domingo, 1 de janeiro de 2012

Lido: A Extinção das Espécies

A Extinção das Espécies (bib.) é uma noveleta retrofuturista de Carlos Orsi que acompanha a viagem de um certo e determinado jovem cavalheiro, nunca nomeado mas inglês, a bordo de um navio chamado Beagle, ao longo da costa oriental da América do Sul, com escalas no Brasil e na Argentina. Já sabem quem é? Claro: Charles Darwin. Porém, ao contrário do que aconteceu com o "nosso" Charles Darwin, este não se deixa seduzir pelas espantosas adaptações dos animais e plantas ao seu meio, antes mergulha a sua insaciável curiosidade na análise de uns curiosos autómatos auto-replicantes, com os quais toma contacto pela primeira vez no Rio de Janeiro mas cujo potencial só compreende por completo quando chega à Patagónia argentina. Máquinas prodigiosas, que obtém a energia que as alimenta diretamente do sol através da exploração de um tal "efeito Waldman-Ingolstadt", que retira do nosso astro uma tal "vis viva" que pode ser transformada com grande eficiência em eletricidade. Com base nisto, Orsi desenvolve uma história muito bem construída e cheia de referências, que especula sobre as utilizações e consequências do desenvolvimento de nanotecnologia autorreplicante antes mesmo de ter sido criada uma teoria evolucionária para os seres vivos. Mais: embora esta noveleta seja inteiramente satisfatória enquanto história independente, abre portas para a criação de histórias adicionais no rico universo ficcional que delineia.

Dá para ver que gostei muito desta noveleta? Pois gostei, sim senhor. Achei-a excelente. Entre a melhor ficção curta que li no ano passado.

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