segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lido: A Nova Maqueta

A Nova Maqueta (bib.) é um conto de Philip K. Dick que é exemplar no que toca à atitude que o autor tinha para com a realidade. Bem construído mas não muito bem escrito, como aliás não é incomum em Dick, conta a história de um homem que tem um passatempo desde a infância: o modelismo ferroviário. Todos teremos já visto na televisão reportagens sobre este tipo de coisa: pessoas que passam longas horas da sua vida a construir modelos detalhados e complexos em volta de ferrovias de brinquedo. É o que o protagonista desta história faz, dedicando boa parte dos tempos livres de que dispõe, para frustração e irritação da mulher (que o enchifra, claro), a reproduzir com fidelidade a vila em que vive na cave de sua casa. Até que um dia se rebela e resolve começar a fazer aquilo que considera ser melhoramentos. É um conto sobre o complexo de deus que acomete muita gente (escritores, por exemplo), sobre ideais, sobre a alienação humana e sobre a natureza e solidez da realidade. Dick, já se sabe, desconfiava profundamente desta, o que leva a que, para quem já conheça alguma coisa da obra dele, este conto se torne previsível. O género? Há quem diga que é ficção científica, mas a mim parece mais fantasia, francamente. Seja como for, é um conto interessante e mais complexo do que pode parecer à primeira vista, o que costuma ter correspondência direta na qualidade. Gostei. Não muito, mas gostei.

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