terça-feira, 5 de julho de 2011

Três Livros por Ano: 2000-2010

Já há uma série de tempo que andava para fazer um post deste género, e agora é uma altura tão boa como qualquer outra. Portanto, mãos à obra.

Uma das coisas de que as literaturas do imaginário lusófonas se tendem a queixar com alguma regularidade, embora agora as coisas estejam muito melhores do que há alguns anos, tanto em Portugal como principalmente no Brasil, é de falta de visibilidade. Por causa disso, eu fui ao longo dos anos tendo vagas ideias sobre a elaboração de uma série de artigos que dessem destaque a alguns livros lusófonos de FC&F que fui lendo. Essas ideias permaneceram vagas durante muito tempo, mas deixaram de o ser há dias. Depois de andar pelo Bibliowiki a ver se seria viável passar da ideia à prática acabei por achar que sim, apesar da existência de algumas lacunas ser provável, e aqui está o primeiro desses artigos.

O título do post já dá algumas pistas. Trata-se de escolher, entre os livros de literatura fantástica portuguesa que eu li e foram publicados no ano X, os três de que mais gostei ou que achei melhores (nem sempre é a mesma coisa). Note-se que se trata aqui apenas de livros que eu li, o que faz com que fique inevitavelmente de fora uma série de livros que muita gente achará melhores do que os que aqui irão aparecer. Mas se não os li não posso ter opinião sobre eles, certo? Logo, serão omitidos.

O que isto também quer dizer é que o viés pró-português será forte, não tanto neste primeiro artigo, mas nos seguintes certamente. A razão é simples: li bastante mais livros de portugueses do que de brasileiros (e bastante mais de brasileiros do que de outras nacionalidades). Há também um certo viés favorável à FC, dado ser o género que mais me tem interessado ao longo da vida. Notem ainda que nem todos os títulos que aqui aparecerão serão aquilo que eu considero bons livros. Também nem todos serão livros que me agradaram. Mas houve anos maus, em que quase nada se publicou, e também houve anos cuja produção pouco me passou pelas mãos. Alguma ainda virá a passar, espera-se, o que torna estes posts sempre provisórios. É provável, aliás, que daqui a algum tempo (anos, decerto) volte a fazer isto, incluindo o que vier a ler daqui até lá. Mais um detalhe ainda: só contam aqui obras que tenham tido edição em papel; obras que se tenham limitado a edição online ficam de fora.

Mas para tudo se entender, nada como exemplos. E neste caso exemplificar o que se pretende fazer equivale a fazê-lo. Portanto cá vai:

2010

Este ano está em branco; ainda não li nada do que se publicou em 2010, embora algumas coisas estejam compradas e na pilha de leitura. Terá de ficar para mais tarde.

2009

Este ano também foi muito pouco lido, para já, embora haja vários livros editados em 2009 cá por casa, na pilha (e um esteja a ser lido agora). Só tenho dois títulos, um de um livro de que gostei, outro de um livro de que não gostei. São, respetivamente, Crônicas, coletânea de FC de Gerson Lodi-Ribeiro, e Uma Noite Não São Dias, novela de algo de semelhante a FC, de Mário Zambujal.

2008

2008 está ainda pior; não só não li nada do que foi editado este ano, como muito poucas são as coisas que constam da minha biblioteca.

2007

Este ano é o primeiro em que tenho mais do que três livros por onde escolher e em que posso escolher só livros que acho que valem mesmo a pena. Foi neste ano que saiu O Projecto Candy-Man, um pequeno romance de FC de João Barreiros, A Conspiração dos Antepassados, romance de horror pessoano de David Soares, e Por Universos Nunca Dantes Navegados, antologia lusobrasileira organizada pelo Luís Filipe Silva e por mim.

2006

Este também é um ano em que os três títulos que aqui ponho valem a pena, embora uns mais do que outros. Tive dificuldade em escolher o terceiro (havia três títulos em competição), mas os dois primeiros são simples: O Anibaleitor, novela fantástica de Rui Zink e Outros Brasis, coletânea de história alternativa de Gerson Lodi-Ribeiro. Para a terceira vaga acabei por optar por A Sombra Sobre Lisboa, antologia de horror lovecraftiano organizada por Luís Corte-Real.

2005

2005 volta a ser ano pouco produtivo no que toca às coisas lidas por mim. Só arranjei dois títulos lidos, mas felizmente ambos valem a pena: As Intermitências da Morte, romance fantástico de José Saramago, e Tempos de Fúria, coletânea de FC de Carlos Orsi.

2004

2004 volta a ter três livros, mas esse número esgota os que li. Os títulos são: Quantas Madrugadas Tem a Noite, maravilhoso e divertidíssimo romance fantástico de Ondjaki, Um Vulto nas Trevas, novela fantástica juvenil de Simone Saueressig, e Fadas Láureas, antologia piadético-fantástica organizada por Luís Louro, de cujos contos só muito raramente gostei.

2003

Este é um caso bicudo. Li mais do que três dos livros saídos neste ano, mas não posso realmente dizer que tenha gostado de nenhum. Mas enfim, dá para calar bem caladinhos os piores e falar aqui dos que não o são assim tanto. Vatur, o Continente Escondido, romance de fantasia juvenil de Miguel Ávila, é o melhor; Visões, coletânea de contos em geral fantásticos de Octávio dos Santos vem a seguir e O Sentido Latente, romance de algo aproximado a FC, de Nuno Neves, fecha a lista. Uma nota: se estivesse a incluir edições eletrónicas outro galo cantaria, porque as melhores coisas de 2003 que li foram editadas em bits, o que não deixa de ser curioso.

2002

2002 volta a ser ano de relativa fartura de leituras, a suficiente para poder só escolher livros que valem a pena. Por exemplo: a coletânea de FC retrofuturista A Verdadeira Invasão dos Marcianos, de João Barreiros, a antologia de ficção especulativa erótica Como Era Gostosa, a Minha Alienígena!, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro, e o romance fantástico O Homem Duplicado, de José Saramago. Também foi neste ano que saiu o meu Sally, mas não acho que chegue ao nível da concorrência.

2001

Das publicações de 2001 só posso realmente dizer que gostei de uma: Disney no Céu Entre os Dumbos novela de FC de João Barreiros, editada pela primeira vez neste ano no E-nigma e mais tarde reeditada em papel. Duas coletâneas, Contos Místicos, de Maria de Menezes, e Sete Histórias por Acontecer, de Luísa Marques da Silva, estão apesar de tudo acima dos outros livros do ano que eu li.

2000

E para acabar por agora eis-nos em 2000. Das obras deste ano que eu li consigo encontrar pelo menos três que valem a pena. Escolhi A Caverna, romance fantástico de José Saramago (apesar de estar longe de ser dos seus melhores livros) e duas antologias brasileiras, Intempol, com contos de FC sobre uma polícia do tempo brasileira, organização de Octávio Aragão, e Phantastica Brasiliana, antologia eclética organizada por Gerson Lodi-Ribeiro e Carlos Orsi Martinho.

1 comentário:

  1. Devo agradecer a referência ao meu livro - coleCtânea de contos - «Visões», de 2003. Fico agora à espera da leitura e da apreciação de «A República Nunca Existiu!» (2008) e de «Espíritos das Luzes» (2009).

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