segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Hondtices

Serei só eu a achar irritantes e até um pouco anti-democráticas as distorções que o método de Hondt causa na transformação dos resultados eleitorais em deputados à AR? Vejam bem: o PS conquista mais de metade dos deputados com só 45% dos votos. Não seria mais lógico que se menos de metade dos eleitores quisessem dar confiança a um partido, menos de metade dos eleitos fossem desse partido? Não seria mais democrático, mais respeitador da vontade do eleitorado? E que dizer dos partidos mais pequenos, que se vêem severamente prejudicados por este sistema?

Reparem nos resultados abaixo. Mostram os resultados destas eleições com 2 freguesias por apurar mais os círculos da emigração, seguidos do número de deputados eleitos, num total de 226, seguidos, entre parêntesis, do número de deputados que seriam eleitos por cada um se o sistema fosse, de facto proporcional:


PartidoVotosMandatos
Hondt
Mandatos
Proporcional
PS2 571 761119105
PPD/PSD1 638 9317367
PCP/PEV432 1391417
CDS/PP414 8551217
BE364 296815
PCTP/MRPP47 745
2
PND39 986
2
PH16 866
1
PNR9 365

POUS5 572

PDA1 604



Estão a ver? Nada menos que três partidos sem representação parlamentar teriam direito a ela no caso de existir uma verdadeira proporcionalidade que respeitasse por inteiro a vontade dos eleitores. O Bloco praticamente duplicaria o seu grupo parlamentar. O PP e a CDU teriam um número de deputados bastante mais coincidente com a proximidade dos respectivos números de votos. Serei só eu a achar isto desejável? Afinal de contas, em países que são democráticos há muito mais tempo que o nosso é normal formar-se parlamentos com 8 forças políticas ou mais e não é por isso que os respectivos sistemas são menos estáveris que o nosso. Às vezes, bem pelo contrário.

Estas são algumas dúvidas que me assaltam a cada eleição, de cada vez que constato a grande distância que há entre a vontade do eleitorado e aquilo que o método de apuramento retira dela e a enorme quantidade de votos que não são utilizados para eleger deputados. O meu, por exemplo.

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