quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lido: História de Portugal, Director's Cut

História de Portugal, Director's Cut (bib.), de Renato Carreira é, supreendentemente, um livro sobre a história de Portugal. Ninguém diria, mesmo com a bandeira nacional na capa e tudo, mas é verdade. O tema do livro é a história do nosso glorioso retângulo à beira-mar plantado, desde os tempos em que ainda nem existíamos enquanto tugas e o nosso mapa não era em forma de jardim, até aos dias um tudo-nada anteriores aos de hoje. Ainda não inclui o desastre do Passos Coelho, mas já inclui o desastre do José Sócrates, além de uma multidão de desastres anteriores. E também uma ou outra coisinha decente, naturalmente. Afinal, o 25 de Abril não ficou de fora.

Obviamente, como a história de Portugal é uma anedota, trata-se de um livro de humor. Por vezes com piada genuína, que deu aqui a este leitor para esboçar sorrisos e até chegar mesmo algumas vezes a desenhá-los a tinta da china e até um ou outro a óleo. E também, ainda que mais raramente, para soltar uma ou outra gargalhadinha discreta. Para rebentar em gargalhadas não deu, e ainda bem, que não queríamos cá a brigada de minas e armadilhas nem alarmar a vizinhança com rebentamentos noturnos (o livro foi lido principalmente à noite). De outras vezes, porém, a piada não resistiria a uma vistoria da ASAE. Piadolas pirateadas, disfarçadas de piadas, números repetidos tentando passar por novos. Convenhamos que não é fácil manter um humor uniformemente humorístico ao longo de 250 páginas, mas o facto é que esses fraquejos fazem com que o livro não seja tão bom como podia ter sido. Tem piada, mas podia ter mais. Gostei, mas podia ter gostado mais. E não há muito mais que possa dizer sobre ele.

A não ser, talvez, que quem encare a história do nosso país (e o nosso país) como coisa séria, é melhor manter-se afastado desta... hm... versão, chamemos-lhe assim à falta de um termo mais adequado.

Ah, sim, o livro vem incluído numa coleção de literatura fantástica. Porquê?, perguntarão. A pergunta é boa, mas eu julgo saber a resposta. Pelo mesmo motivo por que, mantendo-se as devidas distâncias, A História Universal da Infâmia, de Jorge Luis Borges, pertence à literatura fantástica. Porque se apresenta como história mas mistura facto e ficção, baralhando tudo e voltando a dar. Há algo de história alternativa em algumas passagens, embora não muito; é que neste livro é em geral fácil separar facto de ficção, e para isso nem é preciso ter grandes conhecimentos sobre a história de Portugal tal como nos é apresentada por quem a reputa de verdadeira. Em Borges chega a ser quase impossível, e na HA a premissa ucrónica é clara desde o início. Portanto este livro é, parece-me, algo diferente. Mais humor que qualquer outra coisa. Mas não deixa de ter em si elementos fantásticos mais ou menos relevantes.

Este livro foi comprado, se a memória não me engana. Mas também pode ter sido fruto da tal promoção "leve 3, pague 2".

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