terça-feira, 27 de dezembro de 2005

LOLada

LOLada

É só rir, este delirante gozo que se faz, à esquerda, à caricatura que a direita faz da esquerda. Perceberam? Se sim, vão lá ler. Se não, vão lá ler.

sábado, 24 de dezembro de 2005

Spam natalício

"Hottest Free Porn! Over 1000+ Galleries Of Hot Chicks Updated Daily unique."

As tretas que circulam pela internet

Há uns dias, recebi de uma amiga minha um daqueles emails pretensamente informativos que circulam pela internet, de forward em forward, por obra e graça da benevolência dos forwarders. Reproduzo-o aqui em baixo, textualmente:

O diplomata norueguês Charung Gollar, foi incumbido de apresentar, na ONU,
no mês passado, um gráfico mostrando os principais problemas que
preocuparam o mundo no decorrer de 2004...

Apresentou uma série de oito gráficos, entitulada 'O Poder das Estrelas'...

Foi aplaudido de pé!

E seu trabalho foi indicado a concorrer para o prémio Nobel em Marketing
Político...
Vejam os gráficos!"


Os gráficos de que aqui se fala são aquelas imagens de bandeiras que acho que já toda a gente conhece, em que cada cor da bandeira representa a percentagem de qualquer coisa relativa ao país em questão. Fazem parte do pacote, pelo menos, as bandeiras dos EUA, da Somália, do Brasil (sem a lista da "Ordem e Progresso") de Angola e do MPLA (esta, erradamente, no lugar da do Burkina Faso, da qual difere apenas na cor da lista de baixo, preta no MPLA, verde no Burkina), da China, da Colômbia e da União Europeia. Todas elas têm, logo por baixo da legenda onde é explicado o significado de cada cor, o logotipo da Grande Reportagem, o que deveria fazer pensar quem divulga o email. Seria estranho, no mínimo, que um "diplomata norueguês" (e que raio de nome é Charung Gollar?) apresentasse "na ONU" uma "série de oito gráficos" com o logotipo da Grande Reportagem. Também a menção a um fantasmagórico "prémio Nobel em Marketing Político" deveria fazer pensar os apressados do forward. Mas aparentemente não faz.

Sim, o email que recebi é uma patranha de principio ao fim. Os gráficos foram elaborados por uma empresa publicitária portuguesa para promoção da revista Grande Reportagem, pretendendo fazer passar a mensagem de que a revista vai mais fundo na busca de informação e é criativa na sua entrega ao consumidor. De facto, a ideia é extraordinária, e é verdade que a campanha foi premiada lá por fora, mas é tudo produto nacional. Não há nela envolvido nenhum diplomata norueguês nem organização internacional alguma. Mas não deixa de ser curioso (e um pouco triste) que o mentiroso tenha decidido que a história teria mais credibilidade assim, e que as pessoas se predispusessem a reenviá-la umas às outras desta forma, mesmo com as flagrantes inconsistências nela contidas.

É nestas pequenas coisas que se revela a incapacidade de um povo em lidar consigo próprio, especialmente quando isso significa dar crédito aos seus membros que fazem as coisas bem feitas. É nestas pequenas coisas que se revela com mais clareza a forma como este povo se condena a si mesmo à mais absoluta mediocridade.

Nestas pequenas coisas e nos políticos que elege.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

País novo

Depois de muito tempo em que os visitantes que cá vieram dar chegaram todos de países relativamente comuns, eis que surge, finalmente, uma novidade. A Grécia. Mais um para a conta da UE.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Marcelo

Estou neste momento a assistir à mais descarada campanha eleitoral cavaquista que vi nos últimos tempos na televisão. Descarada porque clara mas não assumida. O homem fala querendo parecer imparcial mas de imparcial não tem nem uma pestana. Um bocadinho asqueroso, convenhamos...

Este fim de semana decidi o meu voto

É verdade: andava indeciso. Como, imagino, tantos outros eleitores que sabem perfeitamente que nunca na vida votariam Cavaco mas têm dúvidas sobre a qual dos outros candidatos será melhor dar o voto na primeira volta, também eu olhava para os quatro candidatos de esquerda e só me vinham dúvidas à cabeça.

Não me apetecia votar no Soares porque, sinceramente, e que me perdoem os defensores do tabu etário, me parece que está velho demais para quatro anos de presidência. Bem sei que ele sempre foi um pouco assim, que as gaffes soaristas fizeram a seu tempo escola no anedotário nacional, mas dá-me a sensação de que a coisa se agravou bastante nos últimos tempos. Que ele esteja óptimo para a idade, que está, não invalida que o óptimo para a idade seja bem diferente do óptimo.

Não me apetecia votar no Alegre porque desconfio de toda aquela grandiloquência, do uso e abuso da palavra "pátria" que tanto me soa a nacionalismo bacoco à velhíssima e asquerosíssima moda da extrema-direita. Bem sei que o homem foi um lutador anti-fascista de relevo, que está fortemente ligado à história da democracia portuguesa, mas que certas coisas, mesmo assim, me causam calafrios, isso causam.

Não me apetecia votar no Jerónimo porque não acredito no Jerónimo. O Jerónimo é um líder com aquele carisma que o Cunhal também tinha para dar e para vender e que o Carvalhas nunca teve, mas não me parece que tenha alguma coisa para além disso. Parece-me inconsistente, com pés de barro, pronto a desmoronar-se à primeira rajada de vento, transformando-se numa simples pilha de chavões vazios de significado.

E não me apetecia votar no Louçã porque não me agrada a tendência recente no Bloco de Esquerda de centrar tudo no Louçã. Ele é eleito líder num partido que se destacava dos outros precisamente por não ter um rosto único a personificar a liderança, ele é candidato a presidente da república, ele é, ele é, ele é. Soava-me demasiado a alguns velhos tiques (também bastante arrepiantes, certamente) de algumas das forças que se uniram para formar o Bloco e não me apetecia mesmo nada incentivar a tendência.

Mas, por outro lado, qualquer deles é infinitamente melhor que o Cavaco. Qualquer um. O Cavaco é o vazio absoluto, um homem sem ideias, um péssimo economista que cometeu a proeza, quando foi primeiro-ministro, de desbaratar milhões e milhões de contos de fundos comunitários em investimentos de segunda linha e elefantes brancos do regime quando aqueles que importava realmente fazer, aqueles que realmente são fundamentais para o nosso futuro enquanto país (os investimentos na qualificação do nosso capital humano) foram completamente menosprezados, o homem cujos governos, por pura incompetência, por coisas tão simples como não terem os projectos prontos dentro do prazo, deixaram por aproveitar milhões de contos de fundos comunitários, o homem que gerou boa parte das condições que levaram à crise que hoje vivemos, quer por acções próprias, quer por não ter sabido ou querido agir de forma correcta quando era tempo disso.

E um homem que hoje se apresenta como se fosse D. Sebastião, saído do nevoeiro da semi-inactividade política para convencer as pessoas de que vai devolver a Portugal a grandeza de outrora, tentando com isso capitalizar em cima da mais profunda de todas as causas do nosso atraso, o sebastianismo, com uma estratégia planeada há muito mais de um ano, apesar dos tabus e das meias verdades (e de uma mentirinha aqui e ali também, já agora) com que foi tentando esconder que ia ser candidato. Sempre que hoje cita a sua autobiografia (e fá-lo muitas vezes) está a admitir que ela é parte de uma estratégia mais vasta destinada a vingar a derrota de há dez anos.

Hoje, Cavaco apresenta a sua condição de economista como trunfo político, dado o país estar em crise económica, e dado que durante o seu mandato Portugal melhorou a maior parte dos indicadores socio-económicos. O que não diz é que com os rios de dinheiro que nos chegavam nessa época de Bruxelas qualquer outro primeiro ministro teria feito melhor, investindo menos em cosmética mas lançando as fundações para que hoje não estivéssemos na triste situação em que nos encontramos.

E isso ficou inteiramente claro no debate Cavaco-Louçã. Louçã arrasou por completo o antigo presidente do PSD, ganhando-lhe por KO não só em temas de política geral como na sua própria capelinha económica, trazendo a nu ignorâncias chocantes em alguém que quer ser presidente da república (propor legislação ao parlamento?! Desde quando é essa uma competência do presidente? Ou ignorar que certas leis estão aprovadas e em vigor ou que determinados estudos estão feitos?! Poupem-nos! Este país não está em condições de ter como presidente alguém tão impreparado!), levando-o a atrapalhar-se, a titubear, a gaguejar, a enlear-se em respostas evasivas que não respondiam a nada.

Louçã, aquele candidato que, segundo as sondagens, é o quinto nas preferências dos portugueses, mostrou que está incomparavelmente mais preparado para ser presidente do que Cavaco. Julgo até que é, entre os candidatos da esquerda, aquele que seria melhor presidente. E, sem sombra de dúvidas, é aquele que, na área do BE, pode mais eficientemente enfrentar Cavaco no seu próprio terreno. Onde se comprova que a escolha do candidato foi acertada. E assim se põe ponto final nas minhas dúvidas.

Vou votar Louçã, confiando que ele foi escolhido não por ser o líder mas sim por ser, no Bloco, o melhor antídoto ao Cavaco. E espero — sinceramente tenho esperança — que este povo tenha a inteligência suficiente para compreender que Cavaco não irá resolver rigorosamente nada e, pelo contrário, poderá contribuir para perpetuar o nosso atraso.

Tal e qual como já fez no passado.

sábado, 10 de dezembro de 2005

Waterworld

Aqui está um filme inacreditável.

É inacreditável como um filme pode ser assim tão mau.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Acontecimento de transcendental importância

Daqui a uma hora, ou lá o que é, um grupo de homens vai meter as mãos dentro de uns quantos potes e tirar de lá algumas bolas. Parece que isso vai ser decisivo não sei para quê. Transcendente, mesmo. Acho bem.

(bocejo)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Como identificar um burro

É bastante simples. Se se trata da variante zoológica, basta olhar: se for equino, cinzento e tiver umas grandes orelhas e um ar robusto, está visto. Se mesmo assim persistir a dúvida, basta atentar ao comportamento: se empancar num certo sítio sem motivo aparente e daí não se mover nem que chovam pedras e lâminas de barbear, e se depois, de novo sem qualquer motivo, se puser a andar, então está mais que claro que o animal pertence a essa peculiar espécie asinina que tantas referências deu ao nosso consciente colectivo.

Se for da variante sociológica é mais complicado. Esse tipo de burro disfarça-se bem. Passamos por eles na rua sem nos darmos conta de que por nós passa zurrante jumento, embora alguns sinais forneçam pistas que ao fim de algum tempo aprendemos a detectar. Um certo olhar parado e sem vida. Uma certa apetência pelas últimas modas. Um certo ar de pasmo perante o mundo, por vezes escondido por trás de uma máscara de tédio blasé. Um algo difícil de pôr em palavras, mas que mesmo assim nos deixa a certeza: ali vai um burro.

E tal como acontece com os seus equivalentes de quatro patas, também as dúvidas relativas aos burros de duas se dissipam quando lhes damos acesso à palavra, seja oral, seja escrita.

Nos blogues, esse tipo de burro gosta de se passear pelas caixas de comentários, assinando comentários agressivos quase sempre com nome falso, à procura de causar uma reacção qualquer, em busca daquela satisfação patética de ter alguém neste vasto mundo a prestar-lhes um minuto de atenção.

Eu agora tenho por cá um. Começou com uma opinião sobre um álbum do Jiro Taniguchi que não me agradou. Nem disse que não prestava, note-se. Nem disse que era uma porcaria. Disse apenas que não me agradava, o que é uma expressão de gosto pessoal perfeitamente assumida. Mas mesmo assim, o burro sentiu-se atingido na sua fascinação cega pelo desenhador nipónico. Deixando o comentário não no post sobre o Taniguchi mas junto do pobre fanzine Phantastes, que não tem nada a ver com o assunto, coitado, o burro ordena-me que leia isto e aquilo "e depois venha cá escrever", como quem grita do alto do seu talibanismo "o menino cale-se imediatamente, que falar mal do Profeta é blasfémia". Logo a seguir, sem sequer compreender que a minha opinião pessoal se limita a um álbum e que nela não disse rigorosamente nada sobre o que quer que seja para além desse álbum específico, o burro lança a fatwa: "depois de teres lido estes dois livros, pelo menos, então podes criticar o homem", como quem diz que "és um ignorante e não sabes nada de nada". Os burros são assim: não percebem as coisas. Confundem-se. As correntes de ar que correm dentro das suas cabeças arrastam os pensamentos confusos que vão brotando dos seus cérebros pouco férteis e baralham-nos todos. Atrapalham-se. Trocam opiniões sobre um livro com críticas ao homem que o desenhou e respondem às primeiras como se das segundas se tratassem.

E chegados a este ponto, claro, temos o burro identificado com tanta certeza como se fosse quadrúpede, orelhudo e cheirasse mal. E é escusado tentar qua a criatura se mova. Não vale mesmo a pena: à semelhança dos quadrúpedes seus semelhantes, estes asnos de duas patas quando empancam não se movem um milímetro. Para ele, eu não estar disposto a ser criticado por aquilo que não escrevi (uma crítica ao Taniguchi) é sinal de que sou "um miúdo", "sem maturidade democrática" (o burro vê debates na televisão e apanha uns chavões), "virgem ofendida" ou "geniozinho". O burro acha que tem o direito de impedir que eu no meu blogue escreva precisamente o que me dá na real gana e ordena-me que "aceite os comentários e acabou". Que o blogue seja meu, que por isso seja eu o único responsável pelo que nele se escreve e que exista uma coisa chamada liberdade de expressão não lhe entra no microcéfalo. A única coisa que vê é que alguém se atreveu a não se espojar em reverência perante Sua Santidade Taniguchi, "o homem que mete o Moebius num bolso e que dá lições de BD e de humanidade absolutas". Para o burro só se pode falar do seu pequeno deus se for para dizer "amen" e "oremos irmãos". Para ele, as opiniões que não sigam a ortodoxia devem ser suprimidas. Por vontade dele, fechava-me o blogue, dava-me uma tuna de porrada e enfiava-me numa masmorra.

Isto tudo é fundamentalmente patético e dar-me-ia vontade de rir se não fosse um pequeno detalhe: este tipo de pensamento é, por natureza, fascista. E há aqui, misturado à avantajada dose de burrice de que o burro, naturalmente, dá mostras, algo de perturbador, uma maneira de pensar que causa arrepios. Gente desta é perigosa. Podemos e devemos rir-nos dela, mas não convém que nos destraiamos porque se o fizermos um dia acordamos todos a balançar na ponta de uma corda ou encarcerados numa sala sem ventilação e com um tubo cheio de verdete que verte gás.

Lido

Mais uma das minhas leituras intercalares foi o número 5 do fanzine Dragão Quântico, o mais antigo dos fanzines portugueses ligados à ficção científica e ao fantástico (Rogério Ribeiro, 48 p., 2005). Com ficção de Nuno Fonseca, Alberto Figueiredo, João Ventura, João Madeira, João Henrique Silva e João M. S. Silva (deve ser o número dos Joões), não-ficção de Rogério Ribeiro e João Ventura e uma entrevista a Sara e Teresa Costa, é um número cheio de sumo.

Mas...

Mas à excepção de alguns dos contos mais curtos, à excepção da entrevista com as irmãs Costa, cujo site sobre ciação de mundos é interessante se bem que, como elas mesmas admitem, fica (ainda) bastante aquém de algumas coisas que há em inglês e se bem que tenha o enormíssimo defeito de estar optimizado para Internet Explorer e não funcionar a contento com outros browsers (coisa que partilha, aliás, com gente que teria a obrigação de fazer muitíssimo melhor, como a Simetria). Mas divago. Pois à excepção desta ficção, de algumas crónicas e críticas, desta entrevista e, principalmente, de um artigo do João Ventura que, no entanto, eu já conhecia de outros carnavais, o conteúdo deste número pareceu-me muito fraco, muito aquém de outros números do mesmo fanzine. Especialmente no que diz respeito à ficção, e especialmente na ficção mais longa.

Mesmo assim, vale a pena dar uma vista de olhos. As coisas interessantes talvez compensem as que não o são, e, de resto, só lendo a primeira parte de Zuron será possível saber se vale ou não a pena ler a segunda, que deverá sair no número 6.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Lido

Mais uma das minhas leituras intercalares foi o primeiro número do fanzine Phantastes (Telmo Pinto e Tiago Gama, 12 p., 2005), um fanzine de ficção científica e fantástico editado no norte pelo Telmo e pelo Tiago e com presença na internet através do seu próprio blog. A exiguidade das 12 páginas abre, mesmo assim, espaço a ficção por Telmo Marçal, Tiago Gama, Telmo Pinto, João Ventura e Gediminas Kalikauskas e não-ficção por Manuel Freire e Tiago Gama, mas a verdade é que são capazes de ser demasiados autores para tão pouco espaço: os contos são tão curtos que acabam, a maior parte deles, por saber a pouco. Como consequência, há no fanzine um certo sabor a número zero, um número experimental, destinado principalmente a testar águas.

Mesmo assim, esta pequena publicação ficará na história por, julgo, publicar pela primeira vez um autor lituano de FC&F na nossa língua, com o conto que me pareceu o mais bem conseguido de todos, sobre um homem que não tem pés e flutua sobre os tornozelos (ou talvez não).

Parece-me que com experiência e divulgação o Phantastes poderá melhorar bastante no futuro e tornar-se numa publicação a ter em conta.

domingo, 4 de dezembro de 2005

Lido

Outro dos livros lidos nos entretantos é o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2004 (Edições Hiperespaço, 164 p., 2005), de César Silva e Marcello Simão Branco, livro em que eu participo com uma crítica, um artigo pequeno (e muito amputado devido a uma opção dos editores de colar parte do que tinha escrito para ele numa apreciação genérica sobre a literatura fantástica publicada em Portugal) e a recolha de dados sobre a edição de fantástico cá no burgo.

A minha parte ficou prejudicada por alguma falta de informação sobre que tipo de dados e que tipo de apresentação se pretendia para o livro. Houve alguns dados que eu não recolhi e, portanto, sobre os quais não informei os autores, o que levou a que alguns livros tivessem sido colocados em colunas bem distantes da realidade. Para o ano será melhor.

No global, acho que este tipo de volume é muito interessante como material de consulta, em especial para o futuro. Mas mesmo para quem o lê hoje, há ali coisas interessantes, nomeadamente as críticas retrospectivas e algum material de análise do que foi o fantástico e a FC brasileira há algumas décadas.

Pena que como objecto o livro deixe muitíssimo a desejar. Produzido como um fanzine, impresso numa impressora doméstica não muito boa e depois fotocopiado, o livrinho não é nada atraente. É pena que o público de uma obra deste tipo seja tão restrito que, provavelmente, seja esta a única forma viável de o publicar. Pelo menos por enquanto.

sábado, 3 de dezembro de 2005

Que nome se dará a um intelectual miserável?

Lúpen-intelectual? Intelectoproletário? Efeito colateral do liberalismo?

Lido

Estes posts lamparinos sobre o que vou lendo tiveram uma longa pausa, devido a três factores principais: ter coisas bastante chatas na pilha "regular" de livros a ler, a grande quantidade de contos que li (e alguns mais do que uma vez) para a Antologia de Literatura Fantástica e uma avaria no scanner que tornou bastante problemática a obtenção das capas.

Regresso agora, armado de scanner novo, durante algum tempo sem nenhuma capa do lado direito porque estas coisas saíram todas de leituras "intercalares".

Pois bem, um dos livros que li nos entretantos foi O Homem que Caminha de Jiro Taniguchi (Edições Devir, Série Ouro nº 19, 148 p., 2005). É um álbum de banda desenhada japonesa (mangá, portanto) com uma série de pequenas histórias encadeadas pelas personagens e por uma atmosfera bucólica. Não sou grande fã de BD mas gosto muito de algumas coisas: Moebius, Bilal, Astérix quando o Goscinny ainda estava vivo, Calvin & Hobbes... Não foi o caso deste álbum. Estas histórias do Jiro Taniguchi são quase sempre não-histórias, retratos da banalidade envoltos em silêncio (quase não há texto), coisinhas sensaboronas que não me conseguiram despertar o interesse. É um estilo, suponho, e como o efeito foi propositado, até é um estilo bem conseguido. Mas não me agrada.

Às vezes a blogosfera farta

Às vezes a blogosfera farta, com as suas discussões pequeninas, as suas arruaças, os seus pequenos e grandes canalhas, os seus textos distorcidos, seja deliberadamente, porque ao autor convém ganhar uma vantagem de qualquer coisa, seja porque o autor não é, simplesmente, capaz de mais ou melhor. Às vezes a blogosfera farta, enche até ao tutano, sufoca.

Mas doutras vezes, abre a porta a coisas simplesmente geniais. E todo o fartum desaparece como por magia. Deve ser mesmo magia. Ou um abraço de um velho modem anglófono.

Regressamos à América do Sul

... para saudar a última chegada à listinha: a Venezuela. Já tardava!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Vêm em bandos

Falo das novidades em língua portuguesa no projecto Gutenberg. Depois de uma ontem e outra anteontem, chega o dia de hoje e uma mais. Desta vez é o célebre livro de poemas de António Nobre chamado (e quase não havia necessidade de dizer isto) .

Olá, Angola!

Pois é: o primeiro país africano de língua oficial portuguesa a trazer alguém aqui à Lâmpada foi Angola. É a última novidade na minha colecçãozinha.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Joaquim Possidónio Narciso da Silva

O dono deste improvável nome era para mim, até há 5 minutos, um ilustre desconhecido. Agora sei que tentou dar aos ignaros do seu tempo algumas "Noções elementares de archeologia", que acabam de ser disponibilizadas aos ignaros do meu tempo pelo Projecto Gutenberg. Todavia, para este vosso escriba, ignaro também ele, o amigo Joaquim Possidónio Narciso da Silva mantém-se ilustre desconhecido, mesmo que um pouco mais ilustre e um pouco menos desconhecido. Bem-haja, herr Gutenberg.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

A Rússia junta-se ao bando

... de países que já trouxeram visitantes à Lâmpada. Os primeiros 30 são, portanto:

Língua portuguesa:
- Portugal;
- Brasil;
- Macau;

Europa:
- Espanha;
- Itália;
- França;
- Reino Unido;
- Holanda;
- Suécia;
- Suíça;
- Hungria;
- Luxemburgo;
- Bélgica;
- Alemanha;
- Finlândia;
- Noruega;
- Rússia;

América do Sul:
- Chile;
- Peru;
- Bolívia;
- Uruguai;
- Paraguai;
- Argentina;

América do Norte:
- Estados Unidos;
- Canadá;
- México;

Ásia:
- Arábia Saudita;
- Singapura;
- Japão;

Oceania:
- Samoa

A difícil relação entre a direita portuguesa e a verdade

Tão difícil, tão difícil que é quase inexistente. A última cabal demonstração deste facto devo-a ao blog O Insurgente, que ao que parece me citou pela primeira e, provavelmente, última vez a propósito da minha conversa com o Pedro Magalhães sobre a exposição dos candidatos presidenciais nos media. Citaram, abreviada (mas respeitando a maior parte do sentido, honra lhes seja feita neste ponto), a primeira parte da conversa. Mas sobre a segunda (aqui e depois aqui) calaram-se muito bem caladinhos, como se não tivesse existido.

Onde se prova também que a direita portuguesa é igualzinha às outras direitas na utilização sem grandes escrúpulos da mentira mais desbragada.

(A bem da verdade, dado que pelo menos a parte da esquerda a que eu pertenço preza a verdade, tenho de acrescentar que não tenho a certeza absoluta sobre o silêncio: como o sistema de arquivos dos "insurgentes" está configurado de forma muito competente (coffff...) só dá ao incauto leitor oportunidade de ler parte dos posts de cada mês - no caso de Novembro são os de dia 1 ao dia 7. Mas como o único link para a Lâmpada e a única menção ao meu nome, que eu tenha detectado, são os da primeira parte da conversa, julgo que é seguro assumir que a segunda lhes passou "ao lado", para eufemizar um pouco.)

domingo, 27 de novembro de 2005

Há coincidências bestiais, ou mais uma notinha sobre o Gutemberg

Dois dias depois do Jorge Palinhos ter fechado o BdE com este magnífico post, que teve sequência aqui e, imagino, em muitos outros sítios, adivinhem o que acaba de ser disponibilizado na nossa língua no Gutemberg.

Não adivinham?

As Farpas, pois então. As originais, do Eça, o único gajo que conseguia falar da choldra e manter a dignidade.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

O fim do BdE

Acabou-se hoje o Blog de Esquerda, versão dois, revista e aumentada. Não se prevê uma versão três, nem para breve nem para tempos mais longínquos. Era um dos meus blogues favoritos, e o motivo de o ser está liminarmente explicado em posts como este ou este ou este, excelentes todos eles, cada um repleto daquela qualidade mais ou menos intangível que faz um bom post. Ao ler posts destes sente-se que o BdE vai fazer falta ao quotidiano blogosférico. Muita falta.

Mas a verdade é que isto está tudo muito bonito, a malta às tantas farta-se dos blogues e de aturar aventesmas, sejam elas quais forem e estejam onde estiverem, nos comentários ou fora deles, eu sei. Isto de ter uma janela permanentemente aberta para o mundo provoca muitas correntes de ar na vida de um blogger que se preze, já se sabe. E além disso, blogues são como os chapéus do outro: há muitos. E eu, nestes dois anos e meio de blogosfera, já me acostumei de tal maneira a perder alguns dos meus blogues favoritos que agora já só consigo mesmo encolher os ombros e partir à procura de mais, até porque em geral os blogues acabam mas ficam os bloggers. E como um bom blogue está onde está um bom blogger, a perda é sempre muito relativa. Ou quase sempre.

Por isso, meus caros, o que realmente interessa no meio disto tudo, o fulcro da questão, é se o Zé Mário vai ficar só com o Letra Minúscula ou se se vai meter noutro projecto; se o Jorge vai ressuscitar o Cruzes; se o Tchern vai finalmente blogar em casa própria, mesmo que ocasionalmente como é da sua praxe; para onde vai de seguida o Luis, e que me perdoem os donos dos outros nomes que constam do cabeçalho mas ou li muito pouco das vossas blogoandanças (o caso de quatro de vocês, incluindo o irmão menos activo do tandem Silva) ou o que li não me despertou nenhuma vontade de ler mais (o caso do Filipe Moura, que em vez de terminar o blogue com a elegância possível resolveu aproveitar os últimos dias para ajustar contas com os comentadores. Patético).

É só isto que me importa: onde vos lerei a seguir. Porque tenho a certeza quase completa de que vos lerei a seguir. Certo, rapazes?

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Porreiro! Parece que posso ser escritor

Já publiquei umas dezenas de contos e um livro, tenho mais uma série deles inéditos e um romance também inédito mas só agora me foi dada formalmente autorização para ser escritor. E logo pelo João Pedro George!

Descansem: não estou a falar a sério. É só que fiz o teste e obtive 8 + e preponderância de C e D. Descodificando, parece que sou medianamente dotado para a lida das letras, em especial para o seu lado mais sonhador. Ou, como o teste reza, "a meio caminho entre o sonho e a realidade, uma feliz mistura de cinismo e ternura. De Dali à Bíblia; mas também: Baudelaire, Kerouac, Musset, Shakespeare, Sollers, Stendhal.".

Até foi porreirinho. Não gosto é de ver a bíblia metida ao barulho. Vade retro!

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

E agora é a Noruega e... Macau

A colecção continua. Entre ontem e hoje apareceram duas novidades: a Noruega, que torna cada vez mais composta a Europa Ocidental (a oriental é outra conversa), e um dos mais longínquos territórios (parcialmente) lusófonos: Macau.

Aí vão 29.

Igreja exclui homossexuais

É desta que os seminários ficam definitivamente entregues às aranhas...

sábado, 19 de novembro de 2005

Afinal há

Aqui há coisa de um mês, um pouco menos, mandei uma espécie de desafio/desabafo ao Pedro Magalhães acerca do tempo de antena dado pela comunicação social aos candidatos presidenciais. Na altura, dava-me a sensação de que só se falava do Cavaco, e de que mesmo quando se falava dos outros candidatos era do Cavaco que no fundo se falava, e sugeri que seria muito últil que se verificasse como é que a cominicação social estava a tratar os candidatos.

Pois bem, aquela esperança pouco esperançada que eu tinha, afinal, verificou-se justificada. A Marktest, ao que parece, está a fazer exactamente o que eu sugeri: a seguir as emissões noticiosas dos quatro canais abertos, contando o tempo em que cada um é "protagonista".

Os resultados são curiosos, mas não me surpreendem particularmente: surpreende-me um pouco que Louçã e Jerónimo tenham mais tempo de antena do que Soares e Alegre (mas, pensando melhor, nem isso é supreendente - ver à frente), mas não me surpreende que Cavaco se tenha afundado: é que desde que anunciou a candidatura o homem quase não abriu o bico. Antes discutia-se continuamente a eventualidade dele ser candidato, mas a partir daí, quando passaria a ser lógico que se começasse a falar do que ele disse ou dos sítios onde foi (à semelhança dos outros quatro), o homem nem diz quase nada nem vai a quase lugar nenhum, deixando os jornalistas (e até certo ponto os adversários também) mais ou menos "a seco".

No entanto, ainda há algumas coisas que gostaria de saber. Gostaria de saber, por exemplo, o que entende exactamente a Marktest por "protagonista". É-se "protagonista" só quando se aparece no écran, ou também quando o pivot fala de nós? É-se "protagonista" quando o foco dos holofotes está sobre um dos nossos apoiantes e ele fala de nós de forma mais ou menos clara? E quando é de forma mais ou menos velada? E quando Soares fala de Cavaco quem é o "protagonista"? O Soares ou o Cavaco? Ou ambos? Quem é o "protagonista" quando as televisões escolhem, entre tudo o que Louçã diz, a frase "Cavaco não diz nada"?

E também pergunto a mim próprio por que motivo foi escolhido o período de tempo que foi. É que desde 22 de Agosto até hoje houve as eleições autárquicas e uma campanha eleitoral (e uma longa pré-campanha) em que os líderes dos partidos se fartaram de aparecer, por inerência de cargo. E adivinhem quem são os líderes partidários que se candidataram a Belém? Nem mais: Louçã e Jerónimo, os dois mais "protagonistas" entre os "protagonistas". Dá-me a sensação de que aqui estamos a comparar coisas que não são comparáveis, o que é capaz de criar enviezamentos no método e, portanto, nos resultados.

Digo eu, que não faço disto profissão...

A novidade do dia é a...

Finlândia.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Sabia que o português não é oficial nas Nações Unidas?

Sim, o português, apesar de ser uma das 10 línguas mais faladas do mundo, uma das 4 que são faladas em todos os continentes, uma das línguas universais do planeta, não é língua oficial das Nações Unidas. Há agora uma petição para fazer pressão para que essa injustiça seja solucionada. Eu já assinei.

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Cá está a Argentina

... na minha colecção. Por este andar, a América do Sul vai ser o primeiro continente a ficar completo, o que não é de surpreender, dada a semelhança da língua castelhana com a nossa e o baixo número de países que ocupam o continente.

Duvido é que países como o Suriname ou a Guiana marquem presença em breve.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

O Japão é...

A última novidade na lista dos países que já cá trouxeram gente à Lâmpada...

Uma antologia que toma forma

Quem se interessa por ficção científica e pela literatura fantástica em geral, quem se interessa pela FC e pelo fantástico feitos em português, quem não se interessa mas é curioso e tem um espírito aberto, quem gosta de ler, quem não perde uma boa história, deve ir acompanhando o que se vai passando no Antoloblogue.

Shit!

E lá se foi (ou se irá, que a coisa só acaba mesmo no fim do ano) a SciFiction... Claramente uma das melhores, se não a melhor, edição electrónica de ficção científica em língua inglesa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Samoa, pá, Samoa!

É o mais recente cromo a chegar à minha colecção de países que tomaram contacto com a Lâmpada nos últimos tempos. Samoa. Lá nos antípodas, no calor coralino do Pacífico, que inveja!

E também o Paraguai... a América do Sul vai-se compondo.

O Herculano está na moda

... pelo menos no Gutemberg. Agora foram disponibilizados os Opúsculos. Isto é: o Tomo VII dos ditos.

Fabuloso

É verdade que o tema do envelhecimento extraordinário já está um bocado batido. Mas que se lixe!

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Olha os belgas... e os alemães... e os uruguaios

É a colecção de países a ultrapassar os 20. Ou a atingir os 22. Mesmo que provavelmente muita desta gente seja na realidade portuguesa (ou de língua portuguesa), emigrada lá por fora. A lista completa é agora a seguinte:

Língua portuguesa:
- Portugal;
- Brasil;

Europa:
- Espanha;
- Itália;
- França;
- Reino Unido;
- Holanda;
- Suécia;
- Suíça;
- Hungria;
- Luxemburgo;
- Bélgica;
- Alemanha;

América do Sul:
- Chile;
- Peru;
- Bolívia;
- Uruguai;

América do Norte:
- Estados Unidos;
- Canadá;
- México;

Ásia:
- Arábia Saudita;
- Singapura

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Colecção, novidades

Um par de novidades na minha colecção de países. Na América do Norte (e Central e Caraíbas) apareceu pela primeira vez o México; na Europa já cá canta o país mais rico e o que tem a segunda maior percentagem de portugueses: o Luxemburgo.

sábado, 5 de novembro de 2005

Google BlogSearch ataca de novo

Desta vez deu para eu encontrar um blog de uma fã de FC e fantasia que, no entanto, pelo menos a ajuizar pelos links, não conhece (ou no mínimo não se relaciona com) nada do que existe em língua portuguesa ligado ao género. A única referência que vi foi uma lacónica nota sobre o programa do Fórum Fantástico lá no fundo da página. É qualquer coisinha mas o diminutivo é inevitável.

Como a Escalla deve haver muita gente por aí. O desafio é, evidentemente, fazer com que esta malta se interesse pelo que nós fazemos, em lugar de passar a vida de olhos postos exclusivamente no que os outros fazem. Nada contra o ter os olhos postos no que os outros fazem. Mas exclusivamente?

Para isso só pode haver um caminho: fazermos as coisas bem feitas e divulgá-las convenientemente. La Palisse. Mas, pelos vistos, difícil como o raio.

Gutemberg de novo

FInalmente! Um livro que eu esperava há uma série de tempo, o Tomo II das Lendas e Narrativas de Alexandre Herculano. Por enquanto só em .TXT, provavelmente não demorará muito tempo até aparecer uma versão PDF. O primeiro volume já a tem.

Há uma palavra que explica

Há uma palavra que, sem explicar tudo, explica muito do que se tem vindo a passar em França nos últimos dias. Essa palavra é:

Gueto.

Mais uma história bestial do Bandeira

Aqui. Mete glândulas, universo, ministro das obras públicas, túneis e velhos sábios envolvidos em velhas buscas. Leiam, leiam!

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Colecção, país novo

Depois de uns dias sempre com os mesmos países a aparecer nas listas (Portugal, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França e Suíça, basicamente), eis que surge um novo, na América do Sul: a Bolívia.

domingo, 30 de outubro de 2005

Colecção, terceiro dia

Mais novidades, poucas, na Europa: Suécia e Suíça. E vão 15.

Literatura fantástica é o quê, afinal?

Pois, é uma grande interrogação.

Entre quem se move mais ou menos por ela, seja como leitor, seja como produtor, mas não faz parte dos círculos académicos - ou seja, entre gente como eu -, tende-se a utilizar o termo "fantástico" como uma espécie de toldo genérico no qual cabem todos os géneros e subgéneros que lidam primariamente com o imaginário: a ficção científica, a fantasia, o maravilhoso, o realismo mágico, até o surrealismo, etc. No entanto, para a academia o termo tem um significado bem diferente, referindo-se a um tipo muito específico do "nosso" fantástico.

Se tiverem interesse em saber um pouco mais sobre o assunto, podem por exemplo dar uma vista de olhos a este post de um blog brasileiro que acabei de descobrir chamado "O Fantástico Mundo da Literatura".

BlogSearch rula!

sábado, 29 de outubro de 2005

Uma esperança sem grande esperança

Espero que alguém (alô Pedro) esteja a contar o tempo de antena que têm tido os vários candidatos à presidência, contando, como é óbvio, com o tempo de antena que é dado aos seus apoiantes quando eles falam dos candidatos. Tenho a certeza de que os resultados seriam extremamente interessantes e mostrariam com clareza cristalina quem é filho e quem é enteado nesta "democracia" mediática que temos.

Colecção, segundo dia

Mais uns cromos. Nenhum na língua portuguesa, mas há novidades na Europa (Holanda), América do Norte (Canadá) e Ásia (Singapura). Quando tiver 10 cromos novos, actualizo a lista.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Breve comentário sobre política internacional

O novo presidente do Irão é um completo atrasado mental.

Início de colecção

O SItemeter tem agora um brinquedo novo e porreirinho: uma espécie de mapa físico da Terra, feito a partir de fotografias de satélite (e usado, este ou outros semelhantes, numa série de programas na qualidade de texturas) onde é indicada a proveniência dos últimos visitantes do site analisado. O máximo é de 100 para a versão gratuita, e 500 para a paga. É mesmo giro.

Usando esse brinquedo, dou hoje início a uma colecção de países aqui na Lâmpada. Vamos lá ver se consigo completar o mapa-mundi, e caso consiga quanto tempo demoro a fazê-lo.

Então, para já, temos:

Lígua portuguesa:
- Portugal;
- Brasil;

Europa:
- Espanha;
- Itália;
- França;
- Reino Unido;

América do Sul:
- Chile;
- Peru;

América do Norte:
- Estados Unidos;

Ásia:
- Arábia Saudita

Amanhã há mais, provavelmente.

Alguém tem por aí 26 mil dólares?


My blog is worth $25,968.84.
How much is your blog worth?



Lá que me faziam um jeitaço, isso faziam...

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Bender

Olhem, meninos, há um óptimo post no Intergalacticrobot acerca da série Futurama e do seu robot mais altruísta (not!), o Bender. Vão lá ler, andem.

Bizarrias do clima

Quem olhasse lá para fora neste momento e visse despenharem-se as cataratas do Niagara dificilmente diria que estamos em seca.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

"Pesquisa histórica inversa"

E é assim, graças ao blogsearch do Google, que topo com mais um blogue que parece ser bastante interessante e que se socorre da ficção científica para dois posts (aqui e aqui) em que reflecte sobre a evolução futura do mundo contemporâneo.

'Tão a ver? A coisa é mesmo porreirinha!...

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Sobre o Glossário da Sociedade da Informação

Há um par de dias ouvi pela primeira vez falar de uma coisa que eu, em princípio, achava utilíssima e que já fazia falta há muito, muito tempo. É que sou, há muito, defensor de que todos lucraríamos com uma adaptação bem feita da miríade de anglicismos que nos têm entrado à martelada na língua por via da informática. Defendo, entre outras coisas, que os brasileiros deviam deixar-se de "mouses" a adoptar o nosso "rato" e que é bom que nós paremos de falar em barbarismos como "dauneloudear" ou "fazer dauneloude" e adoptar o "baixar" brasileiro duma vez por todas.

Hoje, resolvi ir lá ver que tal era, afinal, o novíssimo Glossário da Sociedade da Informação, formal e academicamente disponível aqui (em PDF).

Aparentemente, o glossário junta terminologia bem estabelecida, descrevendo o significado e indicando o equivalente (ou a ascendência) inglês a tentativas de tradução e adaptação de termos que nós teimamos em usar em inglês. Parece bem feito, em geral, mas padece de um enorme defeito que, na minha modesta opinião, irá corroer grande parte da sua eficácia.

Para explicar melhor, deixem-me divagar um pouco. Tudo na minha modestíssima opinião, bem entendido.

Uma das forças da língua inglesa, e um dos motivos por que se presta tanto à penetração noutros idiomas (àparte o poderio comercial de coisas como a música ou o audiovisual) é a facilidade, o à-vontade e mesmo o humor com que integra e desenvolve neologismos ou adapta palavras para tudo quanto surja de novo. "Bit" é simplesmente uma nova palavra que resulta da contracção de "binary digit", o seja "dígito binário". "Byte", por seu lado, significa "mordida" e é um caso de aplicação cheia de humor de uma palavra pré-existente a um novo conceito por via da sua semelhança fonética e gráfica com o neologismo bit. Se fôssemos transpor esta filosofia para o português, ao bit chamaríamos "dib", e ao byte "bibe", ou algo de semelhante (um bibe, afinal, é algo usado pelos putos).

Mas no português não temos essa tradição. Especialmente em Portugal. Tratamos a língua de um modo demasiado sisudo, demasiado sacrossanto, demasiado inflexível na plasticidade que as palavras poderiam ter. A excepção são as camadas mais marginalizadas, onde surgem gírias e termos novos que, no entanto, é raro atravessarem a barreira da exclusão e entrarem no léxico comum, muito menos em léxicos especializados como o informático. O Brasil, nisso, tem a grande vantagem de ser mais aberto à experimentação, mas a verdade é que os resultados são frequentemente catastróficos, porque em vez de se basearem no conhecimento da língua se baseiam principalmente na sua ignorância. O mesmo, diga-se de passagem, aconteceria em Portugal caso por cá arriscássemos mais. Se há coisa que nos une aos brasileiros é o nosso fraco conhecimento da língua que partilhamos.

Além disso, em Portugal há muito quem tenha orgasmos quando consegue complicar o que é simples.

E é assim que no tal glossário que é o tema deste post aparecem termos como "administrador web" (para "webmaster" - e podia ser-se tão criativo com "webmaster"), "análise criptográfica" (para "criptoanalysis" - mas que mal tem "criptoanálise"?!), "barreira de segurança" (para "firewall"), "caixa de envio" (para "outbox"), "centro de atendimento" (para "call center"), etc., etc.

Se repararem bem, todos estes exemplos têm uma coisa em comum. Ou antes: duas. Em primeiro lugar são traduções sem qualquer imaginação. Em segundo, as expressões portuguesas são maiores que as inglesas. E este último facto é quase omnipresente em todo o glossário, com raríssimas excepções.

Ora, como os feitores do glossário tinham obrigação de saber, a língua, especialmente a oral (que é a que realmente interessa), é preguiçosa. Tende a seguir atalhos sempre que os encontra, para poupar tempo e esforço. E é por esse motivo que ninguém dirá coisas como "administrador web" quando pode dizer "webmaster". Só se tivesse de enrolar muito a língua, o que não é o caso (facilmente se pronuncia a palavra "uebmasster"). E é por isso que me parece que este glossário será em grande medida ineficaz. Toda a gente continuará a preferir "email" a "correio electrónico" ou "e-trade" a "trocas comerciais electrónicas" (gah!) por falta de uma alternativa realmente boa. E isso, é uma pena.

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Autarquias, participação e cidadania

O Baeta tem uma interessante, embora curta, reflexão acerca do que significa (ou não) a tomada de posse dos novos órgãos autárquicos na sexta-feira passada e da completa indiferença com que o povo em geral encara essa data.

Pois é. Pois é.

Mas, convenhamos, essas cerimónias são tremendas secas. E eu, que tive de assitir a várias quando era jornalista, bem o sei.

Além disso, o povo alheia-se porque se trata de um acto normal, consequência directa de umas eleições, em que tomam posse exactamente aquelas pessoas que os eleitores escolhem. A tomada de posse é, portanto, secundária. Na verdade, é o acto da vida democrática em que menos importa que haja uma participação popular, ou, até, informação. Seria muito mais importante que as pessoas participassem, assistissem ou procurassem informar-se do que se vai passando nas assembleias municipais, por exemplo. Também são tremendas secas, que se arrastam invariavelmente durante horas e acabam em adiamento de metade da ordem de trabalhos para uma assembleia municipal extraordinária, porque os senhores deputados querem ganhar mais uns cobres, mas ao menos discutem-se aí assuntos relevantes para a vida dos municípios.

Há muita falta de participação cívica nesta terra, é um facto. Mas estaríamos muito bem se toda essa falta se resumisse à indiferença perante tomadas de posse e cerimónias similares e se o povo participasse naquilo que realmente importa.

domingo, 23 de outubro de 2005

E entretanto, no Antoloblogue...

... terminou o prazo de recepção de originais. O blogue passa a estado latente até serem escolhidos os contos que farão parte da antologia, talvez com uma nota sobre o progresso das rejeições de vez em quando.

Eu afinal sempre tinha razão

Aqui há tempos escrevi na Lâmpada que era raríssimo que aparecesse algo em português (novo ou actualizado) no Projecto Gutemberg, e logo surgiram umas quantas obras num espaço de tempo muito curto, como que a contradizer-me. Mas como a verdade sempre vem ao de cima, eis que foi preciso esperar mais de mês e meio para que a língua portuguesa voltasse a aparecer na lista de novidades.

A novidade agora é o tomo segundo dos Opúsculos de Alexandre Herculano.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Muito interessante...

Se gostam de astronomia e astrobiologia, em especial no que nelas diz respeito à possível existência de outras civilizações sob a luz de outros sóis, se consomem ficção científica e gostariam de ter uma ideia mais precisa sobre o que as histórias de aventura espacial têm de cientificamente provável, se gostariam de saber mais antes de saber o que pensar sobre relatos de OVNIs, se sabem inglês, então aconselho vivamente a leitura deste artigo. É muito, muito interessante.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Google, blogs e RSS

Hoje estou muito tecnológico, eu sei, mas tenho de dizer isto.

O serviço Blog Search do Google é um serviço interessante... até ser conjugado com um leitor de feeds (RSS ou Atom). A partir desse momento, passa a ser inestimável.

Para quem não conhece, eu esboço uma explicação. Os feeds são conteúdos codificados de uma maneira especial, chamada XML (eXtended Markup Language), que são gerados automaticamente pela maioria do software de blogging e também por outros gestores de conteúdos. Não têm grande utilidade imediata, mas através de outros tipos de software, os agregadores de RSS, permitem fazer uma série de coisas. O mais comum é servirem para entregar comodamente ao utilizador, assim que sejam publicados, os conteúdos dos sites (blogues e outros) que publicam feeds, sem que esses utilizadores sejam forçados a ir de facto aos sites verificar o que há de novo e se há alguma coisa de novo.

Ou seja, desde que instalei o agregador em vez de perder uma hora por dia a verificar um a um todos os blogues na minha lista de favoritos, ponho o agregador a verificar as novidades e depois gasto alguns minutos a passar os olhos por elas e só vou aos blogues quando e se há alguma coisa que me interessa mesmo. Mantenho-os debaixo de olho, mas gasto com eles muito menos tempo. A eficiência é muito maior. E quem diz blogues diz fóruns, sites noticiosos, etc.

O reverso da medalha é que passei a frequentar muito menos aqueles blogues que optaram por não publicar um feed ou que não têm o feed funcional. Alguns dos blogues que tenho linkados ali à esquerda são desses. Pouco tenho seguido o blogue do Miguel Vale de Almeida ultimamente, por exemplo. Ou o do Cachapa. Ou até o do Luís Filipe Silva.

E agora, surge o Blog Search. O Blog Search, à primeira vista, parece apenas um serviço de busca destinado a blogues, mas aqueles links que tem na parte de baixo da página transformam-no em muito mais do que isso. Porque o Blog Search permite assinar um feed personalizado com qualquer busca que se pretenda fazer, ou seja, permite que eu, aqui em casa, saiba quase no mesmo momento quem e onde publicou o quê sobre qualquer assunto que me interesse, mesmo em blogues cuja existência ignorava por completo. Basta escolher bem os termos da busca, organizá-los não por relevância (o Google tem umas manias com a relevância e perde-se muita coisa) mas sim por data de publicação, escolher poucos ou muitos resultados e assinar o feed.

Eu tenho assinados feeds sobre ficção científica, science fiction e "literatura fantástica", e sei desde já que este post aparecerá dentro de muito pouco tempo em todos eles. Este e todos os outros posts que se façam por essa blogosfera fora sobre o assunto. Tenho descoberto coisas e blogues interessantíssimos, assim.

Mas lá está: o Luís bem pode escrever e escrever e escrever, que como não publica o feed o Blog Search não o detecta. Mete RSS nesse Tecnofantasia, pá. A malta agradece!

Xi!

Houve um tipo que teve a paciência de pegar em alguns milhares de capas de livros e revistas de ficção científica, organizá-las por data de edição e pela tonalidade média da ilustração, e fazer isto.

Há quem tenha muuito tempo livre, realmente!...

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Comentários

Meus caros utilizadores dos comentários. Devo avisá-los de que comentários exclusivamente publicitários, aqui na Lâmpada, são apagados. Liminarmente e sem contemplações. Seja qual for o item publicitado. Entendido?

Portimão e o BE

Este fenómeno é curioso. Verifiquei hoje aqui (cuidado: é um PDF) que no país todo só houve 11 municípios onde o BE teve melhor percentagem, nas eleições para a assembleia municipal, do que em Portimão, e a grande maioria destes municípios pertencem às grandes áreas urbanas. Não me peçam uma explicação concreta, que não sou sociólogo, mas tenho uma ideia. Sempre achei que Portimão era uma grande cidade de pequenas dimensões, isto é, uma cidade pequena (a caminhar para média) com espírito, mentalidade e ambiente de grande cidade, contrastando nesse aspecto com alguns aglomerados urbanos até maiores que, no entanto, mantém uma maneira de olhar para o mundo bem mais aldeã.

Porquê? Não faço a mais pequena ideia. Poderia ser do turismo, mas outras cidades turísticas não mostram esse espírito (pelo menos não o mostram de forma tão acentuada). Talvez tenha a ver com a sua vocação cosmopolita, de porto de arribação de gente proveniente dos lugares mais distantes, que o é, no mínimo, desde que me conheço e conheço a cidade. Talvez venha de um certo espírito mercantil que, tendo embora aspectos bastante negativos, tem uma componente de abertura ao mundo que é profundamente urbana. Talvez seja outra coisa qualquer, algo que eu sou incapaz de identificar. Não sei.

O que sei é que, como todas as cidades, Portimão tem a sua própria personalidade. Uma personalidade de cidade verdadeira. E que as votações obtidas aqui pelo Bloco podem bem ser uma consequência disso.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Portimão, uma cidade decididamente de esquerda

Sempre foi, a verdade é essa, mas nestas eleições essa característica da minha cidade ficou talvez mais clara que nunca.

É que na maior parte dos outros lados quando o PS desce quem sobe é o PSD. O eleitorado flutua ao centro, entre os dois partidos grandes do "centrão", à procura, tantas vezes em vão, de diferenças entre os dois. Em Portimão, não. Em Portimão o PS quase que perde a maioria absoluta mas quem ganha com isso não é o PSD, que desce quase tanto quanto (o PS caiu quase 1600 votos e a coligação PSD-PP-PPM-MPT teve menos quase 1400 votos que a soma do PSD e da coligação PP-PPM de há quatro anos), mas sim a CDU (mais 650 votos e um vereador) e, principalmente, o Bloco de Esquerda, que, embora não tenha repetido o estrondoso score das legislativas, andou lá perto graças a 1200 votos a mais do que há quatro anos. Se continuar a subir, daqui a 4 anos entra na vereação.

Ou seja, em Portimão o eleitorado flutua à esquerda. Nesta cidade o PSD só terá hipótese de ganhar a câmara num dia em que um executivo PS for tão irremediavelmente desastroso que o povo de esquerda prefira votar PSD a deixar continuar a catástrofe. Esteve quase para acontecer uma vez, com o PS a ganhar a câmara por 47 votos e a perder duas das três juntas de freguesia, no estertor do desastre Martim Gracias.

E não só flutua à esquerda, como mesmo com perdas do PS a esquerda avança. Fazendo umas contas, tem-se que as três candidaturas de esquerda arrebanharam mais 300 votos do que há quatro anos, totalizando quase 62% dos votos, ao passo que as direitas perderam esses 300 votos, isto assumindo que a candidatura "independente" é de direita, o que não é, pelo menos, assumido. Mais: a nível do Algarve terá sido Portimão a única boa notícia que os comunistas tiveram, e também para o Bloco Portimão se destaca, com a mais elevada percentagem da região e dois dos 6 deputados municipais com que o partido sai destas eleições cá em baixo (os outros são de Faro, Vila do Bispo, Loulé e Silves, um em cada assembleia).

O reverso da medalha é que também é dos sítios onde as candidaturas menos entusiasmam. É, pelo menos, isso que eu depreendo de uma taxa de participação que não foi além dos 51%. Qualquer dia nem metade das pessoas vota. Ah, e dos brancos e nulos, claro. Juntos, os brancos e nulos somaram 5,5%. Foram mais de 1100 votos. Houve mais gente a deixar o papelinho em branco ou a mandar uma frase célebre do que os que votaram "Independente". Todo o ganho em eleitores nestes 4 anos (cerca de mil novos eleitores) foi parar a este tipo de voto de protesto.

Daria que pensar, se os políticos deste país pensassem.

domingo, 9 de outubro de 2005

Fátima Felgueiras a iniciar o comício comemorativo de vitória

— Povo de Sucupira...

E não fui mesmo lá

Não só pelo que ficou dito abaixo, é bom esclarecer. Também porque estava a chover e porque passei ontem o dia inteiro com febre e uma dor de cabeça ensurdecedora. De modo que, sem grande incentivo à partida, não houve motivação para arriscar uma recaída e enfrentar o mau (bom) tempo. Caso contrário, teria acabado por ir votar, nem que fosse para votar em branco. Não seria a primeira vez.

sábado, 8 de outubro de 2005

Parabéns

Parabéns ao cliente Telepac que chegou ao meu blog num PC equipado com um Windows XP e um Internet Explorer! Foste o 60 000º visitante contabilizado, pá! Ganhaste de prémio o direito a voltar sempre que te dê na telha.

Declaração de provável não voto

Ainda não decidi, mas começa a ser provável que amanhã não me incomode a ir votar, pela primeira vez em muitos, muitos anos. Por uma razão simples: não há em quem votar e nem há qualquer relevância no voto.

O PS, que já ganhou, como de costume em Portimão, mantém-se enredado na sua teia de cumplicidades menos claras com os construtores civis e leva sistematicamente anos a mais para concluir todos os projectos a que põe mãos à obra. Não que eles sejam maus, pelo menos não são todos, mas não é compreensível e dificilmente é desculpável que praticamente tudo o que se começa a fazer nesta cidade demore eternidades a estar pronto, no meio duma série de confusões e trapalhadas que metem quase sempre estudos mal feitos, imprevistos cujas consequências são sempre para pior e nunca para melhor e, em geral, uma imagem de laxismo, incompetência e deixa-andar com custos económicos elevados.

O PSD, que desta vez arranjou um trio de insignificâncias para se armar em coligação (PP, PPM e MPT pouca ou nenhuma expressão têm por cá), tem uma ideia de cidade que iria destruir o pouco de bom que este executivo implantou por cá - alguma actividade cultural, por exemplo, para a qual os alaranjados e penduras não demonstram a mais pequena sensibilidade - e não ia construir nada de satisfatório no seu lugar, muito pelo contrário. Os projectos que apresentaram há quatro anos para a frente ribeirinha eram de pôr os cabelos em pé, com torres a fazer lembrar as Amoreiras espetadas à pressão mesmo junto ao rio, tapando dele o resto da cidade e submergindo uma zona que já tem gravíssimos problemas de trânsito em mais uma onda provável de carrinhos e carripanas. E pelo que tenho lido este ano, a filosofia geral, a maneira de pensar(?), mantém-se.

A CDU reapresenta um candidato que perde sempre, eleição atrás de eleição. Já foi vereador no tempo do Martim Gracias, e pouco ou nada fez para tentar travar os desmandos da mais desastrosa administração camarária que esta cidade já teve, escudando-se na falta de poder de um vereador isolado. Perdeu o lugar de vereador porque o povo da cidade compreendeu, e muito bem, que não estava lá a fazer nada. Mas volta a candidatar-se, provavelmente na esperança que as pessoas não tenham memória.

O Bloco avança com um candidato sem carisma, pouco simpático e com problemas na articulação do discurso. Nunca lá esteve e por isso é uma incógnita o que faria, mas é outro que se candidata ano após ano (julgo, não tenho a certeza, que já era candidato quando ainda havia UDP) e não consegue nunca convencer gente suficiente a dar-lhe a confiança do voto, de modo que não acredito que consiga também desta vez. E andar pela cidade a fazer propaganda de mercedes também não ajuda.

E finalmente a lista "independente", encabeçada pelo presidente da associação do comércio tradicional, um homem que, segundo o PSD, se inscreveu no partido para ser candidato à câmara e avançou com a candidatura dele quando percebeu que não lhe iam fazer a vontade. Um homem com todo o aspecto (e a fama) de ambiciosozinho, daqueles que querem o poder pelo poder e apenas pelo poder. Uma lista de gente que passa a vida a queixar-se da vida, tadinhos dos comerciantes, avassalados pelos mauzões das grandes superfícies, mas que no entanto lá arranjou dinheiro, sabe-se lá onde, para fazer uma campanha mais gastadora e ruidosa do que as dos grandes partidos.

Enfim, um deserto, vazio e seco.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

O Astérix foi traduzido para mirandês

Espera-se com ansiedade uma tradução para algarvio.

Perplexidades P2P

Há algum tempo que tenho o eMule instalado, embora só muito raramente o utilize dado que sou bastante contra a ideia de privar os criadores dos seus meios de subsistência por via da pirataria. Salvo no caso de certas empresas que se aproveitam de posições dominantes no mercado para agir de formas nada éticas. Se uma empresa não age eticamente comigo, não me sinto na obrigação de agir com ela de forma ética. Mas adiante: não é disso que quero aqui falar.

Quero falar é da perplexidade que me causou hoje quando, testando, fui à procura do meu nome na rede P2P do eMule e, surpresa, o encontrei. Não com o livro que publiquei em papel, mas sim com uma antologia que organizei, que publiquei em formato electrónico e que continua disponível gratuitamente para todos os que a queiram descarregar. Aqui.

O que levará alguém a gastar tempos infindos a descarregar via eMule "O Planeta das Traseiras"? Um ebook que está livremente disponível na internet à distância de um par de clicks e de um minuto ou dois? Decididamente, ultrapassa-me.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Trópicos

Choveu, trovejou, relampejou com violência, granizou, e tudo enquanto os veraneantes davam corridinhas em manga curta. Eu, no quintal, desentupia os ralos em tronco nu, e grossas gotas de chuva caíam sobre as minhas costas.

Mas ainda estamos em seca. Isto não foi nada.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Presidenciáveis

Cavaco, Soares, Louçã, Jerónimo e agora Garcia Pereira...

E o Vieira? Eu quero é o Vieira!

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

O animal político II

O que é um animal político? Um personagem de La Fontaine?

O animal político

Toda a gente anda por aí a dizer que o Marocas é um animal político. Só não sei bem é se essa malta põe a ênfase no político ou no animal.

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Como se detecta um americanófilo primário

Fácil: basta ver se ele dá mais importância ao que se passa na América do que em qualquer outro lugar do mundo. Para a detecção ser eficiente e inequívoca, em geral, os tempos de catástrofe são os mais adequados. Por exemplo.

Claro, não há americanófilo primário que resista à comparação do Katrina com o terremoto e tsunami do sudeste asiático. Alguns, os que têm mais vergonha, ainda conseguem fazer alguma distinção entre as duas situações; outros põem-nas em pé de igualdade.

Quando, sendo ambas catástrofes de grandes dimensões, são bem diferentes. O tsunami engloba-se nas catástrofes de carácter global, daquelas que afectam regiões significativas do planeta e modificariam a paisagem mesmo que não existissem estruturas humanas para destruir. Há apenas uma ou duas catástrofes deste tipo por século, se bem que algumas sejam bastante menos espectaculares. Catástrofes planetárias recentes (isto é, dos últimos cento e tal anos) houve o tsunami, e a explosão do Krakatoa, mas também a grande seca do Sahel, em África.

O Katrina é uma catástrofe regional. Em vez de afectar milhares de quilómetros, afectou centenas. Está na mesma categoria das grandes cheias que houve há muito pouco tempo na China (e que mataram quase mil pessoas - mas dessas pouco se falou), dos grandes sismos que houve na Turquia ou no Irão, etc., etc. Catástrofes que são raras mas não tão raras como as globais. Ao longo do último século, houve algumas dezenas de catástrofes desta dimensão, distribuídas por todo o planeta.

A única coisa que o Katrina teve de especial foi ter atingido directamente uma grande cidade (fora de tretas, o olho terá passado um pouco ao lado, mas Nova Orleães foi atingida directamente). Calhou passar por ali. É como se o Vesúvio entrasse em erupção e destruísse Nápoles. Na verdade, uma erupção do Vesúvio seria bastante pior, embora fosse na mesma uma catástrofe regional.

Claro, uma coisa é um desastre, outra uma catástrofe. Os fogos em Portugal e os governos do PSD/PP foram desastres. O Katrina foi uma catástrofe, e como tal uma coisa muito séria, muito grave, e com consequências que se irão prolongar no tempo. Mas compará-lo ao tsunami do sudoeste asiático é coisa que só entra mesmo na cabeça de americanófilos primários.

He he he! Os crentes são um pagode!

«Falácia: tudo o que contradiz a verdade revelada de Deus, não importa quão científico, quão estabelecido ou quão aparentemente consistente e lógico pareça».

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Efeitos secundários da exposição prolongada à ficção científica

Um desses efeitos secundários é a única palavra que não me sai da cabeça ao ver a tremenda tragédia que se vai desenrolando em Nova Orleães:

Ballard.

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Pesos e medidas

Um colono israelita da Cisjordânia matou a tiro três palestinianos e feriu outros dois, alegadamente em protesto contra a retirada da Faixa de Gaza.

E agora a aviação palestiniana vai fazer raids de retaliação a Tel Aviv e Jerusalém para destruir casas pertencentes a conhecidos activistas da extrema-direita religiosa israelita e tentar dar-lhes cabo do canastro enquanto eles seguirem de carro pela marginal de Haifa.

Ah não?

sábado, 13 de agosto de 2005

George Bush's Spin Doctor Speaks

Jovem, sabes inglês? Tens uma ligação relativamente rápida? Ainda tens tráfego internacional por gastar? Então não percas esta página! É... é... não tem descrição: só vendo. E ouvindo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Isto será verdade?

Recebi o seguinte mail, comparando soluções para os aeroportos de Lisboa e Málaga, Espanha:


Áreas:
- Aeroporto de Málaga: 320 hectares,
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.

Pistas:
- Aeroporto de Málaga: 1 pista,
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.

Tráfego (2004):
- Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8%ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.

Soluções para o aumento de capacidade:
- Málaga: 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
- Lisboa: 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade.


Isto será verdade? É que se é verdade, a coisa, que já era grave na situação em que o país está, mais grave se torna.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Quão idiota será preciso ser-se para cair no conto do vigário de um vigarista estúpido?

Todos vocês já conhecem o célebérrimo "nigerian scam", não conhecem? Só para o caso de não conhecerem, trata-se de um esquema, originário da Nigéria, onde um fulano qualquer, invariavelmente próximo do poder político e/ou financeiro de um país qualquer, se propõe dar aos otários lucros fabulosos em troca da intermediação nas trasacções. Trocando por miúdos: o otário é intermediário, os fundos são fornecidos pelo vigarista e o otário fica com uma comissão. Claro que depois nada se passa assim, e para que o negócio avance o otário acaba a desembolsar quantias razoáveis e nunca chega a ver um chavo. Mas como há muita gente estúpida por este mundo fora, e como os canalhas sempre se aproveitaram da burrice alheia, parece que a vigarice dá bom dinheiro, caso contrário nunca duraria há tanto tempo.

Recebo regularmente exemplares sortidos do "nigerian scam" aparentemente vindos das mais diversas partes do mundo, em especial de África e da Europa de Leste. É parte do fluxo habitual de spam, que é quase sempre devidamente enviado para o junk folder pelo filtro de email. Mas de vez em quando há um título que me chama a atenção. Foi o caso de hoje. O motivo? Pela primeira vez envolvia um PALOP: São Tomé e Príncipe.

O vigarista seguia a cartilha habitual. Que era tradutor do antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, patati patata, que se chama Afonso dos Santos, patata patati, que tinha uma proposta de investimentos a fazer-me patati patata blá blá blá blá. Nada de novo. Mas o mais interessante estava reservado para o fim. O nosso inteligente amigo "Afonso dos Santos" achou que era boa ideia terminar o seu email da seguinte forma:

Thanks as I await your response.
Yours Faithfully
Joyce Russell


Quão burro terá de ser o otário para cair nesta?

sábado, 6 de agosto de 2005

... e ainda...

Uma Família Inglesa, de Júlio Dinis.

Isto devia ser sempre assim: bastar eu falar mal e as coisas começarem a acontecer. Infelizmente, por mais que eu diga que o governo é uma porcaria e só faz asneiras, nada muda: o governo continua a só fazer asneiras, seja qual for o(s) partido(s) que lá está.

(olha, ó espírito da contradição cósmica, falei mal. Agora faz favor de me contradizer, sim? O país agradece)

Última hora

Esgotados os bilhetes de comboio para Ferrara e para as outras pequenas cidades do baixo Pó. A CP pondera a criação de pelo menos um comboio especial até à fronteira francesa, mas está a sentir dificuldades na coordenação dos transportes com outros países europeus, que experimentam igualmente um inusitado aumento de viajantes para aquela área do norte de Itália. Os motivos permanecem misteriosos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Raridade no Gutemberg

O que aconteceu hoje no Projecto Gutemberg é raríssimo: a disponibilização de uma obra em português. Coube a honra ao Amor de Perdição, do CCB.

sábado, 30 de julho de 2005

Prioridades

Esperem lá, deixem-me lá ver se percebi bem...

Então parece que um jogo chamado Grand Theft Auto, que premeia os jogadores que roubarem carros, atropelarem transeuntes inocentes, assassinarem polícias, partirem montras, etc., etc., etc., foi banido na Austrália por causa de... cenas de sexo? Que nem sequer estão integradas no jogo propriamente dito?

Quer-me parecer que há alguém que tem um sério problema de distorção de prioridades...

Como será o sistema solar do futuro?

Quando eu andava na escola, uma das coisas de que se falava (muito por alto) era do sistema solar. Por essa altura, já eu tinha lido tudo o que tinha encontrado sobre os planetas, e já sabia que o sistema solar os tinha em número de nove que eram, do mais próximo do Sol até ao mais distante, Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno e Plutão. Sabia também que estes planetas eram muito diferentes uns dos outros, mas que se podiam dividir em dois grandes grupos, os interiores, ou terrestres, e os exteriores, gigantes ou gasosos. Plutão ficava assim meio de lado como uma espécie de patinho feio que não se encaixa em lado nenhum. Sabia ainda que entre Marte e Júpiter, no sítio onde em tempos se tinha teorizado que deveria existir um décimo planeta, havia uma cintura de centenas ou milhares de asteróides. E, claro, sabia que existiam também os cometas.

Mais tarde, com o continuar e aprofundar da curiosidade que sentia sobre o tema, vim a aprender mais coisas. Aprendi, por exemplo, que Mercúirio é quase um irmão gémeo da Lua e que há, em torno de Júpiter, Saturno, Neptuno e da Terra, satélites maiores que planetas, em especial o pequeno e misterioso Plutão. E isso começou a fazer-me alguma confusão na cabeça: é que se ordenarmos os corpos do sistema solar por tamanho não temos nenhuma indicação dos que são planetas e dos que não o são. Faz sentido? Até faz, algum. Mas fica sempre um mas. Querem ver? A lista dos objectos com mais de 1000 km de raio, ordenados do maior para o menor, é (ou era: ver à frente) a seguinte:

- Sol
- Júpiter
- Saturno
- Urano
- Neptuno
- Terra
- Vénus
- Marte
- Ganimedes
- Titã
- Mercúrio
- Calisto
- Io
- Lua
- Europa
- Tritão
- Plutão

Estão a ver? Está tudo misturado.

Depois, aprendi também outras coisas. Aprendi primeiro que os planetas eram todos esféricos, e depois que afinal isso não era bem assim, e que a palavra exacta deveria ser "esferóide", que designa um corpo cuja forma se aproxima de uma esfera mas não é totalmente esférico. É que parece que todos os planetas e satélites maiores são ligeiramente achatados devido à rotação e que os rochosos têm uma forma tornada irregular pelo relevo. A Terra, por exemplo, tem um diâmetro polar cerca de 43 km mais pequeno que o diâmetro equatorial; em Júpiter essa diferença é de mais de 9 mil km. Os asteróides, pelo contrário, são quase sempre coisas irregulares, a que só com grande boa vontade se pode aplicar a noção de "diâmetro", e o mesmo acontece com os satélites mais pequenos dos planetas. Porque são demasiado pequenos e têm gravidade a menos para se tornarem esféricos. São quase sempre assim. Ceres, por exemplo, o maior dos asteróides, é também um esferóide com um raio de quase 500 km e uma diferença entre o diâmetro maior e o diâmetro menor que não chega aos 30 km. E gira em torno do Sol. Porque razão não se lhe chama "planeta"?

Acabei por chegar à conclusão de que se tratava apenas de convenções sem grande relevância científica. Júpiter é muito mais diferente de Mercúrio do que Mercúrio é da Lua ou de Ceres, e no entanto Júpiter e Mercúrio são chamados planetas, a Lua satélite e Ceres asteróide. Plutão é muito mais parecido com alguns satélites do sistema solar exterior, como Tritão ou o seu próprio satélite Caronte, e com objectos do cinturão de Kuiper, como Qoaoar, do que com qualquer um dos outros planetas. E no entanto a ladainha permanece a mesma.

Porquê?

Tradição, conservadorismo, história da ciência. Só isso, nada mais.

Mas agora, parece que as coisas irão acabar por mudar, de uma maneira ou de outra. Foi descoberto lá nas profundezas escuras do sistema solar exterior um corpo que parece ser maior que Plutão e a que foi dado o nome provisõrio de 2003 UB313. Um corpo que gira em torno do Sol e que é maior que um planeta só pode ser chamado planeta. Ou então, é o menor dos planetas que não o é. De uma forma ou de outra, a ladainha irá ter de mudar, e algo me diz que não será a última mudança que ela sofrerá.

Gostaria que a oportunidade fosse aproveitada para uma revolução completa nos critérios que levam um corpo a receber o nome de planeta. Gostaria que o critério passasse a ser apenas a forma. Se um corpo fosse um esferóide, tornado assim pela gravidade e não por uma qualquer coincidência cósmica, deveria ser chamado planeta; se fosse irregular, seria um asteróide. Os satélites também poderiam ser divididos pelo mesmo critério, com satélites planetários por um lado e satélites asteroidais por outro. Acho muito mais simples e genérico, inclusivamente aplicável no futuro a outros sistemas solares. Imaginem, por exemplo, que um dia se descobre um corpo parecido com a Terra, com oceanos e vida e tudo, em órbita em torno de um gigante gasoso. Com que cara chamaremos "satélite" a uma Nova Terra assim?

Desconfio que a revolução não acontecerá. Mas seja como for, algo mudará e pergunto a mim mesmo como estudarão as crianças o sistema solar daqui a, digamos, 50 anos...

sexta-feira, 29 de julho de 2005

A culpa não pode morrer solteira

Mas porque não? Então e se desprezar o casamento como instituição burguesa? E se preferir o amancebamento? E se preferir viver sozinha? E se não gostar de homens? E se for fufa? Tem de se casar à força?

Acho mal!

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Lido

Embora tenha andado a ler mais em inglês do que em português ultimamente (e embora aquilo que tenho lido em português seja principalmente material (ainda?) não editado em livro), lá acabei mais um: O Reino Circular, de Mário Braga (Atlântida, 158 páginas).

Trata-se de um livro pequeno, do tamanho de uma novela, que ataca o totalitarismo da época em que foi escrito (fim dos anos 60) por intermédio de uma alegoria que recorre a um reino fantástico liderado por um rei aparentemente imortal que tudo no reino observa do alto da sua torre de marfim. Como todas as alegorias, esta tem o grande defeito de se tornar previsível muito cedo mas, se descontarmos esse facto, acaba por ser um bom livrinho.

Para substituir a alegoria, uma velha história de aventuras: o primeiro volume de O País das Peles, de Júlio Verne, numa edição já com algumas décadas da Bertrand.

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Mãe fora do hospital

A minha mãe teve uma solipampa que lhe ia dando o badagaio.

Melhor dizer a coisa assim, que com palavras de quatro sílabas até parece divertido. Mas enfim... parece que passou. E a nova doente cardíaca já está em casa a ser medicada.

Obrigado, André.

Mãe no hospital

merdamerdamerdamerdamerdamerdamerda

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Seca

Se alguém duvidar que me preocupo com a seca, basta olhar para o meu carro para perder todas as dúvidas.

terça-feira, 19 de julho de 2005

Arrependei-vos, pecadores, e segui a Verdadeira Palavra!

Acabei de criar a verdadeira e única religião e estou à procura de convertidos e, principalmente, convertidas. Para esse fim, deixo aqui um resumo do meu novo Novo Testamento:

O Novo Testamento segundo Jorge

Para grande surpresa de seu marido, a Virgem Mónica estava grávida. Felizmente, um anjo explicou para Virgem Mónica que seu filho era Luís Cristo, Senhor do mundo, o glorioso cunhado de Deus (e político nas horas vagas). No dia de seu nascimento, os anjos ordenaram que os pastores seguissem o brilho da esmeralda para encontrá-lo. Além disso, três gasosos ornintorrincos vieram trazendo valiosos presentes: calças e panelas. Passado algum tempo, sucedeu que Luís Cristo foi batizado, sendo submergido em mercúrio. Então proferiu o sermão da Turdetânia. No sermão da Turdetânia, Luís Cristo ensinou: Bem-aventurados os zarolhos, pois eles serão os esfomeados; Bem-aventurados são os corrosivos, pois deles será o Reino dos Céus. Luís Cristo também fez muitos milagres, como quando transformou lápis em abóbora durante o casamento de um amigo; também fez um doente recuperar-se com uma simples palavra. Infelizmente, os governantes ficaram muito bravos com a influência de Luís Cristo, e então pisaram e caducaram e fugiram Luís Cristo, que apenas disse: perdoai-os, eles não sabem o que fazem. Mas algum dia ele retornará em glória e magnificência para o julgamento final, então prepare-se! Luís Cristo retornará. O fim está próximo.

domingo, 17 de julho de 2005

Visita ao oftalmologista

Ele, meia-idade, cada vez via pior e por isso resolveu ir ao médico. Veio de lá com uma receita para três pares de óculos: um para ver ao longe, outro para ver ao perto e outro para ver a mulher.

sábado, 16 de julho de 2005

A sortezinha

Há qualquer coisa de sarcástico em ganhar 23 euros num concurso que tinha 81 milhões de primeiro prémio.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

sábado, 9 de julho de 2005

Lido

Mais um livro lido, desta vez um livro de contos e noveletas do autor brasileiro Gerson Lodi-Ribeiro, cujo título é também o título de uma das noveletas que o constituem: O Vampiro da Nova Holanda (Editorial Caminho, colecção Ficção Científica nº 187, 277 páginas, 1998).

É um livro bastante bom, onde se mistura a ficção científica e a história alternativa, se bem que, como é natural, algumas histórias sejam melhores que outras. Uma delas é uma parceria do Gerson com Carla Cristina Pereira, outra autora brasileira que, no entanto, nunca editou nenhum livro seu entre nós.

Em substituição desta colectânea, foi parar à pilha das leituras uma outra colectânea, portuguesa e mais antiga, vencedora de um Prémio Caminho nos anos 80: Universal Limitada, de Isabel Cristina Pires.

Um post brilhante

Nunca fui cliente de DN, mas lia o jornal de vez em quando, se o apanhasse a jeito. Como gosto de cartoons, era das coisas que procurava, e foi assim que conheci pela primeira vez o trabalho do José Bandeira.

Não gostava particularmente dele, devo dizer. São cartoons competentes feitos por um dos melhores cartunistas portugueses, mas nunca tiveram aquela qualidade indefinível que joga com um qualquer interruptor misterioso algures perdido no cérebro e faz com que o reconhecimento intelectual da qualidade se transforme no prazer emocional que o contacto com aquilo de que de facto gostamos nos proporciona.

Isso, até lhe descobrir o blog , começar a ler as pequenas historietas que ele lá publica e descobrir que o Bandeira, pelo menos para mim, é muito melhor escritor que cartunista. Reparem, a título de exemplo, no brilhantismo deste post.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Esta gente mete nojo

O José Lamego, agora mesmo, na SIC Notícias, acabou de aproveitar-se dos atentados em Londres para atacar de forma labrega (chamando-lhes "tontos das democracias") os movimentos da alter-globalização.

Dito por outras palavras:

O José Lamego acabou de aproveitar-se da morte de cerca de 40 pessoas para fazer combate político ilegítimo porque não há nada em comum entre os movimentos da alter-globalização e o terrorismo integrista, algo que ele próprio acabou por admitir.

Este homem mete nojo. É mais um dos milhares de canalhas que somos obrigados a aguentar.

E por falar em canalhas

Hoje resolveram ir brincar para Londres. Se forem mesmo aqueles canalhas que parecem ser, e se se cumprir o padrão de canalhices anteriores feitas por este tipo específico de canalha, a única coisa boa que elas trazem é que o canalha responsável morre.

terça-feira, 5 de julho de 2005

Da permanência da música

Sempre que o meu mailer me informa que está "logging to POP server" eu pergunto a mim próprio e porque não ROCK ou mesmo BLUES?

Resposta a este post

Oh, sim, Palmira! E há já alguns anos!

E não tarda, as praias de Miami estarão assim:

segunda-feira, 4 de julho de 2005

4 de Julho

Há bastante tempo que andava a ruminar o post abaixo, e foi totalmente por acaso que ele apareceu a 4 de Julho. Apesar de haver hoje poucos canalhas mais canalhas que os actuais dirigentes dos Estados Unidos, aquilo que se comemora a 4 de Julho (e que esses canalhas deturpam diariamente) é digno de comemoração. Há coincidências que ganham novos significados, mas esta não é uma delas. Queria só deixar isso claro.

Os canalhas

Os canalhas enviam soldados para morrer nas guerras que criam enquanto eles ficam em casa a rir-se, enchendo os bolsos. Os canalhas quando não conseguem impôr as suas ideias em reuniões de que não são feitos registos mentem sobre as decisões que as reuniões tomam em comunicações privadas que guardam para ameaçarem divulgar mais tarde. Os canalhas criam vírus, worms e spyware. Os canalhas acham-se mais inteligentes que os outros, acham que têm mais direitos que os outros, acham-se melhores que os outros. Os canalhas não pagam impostos, apesar dos ferraris. Os canalhas têm amigos nas altas esferas, tão canalhas como eles. Os canalhas roubam largura de banda a cibernautas novatos cujo único crime é serem novatos e não perceberem muito de computadores e comunicações online. Os canalhas "não querem cá gente dessa". Os canalhas acham que tudo lhes é permitido, porque nunca ninguém será louco o suficiente para os desmascarar como os canalhas que são. Os canalhas têm uma particular apetência pela política, pelo jornalismo e por lugares de destaque nos clubes de futebol e nas empresas. Os canalhas corrompem e deixam-se corromper entre linhas de cocaína. Os pequenos canalhas matam. Os grandes canalhas mandam matar. Os canalhas são um cancro, lançando metástases para tudo quanto é canto. Os canalhas estão por todo o lado. Os canalhas tornam-se sócios para roubar ideias e avançar sozinhos com as ideias dos outros depois de destruir a sociedade. Os canalhas não respeitam ninguém porque para os canalhas não existe verdadeiramente mais ninguém e o mundo é um imenso jogo de matraquilhos repleto de manípulos. Os canalhas insultam. Os canalhas difamam. Os canalhas roubam, atropelam e violam. Os canalhas provocam o vómito. Os canalhas gostam da lei porque lhe conhecem os pontos de fuga, nela deixados por outros canalhas. Os canalhas, por vezes, acham a canalhice tão normal que nem sequer se dão conta de serem canalhas. Os canalhas são ervas daninhas que seria de toda a conveniência exterminar, se é que queremos que esta espécie tenha um futuro.

Mas a grande tragédia é que parece que é impossível exterminar os canalhas sem sujar as mãos, sem as enfiar bem fundo no esgoto da canalhice, sem as retirar de lá fumegantes de merda. Sempre que lidamos com canalhas recebemos salpicos, e se persistirmos por demasiado tempo acabamos envoltos numa couraça de canalhice que não se distingue em nada da dos outros canalhas. E assim se multiplicam os canalhas, como um vírus, insinuando-se junto de quem ainda vai sendo humano e corroendo essa humanidade, esburacando-a em túneis de térmitas até esboroá-la.

Por isso tanta gente desiste, abandona a luta, e se recolhe no conforto e na segurança dos seus círculos privados e bem conhecidos. Por isso tantos outros tentam erguer redutos, ilhas de pureza onde possam desinfectar-se dos canalhas que não são capazes de evitar. Alguns conseguem, suponho. Outros não, provavelmente a maioria. Mas uma coisa é certa: o mundo, este mundo, pertence aos canalhas. E a canalhice só não é sinónimo de sucesso porque há demasiados canalhas e nem todos podem vencer. E nem nos vale que eles se ataquem uns aos outros, porque no darwinismo da selva dos canalhas sobrevive sempre o canalha mais canalha.

Por isso, pá, não te preocupes: tu vais longe. Quanto a mim, vou tomar um banho.

sábado, 2 de julho de 2005

Lido

E lá está lido o Cidade Inabitada (Editorial Minerva, Departamento de Novos Autores, 60 p., 2004), um livro de poemas (com umas fotos, ou talvez o nome mais adequado seja "fotoabstracções", à mistura) do meu conterrâneo Fernando Gregório.

Sempre que me perguntam, e muitas das vezes que não perguntam, eu digo que não percebo nada de poesia. E por isso não me sinto competente para avaliar estes poemas, quase todos muito curtos, com menos de 10 versos. Deles só posso dizer que houve alguns que me disseram bastante, embora a maioria me tivesse deixado frio. Se são bons, se não são, não sei dizer.

Para substituir a cidade do Fernando, foi parar à pilha das leituras o breve romance de Mário Braga O Reino Circular (Atlântida, 1969). Já vi que me esperam páginas amarelas e estaladiças, mas quanto ao resto logo se verá.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Love On Line

Espero que este título não me atraia ao blog mais uma chusma de rebarbados em busca de sexo.

É que o post não tem grande coisa a ver com sexo: tem a ver com uma tentativa de fazer FC portuguesa que está agora a dar na RTP, um telefilme integrado numa série intitulada "Amores Desamores", cujo título é exactamente Love On Line.

Como fui apanhado de surpresa por um telefonema do Zarolho (obrigado, pá!), não vi o princípio. Mas o que vi até agora já dá, acho, para ter uma ideia.

Informações mais detalhadas, têm-nas aqui. Mas um resumo rápido pode ser algo como: dondocas futuristas descobrem o sexo virtual. Tudo no filme me fez lembrar uma série anglófona que passou num dos nossos canais aqui há tempos, e que misturava FC e sexo em episódios mal realizados e pior representados.

Recomeçou. Descubro agora que há um subtexto apocalíptico (parece que toda a gente vai morrer por causa de uma praga de mosquitos... cruzes!) e que a dondoca romântica se apaixonou pelo seu amante virtual australiano. Isto foi escrito pela Clara Ferreira Alves - era de esperar. Tal como também era de se esperar a banalidade insuportável da historieta de amor que não aproveita para coisa nenhuma o ambiente de FC, limitando-se a transpor para um "futuro" mal concebido as histórias de relações online que já andam pelos jornais há quase uma década, com ambiguidades sexuais e tudo.

Enfim... imagino que haja quem nunca tenha visto ou lido nada do género e que ache isto interessante apesar das representações teatralizadas e inverosímeis. Eu li. E também vi. E li as notícias de amores cibernéticos. E já ando na net desde 96. Por isso, mudei de canal.

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Go see if it's raining!

Esta foi desavergonhadamente roubada de um fórum, onde por sua vez foi parar a partir de outro, o que é o mesmo que dizer que não faço ideia quem foi o autor. Se alguém sabe, sou todo ouvidos.

For those of you interested in learning portuguese i leave you with a (literaly) translated conversation between two people so you can get a hold on some figures of speech. Hope it helps.

- So, shovel?
- How is it going?
- It's been a long time since I've put the view on you.
- Yea. Oh, shovel, I bought a new house.
- Where do you live now?
- Oh, I'm living in the middle of the ass of Judas now! Now, imagine that the place doesn't even have public lighting! At night you can't even see the tip of a horn! Now I have to go around "oh uncle, oh uncle" for them to put there a public lighting post. I went to the Together of Parish to complain about that and they immediatley started throwing mouths, asking if I really had to go to live in a hole like that, where Judas lost his boots. Man, I completely passed myself from the gears.
- Hey, mine, put yourself slim! The only thing they will do is tell you to go around the great billard.
- What, but have we reached the wood, or what? That would be sweet! They should put themselves at stick, because I'm not afraid of them! That is the side to which I sleep better. With me they don't make flour and I find well that they don't arm themselves to the cuckoos, because I won't give my arm to twist.
- But have you been there to talk with anybody?
- I went there to speak with the President and he stayed looking at me like an ox to the palace. He told me to put myself at miles.
- You're passing yourself!
- At serious, mine! The guy started to arm himself in racing parrot, saying that donkey's voices don't reach the sky and telling me to put myself in the bitches.
- And what did you tell him?
- I told him this: "Bad Mary! You guys don't even now how you got here - you don't see an ox of this sh*t! One guy comes here and you immediately start belching slices of hake. You are all the same sh*t, only the smell is different: you neither f*ck nor get out of the top."
- Hey, big scene. And what did he say?
- First he said that I could speak at ease, because the dogs bark and the caravan goes by and then he told me to go comb monkeys to China. But when he saw that I was passing myself from the horns, he started with a high conversation, terreeteetee, sparrows to the nest, that I should have calm, and so on. Yes, because if I really would pass myself, all that **** would go with the pigs!
- Alright, alright. Let's change the topic. Have you already fixed a girlfriend?
- Hey, mine, I think I have. I met a chick who is good as corn and I immediately started dragging the wing to her, but when I went to see, she had put herself in the little female of garlic. At the nekt weekend I found her again and I made myself to the floor again. First she armed herself in racing stickface, but then she came eating at my hand.
- That's how it tastes better...
- Ya, it fell like cherries.
- And the chick, is she really good?
- Well, actually she isn't there a big shotgun, but one can eat it. Who doesn't have a dog, hunts with a cat, right?
- And have you already made yourself to the steak?
- Are you armed in silly, or what? You are here you are there!
- Sorry. And the chick, has she already lost the three?
- Hey shovel, go look if it is raining. Or then go see if I'm over there at the corner.
- Say there, mine!
- Oh, shovel, it's like this: I still didn't do it because Benfica Lisbon is playing at home, alright?
- Ready, you just climbed on my scale.
- You already know that I don't leave my credits in foreign hands.
- Ok. So, I will be going, I must go to the chop chop.
- And I'm going to the morphs, too.
- See ya.
- See ya. Doors yourself well.
- Until the sight!

segunda-feira, 27 de junho de 2005

As imperfeições da democracia

São posts como este (excelente, diga-se de passagem) que abalam a confiança no sistema que toda a gente sabe que é imperfeito mas ninguém nunca aceita discutir, com medo de ser rotulado de antidemocrático ou de ser alvo de insultos piores. É que se o Pedro tem razão e a maioria das pessoas não tem na cabeça opiniões mas sim "uma série de considerações", mais ou menos vagas e mais ou menos cambiáveis, e se isso é suficiente para tornar "frágeis" os estudos de opinião, que dizer do voto? Não se aplicará precisamente o mesmo raciocínio? Não estará o destino de todos nós dependente de considerações vagas e frágeis na cabeça de pessoas que nunca dedicaram uns minutinhos a reflectir seriamente sobre aquilo que está em causa quando vão colocar o papelinho na urna?

Talvez seja essa a explicação para termos os dirigentes que temos e não vermos nenhum sinal de melhoras. Talvez seja por isso que fraudes como a do "líder da oposição" fizeram escola e foram aceites por tanta gente. Talvez seja assim que surgem nos comentários dos blogues políticos tantos papagaios a repetir patacoadas inanes como se tivessem pensado nelas. Talvez. Não sei.

Mas uma ideia vai tomando forma na minha cabeça: a de que se calhar (é bom fazer notar desde já antes que apareçam os insultos que a expressão se calhar significa uma dúvida e uma especulação) seria mais democrático um sistema que não funcionasse com base em "um homem, um voto", mas sim segundo uma forma qualquer de ponderação da capacidade electiva segundo os graus de informação e conhecimento dos assuntos em causa na eleição ou, no mínimo, do modo como funciona o sistema político e as instituições.

Seria na mesma um sistema imperfeito, mas talvez reduzisse a demagogia barata, a manipulação e a mentira. Talvez fizesse subir a qualidade média dos políticos que temos. Talvez melhorasse a governação e certamente melhoraria o nível de informação cívica dos cidadãos. Talvez.