terra, a bordo de uma nave-geração, talvez de refugiados, prestes a chegar a um destino potencialmente habitável... ou será que não? Ou será que tudo isto é mentira? Não se trata de uma ideia nova (ainda há dias li uma história de Ballard com muitos pontos de contacto), mas o conto, bastante melancólico, está muito bem escrito e concebido.
Raising Words é um conto de fantasia, ambientado no seio de uma espécie de tribo pouco sofisticada, que traz consigo todo o poder das coisas profundamente sentidas. De novo muito bem escrito e concebido, o conto é construído com uma série de analepses encadeadas, compostas pelas memórias da jovem protagonista relacionadas com a vida e a morte do pai. Bom. Francamente bom.
Behind the First Years é um conto de ficção científica ambientado no futuro distante, depois de alguma calamidade indefinida ter praticamente esvaziado a Terra, a bordo de uma nave-geração, talvez de refugiados, prestes a chegar a um destino potencialmente habitável... ou será que não? Ou será que tudo isto é mentira? Não se trata de uma ideia nova (ainda há dias li uma história de Ballard com muitos pontos de contacto), mas o conto, bastante melancólico, está muito bem escrito e concebido.
Raising Words é um conto de fantasia, ambientado no seio de uma espécie de tribo pouco sofisticada, que traz consigo todo o poder das coisas profundamente sentidas. De novo muito bem escrito e concebido, o conto é construído com uma série de analepses encadeadas, compostas pelas memórias da jovem protagonista relacionadas com a vida e a morte do pai. Bom. Francamente bom.
sábado, 13 de junho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Athena Andreadis
Athena Andreadis é mais uma autora (e não, não são só mulheres) que está presente com um único texto. Este:
The Wind Harp é uma space opera bastante tosca que pretende gerar interesse no leitor recorrendo a convolutas politiquices, cheias de traições, subterfúgios e tentativas de assassínio, nas altas esferas de domínios planetários inteiramente medievaloides. Não consegue. Pelo menos com este leitor que aqui está, decididamente, não consegue. Tudo isto é demasiado básico, demasiado cliché, demasiado sumário, para me despertar o mínimo interesse. Se penso que reduzir-se sociedades inteiras a intrigas de corte ou medições de forças entre exércitos é uma forma de destruir o que de complexo e fascinante um mundo de fantasia pode ter, por maioria de razão o mesmo penso quando se trata de ficção científica (ou de algo aparentado, pelo menos). Quando há mais do que isso (uma teoria do desenvolvimento das sociedades, como na Fundação de Asimov, preocupações ecológicas como nas Dunas de Herbert, e por aí fora), a coisa pode funcionar. Quando não há, e aqui não há mesmo, o resultado é mau. Muito mau.
The Wind Harp é uma space opera bastante tosca que pretende gerar interesse no leitor recorrendo a convolutas politiquices, cheias de traições, subterfúgios e tentativas de assassínio, nas altas esferas de domínios planetários inteiramente medievaloides. Não consegue. Pelo menos com este leitor que aqui está, decididamente, não consegue. Tudo isto é demasiado básico, demasiado cliché, demasiado sumário, para me despertar o mínimo interesse. Se penso que reduzir-se sociedades inteiras a intrigas de corte ou medições de forças entre exércitos é uma forma de destruir o que de complexo e fascinante um mundo de fantasia pode ter, por maioria de razão o mesmo penso quando se trata de ficção científica (ou de algo aparentado, pelo menos). Quando há mais do que isso (uma teoria do desenvolvimento das sociedades, como na Fundação de Asimov, preocupações ecológicas como nas Dunas de Herbert, e por aí fora), a coisa pode funcionar. Quando não há, e aqui não há mesmo, o resultado é mau. Muito mau.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Laurel Amberdine
Laurel Amberdine também só está presente com um texto, uma vinheta intitulada:
Airship Hope. Trata-se de uma vinheta de fantasia sobre a fé e a dúvida, centrada na vontade de fazer um estranho artefacto, feito de seda de aranha e sustido pela fé, voar por sobre uns certos picos gelados. Um continho muito bem escrito, e que me parece até ter o tamanho rigorosamente certo para contar a história que quer contar, mas que, à semelhança do de Alering, também não deixa grande marca.
Airship Hope. Trata-se de uma vinheta de fantasia sobre a fé e a dúvida, centrada na vontade de fazer um estranho artefacto, feito de seda de aranha e sustido pela fé, voar por sobre uns certos picos gelados. Um continho muito bem escrito, e que me parece até ter o tamanho rigorosamente certo para contar a história que quer contar, mas que, à semelhança do de Alering, também não deixa grande marca.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Alisa Alering
Alisa Alering está presente com um conto chamado:
The Wanderer King. Trata-se de um conto algo onírico, com o seu quê de surrealista, sobre um pequeno grupo de sobreviventes numa paisagem pós-apocalíptica, devastada por uma guerra entre os "Wanderers" e os "Fixers," que procuram arranjar maneira de chegar ao "mundo de cima." É uma história bizarra, perdida num território obscuro situado algures entre a FC e a fantasia e que, embora se leia bem, não deixa grandes marcas.
The Wanderer King. Trata-se de um conto algo onírico, com o seu quê de surrealista, sobre um pequeno grupo de sobreviventes numa paisagem pós-apocalíptica, devastada por uma guerra entre os "Wanderers" e os "Fixers," que procuram arranjar maneira de chegar ao "mundo de cima." É uma história bizarra, perdida num território obscuro situado algures entre a FC e a fantasia e que, embora se leia bem, não deixa grandes marcas.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Lido: 2014 Campbellian Anthology - Ania Ahlborn
Vou começar a falar aqui de uma gigantesca antologia que tenho vindo a ler aos poucos desde novembro do ano passado. E quando digo "gigantesca" não estou a exagerar. É um ebook, mas se fosse livro físico, com uma paginação normal, chegaria quase às 2500 páginas e não, não meti aqui nenhum zero a mais.
Reúne obras dos autores elegíveis para o Prémio Campbell de 2014, que é atribuído aos melhores novos autores, os quais se mantêm elegíveis durante dois anos, e está organizado autor a autor. Será também assim que falarei deles, começando pela primeira, Ania Ahlborn, que está presente com:
Seed, um excerto de um romance de horror que começa de uma forma já vista, com uma viagem rodoviária noturna, uma súbita aparição no meio da estrada, e um acidente. Até o nosso velho Hugo Rocha tem uma história com uma premissa semelhante. No entanto, ajuizando pela amostra aqui contida, Ahlborn tem uma prosa eficaz, que constrói e sustenta bastante bem a tensão de um romance centrado no medo. Interessante. Não o suficiente para me levar a comprar o livro, mas interessante.
Reúne obras dos autores elegíveis para o Prémio Campbell de 2014, que é atribuído aos melhores novos autores, os quais se mantêm elegíveis durante dois anos, e está organizado autor a autor. Será também assim que falarei deles, começando pela primeira, Ania Ahlborn, que está presente com:
Seed, um excerto de um romance de horror que começa de uma forma já vista, com uma viagem rodoviária noturna, uma súbita aparição no meio da estrada, e um acidente. Até o nosso velho Hugo Rocha tem uma história com uma premissa semelhante. No entanto, ajuizando pela amostra aqui contida, Ahlborn tem uma prosa eficaz, que constrói e sustenta bastante bem a tensão de um romance centrado no medo. Interessante. Não o suficiente para me levar a comprar o livro, mas interessante.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Lido: Dagon, nº 0
O Dagon foi um fanzine de ficção científica e fantasia (bem sei que os editores lhe chamavam "revista", mas não me parece que quer a forma de produção, quer o modo de comercialização, justifiquem essa designação), do qual foram publicados alguns números entre 2009 e 2013, com edição física e virtual, à exceção, julgo, deste nº 0 (bibliografia), que tanto quanto penso saber só teve edição virtual.
Digo com regularidade que, para mim, basta uma compilação de histórias e/ou artigos, seja revista, fanzine, coletânea ou antologia, incluir um texto que vale realmente a pena para que a publicação como um todo a valha. E é o que acontece aqui. O conto do Luís Filipe Silva e duas ou três peças de não-ficção justificam plenamente a leitura e a existência da publicação, mesmo que haja também nestas páginas alguns textos que deixam algo, ou muito, a desejar.
Globalmente, julgo que o conteúdo é razoável mas daí não passa. O ponto mais fraco talvez seja o enorme diferencial de qualidade entre os melhores textos e os piores, mas também a diagramação da maior parte dos textos apresenta falhas, por vezes gritantes (sobretudo nos poemas da Carla Ribeiro, "enlatados" em colunas quando deviam ter tido espaço para se espraiar à largura da página). Por outro lado, quem gosta de ilustração fantástica encontra aqui algumas imagens de regalar o olho.
Tenho vindo a comentar brevemente os vários textos ao longo dos últimos dias, num total de seis pequenos grupos. Eis o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto. E o que tenho mais a dizer sobre esta publicação encontra-se aí.
Digo com regularidade que, para mim, basta uma compilação de histórias e/ou artigos, seja revista, fanzine, coletânea ou antologia, incluir um texto que vale realmente a pena para que a publicação como um todo a valha. E é o que acontece aqui. O conto do Luís Filipe Silva e duas ou três peças de não-ficção justificam plenamente a leitura e a existência da publicação, mesmo que haja também nestas páginas alguns textos que deixam algo, ou muito, a desejar.
Globalmente, julgo que o conteúdo é razoável mas daí não passa. O ponto mais fraco talvez seja o enorme diferencial de qualidade entre os melhores textos e os piores, mas também a diagramação da maior parte dos textos apresenta falhas, por vezes gritantes (sobretudo nos poemas da Carla Ribeiro, "enlatados" em colunas quando deviam ter tido espaço para se espraiar à largura da página). Por outro lado, quem gosta de ilustração fantástica encontra aqui algumas imagens de regalar o olho.
Tenho vindo a comentar brevemente os vários textos ao longo dos últimos dias, num total de seis pequenos grupos. Eis o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto. E o que tenho mais a dizer sobre esta publicação encontra-se aí.
domingo, 31 de maio de 2015
Lido: Dagon, nº 0 (sexta parte)
A Sopa Mitológica Europeia é um artigo de Marcelo Ferroni sobre as mitologias europeias (mais precisamente do norte da Europa) e principalmente a relação que elas têm com a obra de Tolkien, detalhando alguns casos de inspiração mais ou menos direta. Um bom artigo.
O Senhor dos Anéis, Mito ou Realidade? é um artigo de Michael Tagge onde se traçam paralelos entre a ficção de Tolkien e personagens e acontecimentos do mundo real ou religioso, em particular as duas guerras mundiais e algumas histórias bíblicas. Também é um artigo interessante, ainda que defenda várias ideias discutíveis.
Segue-se uma minúscula entrevista a Tang Sin Yun, uma artista plástica, e um igualmente minúsculo artigo sobre Kerem Beyit, outro artista pláscito.
E o fanzine conclui com resenhas ao filme The Hunt for Gollum e aos anime O Castelo Andante e Spirited Away e dois artigos musicais, um sobre a banda Dream Theater e outro sobre o caráter ciencio-ficcional da música dos Ayreon.
O Senhor dos Anéis, Mito ou Realidade? é um artigo de Michael Tagge onde se traçam paralelos entre a ficção de Tolkien e personagens e acontecimentos do mundo real ou religioso, em particular as duas guerras mundiais e algumas histórias bíblicas. Também é um artigo interessante, ainda que defenda várias ideias discutíveis.
Segue-se uma minúscula entrevista a Tang Sin Yun, uma artista plástica, e um igualmente minúsculo artigo sobre Kerem Beyit, outro artista pláscito.
E o fanzine conclui com resenhas ao filme The Hunt for Gollum e aos anime O Castelo Andante e Spirited Away e dois artigos musicais, um sobre a banda Dream Theater e outro sobre o caráter ciencio-ficcional da música dos Ayreon.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Lido: Dagon, nº 0 (quinta parte)
Épica, Mágica e Gótica são três poemas de Carla Ribeiro onde a ideia, parece-me, é retratar sob forma lírica três facetas da literatura de fantasia. Não gostei lá muito.
O Original, ou Sua Ausência, na FC Portuguesa Face a Outros Países é a republicação de um artigo do Luís Filipe Silva onde ele defende, com exemplos, a tese de que falta originalidade a uma parte significativa da ficção científica que se escreve e publica em Portugal, em grande medida por desconhecimentodo que se faz, no género, por outras paragens. Não discordo.
Ficção Científica: A Difícil Definição de um Género é um artigo do Roberto Mendes onde ele se dedica à inglória tarefa de tentar definir o que vem a ser isso de FC. Não posso dizer que discordo do que ele escreve, mas também não concordo, propriamente: fui-me simplesmente convencendo aos poucos de que essa é discussão em grande medida estéril.
Por Universos Nunca Dantes Navegados é um artigo de apresentação da antologia homónima.
O Original, ou Sua Ausência, na FC Portuguesa Face a Outros Países é a republicação de um artigo do Luís Filipe Silva onde ele defende, com exemplos, a tese de que falta originalidade a uma parte significativa da ficção científica que se escreve e publica em Portugal, em grande medida por desconhecimentodo que se faz, no género, por outras paragens. Não discordo.
Ficção Científica: A Difícil Definição de um Género é um artigo do Roberto Mendes onde ele se dedica à inglória tarefa de tentar definir o que vem a ser isso de FC. Não posso dizer que discordo do que ele escreve, mas também não concordo, propriamente: fui-me simplesmente convencendo aos poucos de que essa é discussão em grande medida estéril.
Por Universos Nunca Dantes Navegados é um artigo de apresentação da antologia homónima.
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