domingo, 4 de dezembro de 2011

Lido: Ilusões

Ilusões (bib.) é um conto curto de ficção científica, de Denis da Cruz, escrito com uma certa competência, que conta uma história distópica sobre um guerreiro biónico que é contratado por uma corporação para roubar a memória de um "ID". É também um conto muito católico, e por conseguinte muito maniqueísta. Isso não ajuda nada a que eu dele goste, porque sou bastante alérgico a maniqueísmos, sejam católicos ou não, mas o que o estraga mesmo, para mim, é o autor achar que tem de esfregar todo o simbolismo na cara do leitor, é ele não confiar na inteligência de quem o lê. É ter de chamar à IA boa "Messias" e à IA má "Lúcifer", à maligna corporação "Satan", e dar a sua liçãozinha de moral no último parágrafo, como se tudo o que ficou escrito antes não bastasse. É não compreender que a literatura, aquela que realmente o é, é um jogo de inteligência entre o escritor e o leitor, e que a inteligência pressupõe subtileza. E é pena. Ele é competente no manejo da língua, e a história tem ritmo, tirando um infodump inicial que me pareceu escusado (ou talvez apenas demasiado longo), e algumas boas ideias. Podia ter gostado desta história. Mas a verdade é que não gostei.

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