sexta-feira, 14 de outubro de 2011

É de levar as mãos à cara e bradar aos céus

A Leya Brasil não achou por bem enviar-me exemplares da Guerra dos Tronos, depois de ter adaptado (?) ao português do Brasil a minha tradução feita para português de Portugal. É uma cortesia comum, mas eles não a tiveram. Não me perguntem porquê. Não sei. Suspeito, mas de saber sabido não sei.

Por conseguinte, da adaptação só conheço os trechos que vão vazando aqui e ali. E alguns são de levar a cara às mãos e de bradar aos céus.

Então não é que o seguinte trecho, que julgo ser inteiramente compreensível no Brasil:

Há ali cem tipos de erva, ervas amarelas como limão e escuras como índigo, ervas azuis e ervas cor de laranja, e ervas que são como arcos-íris

foi deturpado como:

Há ali cem tipos de plantas, amarelas como limão-siciliano e escuras como índigo, azuis e cor de laranja, e as que são como arco-íris.

Acredita-se?

Soube desta coisa estapafúrdia através deste blogue, cujo autor se escandaliza, e com toda a razão, com aquela estupidez do limão-siciliano num mundo onde não existe Sicília. Já para não falar da deturpação da cadência do original, que procurei preservar na tradução para português.

Decididamente, a tradução que os brasileiros estão a ler não é a minha.

PS - Dizem-me que os livros seguintes, A Fúria dos Reis e A Tormenta de Espadas já não sofrem deste tipo de problemas. Sem os livros, não posso confirmar. Mas espero bem que assim seja!

5 comentários:

  1. Por este e outros motivos, estou comprando os livros de Portugal ao invés dos brasileiros. Li os excertos disponíveis no site da Saída de Emergência, e não senti muita dificuldade em ler na tradução de Portugal. E sinceramente sinto muito por está deturpação da tradução.

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  2. Isso pode ser entendido se considerarmos que os limões (em portugal) descritos como amarelos na passagem do livro, no Brasil são conhecidos como limões sicilianos. Já os limões (no Brasil) são aqueles de cor verde, conhecidos como limas em Portugal. Ainda assim, o termo siciliano, que remete a Sicília, provavelmente um país inexistente no mundo de Westeros, poderia ser evitada, usando a opção limões verdadeiros, também usada pra se designar aos limões portugueses.

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  3. Essa dos limões até não levei tanto em consideração, mas dose foi ler que existiam arvores de Pau-Brasil no bosque sagrado de Winterfell, não li o livro original mas achei um tanto estranho nossa famosa arvore existir em Westeros.

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  4. Larguei o livro da guerra dos tronos logo nas primeiras páginas e fui correndo ler no original em inglês.
    Perdoe-me a expressão, mas achei "um lixo". Agora lendo sua explicação vi que a culpa não foi sua, foi da editora que lançou o livro de qualquer jeito.

    Muito boa sua atitude de publicar isto na internet, esclarece realmente quem é o culpado da história!

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  5. Concordo com a questão do "limão", ainda mais se levarmos em conta que no Brasil há uma tonalidade de amarelo conhecida como amarelo-limão.
    É por causa de atitudes como essa da LeYa que as traduções em edições brasileiras recebem tantas críticas.

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