terça-feira, 15 de novembro de 2011

Lido: Lentidão

Lentidão (bib.) é um conto de ficção científica de Ana Cristina Rodrigues, algo space-operático, com um estilo um pouco antiquado, cujo protagonista é um contrabandista que se associa a um grupo guerrilheiro num planeta distante. A trama gira em volta dos negócios — obviamente sujos — do contrabandista e dos sarilhos em que se mete para cumprir com aquilo que dele esperam... ou não. É um conto razoável, mas não me parece que passe daí. Tem alguns aspetos interessantes, mas a impressão principal que me causou foi de ser um conto apressado, no sentido de não ter sido pensado até ao fim. Exemplifico: o fulcro do desfecho do conto, e aquilo que explica o título, reside na ausência de um motor de dobra na nave que o contrabandista usa para ir encontrar-se com uns contactos alienígenas tão trapaceiros como ele. Nada a opor ao motor de dobra; trata-se de um cliché na FC (em trekês chama-se warp drive, mas é a mesma coisa), mas até é teoricamente possível à luz da física atual e tudo. Só que antes dessa ausência ser revelada, ao mesmo tempo que nos é dada a informação de que em naves daquele tipo tais motores não são autorizados, tinha aparecido como motivo da viagem o teste de... motores de dobra novos. Esta é a pior incongruência do conto, mas há mais algumas, em especial no que toca ao ambiente espacial propriamente dito. Isso, as personagens etereotipadas e um enredo que não me pareceu lá muito bem ligado puxa a qualidade do conto para baixo. Mas, como disse, há alguns pontos interessantes, portanto também não o achei mau.

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