quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sobre agiotas, gangsters e eleições

Já divulguei no twitter, e por consequência no facebook, mas isto é suficientemente importante para merecer também que divulgue por aqui (o que vai levar a que seja outra vez divulgado no twitter e no facebook). Leiam, pela vossa vidinha, este artigo excelente, lúcido e informado de Alfredo Barroso, e pensem no que nos está a acontecer e no porquê.

Nesse artigo verão uma afirmação que é a mais pura das verdades: estamos em guerra. Estamos numa guerra que nos é imposta, que não desejámos e não desejamos, mas que não obstante existe e se faz sentir, e de que maneira. Estamos em guerra com um inimigo sem rosto claro, embora conheçamos bem alguns dos rostos que ele toma. Estamos, nós, Portugal, em guerra também com alguns portugueses, não por acaso os mesmos que procuram convencer-nos de que tudo é inevitável, de que só podemos pagar e calar, de que o nosso inimigo já venceu e temos de nos conformar a esse facto, dando sempre mais e mais na esperança vã de que nos deixem em paz.

Pois fiquem sabendo duma coisa: é mentira. Nesta guerra temos muitos aliados, mesmo que nem nós nem eles o saibamos. E juntos, nós e os nossos aliados, temos uma força imensa. A força não só da justiça, mas também dos números. A força que nos dá o facto do inimigo estar a tentar por todos os meios destruir a democracia. Nesta guerra só se nos encolhermos a um canto com medo é que seremos com toda a certeza derrotados. O inimigo, esse bando de gangsters económicos que nos cerca, já demonstrou à saciedade que não tem contemplações nem misericórdia. Se nos erguermos, se o combatermos, temos pelo menos a hipótese de vencer. Por isso o meu apelo. Está na hora de sacudir a apatia. Está na hora de entrentar este inimigo que nos quer escravizar. Combatam-no, dando força a quem quer combatê-lo. Combatam-no não ficando em casa a coçar os tomates, não encarando as próximas eleições como um pró-forma sem substância, não entregando o país aos agiotas e aos seus agentes.

Metam uma coisa na cabeça duma vez por todas: Não há só dois partidos em Portugal. Neste país não existem apenas os partidos da cedência, quando não da cumplicidade ativa com aqueles que nos querem destruir. O dito "arco da governação" (que inclui também o CDS), que nos trouxe até este ponto. Há mais partidos. Há partidos que nunca pactuaram com o rumo que nos trouxe até aqui, que sempre se lhe opuseram no Parlamento. E há partidos que também são inocentes deste massacre económico a que estamos sujeitos por não terem representação parlamentar. Inclusivamente na mesma área ideológica do PS e do PSD. Se acham o PCP e o BE demasiado radicais, têm o MEP, têm o partido trabalhista, têm os humanistas, têm mais uma série de pequenos partidos mais ou menos centristas. Se acham o PCP e o BE demasiado coniventes com o estado de coisas, têm o MRPP e até o POUS. Até têm pequenos partidos à direita, os monárquicos e mais dois ou três, se bem que só cretinos de grande calibre votem num deles, o PNR. Mas eu sou um democrata: se tu que me estás a ler fores um cretino de grande calibre, faz favor, vota PNR. Se não fores, vota num dos outros, em qualquer dos outros, mas não votes em quem deixou o país neste estado. Em quem foi desgovernando este país até o deixar de rastos. No PS. No PSD. No CDS.

Do PS nem vale a pena falar muito. Todos sabem perfeitamente o que têm sido estes anos de Sócrates. A memória é curta, mas não tanto. Talvez seja bom recordar, contudo, que o anterior período de governação do PS terminou quando Guterres fez birra por ter perdido umas eleições autárquicas e se demitiu. Um irresponsável é isto.

Já talvez valha a pena falar um pouco mais do PSD; afinal, já estão fora do governo há mais tempo. Talvez valha a pena recordar o que foi o ridículo circo de trapalhadas do governo de Santana Lopes. Um irresponsável é isso. Talvez valha a pena recordar que antes de Santana Lopes tivemos Durão Barroso, que fugiu para Bruxelas depois de ter afirmado que não o faria. Um irresponsável é isso. Que nos governos de Durão Barroso houve uma ministra das finanças chamada Manuela Ferreira Leite que andou a tentar usar uns truques de merceeiro desonesto para esconder de Bruxelas a verdadeira dimensão do défice. Uma irresponsável é isso. Que também tivemos Cavaco Silva, um homem que desbaratou milhões de fundos comunitários em obras de fachada enquanto não preparava o país para o que aí vinha, e de cuja incompetência estamos agora a sofrer as consequências. Cavaco Silva, o "homem sério", que inventou os tabus para não dizer asneiras não dizendo nada, o "grande economista" que é responsável pela maior subida do défice público da democracia portuguesa. Um irresponsável é também isto. Oh, o PSD. Um partido que apregoa seriedade e competência, em especial no campo económico, mas que, se olharem para os dados, verificarão que foi durante os seus governos que se gerou 70% do défice público que causou o atual endividamento do país. Se-ten-ta-por-cen-to! É obra, em especial tendo em conta que o PSD passou no governo menos anos do que o PS. E é nestas nódoas que querem votar para substituir as nódoas do PS? A sério?

És assim tão masoquista, meu povo?

E depois há o CDS. De novo, não vale a pena falar muito do CDS. É um facto que tem menos responsabilidades neste triste estado de coisas do que os outros dois. Mas atentem a duas palavras-chave e, se não tiverem estado a dormir nos últimos anos, perceberão tudo o que há a dizer: "submarinos"; "Jacinto Leite Capelo Rego." Se têm estado a dormir, então googlem pelo "caso Portucale" e por "submarinos Portas" e divirtam-se. Ou entristeçam-se. Ou desesperem. Enfim, esclareçam-se.

Votem nos outros, não nestes. Pondo estes três de parte continuam a ter alguns 10 por onde escolher. Mas pelo menos, façam o que fizerem, pensem. E tentem parar de entregar o ouro, que tanto nos custa ganhar, a bandidos. É que já chega, porra. Não vos parece?

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