quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Lido: O Zumbido

O Zumbido é um conto de Arsénio Mota que começa quando um velho jornalista amargurado ouve, na redação do jornal em que trabalha, um estranho zumbido que mais ninguém ouve. Ou, visto sob outro ponto de vista, é uma violenta diatribe contra os jornalistas que se socorre do tal velho jornalista e seu zumbido para obter uma voz que não seja a do autor. E aí reside o que me leva a não ter gostado por aí além deste conto. Não é credível que o velhote ouça o zumbido, se manifeste curioso a respeito dele e logo de seguida o esqueça por completo para arrancar por uma sequência de pensamentos em que se desfaz em desprezo pelos colegas, sequência essa que tem todas as características de ter sido pensada muitas vezes ao longo de muitos anos. O artifício do zumbido (e aquilo que se vem a descobrir no fim que o causa) é demasiado gratuito, e gratuita também é a súbita, e provavelmente temporária, tomada de consciência final desses mesmos colegas. Ou pelo menos de um deles. Tudo demasiado óbvio, muito pouco subtil.

Por outro lado, em termos de português nada tenho a apontar. O conto está bem escrito.

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