sábado, 14 de março de 2015

Lido: O Fio das Missangas

O Fio das Missangas é uma coletânea de pequenos contos de Mia Couto que, para quem conhece o autor, não traz nada de muito inesperado. São contos carregados de poesia, repletos dos seus característicos neologismos, sempre tão cheios de significados, ajoujados de humanidade. Muitos são contos fantásticos, chegando alguns, até, a passear-se por territórios próximos da ficção científica. Muitos, também, são contos em que a mulher, a sua vida, os seus problemas, as suas ideias e aspirações, é tema e fulcro. A mulher ou o povo. Ou a mulher do povo.

As melhores destas histórias são pequenas maravilhas, com tudo no sítio certo, tão próximas da perfeição como é possível ao engenho humano. São raras as apenas medianas, embora também haja duas ou três; histórias em que a poesia é levada longe demais, perdendo-se a história pelo caminho, ou histórias cuja ideia não se ajusta bem ao tamanho exigido a todas elas (de três a cinco páginas; o tamanho de uma crónica de jornal). A maioria, no entanto, está entre o "meramente" bom e o muito bom, ainda que se considerarmos apenas o tratamento dado à língua portuguesa ele seja, em quase, quase todas, excelente.

Ao todo são vinte e nove continhos, vinte e nove pequenos retratos de humanidade, num livro que nem chega às 150 páginas. África está muito presente, como não podia deixar de ser, e tantas vezes em confronto, direto ou indireto, com uma modernidade importada que é recebida e incorporada de uma forma muito própria na teia de raízes e influências que constitui o ambiente de Mia Couto. Não são vinte e nove obras-primas? Não, não são; ninguém é capaz de transformar em prima cada obra que produz. Mas há aqui obras-primas, e o livro, globalmente, é bastante bom.

Eis o que achei das histórias, uma a uma:
Este livro vem da biblioteca dos meus pais; o mais certo é ter sido comprado.

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