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domingo, 20 de outubro de 2013

Quase

Já faltou mais.
Mas continuo a ter de gastar o meu tempo de fuga em viagens até muito, muito longe daqui.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Hoje

Hoje apetecia-me estar algures, bem longe. Talvez aqui.

Ou então na cama, a dormir o que não dormi durante a noite.

Mas não. Nem uma coisa nem outra.

É a vida a que temos direito, aparentemente.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Contas

Estive a fazer contas e há dezoito dias que não tenho descanso.

Exceto, bem entendido, quando parto para lugares longínquos.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ultimamente

Ultimamente não tem havido escrita, mal tem havido leituras, tem havido apenas trabalho. Um trabalho de tal forma desgastante que quando me farto e o ponho de lado estou tão absolutamente saturado de letras vírgulas pontos finais e o raio que parta tudo o que seja linguagem que só encontro refúgio nas paisagens alienígenas de um simulador do universo, o Space Engine. Paisagens como esta.
Quando isto acabar a Lâmpada retomará o ritmo habitual. Até lá, é pouco provável que recebam mais de mim do que uma imagem destas de vez em quando.

domingo, 19 de julho de 2009

Eu e a Lua

Já sou suficientemente velho para ter assistido à alunagem da Apollo na televisão, mas sou novo demais para me lembrar dela. Sei que a vi porque os meus pais mo disseram, e porque fui encontrar, anos mais tarde, um desenho infantilíssimo que só podia ser a minha tentativa de representar o módulo lunar, com o seu aspeto anguloso, com as suas pernas rematadas por apoios circulares (embora no desenho fossem só três, em vez de quatro), com as suas proporções razoavelmente corretas. Mas de nada me lembro, ou pelo menos sou incapaz de decidir se as imagens que tenho na memória têm alguma coisa a ver com os acontecimentos em direto, se são apenas reminiscências da miríade de fotografias e vídeos desfocados que vi mais tarde.

Hoje, que o planeta comemora os 40 anos da Apollo com um aparato mediático que contrasta com o quase silêncio de há 10 anos, dou por mim algo incomodado. Este post é uma tentativa de perceber porquê.

Em primeiro lugar há o óbvio: todas as histerias mediáticas me incomodam. E embora esta seja bem mais contida e o acontecimento bem mais merecedor do que a vida do Cristiano Ronaldo ou o desaparecimento da pequena Maddie, vejo nela algumas das mesmas características. Não me verão a desabafar com um "Arre! Já chega!" a propósito da Apollo, mas sinto o mesmo incómodo que me levou a fazê-lo relativamente a outros excessos mediáticos, ainda que numa concentração mais diluída.

Mas não é só isso.

A verdade é que nunca fui grande fã do programa Apollo. Sim, o Homem pisou outro corpo celeste, caminhou por ele, deixou lá aparelhos científicos que continuam ainda hoje a fornecer dados, recolheu amostras e trouxe-as para a Terra para serem aqui estudadas. Houve ciência importante a nascer com e do programa Apollo, e houve também desenvolvimentos tecnológicos que nos beneficiaram a todos. Mas a verdade é que nunca foi esse o objetivo primordial. O grande objetivo era, desde o início, militar e de propaganda. O programa Apollo foi filho da Guerra Fria e do facto dos soviéticos terem tomado a dianteira da "conquista" do espaço (até aqui a terminologia é bélica) com o lançamento do Sputnik e a colocação em órbita dos primeiros cosmonautas. O programa Apollo nasceu porque os americanos precisavam de algo espetacular que pudessem brandir, dizendo: OK, vocês fizeram isso, nós fizemos isto, que é melhor. E mais: pôr um pé na Lua era um primeiro passo necessário para eventuais reivindicações territoriais. Nunca chegaram a concretizar-se (pelo menos por enquanto — se a indústria espacial privada se desenvolver o suficiente para conseguir chegar à Lua temos em mãos um problema sério), mas podem ter a certeza de que não deixaram de ser ponderadas por muita gente. Não é certamente por acaso que o Tratado do Espaço Exterior, que proíbe reivindicações territoriais no espaço, foi assinado em 1967, meros dois anos antes da primeira alunagem.

Isso, no entanto, ainda é o menos. O realmente mau é que o programa Apollo é precisamente o contrário do que deve ser feito para desenvolver uma presença sustentada fora da Terra, e isso é o que realmente me interessa quando está em causa a presença do Homem em órbita ou noutros corpos celestes. Como o objetivo era de curto prazo, nunca se pensou a longo prazo. É verdade que se aprendeu a levar gente lá e a trazê-la de volta, mas nada foi feito para pensar em termos de futuras bases, métodos industriais que pudessem funcionar in loco, maneiras de produzir provisões que reduzissem a dependência relativamente ao planeta-mãe, etc. Foi-se apenas lá. Na verdade, assim que a primeira alunagem aconteceu, a NASA começou a reduzir pessoal. O "salto de gigante para a Humanidade" apregoado por Neil Armstrong (e não tenho dúvidas de que ele acreditava realmente no que estava a dizer) não passou dum saltinho. Ter ido à Lua em 1969 é um pouco como se os portugueses tivessem iniciado os seus séculos de exploração e expansão visitando a Madeira apenas para dizer infantilmente aos espanhóis "encontrámos umas ilhas e vocês não, toma-toma!" Cumprido o objetivo propagandístico, resolvidas as eventuais pretensões territoriais com o Tratado do Espaço Exterior, solucionados os problemas políticos, a Lua foi basicamente abandonada. O programa Apollo, que começou em triunfo, terminou quase em fiasco.

Quase. Porque houve algo que o programa Apollo nos deu, algo que não estava nos planos dos políticos e militares que o planearam, algo que na realidade está em completa oposição à filosofia que presidiu a todo o programa, algo que pode ser resumido nesta imagem:


O nascimento da Terra sobre o horizonte lunar, a visão do lar de todos nós como uma bola azulada a erguer-se sobre um horizonte desolado juncado de crateras, foi uma das mais poderosas sementes dos movimentos pela paz e dos movimentos ecologistas que, embora frequentemente com origens anteriores, começaram a conhecer um aumento rápido na sua adesão a partir dos finais dos anos 60 e nos anos 70. A consciencialização de que todos vivemos no mesmo planeta, e de que este não passa duma esfera que, no grande esquema das coisas, é bastante insignificante, entrou em muitas cabeças a partir destas imagens das naves Apollo. E é este o mais importante legado da alunagem de há 40 anos que comemoramos agora. A alunagem em si mesma, aquilo que ela significou para a exploração do nosso satélite, foi, a longo prazo, mais desapontamento do que triunfo. Mas a mudança não planeada que ajudou a operar no modo como vemos o lugar da nossa espécie no Universo pode conter a chave do nosso futuro.

E é por isso que me sinto ambivalente relativamente ao programa Apollo e mais ainda às atuais comemorações. Não vejo este aspeto a ser referido com a frequência que acho desejável; vejo principalmente triunfalismo, palavras de circunstância sobre a proeza, um fechar de olhos voluntário relativamente às zonas escuras das circunstâncias que a geraram. E isso, essa mitificação do passado, é o primeiro passo para as amnésias voluntárias que tanto mal costumam causar.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Coincidência cósmica

Um dos vários livros que tenho actualmente em leitura (sete, mais uma revista), um dos dois romances (os outros são livros - e revista - de contos), e, na verdade, o único de que se pode dizer com propriedade que já comecei (e estou quase a acabar), visto que do outro não li mais do que um punhado de páginas, é A Invenção de Leonardo, título que em Portugal foi dado a Pasquale's Angel, de Paul McAuley. Publicado pela mesma Saída de Emergência que tantos livros do Martin (e não só) me tem dado para traduzir.

Não tem nada a ver, mas um dos blogues que visito com maior regularidade e de que mais gosto, fruto da minha velha pancada por tudo o que tenha a ver com o Universo, é o Universe Today. É aí que obtenho a minha dose quase diária de notícias espaciais. Não é o único sítio, mas é provavelmente o principal. E além das notícias tem uma espécie de jogo, uma imagem espacial por semana, que os frequentadores deverão tentar identificar. Costumo jogar. E até acerto com uma certa regularidade, pelo menos quando não se põem com galáxias e nebulosas, que tendem a parecer-me todas iguais.

Foi o que aconteceu hoje. Reconheci de imediato a imagem, de Tritão, a maior lua de Neptuno, e lá fui deixar a notinha. Calhou ser o segundo comentador a fazê-lo, e o primeiro a dar a resposta certa, mas houve outro comentário a entrar segundos depois do meu (a hora dos dois é idêntica), também com a resposta certa. De quem?

Do Paul McAuley.

A sério. Se não é ele, é alguém que não só se apropriou do nome como liga para o blog dele, o que me parece muito pouco provável.

Ou seja, o autor do romance que estou a ler neste momento, publicado pela "minha" editora, põe um comentário quase idêntico ao meu, no mesmo blogue que eu, segundos depois de eu lá deixar o meu.

What are the odds?

Claro que quem puser uma destas numa história é imediatamente ridicularizado por quase toda a gente por usar um plot device tão inverosímil. Quem é que acredita em coincidências cósmicas? É preciso ser pateta de todo, não é?

Não é?

Pois é.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Tani

Não consigo imaginar coisa pior para acontecer na Terra enquanto um tipo está a trabalhar numa estação espacial à espera que se resolvam os problemas com os motores no veículo que é suposto levá-lo para casa do que perder a mãe num acidente particularmente estúpido.

Nem quero imaginar o que será estar encurralado numa lata acanhada com mais duas pessoas numa altura destas.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Pumba!

A Terra está constantemente a ser atingida por tralha vinda do espaço. Agora, parece que um pobre septuagenário alemão ficou sem casa por causa de um calhauzinho que sobreviveu à entrada na atmosfera e causou um incêndio. O tamanho da coisa? 10 mm. Sim, milímetros.

Razão tinham os gauleses do Astérix em ter medo que o céu lhes caísse em cima da cabeça.

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Absolutamente a não perder

Absolutamente a não perder por qualquer pessoa que goste do espaço é a maravilhosa imagem que a Astronomy Picture of the Day nos oferece no dia do seu 11º aniversário!

Obrigado!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

A Lâmpada Mágica recomenda...

Um artigo interessante, embora relativamente pequeno, acerca das possibilidades de criar um efeito de estufa eficaz em Marte. Se um dia quisermos mesmo viver lá, estes poderão ser os primeiros passos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

A Lâmpada Mágica recomenda...

... uma fascinante notícia da Nature acerca das possibilidades de evolução de uma vida bem diferente da nossa em Titã e noutros ambientes do Sistema Solar.

Ine ingliche, ófe córsse...

sábado, 15 de janeiro de 2005

Umas curiosidadezinhas para gordos

Bem, eu cá sou gorducho. O peso, de 97 kg, poderia fazer supor que sou mesmo gordo, mas como também sou alto não passo do gorducho, sem demasiadas redondezas em sítios esquisitos. Em todo o caso, depois de escrever o post anterior, fiquei curioso de ir ver quanto é que eu pesaria nos corpos onde já andámos a pousar. É uma autêntica dieta!

Uma corridinha até Vénus, peso-me e descubro que me fico pelos 88 kg. Não se perdeu grande coisa, e ainda é um pouco de excesso de peso, de modo que toca a fazer um jogging até Marte. Com a sauna que houve em Vénus e a corrida, a coisa parece que resultou: chego a Marte com menos de 37 kg. Aos anos que já não tenho 37 kg! Sinto-me lindamente, e dou um saltinho até à Lua, onde me peso e descubro que passei a ter só 16 kg. Diabo! É um bocado leve demais, mas a verdade é que me sinto forte, de modo que agarro numa sanduiche e vou até Titã, ver as vistas. Lá chegado volto a pesar-me: 14 kg. A sandocha fez efeito, e não perdi muito peso nesta longa viagem. Boa onda. Mas agora tenho de regressar, passando por Eros, e a fome aperta. Quando chego ao asteróide, apanho um susto: estou reduzido a 58 gramas! Pareço um montinho de fatias de fiambre! Toca prá Terra, almoçar!

Feitas as contas, ter 97 quilos não é tão mau como isso...

Alguns factos do mundo da Lua

Em Fevereiro de 1966, a sonda soviética Luna 9 foi o primeiro objecto de origem terrestre a pousar suavemente na superfície de outro mundo, depois de uma outra sonda da série Luna ter sido o primeiro objecto lançado da Terra a esmagar-se contra a Lua. Ambas transformaram o satélite da Terra no primeiro corpo celeste a ser quase directamente visitado pela humanidade. A visita directa ficaria para poucos anos mais tarde.

Em Dezembro de 1970, a Venera 7, também soviética, foi a primeira sonda a pousar suavemente na superfície de Vénus, também depois de várias sondas se terem esmagado contra essa mesma superfície. Vénus tornava-se, assim, no segundo corpo celeste visitado por engenhos oriundos da Terra.

Em 1971, foi ainda soviética a primeira sonda a descer suavemente sobre a superfície de Marte, mas quase não conta porque a sonda Mars 3 só funcionou durante 20 segundos depois de atingir o solo. Seja como for, foi essa sonda que transformou o planeta vermelho no número 3 desta série, embora tudo aquilo que dele já sabemos hoje, devido a pousos posteriores, faça com que mais pareça o número 1.

Seja como for, foi preciso esperar 30 anos, até Fevereiro de 2001, para se encontrar o número 4 na série de mundos onde sondas humanas pousaram de forma suave, e desta vez não se tratou nem de um planeta, nem de um satélite: tratou-se do pequeno asteróide 433 Eros, onde ainda se deve encontrar em boas condições, mas sem energia, a sonda NEAR Shoemaker, da NASA, que nem sequer foi concebida para a proeza.

E agora, 2005 e um imenso salto até às paragens longínquas dos planetas gigantes trouxeram-nos o número 5, a lua de Saturno Titã. Trouxeram-nos também a estreia da ESA nestas andanças e nestes pioneirismos. E fecharam a lista dos corpos relativamente pequenos com atmosferas relativamente densas onde é relativamente fácil abrandar um veículo com pára-quedas. Os próximos pousos serão mais complicados.

Mas este, é histórico. Ao todo, é só o quinto, mas é o primeiro em muitos detalhes.