Há algumas coisas na política portuguesa que me causam perplexidade. Bem, minto, há montes de coisas na política portuguesa que me causam perplexidade (e a portuguesa, mesmo assim, é melhor do que outras que há por este mundo fora). Geralmente é uma perplexidade má, do estilo "mas como é que isto é possível, neste mundo e nesta época?!" Mas nalguns casos é uma perplexidade boa. Coisas que não compreendo, mas que me agradam mesmo sem compreender.
Uma dessas coisas é a força que o Bloco de Esquerda tem no Algarve.
O Bloco não tem estruturas locais particularmente visíveis, nenhum dos seus dirigentes de maior relevo é oriundo da região, não há no Algarve nenhum dos factores que costumam associar-se ao Bloco, e, no entanto, olhando para o país todo, vê-se que é no Algarve que o Bloco obtém maior percentagem, praticamente 15%. Só o distrito de Setúbal lhe chega perto, também acima dos 14%. No meu concelho, Portimão, chega mesmo aos 17%, e na freguesia de Portimão, isto é, na cidade propriamente dita, aproxima-se dos 17,5%.
O que é que explica isto? Não faço a mínima ideia. Ou por outra, tenho umas ideias vagas com as quais tenho especulado ao longo dos anos. Já aqui tinha falado delas. Mas, embora Portimão continue a ser dos sítios em que o Bloco tem mais força, este fenómeno bloquista no Algarve estendeu-se agora a todo o litoral. À grande cidade de 300 mil habitantes (dois milhões e meio quando o Verão corre bem aos hoteleiros), com 5 km de largura e 100 km de extensão que é o litoral algarvio nos dias que correm.
Se calhar é isso que explica o Bloco no Algarve. Mas olhem que era coisa que, se eu fosse sociólogo, muito me interessaria estudar.
Já agora, e num aparte, se nas eleições legislativas os resultados do Algarve fossem estes, teríamos uma distribuição de deputados muito interessante:
PSD: 27.39%, 3 deputados
PS: 24.98%, 3 deputados
BE: 14.95%, 1 deputado
CDU: 10.35%, 1 deputado
E de em vez de 8 fossem 9, o partido seguinte a eleger alguém seria o CDS. Giro, não é?
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
terça-feira, 16 de setembro de 2008
CSI: Portimão
Ah! Então é por isto que eu estou a pagar o triplo da contribuição autárquica...
PS: para quem não conhece, o senhor do bigode que aparece no fim é o Manuel da Luz, presidente da câmara, PS. PS-partido, não PS-PS. Vocês entendem...
PPS: usando os meus talentos sherlockianos, estou capaz de garantir que há por aí eleições à porta...
PPPS: mas OK, tá giro, sim senhor, pronto, levem lá a bicicleta... não me digam é quanto custou, para não me dar uma coisinha má...
PPPPS: a loura é que enfim... com tanta mulher bonita que há por aí...
PPPPPS: sim, gosto de reticências... processem-me...
PS: para quem não conhece, o senhor do bigode que aparece no fim é o Manuel da Luz, presidente da câmara, PS. PS-partido, não PS-PS. Vocês entendem...
PPS: usando os meus talentos sherlockianos, estou capaz de garantir que há por aí eleições à porta...
PPPS: mas OK, tá giro, sim senhor, pronto, levem lá a bicicleta... não me digam é quanto custou, para não me dar uma coisinha má...
PPPPS: a loura é que enfim... com tanta mulher bonita que há por aí...
PPPPPS: sim, gosto de reticências... processem-me...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
domingo, 25 de novembro de 2007
Isto está mesmo bom
Anteontem: falha de luz. Duas horas e tal que deviam ter sido gastas a trabalhar passadas a olhar o negro da noite. O luar de lua cheia fazia umas sombras nítidas e conseguiam-se distinguir as cores, mas quinze minutos teriam bastado para satisfazer o urbanita desabituado de ver as estrelas devido ao brilho da iluminação pública.
Ontem: falha de luz. Não sei quanto tempo durou porque estava a dormir, mas sei que o despertador se esqueceu das horas, e por isso acordei duas ou três horas depois do que devia. Ou seja: trabalhei duas ou três horas menos do que devia.
Hoje: falha de água. Rebentou uma conduta, parece, e cortaram a água. Já há por aí uns cheiros esquisitos a flutuar pela cidade, ou será cá em casa?
Isto está mesmo, mesmo bom. Que se segue? A internet? O ar?
Ontem: falha de luz. Não sei quanto tempo durou porque estava a dormir, mas sei que o despertador se esqueceu das horas, e por isso acordei duas ou três horas depois do que devia. Ou seja: trabalhei duas ou três horas menos do que devia.
Hoje: falha de água. Rebentou uma conduta, parece, e cortaram a água. Já há por aí uns cheiros esquisitos a flutuar pela cidade, ou será cá em casa?
Isto está mesmo, mesmo bom. Que se segue? A internet? O ar?
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Dir-se-ia
Há tantas obras neste momento em Portimão que dir-se-ia que o ano que vem é ano de eleições...
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
A informação da RTP, afinal, é nacional ou regional?
Todos os anos, a World Press Photo traz a Portugal os vencedores do seu prémio de fotojornalismo. Todos os nos acontece uma exposição das fotografias vencedoras nas várias categorias, que deambula pelo país, primeiro aqui, depois ali, logo acolá. O certame é relevante, e todos os anos recebe a atenção devida por parte dos media.
O curioso é que todos os anos a exposição vem primeiro a Portimão e só depois parte para Lisboa. Pensar-se-ia que um órgão de informação que fosse realmente nacional daria a notícia da inauguração da exposição em Portugal, fosse qual fosse o primeiro sítio onde ela é inaugurada. Pois, mas não. Só soube que a exposição esteve em Portimão porque vivo cá: na RTP, nem sinal dessa informação. Talvez por andar demasiado entretida com as eleições em... Lisboa, todos os dias a desperdiçar alguns 20 minutos de tempo de antena perfeitamente irrelevantes para 90% do país?
E por falar em Lisboa, parece que agora a exposição foi inaugurada por lá. Disse-mo o serviço noticioso (regional?) da RTP. Obrigadinho, mas não me interessa: já cá esteve.
PS - E não é só a RTP que parece ser uma emissora regional. O Público também dá ares de jornal regional de Lisboa e arredores: fez precisamente a mesma coisa.
O curioso é que todos os anos a exposição vem primeiro a Portimão e só depois parte para Lisboa. Pensar-se-ia que um órgão de informação que fosse realmente nacional daria a notícia da inauguração da exposição em Portugal, fosse qual fosse o primeiro sítio onde ela é inaugurada. Pois, mas não. Só soube que a exposição esteve em Portimão porque vivo cá: na RTP, nem sinal dessa informação. Talvez por andar demasiado entretida com as eleições em... Lisboa, todos os dias a desperdiçar alguns 20 minutos de tempo de antena perfeitamente irrelevantes para 90% do país?
E por falar em Lisboa, parece que agora a exposição foi inaugurada por lá. Disse-mo o serviço noticioso (regional?) da RTP. Obrigadinho, mas não me interessa: já cá esteve.
PS - E não é só a RTP que parece ser uma emissora regional. O Público também dá ares de jornal regional de Lisboa e arredores: fez precisamente a mesma coisa.
domingo, 25 de março de 2007
Ah, já se vê alguma coisinha
Acabei de reparar que Portimão foi finalmente contemplada com uma imagem de satélite de definição aceitável no Google Maps, embora muito sobre-exposta. Não é o ideal, mas já é qualquer coisita... e já não era sem tempo, catano!
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Tamanhos e populações de cidades e zonas metropolitanas
Refletindo mais um pouco sobre o que escrevi no fim deste post, cheguei à conclusão de que devia colocar aqui uma palavrinha de cautela, porque embora tenha a certeza de que a ideia geral está certa, os valores concretos dependem de alguns fatores que não tenho informação suficiente para avaliar. É que aquilo a que o WG chama área metropolitana depende daquilo a que as fontes, geralmente organismos oficiais (no nosso caso, o INE), chamam áreas metropolitanas, e isso varia bastante de país para país. Não faço a mínima ideia do modo como os espanhóis agregam as cidades em zonas metropolitanas, mas sei que os portugueses têm quanto a isso uma abordagem restritiva.
Explicando:
Portimão é a maior cidade do Barlavento do Algarve, e serve de pólo de atração de pessoas vindas de cerca de 20 km em redor, ou em certos casos até mais, seja para trabalhar, descansar ou fazer compras. É, sob esse ponto de vista, um pequeno centro metropolitano, que tem uma espécie de Almada, Seixal e Barreiro do outro lado do rio, que no nosso caso se chamam Parchal, Ferragudo e Mexilhoeira da Carregação, terras tão intimamente ligadas a Portimão (e umas às outras, até por uma urbanização que já é contínua) como a Margem Sul está a Lisboa. Ou mais até: pelo menos temos mais pontes.
Mas não são só as duas margens do Arade que são urbanizadas. A vila de Alvor, cujo centro dista 5 km do de Portimão, está também já unida à cidade por uma urbanização que é basicamente contínua. E já nem falo duma sére de antigas aldeias, outrora próximas da cidade, que se transformaram primeiro em dormitórios e que acabaram depois engolidas pela malha urbana: Cardosas, Sesmarias, Donalda, Três Bicos, Praia da Rocha, Pedra Mourinha, Boavista, etc., etc.
Não sei se os 39783 habitantes calculados pelo World Gazetteer para Portimão incluem estas antigas aldeias ou não (suponho que sim), mas sei que não incluem nem Alvor nem as nossas "Almadas" do outro lado do rio. Quando se segue o link para as áreas metropolitanas portuguesas lá está a de Portimão em 12º lugar, incluindo apenas a cidade propriamente dita. Não é real. A verdadeira área urbana da cidade que aqui existe deveria incluir tudo o que é urbanização contígua, pelo menos de Alvor até Estômbar, uma cidade que se deverá aproximar dos 60 mil habitantes e que se vai também "esticando" para Lagoa de um lado e para a Mexilhoeira Grande do outro, mais cerca de 10 mil habitantes.
Sei que Portimão não é caso único. Ainda no Algarve, Faro é o centro de uma área metropolitana que vai das Gambelas, Montenegro e da Ilha de Faro à periferia oriental de Olhão, uma zona metropolitana com urbanização contínua que deverá superar os 80 mil habitantes, mas que no WG também surge restringida à cidade propriamente dita, no 10º lugar da lista. E imagino que o mesmo aconteça com outras cidades portuguesas, em particular as do Minho.
Se os dados espanhóis refletirem melhor do que os nossos a realidade no terreno, é possível que o desequilíbrio no número de cidades relevantes não seja assim tão grande como parece. Não deverá haver alterações nas maiores, pois a terceira área metropolitana portuguesa - a de Braga - está demasiado longe dos 500 mil habitantes para que chegue lá se lhe forem agregados núcleos populacionais que poderão eventualmente estar intimamente ligados à cidade, mas as áreas urbanas portuguesas com mais de 100 mil habitantes não deverão ser apenas 4.
Por outro lado, estarão sempre muito longe das 42 de Espanha.
Explicando:
Portimão é a maior cidade do Barlavento do Algarve, e serve de pólo de atração de pessoas vindas de cerca de 20 km em redor, ou em certos casos até mais, seja para trabalhar, descansar ou fazer compras. É, sob esse ponto de vista, um pequeno centro metropolitano, que tem uma espécie de Almada, Seixal e Barreiro do outro lado do rio, que no nosso caso se chamam Parchal, Ferragudo e Mexilhoeira da Carregação, terras tão intimamente ligadas a Portimão (e umas às outras, até por uma urbanização que já é contínua) como a Margem Sul está a Lisboa. Ou mais até: pelo menos temos mais pontes.
Mas não são só as duas margens do Arade que são urbanizadas. A vila de Alvor, cujo centro dista 5 km do de Portimão, está também já unida à cidade por uma urbanização que é basicamente contínua. E já nem falo duma sére de antigas aldeias, outrora próximas da cidade, que se transformaram primeiro em dormitórios e que acabaram depois engolidas pela malha urbana: Cardosas, Sesmarias, Donalda, Três Bicos, Praia da Rocha, Pedra Mourinha, Boavista, etc., etc.
Não sei se os 39783 habitantes calculados pelo World Gazetteer para Portimão incluem estas antigas aldeias ou não (suponho que sim), mas sei que não incluem nem Alvor nem as nossas "Almadas" do outro lado do rio. Quando se segue o link para as áreas metropolitanas portuguesas lá está a de Portimão em 12º lugar, incluindo apenas a cidade propriamente dita. Não é real. A verdadeira área urbana da cidade que aqui existe deveria incluir tudo o que é urbanização contígua, pelo menos de Alvor até Estômbar, uma cidade que se deverá aproximar dos 60 mil habitantes e que se vai também "esticando" para Lagoa de um lado e para a Mexilhoeira Grande do outro, mais cerca de 10 mil habitantes.
Sei que Portimão não é caso único. Ainda no Algarve, Faro é o centro de uma área metropolitana que vai das Gambelas, Montenegro e da Ilha de Faro à periferia oriental de Olhão, uma zona metropolitana com urbanização contínua que deverá superar os 80 mil habitantes, mas que no WG também surge restringida à cidade propriamente dita, no 10º lugar da lista. E imagino que o mesmo aconteça com outras cidades portuguesas, em particular as do Minho.
Se os dados espanhóis refletirem melhor do que os nossos a realidade no terreno, é possível que o desequilíbrio no número de cidades relevantes não seja assim tão grande como parece. Não deverá haver alterações nas maiores, pois a terceira área metropolitana portuguesa - a de Braga - está demasiado longe dos 500 mil habitantes para que chegue lá se lhe forem agregados núcleos populacionais que poderão eventualmente estar intimamente ligados à cidade, mas as áreas urbanas portuguesas com mais de 100 mil habitantes não deverão ser apenas 4.
Por outro lado, estarão sempre muito longe das 42 de Espanha.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Se fosse em Lisboa...
Mas não foi nem em Lisboa nem no Porto, de modo que se não fosse este blog ninguém saberia. Tal como ninguém soube quando, há um par de meses, outras duas árvores desabaram da mesma forma na mesma rua, ou quando, pouco antes do natal, e ainda na mesma rua, um apartamento ardeu por completo porque a velhota saiu esquecendo-se da comida ao lume. Nem sombra de notícia em nenhum sítio, pois estas coisas não se passaram em Lisboa ou no Porto. Passaram-se na minha rua, que macacos me mordam se não é uma rua bestialmente atreita a peripécias, por mais que as televisões as ignorem.
(E não, nenhum destes acontecimentos me afetou a mim, pessoalmente, de nenhuma forma. Esclareço caso estejam curiosos)
terça-feira, 11 de outubro de 2005
Portimão e o BE
Este fenómeno é curioso. Verifiquei hoje aqui (cuidado: é um PDF) que no país todo só houve 11 municípios onde o BE teve melhor percentagem, nas eleições para a assembleia municipal, do que em Portimão, e a grande maioria destes municípios pertencem às grandes áreas urbanas. Não me peçam uma explicação concreta, que não sou sociólogo, mas tenho uma ideia. Sempre achei que Portimão era uma grande cidade de pequenas dimensões, isto é, uma cidade pequena (a caminhar para média) com espírito, mentalidade e ambiente de grande cidade, contrastando nesse aspecto com alguns aglomerados urbanos até maiores que, no entanto, mantém uma maneira de olhar para o mundo bem mais aldeã.
Porquê? Não faço a mais pequena ideia. Poderia ser do turismo, mas outras cidades turísticas não mostram esse espírito (pelo menos não o mostram de forma tão acentuada). Talvez tenha a ver com a sua vocação cosmopolita, de porto de arribação de gente proveniente dos lugares mais distantes, que o é, no mínimo, desde que me conheço e conheço a cidade. Talvez venha de um certo espírito mercantil que, tendo embora aspectos bastante negativos, tem uma componente de abertura ao mundo que é profundamente urbana. Talvez seja outra coisa qualquer, algo que eu sou incapaz de identificar. Não sei.
O que sei é que, como todas as cidades, Portimão tem a sua própria personalidade. Uma personalidade de cidade verdadeira. E que as votações obtidas aqui pelo Bloco podem bem ser uma consequência disso.
Porquê? Não faço a mais pequena ideia. Poderia ser do turismo, mas outras cidades turísticas não mostram esse espírito (pelo menos não o mostram de forma tão acentuada). Talvez tenha a ver com a sua vocação cosmopolita, de porto de arribação de gente proveniente dos lugares mais distantes, que o é, no mínimo, desde que me conheço e conheço a cidade. Talvez venha de um certo espírito mercantil que, tendo embora aspectos bastante negativos, tem uma componente de abertura ao mundo que é profundamente urbana. Talvez seja outra coisa qualquer, algo que eu sou incapaz de identificar. Não sei.
O que sei é que, como todas as cidades, Portimão tem a sua própria personalidade. Uma personalidade de cidade verdadeira. E que as votações obtidas aqui pelo Bloco podem bem ser uma consequência disso.
segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Portimão, uma cidade decididamente de esquerda
Sempre foi, a verdade é essa, mas nestas eleições essa característica da minha cidade ficou talvez mais clara que nunca.
É que na maior parte dos outros lados quando o PS desce quem sobe é o PSD. O eleitorado flutua ao centro, entre os dois partidos grandes do "centrão", à procura, tantas vezes em vão, de diferenças entre os dois. Em Portimão, não. Em Portimão o PS quase que perde a maioria absoluta mas quem ganha com isso não é o PSD, que desce quase tanto quanto (o PS caiu quase 1600 votos e a coligação PSD-PP-PPM-MPT teve menos quase 1400 votos que a soma do PSD e da coligação PP-PPM de há quatro anos), mas sim a CDU (mais 650 votos e um vereador) e, principalmente, o Bloco de Esquerda, que, embora não tenha repetido o estrondoso score das legislativas, andou lá perto graças a 1200 votos a mais do que há quatro anos. Se continuar a subir, daqui a 4 anos entra na vereação.
Ou seja, em Portimão o eleitorado flutua à esquerda. Nesta cidade o PSD só terá hipótese de ganhar a câmara num dia em que um executivo PS for tão irremediavelmente desastroso que o povo de esquerda prefira votar PSD a deixar continuar a catástrofe. Esteve quase para acontecer uma vez, com o PS a ganhar a câmara por 47 votos e a perder duas das três juntas de freguesia, no estertor do desastre Martim Gracias.
E não só flutua à esquerda, como mesmo com perdas do PS a esquerda avança. Fazendo umas contas, tem-se que as três candidaturas de esquerda arrebanharam mais 300 votos do que há quatro anos, totalizando quase 62% dos votos, ao passo que as direitas perderam esses 300 votos, isto assumindo que a candidatura "independente" é de direita, o que não é, pelo menos, assumido. Mais: a nível do Algarve terá sido Portimão a única boa notícia que os comunistas tiveram, e também para o Bloco Portimão se destaca, com a mais elevada percentagem da região e dois dos 6 deputados municipais com que o partido sai destas eleições cá em baixo (os outros são de Faro, Vila do Bispo, Loulé e Silves, um em cada assembleia).
O reverso da medalha é que também é dos sítios onde as candidaturas menos entusiasmam. É, pelo menos, isso que eu depreendo de uma taxa de participação que não foi além dos 51%. Qualquer dia nem metade das pessoas vota. Ah, e dos brancos e nulos, claro. Juntos, os brancos e nulos somaram 5,5%. Foram mais de 1100 votos. Houve mais gente a deixar o papelinho em branco ou a mandar uma frase célebre do que os que votaram "Independente". Todo o ganho em eleitores nestes 4 anos (cerca de mil novos eleitores) foi parar a este tipo de voto de protesto.
Daria que pensar, se os políticos deste país pensassem.
É que na maior parte dos outros lados quando o PS desce quem sobe é o PSD. O eleitorado flutua ao centro, entre os dois partidos grandes do "centrão", à procura, tantas vezes em vão, de diferenças entre os dois. Em Portimão, não. Em Portimão o PS quase que perde a maioria absoluta mas quem ganha com isso não é o PSD, que desce quase tanto quanto (o PS caiu quase 1600 votos e a coligação PSD-PP-PPM-MPT teve menos quase 1400 votos que a soma do PSD e da coligação PP-PPM de há quatro anos), mas sim a CDU (mais 650 votos e um vereador) e, principalmente, o Bloco de Esquerda, que, embora não tenha repetido o estrondoso score das legislativas, andou lá perto graças a 1200 votos a mais do que há quatro anos. Se continuar a subir, daqui a 4 anos entra na vereação.
Ou seja, em Portimão o eleitorado flutua à esquerda. Nesta cidade o PSD só terá hipótese de ganhar a câmara num dia em que um executivo PS for tão irremediavelmente desastroso que o povo de esquerda prefira votar PSD a deixar continuar a catástrofe. Esteve quase para acontecer uma vez, com o PS a ganhar a câmara por 47 votos e a perder duas das três juntas de freguesia, no estertor do desastre Martim Gracias.
E não só flutua à esquerda, como mesmo com perdas do PS a esquerda avança. Fazendo umas contas, tem-se que as três candidaturas de esquerda arrebanharam mais 300 votos do que há quatro anos, totalizando quase 62% dos votos, ao passo que as direitas perderam esses 300 votos, isto assumindo que a candidatura "independente" é de direita, o que não é, pelo menos, assumido. Mais: a nível do Algarve terá sido Portimão a única boa notícia que os comunistas tiveram, e também para o Bloco Portimão se destaca, com a mais elevada percentagem da região e dois dos 6 deputados municipais com que o partido sai destas eleições cá em baixo (os outros são de Faro, Vila do Bispo, Loulé e Silves, um em cada assembleia).
O reverso da medalha é que também é dos sítios onde as candidaturas menos entusiasmam. É, pelo menos, isso que eu depreendo de uma taxa de participação que não foi além dos 51%. Qualquer dia nem metade das pessoas vota. Ah, e dos brancos e nulos, claro. Juntos, os brancos e nulos somaram 5,5%. Foram mais de 1100 votos. Houve mais gente a deixar o papelinho em branco ou a mandar uma frase célebre do que os que votaram "Independente". Todo o ganho em eleitores nestes 4 anos (cerca de mil novos eleitores) foi parar a este tipo de voto de protesto.
Daria que pensar, se os políticos deste país pensassem.
terça-feira, 14 de junho de 2005
O spam, às vezes, é giro
Por exemplo há minutos, quando recebi um spam a um apartamento de férias na... Praia da Rocha! Ao tempo que eu sonho viajar este quilómetro e meio e, enfim, passar uns dias na Praia da Rocha!...
quarta-feira, 20 de abril de 2005
O 25 de Abril na minha terra
- Mostra de trabalhos escolares
- apresentação de um livro
- oferta do livro apresentado acima "aos alunos", talvez aqueles que fizeram os trabalhos acima do livro
- actividades radicais
- actividades desportivas
- animação de rua
- danças sevilhanas e flamenco
- mais actividades radicais
- mais actividades desportivas
- mais animação de rua
- folclore
- fanfarra dos bombeiros
- actuação de bandas jovens
- hastear da bandeira
- arruada da filarmónica
- fanfarra dos bombeiros
- largada de pombos
- corrida da liberdade
- ainda mais actividades radicais
- ainda mais actividades desportivas
- ainda mais animação de rua
- sessão solene com canto coral e diplomas para vencedores do prémio literário
- e ainda mais actividades radicais
- e ainda mais actividades desportivas
- e ainda mais animação de rua
- mais folclore
- discursos dos parlamentares municipais
- Adelaide Ferreira
Salvo alterações pontuais, é assim há anos e anos e anos. Mesmo numa câmara de esquerda, o 25 de Abril é cada vez mais uma questão de rotina.
- apresentação de um livro
- oferta do livro apresentado acima "aos alunos", talvez aqueles que fizeram os trabalhos acima do livro
- actividades radicais
- actividades desportivas
- animação de rua
- danças sevilhanas e flamenco
- mais actividades radicais
- mais actividades desportivas
- mais animação de rua
- folclore
- fanfarra dos bombeiros
- actuação de bandas jovens
- hastear da bandeira
- arruada da filarmónica
- fanfarra dos bombeiros
- largada de pombos
- corrida da liberdade
- ainda mais actividades radicais
- ainda mais actividades desportivas
- ainda mais animação de rua
- sessão solene com canto coral e diplomas para vencedores do prémio literário
- e ainda mais actividades radicais
- e ainda mais actividades desportivas
- e ainda mais animação de rua
- mais folclore
- discursos dos parlamentares municipais
- Adelaide Ferreira
Salvo alterações pontuais, é assim há anos e anos e anos. Mesmo numa câmara de esquerda, o 25 de Abril é cada vez mais uma questão de rotina.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Portimão e o Bloco
Um comentário do Hélder, ali em baixo, despertou-me uma curiosidadezinha de modo que fui verificar quão bom foi de facto o resultado do Bloco em Portimão. Pois bem: não só foi o melhor resultado do Bloco no Algarve, como só houve 11 concelhos no país todo em que o Bloco teve melhores resultados. Quase todos da Grande Lisboa, em especial na Margem Sul (distrito de Setúbal), mais a Marinha Grande e o Entroncamento, onde o Bloco teve o melhor resultado a nível nacional. A seguir, em 12º lugar, veio Portimão.
Quem deve estar radiante a estas horas é o Fernando Gregório...
Quem deve estar radiante a estas horas é o Fernando Gregório...
domingo, 20 de fevereiro de 2005
Mas que noite tão linda!
E, além de tudo o que vocês já sabem, a gigantesca varridela que o povo português deu nesta extraordinária direita que nos caiu em rifa (extraordinária de incompetente e idiota, claro), olhem aqui uns dados que me dizem mais directamente respeito (e que já são definitivos):
- Portimão (freguesia): 3º BE - 9,41%
- Portimão (concelho): 3º BE - 9,42%
- Faro (distrito): 3º BE - 7,72%
Ainda está longe, mas está mais perto. Muito mais perto!
- Portimão (freguesia): 3º BE - 9,41%
- Portimão (concelho): 3º BE - 9,42%
- Faro (distrito): 3º BE - 7,72%
Ainda está longe, mas está mais perto. Muito mais perto!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005
Evangelismo de burlões
Esta é boa para o Diário Ateísta...
Hoje, na sequência da descoberta do Blogs de Portimão deu-me para fazer uma buscazita pela net a ver o que se encontrava sobre a minha terra e encontrei um magnífico exemplo do nível de aldrabice que parece comum entre aquilo a que se costuma dar o nome de "pastores evangélicos".
Nesta página divulgam-se cartas que "pastores missionários" enviaram para a "Igreja Evangélica / Assembléia de Deus" de Tabuaté, São Paulo, Brasil. Um desses "missionários" resolveu vir missionar para Portimão e eis alguns excertos da sua carta:
300 mil?! O Algarve todo tem 400 mil habitantes. Mas que importa isso? Como justificar a presença de 15 "irmãos abençoados" numa cidade com 40 mil habitantes sem inflacionar quase dez vezes esse número?
Mas continuemos:
Já se estão a rir? Esperem, há mais:
E aqui temos o fulcro da questão: o pedido de 1200 dólares por mês e por cabeça para cuidar das alminhas de um milhão de pecadores. Sim, porque toda a gente sabe que abaixo de 1200 dólares por mês se passa fome de cão preto no Algarve, e que o diga quem ganha o salário mínimo (uns 400 dólares, mais coisa, menos coisa), que é uma boa parte das pessoas que trabalham em funções não qualificadas.
E assim temos um burlão chamado Pastor Ivaldo Luiz da Conceição a missionar a 40 mil habitantes e 960 mil fantasmas enquanto enche a conta bancária com 1200 dólares por mês, mínimo. A princípio até é divertido ver este escroto a roubar descaradamente a sua própria igreja, mas o divertimento depressa se esfuma quando nos lembramos de que o dinheiro da "Assembléia de Deus" vem directamente dos bolsos de todos os palermas que acreditam piamente nas patranhas desta gente. Palermas esses que até costumam ser pobres, sofredores e cumpridores com as obrigações do dízimo, atirando janela fora dinheiro que muita falta lhes faria para outras coisas infinitamente mais úteis.
Mas a fraude compensa. Oremos, irmãos.
Hoje, na sequência da descoberta do Blogs de Portimão deu-me para fazer uma buscazita pela net a ver o que se encontrava sobre a minha terra e encontrei um magnífico exemplo do nível de aldrabice que parece comum entre aquilo a que se costuma dar o nome de "pastores evangélicos".
Nesta página divulgam-se cartas que "pastores missionários" enviaram para a "Igreja Evangélica / Assembléia de Deus" de Tabuaté, São Paulo, Brasil. Um desses "missionários" resolveu vir missionar para Portimão e eis alguns excertos da sua carta:
[...] Temos aqui um grupo de uns 15 irmaos abençoados. estamos estruturando a igreja primeiro para depois iniciar um trabalho de evangelismo em massa. Portimao é uma cidade de uns 300 mil habitantes
300 mil?! O Algarve todo tem 400 mil habitantes. Mas que importa isso? Como justificar a presença de 15 "irmãos abençoados" numa cidade com 40 mil habitantes sem inflacionar quase dez vezes esse número?
Mas continuemos:
é um grande desafio para o evangelho, e pelo fato de ser uma cidade turistica ( litoral ) nesta é poca do ano a populaçao chega a casa de um milhao de habitantes.
Já se estão a rir? Esperem, há mais:
Este fator faz com que o custo de vida aqui seje a Lisboa (capital) e Porto (segunda maior cidade). Portanto o mínimo para se viver aqui e 1200 dólares. Ore por nós!
E aqui temos o fulcro da questão: o pedido de 1200 dólares por mês e por cabeça para cuidar das alminhas de um milhão de pecadores. Sim, porque toda a gente sabe que abaixo de 1200 dólares por mês se passa fome de cão preto no Algarve, e que o diga quem ganha o salário mínimo (uns 400 dólares, mais coisa, menos coisa), que é uma boa parte das pessoas que trabalham em funções não qualificadas.
E assim temos um burlão chamado Pastor Ivaldo Luiz da Conceição a missionar a 40 mil habitantes e 960 mil fantasmas enquanto enche a conta bancária com 1200 dólares por mês, mínimo. A princípio até é divertido ver este escroto a roubar descaradamente a sua própria igreja, mas o divertimento depressa se esfuma quando nos lembramos de que o dinheiro da "Assembléia de Deus" vem directamente dos bolsos de todos os palermas que acreditam piamente nas patranhas desta gente. Palermas esses que até costumam ser pobres, sofredores e cumpridores com as obrigações do dízimo, atirando janela fora dinheiro que muita falta lhes faria para outras coisas infinitamente mais úteis.
Mas a fraude compensa. Oremos, irmãos.
Olha que bela ideia...
Olhem só o que deu à costa aqui da Lâmpada: um blog-listagem dos blogs de Portimão. É uma bela ideia: depois da falência das tentativas de manter listagens semelhantes de nível nacional, uma rede de listagens cidade a cidade pode resolver o problema. Haja é quem as crie e mantenha. É que este tipo de coisa é necessária: basta dizer que dos blogs da minha terra listados até agora eu não conhecia nenhum. E, olhando para os perfis Technorati de cada um deles, quer-me parecer que eles também não se conheciam uns aos outros. A visibilidade dos novos blogs no meio da cacofonia é nula.
(E acho que começo a mudar de opinião relativamente ao Technorati. É verdade que dei por este blog via Truefresco, mas também é verdade que o Technorati também já o tinha topado...)
(E acho que começo a mudar de opinião relativamente ao Technorati. É verdade que dei por este blog via Truefresco, mas também é verdade que o Technorati também já o tinha topado...)
segunda-feira, 13 de setembro de 2004
Chegou a guerra a Portimão!
Ah, não. Afinal é fogo de artifício. Ganda pinta! Morteiros à 1 da manhã!
sábado, 24 de julho de 2004
Derrete-se
Acabei de saber, via SIC Notícias, que temperatura esteve hoje em Portimão. 42 ºC.
Os duendes que mandam no tempo não se enganaram, não? Essa encomenda não era para a Amareleja, por acaso? Confiram lá o endereço, se faz favor. É que isto assim, de repente, sem avisar, é demasiado violento.
Safa!
Os duendes que mandam no tempo não se enganaram, não? Essa encomenda não era para a Amareleja, por acaso? Confiram lá o endereço, se faz favor. É que isto assim, de repente, sem avisar, é demasiado violento.
Safa!
sábado, 16 de agosto de 2003
Parece que acabou. Terá acabado?
Parece que o pesadelo acabou. Pelo menos, acabou num por enquanto ainda fumegante — a ver vamos o que acontecerá quando as temperaturas voltarem a subir, já no início da próxima semana.
Agora, aqui na cidade que teve fogo a norte e a oeste, mas nunca esteve sequer vagamente ameaçada, chegou a hora de varrer as cinzas. No terraço de minha casa fui encontrar duas folhas de eucalipto calcinadas mas ainda inteiras, por entre uma camada de cinzas variadas que enegrecem o chão. Voaram pelo menos 10 km até chegar cá. Acho que vou guardá-las de recordação.
Não que precise de lembretes para reavivar a memória destes dias...
Agora, aqui na cidade que teve fogo a norte e a oeste, mas nunca esteve sequer vagamente ameaçada, chegou a hora de varrer as cinzas. No terraço de minha casa fui encontrar duas folhas de eucalipto calcinadas mas ainda inteiras, por entre uma camada de cinzas variadas que enegrecem o chão. Voaram pelo menos 10 km até chegar cá. Acho que vou guardá-las de recordação.
Não que precise de lembretes para reavivar a memória destes dias...
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