segunda-feira, 13 de junho de 2011

Lido: Priscilla

Priscilla (bib.) é uma noveleta de Italo Calvino, uma vez mais protagonizada e narrada pelo seu eterno extraterrestre Qfwfq. Desta feita, o tema da história é a vida no que ela tem de mais íntimo. A noveleta, aliás, divide-se em capítulos, que recebem os títulos de Mitose, Meiose e Morte. O conto é, na sua essência, um grande exercício de estilo, em especial no primeiro capítulo. Emaranhado, repetitivo, quase saramaguiano no entrelaçar de ideias e conceitos, esse primeiro capítulo consegue trazer à ideia a dança de organelos e cromossomas que acompanha a divisão celular quando vista através dum microscópio. Os outros dois também, mas menos. E fá-lo pelo puro ritmo das palavras. De facto, parece-me que neste texto o mais importante é precisamente isso, o ritmo das palavras, embora entrelaçada nesse ritmo também esteja uma história de amor entre Qwfwq e a Priscilla que dá título à história, e apesar de também haver nela alguma filosofia. Há leitores que decerto acharão a história aborrecida precisamente por isso, por o ritmo das palavras se sobrepor ao resto. Eu achei-a genial.

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