segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lido: O Poço e o Pêndulo

O Poço e o Pêndulo (bib.) é um dos mais conhecidos contos de Edgar Allan Poe, contando até com várias adaptações para outros media (fora as numerosíssimas derivações de alguns dos mesmos temas, que se podem encontrar num bom número de filmes de horror ou de suspense). Um homem, aprisionado pela Inquisição Espanhola, é torturado de forma impessoal, sendo primeiro encerrado numa masmorra mergulhada nas trevas, no centro da qual vem a descobrir encontrar-se um poço, depois amarrado a uma mesa enquanto um pêndulo cortante vai descendo com extrema lentidão, deixando-o na expetativa dos primeiros cortes. É quase uma obra-prima do terror psicológico, um conto que seria muitíssimo bom se não fosse aquele deus ex machina que acontece no desfecho, cuja inverosimilhança estraga bastante o efeito geral da história. Ao terminar a (re)leitura deste conto não consegui evitar entregar-me à imaginação de outras formas de o concluir que respondessem melhor à necessidade de manter o narrador vivo, determinada pela narração na primeira pessoa. Concluí que provavelmente teria bastado alguma preparação para o desfecho, que o que ele tem de pior é a mão do deus ex machina ter caído sobre a cena de súbito quando não é verosímil que tal acontecesse sem qualquer aviso. Teria sido relativamente simples deixá-lo mais a meu gosto. Pena.

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