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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mais duas resenhas a Flor do Trovão nos últimos dias

Isto é basicamente um post referencial, para registar que foram acrescentadas à lista duas novas resenhas à antologia Imaginários 2, na qual tenho um conto. Bom ver que, um ano depois, o livro continua a gerar opiniões. E, claro, que estas mantêm um tom geralmente positivo, quer quanto ao livro como um todo, quer quanto à minha participação nele.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Flor do Trovão, um apanhado

Então vamos lá fazer um pequeno apanhado daquilo que se foi dizendo na web sobre o meu conto na Imaginários 2. Se souberem de mais textos disponíveis com opinião agradeço que avisem nas caixas de comentários, pelo twitter ou pelo facebook.
  • Rober Pinheiro, no Aguarrás e no seu blogue, publica um longo parágrafo sobre o conto em que o tom geral é de apreço;
  • Marcelo Augusto Galvão, no Galvanizado, também parece ter gostado; pelo menos diz que "narrativa, personagem e cenário combinam com perfeição neste conto";
  • Ana C. Nunes, na Floresta de Livros, dá-lhe 7 valores, o que na sua classificação corresponde a "bom". No post dedicado ao conto elabora mais: "termina mais que satisfatoriamente, mas poderia ter sido ainda mais desenvolvido, a nível de personagens, mas aparte disso está muito bom." Uma coisa em que reparei é que a Ana o categoriza como fantasia. Achei curioso;
  • Daniel Borba, no Além das Estrelas, também gosta: acha-o "um dos melhores contos da coletânea";
  • Antonio Luiz M. C. Costa, na Carta Capital, escreveu um texto que parece estar agora sob acesso restrito. Contudo, ainda se consegue recuperá-lo através da cache do Google, e sobre o meu conto diz o seguinte: "Flor do Trovão, de Jorge Candeias desafia o leitor a se pôr na pele de um alienígena sem nada de humano, em um mundo estranho e primitivo. É uma história para leitores dispostos a enfrentar uma ficção científica experimental e especulativa, que busca questionar mais que divertir." Também parece ter gostado, portanto;
  • Como nestas coisas nunca há unanimidade, Cristina Alves, do Rascunhos, destoa: acha que o conto "poderia ter sido engraçado, mas falhou na concretização ao se manter demasiado superficial";
  • Igor "Valente", na RedeRPG, parece ter gostado do final mas não tanto do resto: "Carregado em uma linguagem poética grandiloqüente, o conto direciona o leitor a um determinado caminho e, de repente, puxa o tapete, com um final inesperado. Ponto para ele!" (obrigado pelo toque, Marcelo);
  • Eduardo Carvalho, do Portallos, parece também ter gostado bastante, em especial do final. "Um grande destaque da coletânea," diz, "com um final que me agradou muito. Quando pensei que caminhava para o obvio, Jorge Candeias virou para mim e disse 'Rá! Pegadinha do malandro!';
  • Junior Cazeri, no Café de Ontem, dá ideia de não ter gostado muito, embora não ache a história má. Diz que "não é uma leitura fácil" e que não é "chegado a lições de moral empacotadas e embaladas", mas que "a história não é ruim, apesar de não ser para todos os gostos." E, tal como a Ana da Floresta de Livros, também classifica o conto como fantasia.
E não conheço mais nenhuma resenha ou opinião do Imaginários 2 que fale do meu conto. Se souberem de alguma, repito, sou todo ouvidos, e o post será editado em conformidade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

O ser-se português e a crítica literária

O ser-se português e a crítica literária

Não tive grande pachorra para mergulhar fundo na mais recente polémica estéril a sacudir a blogosfera, desta vez uma patetice qualquer sobre crítica literária, que opõe o José Mário Silva ao João Pedro George. Mas porque o assunto crítica literária até me interessa, acabei por deixar um comentário na Aspirina B, que transcrevo em seguida, e que complemento depois. O comentário foi este:

Com polémicas destas nunca se chegará a discutir realmente o que importa: que há crítica literária honesta, em que o crítico faz o melhor que sabe e pode para discorrer sobre os livros sem se prender em aspectos assessórios como o nome do autor, da casa editora, do tradutor, etc. e que há crítica literária desonesta, em que o crítico faz fretes a torto e a direito. E que saber separar uma da outra faz toda a diferença.

Um crítico honesto deve escrever sobre livros de amigos, sim senhor. Se eu tivesse o tipo de mentalidade do João Pedro George poderia dizer que ao não escrever sobre livros de amigos o crítico honesto está a prejudicar esses livros ao não lhes dar a "visibilidade" que os livros dos não amigos recebem. Como não tenho essa mentalidade, direi apenas que um crítico honesto deve escrever sobre todos os livros que achar que merecem que sobre eles escreva. Ponto final. Parágrafo.

Mas aqui há um mas: há muito pouca crítica literária em Portugal, quer seja honesta quer seja desonesta. Muito menos do que a que devia haver. Numa situação ideal, deveria haver alguém para escrever sobre todos os livros que aparecem no mercado, sem excepção. Nem que fosse meia dúzia de linhas. Fosse para dizer bem, fosse para dizer mal, fose para dizer assim assim.

E claro que como há muito menos crítica literária do que a que devia haver, inevitavelmente quem é ignorado pela crítica - e mais ainda quem é sistematicamente ignorado pela crítica - tem tendência a suspeitar de compadrios. É apenas humano que isso aconteça. Portanto os críticos também têm de estar preparados para apanharem de vez em quando com sovas deste tipo, por mais injustas que elas sejam. Vem com o território.


O complemento:

Há em Portugal uma doença gravíssima, que por vezes chega a parecer terminal: o amiguismo. É uma verdade insofismável, estende-se a todos os ramos de actividade, e tem consequências gravíssimas que levam ao predomínio da cunha sobre a competência, à escolha dos indivíduos com melhores relações sociais em detrimento daqueles que estariam melhor preparados para desempenhar as tarefas, a um ambiente em que, em geral, aquilo que se faz tenha muito menos importância do que aquilo que os zunzuns dizem que se faz. O boatério, o diz-que-disse, as comadres, são instituições enraizadas com séculos de experiência nos seus mesquinhos tráficos de influências. E a consequência mais óbvia é o péssimo desempenho do país em tudo aquilo que exige o profissionalismo de grupos razoavelmente grandes de profissionais.

Todos sabemos disso. E portanto não é novidade nenhuma o que João Pedro George acha que descobriu no meio literário português. O meio literário, como parte da sociedade que é, sofre precisamente dos mesmos sintomas do resto da sociedade: amiguinhos e inimiguinhos, capelinhas, mesquinharias variegadas, promoção da mediocridade pelos medíocres e uma atitude de enorme desconfiança perante os outsiders, em especial os outsiders com qualidade.

Agora, entendamo-nos: a solução para o problema não é tapá-lo com uma capa de hipocrisia, que é o que João Pedro George sugere. É, isso sim, torná-lo transparente e ter a inteligência suficiente para separar o trigo do joio. De pôr de um lado os que fazem crítica literária de forma honesta e do outro os que não a fazem, e de não crucificar os honestos por falarem de amigos. É que um crítico honesto é mais credível a escrever sobre um amigo do que um desonesto a escrever sobre o que quer que seja. Um crítico desonesto é frequentemente pago (em numerário, em géneros ou com emprego) para escrever sobre os livros que interessam da maneira que interessa, ao passo que pode perfeitamente acontecer a um crítico honesto ter de desancar livros de amigos. Um crítico que é desonesto não passa milagrosamente a ser honesto por não escrever sobre o que escrevem os amigos, nem passa um honesto a desonesto por fazer o contrário.

Assumir que alguém, lá porque escreve sobre os amigos, está necessariamente a ser sintoma da doença nacional é, isso sim, sintoma da doença nacional. É pôr, uma vez mais, a aparência das coisas à frente da sua substância. É julgar pelo embrulho e não pelo conteúdo.

Não conheço nem o João Pedro George nem o José Mário Silva. Não frequento os seus meios. Raramente leio o que escrevem fora da blogosfera. Ambos me parecem críticos razoavelmente honestos, o que, admito, pode ser apenas boa vontade de quem está grandemente por fora e que acha que devia haver muitas mais pessoas a fazer crítica literária neste país. Adorei a descasca do JPG à Margarida Rebelo Pinto. Mas neste caso, francamente, e tendo tido oportunidade de ler a crítica do JMS, parece-me que quem está doente de portuguesice crónica é o JPG, não o JMS.

E sempre gostava de saber se, digamos, no meio literário do Liechtenstein também há broncas destas. É que lá, se houver algum João Pedro George no principado, ninguém deve ser autorizado a escrever sobre ninguém. Porque, a não ser que ao crítico seja reservada a condição de eremita e lhe seja oferecida uma gruta nos Alpes, deverá bastar estar presente no lançamento de um livro para ficar a conhecer pessoalmente todo o meio literário do país. Já viram os tráficos de influências que isso deve gerar? Upa, upa!

terça-feira, 8 de junho de 2004

Críticas e catalogações

Um par de comentários do Boemius (é sina ;) ) a este post deu-me vontade de escrever umas coisas sobre "críticas e catalogações", como ele lhes chamou.

Do modo como eu vejo estas coisas, quer uma quer a outra são úteis para um enquadramento mas não são absolutas. Que quero eu dizer com isto?

Que, por exemplo, a crítica pode ter, para o escritor, a vantagem de lhe colocar à frente intepretações e problemas da sua obra de que poderia não estar consciente à partida, o que o ajuda a ajustar melhor o que escreve, e como escreve o que escreve, àquilo que pretende escrever, mas que não é absoluta na medida em que nunca é totalmente verdadeira. Seja ou não arrasadora, seja ou não ultra-elogiosa, dê ou não no cravo e na ferradura. Também para os leitores, a crítica não é absoluta, porque o gosto e a sensibilidade de cada um determinam em grande medida aquilo que obtém de uma obra. Mas pode dar dicas importantes, especialmente se o leitor tem afinidades com o crítico e sabe disso.

(é por isto, já agora, que é tão importante que a crítica seja honesta: um crítico que adapte as suas críticas às conveniências do momento não tem utilidade para ninguém, a não ser, talvez, para si próprio)

Quanto a críticas desenvolvidas vs. gosto/não gosto, do meu ponto de vista nem sempre é mais útil uma crítica desenvolvida. Já me têm sido mais úteis críticas de leitores que não sabem muito de determinado assunto ou género mas que foram capazes de me dizer se gostaram ou não e de me explicar porquê do que críticas muito desenvolvidas por pessoas muito conhecedoras. É aqui que bate o ponto principal: no porquê. Quando não existem porquês, a utilidade não é muita, mas quando existem, tudo muda.

Neste caso, por acaso, não é bem isso que acontece: a crítica desenvolvida do Luís foi-me muito útil: permitiu-me pensar um bocado mais profundamente no que quero e posso fazer com esta aventura meio inconsciente em que me meti. E de a explicar melhor, também, a quem lê.

Quanto aos rótulos, passa-se algo de semelhante. Parece-me que a maior parte das pessoas encara rótulos como caixinhas onde se metem as obras que, depois de serem lá enfiadas já não podem ir para nenhum lado. Esta categorização absoluta parece-me muito errada. Para mim, um rótulo é uma de muitas categorizações possíveis, e dizer que determinado texto é FC não exclui de modo algum que ele possa também ser uma série de outras coisas. É preciso aplicar aqui um pouco de teoria de conjuntos.

Para ilustrar o que quero dizer, costumo servir-me de uma analogia: Em Terragrande havia uma série de árvores, uma das quais, um ulmeiro, crescia junto ao riacho. Esse ulmeiro pertencia ao conjunto dos ulmeiros, obviamente, que é um subconjunto do conjunto das árvores. Também pertencia ao conjunto das árvores que cresciam em Terragrande (outro subconjunto das árvores). Como servia para os putos da terra mergulharem no riacho, pertencia também ao conjunto dos auxiliares de brincadeira. O Zé, quando se apaixonou pela Mafalda, deixou gravado na casca do ulmeiro a primeira mensagem de amor, a que se seguiram mais vinte e sete, transformando o ulmeiro num membro do conjunto dos meios de comunicação. E etc. Aquele ulmeiro, apesar de ser ulmeiro era também uma vasta série de outras coisas.

Assim são os meus contos, espero: FC, mas também uma série de outras coisas.

sábado, 5 de junho de 2004

Ena, ena, uma crítica à séria!

E esta, hein? O Luís acabou de publicar uma crítica à séria sobre "A Vida Bela de Klaus Miragata" e, por extensão, também sobre os dois contos anteriores. Nunca pensei que isto desse para escrever tanto, pá. Mas antes disso, vão lá ler, rapazes, andem. Podem ir à confiança, que ele não me passa a mão pelo pêlo.

Já leram? OK, então deixem-me comentar a crítica. Como disse, ele não me passa a mão pelo pêlo... e assim é que eu gosto.

Mas acho que o Luís comete um erro: trata as spam fictions como trabalhos acabados. Não o são, como não me canso de repetir: são esboços, minimamente coerentes, minimamente trabalhados para serem disponibilizados na Lâmpada, mas que precisam de muito trabalho extra para se transformarem em trabalhos acabados. Faltam todas as revisões que o distanciamento torna eficientes no expurgar de erros e na clarificação de conceitos.

Dito isto, a crítica é interessante e levanta alguns pontos dignos de atenção. Um deles é o individualismo. Outro é o enquadramento enquanto FC de algumas destas coisas. Há mais, mas vou só falar destes dois, para não estender isto em demasia.

Um projecto deste género tem algumas condicionantes à partida. Os contos não podem ser grandes, porque não há tempo suficiente numa semana para reunir ideias e escrever um conto grande; Pelo mesmo motivo, os contos não podem ser muito elaborados e têm de seguir uma linha relativamente simples, sem gastar demasiado tempo e número de palavras com enquadramentos muito exóticos ou com enredos ou personagens muito complexos, até porque eu não pretendo escrever para especialistas em FC mas sim para um público variado, com graus de experiência e de expectativas muito díspares no género.

O individualismo vem daí. É uma forma "barata" de captar a identificação dos leitores com uma personagem sem ter de dispersar atenções, esforço e texto por várias. E é também uma forma de enquadrar os exotismos que surjam sem afugentar leitores... o que nos leva à questão de ser, ou não, FC.

O motivo por que eu digo que estes contos (os três) são FC é simplesmente porque não concordo com a ideia de que a FC se tenha de reger, necessariamente, por um código em que a estranheza impera. Não. Aliás, penso mesmo que por vezes há FC que peca por excesso de estranheza, que destrói a verosimilhança, fundamental para suspender a descrença. E quando contos de futuro próximo são demasiado estranhos, é isso mesmo que acontece. Ora, é isso que são as spam fictions 3 e 4: contos de futuro próximo, e portanto a sua paisagem tem necessariamente de nos ser muito familiar. Mas não deixam de ser FC por isso. Muito menos deixam de ser contos, logo literatura, por serem FC.

Diria mesmo mais: há falta na FC de mais literatura do quotidiano, de mais literatura que nos apresente o modo como personagens vulgares interagem com o seu ambiente invulgar. Parte da crise da FC tem precisamente essa origem: demasiadas personagens extraordinárias em ambientes extraordinários tornam-se repetitivas e cansativas. Os leitores fartam-se. E partem para outra.

Mas enfim, isto já vai longo e já estou a pregar seca. O meu objectivo com a spam fiction é criar contos que resultem, independentemente de todos os condicionalismos e proposições teóricas, e mesmo sob a forma de esboço. Se o conseguir, ficarei satisfeito. É essa a base indispensável para desenvolvimentos futuros, aperfeiçoamentos. Mas esses ficam para mais tarde.

terça-feira, 30 de dezembro de 2003

Criticaram-me a Sally!

Acabou de ser publicada no E-nigma uma crítica de Octávio Aragão (o sr. Intempol, para quem não sabe) ao meu livrito, Sally. Uma crítica honesta, em que o Octávio fala daquilo que, a seu ver, são os pontos positivos e os pontos negativos daquela história. Uma crítica sem bajulações nem arrasos, que mostra que quem a escreveu leu o livro e reflectiu sobre ele, algo que tantas vezes está ausente até da crítica mais profissional, na imprensa.

Assim dá gosto! Muito obrigado, Octávio!

quinta-feira, 24 de julho de 2003

Sobre o papel dos críticos

O canhoto J escreveu um post brilhante acerca do papel e do que se deve esperar dos críticos, literários mas não só. Devia ser emoldurado e posto na parede tanto de quem fala sobre a crítica como dos próprios críticos. Aqui ficam alguns excertos, e quanto ao post completo, leiam-no aqui. Vale a pena.

Não é possível avalizar objectivamente a qualidade de uma obra porque há demasiados factores envolvidos: originalidade formal e de conteúdo, elegância formal e estrutural, profundidade, intuição humana, análise social, coerência, impacto, influência que tem sobre terceiros, etc., que ninguém pode descobrir num livro recém-publicado. Na melhor das hipóteses pode dar-se uma opinião subjectiva, mas fundamentada e informada, com indicações claras das tendências e preconceitos dos críticos.

[...]

O que não pode é ocorrer como na maioria das críticas actuais: [...] resumir ou citar o livro, biografar o autor, etc., normalmente limitando-se a fazer copy/paste dos comunicados de imprensa.

A longo prazo, uma crítica inócua é pior para todos que uma crítica demolidora, pois não ajuda a formar o gosto do público, não ajuda os novos escritores a identificar os seus erros e torna a nova literatura uma gigantesca massa indistinta de qualidade, que afugenta muitos leitores para os braços mais seguros da literatura clássica.