... ou como não fazer as coisas.
Há coisa de um ano, dei por acaso pela edição deste livro cuja capa apresento aqui ao lado. Não foi, que eu tivesse dado por isso, divulgada em lado nenhum e não esteve, que eu tivesse notado, à venda em nenhum sítio. Mas é, aparentemente, um livro de ficção científica de um autor de que nunca tinha ouvido falar. E isso, claro, desperta-me a curiosidade.
Há dias resolvi comprá-lo. Como o único lugar onde o livro parece estar à venda (à parte a Amazon, e eu não estou disposto a ir importar da Amazon um livro português) é o site da editora, foi lá que me dirigi. Afinal de contas, estamos em 2018. O comércio eletrónico, em especial de livros, é uma realidade testada e afinada por duas décadas de experiência, certo?
Bem...
Ao entrar tudo parece estar certo. O design é atraente, os livros estão bem categorizados e acessíveis. Os dados sobre os livros são escassos, mas isso é praga que ataca muito mais do que esta editora específica, infelizmente. Às vezes quase parece que demasiadas editoras portuguesas acham que fornecer dados completos sobre os livros que pretendem vender viola alguma espécie de segredo de estado. Que esta também sofra disso não é nem surpreendente nem invulgar.
De modo que eu lá fui encomendá-lo, todo lampeiro. Má ideia.
Em vez de se clicar num botão "encomendar" e o livro ficar adicionado a um carrinho de compras, como é padrão do e-commerce, temos um formulário. Pede-se nome, endereço, email, essas coisas necessárias, e por aí tudo bem. Depois pede-se para indicar o livro. Um livro. Quem quiser encomendar mais que um, não pode... ou por outra, pode encomendar vários exemplares do mesmo livro, mas não pode, por exemplo, encomendar A Fonte da Juventude do Rúben Pais e As Nuvens de Hamburgo do Pedro Cipriano.
Pior: depois de ser obrigado a só escolher um livro, o pobre candidato a cliente tem a opção de comprar também um e só um ebook. Informação sobre o formato em que o ebook virá? Não existe. Pode ser PDF, pode ser um formato decente (EPUB, por exemplo), pode ser um formato bizarro qualquer que ninguém consegue ler, pode ser qualquer coisa. E não é possível comprar só ebooks, ou pelo menos um ebook. Quem prefira ler livros digitais está com azar, que se o campo dos ebooks é facultativo, o dos livros em papel é obrigatório.
Mas pronto. Se é assim que querem, assim terão. E eu lá fiz a encomenda: este livro cuja capa está aqui em cima, em papel, e o do Cipriano em ebook, já que este último sei onde poderia comprar em papel se a venda do ebook desse barraca. Sim, que já estava a ver o filme mal parado.
Mas não tanto como acabou por ficar. É que depois da encomenda feita recebi o email de confirmação, típico destas coisas. Tudo bem, portanto? Não propriamente, não. É que o que veio no email foi, em resumo, isto:
Livro - Encomendar Ficção
Versão - 1
Quantidade -
Envio - Envio Ebook - imediato
Preço - 14
Como não encomendei nenhum livro intitulado "Encomendar Ficção", assinalei uma quantidade de 1 exemplar e o preço do ebook (de envio imediato) não é 14 €, assim que vi isto fugi imediatamente para bem longe. Não confirmei o email, evidentemente, e muito menos procedi ao pagamento.
E foi assim que o Rúben Pais não vendeu um livro.
Moral da história: de pouco servem as boas intenções (a carta de intenções da editora é um exemplo a seguir por muitas outras; não estamos perante uma vanity press) quando não vêm acompanhadas por saber-se fazer as coisas. E o facto é que quem vai tentar comprar livros online sai da experiência com péssima impressão, que não se fica pela experiência de compra, antes transborda para outras áreas: afinal, se a venda é assim quem garante que a paginação está bem feita ou os livros não vêm cheios de gralhas (não estão disponíveis excertos, claro) ou não se desfazem assim que forem abertos?
E outra moral da história: seria sensato que os autores testassem as editoras antes de lhes entregar as suas obras. Comprem-lhes qualquer coisa, pelos vários meios (se é que são vários os meios) que elas põem os livros à venda. Verifiquem a qualidade das edições, vejam se e como os livros são divulgados. É que caso contrário pode acontecer-vos o que aconteceu ao Rúben: podem não vender livros que poderiam ter vendido.
E por falar nisso: alguém sabe de algum lugar físico onde eu poderia comprar este A Fonte da Juventude? É que agora já só mesmo tendo o livro nas mãos, sabem?
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
À atenção das pessoas que me querem enviar coisas...
... e só têm como endereço o meu apartado.
Informo que, a partir de 1 de janeiro, esse apartado vai deixar de ser meu e, portanto, não devem enviar nada para lá. O meu endereço volta a ser só um, o de casa.
Arranjei o apartado porque os CTT privatizaram o serviço de entrega de encomendas em casa e ele tornou-se péssimo (papéis enfiados debaixo da porta do prédio, encomendas que nunca chegavam — talvez por causa disso — etc.), a caixa postal não ficava muito longe de casa e o preço não era muito alto.
Mas começaram por fechar a estação de correios mais próxima de casa, transferindo a caixa postal para o centro da cidade, depois privatizaram os CTT e a primeira coisa que os CTT-empresa-privada fizeram foi subir de surpresa, no fim do ano e muito o preço do apartado. Por fim, o serviço de entrega de encomendas teve algumas melhorias — ao mesmo tempo que o serviço postal normal ia de mal a pior — portanto vou mandá-los pastar.
Em suma: quem quiser enviar-me coisas e não saiba para onde, pergunte-me.
Ah, sim, e claro: viva a iniciativa privada! Nada é mais eficaz e amigo do cidadão do que a iniciativa privada! Empresas públicas? Que horror!
Informo que, a partir de 1 de janeiro, esse apartado vai deixar de ser meu e, portanto, não devem enviar nada para lá. O meu endereço volta a ser só um, o de casa.
Arranjei o apartado porque os CTT privatizaram o serviço de entrega de encomendas em casa e ele tornou-se péssimo (papéis enfiados debaixo da porta do prédio, encomendas que nunca chegavam — talvez por causa disso — etc.), a caixa postal não ficava muito longe de casa e o preço não era muito alto.
Mas começaram por fechar a estação de correios mais próxima de casa, transferindo a caixa postal para o centro da cidade, depois privatizaram os CTT e a primeira coisa que os CTT-empresa-privada fizeram foi subir de surpresa, no fim do ano e muito o preço do apartado. Por fim, o serviço de entrega de encomendas teve algumas melhorias — ao mesmo tempo que o serviço postal normal ia de mal a pior — portanto vou mandá-los pastar.
Em suma: quem quiser enviar-me coisas e não saiba para onde, pergunte-me.
Ah, sim, e claro: viva a iniciativa privada! Nada é mais eficaz e amigo do cidadão do que a iniciativa privada! Empresas públicas? Que horror!
sábado, 8 de junho de 2013
A diferença entre uma pessoa séria e o Bagão Félix
Grosso modo (isto de começar um texto com uma expressão latina fica sempre bem), há duas formas de avaliar o impacto de uma mudança. Digamos, assim ao calhas, uma mudança ortográfica. A das pessoas sérias e a dos aldrabões.
As pessoas sérias pegam num texto qualquer, ou de preferência até em vários, e analisam o que muda nesses textos, a proporção do que se altera e do que fica igual, se há algum problema gerado pelas mudanças, etc., etc. Convém que sejam textos escritos por outras pessoas. Não é obrigatório que sejam literários, mas também não faz nenhum mal que o sejam. Convém é que sejam escritos por quem conhece a língua, por quem a usa quotidianamente (ou cotidianamente, tanto faz; é facultativo), por quem faz dela o seu instrumento de trabalho ou de expressão artística. Textos literários ou jornalísticos são um bom ponto de partida.
Ou seja, fazem mais ou menos o que eu fiz aqui com um texto do David Soares. Demonstrar o oposto do que o Soares queria demonstrar é só um bónus, e não está garantido à partida; as pessoas sérias analisam os factos tal como eles são, não retorcem a realidade para convir aos seus preconceitos.
Pelo contrário, os aldrabões escrevem textículos de propósito para a "análise", empilhando neles o máximo possível de alterações, escolhendo a dedo exemplos que possam ser problemáticos, quer façam sentido, quer não passem de uma pilha de disparates. Para potenciar o fator histeria, pintam as alterações a VERMELHO, não vá alguém correr o risco de não entender a mensagem, que isto há por aí gente burra que tem dificuldade em entender mensagens.
Basicamente o que o Bagão Félix fez com este pedacinho de... hum... enfim, chamemos-lhe prosa à falta de termo mais apropriado:
Empilhando frases sem sentido consegue "provar-se" qualquer coisa. Querem ver? Olhem: "O Bagão Félix é um ser vivo; um piolho é um ser vivo; logo, o Bagão Félix é um piolho." Viram?
E para "provar" este disparate precisei de menos palavreado que o Bagão Félix para "provar" o dele.
O que realmente se prova quando se empilha frases sem sentido, e agora "prova" vem sem aspas, é que quem o faz é claramente um aldrabão. Que não é sério.
(Abre parêntesis. Sabem que respeito me merecem aldrabões, sabem? Zero. Rigorosamente zero. Fecha parêntesis.)
E Bagão Félix consegue até ser tolo, ou pelo menos incompetente, porque entre os exemplos que dá da "nova ortografia" nem sequer foi capaz de encontrar só daquelas mudanças que o são de facto, mudanças obrigatórias. Atira-se a espetador, desconhecendo ou ignorando que essa palavra passa a ter dupla grafia e quem quiser continuar a escrever espectador pode; atira-se a andamos desconhecendo ou ignorando que essa palavra passa a ter dupla grafia e quem quiser continuar a escrever andámos pode.
O Bagão, que tem andado ortograficamente inFélix, tadito, tem todo o ar de alguém que acha tudo isto muito confuso. Mas só quem não tem grande coisa na cabeça pode achar confusas frases como "a ata não ata nem desata" (que é das poucas que fazem algum sentido naquela estúpida salganhada). Será que alguém com mais que um neurónio na cabeça vai pensar que "a ata" pode não ser um nome? Haverá alguém que seja tão perfeitamente zero à esquerda que não conheça e nem consiga individualizar a expressão "não ata nem desata"? Não compreender ou achar confusas frases como esta revela, muito mais do que maldades ou bondades do acordo ortográfico, um grau de incompetência linguística verdadeiramente atroz.
Gente como o Bagão Félix, aliás, deve ser completamente incapaz de falar e escrever português tal como ele já era antes do AO90, pois na nossa bela língua há frases como as que alguém deixou num comentário à patetice felixiana:
Em suma: são desprezíveis.
(Abre parêntesis. Gente como o juiz Rui Teixeira, que acha que com o AO90 cágado passa a cagado e facto passa a fato não entram necessariamente na categoria dos aldrabões, a menos que insistam na asneira mesmo depois de se lhes explicar os factos pertinentes. Por conseguinte não entram automaticamente na categoria dos desprezíveis. Entram na dos patetas com opiniões firmes sobre assuntos que desconhecem por completo, mas não nas dos desprezíveis. Fecha parêntesis.)
E gente desprezível deve ser tratada com desprezo. Ponto final.
As pessoas sérias pegam num texto qualquer, ou de preferência até em vários, e analisam o que muda nesses textos, a proporção do que se altera e do que fica igual, se há algum problema gerado pelas mudanças, etc., etc. Convém que sejam textos escritos por outras pessoas. Não é obrigatório que sejam literários, mas também não faz nenhum mal que o sejam. Convém é que sejam escritos por quem conhece a língua, por quem a usa quotidianamente (ou cotidianamente, tanto faz; é facultativo), por quem faz dela o seu instrumento de trabalho ou de expressão artística. Textos literários ou jornalísticos são um bom ponto de partida.
Ou seja, fazem mais ou menos o que eu fiz aqui com um texto do David Soares. Demonstrar o oposto do que o Soares queria demonstrar é só um bónus, e não está garantido à partida; as pessoas sérias analisam os factos tal como eles são, não retorcem a realidade para convir aos seus preconceitos.
Pelo contrário, os aldrabões escrevem textículos de propósito para a "análise", empilhando neles o máximo possível de alterações, escolhendo a dedo exemplos que possam ser problemáticos, quer façam sentido, quer não passem de uma pilha de disparates. Para potenciar o fator histeria, pintam as alterações a VERMELHO, não vá alguém correr o risco de não entender a mensagem, que isto há por aí gente burra que tem dificuldade em entender mensagens.
Basicamente o que o Bagão Félix fez com este pedacinho de... hum... enfim, chamemos-lhe prosa à falta de termo mais apropriado:
Empilhando frases sem sentido consegue "provar-se" qualquer coisa. Querem ver? Olhem: "O Bagão Félix é um ser vivo; um piolho é um ser vivo; logo, o Bagão Félix é um piolho." Viram?
E para "provar" este disparate precisei de menos palavreado que o Bagão Félix para "provar" o dele.
O que realmente se prova quando se empilha frases sem sentido, e agora "prova" vem sem aspas, é que quem o faz é claramente um aldrabão. Que não é sério.
(Abre parêntesis. Sabem que respeito me merecem aldrabões, sabem? Zero. Rigorosamente zero. Fecha parêntesis.)
E Bagão Félix consegue até ser tolo, ou pelo menos incompetente, porque entre os exemplos que dá da "nova ortografia" nem sequer foi capaz de encontrar só daquelas mudanças que o são de facto, mudanças obrigatórias. Atira-se a espetador, desconhecendo ou ignorando que essa palavra passa a ter dupla grafia e quem quiser continuar a escrever espectador pode; atira-se a andamos desconhecendo ou ignorando que essa palavra passa a ter dupla grafia e quem quiser continuar a escrever andámos pode.
O Bagão, que tem andado ortograficamente inFélix, tadito, tem todo o ar de alguém que acha tudo isto muito confuso. Mas só quem não tem grande coisa na cabeça pode achar confusas frases como "a ata não ata nem desata" (que é das poucas que fazem algum sentido naquela estúpida salganhada). Será que alguém com mais que um neurónio na cabeça vai pensar que "a ata" pode não ser um nome? Haverá alguém que seja tão perfeitamente zero à esquerda que não conheça e nem consiga individualizar a expressão "não ata nem desata"? Não compreender ou achar confusas frases como esta revela, muito mais do que maldades ou bondades do acordo ortográfico, um grau de incompetência linguística verdadeiramente atroz.
Gente como o Bagão Félix, aliás, deve ser completamente incapaz de falar e escrever português tal como ele já era antes do AO90, pois na nossa bela língua há frases como as que alguém deixou num comentário à patetice felixiana:
Eu rio enquanto junto ao rio gelo por causa do gelo que se acumulou durante a noite. Se me queimar, penso que vou ter que pôr um penso. Mas cedo cedo à dor.E o bónus é que estas três frases fazem sentido, coisa que o Bagão Félix foi incapaz de conseguir. Tal como sentido fazem as que eu arranjei aqui há tempos para ilustrar umas noçõezinhas básicas sobre homografias, homofonias e homonomias. Se achasse que valeria de alguma coisa, aconselhava os bagões félixes que por aí andam a irem ler, para ver se aprendiam alguma coisinha. Mas não vale de nada. Porque os bagões félixes não são sérios. Não passam de aldrabõezecos ignorantes que se estão nas tintas para o conhecimento ou, sequer, para uma discussão minimamente séria das coisas. Só querem lançar a confusão, o alarmismo, fazer com que coisas que mal se notam pareçam titaniques prestes a afundar-se com todos os icebergues do mundo em cima, dizer que aumentam divergências que diminuem, gritar aqui d'el-rei que os brasileiros isto e aquilo quando quem já papa as consoantezinhas mudas quase todas na fala são os não brasileiros, etc., etc., etc. e mais etc.
Em suma: são desprezíveis.
(Abre parêntesis. Gente como o juiz Rui Teixeira, que acha que com o AO90 cágado passa a cagado e facto passa a fato não entram necessariamente na categoria dos aldrabões, a menos que insistam na asneira mesmo depois de se lhes explicar os factos pertinentes. Por conseguinte não entram automaticamente na categoria dos desprezíveis. Entram na dos patetas com opiniões firmes sobre assuntos que desconhecem por completo, mas não nas dos desprezíveis. Fecha parêntesis.)
E gente desprezível deve ser tratada com desprezo. Ponto final.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Da indigência
Helena Buescu apresentou na AR um "parecer" em que se refere obliquamente à análise que aqui fiz sobre o Vocabulário da Mudança. Insiste na fraude perpretada por Regina Rocha e publicada no Público, e diz que ela foi, cito:
E claro que não apresentei "qualquer comprovada anulação". Só forneço a tabela com todos os dados, todas as contas e todas as fórmulas a quem ma pedir (e desde a última vez que o mencionei já a forneci a mais três pessoas, subindo o total para cinco — uma das quais opositora ao AO (finalmente!), pelo menos por enquanto). Mais nada. Coisa pouca, bem sei. O que é isso comparado com todas as provas que a Regina Rocha fornece de que não inventou os seus números? Hm?
Já agora, que foi ao certo que Regina Rocha forneceu a quem quiser verificar a bondade dos seus dados e contas? É que estou aqui a puxar pela cabeça e não me lembro de nada.
Deve ser, decerto, falha na minha memória. Com certeza que há abundante materal comprovativo. Uma tabelinha com contas, talvez? Talvez feita em papel? Uns rabiscozinhos a lápis? Não?
Doutoramentos à portuguesa...
objecto de contra-resposta que não apresentou qualquer comprovada anulação baseada em dados alternativosClaro que não. Eu não me baseei em dados alternativos: baseei-me nos mesmos dados que Regina Rocha diz ter utilizado para obter os números que inventou.
E claro que não apresentei "qualquer comprovada anulação". Só forneço a tabela com todos os dados, todas as contas e todas as fórmulas a quem ma pedir (e desde a última vez que o mencionei já a forneci a mais três pessoas, subindo o total para cinco — uma das quais opositora ao AO (finalmente!), pelo menos por enquanto). Mais nada. Coisa pouca, bem sei. O que é isso comparado com todas as provas que a Regina Rocha fornece de que não inventou os seus números? Hm?
Já agora, que foi ao certo que Regina Rocha forneceu a quem quiser verificar a bondade dos seus dados e contas? É que estou aqui a puxar pela cabeça e não me lembro de nada.
Deve ser, decerto, falha na minha memória. Com certeza que há abundante materal comprovativo. Uma tabelinha com contas, talvez? Talvez feita em papel? Uns rabiscozinhos a lápis? Não?
Doutoramentos à portuguesa...
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Os números verdadeiros sobre a mudança ortográfica
A regra mais básica para quem quer discutir as coisas com um mínimo de seriedade é não falsificar dados. Logo a seguir na escala das regras indispensáveis vem esta: não selecionar os dados que convém, fingindo que os outros não existem. Vem isto a propósito de uma senhora de nome Maria Regina Rocha, que parece que é (ainda será?) consultora do Ciberdúvidas e que terá feito um "estudo", muito publicitado pelos opositores à modernização ortográfica (ver aqui), onde pretensamente "prova" que a tal unificação ortográfica, longe de unificar a ortografia, aumenta a divergência.
Segundo ela própria afirma, chegou a tal fantástico resultado pegando nas tabelas do Vocabulário da Mudança e contando, manualmente, os casos em que a grafia converge ou diverge. Não todos, note-se. Só aqueles que, segundo ela, não são em número "residual" ou não afetam principalmente a grafia brasileira. E os caturras entraram em euforia, julgando que lhes foi dado de bandeja um bom argumento.
Acontece que, como afirmei aqui, a unificação ortográfica de que se fala e se pretende é passar a haver um único documento a definir a ortografia do português, no lugar dos dois atualmente existentes, não passarem todas as palavras a escrever-se da mesma forma em todo o espaço lusófono. É isto que é claramente afirmado no anexo publicado em conjunto com o Acordo Ortográfico de 90 no Diário da República portuguesa. Ver aqui.
Mas mesmo assim, eu sabia que os números da senhora eram aldrabados. Sabia que, ao contrário do que ela afirma, existe, de facto, uma convergência ortográfica e que não é pequena. Calculava que ela estaria algures nos tais casos "residuais" que ela ignorou, mas a verdade é que não tinha dados concretos.
Portanto fiz o que qualquer pessoa com um mínimo de boa fé faria: fui eu próprio tratar os dados.
Como não sou um completo nabo, não fiz as contas à mão. Saquei as tabelas do Vocabulário da Mudança e importei-as para uma folha excel. Depois, recorrendo a umas quantas fórmulas muito simples, comparei a ortografia portuguesa pré-AO (a que o Vocabulário chama "Ortografia Antiga (1945)"), a brasileira pré-AO (ou "Ortografia Antiga (1943)") e a moderna. Soube assim quais as palavras que tinham ortografia divergente, quais as que a tinham igual, e quais as que hoje têm grafias múltiplas. As palavras que tinham ortografia divergente incluem tanto a ortografia totalmente divergente (casos em que só se usava uma forma em Portugal e outra diferente no Brasil), como aqueles que eram parcialmente divergentes (casos em que a antiga ortografia brasileira tinha dupla grafia). De seguida verifiquei quais os casos de convergência (isto é, quais as palavras cujas grafias eram divergentes e que passaram a grafar-se da mesma forma), quais os casos em que grafias antigas divergentes são hoje grafias múltiplas, e quais os casos de divergência (ou seja, em que grafias anteriormente idênticas passaram a duplas grafias).
Gastei nisto cerca de duas horas.
E os resultados, sem nenhuma surpresa, são completamente contrários às conclusões da Maria Regina Rocha.
Ei-los:
Portanto, o "estudo" da sra. Maria Regina Rocha não passa de uma fraude. Uma fraude que pretende apoiar a oposição à nova ortografia com base em números inventados e em disparates.
Ou seja: nada de novo no reino dos caturras.
PS - posso fornecer a folha excel a quem a pedir, bastando para tal que me indiquem um endereço válido de email.
PPS - este estudo pode ser refinado com um tratamento mais sofisticado da tabela. Tenciono levá-lo a cabo, na medida do tempo que tiver disponível. Se tiverem sugestões sobre dados interessantes, sou todo ouvidos.
Segundo ela própria afirma, chegou a tal fantástico resultado pegando nas tabelas do Vocabulário da Mudança e contando, manualmente, os casos em que a grafia converge ou diverge. Não todos, note-se. Só aqueles que, segundo ela, não são em número "residual" ou não afetam principalmente a grafia brasileira. E os caturras entraram em euforia, julgando que lhes foi dado de bandeja um bom argumento.
Acontece que, como afirmei aqui, a unificação ortográfica de que se fala e se pretende é passar a haver um único documento a definir a ortografia do português, no lugar dos dois atualmente existentes, não passarem todas as palavras a escrever-se da mesma forma em todo o espaço lusófono. É isto que é claramente afirmado no anexo publicado em conjunto com o Acordo Ortográfico de 90 no Diário da República portuguesa. Ver aqui.
Mas mesmo assim, eu sabia que os números da senhora eram aldrabados. Sabia que, ao contrário do que ela afirma, existe, de facto, uma convergência ortográfica e que não é pequena. Calculava que ela estaria algures nos tais casos "residuais" que ela ignorou, mas a verdade é que não tinha dados concretos.
Portanto fiz o que qualquer pessoa com um mínimo de boa fé faria: fui eu próprio tratar os dados.
Como não sou um completo nabo, não fiz as contas à mão. Saquei as tabelas do Vocabulário da Mudança e importei-as para uma folha excel. Depois, recorrendo a umas quantas fórmulas muito simples, comparei a ortografia portuguesa pré-AO (a que o Vocabulário chama "Ortografia Antiga (1945)"), a brasileira pré-AO (ou "Ortografia Antiga (1943)") e a moderna. Soube assim quais as palavras que tinham ortografia divergente, quais as que a tinham igual, e quais as que hoje têm grafias múltiplas. As palavras que tinham ortografia divergente incluem tanto a ortografia totalmente divergente (casos em que só se usava uma forma em Portugal e outra diferente no Brasil), como aqueles que eram parcialmente divergentes (casos em que a antiga ortografia brasileira tinha dupla grafia). De seguida verifiquei quais os casos de convergência (isto é, quais as palavras cujas grafias eram divergentes e que passaram a grafar-se da mesma forma), quais os casos em que grafias antigas divergentes são hoje grafias múltiplas, e quais os casos de divergência (ou seja, em que grafias anteriormente idênticas passaram a duplas grafias).
Gastei nisto cerca de duas horas.
E os resultados, sem nenhuma surpresa, são completamente contrários às conclusões da Maria Regina Rocha.
Ei-los:
- O Vocabulário da Mudança contém um total de 6573 vocábulos
- Entre esses, contam-se 3703 casos de grafias anteriormente divergentes que hoje são duplas (ou, em raríssimos casos, triplas). Na sua grande maioria são casos em que a prática anterior não muda.
- Contam-se 1421 casos de grafias anteriormente idênticas que continuam hoje a ser idênticas (mas diferentes das anteriores).
- Contam-se 1228 casos de convergência, grafias anteriormente diferentes que passaram a ser iguais.
- Contam-se 221 casos de divergência, palavras que anteriormente se escreviam de forma igual mas passaram a aceitar dupla grafia.
Portanto, o "estudo" da sra. Maria Regina Rocha não passa de uma fraude. Uma fraude que pretende apoiar a oposição à nova ortografia com base em números inventados e em disparates.
Ou seja: nada de novo no reino dos caturras.
PS - posso fornecer a folha excel a quem a pedir, bastando para tal que me indiquem um endereço válido de email.
PPS - este estudo pode ser refinado com um tratamento mais sofisticado da tabela. Tenciono levá-lo a cabo, na medida do tempo que tiver disponível. Se tiverem sugestões sobre dados interessantes, sou todo ouvidos.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Vasco Graça Moura: de asneira em asneira até ao descrédito total
Vasco Graça Moura adora insultar o acordo ortográfico, a nova ortografia e, por extensão, quem o elaborou e quem o utiliza. Fá-lo num estilo carroceiro que já se vai tornando habitual, embora na televisão tenda a suavizá-lo relativamente aos ataques de verborreia insultuosa que tem por escrito. E utiliza "argumentos" que vai alterando ao longo do tempo, à medida que, uns após outros, vão sendo escavacados pela realidade.
Parece que agora foi à TV mandar mais uns bitaites. E, claro, o asneirame não podia faltar.
Mas o que mais disse foi uma enorme quantidade de frases de efeito vazias de conteúdo. Que a nova ortografia é "incompatível com a dignidade da língua portuguesa" (porquê? em quê?) e com a "identidade do nosso país" (desculpe?!), etc., etc. Não vale a pena perder tempo com este tipo de palavreado: como tais afirmações não estão substanciadas, não têm conteúdo, não há ponta por onde pegar-lhes para uma refutação.
Mas nas asneiras, há. Vamos a elas.
Diz o Graça Moura que "o acordo é completamente desajustado à forma como falamos a nossa língua". Os factos, porém, afirmam precisamente o inverso. Os factos dizem que nós pronunciamos o c de facto, razão pela qual ele se escreve e não pronunciamos o c de acto, razão pelo qual ele desaparece. Os factos dizem que nós não pronunciamos o p de acepção, razão pela qual podemos deixar de o escrever e os brasileiros pronunciam, razão pela qual podem continuar a escrevê-lo. Os factos dizem que o acordo é finalmente ajustado ao modo como realmente falamos a língua hoje, não ao modo como falávamos a língua na época em que todas essas consoantes mudas que herdámos por presunção pseudo-etimológica não eram mudas.
Diz o Graça Moura que "o acordo vem desfigurar a maneira de pronunciar". Os factos, porém, afirmam que casos comprovados em que o modo como as palavras se escrevem teve algum impacto no modo como as palavras se pronunciam praticamente não existem. Porque uma língua é uma construção oral que tem uma vertente escrita que procura adaptar-se até certo ponto à oralidade, e não o contrário. Ninguém aprende uma língua materna por escrito: as suas regras, incluindo as da pronúncia, são-nos transmitidas anos antes de aprendermos a ler pelos nossos pais e demais ambiente. Quem pense o contrário não percebe nada do fenómeno linguístico humano. Nada.
Diz o Graça Moura que "é completamente inválido o protocolo modificativo, que prevê que apenas três países subscrevam e ratifiquem, para depois se aplicar aos restantes". Os factos, no entanto, são: o protocolo modificativo (que na verdade são dois, mas o segundo basicamente anula o primeiro) modifica uma cláusula do acordo fazendo com que ele entre em vigor no plano internacional com três ratificações, e foi assinado por todos os países lusófonos. Por todos. Com três ratificações, que já existem, entrou em vigor. Logo é válido. Mas o facto de estar em vigor no plano internacional não implica que entre em vigor internamente — para isso é preciso que os países ratifiquem o acordo. Faltam dois: Angola e Moçambique. Assinaram o acordo e ambos os protocolos, mas ainda não os ratificaram. Logo, ainda não aplicam a nova ortografia porque, ao contrário do que o Graça Moura pretende desonestamente fazer crer, não existe aqui nenhuma imposição seja de quem for sobre seja quem for.
Diz o Graça Moura que com o acordo "desapareceu a ortografia, a maneira correcta de escrever, para ficar tudo ‘à vontade do freguês’". A asneira aqui é tão gritante que quase não se acredita que alguém possa dizer uma barbaridade destas. Porque a mera existência do acordo, que define um conjunto alargado de regras sobre a forma de se escrever a língua portuguesa, prova que há uma maneira correta de escrever. Escreve-se corretamente a língua portuguesa seguindo-se as regras prescritas no acordo ortográfico. Óbvio para qualquer criancinha.
Esta não é asneira, propriamente, mas também mostra o grau de incompreensão do Graça Moura relativamente ao acordo. Pergunta, com base nas diferenças ortográficas que o acordo prevê, "onde está a unidade ortográfica". Eu explico, caro vate. Quando se fala em unificação ortográfica não se pretende, nem nunca se pretendeu, dizer que toda a gente passaria a escrever exatamente da mesma maneira. Pretende-se dizer, isso sim, que o português deixará de ser a única grande língua do mundo com duas grafias oficiais e mutuamente exclusivas para entrar numa situação semelhante, por exemplo, à do inglês, em que as diferenças ortográficas, que existem na prática, não estão reguladas por via legislativa, o que quer dizer que as pessoas podem usar, se bem o entenderem, as regras informais do país anglófono X no país anglófono Y. A consequência disto é que o inglês tem uma espécie de ortografia unificada (no sentido em que pode ser usada por todos) com variações regionais reguladas pelo uso. E é precisamente isso que o português passa a ter.
Mas voltemos às asneiras de bradar aos céus.
Diz o Graça Moura: "E acha natural que se suponha que eu tenha que saber como se pronuncia a minha língua no Brasil, por exemplo, para saber como a hei-de escrever? Porque tem de se saber onde é que se pronuncia o ‘p’ e o ‘c’, nas várias formas ditas cultas de português [...], tenho de saber como se fala a minha língua num país estrangeiro para poder escrever a minha própria língua?" Outro disparate monumental. Não, caro vate, não tem de saber como se pronuncia a sua língua no Brasil nem noutro sítio qualquer. Assumindo que se considera culto, e não tenho qualquer dúvida de que realmente se considera culto, e muito, basta-lhe saber como você pronuncia a sua língua para saber como você a escreve. Basta-lhe saber como é a pronúncia culta no seu país para saber que facto leva c e ato não o leva, que egípcio leva p e adoção não o leva. Se se quiser estar nas tintas para tudo e todos os outros falantes de português, faça favor de o escrever como você o pronuncia. Nada mais.
Finalmente, diz o Graça Moura: "Por isso, quando estão lá um ‘p’ ou um ‘c’ ditos mudos (impropriamente chamadas consoantes mudas), estão lá porque têm uma função, que é a de abrir a vogal que as antecede. Isto é absolutamente fundamental." Isto é absolutamente errado. Parte outra vez da supina asneira de se pensar que as línguas se aprendem lendo, confunde causa com efeito e omite que parte das vogais que antecedem consoantes mudas são (surpreeesa!) fechadas. Mas disso já eu falei noutros sítios. E agora tenho de ir almoçar.
Ah, Graça Moura, Graça Moura. De asneira em asneira até ao descrédito total.
Parece que agora foi à TV mandar mais uns bitaites. E, claro, o asneirame não podia faltar.
Mas o que mais disse foi uma enorme quantidade de frases de efeito vazias de conteúdo. Que a nova ortografia é "incompatível com a dignidade da língua portuguesa" (porquê? em quê?) e com a "identidade do nosso país" (desculpe?!), etc., etc. Não vale a pena perder tempo com este tipo de palavreado: como tais afirmações não estão substanciadas, não têm conteúdo, não há ponta por onde pegar-lhes para uma refutação.
Mas nas asneiras, há. Vamos a elas.
Diz o Graça Moura que "o acordo é completamente desajustado à forma como falamos a nossa língua". Os factos, porém, afirmam precisamente o inverso. Os factos dizem que nós pronunciamos o c de facto, razão pela qual ele se escreve e não pronunciamos o c de acto, razão pelo qual ele desaparece. Os factos dizem que nós não pronunciamos o p de acepção, razão pela qual podemos deixar de o escrever e os brasileiros pronunciam, razão pela qual podem continuar a escrevê-lo. Os factos dizem que o acordo é finalmente ajustado ao modo como realmente falamos a língua hoje, não ao modo como falávamos a língua na época em que todas essas consoantes mudas que herdámos por presunção pseudo-etimológica não eram mudas.
Diz o Graça Moura que "o acordo vem desfigurar a maneira de pronunciar". Os factos, porém, afirmam que casos comprovados em que o modo como as palavras se escrevem teve algum impacto no modo como as palavras se pronunciam praticamente não existem. Porque uma língua é uma construção oral que tem uma vertente escrita que procura adaptar-se até certo ponto à oralidade, e não o contrário. Ninguém aprende uma língua materna por escrito: as suas regras, incluindo as da pronúncia, são-nos transmitidas anos antes de aprendermos a ler pelos nossos pais e demais ambiente. Quem pense o contrário não percebe nada do fenómeno linguístico humano. Nada.
Diz o Graça Moura que "é completamente inválido o protocolo modificativo, que prevê que apenas três países subscrevam e ratifiquem, para depois se aplicar aos restantes". Os factos, no entanto, são: o protocolo modificativo (que na verdade são dois, mas o segundo basicamente anula o primeiro) modifica uma cláusula do acordo fazendo com que ele entre em vigor no plano internacional com três ratificações, e foi assinado por todos os países lusófonos. Por todos. Com três ratificações, que já existem, entrou em vigor. Logo é válido. Mas o facto de estar em vigor no plano internacional não implica que entre em vigor internamente — para isso é preciso que os países ratifiquem o acordo. Faltam dois: Angola e Moçambique. Assinaram o acordo e ambos os protocolos, mas ainda não os ratificaram. Logo, ainda não aplicam a nova ortografia porque, ao contrário do que o Graça Moura pretende desonestamente fazer crer, não existe aqui nenhuma imposição seja de quem for sobre seja quem for.
Diz o Graça Moura que com o acordo "desapareceu a ortografia, a maneira correcta de escrever, para ficar tudo ‘à vontade do freguês’". A asneira aqui é tão gritante que quase não se acredita que alguém possa dizer uma barbaridade destas. Porque a mera existência do acordo, que define um conjunto alargado de regras sobre a forma de se escrever a língua portuguesa, prova que há uma maneira correta de escrever. Escreve-se corretamente a língua portuguesa seguindo-se as regras prescritas no acordo ortográfico. Óbvio para qualquer criancinha.
Esta não é asneira, propriamente, mas também mostra o grau de incompreensão do Graça Moura relativamente ao acordo. Pergunta, com base nas diferenças ortográficas que o acordo prevê, "onde está a unidade ortográfica". Eu explico, caro vate. Quando se fala em unificação ortográfica não se pretende, nem nunca se pretendeu, dizer que toda a gente passaria a escrever exatamente da mesma maneira. Pretende-se dizer, isso sim, que o português deixará de ser a única grande língua do mundo com duas grafias oficiais e mutuamente exclusivas para entrar numa situação semelhante, por exemplo, à do inglês, em que as diferenças ortográficas, que existem na prática, não estão reguladas por via legislativa, o que quer dizer que as pessoas podem usar, se bem o entenderem, as regras informais do país anglófono X no país anglófono Y. A consequência disto é que o inglês tem uma espécie de ortografia unificada (no sentido em que pode ser usada por todos) com variações regionais reguladas pelo uso. E é precisamente isso que o português passa a ter.
Mas voltemos às asneiras de bradar aos céus.
Diz o Graça Moura: "E acha natural que se suponha que eu tenha que saber como se pronuncia a minha língua no Brasil, por exemplo, para saber como a hei-de escrever? Porque tem de se saber onde é que se pronuncia o ‘p’ e o ‘c’, nas várias formas ditas cultas de português [...], tenho de saber como se fala a minha língua num país estrangeiro para poder escrever a minha própria língua?" Outro disparate monumental. Não, caro vate, não tem de saber como se pronuncia a sua língua no Brasil nem noutro sítio qualquer. Assumindo que se considera culto, e não tenho qualquer dúvida de que realmente se considera culto, e muito, basta-lhe saber como você pronuncia a sua língua para saber como você a escreve. Basta-lhe saber como é a pronúncia culta no seu país para saber que facto leva c e ato não o leva, que egípcio leva p e adoção não o leva. Se se quiser estar nas tintas para tudo e todos os outros falantes de português, faça favor de o escrever como você o pronuncia. Nada mais.
Finalmente, diz o Graça Moura: "Por isso, quando estão lá um ‘p’ ou um ‘c’ ditos mudos (impropriamente chamadas consoantes mudas), estão lá porque têm uma função, que é a de abrir a vogal que as antecede. Isto é absolutamente fundamental." Isto é absolutamente errado. Parte outra vez da supina asneira de se pensar que as línguas se aprendem lendo, confunde causa com efeito e omite que parte das vogais que antecedem consoantes mudas são (surpreeesa!) fechadas. Mas disso já eu falei noutros sítios. E agora tenho de ir almoçar.
Ah, Graça Moura, Graça Moura. De asneira em asneira até ao descrédito total.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Péssimo jornalismo
Muitas vezes, ao assistir a telejornais ou enquanto lemos jornais, somos confrontados com informações e abordagens à informação que nos parecem duvidosas, mas somos obrigados a ficar na dúvida porque não sabemos o suficiente sobre o tema para decidir com certeza.
Mas noutras vezes basta fazer contas.
É o caso do muito que se tem falado nas últimas semanas sobre uma "relação" entre mortes de fetos e a vacina contra a gripe A que tem sido dada às grávidas. Não raro, sugere-se que é a vacina que causa essas mortes, ou pelo menos lança-se a dúvida. Será? Não será? Não perca as notícias de amanhã para mais pormenores.
Ora isto é péssimo jornalismo.
Péssimo.
Porquê? Porque não se destina a informar, mas sim a vender jornais e anúncios nos intervalos dos telejornais e noticiários radiofónicos. Porque cria uma suspeita sem qualquer razão de ser, disseminando entre as pessoas a incerteza e o medo. Porque é sensacionalista, mesmo nas suas versões mais suaves. E porque basta fazer contas para se ver que o assunto é uma não-notícia.
Fetos morrem durante a gestação. Sempre morreram, e sempre morrerão. É um processo biológico inteiramente normal, e que nunca desaparecerá. Por muito que custe aos pais que não o serão, por muito que possamos solidarizar-nos com a sua dor, há fetos que simplesmente não são viáveis. Há fetos que dão nós no cordão umbilical que interrompem o fornecimento de sangue. Há fetos com doenças genéticas que não permitem um desenvolvimento normal. Há uma série de motivos que desembocam todos num resultado comum: a morte do feto.
Ora, em Portugal sabe-se que esse desfecho acontece a cerca de 300 gravidezes todos os anos. É quase um feto morto por dia. De modo que agora que se está a vacinar primordialmente as grávidas, continua a morrer cerca de um feto por dia, e inevitavelmente alguns morrerão pouco depois da mãe ser vacinada. É evidente, é óbvio, é claro. De tal modo claro que a única notícia que se justifica é relatar este facto e passar à frente.
Mas não. O péssimo jornalismo que vamos tendo tem feito disto tema de notícias atrás de notícias, reportagens, o diabo a quatro.
Depois admiram-se.
Mas noutras vezes basta fazer contas.
É o caso do muito que se tem falado nas últimas semanas sobre uma "relação" entre mortes de fetos e a vacina contra a gripe A que tem sido dada às grávidas. Não raro, sugere-se que é a vacina que causa essas mortes, ou pelo menos lança-se a dúvida. Será? Não será? Não perca as notícias de amanhã para mais pormenores.
Ora isto é péssimo jornalismo.
Péssimo.
Porquê? Porque não se destina a informar, mas sim a vender jornais e anúncios nos intervalos dos telejornais e noticiários radiofónicos. Porque cria uma suspeita sem qualquer razão de ser, disseminando entre as pessoas a incerteza e o medo. Porque é sensacionalista, mesmo nas suas versões mais suaves. E porque basta fazer contas para se ver que o assunto é uma não-notícia.
Fetos morrem durante a gestação. Sempre morreram, e sempre morrerão. É um processo biológico inteiramente normal, e que nunca desaparecerá. Por muito que custe aos pais que não o serão, por muito que possamos solidarizar-nos com a sua dor, há fetos que simplesmente não são viáveis. Há fetos que dão nós no cordão umbilical que interrompem o fornecimento de sangue. Há fetos com doenças genéticas que não permitem um desenvolvimento normal. Há uma série de motivos que desembocam todos num resultado comum: a morte do feto.
Ora, em Portugal sabe-se que esse desfecho acontece a cerca de 300 gravidezes todos os anos. É quase um feto morto por dia. De modo que agora que se está a vacinar primordialmente as grávidas, continua a morrer cerca de um feto por dia, e inevitavelmente alguns morrerão pouco depois da mãe ser vacinada. É evidente, é óbvio, é claro. De tal modo claro que a única notícia que se justifica é relatar este facto e passar à frente.
Mas não. O péssimo jornalismo que vamos tendo tem feito disto tema de notícias atrás de notícias, reportagens, o diabo a quatro.
Depois admiram-se.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Os meninos crescidos
Quando os meninos que ainda não são crescidos fazem asneiras, e estas chegam ao conhecimento dos pais, costumam defender-se apontando para o irmão e dizendo "foi ele". Julgam assim evitar o açoite ou o ir para a cama mais cedo, ou no mínimo obterem companheiro para a desgraça. Às vezes, esta estratégia resulta, e quando os meninos crescem nunca deixam de fazer isso, como bem temos visto, por exemplo, no caso BCP. Ficam assim uns meninos pequeninos em corpo de grande, e continuam a amuar e a dizer "foi ele", ainda que com mais sisudez e gravatas.
Mas há meninos que crescem mesmo. E parte desse crescimento revela-se na capacidade de assumir as asneiras que fazem.
Ao longo do último fim de semana fiz várias.
A primeira, maior e fundamental porque foi a que deu origem às outras foi não ter em nenhum momento parado para pensar "espera lá, rapaz, tu estás doente, com febre, dói-te o corpo, a cabeça e a garganta, sentes-te mal e estás irritável, não achas que devias deixar isto para mais tarde?" Se o tivesse feito, o mais certo seria não reagir quando o Seixas pôs no blogue que "o Jorge Candeias [se dedica] em exclusivo à tradução", como se o Bibliowiki e todo o trabalho que dá não existissem, como se não houvessem aqui mesmo neste blogue, todas as semanas, pequenas opiniões sobre aquilo que vou lendo, em boa parte literatura fantástica, como se não estivesse envolvido no Odisseias Fantásticas. O mais certo teria sido ignorar mais esta pequena provocação como mais uma. Afinal, até quando ele atacou directamente a credibilidade do Bibliowiki só reagi depois de haver insistência, e isso foi muito mais sério do que esta insidiazinha insignificante de há dias.
Mas não. Cometi primeiro a asneira de lhe dar troco e depois a de lhe dar troco duma forma contaminada pelo modo como eu próprio vejo a questão da propalada ausência de público para a FC. De facto, relendo o que ele escreveu agora que já me passou a febre tenho de admitir que "Eu acho espantoso que o Seixas se queixe da ausência de edição de FC em Portugal. Dir-se-ia que ele não tem uma editora..." (o conteúdo do meu tuíto) tem mais a ver com a minha opinião de que se a FC vende pouco é porque as nossas editoras ainda não encontraram forma de chegar aos leitores que andam por aí do que com o que ele realmente escreveu. Eu de facto penso que proclamar a inexistência de público é uma forma fácil de evitar ter o trabalho de o encontrar ou de tentar ocultar o falhanço na estratégia que se segue, quando existe alguma. E essa opinião contaminou de tal forma o modo como li o texto dele que, somando-se à irritação pela provocaçãozinha, e a uma irritação antiga com a Livros de Areia por ter feito aquele que é, de longe, o seu pior trabalho de edição com o único livro de FC que editou (é preciso ter olhos de águia para conseguir ler-se o livro), me levou a algum enviesamento no alvo do tuito. Neste ponto, e apenas neste ponto, o Seixas tem razão.
Seja como for, não me parece que haja alguma justificação para a tempestade que se seguiu, para a chuva de provocações e insultos, cada um mais insidioso do que o outro, e aí o meu maior erro foi ter continuado a alimentá-la, e tê-lo feito durante algum tempo no twitter, com mensagens que nos seus 140 caracteres nunca chegaram nem perto de conseguir transmitir por completo a minha opinião. A questão do amador/profissional, por exemplo, nasceu num tuíto em que eu me interrogava sobre qual era o objectivo da editora porque "ganhar dinheiro não seria", querendo com isto referir-me a dinheiro suficiente para que os editores se tornassem (lá está) profissionais, ou seja, vivessem primordialmente dessa actividade. Ao primeiro estrondo do trovão, devia ter transferido a conversa para o blogue onde tenho todo o espaço do mundo para explicar as minhas ideias até ao fim. Ou antes, devia ter esperado até ficar em condições, com a cabeça livre de febre, dores e comprimidos, para sustentar uma discussão complicada, cheia de veneno desde o princípio, que só piorou quando o Seixas publicou esta coisa inqualificável, seguida por isto, igualmente inqualificável não tanto pelo desmascarar da desonestidade do Seixas, que assumo por completo e nenhum remorso me causa, mas pela forma completamente bronca como o fiz. Como disse nesse mesmo post, o que não deixa de encerrar uma triste ironia, é precisamente este tipo de merdas (não têm outro nome) que descredibiliza o género e os seus actores, e eu também ganhei para mim um lugarzinho na tal câmara de vácuo.
Prefiro é que seja numa diferente da que o Seixas ocupa, se não se importam. Só por causa cá duns quinhentos...
Mas há meninos que crescem mesmo. E parte desse crescimento revela-se na capacidade de assumir as asneiras que fazem.
Ao longo do último fim de semana fiz várias.
A primeira, maior e fundamental porque foi a que deu origem às outras foi não ter em nenhum momento parado para pensar "espera lá, rapaz, tu estás doente, com febre, dói-te o corpo, a cabeça e a garganta, sentes-te mal e estás irritável, não achas que devias deixar isto para mais tarde?" Se o tivesse feito, o mais certo seria não reagir quando o Seixas pôs no blogue que "o Jorge Candeias [se dedica] em exclusivo à tradução", como se o Bibliowiki e todo o trabalho que dá não existissem, como se não houvessem aqui mesmo neste blogue, todas as semanas, pequenas opiniões sobre aquilo que vou lendo, em boa parte literatura fantástica, como se não estivesse envolvido no Odisseias Fantásticas. O mais certo teria sido ignorar mais esta pequena provocação como mais uma. Afinal, até quando ele atacou directamente a credibilidade do Bibliowiki só reagi depois de haver insistência, e isso foi muito mais sério do que esta insidiazinha insignificante de há dias.
Mas não. Cometi primeiro a asneira de lhe dar troco e depois a de lhe dar troco duma forma contaminada pelo modo como eu próprio vejo a questão da propalada ausência de público para a FC. De facto, relendo o que ele escreveu agora que já me passou a febre tenho de admitir que "Eu acho espantoso que o Seixas se queixe da ausência de edição de FC em Portugal. Dir-se-ia que ele não tem uma editora..." (o conteúdo do meu tuíto) tem mais a ver com a minha opinião de que se a FC vende pouco é porque as nossas editoras ainda não encontraram forma de chegar aos leitores que andam por aí do que com o que ele realmente escreveu. Eu de facto penso que proclamar a inexistência de público é uma forma fácil de evitar ter o trabalho de o encontrar ou de tentar ocultar o falhanço na estratégia que se segue, quando existe alguma. E essa opinião contaminou de tal forma o modo como li o texto dele que, somando-se à irritação pela provocaçãozinha, e a uma irritação antiga com a Livros de Areia por ter feito aquele que é, de longe, o seu pior trabalho de edição com o único livro de FC que editou (é preciso ter olhos de águia para conseguir ler-se o livro), me levou a algum enviesamento no alvo do tuito. Neste ponto, e apenas neste ponto, o Seixas tem razão.
Seja como for, não me parece que haja alguma justificação para a tempestade que se seguiu, para a chuva de provocações e insultos, cada um mais insidioso do que o outro, e aí o meu maior erro foi ter continuado a alimentá-la, e tê-lo feito durante algum tempo no twitter, com mensagens que nos seus 140 caracteres nunca chegaram nem perto de conseguir transmitir por completo a minha opinião. A questão do amador/profissional, por exemplo, nasceu num tuíto em que eu me interrogava sobre qual era o objectivo da editora porque "ganhar dinheiro não seria", querendo com isto referir-me a dinheiro suficiente para que os editores se tornassem (lá está) profissionais, ou seja, vivessem primordialmente dessa actividade. Ao primeiro estrondo do trovão, devia ter transferido a conversa para o blogue onde tenho todo o espaço do mundo para explicar as minhas ideias até ao fim. Ou antes, devia ter esperado até ficar em condições, com a cabeça livre de febre, dores e comprimidos, para sustentar uma discussão complicada, cheia de veneno desde o princípio, que só piorou quando o Seixas publicou esta coisa inqualificável, seguida por isto, igualmente inqualificável não tanto pelo desmascarar da desonestidade do Seixas, que assumo por completo e nenhum remorso me causa, mas pela forma completamente bronca como o fiz. Como disse nesse mesmo post, o que não deixa de encerrar uma triste ironia, é precisamente este tipo de merdas (não têm outro nome) que descredibiliza o género e os seus actores, e eu também ganhei para mim um lugarzinho na tal câmara de vácuo.
Prefiro é que seja numa diferente da que o Seixas ocupa, se não se importam. Só por causa cá duns quinhentos...
domingo, 5 de julho de 2009
E dura, e dura...
E continua a novela dos profissionais vs. amadores, no twitter e agora também aqui nas caixas de comentários, até trazendo à baila definições (parciais, claro) de dicionário. OK, seja. Por uma última vez voltemos ao assunto. E vejamos o que diz um dicionário decente sobre o que é um profissional: o Houaiss.
Como geralmente acontece na língua portuguesa, a palavra profissional tem vários significados, e até é aplicada em duas funções gramaticais. Aqui estão todos os que o Houaiss lista:
adj 2g
1. Relativo a profissão
2. Próprio de uma determinada profissão
3. Responsável e aplicado no cumprimento dos seus deveres de ofício
4. joc. Que dá carácter de profissão a um modo de ser, seja por praticá-lo sistematicamente, seja por auferir lucros dele.
adj 2g s 2g
5. Que ou aquele que exerce por profissão determinada actividade.
No texto em causa, este, interessava-me separar as editoras que são obrigadas a vergar-se aos ditames do mercado porque se não o fizessem não seriam capazes de prover ao sustento dos editores e funcionários daquelas que nem por isso, porque os seus editores mantém outras actividades. O post é absolutamente cristalino quanto ao que entendo por profissional neste contexto (corresponde ao significado 5), mas certas pessoas preferiram partir do princípio de que era o 3, e vá de insulto para baixo.
O que é realmente patético é eu praticamente ter dito nesse mesmo post que achava que editores não profissionais (semi-pro ou amadores) têm mais liberdade para editar bem. Citando:
Isto porque são mais ágeis e estão menos agrilhoadas ao que vende ou não vende, logo não precisam de seguir modas, fazer edição baseada em fama, editar muito e depressa, etc. Se não querem perder dinheiro, podem espaçar edições e esperar que a última se pague antes de se meterem na próxima. Precisamente porque os editores não dependem unicamente do resultado financeiro da editora para manter o pão na mesa. E era só isto. Mas há quem não saiba ler bem o que se escreve, o que não deixa de ser tremendamente irónico se tivermos em conta o meio em causa.
Como geralmente acontece na língua portuguesa, a palavra profissional tem vários significados, e até é aplicada em duas funções gramaticais. Aqui estão todos os que o Houaiss lista:
adj 2g
1. Relativo a profissão
2. Próprio de uma determinada profissão
3. Responsável e aplicado no cumprimento dos seus deveres de ofício
4. joc. Que dá carácter de profissão a um modo de ser, seja por praticá-lo sistematicamente, seja por auferir lucros dele.
adj 2g s 2g
5. Que ou aquele que exerce por profissão determinada actividade.
No texto em causa, este, interessava-me separar as editoras que são obrigadas a vergar-se aos ditames do mercado porque se não o fizessem não seriam capazes de prover ao sustento dos editores e funcionários daquelas que nem por isso, porque os seus editores mantém outras actividades. O post é absolutamente cristalino quanto ao que entendo por profissional neste contexto (corresponde ao significado 5), mas certas pessoas preferiram partir do princípio de que era o 3, e vá de insulto para baixo.
O que é realmente patético é eu praticamente ter dito nesse mesmo post que achava que editores não profissionais (semi-pro ou amadores) têm mais liberdade para editar bem. Citando:
Como consequência, estas editoras são bem mais livres no que toca ao que editam e ao modo como editam, embora o reverso da medalha seja estarem geralmente em franca desvantagem no momento de negociar direitos. Mas tirando este detalhe, têm muito mais possibilidade de fazer uma edição de gosto, de prazer, do que as profissionais. E têm muito mais liberdade para editarem precisamente o quê e como lhes apetecer.
Isto porque são mais ágeis e estão menos agrilhoadas ao que vende ou não vende, logo não precisam de seguir modas, fazer edição baseada em fama, editar muito e depressa, etc. Se não querem perder dinheiro, podem espaçar edições e esperar que a última se pague antes de se meterem na próxima. Precisamente porque os editores não dependem unicamente do resultado financeiro da editora para manter o pão na mesa. E era só isto. Mas há quem não saiba ler bem o que se escreve, o que não deixa de ser tremendamente irónico se tivermos em conta o meio em causa.
Há por aí quem precise duns sais de frutos
Hoje acordei, e deparei com o twitter cheio de mais um chorrilho de insultos vindos de um editor amador que está aparentemente com necessidade de meter no nariz uns saizinhos de frutos para ver se se acalma.
Deitando fora o lixo, que foi muito, e francamente rasca, deixem-me responder a um par de questões com alguma validade. Mas antes, acho que é preciso reiterar uma coisa que, pelos vistos, não ficou suficientemente clara no que escrevi ontem:
Profissional é quem vive do seu trabalho. Nem mais, nem menos do que isso. Não é quem o faz bem (Há maus profissionais, e também há bons amadores. E maus. E péssimos.) Não é quem o faz mediaticamente. Não é quem o faz prestigiosamente. É quem vive dele.
E depois de deitar fora o lixo, fica uma pergunta válida: um escritor que publica pela Lulu é amador ou profissional?
Vamos por partes.
A Lulu é evidentemente uma empresa profissional, em que se misturam as vertentes editora com gráfica. Lida profissionalmente com os clientes e com as queixas que eles têm, o que começa com o mínimo dos mínimos que é não os insultar. E produz livros bem feitos, no contexto da tecnologia utilizada, e consoante aquilo que os clientes lhe fornecem como matéria prima.
Com a Lulu (e com outras empresas de print-on-demand) trabalham empresas e indivíduos. Algumas dessas empresas e indivíduos vivem desse trabalho, embora a esmagadora maioria não o faça. Ou seja, a esmagadora maioria de quem publica pela Lulu não é profissional. Uns serão semi-pro, mas a esmagadora maioria nem isso. São amadores. Mas há profissionais lá metidos no meio.
E é tão simples como isto. Nada a ver com qualidade; tudo a ver com origem do rendimento. Entenda quem tiver capacidade para tal.
Deitando fora o lixo, que foi muito, e francamente rasca, deixem-me responder a um par de questões com alguma validade. Mas antes, acho que é preciso reiterar uma coisa que, pelos vistos, não ficou suficientemente clara no que escrevi ontem:
Profissional é quem vive do seu trabalho. Nem mais, nem menos do que isso. Não é quem o faz bem (Há maus profissionais, e também há bons amadores. E maus. E péssimos.) Não é quem o faz mediaticamente. Não é quem o faz prestigiosamente. É quem vive dele.
E depois de deitar fora o lixo, fica uma pergunta válida: um escritor que publica pela Lulu é amador ou profissional?
Vamos por partes.
A Lulu é evidentemente uma empresa profissional, em que se misturam as vertentes editora com gráfica. Lida profissionalmente com os clientes e com as queixas que eles têm, o que começa com o mínimo dos mínimos que é não os insultar. E produz livros bem feitos, no contexto da tecnologia utilizada, e consoante aquilo que os clientes lhe fornecem como matéria prima.
Com a Lulu (e com outras empresas de print-on-demand) trabalham empresas e indivíduos. Algumas dessas empresas e indivíduos vivem desse trabalho, embora a esmagadora maioria não o faça. Ou seja, a esmagadora maioria de quem publica pela Lulu não é profissional. Uns serão semi-pro, mas a esmagadora maioria nem isso. São amadores. Mas há profissionais lá metidos no meio.
E é tão simples como isto. Nada a ver com qualidade; tudo a ver com origem do rendimento. Entenda quem tiver capacidade para tal.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Se não for muito incómodo
Caros senhores da Webboo... erm... da Wook,
Se não for muito incómodo, gostaria de vos perguntar se será possível arranjarem um tempinho, entres as vossas super-hiperbolaparabolísticas mudanças de visual e as hiper-parabolasuperfantásticas campanhas de marketing, para manterem o site a funcionar durante tempo suficiente para que um cliente, digamos, normal, faça uma encomenda, digamos, normal. Será possível fazerem-nos esse obséquio?
Sim, porque há quem se esteja perfeitamente nas tintas para melhoramentos cosméticos nos sites e para a ínfima probabilidade de arranjar livros à borla, e se interesse por coisas fora de moda como, por exemplo, conseguir ter acesso aos sites e usá-los como se usa qualquer outro.
Até porque há mais livrarias na net. E se não conseguir comprar na Webboo... erm... na Wook, santa paciência, vou comprar a outro lado.
Se não for muito incómodo, gostaria de vos perguntar se será possível arranjarem um tempinho, entres as vossas super-hiperbolaparabolísticas mudanças de visual e as hiper-parabolasuperfantásticas campanhas de marketing, para manterem o site a funcionar durante tempo suficiente para que um cliente, digamos, normal, faça uma encomenda, digamos, normal. Será possível fazerem-nos esse obséquio?
Sim, porque há quem se esteja perfeitamente nas tintas para melhoramentos cosméticos nos sites e para a ínfima probabilidade de arranjar livros à borla, e se interesse por coisas fora de moda como, por exemplo, conseguir ter acesso aos sites e usá-los como se usa qualquer outro.
Até porque há mais livrarias na net. E se não conseguir comprar na Webboo... erm... na Wook, santa paciência, vou comprar a outro lado.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Ah, os grandes, esses próceres
«Pois é, para verem que também os grandes tropeçam». Oh, que lindo é ver um grande homem ter a humildade de reconhecer que errou. Que alegria, que coisa de elevar o coração às alturas, que êxtase quase, diria eu, religioso. Como que se vê um halo de grandeza em volta da cabeça do prócer, só mais engrandecida ainda pelo reconhecimento do erro. Como que levita mais alto acima do pedestal da estátua equestre, qual monge budista em pleno nirvana. Cavalo e tudo.
As justificações do erro também são lindas de se ler. Que era o sono, a directa, os prazos, as casas, que havia factos a latir ao ouvido béu-béu-béu a dizer que não era assim, que o «bias» é perigoso, esse malandro, e ainda por cima um «bias» anglo-saxónico, portanto com muito mais nível do que o rasteirinho e lusitaníssimo viés, que provavelmente tira macacos do nariz e cheira mal dos pés. Oh, só vos digo, oh!
Mas voltemos à terra.
Curioso é que o Bibliowiki continue a ser tratado como pouco fiável, quando a informação que dele consta, neste caso concreto, é a certa, ao contrário da desinformação do João Seixas. Curioso é que depois do ataque à credibilidade de todo um projecto, com base em dados falsos, e por alguém que nunca moveu uma palha que fosse para que sejam corrigidas as falhas, omissões e erros que um site com quase quinze mil páginas necessariamente terá, se insista na sua infiabilidade, ainda que (vá lá) mitigada pelo «caos nas edições portuguesas». Curioso que a Biblioteca Nacional continue «descredibilizada de vez», sem saber como nem porquê. Curioso que a reacção ao duplo ataque seja atirada para a conta de «frustrações», enquanto o ataque propriamente dito e outras cutucadas menores passem sem sequer um simulacro de pedido de desculpa. Curioso que, em tudo isto, o autoproclamado «grande homem», que sabe onde eu estou, tem o meu número de telefone e conhece pelo menos dois dos meus endereços de correio electrónico, nunca tenha feito a mínima tentativa de me contactar com as dúvidas que diz que teve e provavelmente continuará a ter, a menos que voltem a ser substituídas por mais certezas falsas à próxima oportunidade. Curioso, curioso, curioso e mais uma camada de curioso a cobrir o bolo.
Sim, o fandom português tem problemas. E a presunção balofa, a diarreia verbal, o achar-se que só os «grandes homens» são inteligentes enquanto todos os outros não passam duma cambada de imbecis, ao mesmo tempo que se vai escrevendo asneira atrás de asneira, estão longe de ser os menores desses problemas. No fandom, e no país em geral.
E assim ponho uma pedra neste assunto, espero. Será preciso algo de muito grave para voltar a ele. É que tenho mais que fazer. Coisas a traduzir, por exemplo. Ou fazer o que as más-línguas não fazem: tornar o Bibliowiki um site melhor, mais completo e com menos erros, uma referência para o futuro o mais completa e correcta possível, e não uma série de lamentos sobre tristes tristezas disfarçados de artigos.
As justificações do erro também são lindas de se ler. Que era o sono, a directa, os prazos, as casas, que havia factos a latir ao ouvido béu-béu-béu a dizer que não era assim, que o «bias» é perigoso, esse malandro, e ainda por cima um «bias» anglo-saxónico, portanto com muito mais nível do que o rasteirinho e lusitaníssimo viés, que provavelmente tira macacos do nariz e cheira mal dos pés. Oh, só vos digo, oh!
Mas voltemos à terra.
Curioso é que o Bibliowiki continue a ser tratado como pouco fiável, quando a informação que dele consta, neste caso concreto, é a certa, ao contrário da desinformação do João Seixas. Curioso é que depois do ataque à credibilidade de todo um projecto, com base em dados falsos, e por alguém que nunca moveu uma palha que fosse para que sejam corrigidas as falhas, omissões e erros que um site com quase quinze mil páginas necessariamente terá, se insista na sua infiabilidade, ainda que (vá lá) mitigada pelo «caos nas edições portuguesas». Curioso que a Biblioteca Nacional continue «descredibilizada de vez», sem saber como nem porquê. Curioso que a reacção ao duplo ataque seja atirada para a conta de «frustrações», enquanto o ataque propriamente dito e outras cutucadas menores passem sem sequer um simulacro de pedido de desculpa. Curioso que, em tudo isto, o autoproclamado «grande homem», que sabe onde eu estou, tem o meu número de telefone e conhece pelo menos dois dos meus endereços de correio electrónico, nunca tenha feito a mínima tentativa de me contactar com as dúvidas que diz que teve e provavelmente continuará a ter, a menos que voltem a ser substituídas por mais certezas falsas à próxima oportunidade. Curioso, curioso, curioso e mais uma camada de curioso a cobrir o bolo.
Sim, o fandom português tem problemas. E a presunção balofa, a diarreia verbal, o achar-se que só os «grandes homens» são inteligentes enquanto todos os outros não passam duma cambada de imbecis, ao mesmo tempo que se vai escrevendo asneira atrás de asneira, estão longe de ser os menores desses problemas. No fandom, e no país em geral.
E assim ponho uma pedra neste assunto, espero. Será preciso algo de muito grave para voltar a ele. É que tenho mais que fazer. Coisas a traduzir, por exemplo. Ou fazer o que as más-línguas não fazem: tornar o Bibliowiki um site melhor, mais completo e com menos erros, uma referência para o futuro o mais completa e correcta possível, e não uma série de lamentos sobre tristes tristezas disfarçados de artigos.
domingo, 23 de novembro de 2008
Tristes tristezas seixianas
O João Seixas gosta de falar mal. De tudo, de todos, menos dele e dos amiguinhos. E o último amor de estimação do João Seixas parece ser o Bibliowiki. Em vez de contribuir para o projecto, corrigindo os erros e omissões que necessariamente nele haverá, não: compraz-se em tentar destruir a credibilidade do projecto em posts sucessivos. É a atitude habitual na personagem, que já deixou um longo rasto de carinho, amizade e consideração e certamente contribui para transformar em sucesso tudo aquilo em que ele toca, e vá lá que pelo menos se conseguiu desta vez escapar a epítetos mais contumazes, pelo menos até ver.
Mas o mais divertido é que o João Seixas, que destrata o Bibliowiki por nem sempre ser credível, incorre, ele próprio, em erros de palmatória que, se eu quisesse ser mauzinho, diria que em muito diminuem o valor dele, João Seixas, como fonte de informação fiável e inteligente acerca do que quer que seja. O caso presente: o livro Estação de Trânsito de Clifford D. Simak, que é tema do seu último post.
Neste post, o João Seixas inventa que o livro em causa é o número 200 da colecção Argonauta, e parte para o ataque cerrado à Biblioteca Nacional (que é "descredibilizada de vez", pobre coitada) e ao Bibliowiki com base nesta inventona. Ora eu, como tenho o livro, sei que em nenhum sítio se diz que ele é o número 200 da colecção Argonauta. Se o João Seixas antes de falar mal usasse a massazinha cinzenta que tem debaixo do penteado, teria talvez reparado que no livro aparece apenas uma das habituais listas de livros da colecção, no caso a da Vampiro. O lado do volume duplo ocupado pelo romance do Simak vem sem lista de livros. Porquê?
Elementar, meu caro Seixas. Porque o volume duplo não é comemorativo dos 200 volumes das colecções Vampiro e Argonauta e sim apenas da Vampiro. Porque as duas colecções não são simultâneas, tendo a Vampiro surgido primeiro. De facto, a lista de livros da Argonauta que em tempos esteve publicada no site da Livros do Brasil listava o Estação de Trânsito com o número 130-A. Suponho, dadas as datas envolvidas numa e noutra edição (e partindo do princípio que esta informação é fidedigna, e não tenho motivo nenhum para supor que não seja), que a Livros do Brasil tenha resolvido editar este livro em separado mais tarde, mas não o quis incluir na numeração habitual da Argonauta, não me perguntem porquê.
E eu ao Seixas sugeriria que em vez de procurar por todas as formas desqualificar o trabalho alheio se esforçasse por ele próprio fazer um trabalho decente, porque há poucas coisas mais deprimentes do que ler artigos incompetentes cobertos por telhados de vidro rachados, em que se procura atirar pedras aos telhados dos vizinhos.
É só uma sugestão amigável que eu faço ao Seixas. Afinal de contas, convém que o homem conserve alguma credibilidade. E não é com posts destes que a conserva, muito pelo contrário.
Mas o mais divertido é que o João Seixas, que destrata o Bibliowiki por nem sempre ser credível, incorre, ele próprio, em erros de palmatória que, se eu quisesse ser mauzinho, diria que em muito diminuem o valor dele, João Seixas, como fonte de informação fiável e inteligente acerca do que quer que seja. O caso presente: o livro Estação de Trânsito de Clifford D. Simak, que é tema do seu último post.
Neste post, o João Seixas inventa que o livro em causa é o número 200 da colecção Argonauta, e parte para o ataque cerrado à Biblioteca Nacional (que é "descredibilizada de vez", pobre coitada) e ao Bibliowiki com base nesta inventona. Ora eu, como tenho o livro, sei que em nenhum sítio se diz que ele é o número 200 da colecção Argonauta. Se o João Seixas antes de falar mal usasse a massazinha cinzenta que tem debaixo do penteado, teria talvez reparado que no livro aparece apenas uma das habituais listas de livros da colecção, no caso a da Vampiro. O lado do volume duplo ocupado pelo romance do Simak vem sem lista de livros. Porquê?
Elementar, meu caro Seixas. Porque o volume duplo não é comemorativo dos 200 volumes das colecções Vampiro e Argonauta e sim apenas da Vampiro. Porque as duas colecções não são simultâneas, tendo a Vampiro surgido primeiro. De facto, a lista de livros da Argonauta que em tempos esteve publicada no site da Livros do Brasil listava o Estação de Trânsito com o número 130-A. Suponho, dadas as datas envolvidas numa e noutra edição (e partindo do princípio que esta informação é fidedigna, e não tenho motivo nenhum para supor que não seja), que a Livros do Brasil tenha resolvido editar este livro em separado mais tarde, mas não o quis incluir na numeração habitual da Argonauta, não me perguntem porquê.
E eu ao Seixas sugeriria que em vez de procurar por todas as formas desqualificar o trabalho alheio se esforçasse por ele próprio fazer um trabalho decente, porque há poucas coisas mais deprimentes do que ler artigos incompetentes cobertos por telhados de vidro rachados, em que se procura atirar pedras aos telhados dos vizinhos.
É só uma sugestão amigável que eu faço ao Seixas. Afinal de contas, convém que o homem conserve alguma credibilidade. E não é com posts destes que a conserva, muito pelo contrário.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Gloopyigle
O título deste post é críptico para quase toda a gente. Quem saiba russo talvez chegue lá sem mais, mas, para os outros, keep on reading.
O Google tem coisas porreiras. Uma dessas coisas é ser dono de uma série de serviços diferentes e fornecer uma integração bastante interessante entre todos esses serviços. Por exemplo:
Sou gestor de alguns grupos no googlegroups. Estou, naturalmente, neles inscrito com o endereço e email do Google, ou seja, com o endereço de gmail. A integração entre os dois serviços é de tal maneira perfeita que as mensagens que os grupos enviam a avisar que há mensagens enviadas para o grupo que foram retidas para moderação por suspeita de spam são colocadas pelo gmail na caixinha do spam!
É ou não é um exemplo de integração absolutamente exemplar? Sim, sim, um exemplo exemplar!
O Google tem coisas porreiras. Uma dessas coisas é ser dono de uma série de serviços diferentes e fornecer uma integração bastante interessante entre todos esses serviços. Por exemplo:
Sou gestor de alguns grupos no googlegroups. Estou, naturalmente, neles inscrito com o endereço e email do Google, ou seja, com o endereço de gmail. A integração entre os dois serviços é de tal maneira perfeita que as mensagens que os grupos enviam a avisar que há mensagens enviadas para o grupo que foram retidas para moderação por suspeita de spam são colocadas pelo gmail na caixinha do spam!
É ou não é um exemplo de integração absolutamente exemplar? Sim, sim, um exemplo exemplar!
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
A morte do ficcao.online
Eis um post incomum neste blogue... um comunicado of sorts.
Olá a todos.
O ficcao.online morreu e desta vez não ressuscita. Paz à sua alma e adeus, definitivamente adeus.
A história conta-se duma penada: aqui há anos, um idiota qualquer decidiu que para se ter acesso a um endereço .pt eram necessárias uma série de burocracias que restringiam, na prática, o acesso a domínios em .pt às empresas. Mas, como é óbvio, muita gente tinha conteúdos para colocar na rede mas não tinha os documentos necessários para isso, e houve duas fugas possíveis: ou se contratava um domínio internacional, nomeadamente .com, ou .net, ou se usava um serviço de subdomínios que algumas empresas forneciam. Uma dessas empresas era a Caleida, e um dos subdomínios que ela fornecia era o online.pt.
Na FC portuguesa seguiram-se as duas abordagens: O tecnofantasia, por exemplo, escolheu um endereço .com. Eu, para os meus sites, preferi endereços em .pt e contratei o ficcao.online.pt
Há três dias, sem o mínimo sinal de aviso, o online.pt simplesmente desapareceu. Diz a entidade reguladora, a FCCN, que a Caleida foi avisada com meses de antecedência de que, por falta de documentação, não podia continuar a explorar esse domínio. Se é verdade ou não, não sei (mas, conhecendo a Caleida, com quem só continuava porque não me apetecia perder TODOS os links para os meus sites, não me custa nada a crer que sim), mas sei, e garanto, que da Caleida não se ouviu um pio acerca deste assunto. Silêncio absoluto.
Alguém aqui se comportou como um bebé irresponsável e devia apanhar uns valentes açoites. Certamente que a Caleida, porque o mínimo que uma empresa digna desse nome devia fazer era avisar os clientes da situação para que pudessem tomar medidas paliativas se assim entendessem, e provavelmente também a FCCN, pois não se entende porque é que depois destes anos todos se lembram de repente que a Caleida não pode explorar aqueles domínios, atirando para o lixo virtual centenas de sites por este país fora.
Mas quem se lixa é sempre o mexilhão, que apanha com as ondas em cheio na cara, sem hipótese de fugir.
E eu, mexilhão, vi-me de um momento para o outro sem sites e sem endereços de email. O ficcao.online foi um ar que se lhe deu.
Mas sou um tipo teimoso, e durante os últimos dias tenho andado absorvido com as burocracias e finanças daquilo que é preciso para que das cinzas do extinto ficcao.online nasça uma fénix com bom aspecto. E é isso o que posso agora anunciar.
Portanto, a partir de hoje, o site noticioso sobre a FC e o fantástico portugueses muda de nome e endereço. Os novos são:
ficcao com pt - http://ficcao.com.pt
Também a partir de hoje, o E-nigma passa a ter domínio próprio:
E-nigma - http://e-nigma.com.pt
Quanto ao Bibliowiki, amanhã ou depois estará também disponível em endereço próprio, que já está contratado, falta apenas que seja activado:
Bibliowiki - http://bibliowiki.com.pt
Quanto aos endereços de email, todos os de ficcao.online.pt estão mortos, claro. Ao longo dos próximos dias, consoante o tempo de que disponha (um tipo, afinal, trabalha), irei configurando novas contas e actualizando essa informação nos vários sites. Por enquanto, podem contactar-me pelo endereço do gmail, que é o único a funcionar.
Peço que se faça a maior difusão possível desta mensagem, para que os links que se quebraram sejam rapidamente reparados. E, embora vítima de irresponsabilidades e incompetências alheias (filme que conheço bem demais), peço-vos também desculpa pelo incómodo.
Obrigado
Jorge Candeias
Olá a todos.
O ficcao.online morreu e desta vez não ressuscita. Paz à sua alma e adeus, definitivamente adeus.
A história conta-se duma penada: aqui há anos, um idiota qualquer decidiu que para se ter acesso a um endereço .pt eram necessárias uma série de burocracias que restringiam, na prática, o acesso a domínios em .pt às empresas. Mas, como é óbvio, muita gente tinha conteúdos para colocar na rede mas não tinha os documentos necessários para isso, e houve duas fugas possíveis: ou se contratava um domínio internacional, nomeadamente .com, ou .net, ou se usava um serviço de subdomínios que algumas empresas forneciam. Uma dessas empresas era a Caleida, e um dos subdomínios que ela fornecia era o online.pt.
Na FC portuguesa seguiram-se as duas abordagens: O tecnofantasia, por exemplo, escolheu um endereço .com. Eu, para os meus sites, preferi endereços em .pt e contratei o ficcao.online.pt
Há três dias, sem o mínimo sinal de aviso, o online.pt simplesmente desapareceu. Diz a entidade reguladora, a FCCN, que a Caleida foi avisada com meses de antecedência de que, por falta de documentação, não podia continuar a explorar esse domínio. Se é verdade ou não, não sei (mas, conhecendo a Caleida, com quem só continuava porque não me apetecia perder TODOS os links para os meus sites, não me custa nada a crer que sim), mas sei, e garanto, que da Caleida não se ouviu um pio acerca deste assunto. Silêncio absoluto.
Alguém aqui se comportou como um bebé irresponsável e devia apanhar uns valentes açoites. Certamente que a Caleida, porque o mínimo que uma empresa digna desse nome devia fazer era avisar os clientes da situação para que pudessem tomar medidas paliativas se assim entendessem, e provavelmente também a FCCN, pois não se entende porque é que depois destes anos todos se lembram de repente que a Caleida não pode explorar aqueles domínios, atirando para o lixo virtual centenas de sites por este país fora.
Mas quem se lixa é sempre o mexilhão, que apanha com as ondas em cheio na cara, sem hipótese de fugir.
E eu, mexilhão, vi-me de um momento para o outro sem sites e sem endereços de email. O ficcao.online foi um ar que se lhe deu.
Mas sou um tipo teimoso, e durante os últimos dias tenho andado absorvido com as burocracias e finanças daquilo que é preciso para que das cinzas do extinto ficcao.online nasça uma fénix com bom aspecto. E é isso o que posso agora anunciar.
Portanto, a partir de hoje, o site noticioso sobre a FC e o fantástico portugueses muda de nome e endereço. Os novos são:
ficcao com pt - http://ficcao.com.pt
Também a partir de hoje, o E-nigma passa a ter domínio próprio:
E-nigma - http://e-nigma.com.pt
Quanto ao Bibliowiki, amanhã ou depois estará também disponível em endereço próprio, que já está contratado, falta apenas que seja activado:
Bibliowiki - http://bibliowiki.com.pt
Quanto aos endereços de email, todos os de ficcao.online.pt estão mortos, claro. Ao longo dos próximos dias, consoante o tempo de que disponha (um tipo, afinal, trabalha), irei configurando novas contas e actualizando essa informação nos vários sites. Por enquanto, podem contactar-me pelo endereço do gmail, que é o único a funcionar.
Peço que se faça a maior difusão possível desta mensagem, para que os links que se quebraram sejam rapidamente reparados. E, embora vítima de irresponsabilidades e incompetências alheias (filme que conheço bem demais), peço-vos também desculpa pelo incómodo.
Obrigado
Jorge Candeias
domingo, 10 de setembro de 2006
Outra vez
Outra vez com problemas no email. Ou seja: outra vez sem email. Algures, nos EUA, há um datacenter gerido por perfeitos incompetentes. Algures, no Norte de Portugal, há um fornecedor de acesso que não muda de datacenter por falta de recursos... mas que se arrisca realmente a ficar sem clientes se isto continua assim. Que recursos serão capazes de obter sem clientes é a pergunta que eles devem fazer a si próprios...
Vá lá que desta vez (ainda) não se foi nada além do email. Os sites mantém-se (por enquanto) no ar.
E vá lá que desta vez o problema aconteceu (ou melhor: agravou-se) a um domingo; tivesse sido numa sexta-feira, como da outra vez, e de certeza que ficaria três dias sem correio.
Grandes azelhas!
Vá lá que desta vez (ainda) não se foi nada além do email. Os sites mantém-se (por enquanto) no ar.
E vá lá que desta vez o problema aconteceu (ou melhor: agravou-se) a um domingo; tivesse sido numa sexta-feira, como da outra vez, e de certeza que ficaria três dias sem correio.
Grandes azelhas!
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
A definição mais estúpida do Universo
Era difícil, mas os astrónomos reunidos em Praga conseguiram: depois de um início prometeder, que parecia destinado a, finalmente, colocar algum bom senso na nomenclatura planetária, eis que a volta foi de 180º e o que saiu da capital checa deverá ser a mais estúpida definição do Universo. E arredores.
A definição em causa, traduzida, é esta:
A isto são acrescentadas três notas:
Onde está a estupidez? Por todo o lado. Para começar dizer que um planeta anão não é um planeta está ao mesmo nível lógico de dizer que um anão não é uma pessoa. Ou de dizer que uma estrela anã não é uma estrela. Ora, como o Sol é uma estrela anã, resulta daí que, a aplicar a "lógica" desta definição, nós, habitantes do planeta Terra, não somos iluminados nem aquecidos por uma estrela. Pior um pouco ficam aqueles de nós que sofrem de nanismo, que não só deixam assim de ser iluminados e aquecidos por uma estrela, como inclusivamente perdem todos os privilégios de pertencer à espécie humana. Se bem que, a ajuizar por esta definição, nesse ponto perdem muito pouco.
Mas se fosse essa a única questão estaríamos nós bem. Longe disso. Acontece que na última década e tal têm vindo a ser descobertos corpos à volta de outras estrelas e até a vogar livres pelo espaço interestelar que vão desde o tamanho de Calisto (uma lua de Júpiter não muito maior que a nossa) até muitas vezes o tamanho de Júpiter. Já vai em mais de 200. Mas, como esta definição diz que só são planetas os corpos do Sistema Solar que giram em torno do Sol, tem-se que os plan... erm... corpos que giram em torno de outras estrelas ficam sem nome. Suponho que se pode propor um, certo? Gambuzinos! Que tal?
Temos, portanto, um universo composto por biliões de estrelas conhecidas (ou não, já que a maioria são anãs e, segundo a lógica da IAU, não serão estrelas... lá vou ter de chamar-lhes outro nome... hum... trelas? OK, trelas!). Recapitulando: Temos, então, um universo composto por biliões de estrelas, muitos mais biliões de trelas, mais biliões de objectos exóticos como buracos negros, pulsares, nebulosas de vários tipos, etc., etc., e depois 8 planetas, pelo menos 3 planetas anões que não são planetas embora sejam planetas, uns quantos objectos ainda indefinidos, largas dezenas de satélites e largos milhares de pequenos corpos do sistema solar, mais duzentos e tal gambuzinos em volta de outras estrelas, trelas e pulsares ou até a vogar livres pelo espaço. E não me perguntem como se chamarão os pequenos corpos que giram em torno de outras estrelas e de outras trelas porque não quero pensar nisso agora, OK? Portanto é isso.
Ou será que não é?
É que há aquela coisa das órbitas limpas e mais não sei o quê. Deixem-me explicar: à medida que se vai passando o tempo, os planetas vão acumulando material vindo do espaço, que vai caindo e formando crateras quando o planeta não tem atmosfera ou a tem fina demais para o tamanho do calhau, ou ardendo na atmosfera quando o calhau é pequeno demais para a atmosfera. Aqui na Terra aos primeiros chamam-se meteoritos e aos segundos meteoros. Lá no espaço, chamam-se todos asteróides ou então poeira. Onde deixa de ser asteróide e passa a ser poeira, ninguém sabe, mas também não quero que me falem nisso agora se fazem favor. Ah, sim, e lá no espaço, são eles que fazem as crateras da Lua, por exemplo.
Ora bem, em tempos que já lá vão, havia muito mais asteróides e poeiras do que há hoje. Como é fácil de entender, quanto maior o planeta mais coisas destas atrai, e ao longo do tempo, vai "limpando" as redondezas da sua órbita. E, como é fácil de compreender também, quanto maior a órbita e menor o planeta, mais devagar ela fica "limpa". Ou seja: um corpo do mesmo tamanho torna-se "planeta" muito mais depressa se estiver onde está Mercúrio do que onde está Plutão. Pior: quanto mais pequeno o corpo, mais afectado é pelos outros corpos; ao fim de tempo suficiente, todos os corpos mais pequenos acabarão ou por se esmagar contra um dos corpos maiores, ou por serem atirados por um destes ou para o Sol ou para fora do sistema. E isso implica que se lhes dermos tempo suficiente, todos os corpos com uma dimensão razoável acabam por se transformar em planetas, mesmo que nada neles mude. Pior ainda, como bem sabemos, ainda hoje a Terra continua a ser bombardeada com asteróides, o que significa, obviamente, que não tem as redondezas limpas. Ops! Acabámos de excluir a Terra do grupo dos planetas?!
Bem, dado que não está definido nem o que significa "limpo" nem o que significa "vizinhança", e dado que há material de pequenas dimensões em todo o Sistema Solar, se formos aplicar a definição à letra, não só acabámos de excluir a Terra do grupo dos planetas como acabámos de excluir todos os planetas do grupo dos planetas! Não é brilhante? De repente, seguindo a definição da IAU, ficámos com 11 planetas anões onde, segundo a mesma definição, devíamos ter 3 planetas anões (que não são planetas, não se esqueçam!) e acabámos de chegar à conclusão que não há um único planeta em todo o vasto Universo! Há é 200 e tal gambuzinos.
Magnífico!
É ou não é a coisa mais imbecil que já viram?
Por minha parte, borrifo-me nos gajos e parto para o radicalismo. As definições devem ser simples. Devem basear-se em propriedades das coisas definidas. Devem ser coerentes. E as propriedades mais evidentes devem servir para definir as subdivisões de nível superior, deixando-se as subdivisões dessas subdivisões para propriedades menos convincentes, ou mais arbitrárias, ou mais incertas. Por isso, a partir de hoje o que é um planeta no meu léxico passa a ser definido pela simples frase:
E mainada. Depois disto, subdivide-se em categorias. Querem planetas anões? Com certeza: saem planetas anões, planetas como os outros, mas anões; tal como os planetas gigantes que há (4) em volta da nossa estrela e também (quase 200) em volta das outras são planetas como os outros, mas gigantes. Tal como os planetas terrestres. Ou os planetas satélites (eu avisei que ia ser radical), que seriam planetas de pleno direito se girassem em torno de uma estrela. Querem subcategorizar os planetas? Força! Dêm-lhes com subcategorias em cima. Mas planetas são os corpos suficientemente grandes para ser redondos. Ceres é planeta. A Lua é planeta. Plutão é planeta. Calisto é planeta. Mimas é planeta. Vesta e Pallas vamos ver, tal como iremos ver aqueles trans-neptunianos mais pequenos. "Xena" é planeta. Epsilon Eridani b é planeta, Mu Arae e é planeta. Nada mais simples. E muito mais válido, sob todos os aspectos, do que cretinice que saiu da IAU.
Tenho dito.
A definição em causa, traduzida, é esta:
A IAU decide, portanto, que os "planetas" e os outros corpos do Sistema Solar, sejam definidos em três categorias distintas da seguinte forma:
(1) Um "planeta" é um corpo celeste que (a) está em órbita em torno do Sol, (b) tem massa suficiente para que a sua própria gravidade supere as forças do corpo rígido de modo que assume uma forma de equilíbrio hidrostático (praticamente redonda) e (c) que tenha limpo a vizinhança da sua órbita.
(2) Um "planeta anão" é um corpo celeste que (a) está em órbita em torno do Sol, (b) tem massa suficiente para que a sua própria gravidade supere as forças do corpo rígido de modo que assume uma forma de equilíbrio hidrostático (praticamente redonda), (c) não tenha limpo a vizinhança da sua órbita e (d) não é um satélite.
(3) Todos os outros objectos, excepto os satélites, que orbitam o Sol serão colectivamente denominados como "Pequenos Corpos do Sistema Solar".
A isto são acrescentadas três notas:
1. Os oito planetas são: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urrano e Neptuno.
2. Será estabelecido um procedimento da IAU para atribuir aos objectos de fronteira o estatuto ou de planeta anão ou de outras categorias.
3 Os Pequenos Corpos do Sistema Solar incluem actualmente a maior parte dos asteróides do Sistema Solar, a maior parte dos Objectos Trans-Neptunianos (TNOs) e outros pequenos corpos.
Onde está a estupidez? Por todo o lado. Para começar dizer que um planeta anão não é um planeta está ao mesmo nível lógico de dizer que um anão não é uma pessoa. Ou de dizer que uma estrela anã não é uma estrela. Ora, como o Sol é uma estrela anã, resulta daí que, a aplicar a "lógica" desta definição, nós, habitantes do planeta Terra, não somos iluminados nem aquecidos por uma estrela. Pior um pouco ficam aqueles de nós que sofrem de nanismo, que não só deixam assim de ser iluminados e aquecidos por uma estrela, como inclusivamente perdem todos os privilégios de pertencer à espécie humana. Se bem que, a ajuizar por esta definição, nesse ponto perdem muito pouco.
Mas se fosse essa a única questão estaríamos nós bem. Longe disso. Acontece que na última década e tal têm vindo a ser descobertos corpos à volta de outras estrelas e até a vogar livres pelo espaço interestelar que vão desde o tamanho de Calisto (uma lua de Júpiter não muito maior que a nossa) até muitas vezes o tamanho de Júpiter. Já vai em mais de 200. Mas, como esta definição diz que só são planetas os corpos do Sistema Solar que giram em torno do Sol, tem-se que os plan... erm... corpos que giram em torno de outras estrelas ficam sem nome. Suponho que se pode propor um, certo? Gambuzinos! Que tal?
Temos, portanto, um universo composto por biliões de estrelas conhecidas (ou não, já que a maioria são anãs e, segundo a lógica da IAU, não serão estrelas... lá vou ter de chamar-lhes outro nome... hum... trelas? OK, trelas!). Recapitulando: Temos, então, um universo composto por biliões de estrelas, muitos mais biliões de trelas, mais biliões de objectos exóticos como buracos negros, pulsares, nebulosas de vários tipos, etc., etc., e depois 8 planetas, pelo menos 3 planetas anões que não são planetas embora sejam planetas, uns quantos objectos ainda indefinidos, largas dezenas de satélites e largos milhares de pequenos corpos do sistema solar, mais duzentos e tal gambuzinos em volta de outras estrelas, trelas e pulsares ou até a vogar livres pelo espaço. E não me perguntem como se chamarão os pequenos corpos que giram em torno de outras estrelas e de outras trelas porque não quero pensar nisso agora, OK? Portanto é isso.
Ou será que não é?
É que há aquela coisa das órbitas limpas e mais não sei o quê. Deixem-me explicar: à medida que se vai passando o tempo, os planetas vão acumulando material vindo do espaço, que vai caindo e formando crateras quando o planeta não tem atmosfera ou a tem fina demais para o tamanho do calhau, ou ardendo na atmosfera quando o calhau é pequeno demais para a atmosfera. Aqui na Terra aos primeiros chamam-se meteoritos e aos segundos meteoros. Lá no espaço, chamam-se todos asteróides ou então poeira. Onde deixa de ser asteróide e passa a ser poeira, ninguém sabe, mas também não quero que me falem nisso agora se fazem favor. Ah, sim, e lá no espaço, são eles que fazem as crateras da Lua, por exemplo.
Ora bem, em tempos que já lá vão, havia muito mais asteróides e poeiras do que há hoje. Como é fácil de entender, quanto maior o planeta mais coisas destas atrai, e ao longo do tempo, vai "limpando" as redondezas da sua órbita. E, como é fácil de compreender também, quanto maior a órbita e menor o planeta, mais devagar ela fica "limpa". Ou seja: um corpo do mesmo tamanho torna-se "planeta" muito mais depressa se estiver onde está Mercúrio do que onde está Plutão. Pior: quanto mais pequeno o corpo, mais afectado é pelos outros corpos; ao fim de tempo suficiente, todos os corpos mais pequenos acabarão ou por se esmagar contra um dos corpos maiores, ou por serem atirados por um destes ou para o Sol ou para fora do sistema. E isso implica que se lhes dermos tempo suficiente, todos os corpos com uma dimensão razoável acabam por se transformar em planetas, mesmo que nada neles mude. Pior ainda, como bem sabemos, ainda hoje a Terra continua a ser bombardeada com asteróides, o que significa, obviamente, que não tem as redondezas limpas. Ops! Acabámos de excluir a Terra do grupo dos planetas?!
Bem, dado que não está definido nem o que significa "limpo" nem o que significa "vizinhança", e dado que há material de pequenas dimensões em todo o Sistema Solar, se formos aplicar a definição à letra, não só acabámos de excluir a Terra do grupo dos planetas como acabámos de excluir todos os planetas do grupo dos planetas! Não é brilhante? De repente, seguindo a definição da IAU, ficámos com 11 planetas anões onde, segundo a mesma definição, devíamos ter 3 planetas anões (que não são planetas, não se esqueçam!) e acabámos de chegar à conclusão que não há um único planeta em todo o vasto Universo! Há é 200 e tal gambuzinos.
Magnífico!
É ou não é a coisa mais imbecil que já viram?
Por minha parte, borrifo-me nos gajos e parto para o radicalismo. As definições devem ser simples. Devem basear-se em propriedades das coisas definidas. Devem ser coerentes. E as propriedades mais evidentes devem servir para definir as subdivisões de nível superior, deixando-se as subdivisões dessas subdivisões para propriedades menos convincentes, ou mais arbitrárias, ou mais incertas. Por isso, a partir de hoje o que é um planeta no meu léxico passa a ser definido pela simples frase:
Um planeta é qualquer objecto que tem massa suficiente para que a sua própria gravidade supere as forças do corpo rígido de modo que assume uma forma de equilíbrio hidrostático e não tem massa suficiente para gerar reacções nucleares no seu interior.
E mainada. Depois disto, subdivide-se em categorias. Querem planetas anões? Com certeza: saem planetas anões, planetas como os outros, mas anões; tal como os planetas gigantes que há (4) em volta da nossa estrela e também (quase 200) em volta das outras são planetas como os outros, mas gigantes. Tal como os planetas terrestres. Ou os planetas satélites (eu avisei que ia ser radical), que seriam planetas de pleno direito se girassem em torno de uma estrela. Querem subcategorizar os planetas? Força! Dêm-lhes com subcategorias em cima. Mas planetas são os corpos suficientemente grandes para ser redondos. Ceres é planeta. A Lua é planeta. Plutão é planeta. Calisto é planeta. Mimas é planeta. Vesta e Pallas vamos ver, tal como iremos ver aqueles trans-neptunianos mais pequenos. "Xena" é planeta. Epsilon Eridani b é planeta, Mu Arae e é planeta. Nada mais simples. E muito mais válido, sob todos os aspectos, do que cretinice que saiu da IAU.
Tenho dito.
Brazuca analfabeto ao ataque
Os brasileiros que acharam boa ideia tentar sacar dados aos clientes da Caixa Geral de Depósitos voltaram ao ataque. Desta vez o email é, parece, idêntico. O que é giro é o título: "Todas as contas estão indo ser restringidas, Você confirmará dados."
Quem será que estes analfabetos acham que enganam?
Quem será que estes analfabetos acham que enganam?
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
domingo, 30 de julho de 2006
Brasileiros com montes de esperto nos cabeça
Hoje fartei-me de receber desastradíssimas tentativas de phishing duns tipos brasileiros com montes de esperto nos cabeça que acham que conseguem endrominar muitos tugas com mensagens aparentemente oriundas da Caixa Geral de Depósitos que começam com "Cliente respeitado!", terminam com "Esta letra emite automáticamente e não requer a resposta." e estão repletas de outras pérolas semelhantes no resto do texto.
Oh, sim, muito esperto nos cabeça, sem dúvida!...
Oh, sim, muito esperto nos cabeça, sem dúvida!...
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