segunda-feira, 15 de março de 2010

Lido: At Dorado

At Dorado é um sofisticado conto de FC hard de Geoffrey A. Landis, cujo único ponto fraco é o cliché das personagens e do seu ambiente mais comezinho. A protagonista é uma empregada de bar numa estação/porto espacial em órbita à volta da embocadura dum buraco de verme, o qual é usado como autoestrada espacial para navegar pelo espaço e pelo tempo. Obedecendo fielmente ao cliché, os "navegantes" (tratados mesmo por sailors, para sublinhar o paralelismo com os embarcadiços do presente no planeta Terra) têm uma mulher (ou um homem... também os há homossexuais) em cada porto, e usam as escalas entre cada travessia de um buraco de verme para passar algum tempo com ela ou com ele, nunca se esquecendo de reservar algum desse tempo para frequentar um dos bares locais. Mas o marido da protagonista, um navegador que mais parece estivador, é diferente, ou pelo menos ela julgava que sim. E é nesse ambiente que acontece um naufrágio, que uma nave aparece pelo buraco de verme feita em pedaços. A nave em que o navegador partira.

Assim contado, o conto não parece nada de especial. Mas a ligação de toda esta banalidade com o ambiente extraordinário dos buracos de verme e dos paradoxos espaçotemporais que eles podem gerar está muitíssimo bem conseguida. É esse, a navegação através dos buracos de verme e tudo o que a rodeia, o verdadeiro tema do conto, mas tudo o resto, por mais cliché que seja, acrescenta-lhe camadas de complexidade e interesse. O fim, em especial, é muito, muito bom: ao mesmo tempo paradoxal e completamente humano. Nota-se que gostei? Pois foi.

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