domingo, 1 de agosto de 2010

Lido: Como é que o Ali Veio Para o País Negro

Se acham que Como é que o Ali Veio Para o País Negro é dos "tais" títulos, daqueles títulos que exalam um forte odor a Lorde Dunsany, pois acertaram em cheio. Trata-se de um conto bem mais sombrio do que a maioria dos outros, em que Dunsany mostra a sua veia ecológica e, como é infelizmente comum em muita gente dotada de tal veia, também mostra uma outra, a veia ludita. O Ali do título é um bruxo que vem da Pérsia para Inglaterra a fim de conter um demónio que anda a poluir os ares, os rios e os campos, o demónio do vapor. Mas a sua tarefa é dificultada por ser preciso primeiro convencer quem dele beneficia da necessidade de o conter. Sim, a parábola é clara, e é muitíssimo atual. Só acho pena que o ataque do escritor seja desferido contra a tecnologia como um todo, embora também ache compreensível que assim seja dado o que se sabia na época em que o conto foi escrito. Há praticamente cem anos ainda não estavam muito claros os tremendos benefícios que a tecnologia nos traria, embora já começassem a ver-se os também tremendos problemas que com eles viriam, e não havia nem sinal da tecnologia ecologicamente consciente que hoje se vai a pouco e pouco impondo, muito mais timidamente do que deveria. Neste contexto, o ludismo é natural, suponho. Mas lendo o conto hoje a ressonância com algumas opiniões contemporâneas mal informadas torna-se bastante incómoda.

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