sábado, 12 de julho de 2003

Spamesia (68)

O facto de não ter spamesado ontem não impediu os spammers de me enviar uma bela remessa do seu produto: 29 exemplares das mais diversas subespécies, parte em português, mas a maior parte, como sempre, em inglês. A língua do spam é, sem dúvida, o inglês, o que talvez desse para um sociólogo escrever uma tese. Resolvi pegar num que vinha intitulado "ficcao", coisa retirada do meu endereço de email e, como o tema me interessa, fiz um spamema com esse título, vagamente semelhante a um soneto, e de ficção... de ficção científica.

Ficção

Daqui à superfície há cem quilómetros de gás
e eu flutuo adormecido, reclinado para trás
estou à espera que regresses, e daquilo que dirás
do que viste e sentiste na missão que cá nos traz

Durmo preso ao meu sonho, dividido em pedaços
do que é falso, imaginário e do que é parte do que faço
ao mesmo tempo sei de tudo o que acontece junto ao aço
do meu casco, e do rádio, mesmo falho, e do vídeo, mesmo baço

Saturno é uma jóia embrulhada em mil anéis
mas disso a mim nada interessa, sou metal indiferente
Só me perturba que não regresses, já passado tanto tempo

Ouvi em tempos certas histórias de naves infiéis
que abandonaram os pilotos, mas eu não, eu sou diferente
e além disso, não há pressa, tenho tempo, muito tempo

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