segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lido: Uma Récita do Roberto do Diabo

Uma Récita do Roberto do Diabo (bib.), de Júlio César Machado, é um conto fantástico que acompanha em paralelo uma representação teatral e uma história contada por um dos membros do público a outro, aquele que conta a história na primeira pessoa. Tem essa peculiaridade estrutural, chamemos-lhe assim, que lhe confere um interesse acrescido ao que teria de outro modo, e que serve também para o autor fazer, no final, convergir as duas histórias até quase se confundirem. Ambas as histórias são dramáticas. A contada pela peça tem a ver com o dilema de um filho (O Roberto do Diabo do título) ao descobrir a natureza do pai. Aquela que é contada pelo companheiro do narrador é uma história de ódio e parricídio que, apesar da tentativa de inculpar um terceiro por parte do assassino, não fica sem castigo. É conto cheio de subtilezas, para se ler com atenção e bastante bom, apesar do maniqueísmo de inspiração católica que tão típico é nestas histórias fantásticas oitocentistas e tão irritante se torna quando lemos a segunda ou terceira. Mas faz parte; afinal, os escritores são fruto da sua época. Faz parte e é neles bem mais desculpável do que seria em autores mais contemporâneos.

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