domingo, 19 de dezembro de 2010

Lido: A Cidade Abandonada

A Cidade Abandonada (bib.) é uma noveleta de António de Macedo que ressoa com a miríade de histórias que foram sendo escritas ao longo dos séculos XIX e XX sobre escavações arqueológicas e as coisas diabólicas, perigosas e/ou inesperadas que os imprudentes arqueólogos ou caçadores de tesouros nelas encontram. Tem, contudo, a originalidade e o interesse (note-se que este interesse é genérico; não significa necessariamente que me tenha interessado a mim) de passar-se no Iraque, entre portugueses, na época que se sucedeu à guerra e em que esteve estacionada no país, concretamente em Nassíria, uma companhia da GNR. Tem também a originalidade e o interesse de acabar por envolver viagens no tempo, com paradoxo e tudo. E tem também, naturalmente, aquelas coisas habituais no autor: uma dose elevada de hermetismo, dimensões paralelas e criaturas sobrenaturais, e diálogos que eu acho quase sempre demasiado explicativos e forçados. Para quem gosta dos temas e escrita do autor, esta noveleta deve ser um belo acepipe altamente recomendável. Eu, que só raramente gosto, achei-a chatíssima (e não há nada mais subjetivo do que o que é chato ou deixa de o ser), não só porque o tema propriamente dito não me interessou, mas também porque me pareceu tratado de forma demasiado demorada e arrastada. É bastante provável que este segundo porquê seja em boa medida consequência do primeiro. E quanto ao primeiro, o problema está mais em mim do que em António de Macedo: não me lembro de ter lido alguma história deste género que me tivesse realmente despertado o interesse, fosse qual fosse o autor. Arqueologias amaldiçoadas despertam-me sempre vontade de bocejar.

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