domingo, 6 de julho de 2003

Spamesia (60)

Se os ciclos do universo tivessem alguma atenção às conveniências do homem e a Lua levasse 30 dias a circundar a Terra, fazendo-o 12 vezes num ano de 360 dias, então faria agora dois meses que comecei com esta coisa da spamesia. Na realidade, fez mesmo hoje dois meses, uma vez que deixei atrasar o spam dois dias, e o número redondo deveria ter saído ontem. Seja como for, é número bastante comemorável, como são todos os números redondos. A melhor comemoração possível teria sido a criação de um bom spamema, mas o material disponível era escasso e muito fraquinho: 14 spams, um deles sem título, outro a anunciar um blog, um terceiro a anunciar pela megagésima vez "vagas abertas", um outro a dar-me um "hi", um quinto a perguntar-me se sou um "junky", dois ou três perfeitamente incompreensíveis, etc. Acabei por pegar num "You left your umbrella" e fazer mais um texto em tom absurdista:

Esqueceu-se do chapéu de chuva

Ao longo da guerra foi aqui que foi ficando
o posto de comando das operações meteorológicas
era aqui que se reuniam os fazedores de chuva
os sopradores de vento, os escultores de neve
e daqui saíam instruções detalhadas
para as operações concretas no terreno

Mas no fim da guerra, uma bomba em espiral
explodiu mesmo em cima do posto de comando
que ficou sem o telhado por causa do tornado
que a bomba provocou
voaram preparados, aparelhos e poções
voaram aos bocados soldados em calções
e o tempo nunca mais foi igual ao que era dantes

E é esta a história deste rochedo diluviano
é esta a história que recordamos ano a ano
agora que aqui estamos só à espera de um fim
qualquer que ele seja, desde que seja um fim
Nada mais há a contar. Pode ir-se já embora
levando a linda noiva que veio aqui escutar
a maior história das histórias do meu povo

Adeus, e que tenha uma vida longa e nova
Mas espere! Ó amigo! Não corra! Volte cá!
Com a pressa, esqueceu-se do chapéu de chuva.

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