segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lido: Pequeno-Almoço ao Sol-Posto

Pequeno-Almoço ao Sol-Posto (bib.) é um conto de Philip K. Dick muito típico da Guerra Fria, no qual uma família se vê arrancada, com casa e tudo, à sua rotina habitual de um subúrbio americano e é atirada para um futuro de pesadelo, no qual a guerra de fria passou a quente. Não me pareceu um bom conto; é daqueles contos de FC demasiado centrados na ideia, que consistem quase exclusivamente de explicações apressadas da situação em que as personagens se encontram. Neste, embora a toda a volta o mundo esteja literalmente a rebentar de ação, há até como que uma bolha de calma relativa, suficiente para que essas explicações se processem até ao fim. E a família aceita tudo o que lhe é dito com uma prontidão perfeitamente inverosímil. Mas também não é um mau conto. Não há, por exemplo, explicações extemporâneas, do tipo em que uma personagem explica coisas que todas as outras estão fartas de saber, para benefício exclusivo do leitor. E já se veem nele algumas das características marcantes de toda a obra de Dick, muito em especial a desconfiança que lhe merecia a solidez da realidade. É um conto mediano, com interesse para os dickianos por ser uma obra do início da carreira do autor em que há um certo esboço de coisas posteriores, e que os outros leem num instante sem se deixarem marcar.

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