quarta-feira, 29 de março de 2017

Lido: Explosão da Fundição de Sinos

Explosão da Fundição de Sinos, de Manuel Alves, partilha com o texto anterior a característica de ser um conto apresentado como artigo noticioso e também uma outra: ambos são construídos em volta de crimes e da investigação que lhes sucede. Mas isso é basicamente tudo o que os dois textos têm em comum. Onde o texto de Pedro Ferreira toca de raspão o steampunk, o de Alves coloca-o no centro de tudo; onde o texto de Ferreira se fica pela rama no que toca à parte investigativa, deixando entrever que haveria ainda muitos factos por apurar, o de Alves consegue, de uma forma bastante hábil, dar a entender que o mistério deverá perdurar, pois os investigadores já terão desenterrado todos as provas disponíveis, sem que elas façam grande sentido.

Conta este texto o que é possível contar sobre o misterioso desaparecimento de um tal Engenheiro Henrique Aldim, talvez vítima da explosão a que o título faz referência, embora o corpo não tenha sido encontrado e apesar de haver notícias de que, pouco antes da explosão, um grupo de encapuzados teria entrado aos tiros pela Fundição dentro. Também destes encapuzados não há rasto. O leitor recebe a maior parte da informação relevante através de alguns fragmentos de páginas escritas, que teriam pertencido ao diário do malogrado engenheiro, e que deixam entrever uma história complexa com ramificações por desenvolvimentos tecnológicos no campo da robótica e, ao que parece, pela espionagem industrial... ou talvez da outra? Não é claro.

Esta é uma história bastante bem contada, que consegue deixar água na boca ao mesmo tempo que se encerra em si mesma de forma satisfatória. Um dos melhores textos desta publicação.

Textos anteriores deste livro:

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