quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Lido: O Mundo de Jon

O Mundo de Jon (bib.) é uma noveleta de Philip K. Dick sobre viagens no tempo. Como muitas vezes acontece, o motor da história é a vontade, por parte de um grupo de cientistas, de regressar a um ponto do passado e alterar um acontecimento crucial que terá desencadeado uma sucessão de outros acontecimentos que terão desembocado num presente de pesadelo. Neste caso, presente deles, futuro nosso. Já todos vimos variações desta história no cinema e na TV (nos filmes da série Terminator e na série Sarah Connor Chronicles, por exemplo), e é bem sabido que quando isso acontece estamos já no reino do cliché. Ora, o facto de ter no seu fulcro um cliché tantas vezes utilizado reduz significativamente o impacto desta história de Dick, mesmo sabendo-se que ela tem já mais de meio século de existência e que a transformação das ideias em cliché foi posterior.

Mas mesmo descontando esse fator não me parece que esta seja uma das boas histórias de Dick. Porque o forte de Dick, aquilo que o içou à condição de monstro sagrado da FC, é a criação de uma atmosfera paranoica e os enredos complexos e imprevisíveis, e aqui não encontramos nem uma coisa nem a outra. De facto, a história é bastante previsível desde o início, o que só é amplificado pelas visões de que o filho do protagonista sofre, filho esse que só aparece na história para, precisamente, nos "mostrar" as tais visões, uma opção que me parece algo contraproducente. Como além do mais há uma série de diálogos tão didáticos que roçam a velha pecha de muita FC que é o como-sabes-Bob, acabei por achar o todo bastante insatisfatório.

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