sábado, 21 de agosto de 2010

Lido: O Vampiro de Nova Holanda

O Vampiro de Nova Holanda (bib.) é uma história de Gerson Lodi-Ribeiro que faz parte da sua série de história alternativa e (ocasionalmente) vampirismo científico denominada Três Brasis, na qual a presença holandesa no nordeste brasileiro se solidifica e persiste, o mesmo acontecendo com a nação de escravos fugidos de Palmares, que na nossa linha temporal não passou de um embrião de estado mas nesta linha alternativa não só se estabeleceu e fortaleceu, como se desenvolveu mais e mais depressa do que as nações vizinhas, sobretudo o Brasil português. Graças, em grande medida, à ajuda de Dentes Compridos, o último da sua raça, uma espécie de vampiros originária da costa sul-americana do Pacífico que após ser capturado pelos palmarinos se torna seu agente.

É o princípio de vida e os antecedentes de Dentes Compridos antes de se tornar por inteiro agente de Palmares, e o motivo por que acaba por aceitar aliar-se aos palmarinos, que esta história nos conta. Apesar da ligação bibliográfica que encontram no início deste texto vos remeter para uma ficha de noveleta, esta versão que li agora é uma expansão desse texto inicial que julgo que chega ao tamanho de novela. Não sei bem se gosto dessa expansão. Dá-me ideia que corta um pouco o ritmo a uma história que, apesar de muito boa, sempre foi muito descritiva, em particular no início, porque começa por apresentar as personagens e descrever o contexto (alo)histórico em que se inserem. Julgo que prefiro a versão original.

Apesar disso, continua a ser uma boa história. Após a parte inicial em que são feitas as apresentações, o resto da história decorre na cidade do Recife, capital da Nova Holanda, onde se vão reunir personagens provenientes dos sítios mais díspares como a própria Palmares e a Nova Holanda, uma destemida princesa banta recém-chegada de África, um tal Van Helsing, agente da administração holandesa que, apesar de não ser a mesma personagem, tem um nome bem conhecido por todos os que sabem alguma coisa sobre a literatura de vampiros, e o filho de Cyrano de Bergerac, afamado aventureiro e espadachim e "especialista" nos vampiros europeus. É nesta fase que a história ganha mais vida e se torna mais cativante, terminando depois em aberto. Provavelmente estará nos planos do autor juntar as histórias dos Três Brasis num livro único, talvez um romance fixup como fez com as da princesa inca Xochiquetzal, caso em que esta será sem dúvida a primeira. Julgo mesmo que funcionaria ainda melhor num livro desse género do que como história independente.

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