sexta-feira, 2 de março de 2012

Lido: O Sol é que Alegra o Dia...

O Sol é que Alegra o Dia... (bib.) é uma noveleta de João Ventura que ficciona a vida e a obra de uma personagem real, o Padre Himalaya, sacerdote católico e inventor português da transição entre os séculos XIX e XX. Na vida real, Himalaya foi pioneiro no aproveitamento da energia solar e inovou no campo dos explosivos, mas as suas invenções não foram aproveitadas. A história de Ventura altera apenas este último (mas fundamental) detalhe, descrevendo o que poderia ter sucedido caso Himalaya tivesse encontrado um ambiente mais recetivo, e tivesse podido desenvolver as suas ideias mais aprofundadamente. Trata-se, portanto, de uma história alternativa com uma abordagem bastante semelhante à que eu próprio segui em Unidade em Chamas, a novela que publiquei na mesma antologia, diferenciando-se apenas no protagonista (no meu caso Bartolomeu de Gusmão) e no grau de proximidade com o ponto de divergência. Ventura começa a sua história ainda antes do ponto de divergência, com Himalaya ainda no seminário, e vai acompanhando a par e passo os desenvolvimentos tecnológicos que dele resultam, ao passo que a minha história se desenrola décadas depois do ponto de divergência que escolhi, já com a tecnologia plenamente desenvolvida.

É escusado dizer, portanto, que esta abordagem à história alternativa e ao retrofuturismo me agrada bastante, especialmente quando bem executada. E Ventura executa-a bem, conseguindo um bom equilíbrio entre o desenvolvimento da história e as informações técnicas sobre os inventos de Himalaya que vai espalhando pelo texto, conseguindo ser até didático sem no entanto se deixar cair em infodumps excessivos e escusados... quase nunca. A única parte que me pareceu excessiva e que eu teria abreviado, ou até retirado, talvez, é o discurso final do protagonista. Fora isso, a noveleta pareceu-me muito bem conseguida, mesmo muito bem conseguida. Nada mais a di...

Bem, há mais uma coisinha a dizer. Nada tem a ver com a qualidade do conto de João Ventura, em nada a belisca. Mas não consegui perceber o que teria esta história de steampunk. Se por um lado ainda bem que ela foi publicada, porque o merece plenamente, por outro, no livro em que veio a público, é um pouco um corpo estranho. E isso pode não ser bom para a avaliação que alguns leitores farão da história.

Mas este leitor ficou bastante satisfeito com ela. E isso é tudo o que (me) importa.

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