quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Maria João Santos: O Segredo de Eliana

É curioso constatar que, pelo menos na altura em que este livro foi concebido e construído, na mente de um quinhão considerável de candidatos a autores a expressão "conto fantástico" é equivalente a "conto de horror", e isto apesar de o horror ter há largas décadas uma presença bastante minoritária na produção literária portuguesa, mesmo se a restringirmos à ficção fantástica vista como grande termo englobador de tudo quanto seja literaturas não realistas ou mainstream. Provavelmente serão resquícios do gótico oitocentista; parece que muita gente ignora toda a produção literária do século XX.

Vem isto mais ou menos a propósito de mais um conto de horror de fundo cristão — um bocadinho a atirar para o beato, na verdade — inspirado pelo espetáculo macabro das capelas dos ossos (há várias espalhadas pelo país). A protagonista de O Segredo de Eliana (bibliografia) tem um segredo antigo que não pode revelar a ninguém, nem mesmo ao marido, e isso vai causar uma série de problemas de cariz sobrenatural, relacionados com uma bruxa má. Maria João Borges dos Santos não escreve mal, se descontarmos algum pendor para a adjetivação em excesso, mas a verdade é que esta sua história é algo banal e, em parte por vir na sequência de tantas outras histórias com tantas semelhanças com ela, se torna cansativa ao ponto de eu ter terminado a leitura com um encolher de ombros de indiferença. A culpa será menos dela do que de quem organizou a antologia, mas as coisas são como são.

Textos anteriores deste livro:

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Steve Rasnic Tem: Denegare Spasticus

A doença que o Dr. Steve Rasnic Tem nos apresenta está ligada à tenra idade e vai-se logo percebendo qual é assim que se traduz o nome latino, Denegare Spasticus (bibliografia) para o seu equivalente português, Síndrome da Negação Espasmódica. Com efeito, os pacientes negam violentamente com a cabeça (e com a voz, também) qualquer coisa que se recusam a aceitar, durante períodos demorados, e a enfermidade não tem cura.

É mais um textozinho divertido, mas que não me parece tão bom como alguns dos outros principalmente por um motivo: não consegue propriamente contar uma história. Alguns destes autores pegam na ideia da doença e esboçam a rápidas pinceladas histórias razoavelmente sólidas sobre o seu aparecimento e evolução, ou sobre a sua descoberta; outros, e Tem inclui-se neste grupo, pouco saem da descrição pseudoclínica, e isso, para mim, torna as suas histórias menos interessantes. Esta tem uns pozinhos de crítica social, mais uns pozinhos de nostalgia de infância, mas muito pouco aprofundados, uns e outros. E isso torna-a esquecível.

Textos anteriores deste livro:

Arthur Dapieve: Bloqueio

Com Arthur Dapieve, outro autor brasileiro que eu nunca tinha lido, regressamos a histórias em que o tema deste livro, as cadeiras, não é algo de incidental e supérfluo à narrativa como no conto anterior, mas está no seu centro. Mesmo que a cadeira que é fulcral neste Bloqueio não seja propriamente a cadeira em que a generalidade das pessoas pensa quando lê ou ouve a palavra.

E desta vez estamos perante um conto muito interessante sobre o civismo, ou a falta dele. Sobre a consideração pelo outro ou o salve-se quem puder. O protagonista é aquilo a que no Brasil se dá o nome de "cadeirante" (e que nós bem podíamos adotar, uma vez que não temos, que eu saiba, nenhum termo equivalente e este está bastante bem apanhado): um homem que se desloca numa cadeira de rodas. Esse homem, aparentemente habitante de um dos morros do Rio de Janeiro, tem uma consulta na parte baixa da cidade e desloca-se para lá quando depara com um carro empoleirado em cima do passeio, cortando-lhe o caminho. E, sendo o passeio alto, não consegue descer para a rua a fim de o contornar. E começa a chover. E decide voltar para trás e tentar de outra maneira, mas alguém, entretanto, pôs outro carro mais acima em cima do passeio a cortar-lhe o caminho. E chove cada vez com mais força. E não aparece ninguém que o possa ajudar.

Pode ver-se esta história como um conto de horror, a história de um homem preso nas suas limitações e nas que lhe são impostas pelos seus semelhantes, que ignoram ativamente as suas necessidades, e pelos elementos. Um pesadelo. Mas também como uma denúncia da indiferença pelo outro e da desumanidade da selva urbana. É um conto que impacta. Um conto francamente bom.

Contos anteriores deste livro:

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Mais "meus"... agora em edição especial

Quando aceitei a proposta de traduzir o primeiro volume das Crónicas de Gelo e Fogo (é assim que se chama a série, e não Guerra dos Tronos como muita gente julga; esse é o título do primeiro livro da série... e da série de televisão) não fazia a mínima ideia do que aí vinha. A Guerra dos Tronos foi apenas o terceiro romance que traduzi na minha carreira e o quarto livro que traduzi integralmente, pois antes tinha-me também passado pelas mãos um livro de contos do Conan. Além de um romance histórico — A Cor do Céu do James Runcie, o livro com que me estreei — de uma história alternativa — O Dilema de Shakespeare, do Harry Turtledove, a grande prova de fogo do início deste trajeto — e desse livro do Conan, tinha traduzido profissionalmente apenas mais alguns contos de Robert E. Howard (e de forma amadora mais uma mancheia de outros, de outros autores) antes de pegar no Martin.

E depois passei dois anos mergulhado no Martin. Literalmente, porque não trabalhei em mais nada a não ser no livro seguinte da série. São livros muito grandes, como toda a gente sabe, e os quatro primeiros (ou os oito primeiros na edição portuguesa) ocuparam integralmente o meu tempo durante dois anos.

Desde aí, traduzi uma série de outras coisas, tanto do Martin quanto da outra autora que tem dominado a minha atividade profissional: a Robin Hobb. E também de outros autores, obviamente. Traduzi fantasia, traduzi ficção científica, traduzi banda desenhada, traduzi fantástico, traduzi romance histórico e, mais recentemente, traduzi não-ficção. Memórias e coisas do género. E, à parte os livros que estão no prelo (obviamente), tenho cá em casa um exemplar de cada um dos livros que traduzi.

Mas só um.

Não tenho as reedições com capas diferentes. Não tenho as edições brasileiras. Não tenho aquelas edições das Crónicas de Gelo e Fogo em que cada livro original é dividido não em dois volumes, mas em quatro. Não tenho as edições em livro de bolso de alguns dos livros que traduzi. Não tenho e, na maioria dos casos, não quero ter — a casa não é grande e o espaço em estante não abunda.

Mas esta edição está a fazer vir à superfície o bibliófilo superficial que há em mim, aquele que normalmente reprimo, aquele que ao conteúdo dos livros, que no fundo é o que realmente interessa, deixa sobrepor a beleza do objeto. Bolas, que estas edições de capa dura são espetaculares. O texto é o mesmo, mas raios partam, pá. Acho que quero.

PS: Reparei depois de publicar este post que ele é o 4500º post da Lâmpada. Ena tantos!

Sarah Cohen: Fim de Relacionamento

Outra autora brasileira, Sarah Cohen traz com Fim de Relacionamento (bibliowiki) uma história de horror psicológico algo diferente do que tem sido hábito encontrar neste livro, e por isso mesmo mais interessante. Mais curto do que a generalidade dos outros, este é daqueles contos cujo tamanho está perfeitamente adequado à história que conta e, quando se tem em conta que a língua também não sai maltratada, chega-se à conclusão de que, não sendo nenhuma obra-prima, esta é das histórias mais interessantes de toda a antologia (julgo ir já adiantado o suficiente para poder dizer isto).

Não é possível falar muito sobre ela sem desvendar o desfecho, o que seria desagradável dado que o conto depende de um final surpresa para realmente resultar. É a história de uma mulher que se sente perseguida pelo ex-namorado e foge. Na verdade, sente-se mais que perseguida; sente a vida em perigo, sente que se deixar que o tipo a apanhe acabará assassinada. Em pânico, procura ajuda numa bomba de gasolina, e é aí que o desfecho se dá. E é surpreendente o suficiente para este conto estar bem feito.

É um bom conto? Eu talvez não vá tão longe. Mas é muito razoável, isso com toda a certeza.

Textos anteriores deste livro:

domingo, 19 de janeiro de 2020

Um breve esclarecimento a respeito do Aprendiz de Assassino

Chegou ao meu conhecimento, através desta publicação, que há no Brasil quem pense que as duas edições de O Aprendiz de Assassino de Robin Hobb feitas até hoje no país tiveram tradutores diferentes, sendo uma delas tradução minha e a outra do Orlando Moreira.

Penso portanto que se faz necessário um esclarecimento. Muito claramente, afirmo aqui que não é verdade.

A tradução de O Aprendiz de Assassino é, seja nas edições portuguesas, seja nas brasileiras, da responsabilidade exclusiva do Orlando Moreira. Eu não tive nenhuma participação nesse livro, tendo começado a traduzir os livros de Robin Hobb apenas a partir do volume seguinte. Se estou identificado em alguma edição como o tradutor do Aprendiz, isso é um erro.

Repito: O tradutor de O Aprendiz de Assassino é o Orlando Moreira, tanto nas edições da Leya quanto na edição da Suma, quanto nas edições portuguesas. Não sou eu.

Arthur Bonaventura: Olhar de Rapina

Mais um conto onírico de pesadelo, mais um conto de terror, e esta antologia vai ficando cada vez mais monótona; pelo menos nesta fase parece que toda a gente teve mais ou menos as mesmas ideias e as põe em prática mais ou menos da mesma forma... até os contos são todos mais ou menos do mesmo tamanho, o que de resto não está restrito a esta fase; é assim desde o início.

Aqui, estamos perante um autor brasileiro, o que o próprio nome de Arthur Bonaventura já indica, e o conto, Olhar de Rapina (bibliografia), é sobre um protagonista em primeira pessoa que é perseguido, em sonhos e na realidade, por mulheres predatórias, que ora são bruxas, ora são vampiras. Se calhar são as duas coisas. Não é um mau conto, em princípio, mas falha em absoluto em causar alguma espécie de impacto psicológico, já para não falar de terror. É um conto igual a uma multidão de outros, e essa mesmice é-lhe fatal. Um conto de terror pode causar muitas coisas, mas não pode causar bocejos. E é o que este causa.

Textos anteriores deste livro:

Leiturtugas da semana #50

À segunda semana do ano, há Leiturtugas a sério a relatar, e chegam pela mesma mão que nos trouxe a leiturtuga a fingir da semana passada: o Artur Coelho. Trata-se de novo de BD, uma daquelas opiniões ultracurtas que remetem para uma opinião mais desenvolvida noutro lado. Desta vez não é um álbum; é a revista H-alt nº 9, editada pelo Sérgio Santos. BD conta como "sem FC", portanto o Artur arranca com 0c1s.

E de leiturtugas a sério foi só.

Também me fizeram mais uma pergunta sobre a ideia dos sorteios de que falei aqui e aqui: se um livro oferecido implica para o recipiente da oferta a obrigação de falar dele numa leuturtuga subsequente.

A resposta é não.

Tudo neste projeto é voluntário. Naturalmente, a decisão do que ler, ou quando, também o é. Portanto, se quem vencer um sorteio quiser ler o livro e falar sobre ele, é livre de o fazer; se não quiser, é igualmente livre de não o fazer. Como é óbvio, a esperança é que o faça, mas se não quiser fazê-lo não há o menor problema. Eu sei que isto poderá reduzir o interesse de alguns editores e autores em participar nos sorteios, mas tem de ser assim.

E por esta semana é só. Até à próxima.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Lançamentos de FC de 2019 (segundo o FCL)

Estes posts têm sido habitualmente construídos ao longo do ano para estarem praticamente prontos para serem publicados assim que este acaba. Sai qualquer coisa, é anunciado algum lançamento, aparece alguma menção algures, e a publicação respetiva é adicionada a estas listas e o rascunho gravado. Mas eu às vezes sou estúpido.

E como eu às vezes sou estúpido, este ano perdi o rascunho e tive de voltar a fazer tudo de novo. Não uma vez: duas.

Portanto, olhem, ao terceiro ano acabou-se. Este post ainda é concebido nos moldes do do ano passado e do do ano anterior (onde podem ler mais sobre critérios e algumas notas), mas a partir de 2020 a nota de lançamentos passa a ser mensal porque ao menos assim se eu voltar a ser estúpido o trabalho repetido é muito menor. Mas também vai deixar de incluir lançamentos a longo prazo. Esses continuam a aparecer nas notas de lançamentos do Ficção Científica Literária (o sítio de onde tudo isto vem, como sempre) mas não nestes resumos. Aqui só aparecerão lançamentos já acontecidos ou lançamentos próximos, dentro do mês ou dois meses seguintes, incluindo-se aqui daqueles pré-lançamentos que põem as coisas à venda em certos eventos, antes de irem para a distribuição geral.

Mas vamos a comparações? Não me apetece lá muito, e vão descobrir rapidamente porquê, mas vamos lá.

Comparando com os anos anteriores, este ano foi bastante mau para a FC portuguesa. No ano anterior tinha havido 32 lançamentos. Este ano? 17. Um acima de metade. E se retirarmos um deles, uma reedição de um livro do Saramago no Brasil (deverá haver muitas mais reedições, mas só apanhei o anúncio desta), é mesmo metade. Dos nomes com pergaminhos razoavelmente antigos na FC portuguesa, só o Barreiros publicou alguma coisa este ano (e não foi material novo, ou quase não o foi; o livro dele é basicamente uma reedição) e, entre os de pergaminhos mais recentes, ficámos reduzidos ao Bruno Martins Soares. E ao Luís Corredoura, na história alternativa. Excluo aqui as organizações de antologias, porque estas incluem sobretudo coisas de autores terceiros. Não me entendam mal: eu acho ótimo que apareçam nomes novos, mas é fundamental que exista também continuidade. É fundamental que aconteçam duas coisas que de uma forma geral não têm acontecido: os nomes novos continuarem a publicar depois de aparecerem e os mais antigos continuarem a escrever. E sim, eu sei, eu também não ajudo. Pode ser que isso mude este ano ou no próximo. Vou ter companhia ou vamos deixar que números destes se eternizem?

Em contraste, o ano foi bastante bom para a FC brasileira. Quando isto começou, há dois anos, tinha havido 49 títulos identificados. No ano passado houve 96, uma subida de 47. E este ano a subida foi só ligeiramente mais pequena, 44, o que faz subir o total para 140. Mesmo tendo em conta as limitações do FCL, que alimenta estas listas, é uma subida impressionante. Está a publicar-se e a divulgar-se muita coisa no Brasil, fruto em parte do fenómeno Amazon, com uma grande quantidade de autores a produzir especificamente para a plataforma americana (o que também traz os seus problemas). Mas seja como for, tem de ser este o caminho. No meio da quantidade surgirá inevitavelmente também qualidade, e se muitos destes autores estão a publicar para pouca gente ler, ou até em certos casos para ninguém, muitos outros estão a desenvolver o seu público e, desenvolvendo o seu público, estão também a desenvolver um público para a FC brasileira. E além disso, um exame atento da lista encontra uma mistura muito saudável de nomes novos com nomes que já estão em atividade há décadas. A FC brasileira (ao contrário do país) parece atravessar um momento de grande saúde. Do lado de cá só posso sentir uma coisa: inveja.

Quanto a ficção traduzida, também aqui vamos malzinho. No ano passado listei 68 títulos, este ano há menos 11 a mencionar: 57. Pode tratar-se daquelas variações mais ou menos aleatórias em volta de um valor médio razoavelmente estável, até porque entre 2017 e 2018 tinha havido uma subida de 64 para 68, mas também pode ser uma descida real. Só os próximos anos o dirão. E aqui, o Brasil também teve uma descida, e bastante mais pronunciada: de 183 para 143. 40 títulos a menos é muita coisa, mas a verdade é que ao contrário do que acontece com a edição em Portugal essa queda de 40 títulos não é suficiente para fazer com que os números do Brasil desçam abaixo dos valores de 2017.

E nas outras categorias em que dividi estas listas mantém-se tudo mais ou menos na mesma. Apesar de uma descida apreciável, mais uma (agora de 30 para 22), a publicação de periódicos no Brasil continua a ser relativamente numerosa, ao passo que em Portugal pouco é o que é posto cá fora (ou pelo menos pouco é o que é divulgado), e o resto continua tão rarefeito como dantes, e por isso pouco vale a menção.

Aqui ficam as listas:

Ficção portuguesa:
  1. 20 Mil Gargalhadas Submarinas, de Nuno Caravela
  2. A Anos-Luz, de Carmen Garcia
  3. A Batalha da Escuridão, de Bruno Martins Soares
  4. A Era do Caos, de Ângelo R. T. Magalhães
  5. A Recriação do Mundo, de Luís Corredoura
  6. A Saga da Roda, de Michel Alex
  7. Almanaque Steampunk 2019, org. Ingrid Sousa, Joana Rodrigues, Pedro Guerra e Rogério Ribeiro
  8. Antologia de Ficção Especulativa Queer, org. Carlos Silva
  9. Autópsia, de João Nuno Azambuja
  10. Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago (publicado no Brasil)
  11. Imortal, de José Rodrigues dos Santos
  12. O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias, de João Barreiros
  13. O Invisível, a sua Sombra e o seu Reflexo, de António Bizarro
  14. O Túnel das Intenções, de Luís Saraiva
  15. Os Três Superpoderes, de Rita Vilela
  16. Similitude, de Nuno Miranda Ribeiro
  17. Winepunk, org. AMP Rodrigues, Joana Neto Lima e Rogério Ribeiro
Ficção angolana:
  1. Lenguluka, de Onofre dos Santos (publicado em Portugal)
Ficção brasileira:
  1. 2100 - O Reinício, de Luciano Máximo
  2. A Cientista Guerreira do Facão Furioso, de Fábio Kabral
  3. A Criança, de J. Homen
  4. A Criatura, de J. Miguel Arcanjo
  5. A Era dos Andros, de Alicio do Bom Sucesso
  6. A Grande Aventura, de Luiz Amato
  7. A Herança dos Chacais, de Jennifer Kelly
  8. A Lua Negra de Patânia, de José M. S. Freire
  9. A Mão que Pune, de Octavio Aragão
  10. A Menina Astronauta, de Miguel Carqueija
  11. A Menina Invisível, de André Rebello
  12. A Morte e o Meteoro, de Joca Reiners Terron
  13. A Natureza dos Androides, org. ??
  14. A Nova Ordem, de B. Kucinski
  15. A Oposição ao Império de Barnard, de Kallikrates Wallace
  16. A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas
  17. A Rebelião, de L. L. Alves
  18. A Telepatia são os Outros, de Ana Rüsche
  19. Abismo do Mal, org. Gabriel G. Sampaio
  20. Agá, de Hermilo Borba Filho
  21. Amália Atrás de Amália, de Marco Aqueiva
  22. Andarilhos, de Melchiades Montenegro
  23. Arma Humana, de Leonardo Serruya
  24. Árvore Cósmica, de Flavio Lanaro
  25. As Esferas do Dragão, de Duanne Ribeiro
  26. As Luzes de Orion, de Alexandre E. Nascimento
  27. As Luzes de Tanraid, de Vitor Santos
  28. As Melhores Histórias Brasileiras de Horror, org. Marcello Simão Branco e César Silva
  29. As Pirâmides Revolucionárias, de Thunder Dellú
  30. As Tábuas de Nippur, de Marcelo Paulo Berbeki
  31. Atlas Ageográfico dos Lugares Imaginados, de Ana Cristina Rodrigues
  32. Avenida do Contorno, de Ezi, Tobias e Arauto Brio
  33. Aventuras pela Guerra do Contestado, de Ricardo de Campos
  34. Back in the USSR, de Fábio Fernandes
  35. Boneca, de Clara Madrigano
  36. Caçada Cósmica, de José M. S. Freire
  37. Caçadores de Tempestade, de Laís Lacet
  38. Caixa de Histórias, de Gerson Machado de Avillez
  39. Caminho para Ver Estrelas, de Lúcia Teixeira
  40. Canumã, de Ytanajé Coelho Cardoso
  41. Casulos, de Ricardo Mesquita
  42. Cemix, de Nih Ramos
  43. Cidades do Futuro. Ano 2500, de Jamila Mafra
  44. Civilização, de Massware Maharishi
  45. Cobaia 7, de Alexandre Estereiro Nascimento
  46. Codinome Lady Trix, de Jorge Deichmann
  47. Colônia Horror, org. Felipe Gaze e Wolmyr Alcantara
  48. Comunidade Vilmore, de Márcio Nascimento
  49. Contos Animalescos, de Felipe Fernandes
  50. Contos Brutos, org. Anita Deak
  51. Contos de Terror e de Ficção Científica, de Sandro Barbosa
  52. Crônica por Quilo, de Carlos Castelo
  53. Cyberpunk, org. Cirilo S. Lemos e Erick Santos Cardoso
  54. Danificada, de Josy Stoque
  55. Depois Daquela Ponte, de Jonathan Braz
  56. Depois do Tempo, de Márcio Monteiro
  57. Desencarnado, de Lucas Victor de Freitas
  58. Dragão de Gaia, de Joe de Lima
  59. Éden, de Paulo Uzai Junior
  60. Eidos, de Isaac Silva Santos
  61. Em Qual 1917 Você Vai me Encontrar?, de Jacqueline F. Silva
  62. Entre a Luz e a Escuridão, de Ana Beatriz Brandão
  63. Entre Eles, de Paulo O. Pelegrim
  64. Estranha Bahia, org. ??
  65. Extraplanetário, de J. C. Fantin
  66. Fanfic, de Braulio Tavares
  67. Favela Armstrong, de Dino Meyer
  68. Figura de Deus Enquanto Zinia, de Marina Paiva
  69. Frontispício, de Wallace Ramos
  70. Fuga de Olek, de Claudiney Martins
  71. Futuro? Qual Será?, org. ??
  72. Glória Sombria, de Roberto de Sousa Causo
  73. Hannah, de Bruno Godoi
  74. Histórias Nousóficas, de William Fontana
  75. Homo Tempus, de F. E. Jacob
  76. Iminente Colapso, de T. Anderson (publicado em Portugal)
  77. Interferência, de Márcia Silva
  78. Ìségún, de Lu Ain-Zala
  79. Janete, de Nicolás Irurzun
  80. Jogos de Guerra, de J. M. Beraldo
  81. Juca Pirama - Marcado para Morrer, de Enéias Tavares
  82. La Dame Chevalier e a Mesa Perdida de Salomão, vol 1, de A. Z. Cordenonsi
  83. Lady Trix 2, de Jorge Deichmann
  84. Londres 17h55, de J. R. Calheiros
  85. Lovecraftiano, vol. 2, de Marcelo Augusto Galvão
  86. Lucas Oats e o Segredo do 404, de Meire Fernandes
  87. Máquina do Tempo, de Luísa Montenegro
  88. Mestre das Marés, de Roberto de Sousa Causo
  89. Missão Terrassol, de Herman Schmitz
  90. Mitos de Trindade, org. Andriolli Costa, Leonardo Tremeschin e Isa Prospero
  91. Neve Maculada, de Filipe F. Santiago
  92. No Útero de Paulo, o Embrião não Nascerá, de Leandro Franz
  93. O "Fim" do Mundo, de Moisés Lobo
  94. O Ano em que nos Tornamos Ciborgues, de Olavo Amaral
  95. O Códice, de Paulo Balthazar
  96. O Código de Camões, de Beto Junqueyra
  97. O Desaparecimento da Dra. Sun, de Leonia Oliveira
  98. O Dia Depois do Fora, de Laura Conrado
  99. O Escritor, de Danilo Clementoni
  100. O Exílio dos Escravos, de Ricardo Varriano Rizzo de Almeida
  101. O Fantasma da Máquina, de Gabriela S. Nascimento
  102. O Homem Vazio, de Thiago Lee
  103. O Mal Esquecido, de Marcelo Augusto Galvão
  104. O Ovo do Tempo, de Finisia Fideli
  105. O Primeiro Imortal, de Rodrigo N. Alvarez
  106. O Resgate de Bia, de Francisco de Souza
  107. O Segredo Guardado no A. S., de Jú Violeta
  108. O Silêncio dos Livros, de Fausto Luciano Panicacci
  109. O Símbio, de Marcus Facine
  110. O Viajante do Tempo, de Herman Schmitz
  111. Olhos de Centauro, de Lady Sybylla
  112. Ontem Foi um Sonho, de Daniel Souza Luz
  113. Ópera de Tânatos, de Douglas Eralldo
  114. Os Contos do Livro Dourado, de Fernando Ferreira
  115. Os Piratas de Vila Velha e Outros Contos, de Vanessa Rodrigues Rabelo
  116. Patrulha Para o Desconhecido, de Roberto de Sousa Causo
  117. Projeto HES, de M. S. C. Araujo
  118. Punk, de L. L. Santos
  119. Quando um Universo Teve Fim, de Roberto Schima
  120. Realidades Voláteis e Vertigens Radicais, org. Luiz Bras
  121. Rebele-se!, org. ??
  122. Remanescentes, de Paulo de Paula
  123. Retorno a 64, de Suzana Mag
  124. Revelações do Imaginário Mágico, de Valério Azevedo
  125. Senhor dos Mundos, de Erly Hypollit Jr.
  126. Ser ou não Ser, de Luciano Alves Meira
  127. Serpentário, de Felipe Castilho
  128. Sob as Folhas do Ocaso, de Roberto Schima
  129. Sob o Trópico de Capricórnio, de Pedro Carcereri
  130. Space War, de Edio Felippe
  131. Teia de Vidro, de Aurélio Nery
  132. Tem um Alienígena na Minha Mente, de Herman Schmitz
  133. Teslapunk, org. Maurício Coelho
  134. Todo Mundo Tem uma Primeira Vez, org. ??
  135. Todos os Contos, de Machado de Assis
  136. Traição, de Márcia Silva
  137. Tudo Soma Zero, org. ??
  138. Viajantes do Abismo, de Nikelen Witter
  139. WOW! O Primeiro Contato, de Pablo Zorzi
  140. Zanzalá, de Afonso Schmidt
Ficção internacional:

Edições portuguesas:
  1. A Barata, de Ian McEwan
  2. A Estalagem Voadora, de G. K. Chesterton
  3. A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells
  4. A História das Abelhas, de Maja Lunde
  5. A Praga da Atlântida, de A. G. Riddle
  6. A Queda Sombria de Elizabeth Frankenstein, de Kiersten White
  7. A Revolta de Atlas, de Ayn Rand
  8. A Sexta Extinção, de James Rollins
  9. Amazónia, de James Rollins
  10. Anarquia, de Megan DeVos
  11. As Forças Estranhas, de Leopoldo Lugones
  12. Belas Adormecidas, de Stephen King e Owen King
  13. Champion, de Marie Lu
  14. Ficção Completa, de Voltaire
  15. Ficção Curta Completa, vol. II, de H. G. Wells
  16. Frankissstein, de Jeanette Winterson
  17. Fundação, de Isaac Asimov
  18. Gelo, de Anna Kavan
  19. Guerracivilândia em Mau Declínio, de George Saunders
  20. Imortalidade, de Rachel Heng
  21. Inesquecível, de Alexandra Bracken
  22. Inspeção, de Josh Malerman
  23. Intocável, de Tahereh Mafi
  24. Intruso, de Iain Reid
  25. Kentukis, de Samanta Schweblin
  26. Máquinas como Eu, de Ian McEwan
  27. Máquinas Infernais, de Philip Reeve
  28. Mar Revolto, de Clive Cussler e Graham Brown
  29. Mentes Inquietas, de Gwenda Bond
  30. Nós e Outras Novelas, de Evguéni Zamiátin
  31. Nova Iorque Sob Trevas, de Adam Christopher
  32. O Armazém, de Rob Hart
  33. O Despertar de Cthulhu, de H. P. Lovecraft
  34. O Fim da Aurora, de Matt de la Peña
  35. O Forjador de Almas, de James Rollins
  36. O Herói das Mulheres, de Adolfo Bioy Casares
  37. O Navegador, de Clive Cussler e Paul Kemprecos
  38. O Olho de Deus, de James Rollins
  39. O Periférico, de William Gibson
  40. O Portal dos Obeliscos, de N. K. Jemisin
  41. O Tacão de Ferro, de Jack London
  42. Origem Mortal, de J. D. Robb
  43. Os Melhores Contos de Howard Philips Lovecraft, vol. 7, de H. P. Lovecraft
  44. Pandemia, de Robin Cook
  45. Perdida no Espaço, de S. K. Vaughn
  46. R.U.R., de Karel Čapek
  47. Recordação Mortal, de J. D. Robb
  48. Robot em Fuga, de Peter Brown
  49. Seca, de Neal Shusterman e Jarrod Shusterman
  50. Serotonina, de Michel Houellebecq
  51. Supernova, de Kass Morgan
  52. Terra de Lobos, de Tunde Farrand
  53. Tono-Bungay, de H. G. Wells
  54. Um Eco do Passado, de Diana Gabaldon
  55. Uma Planície Sombria, de Philip Reeve
  56. Vox, de Christina Dalcher
  57. William Wenton e o Agente Orbulator, de Bobbie Peers
Edições brasileiras:
  1. 1984, de George Orwell
  2. 4 Contra o Apocalipse, de Max Brallier
  3. A Altura Deslumbrante, de Katharine McGee
  4. A Bússola de Ouro, de Philip Pullman
  5. A Curva do Sonho, de Ursula K. Le Guin
  6. A Escolha, de Kiera Cass
  7. A Fronteira Invisível, de Kurt Mahr
  8. A Fúria dos Robôs, de Rainer Schorm
  9. A Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells
  10. A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin
  11. A Máquina do Tempo: Edição Comentada, de H. G. Wells
  12. A Morte da Terra, de J. H. Rosny Aîné
  13. A Parábola dos Talentos, de Octavia E. Butler
  14. A Reação Adversa do Caos, de Stephanne Says
  15. A Resistência Renasce, de Rebecca Roanhorse
  16. A Revolta de Atlas, de Ayn Rand
  17. A Sabedoria dos Mortos, de Rodolfo Martínez
  18. A Seleção, de Kiera Cass
  19. A Terra Dourada, de Hans Kneifel
  20. A Última Colônia, de John Scalzi
  21. A Última Criatura Humana, de Lee Bacon
  22. A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne
  23. A Volta ao Mundo em 80 Dias (edição bolso de luxo), de Jules Verne
  24. Além do Planeta Silencioso, de C. S. Lewis
  25. Alita: Anjo de Combate, de Pat Cadigan
  26. Ano Um, de Nora Roberts
  27. Antologia da Literatura Fantástica, org. Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo
  28. Aquela Fortaleza Medonha, de C. S. Lewis
  29. Artemis, de Andy Weir
  30. As Cavernas de Aço, de Isaac Asimov
  31. Ataque dos Pos-Bis, de Rüdiger Schäfer
  32. Atlântida: O Continente Perdido, de C. J. Cutcliffe Hyne
  33. Através do Vazio, de S. K. Vaughn
  34. Babel-17, de Samuel R. Delany
  35. Bastião do Guardião, de Kurt Mahr
  36. Belles, de Dhonielle Clayton
  37. Bird Box: Caixa de Pássaros, de Josh Malerman
  38. Blade Runner, de Philip K. Dick
  39. Café da Manhã dos Campeões, de Kurt Vonnegut
  40. Cidade nas Trevas, de Adam Christopher
  41. Como eu Escrevi as Guerras Zumbi, de Aleksandar Hemon
  42. Contágio, de David Koepp
  43. Crianças do Éden, de Joey Graceffa
  44. De Sangue e Ossos, de Nora Roberts
  45. Desafia-Me, de Tahereh Mafi
  46. Desconectados, de Courtney Maum
  47. Destinos Divididos, de Veronica Roth
  48. Dez Contos Geniais de H. G. Wells, de H. G. Wells
  49. Dinastia do Mal, de Drew Karpyshyn
  50. Ecos do Futuro, de Diana Gabaldon
  51. Êxodo dos Liduuris, de Susan Schwartz
  52. Fantasia Mortal, de J. D. Robb
  53. Fragmentos do Tempo, de Rysa Walker
  54. Frankenstein, de Mary Shelley
  55. Fúrias Despertadas, de Richard Morgan
  56. Guerra sem Fim, de Joe Haldeman
  57. Impostores, de Scott Westerfeld
  58. Inimigos Públicos, de Ann Aguirre
  59. Inspeção, de Josh Malerman
  60. Intruso, de Iain Reid
  61. Invasão das Luas Voadoras, de Hans Kneifel
  62. Jurassic Park, de Michael Crichton
  63. Kallocaína, de Karin Boye
  64. Ladra de Almas, de Sarah J. Maas
  65. Laranja Mecânica, de Anthony Burgess
  66. Legado de um Herói, de H. G. Francis
  67. Maddaddão, de Margaret Atwood
  68. Mais Forte que o Mar, de Kassandra Montag
  69. Máquinas como Eu, de Ian McEwan
  70. Matadouro-Cinco, de Kurt Vonnegut
  71. Metrópolis, de Thea von Harbou
  72. Mundo em Caos, de Patrick Ness
  73. Mundos Apocalípticos, org. John Joseph Adams
  74. Nightflyers, de George R. R. Martin
  75. No Berço da Humanidade, de Hans Kneifel
  76. Nova York, 2140, de Kim Stanley Robinson
  77. Novembro de 63, de Stephen King
  78. O Aleph, de Jorge Luis Borges
  79. O Ano da Graça, de Kim Liggett
  80. O Apanhador de Sonhos, de Stephen King
  81. O Ataque, de H. G. Ewers
  82. O Céu de Pedra, de N. K. Jemisin
  83. O Chamado de Cthulhu e Outras Histórias, de H. P. Lovecraft
  84. O Ciclo de Yig, de H. P. Lovecraft
  85. O Começo, org. George R. R. Martin
  86. O Destino Chega, de Liza Palmer
  87. O Enigma de Assur I, de Hans Kneifel
  88. O Esconderijo da Guarda Estelar, de Rainer Castor
  89. O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov
  90. O Fim da Infância, de Arthur C. Clarke
  91. O Fim da Morte, de Cixin Liu
  92. O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick
  93. O Homem Invisível, de H. G. Wells
  94. O Horror Bate à Porta, org. ??
  95. O Inimigo do Meu Inimigo, de Kai Hirdt
  96. O Instituto, de Stephen King
  97. O Jogo do Coringa, de Marie Lu
  98. O Legado, de Amie Kaufman e Meagan Spooner
  99. O Médico e o Monstro & Outros Experimentos, de Robert Louis Stevenson
  100. O Mundo Fantástico de H. P. Lovecraft, vol. II, de H. P. Lovecraft
  101. O Mundo Invisível Entre Nós, de Caitlín R. Kiernan
  102. O Navio Além do Tempo, de Heidi Heilig
  103. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
  104. O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle
  105. O Sopro da Estrela Morta, de Rainer Schorm
  106. O Terrano, de William Voltz
  107. Obras completas, volume B — 1959-1971, de Adolfo Bioy Casares
  108. Obras de Edgar Allan Poe, vol. 2, de Edgar Allan Poe
  109. Oficina no Espaço Sideral, de Arno Endler
  110. Onde Mora a Trapaça, de Mackenzie Lee
  111. Os Biontas de Drumbar, de Robert Feldhoff
  112. Os Despossuídos, de Ursula K. Le Guin
  113. Os Eleitos, de Robert Feldhoff
  114. Os Mitos de Cthulhu, de H. P. Lovecraft
  115. Os Testamentos, de Margaret Atwood
  116. Perelandra, de C. S. Lewis
  117. Projeto Gemini, de anónimo
  118. Quinteto de Assombros, org. ??
  119. Raízes do Mal, de Gwenda Bond
  120. Rebel, de Marie Lu
  121. Ritos de Passagem, de Octavia E. Butler
  122. Rogue One, de Alexander Freed
  123. Sabotagem na Terra, de Arndt Ellmer
  124. Salto para Andrômeda, de Rüdiger Schäfer
  125. Semente Maldita, de Anthony Burgess
  126. Seres Mágicos & Histórias Sombrias, org. Neil Gaiman e Al Sarrantonio
  127. Serotonina, de Michel Houellebecq
  128. Silo, de Hugh Howey
  129. Skyward, de Brandon Sanderson
  130. Sombras do Passado, de Arndt Ellmer
  131. Somos a Vida Verdadeira, de Rüdiger Schäfer
  132. Sons da Fala, de Octavia E. Butler
  133. Spoonbenders, de Daryl Gregory
  134. Star Wars: A Trilogia, org. ??
  135. Tempo Acelerado, de Robert Feldhoff
  136. Titã Consumido, de Barry Liga
  137. Trilogia da Fundação, de Isaac Asimov
  138. Ubik, de Philip K. Dick
  139. Um Tempo Aceitável, de Madeleine l'Engle
  140. Utopia, de Thomas More
  141. Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift
  142. Vocês são Vida Verdadeira?, de Oliver Fröhlich
  143. Voltago, o Servo, de Robert Feldhoff
Edições galegas:
  1. Soñan os Androides con Ovellas Eléctricas?, de Philip K. Dick
Não-ficção portuguesa:
  1. 2084, org. Castro Guedes
  2. George Orwell - Biografia Intelectual de um Guerrilheiro Indesejado, de Jacinta Maria Matos
  3. Inteligência Artificial, de Arlindo Oliveira
  4. O Choque do Futuro, de José M. Rodrigues da Silva
Não-ficção brasileira:
  1. Ensaios Sobre Mortos-Vivos, org. Rodrigo Gonsalves e Diogo Penha
  2. Escrevendo Ficção Científica & Fantasia, de Eldes Saullo
  3. Gene Shaft, de Miguel Carqueija
  4. Pré-Crime: Uma Distopia Jurídica, org. ??
Não-ficção galega:
  1. Demografía Zombi, de Andreu Domingo
Não-ficção internacional:

Edições portuguesas:
  1. A Terra Inabitável, de David Wallace-Wells
  2. Life 3.0, de Max Tegmark
  3. Monstros Fabulosos, de Alberto Manguel
  4. O Futuro do Capitalismo, de Paul Collier
  5. O Zen e a Arte da Escrita, de Ray Bradbury
  6. Superinteligência, de Nick Bostrom
Edições brasileiras:
  1. A Terra Inabitável, de David Wallace-Wells
  2. Churchill & Orwell, de Thomas E. Ricks
  3. Filosofia Ciborgue, de Thierry Hoquet
  4. Nova Cosmogonia e Outros Ensaios, de Stanislaw Lem
  5. O Futuro da Humanidade, de Michio Kaku
  6. O Guia Geek de Cinema, de Ryan Lambie
  7. Stranger Fans, de Joseph Vogel
Periódicos:

Edições portuguesas:
  1. As Viagens do Feiticeiro, nº 1
  2. Bang!, nº 25
  3. Bang!, nº 26
  4. Bang!, nº 27
  5. Granta, nº 3
  6. Libertária, nº 1
  7. Libertária, nº 2
  8. Orion, nº 3+4
Edições brasileiras:
  1. A Taverna, nº 1
  2. A Taverna, nº 2
  3. Aterrorizante, nº 1
  4. Cândido, nº 91
  5. Cândido, nº 94
  6. Cândido, nº 97
  7. Conexão Literatura, nº 43
  8. Conexão Literatura, nº 44
  9. Conexão Literatura, nº 45
  10. Conexão Literatura, nº 46
  11. Conexão Literatura, nº 47
  12. Conexão Literatura, nº 48
  13. Conexão Literatura, nº 49
  14. Conexão Literatura, nº 50
  15. Conexão Literatura, nº 51
  16. Conexão Literatura, nº 52
  17. Conexão Literatura, nº 53
  18. Conexão Literatura, nº 54
  19. Fantástika 451, nº 2
  20. Literomancia, nº 1
  21. Mafagafo, nº 2.4
  22. Zanzalá, nº 3.1

Ray Bradbury: Festa de Família

Não consigo ler um conto da Família Elliott sem me lembrar da Família Addams, e esta Festa de Família (bibliografia) não foi exceção. É provável, de resto, que Ray Bradbury se tenha inspirado na família de simpáticos monstros e vampiros para criar as suas histórias sobre uma família de simpáticos monstros e vampiros, pois os Addams surgiram em cartoons ainda nos anos 30 do século XX, tendo as primeiras histórias dos Elliott aparecido na década seguinte.

Há diferenças entre as duas, claro. Não me lembro de ver na Addams um membro que fosse um ser humano normalíssimo, sem nenhuma peculiaridade especial... o que é o mesmo que dizer um Addams defeituoso, deficiente e por isso mesmo alvo de escárnio dos demais. Posso enganar-me, mas não me lembro. O certo é que existe um Elliott assim, e é ele o protagonista deste conto.

Festa de Família é sobre essa inadaptação e sobre o sofrimento que ela causa ao pequeno, cuja única ambição é ser como os restantes membros da família, que se reúne para uma festa. Mas é como é: uma pessoa nada monstruosa. Isso leva-o a ser alvo de algumas crueldades por parte de alguns dos parentes, mas outros membros da família também o levam ao entendimento de que o facto de ele ser como é nada tem que o menorize, que cada pessoa tem o seu valor próprio, independentemente da sua natureza.

Desconfio que quando Bradbury escreveu isto estava a pensar em si próprio, ou nos nerds, em geral, jovens que são mais movidos pela curiosidade intelectual do que pelas proezas físicas ou sociais que tanto apelam ao comum dos adolescentes, mas a verdade é que o seu protagonista pode ser qualquer pessoa cujo comportamento ou inclinações se desvie dos mais comuns e sofra por isso com discriminação ou troça. Talvez tenha sido por acaso que isso aconteceu, mas este conto de Bradbury é um libelo pela aceitação do outro, de qualquer outro, que ressoa fortemente até aos dias de hoje.

Contos anteriores deste livro:

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

M. Mendelsohn: Pequeno Goethe

E à página 72 aparece finalmente nesta revista, que faz gala de acolher todos os géneros fantásticos, uma história que não é de ficção científica. Houve tempo em que era assim; agora é basicamente ao contrário. Saudades...

Mas mal começo e já divago.

M. Mendelsohn é daqueles autores misteriosos sobre os quais nada se sabe (e tornam frustrante o trabalho de quem faz coisas como o Bibliowiki ou, imagino, o ISFDB) e este seu Pequeno Goethe (bibliografia), uma noveleta sobre um menino prodígio muitíssimo especial, é a sua única publicação conhecida, pelo menos nas literaturas do imaginário.

O "pequeno Goethe" é uma aparente criança, potencialmente eterna, cujo ciclo de vida parece resumir-se a duas fases: bebé e criança pequena. Assim, aquele que é na prática um homem feito encurralado em corpo infantil vê-se forçado a uma busca contínua por novos pais adotivos, e são basicamente os desafios que ele encontra nessa busca, e depois na simulação de um desenvolvimento infantil relativamente normal até se revelarem os conhecimentos e capacidades mentais aparentemente precoces, que constituem o núcleo desta história. Por trás da tradução, que nestas revistas sempre foi muito má (e sim, normalmente muito pior que as contemporâneas da Argonauta), parece estar uma noveleta literariamente interessante, mas a verdade é que senti falta de qualquer coisa. A história não vai a lado nenhum, e nem pode ir porque a própria vida do protagonista não vai a lado nenhum, portanto se calhar não é bem isso que falta. Ou então é, no que seria de certa forma um contrassenso. Mas há também um excesso de esforço para manter a suspensão de descrença, mesmo aceitando a premissa fantástica básica de que o protagonista não se desenvolve fisicamente: a diferença entre um bebé e um pré-adolescente é tão grande que para mim aceitar a lógica interna desta história conseguiu ser mais difícil do que aceitar que ninguém reconhece o Super-Homem quando ele empoleira um par de óculos no nariz.

Em suma: esta é daquelas histórias que agradará certamente muito mais a outros leitores do que me agradou a mim.

Contos anteriores desta publicação:

Charles e Mary Lamb: A Tempestade

A autoria deste conto está mal atribuída a Charles e Mary Lamb, ainda que o problema seja mais da versão em português que do original, pois este inclui uma espécie de subtítulo que a completa. É bastante diferente intitular-se esta história como A Tempestade (bibliografia), assim sem mais e The Tempest: A Tale from Shakespeare. O título português pode ser de qualquer coisa; já o título original em inglês indica bem o que isto é: uma adaptação da peça de Shakespeare assim intitulada.

Ou seja: o verdadeiro autor desta história fantástica com base na mitologia grega é William Shakespeare; os Lamb limitaram-se a adaptá-la para conto, e fizeram-no de uma forma que não me convence, ainda que haja que dar algum desconto porque a intenção deles foi fazerem um texto destinado à juventude. O enredo, que conta uma história de vingança e reabilitação movida a magia e a paixão, parece frequentemente apressado e, a espaços, algo desconexo, e tudo acontece de forma brusca. Mas também não se pode dizer que a adaptação esteja propriamente mal feita, pois há nela algo de conto de fadas — o que até combina bem com a forma apressada, desconexa e brusca da narrativa porque muitos contos de fadas são assim — e a peça de Shakespeare foi assumidamente inspirada pelas histórias populares.

Embora eu não tenha gostado por aí além deste texto, não me parece desadequado como forma de apresentar a peça de Shakespeare aos miúdos. Se eles se deixam encantar por ele ou não, particularmente nos dias de hoje, é outra questão. Tenho algumas dúvidas, mas não sei dar uma resposta minimamente sólida.

Textos anteriores deste livro:

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Luís Miguel Cascales: Corvos e Lobos

Este é um conto que me agradou um pouco mais do que tem sido hábito nestas histórias. A princípio não. A princípio parecia mais uma banalidade absoluta, com uma natureza já desvendada integralmente pelo título de Corvos e Lobos (bibliografia), um daqueles contos de adolescente gótico e metaleiro que há por aí aos pontapés, servido por um português pouco entusiasmante, cheio de seus, suas e eus frequentemente desnecessários, como quem traduz do inglês sem saber bem o que faz, e com inconsistências no tempo narrativo, que ora está no passado, ora no presente, sem que nada o justifique.

E é tudo isso, claro, o que impede o conto de ser bom. Mas Luís Miguel Carretas Cascales consegue contar a sua história no espaço que tem disponível sem deixar que ela pareça apressada, e sobretudo introduz no final um plot twist bastante bem feito e que faz pleno sentido com algo deixado no ar no princípio do conto. E isso impede o conto de ser mau. Com uns anos a apurar a escrita, este é autor que poderia vir a ter o seu interesse.

Textos anteriores deste livro:

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

E. A. Davies: Caminhos Obscuros

Mais um conto que se tivesse sido revisto até podia estar razoavelmente bem escrito, sem os erros de concordância e as palavras em falta espalhadas um pouco por todo o lado pelo(a?) autor(a?) que assina com o mais que provável pseudónimo de E. A. Davies, este Caminhos Obscuros (bibliografia) é um conto de terror onírico, feito de imagens desconexas e de uma narrativa pouco firme.

Tem muito de conto de adolescente gótico, ainda que a estrutura narrativa seja mais madura do que é comum encontrar em autores desse género: lê-se como uma espécie de reflexão meio filosófica sobre a natureza e sobretudo a origem do mal, misturada com um quase libelo contra o mauzão do ser humano. E para isso serve-se do tipicíssimo ambiente da aldeola perdida num fim de mundo qualquer, onde o padre (que não é humano) é o centro da vida local, tudo analisado por uma personagem vinda de fora, que tudo narra em primeira pessoa.

Cliché? Oh, sim. Muito cliché. Tão cliché que o leitor já boceja ainda o conto vai na página dois. Este leitor, pelo menos. É curioso que com tantos autores e tantas histórias este livro consiga a proeza de ser tão monótono. E em alguns casos bastaria um editor digno desse nome para melhorar consideravelmente o resultado. Como neste; este conto nunca seria bom, creio, mas uma revisão que lhe ajustasse o português evitaria que fosse tão fracote.

Textos anteriores deste livro:

Em dezembro falou-se de...

Dezembro voltou a ser um bom mês, curiosamente, porque eu à partida esperaria menos atividade por causa das festas — as visitas aos blogues, pelo menos, tendem a reduzir-se de forma clara por volta do Natal e do Ano Novo. Mas este mês não; este mês houve muitas leituras, muitos comentários, e em todos os subgrupos em que eles se dividem, ainda que parte da explicação para isso seja a descoberta e integração de uma mancheia de publicações que até aqui tinham estado de fora. Mas sobre isto falarei mais detalhadamente depois das listas. Para já, há aquela conversa habitual destinada a quem cá venha ter pela primeira vez.

O que é isto? Está explicado no primeiro destes posts, aqui. Também aí se explicam outras coisas relevantes, como de onde vêm os dados, e que se pretende com isto, que limitações se reconhece, por aí fora. O que é que já foi publicado no momento em que o caro leitor aqui cair? Encontra-se na tag leituras fc. E passemos de imediato às listas mencionadas acima, relembrando que depois há comentários. Aqui estão:

Ficção portuguesa:
  1. Autópsia, de João Nuno Azambuja
  2. O Caçador de Brinquedos e Outras Histórias, de João Barreiros (2x)
  3. O Longo Caminho de Regresso, de António Bizarro
  4. Quem Chama Pelo Senhor Aventura?, de Rita Garcia Fernandes
  5. Casos de Direito Galáctico, de Mário-Henrique Leiria
  6. Luz, de Carla Marques (conto)
  7. Amanhecer Etéreo, de Paulo Mota (conto)
  8. Enganando a Morte, de João Manuel da Silva Rogaciano (conto)
  9. Imortal, de José Rodrigues dos Santos
  10. Ensayo Sobre la Lucidez / Ensaio Sobre a Lucidez, de José Saramago (2x) 
  11. O Homem Duplicado, de José Saramago
  12. Antologia de Ficção Especulativa Queer, org. Carlos Silva
Ficção brasileira:
  1. A Taverna, nº 2, ed. ??
  2. Dicionário de Línguas Imaginárias, de Olavo Amaral
  3. Entre a Luz e a Escuridão, de Ana Beatriz Brandão
  4. Serpentário, de Felipe Castilho
  5. Fronteiras, org. Roberto de Sousa Causo (2x)
  6. O Dia Depois do Fora, de Laura Conrado
  7. Extemporâneo, de Alexey Dodsworth
  8. Colonização, de Day Fernandes
  9. Back in the USSR, de Fábio Fernandes
  10. A Caçada do Imortal, de Diego Medeiros
  11. A Retomada da União, de Bárbara Morais
  12. As Cinco Esposas de Nathan, de Clovis Nicacio
  13. O Silêncio dos Livros, de Fausto Luciano Panicacci
  14. A Morte e o Meteoro, de Joca Reiners Terron (2x)
  15. Mitos de Origem, org. Leonardo Tremeschin, Andriolli Costa e Lucas R. Ferraz (2x)
  16. Interferência, de Márcia Silva 
  17. Traição, de Márcia Silva
  18. Deus Sonha o Homem, de Lidia Zuin
Ficção lusófona e internacional:
  1. Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas, org. Jeff VanderMeer, Mark Roberts e João Seixas
Ficção internacional:
  1. Star Wars: A Trilogia, org. ??
  2. O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams
  3. A Última Pergunta, de Isaac Asimov (conto)
  4. Fundação, de Isaac Asimov
  5. O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov (2x)
  6. Pedra no Céu, de Isaac Asimov
  7. O Conto da Aia, de Margaret Atwood (3x)
  8. Death Weeps, de Tamara Rose Blodgett
  9. Raízes do Mal, de Gwenda Bond
  10. A Biblioteca de Babel, de Jorge Luis Borges (conto)
  11. Nova Antologia Pessoal, de Jorge Luis Borges
  12. Os Viajantes, de Alexandra Bracken
  13. 4 Contra o Apocalipse, de Max Brallier
  14. O Guia de Sobrevivência a Zumbis, de Max Brooks
  15. A Laranja Mecânica / Laranja Mecânica, de Anthony Burgess (3x)
  16. A Parábola do Semeador, de Octavia E. Butler
  17. Ritos de Passagem, de Octavia E. Butler
  18. Antologia da Literatura Fantástica, org. Adolfo Bioy Casares, Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo
  19. The Prince & the Guard, de Kiera Cass
  20. The Queen, de Kiera Cass
  21. História da Sua Vida e Outros Contos, de Ted Chiang
  22. As Fontes do Paraíso, de Arthur C. Clarke
  23. O Fim da Infância, de Arthur C. Clarke
  24. A Biblioteca Invisível, de Genevieve Cogman
  25. A Trama Perdida, de Genevieve Cogman (2x)
  26. Recursão, de Blake Crouch
  27. Babel-17, de Samuel R. Delany (3x)
  28. Estrela Imperial, de Samuel R. Delany (2x)
  29. Anarquia, de Megan DeVos
  30. O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick
  31. O Tempo Desconjuntado, de Philip K. Dick
  32. Ubik, de Philip K. Dick
  33. Valis, de Philip K. Dick
  34. Talking to Robots, de David Ewing Duncan
  35. Terra de Lobos, de Tünde Farrand
  36. Uma Nova Esperança, de Alan Dean Foster e George Lucas 
  37. A Arma de um Jedi, de Jason Fry
  38. Os Últimos Jedi, de Jason Fry
  39. Seres Mágicos & Histórias Sombrias, org. Neil Gaiman e Al Sarrantonio
  40. The Roundheads, de Mark Gatiss
  41. O Império Contra-Ataca, de Donald F. Glut e George Lucas
  42. Terminais, de Roderick Gordon e Brian Williams
  43. Estrelas Perdidas, de Claudia Gray
  44. Guerra sem Fim, de Joe Haldeman
  45. Metrópolis, de Thea von Harbou
  46. O Armazém, de Rob Hart (2x)
  47. Herdeiro do Jedi, de Kevin Hearne
  48. Serotonina, de Michel Houellebecq
  49. O Céu de Pedra, de N. K. Jemisin (2x)
  50. O Legado, de Amie Kaufman e Meagan Spooner
  51. Flores para Algernon, de Daniel Keyes (2x)
  52. Interestelar, de Greg Keyes
  53. Novembro de 1963, de Stephen King
  54. O Concorrente, de Stephen King
  55. O Instituto, de Stephen King (5x)
  56. Solaris, de Stanislaw Lem (2x)
  57. Além do Planeta Silencioso, de C. S. Lewis (2x)
  58. O Ano da Graça, de Kim Liggett
  59. A Ira dos Justos, de Manel Loureiro
  60. O Chamado de Cthulhu e Outras Histórias, de H. P. Lovecraft
  61. O Despertar de Cthulhu, de H. P. Lovecraft
  62. Ignite Me, de Tahereh Mafi
  63. Intocável, de Tahereh Mafi
  64. Restaura-me, de Tahereh Mafi
  65. Shatter Me, de Tahereh Mafi
  66. Unravel Me, de Tahereh Mafi
  67. Caixa de Pássaros, de Josh Malerman
  68. Inspeção, de Josh Malerman
  69. Dois Mil e Sessenta e Um, de Barry N. Malzberg (conto)
  70. Nightflyers, de George R. R. Martin (2x)
  71. O Começo, org. George R. R. Martin (2x)
  72. Máquinas Como Eu, de Ian McEwan
  73. Cinder, de Marissa Meyer
  74. Winter, de Marissa Meyer
  75. A Cidade & a Cidade, de China Mièville
  76. The Forgotten Army, de Brian Minchin
  77. Brumas do Tempo, de Karen Marie Moning
  78. Tainted, de Alexandra Moody
  79. Os 100, de Kass Morgan
  80. Contos de Imaginação e Mistério, de Edgar Allan Poe
  81. A Resistência Renasce, de Rebecca Roanhorse
  82. Nova York 2140, de Kim Stanley Robinson
  83. Destinos Divididos, de Veronica Roth
  84. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
  85. Calamidade, de Brandon Sanderson
  86. Tormenta de Fogo, de Brandon Sanderson
  87. A Última Colônia, de John Scalzi
  88. As Brigadas Fantasma, de John Scalzi
  89. Frankenstein, de Mary Shelley (2x)
  90. Mundos Sem Fim, de Clifford D. Simak
  91. O Médico e o Monstro / O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde, de Robert Louis Stevenson (5x)
  92. Battle Royale, de Koushun Takami
  93. O Homem que Caiu na Terra, de Walter Tevis
  94. Debaixo de Cerco, de Robert Thurston
  95. Aniquilação, de Jeff VanderMeer
  96. Através do Vazio, de S. K. Vaughn
  97. A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne
  98. Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne
  99. Viajantes do Tempo, de Rysa Walker
  100. Openness, de Alexander Weinstein (conto)
  101. A Sombria Queda de Elizabeth Frankenstein, de Kiersten White
  102. Prince of Chaos, de Roger Zelazny
Não-ficção brasileira:
  1. A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil, de Kátia Regina Souza
Não-ficção internacional:
  1. O Zen e a Arte da Escrita, de Ray Bradbury
  2. Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos, de Emmanuel Carrère
  3. Churchill & Orwell - A Luta Pela Liberdade, de Thomas E. Ricks
  4. Stranger Fans, de Joseph Vogel
Como se disse acima, dezembro foi um bom mês para os comentários sobre FC portuguesa, que mais uma vez ultrapassaram o número que me parece mínimo para manter o paciente ligado à máquina. Mais positivo se torna se tivermos em conta que só 3 dos 12 títulos mencionados são títulos de ficção curta e que além destes 12 existe ainda um décimo terceiro que contém ficções portuguesas, embora eu não saiba ainda se estas incluem ou não FC (estou a ler o livro agora). O mês é dominado por José Saramago, que foi alvo de 3 comentários distribuídos por 2 títulos, e por João Barreiros, alvo de 2 comentários, ainda que parciais.

Também foi um mês bom para a FC brasileira, ainda que já tenha havido alguns bastante melhores. 18 títulos, três dois quais comentados duas vezes e nenhum dos quais correspondente a ficção curta, são um número decente. Os destaques do mês vão para Roberto de Sousa Causo e para o trio Tremeschin Costa e Ferraz na qualidade de antologistas, com dois comentários cada, e para Joca Reiners Terron e Márcia Silva, também com dois comentários cada, sendo os da Márcia distribuídos por dois títulos.

Mas claro, como sempre tudo isto torna-se insignificante quando comparado com a quantidade de leituras e comentários de material não lusófono, seja em tradução, seja em versões originais. E este mês foi dos mais prolixos, pois voltámos a ter mais de uma centena de títulos a mencionar, o que é em parte fruto de uma relativa escassez de leituras múltiplas: só O Instituto do King foi comentado 5 ou mais vezes. Os destaques do mês cabem, portanto, a Isaac Asimov, com 5 opiniões dispersas por 4 títulos, a Samuel R. Delany, também com 5 opiniões mas dispersas por 2 títulos, ao já mencionado Stephen King, com 7 opiniões dispersas por 3 títulos, e a Tahereh Mafi, de novo com 5 opiniões, mas dispersas por outros tantos títulos.

Ao todo mencionaram-se 138 títulos durante o mês de dezembro, incluindo cinco de não ficção. Só o facto de estarmos a falar de publicação online possibilita esse número. Fala-se muito, com ares trágicos, do fim da crítica na imprensa, mas nem nos tempos mais áureos esteve acessível ao público em geral uma quantidade tão elevada de textos críticos. E se é verdade que a qualidade de muitos destes textos não é particularmente elevada, também não deixa de o ser que a dos textos que saíam na imprensa por vezes também não era. Eu queria mais e melhor, muito mais e muito melhor, mas será que no antigamente dos nostálgicos — alguns dos quais aparentemente se recusam a escrever para a internet — estávamos melhor? Tenho enormes dúvidas.

Mas enfim, isto são divagações mais ou menos ociosas. Em fevereiro cá estarei de novo a falar do que se comentou durante janeiro.

Wu Cheng'em: A Sentença

O homem é o animal que conta histórias. Não sei bem se será o único — os cantos das baleias podem perfeitamente ser longos épicos contados de geração em geração — mas é aquele que o faz de forma mais óbvia e permanente. E desde o início da espécie. E em todas as culturas.

E desde sempre, o fantástico é a forma preferida para contar histórias que lidam com os grandes mistérios. Foi de fantástico que se fizeram os mitos e é do fantástico que os contadores de histórias se servem para contar histórias, por exemplo, sobre o destino. Como esta.

Wu Cheng'em é chinês. Ou melhor: foi chinês, tendo vivido no século XVI, o que significa que foi praticamente contemporâneo de Camões. E apesar de tão antigo, este A Sentença (bibliografia) é um miniconto fantástico notavelmente moderno, no qual se conta uma história sobre um suplicante que vai ter com o imperador afirmando ser um dragão e ter tido a revelação de que um ministro do imperador lhe cortaria a cabeça no dia seguinte, suplicando-lhe que o impedisse. O imperador acede. Mas depois entra o destino em ação.

Esta é uma história que, não sendo nada de extraordinário se extraída do contexto temporal e cultural em que foi escrita, se torna mesmo muito interessante quando o contexto é tido em conta.

Textos anteriores deste livro:

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Franz Kafka: O Animal na Sinagoga

Mais um conto kafkianamente bizarro, este. Na verdade, O Animal na Sinagoga dá uns certos ares de história ou ideia inacabada, até pela forma abrupta como Franz Kafka a termina, praticamente a meio de uma explicação. Mas sendo o autor quem foi, partir desse princípio é no mínimo arriscado.

O título é bastante explicativo do que o conto narra. Numa determinada sinagoga existe um animal, descrito com uma espécie de marta, mas com algumas características que a separam de uma marta normal: não só o pelo é de uma cor estranha como a marta é aparentemente imortal, permanecendo na mesma sinagoga enquanto gerações de fiéis se vão sucedendo. Estes vão oscilando entre o medo causado pelo insólito da situação, algumas tentativas vãs de expulsar o animal da sinagoga e a aceitação. E, pelo menos à superfície, é apenas isso.

Não sei o suficiente sobre judaísmo para saber se este animal na sinagoga poderá ter algum significado inerente à religião, mas parece-me não só possível como provável. Mas também pode ter um simbolismo mais genérico, sendo o mais óbvio o do pecado. De uma forma ou de outra, o conto parece ser uma denúncia contra a conspurcação dos locais de culto e por extensão de toda a religião, ainda que seja a denúncia resignada de quem no fundo sabe que não há nada a fazer, que as coisas são como são. Mas é sobretudo isto que torna o conto interessante; a história em si não o é muito.

Contos anteriores deste livro:

domingo, 12 de janeiro de 2020

Ray Bradbury: A Cisterna

De volta ao terror ternurento, Ray Bradbury cria neste conto a que o tradutor brasileiro resolveu, vá-se lá entender porquê, intitular como A Cisterna (e não, segundo o que vi em dicionários brasileiros não é diferença dialetal) uma história de morte e perda muito poética, muito bem escrita e bastante memorável.

O conto pouco mais é que um diálogo entre duas irmãs, daquelas solteironas, e talvez mais ou menos velhas, que começa quando uma das duas tem uma epifania: existe uma cidade debaixo da cidade, composta pelos canos de escoamento das águas pluviais. É um tema curioso de conversa, mas mais curioso se torna quando a mulher começa a criar a história de dois mortos que vivem nessa cidade debaixo da cidade, e mais ainda quando nos vamos apercebendo de que ambos os mortos estão profundamente ligados a ela. Não direi como. Digo apenas que há na história que ela conta um elemento sobrenatural forte, ao passo que a outra serve como elemento cético que faz avançar a narrativa, mais uma vez através da incompreensão, da não aceitação daquela aparente loucura... que se vem a revelar inteiramente acertada.

Um conto bastante bom, este. Mais um.

Contos anteriores deste livro:

Leiturtugas da semana #49

Esta semana foi calma ao ponto de não haver Leiturtugas a destacar, por mais que o Artur tente convencer-vos do contrário. Mas há algumas coisas a dizer.

Começando pelo Artur, já agora, ele publicou há dias mais uma opinião sobre um livro de BD. Tudo bem, entra, certo? Não, que o autor não é português, é galego. Contaria se este projeto se chamasse Leiturtugófonas, ou coisa do género, mas é -tugas, portanto exige-se que cada publicação nele integrada tenha alguma forma de autoria portuguesa. Portanto lamento, Artur, mas esse não conta. Venham mais.

Depois, houve algumas dúvidas sobre o sorteio de abril e os eventuais sorteios que se sigam. Uma prende-se com a ponderação; parece que ficou a ideia de que essa ponderação impossibilitaria qualquer publicação que entre no projeto mais tarde de ganhar fosse o que fosse. Não é bem assim. Deixem-me explicar porquê.

Sim, a ponderação destina-se a premiar quem mostre mais dedicação a este projeto, dando-lhe mais possibilidades de ganhar os sorteios do que aos outros. Também se destina a impedir que alguém que se junte ao projeto na véspera de um sorteio para ver se ganha um livro grátis e tencionando abandoná-lo logo a seguir tenha tantas hipóteses de ganhar como quem já por cá anda há bastante tempo. Por isso, se alguém chega a um sorteio com uma ponderação de 1 ou 2 não tem quase hipótese nenhuma de ganhar. Mas isso não fica assim para sempre. Porquê?

Isto é mais fácil de explicar com um exemplo. Digamos que um blogue se junta a nós em março. Quando for o primeiro sorteio terá ponderação de 1 e os mais antigos terão ponderação de 15. Ou seja: para ser o recém-chegado a ganhar, o seu número aleatório terá de ser 1 e o dos mais antigos terá de ser inferior a 1/15 = 0,067. Praticamente impossível. Mas digamos que seis meses mais tarde há outro sorteio. Aí, a ponderação do novo já será 7 e a dos mais antigos será 21. Para aquele ganhar, o seu número aleatório terá de ser 1 e o dos mais antigos terá de ser inferior a 7/21 = 0,33. Ou seja, embora a probabilidade de vitória continue a ser baixa, é bastante mais elevada do que inicialmente. E seis meses mais tarde passa a 0,48. E por aí fora, sempre a subir.

Trocando por miúdos: quanto mais tempo os novos se mantiverem no projeto mais aumentam as suas possibilidades de vencer algum sorteio.

E além disso, eu estou a supor que deverá haver bastantes recusas de prémios, porque os bloggers mais dedicados não costumam ficar à espera de um sorteio para ganhar um livro que lhes interesse; compram-nos.

De resto, tudo isto é ajustável com a experiência e está aberto a ideias novas. Sugeriram-me, por exemplo, que quem ganhasse um livro ficasse de fora nos dois ou três sorteios seguintes, e parece-me boa ideia mesmo que parta de um certo otimismo que eu não partilho por inteiro: o de que haverá autores e editores suficientes interessados em oferecer livros para chegarem a haver três ou quatro sorteios. Também me sugeriram que a ponderação das publicações que não cumprirem os objetivos seja reduzida em função do que falta, o que também me parece boa ideia, ainda que me cause alguns problemas técnicos (tenho tudo isto automatizado com fórmulas no excel, e não estou bem a ver como aplicar essas reduções de forma automática... tenho de pensar no assunto). E há ainda a hipótese de usar outras formas não lineares para as ponderações, que aumentem mais depressa as possibilidades dos recém-chegados (raiz quadrada ou logaritmos, por exemplo).

Por fim, contestaram a inclusão da Lâmpada, argumentando que os organizadores de sorteios não devem participar neles. Tudo bem, é ideia legítima. Mas vou manter a Lâmpada nisto. Porque desconfio que só vão acabar por ser sorteados livros meus, e se assim for a Lâmpada estar ou não estar vai dar ao mesmo, porque tenho tanta coisa para ler que o mais provável é que acabe por recusar se por acaso me sair alguma coisa e porque quem não acredita na honestidade do sorteio só tem de esperar para ver se ele é honesto ou não.

E por hoje é só isto. Vá, toca a ler.

Agostinha Teixeira Pópulo: O Dedo da Sibila

Este é outro conto com algum interesse, a começar pela premissa. Não é todos os dias que deparamos com uma fantasia apocalíptica baseada nos mitos gregos, e Agostinha Maria Teixeira Pópulo não escreve mal. O grande problema deste O Dedo da Sibila (bibliografia) é, mais uma vez, a pressa.

Cada história exige uma dimensão específica para ser bem contada. Algumas cabem bem em contos curtos, mas outras precisam de mais espaço. Um dos segredos da criação literária está em encontrar a dimensão certa para contar cada história, e são vários os autores desta antologia que não souberam encontrá-la. Agustina Pópulo é uma dessas autoras, enfiando o rossio de uma história do fim do mundo cheia de personagens do Olimpo e de elementos cosmológicos na betesga de um conto de quatro páginas. Não corre lá muito bem, ainda que haja neste livro contos bem piores.

Textos anteriores deste livro:

sábado, 11 de janeiro de 2020

Carlos Afonso Portela: Quatro Vidas Num Jardim

Há quem deteste de todo o coração contos oníricos, com o seu característico esquematismo e a sua frágil solidez narrativa. Eu sou algo ambivalente para com eles; muitos, a maioria, deixam-me frio, alguns desagradam-me profundamente, mas também já tenho gostado muito de uns quantos. Quatro Vidas Num Jardim, de Carlos Afonso Portela (bibliografia), é dos que me deixam frio.

Portela escreve melhor do que a média desta antologia, apesar de um ou outro tropeço, geralmente causados por tentativas menos bem sucedidas de "fazer estilo". E conta uma história onírica confusa, como é comum serem, baseada num jardim esquemático cujo significado o protagonista tenta compreender, servindo-se para isso da ajuda de uma personagem que ele próprio cria. A moral da história é clara: há coisas que são estragadas assim que se tenta explicá-las, por isso mais vale aceitá-las como são, sem tentativas de análise. E há coisas demasiado pessoais para serem compartilhadas até com personagens que nós próprios criamos. Não creio que concorde com nenhuma destas ideias, mas a verdade é que o conto me deixou demasiado indiferente para gastar nele o tempo necessário para pensar realmente sobre elas.

Não é mau; é apenas esquecível.

Textos anteriores deste livro:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Mário Cláudio: As Chagas

Embora o facto não esteja indicado no livro, este As Chagas também é um excerto de um romance, provavelmente o seu início. Aliás, o romance nem sequer vem mencionado na nota que precede o texto e onde se faz uma breve apresentação do autor e da sua obra, como acontece em todos estes textos. Estranhas omissões... Está certo que Mário Cláudio tem uma obra vasta, mas se extraem um excerto de um romance parece-me bizarro que não façam a mais pequena menção a esse romance. Ela aqui fica: As Chagas é um excerto, e possivelmente o início, do romance Peregrinação de Barnabé das Índias.

Trata-se de um romance histórico, o que fica imediatamente bem claro com o texto que aqui vem publicado. Barnabé, o protagonista, é um jovem cristão-novo oriundo de Lamego que vem para Lisboa cumprir uma tarefa mas, por azares e ingenuidades de provinciano na cidade grande, cai numa vida de crime e pobreza. Em As Chagas é só isso que se encontra: os motivos da queda, uma apresentação razoavelmente detalhada da personagem e do seu ambiente e algumas peripécias; no romance, ao que parece, ele acaba por embarcar para a Índia na armada de Vasco da Gama.

Funciona como conto? Não, não funciona. De facto, foi por não funcionar que desconfiei que deveria ser apenas um excerto e fui à procura da informação complementar que este livro não fornece. Mas funciona no despertar de curiosidade pelo romance, porque o protagonista é interessante, o ambiente está muito bem recriado e tudo está tão bem escrito como seria de esperar. É um bom texto, este. Deixa na boca algum sabor a pouco, mas é bom.

Textos anteriores deste livro:

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

João de Oliveiros: A Loja

João de Oliveiros não escreve propriamente mal. É essa a primeira coisa que se percebe quando se começa a ler este A Loja (bibliografia). Tem, ou tinha na altura em que escreveu esta história, algumas falhas no português, algum pendor para a adjetivação excessiva e para o dramalhão, salpica o texto de umas referências a ideias a atirar para o neonazi, ou pelo menos para o nietzcheano, mas não escreve propriamente mal. É uma vantagem face a alguns dos seus colegas de antologia.

Mas A Loja é um continho medíocre. Conto de horror, de vampiros, é demasiado previsível para chegar a ter algum do impacto pretendido. Oliveiros tenta usar a técnica do final surpresa, mas não consegue surpreender com o final que escolhe (pelo menos não me surpreendeu; talvez surpreenda outros leitores) e o resto do conto é demasiado descritivo, apesar de ser basicamente um diálogo, para fazer o leitor mergulhar mesmo na história. É provável que parte da razão para isso sejam as limitações na dimensão do conto, mas o facto é que esta história precisava de respirar um bom bocado mais do que respira.

O resultado? Não é dos piores contos que este livro inclui até ao momento, mas também não é dos melhores.

Textos anteriores deste livro:

Narayana: O Rato e o Eremita

Retirado de um antiquíssimo clássico hindu, neste livro identificado como sendo de autoria de Narayana mas sendo muito mais provável que a sua origem seja popular, este O Rato e o Eremita (bibliografia) é daquelas histórias que atestam a antiguidade dos contos populares. Porque é disso que se trata: um conto popular. Uma fábula que, não sendo tão antiga como as de Esopo, tem tudo em comum com elas. Incluindo a (quase sempre muito desnecessária) moral da história.

A história é sobre a (in)gratidão. Fala de um eremita com poderes mágicos que trava amizade com um rato, que vai transformando em animais sucessivamente mais poderosos à medida que ele vai sendo ameaçado por animais também eles cada vez mais poderosos. Até que o rato chega a tigre e acha não só que já não precisa do eremita, mas que a mera existência deste faz lembrar a todos os demais que por mais que hoje seja tigre começou sendo apenas rato. Ou seja, fala de animais para falar de homens e da forma como alguns destes homens tentam esconder origens humildes silenciando todos aqueles que as conhecem, mesmo que tenham (ou sobretudo se tiverem) ajudado a elevá-los à sua atual posição de poder. Um bom exemplo de fábula totalmente política.

Texto anterior deste livro:

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Livros de 2019

O Goodreads tem uma espécie de jogo que consiste em estabelecer um número de livros para ler durante o ano e depois, quando o ano chega o fim, "ganha" quem conseguir ler mesmo esse número de livros ou o ultrapassar. Há quem o jogue a sério, mas desconfio que a maioria das pessoas é mais como eu: usa-o como uma espécie de guia de progresso, uma forma de aferir se as leituras vão ou não progredindo à velocidade que se estabelece como desejável no início do ano. É que o "desafio" vai dizendo quantos livros se leva de avanço ou de atraso em relação à promessa. Eu costumo estabelecer como meta um livro por semana, 52 ao todo, e desde que comecei a participar naquilo nunca cheguei sequer perto.

Bem... este ano "ganhei".

A lista do Goodreads é um pouco diferente da minha, que eu conto coisas que eles não contam (alguns periódicos e um livro ainda não publicado) e vice-versa (livros em vários volumes, que aqui normalmente contam só como um e lá não, ainda que este ano não haja nenhum caso), mas seja lá qual for a lista, "ganhei". Por lá, contam-se 55 títulos, por aqui 58.

Claro que um motivo importante para isso foi ter lido este ano muitos contos em ebook, especialmente (mas não só) os da coleção de ebooks publicada pelo DN há alguns anos, o que também contribui para o predomínio da ficção lusófona, e muito especialmente portuguesa, sobre a não lusófona. Sem contar com os periódicos, foram 34 títulos lusófonos, dos quais apenas 2 são brasileiros e nenhum de outras nacionalidades, e 17 títulos não lusófonos, três dos quais li por trabalho. Os periódicos foram 7, dois deles compõem-se exclusivamente de material não lusófono, outros dois são de material brasileiro e os restantes são mistos.

A lista completa é a seguinte:

1. Contos Populares Portugueses, de Adolfo Coelho (contos populares, maioritariamente de fantasia);
2. A Idade da Ignorância, de Braulio Tavares (crónicas);
3. A Mina do Deus Morto, de João Barreiros (conto de ficção científica);
4. A Moeda, de Gonçalo M. Tavares (conto mainstream com uma certa pegada insólita);
5. A Musa Irrequieta, de Pedro Paixão (conto mainstream);
6. A Porrada, de Mário de Carvalho (conto mainstream);
7. A Princesa do Gelo, de Manuel João Vieira (conto de fantasia surrealista);
8. A Queda de um Anjo, de Afonso Cruz (conto fantástico);
9. A Terrível Criatura Sanguinária, de Nuno Markl (conto fantástico);
10. Memórias de uma Vida Inesperada, de Noor Al Hussein (memórias);
11. A.K.A., de Rob Swigart (romance satírico com elementos de ficção científica);
12. As Saudades que Tenho de Inácia, de Manuel Jorge Marmelo (conto mainstream);
13. Contos da Infância e do Lar, Volume I, dos Irmãos Grimm (contos populares ou baseados em contos populares, na sua grande maioria de fantasia);
14. Contos, de Eça de Queirós (contos mainstream e de fantasia);
15. Blindsight, de Peter Watts (romance de ficção científica);
16. Cães, de Ricardo Loureiro (conto mainstream);
17. Cidade Líquida, de João Tordo (conto de realismo mágico);
18. Aventuras do Vampiro de Palmares, de Gerson Lodi-Ribeiro (romance-colagem de ficção científica e história alternativa);
19. Defensor do Vínculo, de Pedro Mexia (conto mainstream);
20. O Livro de Areia, de Jorge Luis Borges (contos fantásticos e mainstream);
21. E Tais Pancadas Tem a Costa da China, de Fernão Mendes Pinto (excerto de um livro de viagens);
22. Fábulas de Esopo Ilustradas, de Esopo (fábulas em prosa; minicontos e vinhetas, quase sempre fantásticos);
23. O Génio e a Deusa, de Aldous Huxley (romance mainstream);
24. Jean-Charles, Amor de Calções, de Onésimo Teotónio Pereira (conto mainstream);
25. Buick 8, um Carro Perverso, de Stephen King (romance de horror com elementos de ficção científica... ou vice-versa);
26. Fábulas do Tempo Presente... e do Tempo Futuro, de Carlos Couceiro (fábulas em verso);
27. Mania, de Luísa Costa Gomes (conto de mistério);
28. Missão Stardust, de K. H. Scheer (novela de ficção científica);
29. Monólogo do Oriente, de Patrícia Portela (conto mainstream);
30. Ninfas e Adamastores, de Raquel Ochoa (conto mainstream);
31. No Muro, de David Soares (conto de ficção científica);
32. Notas Soltas da Corda e do Carrasco, de Sérgio Godinho (conto mainstream);
33. O Filho do Pai Manel, de Pedro Santo (conto mainstream);
34. O Fim da Dívida, de Nuno Costa Santos (conto de humor mainstream);
35. O Castelo dos Destinos Cruzados, de Italo Calvino (coleção de contos interligados fantásticos, com elementos de horror e ficção científica);
36. O Galeão Enxobregas, de Francisco Maria Bordalo (noveleta de aventuras);
37. O Homem que Existia Demais, de Possidónio Cachapa (conto mainstream);
38. O Lado Oculto de Rose, de Ademir Pascale (contos de horror);
39. O Universo Extravagante, de Robert P. Kirshner (livro de divulgação científica);
40. Mensageiros das Estrelas, org. Adelaide Maria Serras, Duarte Patarra e Octávio dos Santos (contos de ficção científica e fantástico);
41. John Carter, de Edgar Rice Burroughs (romance de ficção científica);
42. Histórias de Fantasmas, de vários (contos de horror, fantásticos e de humor);
43. Meg, de Steve Alten (romance de ficção científica);
44. 7 Contos Ilustr.s, org. Fernando Esteves Pinto (contos fantásticos, de ficção científica e mainstream);
45. Vou-me Embora, de José Conrado Dias (novela mainstream);
46. Avenidas sem Sentido, org. Pedro Sena-Lino (contos mainstream e alguns fantásticos);
47. O Progresso da Humanidade, de Rui Cardoso Martins (conto mainstream);
48. O Teclado Paranóico, de João Ventura (conto fantástico e de humor)

Como sempre, também marcharam uns quantos periódicos:

49. Fantasy & Science Fiction, nº 645, ed. Gordon van Gelder (contos de ficção científica e fantasia);
50. Bang!, nº 3, ed. Luís Corte Real e Rogério Ribeiro (contos de ficção científica e fantástico);
51. Dagon, nº 3, ed. Roberto Mendes (contos de fantasia e um bocadinho de ficção científica);
52. Isaac Asimov Magazine, nº 3, ed. Ronaldo Sergio de Biasi (contos de ficção científica);
53. Macondo, nº 6, ed. Francisco Mariani Casadore e Marcos Mariani Casadore (poesia e contos fundamentalmente mainstream);
54. Megalon, nº 1, ed. Marcello Simão Branco e Renato Rosatti (contos e artigos sobre ficção científica e fantástico);
55. Ficções, nº 10, ed. Luísa Costa Gomes (contos principalmente mainstream, mas também com fantástico e ficção científica)

E também li por dever laboral:

56. The Warehouse, de Rob Hart (romance de ficção científica);
57. (ainda não anunciado)
58. (ainda não anunciado)

Este ano, ao contrário do que costuma acontecer, não foi propriamente a ficção científica a predominar. De facto, de todos estes títulos só 19 incluem alguns elementos de FC, e são muito poucos os que são declaradamente FC. A variedade imperou nas minhas leituras de 2019, ainda que os contos do DN as tenham empurrado bastante para o lado do mainstream: são 25 as publicações que ou são inteiramente mainstream, ou incluem ficções mainstream. Mas mesmo este número é menos de metade de todos os títulos que constam destas listas. Lá está: variedade.

Mais uma vez, também em 2019 não houve nenhum livro que me tivesse realmente enchido as medidas, apesar de ter havido uma lista de dezena e meia de que gostei bastante, o que dificulta muito a escolha do meu top-3 do costume. Mas depois de muito matutar, acho que vou mais uma vez fazer um top-3 integralmente de ficção científica: o Blindsight do Peter Watts em primeiro, A Mina do Deus Morto do João Barreiros em segundo e o Isaac Asimov Magazine, nº 3 em terceiro. Mas a distância entre estas três publicações e um pelotão inteiro de outras é bastante curta.

Por serem menos, é mais fácil decidir o trio de melhores leituras lusófonas. A Mina do Deus Morto, claro, foi a minha melhor leitura lusófona do ano. O segundo lugar vai para outro conto da coleção do DN, A Queda de um Anjo, do Afonso Cruz, e o terceiro vai para um clássico, os Contos do Eça de Queirós. Tudo português, sim, que este ano li pouco material brasileiro.

Com tanta coisa lida e com um top 3 dominado por FC, se calhar não é má ideia dar também um lamiré sobre as 3 melhores leituras sem ficção científica, ainda que seja uma lista cheia de títulos já vistos em outras. Aqui é A Queda de um Anjo a liderar, seguida pel'O Castelo dos Destinos Cruzados, do Italo Calvino, que é o único título novo porque em terceiro aparecem outra vez os Contos do Eça de Queirós.

E os piores do ano? Bem, aí a escolha é mais fácil porque a lista de candidatos é bastante mais curta. E de novo inclui contos do DN, tanto na lista de candidatos como nos três escolhidos. Estes são todos lusófonos, mas não todos portugueses. Decidi-me por O Filho do Pai Manel do Pedro Santo como o pior livro do ano. Outro Pedro, o Paixão, escreveu o segundo pior livro do ano: A Musa Irrequieta. E o Megalon nº 1 foi o terceiro pior, ainda que o único conto que contém leve provavelmente a taça de pior conto lido em 2019 (não, não vou passar a fazer essa lista; daria demasiado trabalho); o que salva esse número do fanzine é a entrevista.

Para o ano haverá mais, claro. Ainda tenho um punhado de ebooks do DN por ler, e mais uma porção de contos em ebook, alguns já bastante velhos, armazenados no disco rígido à espera de vez, pelo que as listas de 2020 também deverão ser extensas. Portanto se quiserem saber como foi o ano, voltem em 2021, mais ou menos por esta altura. Até lá.