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sexta-feira, 14 de março de 2014

O maior comunicador de ciência

Antes, durante e depois da estreia da nova versão da série Cosmos, vi por todo o lado referências ao Carl Sagan em que se lhe chamava "o maior divulgador de ciência do século XX" ou variações desta ideia. E senti-me incomodado.

Em parte é compreensível. Carl Sagan é herói de muita gente. Para mim, até é mais do que herói: é um dos meus pais intelectuais. Sagan foi das raríssimas figuras públicas cujo falecimento me causou um desgosto profundo. Perdê-lo foi como perder alguém de família, e não há aqui o mínimo exagero. E, sim, considero-o um grande comunicador de ciência, responsável por uma série absolutamente central no que foi e talvez continue a ser a atitude de uma geração inteira para com a ciência e o universo. Ou pelo menos da parte dessa geração que aprendeu com ele a pensar.

Mas não foi o maior comunicador ou divulgador de ciência do século XX. Faz parte de um rarefeitíssimo Olimpo no qual se inserem também nomes como Jacques Cousteau ou Isaac Asimov, mas não consegue suplantar outro nome, o único de todos que continua vivo.

Falo, obviamente, de David Attenborough. Attenborough não tem rival. Pela longevidade da sua carreira, pelo seu estilo característico e inimitável (embora muitas vezes imitado — parece contraditório mas não é), pela impressionante qualidade da grande maioria dos projetos em que se envolve, sejam séries documentais, sejam livros, seja o que for. Pelo profissionalismo. Pois enquanto tanto Sagan como os outros tiveram carreiras de grande relevo noutras áreas, na ciência ou na literatura, Attenborough (quase) só fez divulgação de ciência. E isso, conjugado com o seu talento nato de comunicador, fez com que acabasse por fazê-la incomparavelmente bem.

Por isso me incomoda quando tentam pôr Sagan no seu lugar. Até porque não é, de todo, necessário. Sagan não necessita desse tipo de engrandecimento.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Cosmos

Apesar de milhares de anos de tradição que nos tenta convencer do contrário, nada existe mais maravilhoso do que o verdadeiro funcionamento do universo.

Sagan sabia-o bem.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Fernão de Magalhães

Quem tem a iniciativa de enviar um email para a Logos, a propósito do que quer que seja, vê-se inscrito à revelia num serviço de citações multitraduzidas (isto é, traduzidas para uma série de línguas diferentes, em greal mais de vinte) chamado Verba Volant. A de hoje é genial, e tem tudo a ver com o momento em que vivemos, de forte ataque à inteligência por parte de todos os fundamentalismos religiosos. Pertence a Fernão de Magalhães. Ou, pelo menos, eles dizem que pertence; se é apócrifa peçam-lhes esclarecimentos a eles, não a mim. Reza assim:

a Igreja diz que a Terra é achatada, mas sei que ela é redonda, porque vi a sombra na Lua, e tenho mais fé numa sombra do que na igreja


Amen, Fernão!

quinta-feira, 28 de abril de 2005

O estranho caso dos sapos explosivos

O que é porreiro na ciência é que até os fenómenos mais bizarros têm uma explicação perfeitamente banal, desde que seja possível estudá-los com atenção e cuidado.

O problema é quando não existe essa possibilidade, seja por que motivo for (ou porque o fenómeno é elusivo, ou quando o seu estudo aprofundado levanta problemas éticos inultrapassáveis, etc.). Nesses casos, temos fenómenos que vão alimentar procissões e santos milagreiros, o que muitas vezes tem a consequência desagradável de afastar do seu estudo toda a gente séria, pelo menos até que a solução surja sem ser chamada.

A natureza é assim: um lugar mais estranho que a ficção mais estranha.

Pelo menos durante algum tempo.

segunda-feira, 29 de março de 2004

E agora? Que irão os pró-prisão desencantar a seguir?

Having an abortion does not increase a woman's risk of developing breast cancer, concludes a comprehensive analysis of studies from around the world. The authors hope to lay to rest a highly charged debate.


Início de um artigo da Nature. Mas leiam o resto, leiam...

domingo, 14 de setembro de 2003

Até que enfim, morreu o Teller

Preparando-me para regressar à superfície depois de uns dias de hibernação internética quase total resolvi dar uma voltinha pelos blogs que visito habitualmente para ver o que se diz da morte de Edward Teller, aos 95 anos.

Nada. Rigorosa népia.

É pena. Teller foi um daqueles cientistas que não têm a mínima consideração pelos aspectos morais da sua pesquisa, e além disso foi um pulha cobarde, mantendo-se toda a vida agarrado como uma lapa ao complexo militar-industrial americano, sem ter nunca o mais pequeno pejo em apunhalar pelas costas colegas e mentores, como por exemplo Oppenheimer (este sim, um cientista com dimensão humana suficiente para, após ter feito muitas das descobertas fundamentais para ser possível criar uma bomba atómica funcional, ter passado a denunciar a ideia da guerra nuclear assim que a II Guerra Mundial acabou e desapareceu o perigo de serem os nazis a desenvolver a bomba).

Teller, ao ser responsável directo por todos os mortos de Hiroshima e Nagasaki, e por todos os que poderão ainda surgir a partir das armas que desenvolveu e defendeu toda a vida, transformou-se num dos grandes monstros que a Humanidade criou no século XX. A sua morte, que pecou por muito tardia, deveria ter causado um suspiro de alívio colectivo.

Em vez disso, o silêncio.

quinta-feira, 29 de maio de 2003

A arte da Natureza

Embora por vezes com uma ajudinha humana, a natureza tem o poder de criar das mais magníficas obras de arte. Belo exemplo disso são as imagens que podem ser apreciadas no site Frizion, do cientista (e vai em negrito porque vale a pena sublinhar) Peter Wasilewski. Olhem um exemplo:

Edit de 2008: O post original incluía uma imagem, mas o site entretanto removeu-a. De qualquer modo, o site mantém-se online e continua a valer uma visita.