sábado, 12 de fevereiro de 2005

Raios partam a tecnologia!

Quanto eu era puto, tínhamos cá em casa um daqueles velhos telefones de disco, pretos e pesadões. Marcar um número era operação cheia de zumbidos, mas não era lá muito demorada porque os números só tinham 5 algarismos. Nessa altura as coisas eram simples: se se levantasse o auscultador e não se ouvisse o sinal contínuo da linha era sinal de que o telefone estava avariado e era preciso pedir a um vizinho para ligar para os CTT.

Hoje, há telemóveis. O meu avariou-se. Não que não trabalhasse, que trabalhava, só que de vez em quando, a meio duma conversa, desligava-se. Era chato, mas descobri que isso não acontecia se lhe ligasse o auricular e, como andava fraco de finanças, passei a usar esse subterfúgio em permanência. Mais tarde, comecei a reparar que o telemóvel se desligava de vez em quando sem motivo aparente, mas como ligava normalmente a seguir, não achei que fosse relevante. Também começou a acontecer que telefonava para as pessoas e era como se do lado de lá me desligassem o telefone na cara. Às primeiras, não liguei, mas como a coisa se repetisse comecei a chatear-me. Não com o telemóvel, note-se: com as pessoas para as quais telefonava.

É que, entretanto, outras chamadas aconteciam normalmente. O som não diminuiu de qualidade, nessa altura ainda não se notava nenhuma alteração na capacidade do aparelho de "conversar" com a central, enfim, por vezes parecia estar tudo a 100%.

Mas por fim, comecei a desconfiar e fiz alguns testes. Um tipo não pode ser obtuso a tempo inteiro, pelo menos se não vota PSD nem CDS. E com o telemóvel numa mão e o fixo na outra descobri que de vez em quando a central não encontrava o telemóvel com ele ligado, outras vezes a ligação fazia-se, o telemóvel tocava uma ou duas vezes mas desligava-se logo depois e outras vezes nada parecia estar mal.

Acabei por levar o "bicho" à assistência. Uma semana depois, devolveram-mo explicando que o software estava cheio de bugs e tiveram de o actualizar e que a bateria estava gasta e a pedir substituição rápida. Os "sintomas", disseram-me, às vezes aconteciam. Era assim.

Ou seja: o velho telefone preto quando se avariava emudecia. Não havia nada que enganar. Hoje, é como se o raio da engenhoca apanhasse uma gripe. Chama-se o doutor? Não se chama o doutor? Será que com umas aspirinas vai lá? Isto será estômago ou brônquios? Umas vitaminas?...

Raios partam!

Mas não há nada a fazer. O velho telefone de disco não tinha nem SMS nem jogos, nem receptor de chamadas nem agenda embutida. Era só telefone, um simplicíssimo telefone. E a complexidade tem os seus custos, toda a gente sabe disso. Neste caso, custou-me umas dezenas de euros e umas quantas zangas, pelo menos do meu lado. Essas, estão resolvidas. O mais provável é ninguém me ter desligado mesmo o telefone na cara. Só o telefone.

Quanto aos lados de lá vou agora ver se houve estragos e, se sim, procurar remediá-los até onde for possível.

No fundo isto torna a vida mais interessante. Os tempos são, certamente, interessantes. É essa uma velha praga chinesa, não é verdade? Pois.

Já estou mesmo a ver as novas doenças de um futuro próximo, com a hipocondria tecnológica à cabeça.

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