Como expliquei aqui, a lista de histórias selecionadas para a antologia Nanocuentos del Planeta Tierra (não vo-lo tinha dito, mas o título parece ser este) vai ser divulgada aos poucos, imagino que numa tentativa de causar paragens cardíacas aos pobres autores ansiosos, e até ao fim desta semana estava previsto atingir-se o número de 100 minificções apuradas. E foi: hoje saiu mais uma lista de 50, a acrescentar às duas listas anteriores de 10 e de 40, muito centrada em autores de língua espanhola (embora não exclusivamente) e, consequentemente, muito cheia de nomes que eu não conheço.
Esta última lista encerra a coisa para quem escreveu originalmente em espanhol; os que não constam até agora ficam de fora da antologia. Mas ainda devem ser aceites cerca de 200 títulos escritos originalmente em outras línguas, o que mantém em pleno a esperança de que venham a aparecer mais nomes oriundos de países lusófonos. Da nova lista não consta nenhum.
Apesar de a vasta maioria me ser desconhecida, entre os 50 novos nomes há alguns que reconheço: Steve Rasnic Tem, americano, Daniel Salvo, peruano, Salik Shah, indiano, Fernando Sorrentino, argentino, e Antonio J. Cebrián, espanhol. Há mais alguns nomes que julgo reconhecer mas, como não tenho certeza (especialmente se realmente li ficções suas ou só troquei impressões com eles nos tempos em que frequentei fóruns de língua espanhola na internet, há mais de 10 anos), não os mencionarei aqui.
Não sei ao certo quando serão divulgados mais títulos e autores, agora todos em tradução, mas quando forem dir-vos-ei. Especialmente se houver mais pessoal lusófono por lá.
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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Decisión
Lembram-se disto? Do que está dito na introdução ao conto, não propriamente do conto em si? Pois bem: os prazos foram mais uma vez postergados, por atrasos na tradução, e os contos aceites não serão todos divulgados ao mesmo tempo. Mas já começam a sê-lo. Foram divulgados 10 há dias, ontem saíram mais 40, e até ao fim da semana deverão sair outros 50, somando um total de 100 minificções, o que deverá corresponder a cerca de um terço do total de ficções aceites e é menos de um décimo do total de propostas. A coisa está a ser divulgada na página de facebook da editora espanhola que irá publicar o livro, a qual tem o curioso nome de La Máquina que Hace Ping.
Não conheço muitos dos 50 nomes já divulgados, o que seria de esperar. Conheço o do mexicano José Luis Zárate, o do australiano Jay Caselberg, o do argentino (e antologista) Sérgio Gaut vel Hartmann, o do americano John Paul Allen (mas deste creio que nunca li nada), o do mexicano Alberto Chimal, o do cubano Juan Pablo Noroña, e os de mais ninguém. Ah sim, claro, também conheço os nomes de três portugueses: João Ventura, José Eduardo Lopes e Jorge Candeias.
Pois é, o meu outro conto, o que sobrou depois da recusa de Revolucionário, foi aceite. Intitulado Decisão na língua original e Decisión na tradução espanhola, é um conto de ficção científica integrado no mesmo universo de Miel Lê, e que explora fugazmente uma das ideias básicas desse universo. Não é FC hard (o universo dá para muitos tipos de histórias, da FC hard a histórias que nem parecem FC) e os elementos de ficção científica que contém são razoavelmente subtis, mas eles estão lá.
É animador ver aceite para publicação o primeiro conto que escrevi depois de uma pausa de mais de ano e meio, durante a qual não só não acabei nenhuma história, como não escrevi nada, nem uma linha, nem uma palavra. Sobretudo porque essa pausa foi provocada mais por desmotivação do que por deixar de ter histórias para contar. Elas sempre cá estiveram; passá-las a papel (ou, vá, a bits) é que parecia não valer minimamente a pena.
Também é interessante constatar que todos os três nomes portugueses aceites até ao momento publicaram no Infinitamente Improvável. Mas é provável que não nos fiquemos por aqui; afinal, ainda falta revelar a vasta maioria das ficções aceites. Depois conto-vos mais coisas.
Não conheço muitos dos 50 nomes já divulgados, o que seria de esperar. Conheço o do mexicano José Luis Zárate, o do australiano Jay Caselberg, o do argentino (e antologista) Sérgio Gaut vel Hartmann, o do americano John Paul Allen (mas deste creio que nunca li nada), o do mexicano Alberto Chimal, o do cubano Juan Pablo Noroña, e os de mais ninguém. Ah sim, claro, também conheço os nomes de três portugueses: João Ventura, José Eduardo Lopes e Jorge Candeias.
Pois é, o meu outro conto, o que sobrou depois da recusa de Revolucionário, foi aceite. Intitulado Decisão na língua original e Decisión na tradução espanhola, é um conto de ficção científica integrado no mesmo universo de Miel Lê, e que explora fugazmente uma das ideias básicas desse universo. Não é FC hard (o universo dá para muitos tipos de histórias, da FC hard a histórias que nem parecem FC) e os elementos de ficção científica que contém são razoavelmente subtis, mas eles estão lá.
É animador ver aceite para publicação o primeiro conto que escrevi depois de uma pausa de mais de ano e meio, durante a qual não só não acabei nenhuma história, como não escrevi nada, nem uma linha, nem uma palavra. Sobretudo porque essa pausa foi provocada mais por desmotivação do que por deixar de ter histórias para contar. Elas sempre cá estiveram; passá-las a papel (ou, vá, a bits) é que parecia não valer minimamente a pena.
Também é interessante constatar que todos os três nomes portugueses aceites até ao momento publicaram no Infinitamente Improvável. Mas é provável que não nos fiquemos por aqui; afinal, ainda falta revelar a vasta maioria das ficções aceites. Depois conto-vos mais coisas.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Será recomendável, mandar assim embaixadores às pessoas?
O Goodreads tem um serviço interessante para quem quer promover um livro: pode-se recomendá-lo a amigos ou contactos, e essas recomendações permitem que os que se deixarem interessar adicionem o livro a listas ao estilo de "quero ler" ou "vou comprar" ou até mesmo "coisinha apetitosa do papá."
Quando publiquei Por Vós lhe Mandarei Embaixadores depressa adicionei o livro ao Goodreads e foi com igual velocidade que senti vontade de fazer uso desse serviço de recomendações. No entanto não o fiz, pelo menos por enquanto.
Porquê?
Porque tenho estado a tentar decidir a que tipo de leitor recomendaria este livro.
Provavelmente, não serão poucos os marqueteiros que chegados aqui pensariam: Mas que está este parvalhão a dizer? Como quer vender livros assim? É claro que tem de o recomendar, caraças! No entanto, eu não consigo deixar de duvidar. De que me serve recomendar o livro a alguém que sei à partida que não vai gostar dele? Que utilidade teria fazê-lo? Vender mais livros? Mas para que quero eu vender livros com recomendações inadequadas, correndo assim o risco de alienar prováveis futuros leitores de outros livros meus, dos quais poderiam gostar bastante mais do que deste?
Sim, que eu não escrevo só maluquices...
E assim pensando, cheguei à sequência lógica desta cadeia de dúvidas: ao certo quem teria mais hipóteses de dar por bem empregues as horas gastas a ler este romance?
E cheguei a uma espécie de resposta.
Este romance foi escrito para mim, para me divertir a escrevê-lo. E divertiu. Mais: continua a divertir-me, anos mais tarde, apesar de já o ter relido tantas vezes, à conta das múltiplas revisões que lhe fiz, que quase seria capaz de recitá-lo (bem, há aqui um ligeiríssimo exagero... coisa pouca). Portanto, julgo que há uma elevada probabilidade de que quem se divirta com aquilo que me diverte leia isto com um sorriso nos lábios e talvez até vá soltando de vez em quando umas gargalhaditas. Especialmente se for como eu e, ao olhar para o cerimonial mais ou menos pomposo que está inerente a boa parte da política, o ache fundamentalmente ridículo. Especialmente se acha que boa parte das declarações solenes que por aí se fazem não passam de chachadas sem pés nem cabeça. Especialmente se consegue ver os interessezinhos escondidos por trás dos "valores" de que tanto hipócrita se faz paladino. Especialmente se tiver em si um núcleo de irreverência e subversão. Especialmente se algures no corpo tiver uma costelinha anarca. E muito em particular se costuma achar piada às maluquices que vou debitando ou partilhando nas redes sociais (aqui no blogue nem tanto).
O meu problema quando toca a fazer recomendações é não saber, na maioria dos casos, se a pessoa a quem eventualmente o recomendaria partilha deste tipo de atitude. Desta forma de encarar a parte mais solene e sisuda do mundo como uma grande e mascarada farsa. Daí a hesitação.
Se soubesse que sim, pois recomendaria sem reservas. O livro não será nenhuma obra prima literária, que não é (eu próprio já escrevi coisas literária e conceptualmente mais fortes do que esta) e de resto nunca pretendeu ser, mas é um livro escrito com correção no uso do português — a que, diga-se de passagem, a versão que se mantém online não faz inteira justiça; a do livro físico é francamente melhor — e está carregadinho de referências, piscadelas de olho, subcaricaturas da grande caricatura que nele fiz. Tantas que duvido mesmo muito que alguém as apanhe todas à primeira.
Se não, se não têm sentido de humor ou o têm mas muito diferente do meu, se até gostam de pompa e circunstância, se acham os políticos gente cheia de qualidades, se acham demasiado parva a ideia de terem um ET a ventosar por aí sem que ninguém lhe ligue peva, se consideram um crime de lesa-cultura-pátria que se brinque com Os Lusíadas, se, enfim, acham o respeitinho muito bonito, então aconselho-vos a passarem ao largo. De certeza quase absoluta não irão gostar do meu livrinho. Não percam tempo nem dinheiro com ele. Esperem pelo próximo, que talvez seja mais a vosso gosto.
E isto, reparo agora, deixa-me precisamente na mesma quanto a recomendar, ou não, o livro à maioria do pessoal a que estou ligado lá pelo Goodreads.
Ora bolas.
Já sei! Vou recomendá-lo ao Artur Coelho. Boa! Vamos lá então a ver onde é q... olha, ele já o leu e tudo?! Humpf! Assim não vale.
Adendinha melhor informada - Pois calha que sim, o Goodreads tem um sistema para recomendar livros às pessoas, mas não, os autores não podem usá-lo para recomendar os próprios livros. Desconhecia este piqueno detalhe. O que vale é que a ideia de usar o Goodreads para recomendar o meu livrinho à malta não está no centro deste post. Imaginem se estivesse. Imaginem só.
Quando publiquei Por Vós lhe Mandarei Embaixadores depressa adicionei o livro ao Goodreads e foi com igual velocidade que senti vontade de fazer uso desse serviço de recomendações. No entanto não o fiz, pelo menos por enquanto.
Porquê?
Porque tenho estado a tentar decidir a que tipo de leitor recomendaria este livro.
Provavelmente, não serão poucos os marqueteiros que chegados aqui pensariam: Mas que está este parvalhão a dizer? Como quer vender livros assim? É claro que tem de o recomendar, caraças! No entanto, eu não consigo deixar de duvidar. De que me serve recomendar o livro a alguém que sei à partida que não vai gostar dele? Que utilidade teria fazê-lo? Vender mais livros? Mas para que quero eu vender livros com recomendações inadequadas, correndo assim o risco de alienar prováveis futuros leitores de outros livros meus, dos quais poderiam gostar bastante mais do que deste?
Sim, que eu não escrevo só maluquices...
E assim pensando, cheguei à sequência lógica desta cadeia de dúvidas: ao certo quem teria mais hipóteses de dar por bem empregues as horas gastas a ler este romance?
E cheguei a uma espécie de resposta.
Este romance foi escrito para mim, para me divertir a escrevê-lo. E divertiu. Mais: continua a divertir-me, anos mais tarde, apesar de já o ter relido tantas vezes, à conta das múltiplas revisões que lhe fiz, que quase seria capaz de recitá-lo (bem, há aqui um ligeiríssimo exagero... coisa pouca). Portanto, julgo que há uma elevada probabilidade de que quem se divirta com aquilo que me diverte leia isto com um sorriso nos lábios e talvez até vá soltando de vez em quando umas gargalhaditas. Especialmente se for como eu e, ao olhar para o cerimonial mais ou menos pomposo que está inerente a boa parte da política, o ache fundamentalmente ridículo. Especialmente se acha que boa parte das declarações solenes que por aí se fazem não passam de chachadas sem pés nem cabeça. Especialmente se consegue ver os interessezinhos escondidos por trás dos "valores" de que tanto hipócrita se faz paladino. Especialmente se tiver em si um núcleo de irreverência e subversão. Especialmente se algures no corpo tiver uma costelinha anarca. E muito em particular se costuma achar piada às maluquices que vou debitando ou partilhando nas redes sociais (aqui no blogue nem tanto).
O meu problema quando toca a fazer recomendações é não saber, na maioria dos casos, se a pessoa a quem eventualmente o recomendaria partilha deste tipo de atitude. Desta forma de encarar a parte mais solene e sisuda do mundo como uma grande e mascarada farsa. Daí a hesitação.
Se soubesse que sim, pois recomendaria sem reservas. O livro não será nenhuma obra prima literária, que não é (eu próprio já escrevi coisas literária e conceptualmente mais fortes do que esta) e de resto nunca pretendeu ser, mas é um livro escrito com correção no uso do português — a que, diga-se de passagem, a versão que se mantém online não faz inteira justiça; a do livro físico é francamente melhor — e está carregadinho de referências, piscadelas de olho, subcaricaturas da grande caricatura que nele fiz. Tantas que duvido mesmo muito que alguém as apanhe todas à primeira.
Se não, se não têm sentido de humor ou o têm mas muito diferente do meu, se até gostam de pompa e circunstância, se acham os políticos gente cheia de qualidades, se acham demasiado parva a ideia de terem um ET a ventosar por aí sem que ninguém lhe ligue peva, se consideram um crime de lesa-cultura-pátria que se brinque com Os Lusíadas, se, enfim, acham o respeitinho muito bonito, então aconselho-vos a passarem ao largo. De certeza quase absoluta não irão gostar do meu livrinho. Não percam tempo nem dinheiro com ele. Esperem pelo próximo, que talvez seja mais a vosso gosto.
E isto, reparo agora, deixa-me precisamente na mesma quanto a recomendar, ou não, o livro à maioria do pessoal a que estou ligado lá pelo Goodreads.
Ora bolas.
Já sei! Vou recomendá-lo ao Artur Coelho. Boa! Vamos lá então a ver onde é q... olha, ele já o leu e tudo?! Humpf! Assim não vale.
Adendinha melhor informada - Pois calha que sim, o Goodreads tem um sistema para recomendar livros às pessoas, mas não, os autores não podem usá-lo para recomendar os próprios livros. Desconhecia este piqueno detalhe. O que vale é que a ideia de usar o Goodreads para recomendar o meu livrinho à malta não está no centro deste post. Imaginem se estivesse. Imaginem só.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Pandorama nos Contos de Litfan
Já foi há uns dias, mas não faz mal, digo-vos na mesma. O meu conto Pandorama, inicialmente editado no Infinitamente Improvável, foi republicado no site brasileiro Contos de Litfan, inuaugurando por lá uma secção nova, Insólitos. Link direto para o conto? Ei-lo.
terça-feira, 2 de abril de 2013
A FC no II
... ou, para quem anda mal de siglas, a ficção científica no Infinitamente Improvável.
Sim, o II continua ativo. Sem submissões há bastante tempo, visto que o último conto que foi publicado, em meados de fevereiro, chegou logo a abrir o ano, há três longos meses, mas o site continua ativo. Na expetativa do que possa eventualmente aparecer.
Mas não é disso que quero aqui falar. É de FC.
Quando escrevi a proposta, deixei mais ou menos subentendido que haveria alguma preferência por contos próximos da ficção científica. Fi-lo de propósito, não só por preferência pessoal minha, mas também como desafio aos autores. Porque se é razoavelmente fácil escrever contos mágicos, em que se postulam mundos cujas regras de funcionamento estão limitadas apenas pela imaginação do autor, e se é algo mais difícil escrever contos que projetam para futuros ou outras realidades o que a ciência determinou ser plausível, ou pelo menos verosímil, escrever contos próximos da FC que lidem com o impossível parece situar-se numa estreita inteseção de mundos pouco compatíveis, exigindo bastante de quem escreve.
Foi em parte para despoletar essa exigência, para as pessoas não pensarem que eu só iria querer coisas do género, que procurei estabelecer um intervalo razoavelmente amplo com os contos meus que escolhi para servir de balizas. A Injeção Financeira é um continho absurdista que sorri da linguagem, e Testemunhas também anda por essas zonas, ainda que seja um pouco mais chegado ao surrealismo e à fábula. Ambos tentam fazer humor, e ambos foram buscar inspiração a Mário-Henrique Leiria, que aliás é, também assumidamente, uma inspiração genérica para toda a ideia.
Mas decidi também mostrar mais ou menos que tipo de conto mais gostaria de receber com Pandorama. Este já mete uma criatura de outro universo, cosmologia, um contacto com outra inteligência e as dificuldades que ele acarreta. Tudo temas típicos da ficção científica. E, claro, o infinitamente improvável sob a forma da queda cosmológica, da transição entre universos.
Depois, recostei-me, à espera de ver o que apareceria. À espera de ver se me surpreenderiam. Foi sem grande surpresa que vi aparecer o terror sobrenatural de O Pacto Macabro da Velha Antonha, ou o realismo mágico de A Rapariga de Areia, etc. Contos que respeitam a proposta do II mas se enquadram em géneros ou subgéneros bem estabelecidos. Contudo, já foi com surpresa que vi chegar ficções científicas bastante clássicas, nas quais a improbabilidade infinita da proposta é usada de forma astuciosa pelos autores. Em especial duas.
A primeira foi Variável da Imponderabilidade, de Tibor Moricz, que postula uma sociedade impossivelmente misógina e centra nesse facto o conflito que faz mover o conto, mas depois desenrola a história segundo as regras da solidez conceptual e de verosimilhança típicas da FC pura e razoavelmente dura. A segunda foi ainda mais subtil, a tal ponto que senti necessidade de perguntar ao autor por que motivo achava que o conto se adequava à proposta do webzine — e também foi depois dela me aparecer que comecei a pensar neste artiguito. É que a história em questão, Para Cada Verdade as Suas Consequências, do Miguel Hernâni Guimarães é, toda ela, uma distopia de Lisboa em guerra, bastante sólida e totalmente verosímil no caso de toda esta coisa do euro e da União Europeia dar o berro com violência, uma história de FC de futuro próximo de um tipo que João Barreiros, por exemplo, já produziu algumas vezes. Guimarães respondeu-me que uma das personagens do conto nunca se deixaria apanhar numa situação como aquela, e que aí residia a sua obediência à proposta. E eu sorri, pensei com os meus botões "bem jogado, pá!", e aceitei-o. Mas aceitei-o com a consciência de que estava a aceitar o que é basicamente uma FC clássica, algo distante da minha ideia inicial para o zine. Ajudou eu ter gostado bastante do conto.
Estas histórias, no entanto, não são as únicas em que a ficção científica está presente. Há o já citado Pandorama, há um outro conto meu, Uma História Verdadeira, Segundo Quem a Contou, cuja ideia básica é inverter o velho chavão do bug-eyed monster que tanta escola fez na FC da Golden Age, pondo um insignificante mosquito como piloto aviador regressado duma catastrófica missão de ataque a um horrendo monstro com dois braços, duas pernas, instintos assassinos e uma gruta privativa (e que é baseada em factos reais, comigo no papel de monstro horrendo), há Terra Brasilis do Gerson Lodi-Ribeiro, conto ambientado num planeta Terra que se vê subitamente alterado de tal forma que todos os países, à exceção do Brasil, se esvaziam de homens e civilização e que também se desenrola como FC pura e dura após a infinita improbabilidade que dá o pontapé de saída ao enredo, há Decepções da Paternidade, também do MH Guimarães, que se passa num futuro (embora troce venenosamente do presente) em que a aprendizagem é praticamente instantânea e os professores foram substituídos por androides, há dois contos do João Ventura, que até são os que mais se aproximam do tipo de material que eu contava receber no zine, Sem Maneiras, conto que anda em volta de conceitos tão científicos como a explosão de conteúdos informativos e os buracos negros, e a piscadela de olho a Flatland que é Uma Notícia Geométrica, e há Cientista, de Fernando Soromenho, que recupera outro velhíssimo chavão da FC, o cientista louco, e as consequências imprevistas e altamente nefastas da sua atividade.
Estas sete histórias são as que melhor correspondem ao que eu esperava receber. Eu não chamaria FC a todas, mas a FC é em todas uma componente. Somando-lhes as duas de que falo acima, são nove histórias em que a ficção científica está presente, de um total de 17 histórias publicadas no zine. Basicamente metade, embora bastante mais de metade se em vez de número de histórias pensarmos em número de palavras. É que, para além do mais, são precisamente as histórias próximas da FC que são as mais extensas, o que não deixa de ser curioso.
E eu gosto que assim seja. Gosto de ser surpreendido, gosto de FC, gosto de quem aplica inteligentemente premissas e limites. Só tenho pena de, aparentemente, o poço ter secado. Se é seca provisória ou definitiva só adiante se verá.
Seja como for, é a vida.
Sim, o II continua ativo. Sem submissões há bastante tempo, visto que o último conto que foi publicado, em meados de fevereiro, chegou logo a abrir o ano, há três longos meses, mas o site continua ativo. Na expetativa do que possa eventualmente aparecer.
Mas não é disso que quero aqui falar. É de FC.
Quando escrevi a proposta, deixei mais ou menos subentendido que haveria alguma preferência por contos próximos da ficção científica. Fi-lo de propósito, não só por preferência pessoal minha, mas também como desafio aos autores. Porque se é razoavelmente fácil escrever contos mágicos, em que se postulam mundos cujas regras de funcionamento estão limitadas apenas pela imaginação do autor, e se é algo mais difícil escrever contos que projetam para futuros ou outras realidades o que a ciência determinou ser plausível, ou pelo menos verosímil, escrever contos próximos da FC que lidem com o impossível parece situar-se numa estreita inteseção de mundos pouco compatíveis, exigindo bastante de quem escreve.
Foi em parte para despoletar essa exigência, para as pessoas não pensarem que eu só iria querer coisas do género, que procurei estabelecer um intervalo razoavelmente amplo com os contos meus que escolhi para servir de balizas. A Injeção Financeira é um continho absurdista que sorri da linguagem, e Testemunhas também anda por essas zonas, ainda que seja um pouco mais chegado ao surrealismo e à fábula. Ambos tentam fazer humor, e ambos foram buscar inspiração a Mário-Henrique Leiria, que aliás é, também assumidamente, uma inspiração genérica para toda a ideia.
Mas decidi também mostrar mais ou menos que tipo de conto mais gostaria de receber com Pandorama. Este já mete uma criatura de outro universo, cosmologia, um contacto com outra inteligência e as dificuldades que ele acarreta. Tudo temas típicos da ficção científica. E, claro, o infinitamente improvável sob a forma da queda cosmológica, da transição entre universos.
Depois, recostei-me, à espera de ver o que apareceria. À espera de ver se me surpreenderiam. Foi sem grande surpresa que vi aparecer o terror sobrenatural de O Pacto Macabro da Velha Antonha, ou o realismo mágico de A Rapariga de Areia, etc. Contos que respeitam a proposta do II mas se enquadram em géneros ou subgéneros bem estabelecidos. Contudo, já foi com surpresa que vi chegar ficções científicas bastante clássicas, nas quais a improbabilidade infinita da proposta é usada de forma astuciosa pelos autores. Em especial duas.
A primeira foi Variável da Imponderabilidade, de Tibor Moricz, que postula uma sociedade impossivelmente misógina e centra nesse facto o conflito que faz mover o conto, mas depois desenrola a história segundo as regras da solidez conceptual e de verosimilhança típicas da FC pura e razoavelmente dura. A segunda foi ainda mais subtil, a tal ponto que senti necessidade de perguntar ao autor por que motivo achava que o conto se adequava à proposta do webzine — e também foi depois dela me aparecer que comecei a pensar neste artiguito. É que a história em questão, Para Cada Verdade as Suas Consequências, do Miguel Hernâni Guimarães é, toda ela, uma distopia de Lisboa em guerra, bastante sólida e totalmente verosímil no caso de toda esta coisa do euro e da União Europeia dar o berro com violência, uma história de FC de futuro próximo de um tipo que João Barreiros, por exemplo, já produziu algumas vezes. Guimarães respondeu-me que uma das personagens do conto nunca se deixaria apanhar numa situação como aquela, e que aí residia a sua obediência à proposta. E eu sorri, pensei com os meus botões "bem jogado, pá!", e aceitei-o. Mas aceitei-o com a consciência de que estava a aceitar o que é basicamente uma FC clássica, algo distante da minha ideia inicial para o zine. Ajudou eu ter gostado bastante do conto.
Estas histórias, no entanto, não são as únicas em que a ficção científica está presente. Há o já citado Pandorama, há um outro conto meu, Uma História Verdadeira, Segundo Quem a Contou, cuja ideia básica é inverter o velho chavão do bug-eyed monster que tanta escola fez na FC da Golden Age, pondo um insignificante mosquito como piloto aviador regressado duma catastrófica missão de ataque a um horrendo monstro com dois braços, duas pernas, instintos assassinos e uma gruta privativa (e que é baseada em factos reais, comigo no papel de monstro horrendo), há Terra Brasilis do Gerson Lodi-Ribeiro, conto ambientado num planeta Terra que se vê subitamente alterado de tal forma que todos os países, à exceção do Brasil, se esvaziam de homens e civilização e que também se desenrola como FC pura e dura após a infinita improbabilidade que dá o pontapé de saída ao enredo, há Decepções da Paternidade, também do MH Guimarães, que se passa num futuro (embora troce venenosamente do presente) em que a aprendizagem é praticamente instantânea e os professores foram substituídos por androides, há dois contos do João Ventura, que até são os que mais se aproximam do tipo de material que eu contava receber no zine, Sem Maneiras, conto que anda em volta de conceitos tão científicos como a explosão de conteúdos informativos e os buracos negros, e a piscadela de olho a Flatland que é Uma Notícia Geométrica, e há Cientista, de Fernando Soromenho, que recupera outro velhíssimo chavão da FC, o cientista louco, e as consequências imprevistas e altamente nefastas da sua atividade.
Estas sete histórias são as que melhor correspondem ao que eu esperava receber. Eu não chamaria FC a todas, mas a FC é em todas uma componente. Somando-lhes as duas de que falo acima, são nove histórias em que a ficção científica está presente, de um total de 17 histórias publicadas no zine. Basicamente metade, embora bastante mais de metade se em vez de número de histórias pensarmos em número de palavras. É que, para além do mais, são precisamente as histórias próximas da FC que são as mais extensas, o que não deixa de ser curioso.
E eu gosto que assim seja. Gosto de ser surpreendido, gosto de FC, gosto de quem aplica inteligentemente premissas e limites. Só tenho pena de, aparentemente, o poço ter secado. Se é seca provisória ou definitiva só adiante se verá.
Seja como for, é a vida.
domingo, 10 de julho de 2011
Sou um autor de best-sellers e nem sabia
Isto que estão aqui a ver é um print screen de algo que nunca pensei ver em dias da minha vida. Tirado do site da Bertrand. Eu sei, é pequeno, mas acho que dá para ver em maior. Tentem clicar na imagem. E, de resto, se forem rápidos talvez ainda consigam ver a coisa a decorrer, aqui. O site é o da Bertrand, como o logotipo sugere. A lista é a dos livros de ficção científica que nele estão disponíveis. A ordenação? Por ranking de vendas. Por ranking de vendas!
Sim, isso mesmo. Ou há algum bug estranho lá no sistema da Bertrand, ou o meu Sally é o livro de FC mais vendido de momento na loja online. Suponho que só na loja online. E eu estou com os olhinhos todos trocados. Assim mesmo, ó: O_o
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Dagon, opinião zero vírgula cinco: as minhas coisas
Não, ainda não comecei a ler a Dagon, mas lembrei-me de que já conheço parte do seu conteúdo: a parte que me diz diretamente respeito. E já agora que também posso dizer o que eu acho sobre essa parte. Pode ser que alguém se interesse por saber. Se for esse o caso, venham daí.
Começando pelo princípio: a entrevista. Não tenho muito a dizer. É uma entrevista que me satisfez. Achei as perguntas relevantes e interessantes, e respondi-lhes o melhor possível. Houve partes das respostas que me deixaram um pouco insatisfeito, porque para realmente expressarem as minhas ideias do princípio ao fim exigiriam artigos completos, e não respostas de dois ou três parágrafos. Mas embora ninguém me tivesse imposto limites ao tamanho das respostas, eu sei que não se pretende obter com uma entrevista um conjunto de artigos. Afinal, já trabalhei como jornalista. De modo que é uma insatisfação inevitável. Mas talvez escreva um dia os artigos.
Segue-se o artigo. Como nele afirmo, trata-se de algo que sai duma reflexão que está iniciada mas não concluída e, embora seja bastante longo, a reflexão ramifica-se de tal modo que houve coisas que tive de simplificar, o que também fiz para tentar mantê-lo interessante. Bem sei como por vezes é aborrecido ler coisas longas no monitor... e se forem chatas então, ui! O facto da reflexão não estar concluída significa que o mais provável é que eu próprio não concorde por inteiro com ele daqui a algum tempo. É uma opinião em processo de construção, e portanto também em mutação. Mas é uma opinião honesta no momento em que foi escrita, e acho que levanta alguns problemas em que vale a pena pensar a sério, com boa fé e honestidade, mesmo que as conclusões a que depois se chega sejam diametralmente opostas às minhas. O que me parece inevitável, sabendo como sei como pensam certas pessoas. À parte isso, talvez haja por lá uma ou outra coisa que gostaria de ter explicado melhor, mas em geral o que lá está é o que lá deve estar.
E por fim, o conto. É uma brincadeira e uma experiência. Não é um grande conto, talvez nem sequer o ache um bom conto, mas acho-o um conto divertido, que é o que pretendeu ser. A experiência consiste em tentar contar uma história de FC recorrendo apenas a diálogos e sem cair na velha armadilha do "como sabes, Bob" que tanto fez sofrer a FC ao longo das décadas. Sendo composto apenas de diálogos, e sendo eu de opinião que os diálogos se querem razoavelmente naturais, não há nele um tratemento cuidado da língua. Para muita gente, talvez, antes pelo contrário, especialmente nas falas dos "chavalos". De modo que quem não tiver sentido de humor, ou quem o tiver pouco compatível com o meu o mais certo é que não goste. Quanto aos outros, se o lerem com um sorriso e acabarem com uma gargalhadinha já me deixam satisfeito.
Começando pelo princípio: a entrevista. Não tenho muito a dizer. É uma entrevista que me satisfez. Achei as perguntas relevantes e interessantes, e respondi-lhes o melhor possível. Houve partes das respostas que me deixaram um pouco insatisfeito, porque para realmente expressarem as minhas ideias do princípio ao fim exigiriam artigos completos, e não respostas de dois ou três parágrafos. Mas embora ninguém me tivesse imposto limites ao tamanho das respostas, eu sei que não se pretende obter com uma entrevista um conjunto de artigos. Afinal, já trabalhei como jornalista. De modo que é uma insatisfação inevitável. Mas talvez escreva um dia os artigos.
Segue-se o artigo. Como nele afirmo, trata-se de algo que sai duma reflexão que está iniciada mas não concluída e, embora seja bastante longo, a reflexão ramifica-se de tal modo que houve coisas que tive de simplificar, o que também fiz para tentar mantê-lo interessante. Bem sei como por vezes é aborrecido ler coisas longas no monitor... e se forem chatas então, ui! O facto da reflexão não estar concluída significa que o mais provável é que eu próprio não concorde por inteiro com ele daqui a algum tempo. É uma opinião em processo de construção, e portanto também em mutação. Mas é uma opinião honesta no momento em que foi escrita, e acho que levanta alguns problemas em que vale a pena pensar a sério, com boa fé e honestidade, mesmo que as conclusões a que depois se chega sejam diametralmente opostas às minhas. O que me parece inevitável, sabendo como sei como pensam certas pessoas. À parte isso, talvez haja por lá uma ou outra coisa que gostaria de ter explicado melhor, mas em geral o que lá está é o que lá deve estar.
E por fim, o conto. É uma brincadeira e uma experiência. Não é um grande conto, talvez nem sequer o ache um bom conto, mas acho-o um conto divertido, que é o que pretendeu ser. A experiência consiste em tentar contar uma história de FC recorrendo apenas a diálogos e sem cair na velha armadilha do "como sabes, Bob" que tanto fez sofrer a FC ao longo das décadas. Sendo composto apenas de diálogos, e sendo eu de opinião que os diálogos se querem razoavelmente naturais, não há nele um tratemento cuidado da língua. Para muita gente, talvez, antes pelo contrário, especialmente nas falas dos "chavalos". De modo que quem não tiver sentido de humor, ou quem o tiver pouco compatível com o meu o mais certo é que não goste. Quanto aos outros, se o lerem com um sorriso e acabarem com uma gargalhadinha já me deixam satisfeito.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Dagon, opinião zero: o visual
Tenciono ler a Dagon. Devagarinho e aos poucos, como não podia deixar de ser. Ainda não comecei, de modo que não vou dizer nada sobre o texto, mas já a "folheei" virtualmente e já posso dizer umas coisas sobre o aspeto.
Tem bom aspeto. A capa está gira, as ilustrações também. Essa parte está inteiramente aprovada. O tipo de letra neste tipo de publicação é sempre um problema: no computador lê-se melhor quando a letra não é serifada, em papel quando é serifada, e o PDF é uma espécie de híbrido, pois embora se destine teoricamente a ser lido em computador, pode também ser impresso sem perda de formatação, o que faz com que muito frequentemente seja isso mesmo que acontece. Consequência: seja qual for a escolha que se faz tem sempre problemas, e a consequência disso é que desde que o tipo seja legível as escolhas estão todas certas. Neste caso temos legibilidade, logo está certo. Pessoalmente, teria preferido uma uniformidade maior na estruturação dos textos a nível de parágrafos (sem espaço entre eles, a não ser quando o texto os pede), mas isso é preferência minha. Também é preferência minha, embora aqui já ache que não é só preferência minha, que não haja espaços vazios a seguir aos textos — prefiro-os preenchidos com alguma coisa, uma ilustração, um anúncio, um mini-conto ou poema, algo assim.
Reparos tenho em relação ao tamanho do texto, às colunas, etc., pois aí creio que foi cometido um erro que prejudica a leitura. Normalmente, um texto é agradável de ler quando a linha média tem à volta de 8 - 13 palavras. Menos, faz com que o ritmo se quebre com os saltos contínuos dos olhos para trás e para diante; mais, e torna mais fácil que o leitor se baralhe com a linha, especialmente quando volta ao início para ler a linha seguinte. Ora, o tamanho de letra que foi escolhido para as colunas da Dagon reduz substancialmente esse número. Não fiz as contas, mas acho que não erraria por muito se as estimasse, por alto, em 5. Creio que a leitura no computador não seria prejudicada em nada se o tamanho da letra fosse reduzido, mesmo que se tenha monitores dos mais pequenos. Isso, caso se queira manter as duas colunas, porque existe a alternativa de manter aquele tamanho de letra, que é de facto muito fácil de ler no monitor, mas usar apenas uma coluna como se faz nos livros (e em revistas como a Ficções, a Asimov's, etc.). Qualquer destas alternativas, parece-me, é melhor do que o formato adotado no número zero. Pensem nisso para o número 1.
E é isto, para já. À medida que a for lendo irei dizendo mais coisas.
Tem bom aspeto. A capa está gira, as ilustrações também. Essa parte está inteiramente aprovada. O tipo de letra neste tipo de publicação é sempre um problema: no computador lê-se melhor quando a letra não é serifada, em papel quando é serifada, e o PDF é uma espécie de híbrido, pois embora se destine teoricamente a ser lido em computador, pode também ser impresso sem perda de formatação, o que faz com que muito frequentemente seja isso mesmo que acontece. Consequência: seja qual for a escolha que se faz tem sempre problemas, e a consequência disso é que desde que o tipo seja legível as escolhas estão todas certas. Neste caso temos legibilidade, logo está certo. Pessoalmente, teria preferido uma uniformidade maior na estruturação dos textos a nível de parágrafos (sem espaço entre eles, a não ser quando o texto os pede), mas isso é preferência minha. Também é preferência minha, embora aqui já ache que não é só preferência minha, que não haja espaços vazios a seguir aos textos — prefiro-os preenchidos com alguma coisa, uma ilustração, um anúncio, um mini-conto ou poema, algo assim.
Reparos tenho em relação ao tamanho do texto, às colunas, etc., pois aí creio que foi cometido um erro que prejudica a leitura. Normalmente, um texto é agradável de ler quando a linha média tem à volta de 8 - 13 palavras. Menos, faz com que o ritmo se quebre com os saltos contínuos dos olhos para trás e para diante; mais, e torna mais fácil que o leitor se baralhe com a linha, especialmente quando volta ao início para ler a linha seguinte. Ora, o tamanho de letra que foi escolhido para as colunas da Dagon reduz substancialmente esse número. Não fiz as contas, mas acho que não erraria por muito se as estimasse, por alto, em 5. Creio que a leitura no computador não seria prejudicada em nada se o tamanho da letra fosse reduzido, mesmo que se tenha monitores dos mais pequenos. Isso, caso se queira manter as duas colunas, porque existe a alternativa de manter aquele tamanho de letra, que é de facto muito fácil de ler no monitor, mas usar apenas uma coluna como se faz nos livros (e em revistas como a Ficções, a Asimov's, etc.). Qualquer destas alternativas, parece-me, é melhor do que o formato adotado no número zero. Pensem nisso para o número 1.
E é isto, para já. À medida que a for lendo irei dizendo mais coisas.
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