sábado, 8 de outubro de 2005

Declaração de provável não voto

Ainda não decidi, mas começa a ser provável que amanhã não me incomode a ir votar, pela primeira vez em muitos, muitos anos. Por uma razão simples: não há em quem votar e nem há qualquer relevância no voto.

O PS, que já ganhou, como de costume em Portimão, mantém-se enredado na sua teia de cumplicidades menos claras com os construtores civis e leva sistematicamente anos a mais para concluir todos os projectos a que põe mãos à obra. Não que eles sejam maus, pelo menos não são todos, mas não é compreensível e dificilmente é desculpável que praticamente tudo o que se começa a fazer nesta cidade demore eternidades a estar pronto, no meio duma série de confusões e trapalhadas que metem quase sempre estudos mal feitos, imprevistos cujas consequências são sempre para pior e nunca para melhor e, em geral, uma imagem de laxismo, incompetência e deixa-andar com custos económicos elevados.

O PSD, que desta vez arranjou um trio de insignificâncias para se armar em coligação (PP, PPM e MPT pouca ou nenhuma expressão têm por cá), tem uma ideia de cidade que iria destruir o pouco de bom que este executivo implantou por cá - alguma actividade cultural, por exemplo, para a qual os alaranjados e penduras não demonstram a mais pequena sensibilidade - e não ia construir nada de satisfatório no seu lugar, muito pelo contrário. Os projectos que apresentaram há quatro anos para a frente ribeirinha eram de pôr os cabelos em pé, com torres a fazer lembrar as Amoreiras espetadas à pressão mesmo junto ao rio, tapando dele o resto da cidade e submergindo uma zona que já tem gravíssimos problemas de trânsito em mais uma onda provável de carrinhos e carripanas. E pelo que tenho lido este ano, a filosofia geral, a maneira de pensar(?), mantém-se.

A CDU reapresenta um candidato que perde sempre, eleição atrás de eleição. Já foi vereador no tempo do Martim Gracias, e pouco ou nada fez para tentar travar os desmandos da mais desastrosa administração camarária que esta cidade já teve, escudando-se na falta de poder de um vereador isolado. Perdeu o lugar de vereador porque o povo da cidade compreendeu, e muito bem, que não estava lá a fazer nada. Mas volta a candidatar-se, provavelmente na esperança que as pessoas não tenham memória.

O Bloco avança com um candidato sem carisma, pouco simpático e com problemas na articulação do discurso. Nunca lá esteve e por isso é uma incógnita o que faria, mas é outro que se candidata ano após ano (julgo, não tenho a certeza, que já era candidato quando ainda havia UDP) e não consegue nunca convencer gente suficiente a dar-lhe a confiança do voto, de modo que não acredito que consiga também desta vez. E andar pela cidade a fazer propaganda de mercedes também não ajuda.

E finalmente a lista "independente", encabeçada pelo presidente da associação do comércio tradicional, um homem que, segundo o PSD, se inscreveu no partido para ser candidato à câmara e avançou com a candidatura dele quando percebeu que não lhe iam fazer a vontade. Um homem com todo o aspecto (e a fama) de ambiciosozinho, daqueles que querem o poder pelo poder e apenas pelo poder. Uma lista de gente que passa a vida a queixar-se da vida, tadinhos dos comerciantes, avassalados pelos mauzões das grandes superfícies, mas que no entanto lá arranjou dinheiro, sabe-se lá onde, para fazer uma campanha mais gastadora e ruidosa do que as dos grandes partidos.

Enfim, um deserto, vazio e seco.

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