sábado, 25 de fevereiro de 2012

Transignorâncias 3: Para que raio (não) serve aquilo?

Antenota: Para a Lâmpada regressar por completo depois da pausa de janeiro faltava apenas reatar estes artigos mais longos, globalmente intitulados transignorâncias. É agora. E começo por um tema que já aqui foi falado, ainda que não sob este ponto de vista. A coisa dá muito pano para mangas. Tanto que vai daqui sair mais do que uma transignorância. Conto com três, publicadas em semanas sucessivas.


Vamos a isso? Vamos a isso.

No meio do muito lixo que tem sido escrito contra a nova ortografia do português, tanto por gente que não tem qualquer obrigação de saber mais do que o quase nada que sabe sobre a língua, como por quem estaria obrigado a não produzir tanta asneira (por motivos misteriosos, que um dia a ciência talvez consiga desvendar, estes últimos são carinhosamente tratados por alguns de nós como “graçamouras”), há uma objeção que felizmente não é carapuça, porque se fosse os partidários da atualização ortográfica teriam muita dificuldade para a tirar da cabeça.

É que se disserem que a utilidade do acordo ortográfico tem sido pouco e mal explicada só vos poderemos responder com um “pois”. E isso tem consequências nada misteriosas na atitude de parte do público. Se me disserem que tenho de mudar x e y e não me explicarem porquê de forma que eu entenda e aceite, vou chatear-me, ah pois vou. É natural. É humano. Era de esperar. E devia ter sido acautelado.

Para piorar as coisas, há alguns partidários do acordo que parecem estar tão confusos como os graçamouras, e se põem a disparatar quase com o mesmo grau de incompreensão de que estes costumam dar mostras, ainda que de uma forma, em geral, menos carroceira. Isso só aumenta a confusão. Imaginar utilidades facilmente desmascaráveis está ao mesmo nível rasteiro de debate das catástrofes linguísticas que os graçamouras gostam de inventar e, em vez de ajudar a um esclarecimento cabal do que está em causa e se pretende, só aumenta a confusão. Ora, a oposição ao acordo ortográfico medra na confusão e na ignorância. Tentar combatê-los com confusão e ignorância não é só inútil, mas contraproducente.

Daí que fosse bom que a utilidade da atualização ortográfica fosse claramente explicada duma vez por todas. É o que vou tentar fazer aqui, tal como a entendo. Não faço parte da equipa que preparou o AO, logo não sei o que eles tinham em mente, mas sei uma coisinha ou duas sobre esta língua portuguesa que é o meu instrumento de trabalho, tenho um cérebro funcional na cabeça e fiz umas coisas que a esmagadora maioria dos opinadores que por aí pululam não fez: li o acordo de fio a pavio, li vários materiais respeitantes às mudanças ortográficas anteriores do português, informei-me sobre as questões ortográficas por que passaram e continuam a passar outras línguas, devorei, em suma, toda a informação sobre o assunto que me passou pelas mãos. E, mais importante do que tudo o mais, pensei. Coisa rara, bem sei.

Em resultado, não estarei na posse da verdade completa, mas pelo menos faço uma ideia bastante aproximada dos motivos que levaram à maioria das mudanças e sei apontar para os disparates com um grau bastante elevado de segurança.

Vamos lá então. Começando por desmascarar fantasmas.

Têm dito, uns e outros, e com variadas nuances, que a nova ortografia vai mudar a língua. Uns, entre purismos descabidos e uma xenofobiazinha mal disfarçada, afirmam que essa mudança equivale a uma degenerescência e a um abrasileiramento, o que para eles é a mesma coisa, outros que as alterações ortográficas vão reunificar a língua, e que isso a fortalece. Isto entre muitos outros exemplos de mudanças que eles preveem que virão a ser operadas por via ortográfica.

Os exemplos são, de facto, muitos. Mas estão todos errados. Todos.

Porque a ortografia é apenas uma forma de representar a língua em forma escrita e disso não passa.

Fixem bem. E. Disso. Não. Passa.

Antigamente, quando a linguística não era propriamente uma ciência e os linguistas eram uns senhores formados nas faculdades de letras que não só não percebiam nada de ciência como a odiavam com todas as forças, e tinham uma formação e formatação intelectual que punha a palavra escrita acima de toda a evidência, preferindo portanto procurar respostas em calhamaços empoeirados escritos por ilustres antepassados a ir em busca delas ao mundo real, compreendiam-se até certo ponto as ideias feitas sobre influências ortográficas sobre a fala. Até certo ponto; afinal, a vastíssima maioria dos utilizadores e, portanto, manuseadores e alteradores da língua, eram analfabetos, e já nessa época não fazia qualquer sentido que regras sobre como as palavras se deviam escrever influenciassem o modo como a população analfabeta as pronunciava. Mas enfim; apesar desta incoerência de pensamento, justificada com preconceitos de classe que eram na época muito mais fortes do que são hoje (e hoje ainda são fortes demais, em especial em certos meios), é compreensível que tais ideias subsistissem numa disciplina que ainda permanecia no estado pré-científico.

Mas entretanto, a ciência-a-sério meteu o seu nariz curioso na questão linguística, aprendeu-se um mundo de nova informação e surgiram disciplinas inteiras baseadas parcialmente nas ciências naturais. A biolinguística, a neurolinguística, a pedolinguística até, em parte, a paleolinguística e a sociolinguística, são bons exemplos. E o que estas novidades deixaram claro, comprovado, indiscutível, é que a língua é a fala. Ponto.

Portanto, não será por se alterarem algumas regras na forma de representar a fala que esta vai ser alterada. Tirem o cavalinho da chuva os que falam em reunificação linguística ou os que preveem a chegada iminente dos cavaleiros do apocalipse causada pela supressão de uns cc e de uns pp quando escrevemos certas palavras. Isso não vai acontecer. Nada disso. As pessoas, nos anos mais próximos, vão continuar a falar como até aqui, e as dos vindouros falarão de forma diferente porque a língua, isto é, a forma de falar, vai continuar a mudar como tem vindo a mudar até hoje, tão lenta e irresistível como um glaciar. Poderíamos revolucionar por completo a forma de escrever português, podíamos trocar de alfabeto, podíamos arranjar até formas não alfabéticas de escrever a língua, que esta não mudaria um milímetro que fosse. Isto está comprovado. Mas as velhas ideias custam a morrer.

E antes que me venham com o velho exemplo do sc etimológico, que terá alterado a pronúncia de um conjunto de palavras relativamente numeroso (nascer, descer, etc.), deixem-me dizer-vos duas coisas. Uma: esse é o único exemplo comprovado e indiscutível de uma influência ortográfica sobre a pronúncia das palavras. O único; não há mais. E duas: não foi a ortografia que causou a alteração, mas sim a ignorância e a presunção de uma camada da população.

(Abro um parêntesis para dizer, já agora, que me parece soberanamente ridículo que se apresente um exemplo de uma deturpação da língua ligada à escrita etimológica para contestar que se abandone outros resquícios etimológicos em prol de uma escrita mais baseada na fonética, porque, pasmai senhores!, isso vai deturpar a língua! Fechar parêntesis, abanando a cabeça e sufocando um risinho.)

As línguas mudam oralmente. E há muito que em Portugal existe uma camada de pacóvios de alta e média-alta sociedade, muito mais preocupados com a aparência do que com a substância, que são presas fáceis para modismos disparatados (e se duvidam, leiam Eça). Junte-se as duas coisas, e que temos? Um grupo de gente que se convenceu de que, se se escreve aquele s em nascer, ele tem de ser dito, e toca de alterar a pronúncia. Era um grupo bastante pequeno numa sociedade esmagadoramente analfabeta que pronunciava “nacer” como a língua tende a querer que se pronuncie, mas era também um grupo desproporcionadamente influente. Era dele que saíam os mestres-escola, era dele que saía a maioria dos padres, era dele que saía boa parte da intelectualidade do tempo. E foi assim que a pronúncia dessas palavras mudou: porque essa gente ignorava as correntes profundas da língua, confundiu etimologia com fonética e começou a “corrigir” algo que não queria correção. A culpa não foi da grafia. A culpa foi da ignorância e da tendência muito humana de se dar ouvidos a ignorantes com prestígio social. E a mudança deu-se oralmente. Quando as pessoas ouviram os padres falar. Quando as crianças aprenderam a falar no seio de famílias dessas, e mais tarde no seio das restantes. Quando foram para a escola e foram corrigidas por professores completamente inconscientes de que as correções que estavam a fazer eram disparatadas.

Estamos livres de isso voltar a acontecer?

Evidentemente que não. Mas, e isto é muito importante porque estas alterações nascem de modismos movidos a ignorância, é impossível prever quais se darão no futuro. Não só é impossível prever que modismos surgirão, mas mais impossível ainda é prever quais solidificarão em alterações de longo prazo na pronúncia das palavras, pois a maioria das modas linguísticas tão depressa surge como desaparece sem deixar rasto. Enraízam-se algumas, e à partida ninguém pode adivinhar quais.

Portanto, quando depararem com seja quem for que afirme com toda a certeza que se fizermos isto à língua acontece aquilo, ignorem esse ignorante. É alguém que não sabe nada sobre a língua, que não faz a mais pequena ideia dos motores da sua evolução, que está completamente a leste de tudo isto. Na língua, o máximo que se consegue fazer é analisar o que aconteceu no passado e dizer que, dados os exemplos anteriores, é possível que as condições presentes resultem em x e y. Não certo: possível. E isto funciona tanto melhor quanto mais longo o prazo a que os exemplos se referem. Querem um exemplo para entender melhor? Ei-lo: é muito mais provável que a língua portuguesa continue a desfazer-se de consoantes duplas como vem fazendo há largos séculos, desde a sua separação da raiz latina (provavelmente desde antes, até), do que que a pronúncia separada do s e do c em “nascer” se mantenha por muito mais tempo. Na verdade, não só a pronúncia inadulterada de “nacer” ainda resiste em certas zonas do espaço lusófono, como nas outras o sc tende a fundir-se em x, ouvindo-se frequentemente a palavra a ser pronunciada como “naxer”. Ou “dexer”. Ou “condexender”.

(Outro parêntesis para dizer que ainda bem que o mesmo não aconteceu com a velha sciencia, senão teríamos provavelmente um dia um povo inteiro a falar de xiência, palavra que é, convenhamos, bem mais feia do que ciência.)

Resumindo: não, alterações ortográficas não mudam a língua. Ponto, parágrafo. Não nos porão a falar “brasileiro” nem aos brasileiros a falar “lusitanês”. Não irão fechar mais o português de Portugal nem irão abri-lo. Essas são coisas que só as modas linguísticas podem fazer, e estas podem ter origem em tudo e mais alguma coisa, mas muito em especial na ignorância. E é por isso que o aspeto mais preocupante de toda esta discussão em volta do acordo ortográfico é a brutal ignorância que ela tem revelado, especialmente em certos setores que tinham mais que obrigação de saberem alguma coisinha sobre isto. E é por isso que seria fundamental que quem de facto sabe, em vez de se encerrar nas torres de marfim da academia, interviesse, explicasse, ajudasse a destruir velhas ideias bolorentas encasquetadas nas cabeças pouco arejadas que por aí abundam. Há alguns bons exemplos, mas são insuficientes.

Mas este é só um dos fantasmas que por aí andam. Revela-se de muitas formas diferentes e é exibido com grande frequência, mas é só um. Vamos a outro.

“Ah, e tal, que isto é tudo para fazer negócio.”

Bem, não sejamos ingénuos, sim? A língua portuguesa é fundamental para a economia dos países que a usam. Um estudo feito há uns anos estimou que a língua vale quase 20% do PIB português. Logo, é óbvio que há interesses financeiros envolvidos em tudo isto.

Só que se calhar não são bem os que vocês podem pensar.

Para princípio de conversa, sim, houve editoras que se apressaram a lançar dicionários segundo a nova ortografia, guias disto e daquilo, etc., mas estou aqui capaz de apostar que essas edições tiveram bem menos sucesso do que as editoras estariam à espera. É que toda a informação necessária a quem quer usar bem as novas regras está disponível na net, à distância de um clique. Eu, que trabalho em exclusivo com a nova ortografia já vai para três anos, não tenho um único dicionário com ela. Continuo a usar os dicionários que já tinha, dicionários que obedecem às regras ortográficas instituídas em 1911 e alteradas nos anos 40 e 70 do século passado. Quando estes se estragarem, o que, com o uso que lhes dou, é coisa certa, logo compro novos. Segundo as novas regras.

Sim, os livros escolares têm de vir com a nova ortografia. Mas acontece que eles mudam todos os anos, ou quase, portanto haveria livros novos com AO ou sem ele. Até pode haver bons motivos para achar esse negócio escandaloso, mas já o era antes do AO, e continuaria a ser se nunca tivesse existido nenhum acordo ortográfico.

Sim, houve livros publicados a explicar a nova ortografia. E também houve livros publicados a contestá-la. Tanto dinheiro estão a fazer alguns dos que a promovem como alguns dos que a combatem e a grande maioria das pessoas envolvidas no debate não tem ganho com ela um tostão furado. Para cronistas que já o eram antes do debate ter início, tradutores que já traduziam na antiga ortografia e continuaram a traduzir na nova, jornalistas que idem aspas, e mais uma série de eteceteras, o facto de se alterar a ortografia foi rigorosamente irrelevante em termos financeiros.

A passagem do tempo é muitas vezes coisa chata. Envelhece-se, ganha-se rugas e cabelos brancos, tem-se desilusões e desapontamentos, morrem-nos entes queridos, quebram-se-nos os corações. Mas também tem as suas vantagens, e uma delas está em poder ver-se o que valiam certas posições e afirmações. Uma que apareceu frequentemente há três ou quatro anos dizia que vinha aí uma invasão de brasileiros, que o AO tinha sido concebido por eles para dominar isto tudo.

A-hã… pooooois… Digam-me, que é deles?

Não sei de nenhum caso de editoras brasileiras que se tenham instalado em Portugal desde a entrada em vigor da nova ortografia. Os casos que conheço são anteriores, alguns muito anteriores (há casos de intercâmbio editorial entre Portugal e o Brasil desde… bem, desde sempre), e nenhum dos mais recentes correu particularmente bem. Pelo contrário, a nossa Leya instalou-se no Brasil depois da nova ortografia, e com toda a força. Tenho aqui um dedo que adivinha que o teria feito mesmo sem AO nenhum; afinal, fez o mesmo em Angola, e por lá, embora tenham assinado o acordo como toda a gente, ainda não o ratificaram, portanto ainda não o puseram em prática.

Ponhamos os pezinhos na terra, sim? O Brasil é muito mais apelativo para as empresas do ramo do que Portugal. Porque enquanto nós definhamos sob a botifarra da troika e do Merkozy, eles lá crescem. Porque enquanto nós temos, com muito boa vontade, uns cinco milhões de leitores, eles lá têm talvez uns quinze ou vinte; lê-se proporcionalmente menos no Brasil, é certo, mas, como a população é muito maior, o total de leitores também é. Porque as nossas empresas têm de depender de distribuidoras para cobrir um país que é maior do que às vezes parece, enquanto eles lá nem precisam de cobrir o seu gigantesco território, porque só nas duas maiores zonas metropolitanas, Rio de Janeiro e São Paulo, vivem alguns 30 milhões de pessoas, mais do que suficientes para dar sustentabilidade a pequenas editoras. Querem mais motivos? Olhem que há.

Portanto, se há interesse em penetrar no outro grande mercado da língua, ele existe muito mais do lado português do que do brasileiro. O Brasil, para Portugal, é importante; Portugal, para o Brasil, nem por isso. E se julgam que o AO tem nisso grande influência, desiludam-se.

Posso dar-vos o meu exemplo pessoal. Sim, é verdade que uma das minhas traduções foi comprada pela Leya Brasil e foi publicada por lá, com grande sucesso comercial. Parece que os livros do Martin têm feito no Brasil tanto sucesso como cá, e também lá andam a competir pelos primeiros lugares dos tops de vendas. Mas a tradução foi adaptada, não foi publicada como cá. E este não foi o primeiro caso de uma tradução portuguesa reutilizada no mercado brasileiro, muito longe disso (é outra das tais coisas que existem desde sempre), nem será o último.

E o impacto que isso teve na minha conta bancária… meh.

Além do mais, os mercados estão separados. Quando se compram os direitos de tradução, compram-se para Portugal ou para o Brasil, não para a língua portuguesa como um todo. Porque apesar de falarmos a mesma língua, falamos dialetos diferentes e isso, como já vimos, não é nenhum ajustamento ortográfico que poderá alterar. Com AO ou sem ele, os livros continuarão a ter maioritariamente uma tradução cá e outra diferente lá. Ou várias; há livros que têm basicamente uma tradução por edição. E isto não acontece tanto por uma questão de interesses financeiros, como de realidades linguísticas.

(Mais um parêntesis para uma ressalva: é muito provável que a entrada em força do digital no setor do livro acabe por alterar esta realidade. Mas, de novo, isso acontecerá com AO ou sem ele.)

E acabámos por chegar a quase três mil palavras (que estabeleci como limite absoluto para estas publicações) só falando de duas coisas para que o AO não serve. Vou deixar por aqui. Talvez ainda volte a esta primeira parte, não sei; talvez não valha a pena, uma vez que a maior parte das pessoas fala de uma qualquer variante do primeiro ponto que abordei, e há outras coisas para as quais se diz que o acordo serve que estão só um pouco ao lado daquilo para que realmente serve. Talvez fale dessas na última parte. Mas por hoje fico-me por aqui. Prometendo continuar, claro.

Transignorâncias anteriores:

3 comentários:

  1. Grande fôlego, pá, sim senhor!

    Bem metida a questão do "sc" (e o exemplo de "descer", em q eu nunca tinha reparado!), que, como dizes, é exceção à regra da independência da fala perante a escrita e, se for tomada como “risco”, vem realmente enfraquecer o campo etimologista que paradoxalmente a brande.

    Outro exemplo, do mesmo jaez: Se em 1911 se tivesse decidido converter para "cs" o "x" etimológico de origem grega, escreverísmos hoje "secso" (que é tão “artificial” como escrever "crónica" em vez de "chrónica") e… "tócsico" — tendo assim prevenido o popular plebeísmo *"tóchico".

    (Aliás, é curioso como uma ortografia “democrática” não-elitista/não-etimologista acaba por impossibilitar os plebeísmos deste tipo.)

    ResponderEliminar
  2. Exato. Esse é um exemplo de uma pronúncia minoritária que talvez venha um dia a constituir um segundo caso de influência da escrita na fala, mas ainda está longe desse ponto. Por agora não passa de um tique de discurso de algumas pessoas.

    E de novo, trata-se de hipercorreção originada por uma deficiente compreensão do que é uma ortografia e do que é a língua. Há outras. Há quem diga coisas como "akto", por exemplo. Tudo originado na treta da etimologia.

    ResponderEliminar
  3. Excelente série de artigos, pela amostra que li, Vou ler tudo com mais vagar.
    Não me tinha apercebido da questão dos "sc". Em mais de um ano a rebater os anti-acordo no FB, nunca nenhum deles me apresentou esse facto. Curiosamente, e pensando bem lá para trás, na minha terrinha os mais velhos diziam nacer, crecer e decer, sim.
    E fartei-me de pedir aos anti-AO que me apresentassem um só caso de alguma palavra portuguesa cuja fonética tivesse sido alterada por alguma reforma ortográfica. Ninguém se chegou à frente.
    Eu ainda pensei qu eme iriam responder com o "béco", mas é um exemplo mau porque, como toda a gente minimamente culta sabe, a pronúncia correta é "bêco".
    Mais tarde, num comentário de jornal, alguém referiu "quinquenal", que deveria dizer-se "quinqüenal" (como quinquagésimo) mas se diz "kinkenal". Este talvez seja um exemplo legítimo...
    Bem, adiante, a ler o resto. Parabéns pelos artigos!
    ~Eunice Mota

    ResponderEliminar