domingo, 1 de junho de 2003

Spamesia (26)

Pouco spam, anteontem, mas a "Nancy" foi uma querida e enviou-me uma mensagem intitulada: "Don't wait until the storm approaches!". Não podia resistir a tal apelo, logo:

Não esperes até que a tempestade se aproxime

O tempo pode parecer-te calmo quando te levantas de manhã
pode ser que não haja vento e que os pardais saltem no passeio
presos apenas do nervosismo típico da condição de ser pardal
pode ser que o sol brilhe e a terra quente lhe envie ondas de ar
fazendo rodopiar folhas mortas e sacos de plástico num bailado
pode ser que não se ouçam os estrondos dos motores de aviões
que evoluem em manobras para lá do horizonte, sobre o mar
sobre a imensidão amarela do deserto, pode ser que o vento
seja demasiado fraco para te trazer o cheiro do óleo dos motores
e dos milhões de litros de combustível que estão ali, prontos a usar
pode ser que não ouças os gritos dos assassinos
os primeiros gritos dos primeiros assassínios
os primeiros disparos, as primeiras explosões
os primeiros vagidos de morte, as últimas vontades das primeiras vítimas
pode ser que nem notes que a tempestade se vai construindo
peça a peça, para lá dos teus horizontes imediatos
mas há sempre sinais, há sempre rumores, há sempre aragens geladas
se estiveres com atenção, notá-los-ás, e não terás dúvidas
podes fingir que não vês, fugir para um qualquer dos mundos de esquecimento
mas haverá um momento em que não poderás fugir mais
e terás de enfrentar a tempestade, talvez tarde demais
Não esperes que ela se aproxime, não te escondas do inevitável
porque quando os assassinos preparam as suas armas
é sinal de que chegou a hora para lutar

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