terça-feira, 20 de setembro de 2011

Lido: Elephant

Elephant, de Simon Ings, é um estranho conto de ficção científica cujo protagonista participa de um projeto de investigação sobre a sinestesia, esse bizarro curtocircuito que acomete os cérebros de algumas pessoas e as leva a associar a determinados estímulos sensoriais características que seriam próprias de outros. Uma cor que vem associada a um certo acorde, por exemplo. Ou uma palavra que traz sempre consigo um cheiro. Coisas assim.

Ambientado no Brasil (e com demasiados erros de português nos nomes das coisas, infelizmente), o conto aborda a sinestesia como uma forma de revelar a verdadeira natureza do mundo. Mas o projeto em que o protagonista participa falha, e ele próprio perde o contacto com o comezinho da vida acabando afundado num falhanço que também é pessoal, o que contribui para que o tom geral do conto seja de melancolia. Isso e o estilo da prosa, mais impressionista do que explanatória, que sugere muito e pouco afirma, faz com que não seja um conto fácil de ler.

Pessoalmente, acabei-o sem saber bem o que pensar. Em geral, isso tem um de dois resultados possíveis: ou é história que me vai acompanhar durante bastante tempo, que me vai deixar a matutar nela de quando em quando, ou então é história que dias depois de lida está esquecida. Não posso afirmá-lo, ainda, mas suspeito que esta será das rapidamente esquecidas. Não me parece que me tenha intrigado o suficiente para não o ser.

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